Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Internacional - Estudo avalia o impacto da COVID-19 na exaustão parental

Um consórcio internacional, que reúne cientistas de 40 países, incluindo Portugal, está a estudar o impacto da COVID-19 na satisfação e exaustão parental no mundo. O objetivo desta investigação transcultural é aumentar a compreensão dos fatores que dificultam ou ajudam os pais e mães a lidar com o stresse resultante da necessidade de conciliarem múltiplas tarefas em situação de confinamento.

As implicações da pandemia que enfrentamos, «especificamente o confinamento a casa, o isolamento social, o encerramento das creches, jardins-de-infância e escolas, o teletrabalho, o lay off e os despedimentos, vieram colocar novos desafios ao exercício da parentalidade e da coparentalidade», afirma Maria Filomena Gaspar, investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) e professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), que coordena o estudo em Portugal, em conjunto com Anne Maria Fontaine, professora emérita da Universidade do Porto (UP).

Estes desafios, acrescenta a especialista em Psicologia da Educação da UC, «resultam das múltiplas tarefas que têm de conciliar (funções parentais habituais, apoio ao ensino escolar em casa, trabalho em casa, aumento das horas despendidas em tarefas domésticas) numa situação de confinamento que é nova e, para muitos pais, acompanhada de grandes desafios financeiros e da antecipação de dificuldades no futuro».

A equipa solicita a participação de pais e mães neste estudo através do preenchimento de um questionário, disponível aqui. É feito um apelo especial aos pais para responderem, «pois habitualmente são as mães que mais participam neste tipo de investigação, o que gera uma lacuna na compreensão da satisfação e exaustão parental dos homens». A única condição é ter pelo menos 1 filho(a) a viver em casa, qualquer que seja a idade.

Maria Filomena Gaspar explica que «há fatores que podem ajudar os pais e mães a lidar com o stresse resultante da necessidade de conciliarem múltiplas tarefas em situação de confinamento, enquanto outros podem dificultar. No primeiro grupo inclui-se a existência de um/a companheiro/a que partilha as tarefas e de momentos em que os pais/mães se autocuidam, por exemplo, enquanto no segundo grupo podemos considerar a existência de uma criança com problemas de comportamento ou hiperatividade ou uma mãe/pai muito autoexigente consigo mesmos».

Este é o segundo grande estudo conduzido pelo consórcio internacional que investiga o burnout parental (IIBP: Internacional Investigation of Parental Burnout) e que é liderado por Isabelle Roskam e Moïra Mikolajczak, da Universidade de Louvain, na Bélgica.

O objetivo deste grupo de cientistas é estudar a validade conceptual, prevalência e variação intercultural do burnout parental em todo o mundo (cf. https://www.burnoutparental.com/international-consortium). Universidade de Coimbra - Portugal

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Internacional – Universidade de Coimbra lidera consórcio para estudo pioneiro sobre a resiliência psicológica durante a pandemia COVID-19

A Universidade de Coimbra (UC) lidera um consórcio internacional que vai estudar a compaixão, conexão social e resiliência perante o trauma durante a pandemia COVID-19.

Coordenado por Marcela Matos, do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), este estudo, pioneiro pelo foco da análise e pela abrangência multicultural da equipa de investigadores e da população-alvo, envolve investigadores de 18 países de todo o mundo - Portugal, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Dinamarca, Eslováquia, Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Japão, Argentina, Chile, Colômbia, Perú, Uruguai, México e Brasil -, provenientes de instituições académicas, empresas e organizações sem fins lucrativos, como a The Compassionate Mind Foundation (Reino Unido).

Considerando que a crise associada à COVID-19 tem efeitos nefastos tanto na saúde física quanto na saúde mental das pessoas em todo o mundo, o objetivo, explica Marcela Matos, «é examinar o impacto psicológico desta pandemia e compreender que fatores podem ser protetores contra as suas consequências negativas ao nível da saúde mental».

«Pretende explorar, ao longo do tempo e em diferentes países/culturas, os efeitos da pandemia COVID-19 na nossa sensação de segurança e ligação aos outros, sintomas psicopatológicos (como a ansiedade, depressão e trauma), procurando determinar de que modo as pessoas lidam com esta situação e se a mesma pode ser fonte de crescimento pessoal pós-traumático. Um dos aspetos mais inovadores consiste na investigação do possível efeito protetor da compaixão e da autocompaixão», explicita a coordenadora do consórcio.

A compaixão «tem sido definida como a sensibilidade ao sofrimento no próprio e nos outros, capaz de gerar esforços concretos para aliviar ou prevenir esse mesmo sofrimento. Este projeto investigará, de modo transcultural, se a compaixão desempenha um papel protetor relevante na atenuação dos efeitos nocivos da pandemia na saúde mental dos indivíduos», acentua.

Este estudo tem como população-alvo indivíduos da população geral (com idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos), profissionais de saúde e pessoas em cargos de chefia em empresas e instituições. A participação envolve o preenchimento anónimo e confidencial de um questionário online.

Mais informações sobre o projeto e como participar podem ser encontradas aqui. Universidade de Coimbra - Portugal

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Portugal - Covid-19: as desigualdades na educação podem ser aumentadas com o ensino básico e secundário não presencial, alertam cientistas da Universidade de Coimbra

Com o arranque do terceiro período escolar com aulas à distância devido à pandemia da Covid-19, um grupo de investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade Coimbra (FPCEUC) chama a atenção para os aspetos que devem ser acautelados para não reforçar as desigualdades na educação.

Partindo de uma análise ao roteiro para guiar a resposta educacional à pandemia de Fernando Reimers (Harvard Graduate School of Education) e Andreas Schleicher (OECD Diretorado de Educação), Ana Maria Seixas, António Gomes Ferreira e Isabel Festas alertam que «é fundamental perceber que a atual situação pode potenciar ainda mais as desigualdades já existentes no ensino básico e secundário. Amplamente reconhecidas na realidade prévia à COVID, as desigualdades em educação podem ver-se muito aumentadas com o atual afastamento físico e social dos alunos da escola. Não apenas pela eventual ausência de acesso a estes meios que pode ser grandemente ultrapassada com medidas como a do Governo Português de incrementar programas através da TV, mas pela desmobilização e pelo abandono previsíveis numa população que, como é sabido, nunca terá o mesmo tipo de apoio familiar dos mais privilegiados».

Neste contexto, sublinham os especialistas da Universidade de Coimbra, «é necessário que se tomem medidas imediatas, de seguimento e apoio particular aos mais vulneráveis, mas, também, que se prevejam planos de ação num futuro a curto prazo, quando for possível o regresso às escolas. Estes planos devem contemplar programas de compensação e de recuperação das aprendizagens perdidas ou pouco conseguidas. Trata-se de um empreendimento que vai exigir um enorme esforço, mas em que vale a pena investir para prevenir uma situação que pode ser catastrófica em termos de acentuação das desigualdades».

A avaliação dos alunos que estão nestas situações, a elaboração dos programas e modalidades de compensação e de atuação, bem como recrutamento dos professores necessários são algumas das medidas defendidas por estes investigadores.

No que respeita ao recurso à educação a distância e às plataformas digitais, plenamente «justificado nesta situação de exceção», Ana Maria Seixas, António Gomes Ferreira e Isabel Festas afirmam que «a relevância que lhes é dada não pode servir para pensar este momento como algo regenerador do futuro. Admitindo que é necessário inovar em educação, é muito importante perceber que qualquer renovação/inovação tem de ser equacionada em função de ambientes ótimos de aprendizagem e de socialização, necessariamente reportados a formas presenciais, as únicas que permitem a partilha, a cooperação entre professores, entre alunos, entre professores e alunos e entre todos os intervenientes do processo educativo».

«Pela sua natureza e missão, a educação escolar no ensino básico e secundário ocorre num espaço coletivo e formativo, em que a criação de comunidades de aprendizagem reais e não virtuais é uma condição para a consecução das suas finalidades. Neste sentido, os meios digitais e a distância, podendo ser usados como recursos, não serão nunca substitutivos da presença em espaço escolar dos membros da comunidade educativa», fundamentam.

Por último, os três investigadores defendem o papel crucial da Universidade «como espaço de criação do conhecimento indispensável à resolução de problemas como este com que nos confrontamos. Por um lado, é o desenvolvimento da investigação em diversas áreas científicas que pode trazer as soluções necessárias à criação de vacinas e ao tratamento de doenças como aquela com que agora somos confrontados. Por outro lado, é o pensamento, tal como é desenvolvido nas áreas das ciências sociais e humanas que pode dar-nos grelhas de leitura sobre o que se passa, bem como apontar os caminhos e as saídas a seguir e a adotar».

O documento “A framework to guide an education response to the COVID-19 Pandemic of 2020”, de Reimers e Schleicher, identifica os aspetos e as áreas que devem ser considerados nos planos destinados a garantir a continuidade da educação e da aprendizagem, neste novo contexto, baseando-se num levantamento de necessidades junto de 98 países (Portugal incluído).

De seguida, segue o artigo integral produzido pelos cientistas da UC no âmbito da plataforma UC Against Covid-19, que reúne todos os projetos da Universidade de Coimbra associados aos efeitos e à luta contra a pandemia. Universidade de Coimbra

Comentário sobre o Roteiro para uma resposta educacional à Pandemia Covid-19

Num contexto de isolamento social e de encerramento de escolas, o documento – A framework to guide an education response to the COVID-19 Pandemic of 2020, de Reimers e Schleicher – é muito oportuno e da máxima relevância para que se procurem respostas a um problema imprevisível, cujo impacto estará ainda muito longe de poder ser reportado em todas as suas dimensões.

Baseando-se num levantamento de necessidades junto de 98 países (Portugal incluído), os autores do documento identificam os aspetos e as áreas que devem ser considerados nos planos destinados a garantir a continuidade da educação e da aprendizagem, neste novo contexto. Neste sentido, é apresentada uma cheklist com 25 áreas educativas a ter em conta na resposta à COVID-19 e 13 pontos que se reportam ao que os autores consideram ser as prioridades dos governantes de cada país.

Os autores examinam, ainda, as respostas que os vários países têm dado a esta crise e, por último, analisam, à luz dos dados do último PISA, os desafios colocados por uma educação que passou a ser essencialmente online.

Admitindo a relevância do presente documento, num contexto em que há uma absoluta necessidade de se tomarem medidas que impeçam o desaparecimento da escola na vida dos alunos, a sua leitura suscita-nos alguns comentários que dividimos em três pontos essenciais, relativos: a) à enfâse que é dada à educação a distância e às plataformas digitais; b) a aspetos que devem ser acautelados para não reforçar as desigualdades em educação; c) à necessidade de realçar o papel da Universidade na criação de ciência e de pensamento sobre a sociedade.  

   a)    Enfâse dada à educação a distância e às plataformas digitais


Amplamente justificado, neste contexto de exceção, o recurso a todos os meios de educação a distância, a relevância que lhes é dada não pode servir para pensar este momento como algo regenerador do futuro. Admitindo que é necessário inovar em educação, é muito importante perceber que qualquer renovação/inovação tem que ser equacionada em função de ambientes ótimos de aprendizagem e de socialização, necessariamente reportados a formas presenciais, as únicas que permitem a partilha, a cooperação entre professores, entre alunos, entre professores e alunos e entre todos os intervenientes do processo educativo. Pela sua natureza e missão, a educação escolar ocorre num espaço coletivo e formativo, em que a criação de comunidades de aprendizagem reais e não virtuais é uma condição para a consecução das suas finalidades. Neste sentido, os meios digitais e a distância, podendo ser usados como recursos, não serão nunca substitutivos da presença em espaço escolar dos membros da comunidade educativa.

  b) Aspetos que devem ser acautelados para não reforçar as desigualdades em educação


Embora o documento chame a atenção para a necessidade de um apoio adequado às famílias e alunos mais vulneráveis, é fundamental perceber que a atual situação pode potenciar ainda mais as desigualdades. Amplamente reconhecidas na realidade prévia à COVID, as desigualdades em educação podem ver-se muito aumentadas com o atual afastamento físico e social dos alunos da escola. Não apenas pela eventual ausência de acesso a estes meios que pode ser grandemente ultrapassada com medidas como a do Governo Português de incrementar programas através da TV, mas pela desmobilização e pelo abandono previsíveis numa população que, como é sabido, nunca terá o mesmo tipo de apoio familiar dos mais privilegiados. Neste contexto, é necessário que se tomem medidas imediatas, de seguimento e apoio particular aos mais vulneráveis, mas, também, que se prevejam planos de ação num futuro a curto prazo, quando for possível o regresso às escolas. Estes planos devem contemplar programas de compensação e de recuperação das aprendizagens perdidas ou pouco conseguidas. Trata-se de um empreendimento que vai exigir um enorme esforço, mas em que vale a pena investir para prevenir uma situação que pode ser catastrófica em termos de acentuação das desigualdades. A avaliação dos alunos que estão nestas situações, a elaboração dos programas e modalidades de compensação e de atuação, o recrutamento dos professores necessários, contam-se entre as inúmeras tarefas que é necessário preparar, desde já. Duas chamadas de atenção devem ser feitas. Em primeiro lugar, é preciso ver que professores podem ser chamados a este esforço e como tudo isto vai funcionar (e.g., em que tempos, com que horários). Em segundo lugar, os meios a disponibilizar têm que ser obrigatoriamente presenciais, na medida em que os outros não conseguiram cumprir cabalmente a sua função, durante o período crítico.

 c) Necessidade de realçar o papel da Universidade como entidade fundamental na criação de ciência e de pensamento sobre a sociedade


De tudo o que está a acontecer, deve tirar-se a ilação do papel fundamental da Universidade, como espaço de criação do conhecimento indispensável à resolução de problemas como este com que nos confrontamos. Por um lado, é o desenvolvimento da investigação em diversas áreas científicas que pode trazer as soluções  necessárias à criação de vacinas e ao tratamento de doenças como aquela com que agora somos confrontados. Por outro lado, é o pensamento, tal como é desenvolvido nas áreas das ciências sociais e humanas que pode dar-nos grelhas de leitura sobre o que se passa, bem como apontar os caminhos e as saídas a seguir e a adotar. Numa situação como a que vivemos torna-se bem claro que as decisões a tomar dependem do avanço científico, implicando, simultaneamente, opções que se devem fundar num pensamento crítico e eticamente responsável e condizente com os valores humanos fundamentais. Só uma política de investimento nas Universidades, espaço privilegiado para o desenvolvimento do pensamento científico, social e humano, pode, no futuro, precaver-nos contra situações como aquela que vivemos atualmente.   

Isabel Festas
Ana Maria Seixas
António Gomes Ferreira

Universidade de Coimbra - Portugal

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Portugal - Inovação Social: como medir o impacto e o valor do sorriso de uma criança?

Uma equipa multidisciplinar de investigadores do Observatório de Cidadania e Intervenção Social da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), e do i9 Social – Centro de Inovação Social, está a desenvolver uma ferramenta inovadora de medição de benefícios dos projetos sociais, baseada na Teoria da Mudança.

Nesse sentido, a equipa está no terreno a acompanhar em contexto real seis projetos de inovação social de áreas distintas, desde saúde e inclusão até proteção social e combate ao abandono escolar, no distrito de Coimbra.

Este trabalho no terreno permite «recolher indicadores para construir os instrumentos adequados de medição. Este é um dos aspetos distintivos do projeto, pois vamos desenvolver uma metodologia não a partir de manuais científicos e teoria, mas sim a partir da informação que nos é fornecida por todas as partes interessadas (beneficiários diretos dos projetos e stakeholders)», afirmam Clara Cruz Santos, coordenadora da equipa da FPCEUC, e Filipe Cardoso, do i9 Social.



Pretende-se desenvolver uma solução capaz de medir objetivamente, com base nas melhores práticas, o valor social e o valor económico de projetos de inovação social, por forma a responder de forma sustentável a problemas sociais complexos e modificar o tecido social local.

No entanto, segundo os responsáveis, é uma tarefa de grande complexidade, «pois o terceiro setor é uma atividade cujo custo-benefício é difícil de quantificar, isto é, atribuir um montante financeiro que corresponda em termos de valor ou impacto social gerado, mas que produz mudanças na vida das pessoas. Por isso, a metodologia tem de basear-se numa avaliação abrangente, captando todas as transformações originadas no âmbito de cada projeto social».

Com a ferramenta inovadora que a equipa está a desenvolver, num futuro próximo – o projeto deverá estar concluído dentro de um ano - «será possível identificar quais são os benefícios tangíveis e intangíveis, ou seja, quantificar economicamente os tangíveis, mas identificar também os intangíveis, porque nem todos os benefícios são possíveis de quantificar do ponto de vista económico. Por exemplo, quanto vale o sorriso de uma criança?», ilustram Clara Cruz Santos e Filipe Cardoso.

O trabalho que os investigadores estão a realizar no terreno, em seis projetos com níveis diferentes de maturidade, implica reuniões com responsáveis dos projetos, análise de diagnóstico, entrevistas aos parceiros dos projetos, questionários, grupos focais, entrevistas com os beneficiários, entre outras ações.

O projeto prevê ainda a criação de um Observatório para o Impacto Social, onde será disponibilizada informação e mapeamento de Avaliação de Impacto em projetos no âmbito da inovação social.

O i9 Social é financiado pelo programa Portugal Inovação Social e pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC). Para além da equipa da FPCEUC, são parceiros o IES - Social Business School, o Instituto Pedro Nunes (IPN) e a Skillent, empresa especializada em soluções para problemas sociais. Universidade de Coimbra - Portugal