Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 3 de julho de 2023

Portugal - Estudo sugere que microplásticos em sistemas aquáticos acumulam bactérias patogénicas resistentes a antibióticos

Um estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) sugere que os microplásticos acumulam mais bactérias resistentes a antibióticos em substratos naturais, como a areia, em sistemas aquáticos (rios).

Este estudo, da autoria de Isabel Silva, aluna de doutoramento em Biociências do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC, revela ainda que o tipo de plástico influencia o número e as características das bactérias que aderem a estas partículas.

«Recentemente, verificou-se que as características destas partículas facilitam o estabelecimento de um conjunto de microrganismos com características distintas dos que se estabelecem noutros substratos. Uma das preocupações que se levanta é a possibilidade destes microrganismos incluírem bactérias resistentes a antibióticos, capazes de causar infeções graves (bactérias patogénicas)», enquadra Isabel Silva. 

Durante a investigação, foi possível detetar «bactérias potencialmente patogénicas incluídas na lista prioritária da Organização Mundial de Saúde (OMS), multirresistentes, isto é, resistentes a três ou mais classes de antibióticos diferentes, e com características de virulência preocupantes. A maioria destas bactérias foi detetada em microplásticos expostos à influência das descargas de águas residuais, demonstrando uma vez mais o contributo destas descargas para a evolução do problema da resistência aos antibióticos», observa a autora.

No entanto, esclarece, «as estações de tratamento de águas residuais contribuem significativamente não só para a redução do número de bactérias resistentes aos antibióticos nos efluentes finais, mas também para a redução do número de microplásticos que atingem os sistemas recetores. Mas, infelizmente, os processos de tratamento disponíveis não são suficientemente eficazes para eliminar o impacto que observámos neste estudo», lamenta a aluna.

Os resultados deste estudo, agora publicado na revista Environmental Pollution, mostram a grande pertinência no apoio a medidas que possam mitigar a dispersão da resistência a antibióticos. «Foram apresentados novos dados que identificam as descargas de águas residuais como determinantes na modulação, quer da composição microbiológica dos microplásticos, quer nas características de resistência destes microrganismos», aponta Isabel Silva.

Além disso, prossegue, «o facto de o tipo de microplásticos alterar a capacidade destas partículas de transportarem bactérias patogénicas e multirresistentes, poderá influenciar as escolhas futuras no que diz respeito à utilização de diferentes tipos de plásticos. Em última análise, este estudo apresenta mais evidências que apontam para a necessidade premente de diminuir a utilização de plástico, nomeadamente microplásticos, e de melhorar os tratamentos de águas residuais de forma a reter e eliminar estes contaminantes», conclui.

O estudo foi coordenado por Isabel Henriques, professora do DCV e investigadora do Centre for Functional Ecology (CFE), e Marta Tacão, investigadora auxilia do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, e contou também com a participação de Elsa Rodrigues investigadora do CFE. Universidade de Coimbra - Portugal 


terça-feira, 27 de setembro de 2022

Portugal - Fundação “la Caixa” apoia investigação do i3S em doenças cerebrais e resistência a antibióticos

Projetos de investigação em Saúde estão entre os 33 selecionados no âmbito do Concurso CaixaResearch de Investigação em Saúde 2022


Desenvolver dispositivos elétricos para tratar doenças neurológicas e encontrar novas estratégias para combater as infeções bacterianas são os principais objetivos dos dois projetos liderados por investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), que acabam de ser distinguidos no âmbito do Concurso CaixaResearch de Investigação em Saúde 2022, promovido pela Fundação “la Caixa”, em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Estes dois projetos do i3S estão entre os 33 projetos biomédicos e de saúde, considerados de excelência – 13 dos quais liderados por instituições e investigadores portugueses – que vão receber mais de 23 milhões de euros nos próximos três anos.

Das mais de 500 candidaturas ibéricas apresentadas foram selecionados cinco projetos na área das doenças cardiovasculares e metabólicas, onze no campo das doenças infeciosas, nove de neurociências e oito em oncologia.

Aos investigadores portugueses foi atribuído um total de 8,8 milhões de euros. Cerca de um milhão será aplicado no projeto liderado por Paulo Aguiar, denominado «Estratégias de neuromodulação inovadoras para o tratamento de doenças cerebrais (NeuroSpark)», que resulta de um consórcio com a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e o Consejo Superior de Investigaciones Científicas-CSIC, em Espanha. Já o projeto «Uma nova estratégia para combater a resistência antimicrobiana», liderado por João Morais Cabral, será financiado com 500 mil euros.

Uma nova estratégia para tratar doenças neurológicas

O projeto do investigador Paulo Aguiar baseia-se no conhecimento de que as funções cerebrais estão intimamente relacionadas com a atividade elétrica dos neurónios e em estratégias recentes que passam pela estimulação elétrica dos neurónios para tratar certas doenças neurológicas, como a Doença de Parkinson.

“Apesar do enorme potencial da neuromodulação como estratégia terapêutica, há ainda desafios importantes nos dispositivos atuais. A forma como conectamos eletrónica com neurónios e os mecanismos de controlo, são dois destes problemas”, sublinha o investigador.

Com o NeuroSpark, adianta Paulo Aguiar, “vamos desenvolver e validar a primeira estratégia de neuromodulação baseada em nanocomponentes eletrónicos capazes de imitar as sinapses neuronais (eletrónica neuromórfica). O objetivo é que este dispositivo proporcione um controlo adaptativo em tempo real da atividade neuronal, ou seja, que atue apenas quando é necessário, quando existe uma atividade anómala, e não de forma contínua”.

A eficácia destes dispositivos será avaliada, inicialmente, em modelos de epilepsia.

Combater a resistência antimicrobiana

O projeto liderado por João Morais Cabral surge devido ao aumento da resistência aos antibióticos utilizados para tratar as infeções bacterianas.

Este problema é atualmente uma das principais ameaças à saúde mundial, pelo que o investigador pretende centrar-se na procura e na caracterização de processos biológicos fundamentais das bactérias com o intuito de encontrar novas estratégias para combater as infeções, em particular, ”procurando maneiras de aumentar a sensibilidade bacteriana aos antibióticos existentes”.

Concretamente, explica João Morais Cabral, “vamos estudar certas proteínas bacterianas, determinar as suas propriedades e confirmar se podem constituir alvos antibacterianos viáveis para continuarem a ser investigados com o objetivo de desenvolver futuras aplicações clínicas”.

Sobre o CaixaResearch de Investigação em Saúde

O Concurso CaixaResearch apoia iniciativas de investigação de base, clínica e translacional de excelência e com forte impacto no que se refere aos desafios de saúde na área das doenças cardiovasculares, infeciosas e oncológicas, e das neurociências, para além de projetos que deem lugar a tecnologias facilitadoras nessas áreas.

A edição deste ano – a quinta – distinguiu um número recorde de 13 projetos portugueses provenientes de centros de investigação e universidades de várias regiões: sete da Área Metropolitana de Lisboa, três da Região Norte (Porto e Braga), dois da Região Centro (Coimbra) e um do Algarve.

No total, foram apresentadas 546 candidaturas, sujeitas à avaliação de comissões de especialistas internacionais constituídas para cada edição.

Desde o início do Programa em 2018, a Fundação ”la Caixa” já destinou 94,8 milhões de euros a 138 projetos de investigação inovadores e de grande impacto social, 95 liderados por equipas espanholas e 43 por grupos de investigação portugueses, sendo o único Concurso de apoio à investigação em saúde que abrange Espanha e Portugal.

Próxima edição já em 2023

A Fundação ”la Caixa” já anunciou uma nova edição do Concurso CaixaResearch de Investigação em Saúde, cujo resultado será divulgado em 2023, e convida os investigadores interessados a apresentarem candidaturas.

O apoio financeiro concedido às instituições selecionadas é de dois tipos: até 500 mil euros em três anos para projetos apresentados por uma única organização de investigação e até um milhão de euros em três anos para projetos apresentados por consórcios de duas a cinco organizações de investigação. Luísa Melo – Portugal i3S 


sábado, 20 de novembro de 2021

Brasil – Fundação Oswaldo Cruz alerta para bactérias resistentes a antibióticos

O Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) já recebeu em 2021 mais que o triplo de amostras de bactérias resistentes a antibióticos em comparação ao que foi analisado em 2019, último ano antes da pandemia da Covid-19. O levantamento foi divulgado pelo instituto, cujos pesquisadores alertam para o risco de maior disseminação da resistência a antibióticos pelo aumento do uso desses medicamentos durante a emergência sanitária.

As amostras de “superbactérias” são enviadas ao laboratório do IOC por outros laboratórios de saúde pública de diversos estados de forma espontânea, já que lá funciona a retaguarda da Sub-rede Analítica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde (Sub-rede RM), instituída pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde (MS).

O IOC informa que, em 2019, chegaram ao laboratório pouco mais de mil amostras de bactérias resistentes a antibióticos. Em 2020, esse número chegou a quase 2 mil, e, de janeiro a outubro deste ano, já atingiu 3,7 mil. O instituto ressalta que, enquanto os números oficiais da Anvisa sobre bactérias resistentes para 2020 e 2021 ainda não estão disponíveis, o aumento observado em centros de referência pode ser considerado como um alerta.

Em texto divulgado pelo IOC/Fiocruz, a chefe do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar, Ana Paula Assef, explica que houve um aumento no volume de pacientes internados em estado grave e por longos períodos durante a pandemia, o que aumenta o risco de infecções hospitalares. In “Agência Brasil” - Brasil