Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

China - Um departamento de língua curda foi inaugurado na Universidade de Pequim

China – Um departamento de língua curda acaba de ser inaugurado na Universidade de Pequim, capital da China, como parte de uma estreita cooperação com a Universidade Salahaddin em Erbil. Este novo programa oferecerá instrução nos dialetos sorani e kurmanji.

Num comunicado divulgado na terça-feira, 18 de agosto, a Universidade Salahaddin, em Erbil, anunciou ser a principal coordenadora e parceira na abertura do departamento de língua curda na Universidade de Pequim, na China. "A Universidade Salahaddin, em Erbil, é a principal coordenadora e parceira na abertura do departamento de língua curda na Universidade de Pequim, na China", especifica o comunicado.

Questionado pela Rudaw, o porta-voz da universidade, Saman Abdullah, indicou que o departamento tem como público-alvo principal estudantes chineses. "O departamento receberá os seus primeiros alunos este ano. Inicialmente, está prevista uma cota de 10 a 20 alunos ", afirmou.

Segundo ele, esta iniciativa constituirá "uma ponte entre a região do Curdistão e a China". Ela fortalecerá os laços académicos e culturais entre as duas regiões.

Sobre o programa, Saman Abdullah explicou: “Os alunos admitidos no programa de língua curda na China estudarão sorani durante os três primeiros anos dos seus estudos e, em seguida, kurmanji no quarto e último ano. O nosso principal objetivo é garantir que os alunos formados tenham um domínio completo dos diferentes dialetos e da riqueza da língua curda.”

Vale destacar que a Universidade Salahaddin, em Erbil, abriga o único departamento de língua chinesa do Iraque e da Região do Curdistão. Atualmente, conta com 100 alunos matriculados e formará a sua terceira turma este ano.

Esta cooperação bilíngue ilustra o desenvolvimento das trocas académicas entre Erbil e Pequim. In “kurdistan au feminin” - França


sábado, 22 de março de 2025

Iraque – Encontradas tábuas com 4 mil anos que revelam burocracia antiga

Arqueólogos do Museu Britânico e do Iraque descobriram mais de 200 tábuas cuneiformes de 4000 anos em Girsu, lançando luz sobre a complexa burocracia do primeiro império conhecido



Uma descoberta no sul do Iraque deu-nos um raro vislumbre do mundo da burocracia antiga. Investigadores do Museu Britânico e do Iraque desenterraram mais de 200 tábuas cuneiformes de argila e 60 selos, oferecendo um registo detalhado do antigo império acádio.

Essas tábuas de 4000 anos, descobertas na antiga cidade suméria de Girsu (atual Tello), revelam tudo, do mundano ao monumental: rações de cevada, transações de gado e até mesmo a morte de uma ovelha nas periferias do império.

“Estas são as plantas do império, a primeira evidência material do primeiro império do mundo”, disse Sébastien Rey, curador do Museu Britânico para a antiga Mesopotâmia e diretor do Projeto Girsu, ao The Observer.

Para que não pensemos que a burocracia era uma invenção moderna, Rey destacou a propensão do império para procedimentos burocráticos. “Eles anotam absolutamente tudo… Eles são obcecados com burocracia”, afirmou.

O tesouro de registos administrativos, que remonta ao período acadiano (2300-2150 a.C.), fornece a primeira evidência concreta do Império Acádio sob o rei Sargão – o primeiro império conhecido do mundo. Rey explicou que as tábuas foram armazenadas num edifício de arquivo do estado e documentam o funcionamento interno do império em grande detalhe. Estas são “as primeiras evidências materiais de como o império realmente funcionou”, acrescentou.

Como Rey esclareceu, as descobertas também revelam que as mulheres desempenharam papéis significativos neste império inicial. Ele observou que, embora a sociedade fosse patrilinear, as mulheres ocupavam cargos importantes, incluindo papéis de alta sacerdotisa – algo incomum para a época.

“As mulheres ocupavam cargos importantes dentro do estado. Então temos altas sacerdotisas, por exemplo, embora fosse uma sociedade muito liderada por homens. Mas o papel da mulher era pelo menos mais alto do que muitas outras sociedades, e é inegável com base nas evidências que temos”, ele disse ao Observer.

As tábuas, parte do Projeto Girsu – uma colaboração entre o Museu Britânico e o Conselho Estadual de Antiguidades do Iraque – ficarão no Museu do Iraque em Bagdad para estudos mais aprofundados.

Saiba mais sobre o Projeto Girsu aqui. Euronews.culture


segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Iraque - Em reconstituição ‘tesouros da Mesopotâmia’ destruídos por jihadistas

Uma década depois que combatentes jihadistas saquearam as ruínas de Nimrud, no Iraque, arqueólogos lutam para reconstituir os seus tesouros antigos, agora convertidos em milhares de fragmentos.



O sítio arqueológico, que já foi a joia da coroa do antigo império assírio, foi arrasado pelos combatentes do Estado Islâmico (EI) depois que tomaram grande parte do Iraque e da vizinha Síria em 2014. As preciosas obras pré-islâmicas destruídas pelos jihadistas estão em pedaços, mas os arqueólogos não temem a tarefa colossal de remontá-las.

“Sempre que encontramos uma peça e a colocamos de volta ao seu lugar original, é como uma nova descoberta”, disse à AFP Abdel Ghani Ghadi, um especialista de 47 anos que trabalha no local.

Mais de 500 peças foram encontradas despedaçadas na área, a cerca de 30 quilómetros de Mosul, cidade do norte do Iraque onde o EI estabeleceu a capital do seu autoproclamado “califado”.

Uma escavação minuciosa feita por arqueólogos iraquianos recuperou mais de 35.000 fragmentos. Os cientistas remontaram cuidadosamente os baixos-relevos, esculturas e placas decoradas representando criaturas míticas, que adornavam o palácio do rei assírio Ashurnasirpal II há quase 3000 anos. Gradualmente, as peças do quebra-cabeça são montadas, cobertas por uma lona verde.

Outra peça mostra prisioneiros algemados de territórios que se rebelaram contra o poderoso exército assírio. Deitados de lado estão lamassus (retratos de divindades assírias com cabeças humanas, corpos de touro ou leão e asas de pássaros) perto de tábuas com textos em escrita cuneiforme.

“Estas esculturas são o tesouro da Mesopotâmia. Nimrud é património de toda a humanidade, uma história que remonta a 3000 anos”, diz Ghadi.

Fundada no século XIII a.C., Nimrud atingiu o seu apogeu no século IX a.C. e foi a segunda capital do império assírio.

Vídeos de propaganda do EI em 2015 mostraram jihadistas a destruírem monumentos com escavadeiras, golpeando-os com picaretas ou dinamitando-os. Um destes artefactos era o templo de Nabu, o deus mesopotâmico da sabedoria e da escrita, de 2800 anos.

Os combatentes do EI também destruíram o Museu de Mosul e a antiga cidade de Palmyra, na Síria.

No Iraque, o grupo jihadista foi derrotado em 2017 e o projecto de restauração de Nimrud começou no ano seguinte, sendo interrompido pela pandemia de covid-19, mas retomado em 2023.

“Até agora tem sido um processo de recolha, classificação e identificação”, conta Mohamed Kasim, do Instituto de Pesquisa Académica do Iraque.

Segundo ele, 70% do trabalho foi concluído no local do palácio assírio, e ainda resta um ano de trabalho de campo antes que a restauração comece a todo o vapor, advertindo que se trata de uma “operação complexa”.

A sua organização trabalha em estreita colaboração com arqueólogos iraquianos, apoiando os esforços para “resgatar” Nimrud e preservar a sua riqueza cultural.

Segundo o ministro da Cultura do Iraque, Ahmed Fakak al Badrani, a destruição maciça no local tornou impossível, pelo menos por enquanto, determinar quais antiguidades que foram roubadas pelo EI.

De acordo com o ministro, serão necessários 10 anos de trabalho árduo para que as maravilhas do palácio do rei Ashurnasirpal II possam ser vistas novamente na sua totalidade.

O sítio de Nimrud foi escavado pela primeira vez por arqueólogos no século XIX e ganhou reconhecimento internacional pelas imensas figuras de lamassus que foram exibidas no Museu Britânico de Londres e no Louvre em Paris. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Recordando Sérgio Vieira de Mello, o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos

Diante de tantas mortes e convulsões provocadas por mais uma guerra no Oriente Médio, cujo estopim foi um enorme e amplo atentado cometido por uma organização terrorista (não entro nas discussões sobre bom e mal atentado), me lembrei de outro atentado, cometido há 20 anos em Bagdá, no começo da guerra do Iraque, contra a sede das Nações Unidas em Bagdá. Nele morreu o Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos.

No começo deste século, eu não dispunha de muito tempo para escrever comentários, vivia correndo como repórter freelancer para jornais, rádios e mesmo para as próprias organizações ligadas à ONU, quando, numa viagem, num evento especial, precisavam de um jornalista de língua portuguesa. Foi assim que conheci Sérgio Vieira de Mello. Ia com frequência à sede do Alto Comissariado, devo ter feito algumas viagens com ele, que era alguém bastante comunicativo e social.

A morte de Vieira de Mello, em um atentado, foi um choque em Genebra. Ainda jovem, com 54 anos, formado em filosofia na Sorbonne, ativo, preocupado com os povos desamparados e desorientados, vivendo na miséria depois de cataclismas e guerras, Sérgio, como era chamado em Genebra, sabia das dificuldades da ONU para impedir e solucionar conflitos. Depois de ter agido em missão especial no Camboja, Bangladesh, Kosovo e Sudão, Sérgio tinha sido administrador, por três anos da ONU no Timor-Leste.

Pouco antes da crise no Iraque, Sérgio havia desenvolvido a tese de que havia uma relação direta entre a segurança mundial e o respeito aos direitos humanos. A violação flagrante dos direitos humanos é a detonadora das crises internas nos países e as crises internacionais.

Os que conheceram Sérgio e seus projetos para tornar a organização internacional mais eficaz não têm dúvida de que hoje o alto-comissário brasileiro teria chegado ao posto de secretário-geral da ONU. Não era um político e nem um funcionário de carreira, mas uma personalidade marcante preocupada em construir a paz com justiça.

Facto raro, a morte de Sérgio Vieira de Mello foi seguida da publicação de diversos livros escritos por jornalistas que acompanhavam suas atividades e projetos em Genebra.

Um dos livros mais conhecidos é “Chasing the Flame”, de Samantha Power, jornalista norte-americana de origem irlandesa, defensora dos direitos humanos, cujos estudos em Harvard, militância política e carreira universitária a levaram ao cargo de embaixadora junto às Nações Unidas, cargo que deixou após a eleição de Donald Trump. O livro se transformou, em 2020, num filme com o título “Sérgio: a luta de um homem para salvar o mundo”, com Wagner Moura no papel principal.

Na exibição do filme, a revista Veja publicou texto sobre o que teria precedido o atentado no Hotel Canal, onde funcionava a ONU: o objetivo da missão diplomática de Vieira de Mello era conduzir o Iraque a eleições democráticas, depois de anos da ditadura de Saddam Hussein, a partir de uma Constituição escrita por iraquianos. A intervenção norte-americana, vista 20 anos depois, foi catastrófica e provocou a ascensão do Estado islâmico.

Outro livro importante – “Sérgio, uma esperança explodida” – foi o de Jean-Claude Bührer com Claude B. Levenson, ambos jornalistas em Genebra à época, no qual José Ramos-Horta, Prêmio Nobel a paz em 1996, e ministro das Relações Exteriores do Timor-Leste, comentou: O atentado contra a sede da ONU em Bagdá, que custou a vida do brasileiro, enviado por Kofi Annan, não só deixou o Iraque cair lentamente na violência como decapitou o alto Comissariado pelos Direitos Humanos.

Ainda em 2016, a porta-voz de Sérgio na ONU, Annick Stevenson, publicou, junto com um ex-Alto-Comissário para Refugiados, George Gordon-Lennox, o livro “Sérgio Vieira de Mello, um homem excepcional”. Para eles, Sérgio é o único ícone que jamais teve a ONU. Sua morte trágica significou que a própria ONU tinha também se tornado alvo de atentados. Sérgio foi a Bagdá, por mandato do Conselho de Segurança, com um projeto: evitar que a invasão e ocupação americana transformassem o Iraque numa anarquia e desestabilizassem o Oriente Médio.

Hoje, vinte anos depois, embora numa situação e quadros diferentes, a pergunta é a mesma: como irão viver amanhã os palestinos de Gaza e Cisjordânia com seus vizinhos israelenses? Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Internacional – Equipa liderada pela Universidade de Coimbra faz importantes descobertas no Curdistão iraquiano

Uma nova campanha arqueológica realizada em Kani Shaie, no Curdistão iraquiano, por uma equipa internacional liderada por investigadores da Universidade de Coimbra (UC), resultou em várias descobertas.


Esta campanha, efetuada no âmbito do projeto de investigação “KSAP – Projeto Arqueológico de Kani Shaie”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), foi coordenada por André Tomé, Maria da Conceição Lopes e Steve Renette, do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP) da UC, e contou com a participação de investigadores de oito nacionalidades e de várias universidades como Cambridge, Toronto e Carolina do Norte.

Kani Shaie, às portas das montanhas, entre a planície e as altas montanhas conhecidas como Zagros, é um pequeno sítio que se encontra longe do coração da Mesopotâmia, mas plenamente integrado no contexto regional dos grandes desenvolvimentos tecnológicos e transformações societais que, num período entre o VI milénio a.C. e o final da primeira metade do III, desenham o futuro da humanidade.

Nesta campanha de escavações, os objetivos centraram-se nos contextos do início do terceiro milénio, tendo a equipa de arqueólogos descoberto «parte de uma ocupação com arquiteturas unicelulares com acesso para espaços de trabalho exteriores equipados com pequenos fornos e outras estruturas de processamento de alimentos, bem como materiais pouco comuns para a época, tais como metal», revelam André Tomé e Maria da Conceição Lopes.


«De uma fase ligeiramente mais antiga, ainda mais do início desse milénio em que a escrita e outros instrumentos burocráticos se generalizam, foi descoberta uma grande estrutura de armazenamento de cereais que terá sido destruída por um incêndio, cujas causas são, por ora, difíceis de aferir, e que pôs fim a esta ocupação», relatam.

No interior, prosseguem os cientistas da UC/CEAACP, foram encontradas «várias impressões de selos cilíndricos, testemunhando práticas de selagem, de controlo de mercadorias e propriedade. Essas impressões, por norma associadas a contextos urbanos, das quais recolheram-se várias dezenas em Kani Shaie, e os motivos revelados demonstram que, afinal, um pequeno sítio como este, de simples arquiteturas, encontrava-se no centro do mundo, com ligações às grandes cidades do Sul Mesopotâmico, incluindo a região de Susa no atual Irão, a vales longínquos nas regiões montanhosas dos Zagros, à Síria e à Anatólia».

Esta centralidade foi também demonstrada em outros achados desta campanha, como objetos em obsidiana ou pedra-pomes, «que só se podem encontrar em regiões a milhares de quilómetros de distância». Esta riqueza de materiais, indicam André Tomé e Maria da Conceição Lopes, desencadeia um conjunto de questões: «Seria Kani Shaie um importante entreposto comercial, estação de muda entre várias regiões, uma espécie de caravanserai neste terceiro milénio, colocado já sobre os caminhos das várias rotas que um dia serão aglutinadas como “Rota da Seda”? E seria essa função já desempenhada ao longo do quarto milénio, do qual os achados de campanhas anteriores parecem representar um ponto de confluência de várias esferas culturais num momento tão importante para a história da humanidade?».


Segundo a equipa, a «escrita começa a surgir no Sul da Mesopotâmia no último quartel desse quarto milénio, e em Kani Shaie, o processo de desenvolvimento dessa tecnologia, é documentada coetaneamente por uma tabuinha de argila com uma marca numérica. A próxima campanha contará, certamente, mais desta história pouco conhecida».

Em simultâneo com as escavações, a equipa da UC/CEAACP desenvolveu uma investigação complementar assente no trabalho de campo sobre as arquiteturas tradicionais, registo das técnicas construtivas e das morfologias arquitetónicas, em várias subunidades de paisagem das áreas de montanha de Sulaimania.

A equipa do KSAP formalizou um novo contrato de parceria com as autoridades curdas com vista ao prolongamento dos trabalhos por mais cinco anos. Durante as escavações arqueológicas foram ainda ministrados cursos de formação técnica a estudantes e arqueólogos locais. Universidade de Coimbra - Portugal






quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Portugal - Equipa da Universidade de Coimbra regressa ao Curdistão iraquiano para nova campanha arqueológica


Uma equipa de cientistas da Universidade de Coimbra (UC) parte, no sábado, 2 de outubro, para o Curdistão iraquiano, onde vai realizar uma nova campanha arqueológica no âmbito do “Projeto Arqueológico de Kani Shaie – KSAP”.

A equipa do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP), liderada por Maria da Conceição Lopes e André Tomé, retoma assim os trabalhos arqueológicos iniciados em 2013 e interrompidos desde 2018.

O projeto, que conta com vários parceiros internacionais, entre os quais Steve Renette, da University of British Columbia, no Canadá, e a Direção Geral das Antiguidades de Sulaimania, tem sido financiado nos últimos anos por instituições nacionais e americanas. Nos próximos três anos o financiamento é assegurado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).


Kani Shaie é uma pequena colina arqueológica situada no centro de um pequeno vale que «marca a transição entre a planície de Kirkuk e a cadeia montanhosa de Zagros. Formada por vários níveis de ocupação humana ao longo de vários milénios, os trabalhos desta campanha incidirão nos contextos do 5º milénio a.C., um período que marca o aparecimento de “proto-cidades” em algumas partes do mundo mesopotâmico e de grande desenvolvimento das redes comerciais de longa distância que distinguirão o milénio seguinte», explicam os investigadores do CEAACP.

«É, aliás, precisamente desse quarto milénio o achado mais significativo encontrado em Kani Shaie até ao momento: uma pequena tabuinha numérica de argila datada de 3400 a.C., a primeira e única encontrada na região», indicam Maria da Conceição Lopes e André Tomé.

A campanha arqueológica que agora se inicia servirá para dar resposta a algumas questões que exigem resposta imediata e para preparar uma campanha mais alargada na próxima primavera. Universidade de Coimbra - Portugal