Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Guiné-Bissau - Observatório de Direitos Humanos vai documentar feminicídios

Menina morreu espancada por familiares por não aceitar casamento forçado. Ativistas falam de “normalização” da Violência Baseada no Género na sociedade guineense. O lançamento do Observatório dos Direitos da Mulher marca atividades dos 16 Dias de Ativismo



As comemorações dos 16 Dias de ativismo contra a violência a mulheres ocorre num contexto desfavorável à igualdade do género, promoção e proteção dos direitos da mulher na Guiné-Bissau. Ativistas denunciam situações de discriminação e violações sistemáticos de direitos humanos.

Igualdade do género

Para contrariar a tendência, um Observatório dos Direitos da Mulher foi lançado em Bissau no âmbito dos 16 Dias do Ativismo. A nova plataforma vai monitorizar no país e dar a conhecer a situação da mulher através de recolha, organização e análise rigorosa e sistemática das informações.

No fundo, o projeto financiado pelo Camões Instituto de Cooperação e da Língua, vai trabalhar na promoção da igualdade do género, proteção dos direitos e empoderamento das mulheres.

Para o Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé com o apoio de todos os intervenientes e a colaboração das entidades do estado e organizações parceiras pode-se reduzir os casos e contribuir para promover a igualdade do género e a proteção do direito das mulheres.

“Temos indicadores que nos apontam que o índice do analfabetismo na Guiné-Bissau afeta sobremaneira as mulheres, a violência baseada no género é normalizada na sociedade e nos últimos anos temos assistido fenómenos que eram desconhecidos na Guiné-Bissau nomeadamente o feminicídio”.

Espancamento até à morte

Só em 2024, houve registo de cinco casos de feminicídio, dos quais, quatro foram cometidos em Gabú, região leste do país. O último caso aconteceu nos finais de agosto na região de Tombali, a vítima foi uma menina de 18 anos que recusou casar-se com um homem de 50. Ela foi espancada por um grupo de mulheres e não resistiu. 

A Guiné-Bissau dispõe de leis que proíbem a mutilação genital feminina desde 2011. Em 2010, quando se iniciou o processo legislativo, os dados oficiais apontavam para 45 porcento o número das mulheres vítimas da prática. Atualmente o número nas mulheres situa-se em 52 porcento.

Para Turé, a perpetuação destas práticas de afronta aos direitos da mulher, a democracia e o estado de direito, com consequências económicas e sociais, deve-se as práticas culturais tradicionais, o desleixo e a falta de vontade política das instituições de aplicação da lei.

“Apesar do país ter adotado um conjunto de legislações que consubstanciam proteção dos direitos das mulheres, mas do ponto de vista pratico não tem havido capacidade de resposta institucional da parte das entidades de aplicação da lei, estando, por conseguinte, a promover-se a impunidade”.

Esferas de decisão

Em relação a participação das mulheres nas esferas de tomada de decisões, os dados não têm revelado melhorias. Na legislatura anterior, apenas 14 dos 102 deputados da nação foram mulheres enquanto nas últimas eleições o número de mulheres deputadas caiu para 11, o nível mais baixo de sempre.

De recordar que a Guiné-Bissau dispõe de uma lei de paridade que estipula uma cota mínima de 36% para mulheres nas esferas de representação política. As organizações defensoras acreditam que os direitos da mulher e a igualdade do género são questões de interesse nacional, da democracia, estado de direito e desenvolvimento.

A realidade para muitas mulheres na Guiné-Bissau é ainda de desigualdade, discriminação e vulnerabilidade, continuando a enfrentar obstáculos significativos no aceso a educação, saúde, justiça e desigualdade laboral que não tem sido correspondida com a devida remuneração.

A educação dos filhos e familiares menores e outra responsabilidade que recai também nas mulheres e que não é devidamente reconhecida e valorizada. Amatijane Candé – Guiné Bissau ONU News


terça-feira, 18 de maio de 2021

África do Sul - Comissão sobre a Eliminação da Discriminação a Mulheres afirma que o país falha no combate da violência a mulheres


Um relatório divulgado pela Comissão sobre a Eliminação da Discriminação a Mulheres, (CEDAW), revela o aumento da violência de género e até de feminicídios na África do Sul.

Em comunicado, a Comissão cita baixos níveis de indiciamento e de punição de casos de violência doméstica e o fracasso da polícia sul-africana de aplicar mandados de proteção.

Agressores

Com isso, sobreviventes deste tipo de abuso e violações ficam cada vez mais à mercê dos agressores.

A Comissão analisa, anualmente, a situação dos direitos das mulheres em todos os países.

Segundo o grupo, muitas mulheres e jovens na África do Sul, especialmente em áreas rurais, são vítimas de práticas danosas incluindo o casamento infantil, sequestro para casamentos forçados e poligamia, que levam ao aumento da violência doméstica.

As sul-africanas que denunciaram o agressor não receberam a proteção necessária da polícia.

Ordem

Dados indicam que de 143824 solicitações para ordem de proteção entre 2018-2019, apenas 22211 foram concedidas. Mas em muitos destes casos, a ordem de proteção apenas recomendava o agressor a dormir num outro quarto da mesma casa.

A Comissão da ONU destaca que o sofrimento imposto a mulheres e jovens, quase sempre, expõe as mulheres desde cedo à violência doméstica incluindo violência sexual.

Várias sul-africanas falaram sobre violência física, estupro, agressões com objetos, pontapés e até queimaduras praticados por parceiros, que frequentemente têm histórico de álcool e drogas. Elas citaram ainda a baixa autoestima e tendências sádicas por parte dos agressores.

Recomendações

A CEDAW afirma que muitas sobreviventes passam a usar drogas para lidar com a violência e já tentaram o suicídio e várias vítimas sofrem com depressão, trauma e ansiedade por causa da violência.

O grupo citou a falta de abrigos estatais para socorrer mulheres e crianças e disse que a África do Sul não pode abster-se da sua obrigação de assistir as vítimas.

A Comissão fez 34 recomendações ao governo sul-africano para ação incluindo medidas para desmantelar atitudes patriarcais e estereótipos discriminatórios que legitimam a violência doméstica no país africano. ONU News – Nações Unidas