Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 17 de março de 2026

Angola - Escritora Kanguimbu Ananaz homenageia mulheres com o livro “Útero do Universo”

A escritora, psicóloga e poeta angolana Kanguimbu Ananaz realiza a venda e sessão de autógrafos do seu mais recente livro de poesia “Útero do Universo”, na Universidade Agostinho Neto, concretamente na Faculdade de Humanidades, amanhã, 18, a partir das 16h00, em Luanda


O grupo Nguami Maka, expressão da língua kimbundu que significa em português “Não quero problemas”, é composto por cinco integrantes e destaca-se pela preservação de ritmos ancestrais, pelo uso de instrumentos tradicionais como Hungo, Puíta, Dikanza e Ngoma, bem como pelas letras das canções interpretadas em kimbundu, numa clara celebração das raízes culturais angolanas.

A obra constitui um tributo à mulher, à maternidade e à criação, reunindo reflexões poéticas sobre a força feminina, a ancestralidade e a espiritualidade que marcam a identidade cultural angolana.

Publicado sob responsabilidade da Elite Editora, o livro apresenta um poemário com 63 páginas de conteúdo literário, para além das páginas iniciais e finais que integram ficha técnica, prefácio e posfácio.

O trabalho revela, segundo os promotores, maturidade estética e profundidade temática. De acordo com o editor-chefe da Elite Editora, Amilton Pedro, a obra retrata a mulher como matriz da vida, símbolo de resistência, afecto e força criadora. O “útero”, explica, surge como metáfora do universo feminino, da ancestralidade africana, da espiritualidade e da construção da identidade angolana. Maria Custódia – Angola in “O País”


sexta-feira, 30 de maio de 2025

Angola - Destacado papel dos escritores na divulgação da História do país

O escritor e historiador Alberto Oliveira Pinto realçou, quarta-feira, em Luanda, que Angola vive uma realidade especial nestes 50 anos de Independência Nacional, em que os escritores desempenharam um papel fundamental na divulgação e pesquisa sobre a História do país



Durante o debate inaugural do ciclo de palestras que visa celebrar os 50 anos da Independência Nacional, o premiado escritor e historiador referiu que abordar a História implica sempre um ponto de interrogação.

Na dissertação, apontou exemplos de autores como Pepetela e outros que, ao longo dos 50 anos de Independência, muitas vezes, substituíram os académicos, pesquisando a História de Angola em busca da verdade dos factos.

“Portanto, há sempre uma exploração entre a história e a literatura, mas, no caso de Angola, nos últimos 50 anos essa relação foi muito significativa”, defendeu.

Questionado sobre a forma como analisa os escritores com forte carga de história nas suas obras, o orador disse que tem aprendido muito com a produção literária em obras de Pepetela, Arnaldo Santos, Henrique Abranches e muitos outros escritores angolanos.

Alberto Oliveira Pinto revelou ter feito recurso a obras desses escritores para produzir um ensaio sobre a oralidade entre um romance histórico de Pepetela e outro de Arnaldo Santos, embora reconheça serem escritores de tempos diferentes. “Escrevi romances históricos, mas aprendi muito com eles. Destaco o romance ‘Mazanga’, sobre a Ilha de Luanda e a origem dos axiluanda, com o qual ganhei o Prémio Sagrada Esperança, em 1998”, disse.

Doutor em História de África pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o prelector revelou que já escrevia literatura e se interessava por temas históricos, mas lamentou o facto de ter tomado a decisão de se tornar historiador muito tarde, aos 34 anos, aquando do regresso a Angola, em 1996, depois de muitos anos de vivência em Portugal.

“Voltei cá em 1996, aqui mesmo nesta sala da União dos Escritores Angolanos, e já tinha livros publicados. Ao voltar, percebi que não sabia nada sobre o país, foi assim que nasceu a paixão pela pesquisa da História de Angola. Já escrevia romances históricos, quando pensava que a história não passava de pano de fundo para os meus romances”, recordou. 

Na qualidade de anfitrião, o secretário-geral cessante da União dos Escritores Angolanos (UEA), David Capelenguela, reconheceu que Alberto Oliveira Pinto tem sido um dos historiadores que tem contribuído bastante para o conhecimento da história recente e não só do país, embora viva na diáspora.

“O debate com este membro desta Casa das Letras mostra que celebrar os 50 anos da nossa Independência exige a contribuição de todos os saberes, principalmente, a partilha com jovens académicos ávidos em procurar novos caminhos ou factos para as suas pesquisas”, avaliou.

Promovido pelo Memorial Dr. António Agostinho Neto, o ciclo de palestras, em Luanda, encerrou hoje, às 14h00, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, onde Alberto Oliveira Pinto ministrou o debate sobre “Lugares de Memória de Angola antes e depois da Independência”.

A agenda de Alberto Oliveira Pinto culmina no dia 4 de Junho, na cidade do Huambo, às 9h00, no Centro Cultural Manuel Rui, onde vai debater temas como a figura de Norton de Matos e a fundação daquela cidade, assim como as bases do nacionalismo angolano. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Macau - Universidade de Macau visita Angola e Moçambique e aprofunda cooperação jurídica com instituições locais

Com o objectivo de potenciar o papel de Macau como ponte entre a China e os países de língua portuguesa e responder ao apelo nacional para o cultivo de talentos jurídicos estrangeiros, uma delegação da Universidade de Macau visitou universidades e departamentos jurídicos em Moçambique e Angola. Durante as visitas, foram abordadas questões jurídicas internacionais e exploraram formas de capacitar programas internacionais de desenvolvimento profissional jurídico


Uma delegação da Universidade de Macau (UM), liderada pelo director da sua Faculdade de Direito e do Centro de Estudos Judiciários e Jurídicos da China e dos Países de Língua Oficial Portuguesa, Tong Io Cheng, visitou Moçambique e Angola para “desempenhar o papel de Macau como ponte entre a China e os países de língua portuguesa” e “responder à necessidade nacional de formar talentos em direito internacional”, pode ler-se num comunicado da instituição de ensino.

Durante as visitas, foram realizadas reuniões com instituições de ensino superior e departamentos jurídicos locais, discutindo questões de direito internacional e explorando formas de fortalecer os programas de formação jurídica internacional.

Em Moçambique, a delegação visitou a Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, onde foi realizado o seminário “Celebrando 25 Anos de Cooperação: Parcerias Público-Privadas na China Continental, Macau e Moçambique e Seus Desafios”. Foi também lançada uma edição especial em comemoração à cooperação. A delegação participou ainda no seminário “Celebrando os 50 Anos da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane”, discutindo temas como a importância do desenvolvimento científico nas universidades, as tendências da internacionalização do ensino jurídico e a integração das culturas jurídicas chinesa e lusófona, acrescentou a UM.

Durante reuniões com o reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme Júnior, e o director da Faculdade de Direito, Eduardo Chiziane, foram debatidos planos de cooperação futura em pesquisa académica, formação de docentes e intercâmbio de estudantes, “visando aprimorar o nível de ensino e pesquisa jurídica e fortalecer a colaboração”.

A delegação também visitou Angola, onde esteve na Universidade Agostinho Neto e participou num seminário organizado pelo Centro de Estudos Jurídicos, Económicos e Sociais da Faculdade de Direito dessa Universidade. Em reuniões com o reitor Pedro Magalhães da UAN, o director da Faculdade de Direito da UAN, André Victor, e o director do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos e Sociais, José Octávio Serra Van-Dúnem, foram discutidas questões relacionadas ao intercâmbio de estudantes, fortalecimento de cooperação docente, organização de seminários conjuntos e projectos de investigação, “acordando em intensificar a troca académica e realizar actividades científicas conjuntas”

A delegação de Macau visitou ainda o Tribunal Constitucional de Angola e a sua biblioteca, onde teve reunião com a presidente Laurinda Prazeres Cardoso e outros juízes. No encontro houve espaço a uma troca de opiniões sobre os sistemas judiciais da China e de Angola, “reconhecendo a importância da publicação conjunta de resultados de investigação e a promoção da cooperação bilateral”.

“Estas visitas reforçaram a base para a cooperação entre a Universidade de Macau e as instituições de ensino superior dos países de língua portuguesa, desempenhando um papel positivo na promoção da cooperação científica e jurídica entre a China e os países de língua portuguesa. A Universidade de Macau continuará a colaborar com Moçambique e Angola nas áreas de ensino jurídico, pesquisa e intercâmbio judicial, contribuindo para a promoção do intercâmbio académico regional e internacional e para a formação de talentos”, pode ler-se no comunicado da UM. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Angola – Romance de Paulo Neto “Kanjila” já disponível no mercado

Os vários processos de libertação por que passou o povo angolano, ao longo dos anos, dão corpo ao livro de estreia de Paulo Neto “Kanjila”, intitulado “Na hora do adeus à família”, já disponível para o público na livraria da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, em Luanda

Do género romance, o livro, de 294 páginas, narra ao detalhe as várias fases em que os angolanos foram obrigados a estar sob o jugo português, contra a sua vontade.

No livro, o autor usa a ficção para descrever a história real, os factos mais marcantes dos períodos que vão desde a escravatura até a Independência Nacional, de forma cronológica.

O autor disse, ao Jornal de Angola, que o livro está dividido em seis partes, nas quais são abordadas, em separado mas de forma sequencial, a fase do tráfico dos angolanos para as Américas, os seus efeitos, consequências e resultados, a Libertação de África, o fenómeno da clandestinidade, o exílio, a perseguição, as prisões arbitrárias pela PIDE e a Proclamação da Independência de Angola pelos três Movimentos de Libertação Nacional.

Paulo Neto "Kanjila” referiu que faz uma abordagem resumida, mas detalhada das acções do Processo 50 e outros movimentos, descrevendo alguns locais de reunião e os nomes de algumas figuras que se destacaram nessa nobre missão.

Para melhor esclarecimento, realçou, a obra apresenta imagens de lugares e marcos, e traz um glossário com o significado de algumas expressões usadas frequentemente nas épocas que o livro se refere pelos cidadãos.

Paulo Neto "Kanjila” revelou que o livro é uma homenagem a todos os cidadãos angolanos, que estiveram envolvidos em todos os processos que permitiram o país independente.

Editado este ano, pela Lexdata - Sistemas de Edições Jurídicas, em Luanda, o livro teve as expensas do próprio autor.

Segundo o autor, nesta obra foram relatados uma sequência de acontecimentos ficcionais, antropomórficos, ou não, individuais ou colectivos, situando-os no espaço de um mundo possível.

"O desígnio central que regeu esta obra foi a vontade de procurar elementos valiosos, para construir um mundo possível, que possua nítida independência em relação a mim. contudo, objectivei eventos, estados, personagens e coisas, num mundo onde procurei construir, estabelecendo múltiplas relações axiológicas, ódio, indiferença, nostalgia, ternura, que não destrói a fundamental alteridade das produções romanescas ante o seu autor textual e mediante o seu autor empírico”. Roque Silva – Angola in “Jornal de Angola”


domingo, 2 de julho de 2023

Brasil - Fiocruz assina parceria com universidade angolana

O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e a Universidade Agostinho Neto (UAN), em Luanda (Angola), assinaram um memorando de entendimento para futuras parcerias em ensino e pesquisa entre as instituições.


Segundo a Agência Fiocruz, no estreitamento de laços com instituições africanas, a parceria tem como objetivo a colaboração mútua nas seguintes áreas: doenças tropicais negligenciadas, com destaque para malária e tuberculose; doenças transmissíveis; arboviroses; resistência antimicrobiana (AMR); HIV; clima e saúde; saúde materna, infantil e reprodutiva; entre outras. A vigência do memorando de entendimento assinado entre as instituições é de cinco anos.

Participaram da assinatura, realizada em formato virtual em 22/6, a diretora do IOC/Fiocruz, Tânia Araújo-Jorge, e os vice-diretores Luciana Garzoni (Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) e Ademir Martins (Ensino, Informação e Comunicação). A coordenadora da Cooperação Institucional do Instituto, Anna Cristina Calçada Carvalho, estava presente na reitora da Universidade Agostinho Neto durante a solenidade.

Pelo lado angolano, participaram o reitor da UAN, Pedro Magalhães; os professores da Faculdade de Medicina da Universidade, Maria Fernanda Dias Afonso Monteiro e Joaquim Van Dunem, e o cônsul-Geral de Angola no Rio de Janeiro, Mateus de Sá Miranda.

“Faz parte da política de cooperação institucional reforçar as parcerias técnico-científicas com países do hemisfério sul, sobretudo os de língua portuguesa. O foco do IOC está em contribuir para a formação de recursos humanos nesses lugares. Nós podemos ajudá-los a enfrentar problemas de saúde pública ligados, especialmente, a doenças transmissíveis”, comentou Anna Cristina.

A coordenadora destacou, também, que todos os Programas de Pós-graduação Stricto sensu do Instituto estão envolvidos na parceria. “A Fiocruz e o IOC têm longa história de colaboração com Angola e Moçambique. Em acordos anteriores firmados para a formação de recursos humanos, mais de cinquenta pessoas foram tituladas mestres ou doutores”, pontuou, adiantando que o próximo passo consiste em elaborar, junto à UAN, um plano de trabalho para dar seguimento à parceria.

“Temos agendada para agosto uma reunião com representantes da universidade angolana para tratar do assunto”, completou. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Internacional - MORfood, o projeto que quer ajudar a combater a má nutrição no mundo

Combater a desnutrição infantil em países em vias de desenvolvimento é o grande objetivo do projeto “MORfood - Microencapsulação de extratos de Moringa oleifera e sua aplicação em alimentos funcionais”, liderado pelo investigador Licínio Ferreira, da Universidade de Coimbra (UC).

O projeto, com a duração de três anos, tem um financiamento de cerca de 230 mil euros, atribuído pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela Aga Khan, uma fundação que apoia projetos nos domínios da saúde e educação, nomeadamente o desenvolvimento científico e tecnológico dirigido ao progresso da qualidade de vida no continente africano.

Além da equipa da Universidade de Coimbra, através da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), da Faculdade de Farmácia (FFUC) e da PRODEQ - Associação sem fins lucrativos do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da FCTUC, também participam no projeto investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da Universidade Agostinho Neto (UAN), em Angola.

O MORfood foca-se em produzir microcápsulas ricas em compostos bioativos extraídos de Moringa oleifera, conhecida como a planta da vida, que serão incorporadas em determinados alimentos (pão, iogurtes e sumos) para crianças em idade escolar, entre os 4 e 10 anos.

A Moringa oleifera, uma espécie nativa do norte da Índia, Paquistão e Afeganistão, e muito cultivada em países tropicais e subtropicais de África, Ásia e América Latina, é uma das plantas «mais nutritivas do mundo, muito rica, por exemplo, em proteínas, vitaminas e minerais, como cálcio e potássio. É uma planta que já é utilizada pelas populações africanas para combater um conjunto alargado de patologias, tais como asma, bronquite, hipertensão, diabetes, entre muitas outras. O nosso estudo centra-se nos extratos das folhas, a parte da planta mais rica em nutrientes», explica Licínio Ferreira, docente da FCTUC e investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF).

A equipa apostou na microencapsulação para enriquecer os alimentos, porque, segundo o coordenador do estudo, é uma tecnologia que apresenta muitas vantagens, neste caso «protege a atividade biológica de alguns compostos que são extraídos da planta e que de outra forma se degradariam. Por exemplo, no caso do pão, um dos alimentos que selecionámos, as microcápsulas podem ser introduzidas na própria farinha, e se os compostos não estiverem incorporados dentro destas microcápsulas, as suas propriedades iriam degradar-se e desaparecer durante o fabrico do pão, daí a importância das microcápsulas».

Nesta primeira etapa do projeto, os investigadores estão a caracterizar as amostras de folhas de moringa provenientes de Angola, de modo a obter a composição fitoquímica e nutricional das folhas. Após essa caracterização, que é fundamental, seguem-se os estudos de extração de compostos e seleção dos mais adequados ao objetivo do projeto, ou seja, compostos importantes para combater a desnutrição infantil.

Antes da fase da microencapsulação, os extratos serão selecionados, «porque eventualmente haverá compostos indesejáveis que têm de ser removidos. Desta seleção, obteremos frações enriquecidas de macronutrientes e micronutrientes que são benéficos para combater a desnutrição infantil, nomeadamente hidratos de carbono, vitaminas, sais minerais, entre outros», esclarece Lícino Ferreira.

No final do projeto, os alimentos funcionais (enriquecidos) com microcápsulas carregadas de nutrientes extraídos de moringa vão ser testados junto de crianças angolanas. São os chamados testes de aceitabilidade sensorial, para aferir a reação da população infantil a este tipo de alimentos.

Natural de Angola e conhecedor da realidade da desnutrição infantil naquele país, Licínio Ferreira nota que a desnutrição infantil é um grande flagelo mundial. «Segundo o relatório de 2020 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 8,9% da população mundial estava desnutrida em 2019, o que representa 690 milhões de pessoas. Ainda segundo esse relatório, este número corresponde a um aumento de 60 milhões de pessoas em comparação a 2014. É um flagelo que tende a agravar-se ao longo dos anos».

Se o projeto alcançar os resultados esperados, a equipa tentará depois estabelecer uma parceria com a UNICEF, de modo a que os alimentos enriquecidos com extratos de moringa possam chegar a um maior número de países em vias de desenvolvimento. Universidade de Coimbra - Portugal



quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Angola - Universidade Agostinho Neto reduziu para metade número de vagas este ano por falta de professores

A falta de professores na Universidade Agostinho Neto (UAN) obrigou a que fossem deixados de fora, este ano, mais de 2 mil novos estudantes nos diferentes cursos das 10 unidades orgânicas, soube o Novo Jornal junto de uma fonte da Reitoria

A UAN tinha previsto 6 mil vagas para o ano académico 2021/2022, e por falta de docentes, deste total apenas 3690 vagas foram disponibilizadas.

Por falta de professores, neste ano académico, a UAN não abriu vagas para os cursos de Biologia, Ciências da Computação, Metrologia e Química.

"Não adianta anunciar um número elevado de vagas quando, na verdade, não temos professores para leccionar. Só este ano tínhamos previsto cerca de 6 mil novas vagas. Mas por não termos professores suficientes, conseguimos seleccionar apenas 3690 vagas", contou uma fonte da reitoria da UAN, optando por não ser identificada.

Segundo a fonte, o ensino público, sobretudo o da Universidade Agostinho Neto, é muito prejudicado por falta de professores.

A fonte denunciou que existem na UAN estudantes que estão dependentes, há anos, de professores para a conclusão do curso.

"Há estudantes parados. Não sabem se aprovaram ou reprovaram porque faltam professores para dar seguimento ao curso em que estão", acrescentou.

A reitoria da UAN, prossegue a fonte, já escreveu várias vezes para o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia (MESCTI) a solicitar abertura de concurso público e não é atendido.

Segundo a fonte, a UAN tem capacidade para albergar muito mais estudantes no 1.º ano, contudo, não tem professores para cobrir as vagas.

Arlindo Isabel, director do gabinete de informação científica e documentação da Universidade Agostinho Neto, disse ao Novo Jornal que de facto há défice de professores na UAN.

O também porta-voz, afirmou que o número de vagas anunciadas pela UAN, no presente ano académico, foi em função do rácio entre professores e alunos, tento em conta o número de salas disponíveis e negou, quando questionado, se tinham de facto 6 mil vagas para o presente ano lectivo.

"A questão dos professores é de facto uma situação real. Por essa razão não abriram vagas para o 1.º ano dos cursos de Biologia, Ciências da Computação, Metrologia e Química", explicou.

Entretanto, na Faculdade de Engenharia, no campus universitário, por exemplo, a falta de professores em várias disciplinas-chave tem revoltado os estudantes do 1.º e 2.º ano.

Sob anonimato, com medo de represálias, vários estudantes contaram ao Novo Jornal que a situação tem vindo a complicar-se e que não receberam aulas das cadeiras-chave do curso, temendo, por isso, reprovações.

Em Novembro de 2018, o Presidente da República, João Lourenço, visitou o campus universitário da UAN e na altura lembrou que autorizou o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia (MESCTI) a realizar um concurso de ingresso de novos professores, medida essa que nunca chegou a ser concretizada.

A fonte da reitoria, assim como o porta-voz da UAN, Arlindo Isabel, comentaram que o MESCTI não realizou até aqui qualquer concurso público para admissão de novos docentes.

Sobre a falta de professores na UAN, o Novo Jornal tentou ouvir, sem sucesso, explicações do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia.

Recentemente, soube o Novo Jornal, o Reitor da UAN, Pedro Magalhães, voltou a apresentar estas preocupações durante um encontro, em Luanda, em que estiveram presentes vários membros do Executivo, entre os quais a ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, e a titular do MESTIC, Maria do Rosário Bragança Sambo. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

 


segunda-feira, 3 de maio de 2021

Angola - Introdução de espécies e o seu impacto na biodiversidade marinha local, a situação angolana

O que são espécies introduzidas?

A diversidade nas comunidades locais é o resultado de processos históricos, regionais e locais que afectam a extinção, especiação e dispersão de espécies que, por sua vez, determinarão as biotas e os domínios biogeográficos regionais. No entanto, desde o início das grandes rotas interoceânicas e transoceânicas, a humanidade tem mudado significativamente a distribuição de espécies e os padrões biogeográficos, introduzindo organismos além da sua distribuição nativa. Espécies introduzidas (ou exóticas) são aquelas que foram transportadas, intencionalmente ou não através de meios mediados por humanos, para regiões onde elas não existiam anteriormente

Segundo as definições adoptadas pela Convenção Internacional sobre Diversidade Biológica, se a espécie introduzida consegue reproduzir-se e gerar descendentes férteis, com alta probabilidade de sobreviver no novo habitat, ela é considerada estabelecida. Caso a espécie estabelecida expanda a sua distribuição no novo habitat, ameaçando a diversidade biológica nativa, ela passa a ser considerada uma espécie introduzida invasora.


Impactos das espécies marinhas introduzidas

Uma vez no novo habitat, as espécies marinhas introduzidas podem dispersar-se para substratos naturais e artificiais, causar impactos ecológicos e socioeconómicos em: biodiversidade (ex. redução na riqueza de espécies), habitats (ex. perda de habitat), interacções bióticas (ex. competição por recursos ou espaço), genéticos (ex. alteração na pool de genes por hibridização), turismo (ex. redução de actividades turísticas), pesca (ex. redução da abundância de espécies comerciais), aquicultura (ex. redução na qualidade dos produtos), embarcações-amarrações (ex. aumento do custo de manutenção como resultado da presença de organismos incrustantes), etc.

A bioinvasão é reconhecida como a segunda principal causa de perda de biodiversidade, impactando os serviços ecossistémicos. Portanto, o conhecimento desses eventos é de extrema importância para o desenvolvimento de políticas públicas nacionais e os seus efeitos negativos, podem ser motivo de especial preocupação em regiões do mundo onde o estado de conhecimento da biota marinha é relativamente pobre, pois podem promover a perda da biota nativa antes mesmo antes de ser conhecida pela ciência.

Baías como áreas de interesse

A maior parte do comércio mundial ocorre por transporte marítimo entre portos, concentrados em baías e estuários, criando oportunidades para transferências de espécies associadas a cascos de navios e materiais de lastro. Além disso, as baías são focos para muitas outras actividades conhecidas por transferir organismos, como aquacultura, pesca e recreação ao ar livre. As condições hidrológicas e ambientais locais modificadas permitem fornecer protecção aos barcos, mas por sua vez criam condições favoráveis para a chegada de espécies introduzidas.

As baías e os serviços ecossistémicos que nelas existem, como as marinas, são pontos focais ideais para a detecção precoce dessas espécies, o que pode ser um aspecto essencial para uma potencial erradicação e um manejo efectivo, fornecendo igualmente um excelente ambiente para experimentos para testar teorias sobre mecanismos subjacentes ao processo de invasão, especialmente durante as fases de assentamento e estabelecimento.

Espécies introduzidas encontradas em uma marina de Luanda

A situação no Atlântico Sul - O caso de Angola

Estudos do Atlântico Sul que descrevem espécies introduzidas estão, na sua maioria, restritos às costas argentina, brasileira e sul-africana. Dentre os estudos mais importantes, foram relatadas mais de 75 espécies introduzidas na região ao largo do Uruguai e da Argentina; 42 espécies introduzidas de invertebrados bentónicos associadas a incrustações em cascos de embarcações na costa brasileira e 95 espécies introduzidas para a África do Sul.

Considerando este grande número de espécies introduzidas reportadas e o intenso tráfico de escravos que ligaram os continentes americano e africano desde o século XVI, é esperado que a pouco conhecida costa ocidental tropical de África esteja exposta à intensa introdução de espécies introduzidas. No entanto, as mesmas são desconhecidas ou relatadas, na sua maioria, em revistas locais ou na literatura cinzenta.

Angola possui vários portos internacionais e marinas, com uma história de navegação de mais de 500 anos, iniciada pela chegada dos primeiros colonos europeus e intensificada por um forte tráfico de escravos. No entanto, o conhecimento sobre a fauna nativa e introduzida da costa angolana é escasso, impedindo uma melhor compreensão da distribuição das espécies para o Atlântico Sudeste. A falta de avaliação ecológica e estudos das espécies introduzidas marinhas em Angola criou uma lacuna em relação à sua distribuição actual e impacto nas comunidades nativas.

Recentemente, deu-se o início à investigação em bioinvasões marinhas ao longo da costa angolana, concretamente em invertebrados marinhos, com os primeiros estudos a serem realizados nas baías de Luanda e do Lobito. Dos estudos efectuados nas duas baías, foram identificadas 21 espécies introduzidas, das quais 13 espécies são relatadas pela primeira vez em águas angolanas. A maior parte das espécies introduzidas tem origem no hemisfério norte, uma consequência da principal via de introdução, que foi provavelmente a proveniente do Atlântico Norte/Mar Mediterrâneo durante a colonização portuguesa, apesar de também ter-se verificado introduções vindas da Ásia, sendo que as mesmas poderão ter-se dado mais

recentemente, com o aumento de trocas comerciais entre Angola e China nos últimos 10 anos. Várias espécies causadoras de perdas ecológicas e económicas em habitats costeiros em todo o mundo, foram registadas para a região, sendo mandatória a existência de estratégias de manejo de espécies introduzidas em águas angolanas.

Espécies introduzidas encontradas em placas de colonização

O futuro

Certamente subestima-se a diversidade de espécies introduzidas e, desta forma, avaliações regulares e rigorosas, especialmente em relação a outros táxons ainda não mencionados, e monitoramento das espécies marinhas introduzidas ajudarão a entender melhor os vectores, rotas e o tempo das introduções, bem como o papel dos portos e marinas como fontes de invasões marinhas ao longo desta costa. Torna-se assim decisivo o estudo das bioinvasões marinhas na costa tropical ocidental de África no geral, e em Angola em particular, por razões tanto económicas como ecológicas, mas sobretudo para se ter uma imagem global da situação e seleccionar acções para a conservação dos habitats marinhos. Lueji Pestana – Angola in “Novo Jornal”

Lueji Pestana - Professora Auxiliar do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto

 


terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Angola - Associação chinesa concede bolsas de estudo a estudantes com dificuldades económicas e portadores de deficiência física

A União dos Chineses Voluntários em Angola e a Associação de Comércio da Província de Anhiu da China ofereceram 12 bolsas de estudo para estudantes com dificuldades económicas e portadores de deficiência física das Universidades Agostinho Neto (UAN) e Católica de Angola (UCAN)



Criada há um ano, e reconhecida pelas autoridades angolanas, a União dos Chineses Voluntários em Angola, que também realiza actividades de carácter social em algumas unidades hospitalares e centros de acolhimento e de idosos em Luanda, conta com apoio da Associação de Comércio da Província de Anhiu, da China, e da comunidade dos chineses residentes em Angola, que fazem doações para ajudar as instituições angolanas nas diversas áreas.

Shang Jinge, presidente da União dos Chineses Voluntários, contou ao NJOnline que a organização que dirige pretende, este ano, aumentar o nível de serviço público nas comunidades.

"Para este ano, decidimos atribuir 12 bolsas de estudo durante cinco anos a estudantes com dificuldades de financiar os seus estudos e portadores de deficiência física das universidades Agostinho Neto e Católica de Angola", disse.

E explicou que "a escolha destas duas universidades se deve ao facto de serem as primeiras que foram criadas em Angola, uma por ser pública e outra por ser privada".

Jinge disse ainda que, para além dos estudantes que beneficiarem das bolsas, outros terão oportunidade de emprego em empresas chinesas que integram a associação em Angola.

"Caso os estudantes que terminarem a bolsa quiserem trabalhar nas empresas chinesas, nós podemos fornecer emprego directo para eles, e se não o quiserem, são livres de escolherem outras oportunidades que nós não os impedimos", explicou.

Já Pedro Magalhães, reitor interino da Universidade Agostinho Neto (UAN), disse ao NJOnline que a UAN vai contactar todos os representantes dos estudantes de todas as unidades orgânicas para a indicação dos estudantes a quem serão atribuídas as bolsas, uma vez que são eles que os conhecem.

O reitor interino da UAN salientou que vão beneficiar desta bolsa os estudantes que ingressaram o ano passado e que cumprem os requisitos.

Durante um encontro com a reitoria da UAN, a União dos Chineses Voluntários em Angola e a Associação de Comércio da Província de Anhiu, fizeram a entrega de um cheque no valor de 2.400.000 kwanzas, valor correspondente ao ano lectivo 2019.

Acto do género foi efectuado na Universidade Católica de Angola, em que foram disponibilizadas igualmente seis bolsas de estudo para os estudantes com dificuldades económicas e portadores de deficiência física. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

sábado, 22 de dezembro de 2018

Angola – Movimento dos Estudantes Angolanos reivindica acesso mais generalizado à Universidade Agostinho Neto

O Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) quer que a Universidade Agostinho Neto (UAN) baixe o preço das inscrições de acesso aos exames de ingresso de 4000 para 2000 kwanzas. UAN diz que o movimento não tem legitimidade para fazer exigências



"O preço de 4000 kz é muito e representa 25 por cento do salário mínimo, que é de 16 503,30 kwanzas, o que leva a que muitos estudantes não se inscrevam nos testes, tendo em conta o baixo nível económico das famílias angolanas", lê-se no documento que o MEA enviou ao Ministério do Ensino Superior e à Reitoria da Universidade Agostinho Neto, e a que o NJOnline teve acesso.

Donito Carlos, porta-voz do Movimento dos Estudantes Angolanos, disse ao NJOnline que é incompreensível que, em dois anos, a UAN insista em cobrar 4000 e 6000 Kwanzas para os candidatos que querem ingressar na Universidade.

"A nossa reivindicação é que não temos verificado transparência na gestão dos valores que os estudantes pagam nas inscrições, por isso, o certo, seria baixar os preços. E nós propomos que seja 2000 cada curso e 4000 kwanzas para todas opções, contra os 6000 que a UAN cobra", disse.

Segundo Donito Carlos, os actuais preços exigidos pela UAN fazem com que muitos estudantes com boas notas fiquem de fora do ensino público por não terem esse valor.

"No ano passado inscreveram-se na UAN mais de 80 000 candidatos, o que quer dizer que a Universidade Agostinho Neto arrecadou mais de 300 milhões de Kwanzas e não tem justificado o que é que faz com esses valores", denunciou.

"Se a UAN pudesse justificar da melhor forma para onde vão esses valores, nós não estaríamos a exigir que se baixem os preços das inscrições. E isso nos faz desconfiar que há pessoas dentro do Ministério do Ensino Superior ou da UAN a encher os bolsos com esses valores", explicou. De acordo com o porta-voz do MEA, a fundamentação da Reitoria de que os valores são usados na aquisição de material de trabalho, como a compra de giz, papel e tinteiros não é justificação.

"Sabemos que UAN recebe dinheiro do Orçamento Geral do Estado (OGE) e do Fundo de Petróleo de Angola, um dinheiro de todos nós. Se já recebe dinheiro desses órgãos não há necessidade da UAN cobrar tanto dinheiro pelas inscrições", argumentou.

Donito Carlos salientou que o MEA tem pretensão de fazer a uma queixa-crime à Procuradoria-Geral da Republica, queixando-se de atropelos da UAN.

Por seu turno, Arlindo Isabel, porta-voz da Universidade Agostinho Neto, referiu que o Movimento dos Estudantes Angolanos é ilegal e não tem respaldo jurídico para exigir que a UAN baixe os preços das inscrições.

"Esse movimento é ilegal, não tem sede nem estatuto orgânico para estar a reivindicar desta forma, pois cada universidade tem a sua associação de estudantes e nós não vamos conversar com desorganizados", referiu.

Em relação aos argumentos apresentados pelo Movimento dos Estudantes Angolanos, Arlindo Isabel narra que a UAN é uma unidade orçamentada, mas que o processo de exames de acesso não é uma despesa determinada.

"O facto de eles dizerem que temos de baixar de 4000 para 2000 kwanzas só demostra que são pessoas que não fazem estudos de despesa, pois o processo de exames de acesso na UAN envolve mais de 600 pessoas que são sustentadas pelas despesas das inscrições", disse o porta-voz da UAN.

O Movimento dos Estudantes Angolanos é uma associação cívica, sem fins lucrativos, que visa defender os direitos da classe estudantil em Angola, segundo o seu porta-voz. Existe desde 2012 e foi registada em Diário da República a 19 de Março de 2014.

O presidente da Associação Angolana de Defesa de Consumidor, Diógenes de Oliveira, defende que os preços devem ser determinados pelo Ministério das Finanças e não por quaisquer outras instituições.

Diógenes de Oliveira, que falou ao Jornal de Angola, em Janeiro deste ano, disse que a cobrança aleatória constitui uma violação da Constituição e pode desencadear um processo penal.

O processo de inscrições para ingressar na Universidade Agostinho Neto (UAN) continua a ser cobrado a 4000 mil kwanzas por um curso, e seis mil kwanzas por dois cursos. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Angola - Universidade Agostinho Neto vai apresentar proposta ao Parlamento para cobrar propinas

A Universidade Agostinho Neto (UAN) quer passar a cobrar propinas aos alunos e vai apresentar à Assembleia Nacional (AN) uma proposta, no sentido de "garantir melhor qualidade ao ensino e à gestão" e a conclusão das obras no Campus Universitário, atrasada devido a dívidas com empreiteiros



O anúncio foi feito, em Luanda, pelo vice-reitor da universidade pública para a Área de Gestão, Pepe de Gove, durante um encontro com os deputados da VI Comissão de trabalhos da Assembleia Nacional.

No mesmo encontro, o responsável informou os deputados de que a instituição, que abarca a província de Luanda, tem já preparada uma proposta para submeter ao parlamento.

"Não há nenhuma legislação que diz que o ensino superior é gratuito. Falta vontade política para inverter o quadro", disse.

Pepe de Gove, que defende que a UAN não pode continuar a depender do Orçamento Geral do Estado, referiu que "não há no mundo ensino superior gratuito" e que "em universidades modernas o orçamento é feito à base do custo do estudante".

Pepe de Gove pediu a intervenção dos deputados para ultrapassar os vários problemas sentidos na Universidade Agostinho Neto.

A Lei de Base do Ensino Superior estabelece que o ensino é gratuito até à nona classe, mas não regulamenta a prática da cobrança de propinas no ensino superior, lembrou o reitor da UAN, Pedro Magalhães, durante o mesmo encontro.

Já o presidente da Comissão de Saúde, Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia da Assembleia Nacional, Manuel da Cruz Neto, concordou que não há legislação que proíba a cobrança de propinas.

"É preciso começar por aí. Nada nos impede de assumirmos um compromisso de melhoria do ensino", realçou.

A UAN, que carece de docentes em todas unidades orgânicas, remeteu ao Executivo a proposta de um total de 827/ano. Segundo informações dadas aos parlamentares durante um encontro com os deputados da VI Comissão de trabalhos da Assembleia Nacional, o processo para a admissão de docentes encontra-se há mais de oito meses no Tribunal de Contas sem qualquer resposta.

"Há faculdades que se encontram numa situação mais difícil em termos de recursos humanos, há aquelas que já funcionaram há dois ou três anos e, neste momento, estão com uma grande escassez de recursos humanos", afirmou o reitor. In “Novo Jornal” - Angola