Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Internacional - Investigadores reutilizam subproduto do biodiesel em rações para peixes de aquacultura

Uma equipa de investigadores portugueses e franceses, liderada por Ivan Viegas, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), testou, com sucesso, uma nova dieta para peixes de aquacultura, utilizando glicerol como ingrediente alternativo, que pode ajudar a solucionar um dos grandes desafios desta área de negócio.

Atualmente, as rações comercializadas são demasiado dispendiosas e, muitas vezes, pouco sustentáveis, já que são produzidas à base de ingredientes de origem animal. Por isso, explica Ivan Viegas, torna-se urgente encontrar «ingredientes alternativos cujo conteúdo nutricional e energético, mas também a sua pegada ecológica, garantam uma produção mais rentável, segura, sustentável e resultando num produto final nutritivo. Neste contexto, o desenvolvimento de rações para aquacultura deve apostar no aproveitamento de subprodutos de outras indústrias, com base na reutilização, recuperação e reaproveitamento de nutrientes como postulado no princípio da economia circular».

O projeto, que, além da Universidade de Coimbra, integra investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e do Instituto Nacional da Agricultura, Alimentação e Ambiente de França (INRAE), apostou no glicerol, «um subproduto da indústria do biodiesel cujo aumento de produção global levou o glicerol a tornar-se num ingrediente abundante, disponível e atestado como seguro, pelas autoridades europeias para a segurança alimentar, para utilização em rações animais. Com a crise de combustíveis que se avizinha, será até expectável que a produção de biodiesel aumente. Urge, portanto, encontrar utilizações para os seus subprodutos», afirma o líder do estudo.

«O glicerol é uma molécula que é estrutural para os humanos, presente, por exemplo, nos triglicerídeos. Tem sido utilizado com sucesso como ingrediente alternativo para a suinicultura e avicultura, no entanto, o seu potencial como ingrediente em rações para peixes de aquacultura tem ficado por explorar», acrescenta.

Para avaliar a fiabilidade, performance e limitações na utilização de rações suplementadas com glicerol, assim como as suas consequências, foram testadas duas importantes espécies de peixes de viveiro em Portugal, a truta arco-íris e o robalo.

As dietas experimentais preparadas pelos cientistas, suplementadas com 2.5% e 5% de glicerol, foram digeridas de forma eficiente por ambas as espécies. As várias análises efetuadas permitiram concluir que «a performance no crescimento [dos peixes] poderá ser afetada na percentagem mais alta, no entanto, uma suplementação intermédia até 2.5% não altera substancialmente a performance e eficácia na utilização metabólica e perfil nutricional do filete», sublinha Ivan Viegas.

Isto significa, esclarece o investigador da UC, «que há margem para a incorporação do glicerol na dieta destas espécies». Além disso, realça, «analisámos o fígado das espécies testadas, o principal órgão de regulação de toda a “maquinaria metabólica”, e, com a ajuda dos nossos parceiros do INRAE, em França, verificámos não haver alterações da regulação enzimática do metabolismo hepático destes peixes pelo glicerol».

O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), foi desenvolvido nos últimos quatro anos e originou várias publicações científicas, a última na revista Frontiers in Marine Science, na edição dedicada ao tema "Feeding a Sustainable Blue Revolution: The Physiological Consequences of Novel Ingredients on Farmed Fish".

O artigo, dividido em duas partes, com o título “On the utilization of dietary glycerol in carnivorous fish”, está disponível, a parte I aqui e a parte II aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 2 de julho de 2021

FAO - Apela para maior disponibilidade de alimentos em África

São Tomé e Príncipe é o único país de língua portuguesa que deve alcançar 80% das cinco metas nutricionais da Organização Mundial da Saúde, OMS. Um terço das crianças da região subsaariana tem problemas de crescimento e 75% dos africanos não têm o suficiente para pagar por uma dieta saudável com frutas, proteínas, vegetais e animais


O número de crianças afetadas pelo atraso de crescimento continua em alta na África Subsaariana. 

A região concentra 91% de crianças sofrendo de nanismo. No continente, 57,5 milhões de menores enfrentam o problema. A região africana é a única do globo com tendência de alta.

Lusófonos 

Dentre os países de língua portuguesa, São Tomé e Príncipe está entre três nações a caminho de atingir quatro das cinco metas nutricionais da Assembleia Mundial da Saúde.  Com uma prevalência de desnutrição de 12%, o país tem a mais baixa taxa entre os lusófonos africanos.

O Panorama sobre Segurança Alimentar e Nutrição em África cita um programa de fortificação de alimentos com pó de micronutrientes múltiplos que cobre todas as crianças são-tomenses abaixo dos cinco anos.

No período entre 2017 e 2019, Angola teve uma taxa de desnutrição de 18,6%, seguida de Cabo Verde com 18,5% e Moçambique com 32,6%.

Já a Guiné-Bissau não apresenta dados no estudo, mas consta entre os países que sofrem pela influência de insegurança, da desaceleração económica e de choques climáticos que inter-relacionados aumentaram a prevalência da desnutrição. 

O país deve atingir as metas de combate ao excesso de peso e amamentação exclusiva.

Dependência

Angola está entre 12 nações africanas em vias de cumprir a meta de combate ao baixo peso para a altura.

Cabo Verde aparece entre os mais afetados com a queda abrupta nas viagens por causa da pandemia, pela forte dependência do turismo. O país tem uma prevalência de carência de vitamina A abaixo de 10%, que afasta o problema como uma ameaça à saúde pública.

Já em Moçambique, impactos climáticos e desacelerações económicas causaram a alta prevalência de subnutrição. O país tem 1,7 milhão de pessoas sofrendo de insegurança alimentar aguda devido a fatores como chuvas fracas, dois ciclones, aumento dos preços dos alimentos básicos e infestação generalizada pela lagarta-do-cartucho-do-milho.

O estudo envolveu especialistas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, da Comissão Económica da ONU para a África, ECA, e da Comissão da União Africana.

Dieta

O Panorama sobre Segurança Alimentar e Nutrição em África destaca que quase três quartos da população regional não podem pagar o suficiente para uma dieta saudável com frutas, proteínas, vegetais e animais.

O documento revela que mais da metade não tem acesso a uma alimentação adequada que forneça uma mistura de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais essenciais para a manutenção de saúde básica.

Mesmo uma dieta que forneça um mínimo de energia suficiente está fora do alcance de mais de 10% da população da região.

Custos

O Panorama sobre Segurança Alimentar e Nutrição em África recomenda uma transformação dos sistemas agroalimentares regionais promovendo dietas saudáveis mais acessíveis.

Os habitantes do continente enfrentam custos alimentares mais elevados do que em outras regiões com um nível de desenvolvimento similar e a alimentos básicos como cereais e raízes com amido. Algumas razões para a situação são sistémicas.

O relatório realça que embora a prevalência da baixa estatura esteja diminuindo, ela cai muito lentamente. Apesar do progresso, quase um terço das crianças na África Subsaariana ainda enfrentam dificuldades para crescer. ONU News – Nações Unidas