Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Guiné Equatorial e Estados Unidos discutem pirataria no Golfo da Guiné

Nguema Obiang Mangue e o Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca também discutiram a cooperação bilateral e outros desafios comuns


O vice-presidente da República, Nguema Obiang Mangue, manteve uma conversa telefónica com o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Stephen M., focada no combate à pirataria marítima no Golfo da Guiné.

Durante o diálogo, ambas as partes avaliaram o estado da cooperação bilateral entre a Guiné Equatorial e os Estados Unidos, com especial atenção a setores como a migração ilegal e a energia.

O vice-presidente expressou a preocupação da Guiné Equatorial com a persistência da pirataria marítima e o seu impacto no comércio regional, observando que essa questão será uma das prioridades do país em 2026.

A conversa também permitiu uma revisão do cumprimento dos acordos existentes e uma análise das perspectivas de fortalecimento da cooperação entre os dois países. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


quinta-feira, 1 de maio de 2025

Cabo Verde - Navio-patrulha oceânico Sines visita o país entre 04 e 16 de Maio

O navio-patrulha oceânico NRP Sines vai estar em Cabo Verde entre os dias 04 e 16 de Maio, no âmbito da iniciativa Mar Aberto, anunciou o Adido de Defesa junto à Embaixada de Portugal na Praia.



De acordo com uma nota de imprensa, no âmbito das actividades de cooperação no domínio da defesa, diplomacia naval e apoio à política externa do Estado, o navio vai estar no arquipélago com visita programada ao porto da Praia, de 05 a 09 de Maio, inseridas na Iniciativa Mar Aberto 2025.

A Iniciativa Mar Aberto surge em 2008 como uma resposta do Estado português face à insegurança marítima verificada num espaço marítimo concreto, o Golfo da Guiné.

“Esta iniciativa materializa a satisfação dos compromissos internacionais assumidos por Portugal, através de acções de apoio ao desenvolvimento de uma cultura de segurança marítima e ao fortalecimento das capacidades associadas junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e com outros países do Golfo da Guiné (GdG)”, lê-se no comunicado.

Com base no documento ressalva-se, entre outras actividades, a participação no Exercise Obangame Express, a decorrer na zona G da Arquitetura de Yaoundé, bem como o desenvolvimento de actividades de cooperação e de cariz diplomático, entre Portugal e os Estados visitados, em apoio à política externa e de defesa nacional.

Esta operação, refere a mesma fonte, contribui, igualmente, para o esforço integrado de segurança cooperativa da comunidade internacional, em particular da União Europeia (UE), no âmbito das Presenças Marítimas Coordenadas (PMC), ao longo da costa africana.

O navio partiu da Base Naval de Lisboa no dia 14 de Abril para uma missão que terá a duração de cerca de quatro meses, estando prevista a visita a 12 países, onde se incluem todos os países africanos de língua oficial portuguesa, navegando cerca de 20000 milhas náuticas.

O NRP Sines é comandado pelo capitão-tenente Vitor Manuel da Silva Santos e conta com um total de 59 militares embarcados (13 oficiais, 14 sargentos e 32 praças), onde se incluem uma equipa de segurança dos fuzileiros, uma equipa de mergulhadores e uma equipa para operação de sistemas aéreos não tripulados. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

CPLP pode ser “produtor de segurança” regional em África, mas precisa de estratégia

O autor do livro “25 anos de Cooperação de Defesa na CPLP”, que foi apresentado em Lisboa, defende que aquela organização pode ser um “grande produtor de segurança” para África, mas precisa antes de uma estratégia de Defesa



Para o militar e professor universitário Luís Bernardino, a cooperação na Defesa na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) passou, ao longo de 25 anos, por “uma fase inicial, dinâmica, de construção e de consolidação”, mas, nos próximos 25, tem de avançar para “novos desafios”, entre os quais garante que ainda não constam a criação de umas Forças Armadas ou a ambição de intervir diretamente em conflitos armados.

“Temos de garantir uma visão diferente para a economia de Defesa no quadro da CPLP, temos que apostar na segurança marítima, e temos que apostar que a CPLP pode efetivamente ser um grande produtor de segurança regional em África, através da sua participação em exercícios e missões que possam ter um contributo direto para a segurança regional, nomeadamente no Golfo da Guiné, onde temos cinco estados-membros da CPLP”, frisou.

A CPLP precisa de “ter uma estratégia de Defesa”, defendeu, o que “implica (…) uma maior congregação de vontades políticas, ou seja, um maior interesse dos Estados em reforçar e tornar esta cooperação como algo mais significativo dentro da estratégia de cada um dos Estados”.

Na prática, pretende-se “um compromisso mais sólido” com a cooperação na Defesa, o que pode tornar “a CPLP num instrumento mais potente de produção de segurança em termos regionais e globais”, concluiu.

O militar recordou que a cooperação bilateral na área da Defesa está na origem da multilateral que hoje existe, pois, a partir do momento em que a arquitetura de Defesa da CPLP existiu, ou seja, o conjunto dos instrumentos que constam do protocolo de Defesa assinado em 2006, esta passou “a dominar inteiramente, com reuniões e exercícios que envolvem todos os países da CPLP”.

Existe um outro mecanismo “muito mais importante e com um reforço de capacidades, que é a CPLP”, frisou. Este é hoje “um mecanismo de troca de experiências, contributos para a operacionalização das Forças Armadas dos países da CPLP, de apoio à construção da identidade da Defesa dentro destes países, que procura uma estratégia de Defesa para os oceanos, dar resposta a catástrofes e ter uma maior visibilidade dentro daquilo que é o domínio dos próprios Estados”, e promotor de uma cooperação que, no seu entender, é “proativa”, através de missões de observação eleitoral, de missões de bons ofícios, de participação nas Nações Unidas, onde é observador.

Para Luís Bernardino, o desafio maior da CPLP para os próximos 25 anos, tema do terceiro capítulo do seu livro, é o de criar “uma estratégia de Defesa”.

Quanto a Portugal, o autor do livro considera que o país contribuiu “decisivamente para a construção da CPLP, na área da Defesa”. “Portugal teve um papel inicial fundamental na criação das condições para a construção da CPLP como mecanismo de cooperação multilateral. A primeira reunião de ministros da Defesa com os PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa], que aconteceu em 1998 no país, foi sobre as várias relações bilaterais, na qual o Brasil também participou como observador, e nela foi criado o Fórum multilateral que é a Cooperação de Defesa na CPLP”, recordou. Mas, na sua opinião, Portugal também falhou ao longo destes 25 anos. “Poderia (…) ter articulado melhor as suas estratégias gerais do Estado com esta específica de cooperação na área da Defesa”, considerou Luís Bernardino. “Não há uma estratégia nacional que possa congregar a economia, com defesa, soberania, diplomacia. E isso é algo que temos que melhorar bastante, ou seja, nós temos que nos posicionar nestes mecanismos de cooperação bi-multilateral, ou seja, actuar na cooperação bilateral, na multilateral, junto das organizações e tentar também fazer convergir estas duas formas de cooperação, para termos (…) aquilo que queremos, que é uma cooperação estratégica, com uma visão estratégica para o desenvolvimento de Portugal”, declarou. Esta foi, para o autor do livro, a maior “lacuna” de Portugal nestes 25 anos.

A apresentação em Portugal do livro “25 anos de Cooperação de Defesa da CPLP” realizou-se no auditório 1 da Universidade Autónoma de Lisboa. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”



terça-feira, 18 de abril de 2023

Cabo Verde - Primeiro submarino português a atracar na cidade do Mindelo motiva curiosidade

A primeira visita de um submarino português a Cabo Verde despertou nos últimos dias a curiosidade da população de São Vicente, ao observar ao longe o exterior do “Arpão”, atracado desde 14 de abril no porto do Mindelo.


“Desde pequena que sonhava estar dentro de um submarino, para ver como é o fundo do mar, devido às fantasias de criança em que sonhava ver peixes, as conchas, baleias e a mais desejada era ver as sereias, devido às historias que escutava”, descreveu à Lusa Dulcineida Soares, psicóloga clínica natural do Mindelo enquanto avistava ao longe o submarino da Marinha portuguesa.

No entanto, Dulcineida Soares e vários outros cabo-verdianos não conseguiram cumprir o sonho de ir a bordo, face às características do submarino, que não permitem visitas do público em geral, como esclareceu o capitão-de-fragata Taveira Pinto, comandante do navio, já que transporta vário armamento.

“Face às características do submarino não fazemos a abertura ao público, pois o submarino é por si uma arma estratégica. As visitas são restritas, mas temos colaboração e algumas atividades, nomeadamente com a Guarda Costeira de Cabo Verde, visto a relação estreita e próxima com atividades a desenvolver e temos alguma colaboração com o instituto do mar e a universidade, com cursos ligados ao mar, ciências do mar e máquinas marítimas que terão a oportunidade de conhecer o navio”, assegurou o comandante.

O submarino “Arpão” está a fazer escala no porto do Mindelo, ilha de São Vicente, no âmbito da iniciativa ‘Mar Aberto’ 2023, o primeiro da Marinha portuguesa a atracar em Cabo Verde. O submarino largou no dia 04 de abril da Base Naval de Lisboa e nesta missão, de 120 dias, vai percorrer, até ao início de agosto, 13.000 milhas (cerca de 24100 quilómetros) e realizar 2500 de navegação por dois continentes e cinco países, fazendo escala em São Vicente de 14 a 18 de abril.

“O NRP “Arpão” será o primeiro submarino português a realizar uma missão deste tipo, sendo também a primeira vez que um submarino português cruza a linha do equador, tendo para isso posto à prova a capacidade logística operacional da Marinha”, destacou a Armada portuguesa.

“A iniciativa ‘Mar Aberto’ pressupõe o estabelecimento de contatos bilaterais e de colaboração e estabelecimentos de relações diplomáticas entre Portugal e outros países, neste momento focado na CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e com grande enfoque na patrulha do Golfo da Guiné, tendo em conta indícios de pirataria e narcotráfico que há naquela zona. O primeiro porto a escalar é aqui no Mindelo, depois seguiremos para o Brasil, pelo Atlântico Sul, cruzaremos para a cidade do Cabo, onde iremos participar nas comemorações participar nas comemorações do 10 de Junho [comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na África do Sul]”, acrescentou o capitão-de-fragata Taveira Pinto.

O “Arpão” conta com uma guarnição de 35 militares, incluindo três mulheres, e a missão obrigou a uma intensa preparação prévia.

“Tivemos que nos preparar, estudar as correntes, as profundidades e temperaturas da água. É uma zona por nós desconhecida, por isso teve de ser uma preparação cuidada, com uma preparação logística cuidada e com a aventura de o fazer pela primeira vez, traz uma alegria diferente a esta missão”, disse o comandante Taveira Pinto.

Além de Cabo Verde, esta missão levará o submarino “Arpão”, da classe Tridente, de 70 metros de comprimento, ainda ao Brasil, África do Sul, Angola e Marrocos, “contribuindo para o estreitamento das relações de cooperação militar e diplomáticas entre Portugal e cada um dos países visitados”.

Segundo a Marinha portuguesa, a iniciativa ‘Mar Aberto’ visa “desenvolver ações de cooperação bilateral e multilateral, e de presença e diplomacia naval, nomeadamente, no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Presenças Marítimas Coordenadas no Golfo da Guiné e Iniciativa ‘5+5 Defesa’, com Marrocos”.

Salienta ainda que as “características operacionais do submarino conferem-lhe a capacidade de efetuar patrulhas discretas em qualquer altura do ano e qualquer lugar, garantindo assim que as águas sob soberania ou jurisdição nacional, ou quaisquer outras onde seja requerida a sua presença, possam ter uma garantia extra de segurança da navegação”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quarta-feira, 13 de julho de 2022

Cabo Verde - Recebe embarcações para reforçar resposta a aplicação da lei do mar nos países costeiros da CEDEAO

Cidade da Praia – Cabo Verde vai receber, através da implementação do programa SWAIMS, duas embarcações de alta velocidade para reforçar respostas a aplicação da lei e gestão do Estado de Direito no mar nos 12 países costeiros da CEDEAO.

A informação foi avançada hoje pelos parceiros do programa no acto da assinatura do memorando de entendimento entre a Direção Nacional da Defesa do Ministério da Defesa Nacional e a Camões-Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., para a implementação do programa “Support to West Africa Integrated Maritime Strategy (SWAIMS)”.

Na ocasião, o director Nacional da Defesa, o tenente-coronel Domingos Correia, congratulou-se com o acto que, segundo disse, celebra o nascimento de duas “gémeas embarcações” com equipamentos forense e semirrígidas, bem como a formação de formadores e o apoio à formação das guarnições, no âmbito de uma estratégia para a segurança marítima integrada na CEDEAO.

“Será uma segurança marítima integrada a nível regional podendo proporcionar respostas operacionais rápidas e eficazes para o cumprimento da lei e do direito do mar no combate às ameaças específicas que tende a desestabilizar a região, nomeadamente, no espaço do Golfo da Guiné”, disse.

Neste sentido, afirmou que o acto representa o início da implementação de uma visão integrada mais ampla da segurança marítima regional a que Cabo Verde e outros Estados parceiros estão empenhados em incrementar para garantir a segurança do espaço e dos recursos marítimos de todos os países da região.

O representante do Instituto Camões, João Ribeiro Almeida, por seu lado, manifestou a satisfação do Instituto em contribuir para melhorar a segurança marítima no Golfo de Guiné, agradecendo, por outro lado, a CEDEAO e ao Governo de Cabo Verde por fazerem parte deste programa.

“O SWAIMS é um excelente exemplo de parceria e cooperação entre Europa e África que visa responder a necessidade de reforço da paz nos países costeiros da CEDEAO com condições mínimas indispensáveis para imposição da lei do Mar em tempo útil e de por forma a atingir eficazmente incidentes ilícitos marítimos”, ressaltou.

Na sua comunicação, manifestou ainda o compromisso dos parceiros para o reforço da capacidade marítima em Cabo Verde e da sub-região, com o reforço da cooperação entre a UE e os Estados da CEDEAO para partilha de informações com base na criminalidade marítima.

A embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Carla Grijó, focou a sua mensagem no apoio e reforço da resposta operacional e no Estado de Direito nas águas de subjurisdição dos 12 países da CEDEAO.

“A SWAIMS teve o seu início em 2020, com uma duração de 45 meses, num orçamento total de 12 milhões de euros, e visa responder às necessidades das forças navais dos países costeiros de CEDEAO para intervier no mar em tempo útil e eficazmente”, acrescentou.

Neste processo, revelou a determinação e confirmação “ao mais alto nível” de Cabo Verde em operacionalizar a curto prazo um centro multinacional de cooperação marítima, na Cidade da Praia, centro acordado na reunião de grupo de amigos do Golfo da Guiné em 2018.

Por sua vez, a representante da CEDEAO, Kely Lopes, avançou que o memorando engloba respostas para a operacionalização da estratégia marítima da comunidade adaptada em 2014, no âmbito de um processo que visa a proteção marítima.

“Isso mostra a consciência da CEDEAO quanto aos perigos que os oceanos têm sido alvo nas últimas décadas”, indicou, salientando que a visão da estratégia marítima integrada foi elaborada no sentido de contribuir para a construção de um domínio marítimo próspero, seguro, passivo e orientado para um desenvolvimento ambiental sustentável.

Para Kelly Lopes, esta visão tão importante para os Estados membros costeiros da CEDEAO torna-se fundamental para Cabo Verde, único estado insular desta organização.

O SWAIMS é uma das componentes operacional de apoio à Segurança Marítima Integrada da África Ocidental que visa operacionalizar a Estratégia de Segurança Marítima, fortalecer a capacidade operacional e de respostas rápidas, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), no combate às ameaças na região do Golfo da Guiné. In “Inforpress” – Cabo Verde

 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Nações Unidas - Vice-chefe da Comissão Económica para África destaca posição estratégica dos países lusófonos no continente

António Pedro diz acreditar num potencial do bloco para fazer avançar o continente em fase de transição, o especialista aponta a diversidade como um activo das nações de língua portuguesa


O novo vice-secretário executivo da Comissão Económica para África, ECA, defende que seja melhor aproveitada a localização estratégica dos países lusófonos. Para António Pedro, o processo precisa ser apoiado pela comunidade internacional.

O vice-chefe da ECA contou à ONU News, de Addis Abeba, que o grupo de nações possui um grande potencial que pode facilitar o ritmo de transição do continente. A comissão promove iniciativas nos campos energético, tecnológico e de mercados.

Plataformas

“Os países lusófonos têm responsabilidades nas suas respectivas regiões e, através da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, plataformas para cooperarem, o que é muito importante. A nível internacional, com Portugal e o Brasil, nós temos jogado um papel importante na divulgação da língua portuguesa como língua de comunicação. Isso é importante como factor para a unidade das comunidades a nível internacional. Este ano, a Cimeira Extraordinária da União Africana é dedicada à cultura. Mas a diversidade que representam os países de expressão portuguesa em África é um activo para o continente.”

Mas riscos pairam sobre os países localizados no Oceano Atlântico que banha Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Angola. Eles estão próximos do golfo da Guiné onde existem actos como pirataria, assaltos e outros crimes marítimos.

Na costa oriental, o Oceano Índico sofre com agressores no Corno de África. Ataques armados a navios e outros actos ilegais como a pirataria juntam esforços de cooperação. António Pedro defende mais colaboração para enfrentar o conjunto de desafios com vista ao crescimento.

“Contribui para que a África que seja mais rica. Por isso é que fiz referência à importância que cada um dos nossos países joga no continente. O Canal de Moçambique é um canal estratégico para a segurança das rotas comerciais a nível global. E é importante que Moçambique seja visto também nesse prisma, e que a comunidade internacional contribua para que os desafios que o país enfrenta agora sejam resolvidos atempadamente. Do outro lado, também temos o golfo da Guiné, que é também uma zona muito estratégica para todo mundo, que enfrenta desafios onde a cooperação internacional é chamada a jogar o seu papel para que seja uma zona de paz, de desenvolvimento e de coesão social.”

Cultura e economia

António Pedro acredita que os países de expressão portuguesa actuando conjuntamente são “como um ativo que contribui para a riqueza global em termos culturais e económicos”.

A comissão regional tem no topo das prioridades o desenvolvimento e a promoção de tecnologias digitais. Outra meta é acompanhar o novo acordo para ampliar a troca de mercadorias entre nações africanas e o investimento no sector de energia para criar uma cadeia de valor em energias renováveis. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Cabo Verde - Apresentado como potencial país beneficiário do projecto de segurança marítima no Golfo da Guiné


Cidade da Praia – Cabo Verde afigura-se como um potencial país beneficiário do projecto SWAIMS, vocacionado para a melhoria das condições de segurança marítima no Golfo da Guiné, enquanto um país costeiro da CEDEAO, alvo dos crimes ocorridos nas águas marítimas.

A informação foi avançada à imprensa pelo coordenador geral da unidade de implementação do projecto, comodoro Rodrigues Campos, no final de uma sessão de trabalho “fechada à comunicação social”, realizada no Centro Cultural Português da Praia, onde foi dado a conhecer de forma detalhada o projecto e apresentado o ponto de situação dos mesmos aos parceiros.

Rodrigues Campos enalteceu o “comportamento já privilegiado e antigo de Cabo Verde com Portugal”, asseverando que o arquipélago tem todas as condições para ser um país beneficiado, desde que cumpra os requisitos estipulados, enquanto objectos de definição no memorandum de entendimento a ser assinado por todos os países identificados.

“Se Cabo Verde entender que cumpra estes requisitos e estiver dentro dos padrões que vão ser efectuados, com certeza que será um país beneficiário e, particularmente, não vejo nenhuma razão para que não seja”, realçou, depois do encontro no qual Cabo Verde fez-se representar por uma delegação liderada pela ministra de Estado, da Defesa Nacional e ministra da Coesão Territorial, Janine Lélis e do ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

Rodrigues Campos apresentou o SWAIMS como um projecto da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, co-financiado pela União Europeia e pelo Estado português, através do Ministério da Defesa, e do Ministério dos Negócios Estrangeiros em aproximadamente 12 milhões 479 mil euros, com o objectivo de aumentar a segurança marítima no Golfo da Guiné.

Pretende-se com este projecto, aumentar a capacidade de respostas dos países beneficiados e melhorar o exercício da autoridade do Estado no mar, mediante combate a todos os crimes que têm assolado esta região, como a pirataria, roubo armado, tráfico de drogas de entre os crimes típicos do ambiente marítimo.

Para o comodoro Rodrigues Campos, de uma forma global, “Portugal está preocupado com a insegurança que se vive na região do Golfo da Guiné”, pelo que se pretende aumentar essa segurança porque, atestou, não só afecta todos os países no Golfo da Guiné, como na realidade acaba por afectar todo o mundo, caso não haja segurança dos países que navegam nesta região.

Espera-se que no final do projecto todas as embarcações e equipamento forense fornecidos aos 12 países beneficiários tenham tripulações, guarnições e equipas em terra capacitadas e prontas para intervenções no contexto marítimo, com capacidade para conduzirem inspecções e recolha de prova com eficácia e em segurança.

No capítulo formativo, destaca-se a operação e a manutenção dos meios recebidos, assim como o treino específico em combate à criminalidade e ilícitos marítimos e à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada.

A formação, avançou Rodrigues Campos, irá ser dada tanto em Portugal, como em cada um dos 12 países beneficiários, visando a adaptação dos conteúdos às realidades de cada um destes Estados, sendo que no último ano do projecto, está também previsto um exercício real no Golfo da Guiné com as forças navais parceiras, envolvendo o apoio de um navio da Marinha Portuguesa. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Cabo Verde - Navio hidro-oceanográfico da Marinha Portuguesa visita o Mindelo para acções científicas e de segurança cooperativa


Mindelo – O navio hidro-oceanográfico da Marinha Portuguesa, NRP D. Carlos I, atracará no Porto Grande do Mindelo esta quinta-feira, enquadrado na Iniciativa Mar Aberto, com cunho científico e de segurança cooperativa no Golfo da Guiné.

A Iniciativa Mar Aberto 2021.2, conforme informações do adido de Defesa Junto à Embaixada de Portugal na Cidade da Praia, visa contribuir para o conhecimento situacional marítimo, desenvolvimento científico e da segurança cooperativa na costa ocidental Africana.

“Na prossecução de objectivos da política externa nacional na satisfação de compromissos internacionais assumidos por Portugal com os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nomeadamente, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe, prevendo-se também a escala no Senegal”, explicou João Domingos em nota enviada à Inforpress.

Dentro da cooperação no domínio da defesa, serão desenvolvidas actividades de presença e de diplomacia naval com a Marinha de Angola, a Guarda Costeira de Cabo Verde e a Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe, incluindo actividades de cooperação técnica e científica com o Instituto Nacional de Hidrografia e de Sinalização Marítima de Angola e com o Instituto do Mar de Cabo Verde (IMar).

Durante a missão em que serão desenvolvidos trabalhos com o Instituto Superior de Engenharia e Ciências do Mar (ISECMar) da Universidade Técnica do Atlântico e com o GEOMAR, será ainda realizada uma campanha oceanográfica, biogeoquímica e de controlo de microplásticos ao largo do arquipélago.

A cooperação com as entidades cabo-verdianas comporta ainda o lançamento de flutuadores derivantes e de um `wave glider´ para realização de observações ambientais e será fundeada uma boia ondógrafo na costa sul da ilha de São Vicente.

A Força Nacional portuguesa destacada para a missão é constituída pelo NRP D. Carlos I, com 51 militares embarcados, integrando uma equipa de mergulhadores e uma equipa de segurança reforçada, e ainda está previsto o embarque de equipas multidisciplinares de cientistas do Instituto Hidrográfico em Angola e de Cabo Verde, que darão corpo aos trabalhos de cooperação científica de cariz hidro-oceanográfico.

O navio fará escala no Porto Grande do Mindelo entre 28 e 30 de Outubro e de 15 a 19 de Novembro, e também visitará o Porto da Praia entre 05 e 07 de Novembro.

A missão Iniciativa Mar Aberto, que decorre até Janeiro de 2022, inclui ainda a participação no projecto-piloto da União Europeia das Presenças Marítimas Coordenadas (PMC) no Golfo da Guiné. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sábado, 11 de setembro de 2021

Cabo Verde - Navio Independência da Marinha Brasileira visita porto do Mindelo durante operação GUINEX 2021

Mindelo – O navio Independência da Marinha Brasileira deverá atracar no Porto Grande do Mindelo entre os dias 15 e 19 de Setembro para diversos exercícios com a Guarda Costeira de Cabo Verde, enquadrados na operação GUINEX 2021.

Conforme informações do chefe da Missão de Assessoria Naval do Brasil em Cabo Verde, a visita faz parte da Operação GUINEX-I (2021), planeada e coordenada pela Marinha do Brasil (MB), em parceria com países da Costa Ocidental africana como Cabo Verde, Camarões, Guiné Equatorial, Nigéria e São Tomé e Príncipe.

Estes países, que segundo a mesma fonte, o Brasil é unido pelo Atlântico Sul e com quem quer estreitar laços.

“Nesse contexto, a MB planeou a execução da Operação GUINEX I (2021), cuja missão é conduzir adestramentos e exercícios combinados no mar e/ou no porto com as marinhas ou guardas costeiras de Cabo Verde, Camarões, Guiné Equatorial, Nigéria e São Tomé e Príncipe, a fim de estreitar os laços de confiança e incrementar, reciprocamente, a capacitação do Brasil e desses países nas actividades de segurança marítima”, lê-se na nota enviada pela assessoria.

Esta primeira GUINEX visa a realização, segundo a mesma fonte, de uma série de exercícios com o propósito de “alavancar a interoperabilidade entre meios navais de países integrantes da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) e estreitar os laços de cooperação e amizade entre o Brasil e os países participantes”.

As operações GUINEX, a princípio, ocorrerão anualmente, tendo como meta a ampliação da capacidade da MB para o Comando de um GT multinacional, operando no Golfo da Guiné.

Durante a estada do navio Independência (F44), no Mindelo, a MB e a Guarda Costeira conduzirão uma série de treinamentos teóricos e práticos e ainda serão ministradas aulas de abordagem a embarcações cooperativas, workshops de operações especiais de mergulhadores, com ênfase na abordagem a embarcações não cooperativas.

Estão programados ainda treinos de primeiros socorros, de manutenções planeadas, de combate a incêndios, controle de avarias em navios, de poluição ambiental e de planeamento e confecção de rancho.

Para cumprir essa missão foi constituído, conforme a assessoria, um Grupo Tarefa, que é integrado pelo F44, uma aeronave Wild Lynx (AH-11B), um destacamento de mergulhadores de combate e de fuzileiros navais.

“A Operação GUINEX I é, portanto, a materialização da crença de que os países da Costa Ocidental africana, juntamente com o Brasil, desempenham um papel importante no cenário internacional para manter a estabilidade, segurança e prosperidade do Atlântico Sul”, rematou a mesma fonte. In “Inforpress” – Cabo Verde

 

sábado, 17 de abril de 2021

São Tomé e Príncipe - “Mar Aberto 2021” trouxe bisneto de Ayres de Menezes ao Golfo da Guiné


O sub-tenente José Manuel Azancot de Menezes, médico da marinha portuguesa, a bordo do navio Setúbal, redescobriu a história e as referências do seu bisavô, Ayres de Menezes na ilha de São Tomé.

O bisavô Ayres de Menezes, nasceu em São Tomé no ano 1889. Primeiro médico negro de São Tomé e Príncipe, Ayres de Menezes, é uma figura histórica do país. É o patrono do hospital central, Ayres de Menezes.

No quadro da iniciativa “Mar Aberto” vocacionada para formação da marinha dos países da região do golfo da Guiné, o sub-tenente José Manuel Azancot de Menezes, integra a tripulação do Navio Setúbal da armada portuguesa, que atracou em São Tomé no início do mês de Abril.

Foi pelo mar que a família Ayres de Menezes se instalou em São Tomé, no século XIX. Pelo mar aberto, no século XXI, o navio Setúbal, trouxe a São Tomé, um dos descendentes de Ayres de Menezes.

«É uma grande honra pisar pela primeira vez, esta terra natal dos meus antepassados… Ainda por cima representando a marinha portuguesa, nesta missão mar aberto, que me permite conhecer as minhas raízes, » declarou o sub-tenente José Manuel de Menezes.

O bisneto José Manuel Azancôt de Menezes, herdou o dom genético do bisavô, relacionado com a medicina. Com 30 anos de idade formou-se em medicina, e integrou-se na marinha portuguesa.

Representa a quarta geração de médicos no seio da família de Ayres de Menezes. O bisavô gerou o filho Hugo Azancôt de Menezes, que seguiu as pisadas do paí, tendo sido médico em Angola. O filho Hugo gerou Aida Azancôt de Menezes, neta de Ayres de Menezes que também formou-se em medicina. A neta Aida, deu a luz o jovem José Manuel Azancôt de Menezes, hoje médico e oficial da marinha portuguesa.

«Filho de peixe sabe nadar, e é com muito orgulho que pertenço a esta geração de médicos, e espero que assim continue na minha família», sublinhou.

O bisavô Ayres de Menezes nasceu na cidade de Guadalupe em São Tomé. No entanto acabou por formar família, e fixar residência em Angola.


«Há coincidências muito grandes… Eram caminhos feitos pelo mar, e eu volto, e piso esta terra pela primeira vez através do mar», acrescentou.

O nacionalismo de Ayres de Menezes e o seu empenho na emancipação do povo africano, principalmente de São Tomé e Príncipe, país onde nasceu e de Angola a sua terra de acolhimento, dominam grande parte do livro “Ayres de Menezes – O Leão”, obra do professor Carlos do Espírito Santo, Bené.

Aliás por iniciativa do professor Carlos do Espírito Santo, a cidade de Guadalupe passou a ter um busto de Ayres de Menezes. Também o recinto do hospital central passou a contar com um busto do patrono do maior e mais importante centro de saúde do país.

Depois de São Tomé, a iniciativa “Mar Aberto” fez o Navio Setúbal da marinha portuguesa zarpar no dia 8 de Abril rumo a outro ponto do Golfo da Guiné, onde Ayres de Menezes fez história, Angola. País onde reside e trabalha a médica Aida Azancôt de Menezes, a neta de Ayres de Menezes e mãe do médico da marinha portuguesa José Manuel Azancôt de Menezes.

«Angola é um dos destinos nesta iniciativa “Mar Aberto”. Tenho muita sorte em poder estar nestes países, que são muito importantes na carreira do meu bisavô e da minha família inteira. É muito inspirador, e é uma bênção ter esta oportunidade representando a marinha de Portugal, e todas as suas forças armadas», pontuou, o sub-tenente José Manuel de Menezes.

“Percursos da Luta de Libertação Nacional”, é o título de um livro que não sai das mãos do marinheiro. Durante a conversa a bordo do navio Setúbal, José Manuel Azancôt de Menezes, explicou para o Téla Non, que o livro foi escrito pelo seu avô, Hugo Azancôt de Menezes, que também foi médico em Angola. O livro relata as acções desencadeadas por Ayres de Menezes, no período de luta pela independência de Angola.

«O meu bisavô foi acima de tudo um grande médico, e um grande líder. Teve papel importante na emancipação dos povos africanos, de São Tomé e Príncipe mas também de Angola», concluiu.

Após o reencontro com as suas raízes pelo caminho do mar no Golfo da Guiné, José Manuel Azancôt de Menezes, prometeu regressar a São Tomé, para envolver-se mais com a história e as gentes da ilha, e visitar Guadalupe, a cidade natal do seu bisavô. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”



 

quinta-feira, 18 de março de 2021

Internacional – Preocupação com a pirataria no golfo da Guiné

A Dinamarca, a 4ª maior potência mundial de marinha mercante, sede do gigante do transporte marítimo Maersk, enviou um navio da sua marinha de guerra e 175 militares para o Golfo da Guiné para combater a pirataria naval que, nos últimos anos, cresceu nesta região, que se estende do Senegal, a norte, a Angola, no sul, a ponto de se transformar num "hotspot" global desta actividade criminosa


O Golfo da Guiné, área geográfica que abrange as plataformas continentais de 16 países, que vai do Senegal, no norte, a Angola, no sul, e uma vasta área de águas internacionais no oceano Atlântico, é já há alguns anos, suplantando a costa da África Oriental, um dos mais importantes focos da pirataria naval, com pelo menos 95% dos assaltos a navios em alto mar realizados por ano em todo o mundo.

A preocupação das multinacionais do transporte marítimo que têm rotas a atravessar o Golfo da Guiné, e dos organismos internacionais, como a Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), a agência das Nações Unidas que modera o sector, ou o Bureau Marítimo Internacional (IMB), divisão especializada da Câmara Internacional do Comércio (ICC), tem sido enfatizada à exaustão nos últimos anos com a emissão de relatório que expõem a gravidade da situação.

Em 2020, o IMB emitiu mesmo uma nota onde aponta para o Golfo da Guiné como palco de 95% dos actos de pirataria marítima realizados em todo o mundo nesse ano, detalhando que essa cifra compreende 130 membros de tripulações raptados para obtenção de resgates e 22 incidentes separados com captura de navios.

Também a IMO tem abordado este problema com insistência, notando nos seus relatórios que a actividade criminosa no Golfo da Guiné está a aumentar de forma galopante, sendo já uma "séria ameaça ao comércio global" e um perigo constante para os trabalhadores do sector dos transportes marítimos na região.

O director-geral desta agência da ONU, responsável pela regulação do transporte marítimo internacional, Kitack Lim, segundo a Global Trade Review, enviou, a 10 de Fevereiro deste ano, uma missiva a todas as agências da ONU onde defende que a pirataria nesta vasta região marítima é "uma séria e imediata ameaça" às tripulações e aos navios que a atravessam.

Para lidar com o problema, Lim defende uma "melhor cooperação entre os operadores e as organizações regionais" de forma a melhorar a capacidade de resposta e garantir a segurança de pessoas e bens.

O episódio mais grave ocorrido este ano, segundo a Global Trade Review, ocorreu com um navio de bandeira liberiana que ligava Lagos, na Nigéria, à Cidade do Cabo, na África do Sul, quando foi atacado, resultando na morte de um marinheiro do Azerbaijão e no rapto de 15 turcos, obrigando o Governo de Ancara a negociações para repatriar em segurança os 15 tripulantes.

Este ataque despoletou uma série de reacções, como se fosse a gota de água que fez transbordar o copo, com a Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes Marítimos na linha da frente a exigir medidas urgentes.

"A severidade deste último ataque exige uma acção imediata e robusta dos governos para proteger os trabalhadores do sector e o comércio marítimo na região" da África Ocidental, afirma esta organização, que exige que esta actividade criminosa seja "controlada através de uma presença naval com capacidade dissuasora e de resposta pronta".

Esta região é fundamental no que respeita ao comércio internacional marítimo, especialmente nos sectores do petróleo e do gás para os países do hemisfério Norte, bem como de mercadorias entre a África Austral e a Europa e, especialmente, entre a África Central e Austral, com, em média, a presença diária e constante de 1500 embarcações, sejam petroleiros, cargueiros ou de pesca.

As razões por detrás deste fenómeno

Segundo relatos das polícias internacionais, este fenómeno está a conhecer um forte crescimento desde 2014, sustentado pela crise económica que se abateu na região africana, pela diminuição dos preços do crude - até então os roubos concentravam-se no crude -, levando os piratas a focar a sua atenção na pilhagem de mercadorias e no rapto de tripulações para a obtenção de avultados resgates.

Isto tudo é exponenciado pelo crescente desemprego nos países da região, pela escassa capacidade de patrulhamento das respectivas marinhas e pela porosidade das legislações nacionais sobre esta matéria, que, tudo junto, levou o Golfo da Guiné a começar a aparecer como o novo "hotspot" da pirataria naval, relegando mesmo a costa oriental do continente - Somália - para segundo plano.

A par deste crescendo na actividade criminosa, as organizações internacionais relatam ainda que os piratas estão cada vez melhor equipados e organizados, demonstrando que têm por detrás uma forte capacidade em meios navais, rápidos, estão bem armados e tecnicamente apetrechados, bem como contam com informação importante sobre os navios que circulam neste corredor.

Resposta

Para lidar com este crescente problema, o IMB aconselha os operadores a manterem os seus navios, sempre, a pelo menos 250 milhas náuticas da costa, quando em circulação, ou até que obtenham a autorização para desembarque das mercadorias nos portos da região, embora isso esteja a deixar de ser resguardo suficiente devido aos cada vez melhores meios navais de que os piratas dispõem.

Mas a mais robusta reacção foi já despoletada por países europeus, com a União Europeia a criar um mecanismo composto por países como Portugal, França, Espanha e Itália, a que se junta agora a Dinamarca com uma fragata e 175 militares, que garante a presença permanente de meios navais de reacção e coordenação permanente, método semelhante ao que foi utilizado na costa oriental do continente - Corno de África/Somália - nos últimos anos.

O IMB também entende que a única resposta capaz de colocar termo a esta situação é o aumento da troca de informações e coordenação da resposta entre países e as companhias de transporte, bem como impulsionar mecanismos para a elaboração de legislação abrangente em estreita colaboração com os países e as suas organizações sub-regionais, como a CEDEAO, a CEEAC ou a SADC.

Isto, porque a pirataria naval nesta região, para além de perigosa para as pessoas que trabalham no sector dos transportes marítimos, apresenta custos astronómicos, como o refere o relatório de 2018, o mais recente, elaborado pela ONG Oceans Beyond Piracy, onde é revelado que, nesse ano, os ataques a navios custaram cerca de 820 milhões de dólares.

E, no entanto, os países que integram esta vasta região já possuem desde 2013 um acordo abrangente, denominado Código de Conduta de Yaoundé, assinado na capital dos Camarões, onde os signatários dispõem de um "mapa" de acção definido, embora as dificuldades em meios materiais dificultem a acção.

Mas, agora, para ultrapassar essas dificuldades, a ICC e o IMO estão a preparar um sistema que permita apoiar os países da região menos capazes de forma a que estes possam cumprir o disposto no Código de Conduta assinado em 2013.

Outro passo importante na resposta a este problema é esperado em Maio, quando o grupo criado no âmbito do Comité para a Segurança Marítima vai reunir para expor propostas que visam atacar o problema de forma mais abrangente.

Angola

Em Angola, este assunto tem merecido atenção nos últimos anos, com, por exemplo, o estabelecimento de um acordo de cooperação entre as Marinhas de Guerras da África do Sul e de Angola, de 2014, que perspectivava acções conjuntas de resposta e dissuasão ao longo da costa Atlântica.

Luanda lançou ainda, em 2019, a "Operação Transparência no Mar", composta por cerca de 50 navios e helicópteros, incluindo o Ngola Kiluanje P200 da Marinha de Guerra (MGA), com capacidade de rastreamento de embarcações pirata.

A "Operação Transparência no Mar" apontava para a neutralização em tempo útil de qualquer actividade de pirataria naval ao longo da extensa costa nacional. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal”

 


segunda-feira, 15 de março de 2021

Cabo Verde - Navio patrulha português de visita para cooperar com as Forças Armadas cabo-verdianas


Cidade da Praia – O navio patrulha oceânico NRP Setúbal, da marinha portuguesa, chegou este domingo, 14, à Cidade da Praia no quadro da cooperação com as Forças Armadas e Guarda-Costeira de Cabo Verde.

Durante a estada deste navio em Cabo Verde, está previsto um programa de diversas actividades de cooperação com as Forças Armadas e Guarda-Costeira de Cabo Verde, desde acções de formação, treino conjunto e partilha de conhecimentos.

De acordo com uma nota a que a Inforpress teve acesso, em termos de formação o foco vai estar nos procedimentos de emergência médica, treino de manobra e condução de embarcações miúdas, treino de abordagem das forças anfíbias com formação teórica e prática e exercícios diversos.

O navio patrulha oceânico NRP Setúbal irá ainda participar no exercício internacional OBANGAME EXPRESS até ao próximo dia 21 de março, promovido pelo United States Naval Forces Europe-Africa / United States 6th Fleet, com o objectivo de estimular e garantir a cooperação regional e partilha de informação entre os diversos centros de comando e controlo de operações marítimas no Golfo da Guiné e promover o intercâmbio de conhecimento na área do domínio marítimo, assim como a interoperabilidade entre participantes das forças e unidades navais de 29 países, por forma a incrementar a segurança nesta área.

O NRP Setúbal, sob o comando do capitão-de-fragata Artur Jorge Martins Dias Marques, possui uma guarnição de 58 militares, dos quais duas mulheres e 56 homens, onde se inclui uma equipa de abordagem, uma equipa de mergulhadores, um oficial médico naval e ainda um aspirante a oficial da Escola Naval em estágio. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Angola – Analisa segurança marítima no golfo da Guiné com a Guiné Equatorial

Simeon Esono Angue foi recebido, em audiência, pelo Presidente João Lourenço, a quem fez a entrega de uma mensagem do Chefe de Estado da Guiné Equatorial, Obiang Nguema, no quadro das consultas mútuas de alto nível entre os estadistas e o fortalecimento das relações de amizade e de cooperação.

Em declarações à imprensa, no final da audiência, Simeon Esono Angue, recebido na qualidade de enviado especial de Obiang Nguema, lembrou que os Chefes de Estado estão cientes de que a riqueza dos dois Estados está no mar.

“É preciso lutar contra a insegurança no Golfo da Guiné. Aproveitando que estamos aqui, em Angola, para participar na reunião ministerial do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, é preciso reforçar a nossa cooperação”, salientou o ministro dos Assuntos Exteriores e Cooperação da Guiné Equatorial.

A insegurança marítima, acrescentou, deve ser um aspecto fundamental para os dois países. Daí, realçou, ter merecido a atenção do Presidente João Lourenço.

O enviado especial do Presidente equato-guineense falou da necessidade de os dois Estados, que têm vários acordos de cooperação a nível sectorial, fazerem um esforço conjunto para a sua implementação.

Segundo o ministro dos Assuntos Exteriores e Cooperação da Guiné Equatorial, é preciso identificar outras áreas inscritas na agenda bilateral de diversificação da economia para contrariar, com alguma urgência, o actual quadro económico de Angola e da Guiné Equatorial.

“Neste momento, a nossa cooperação gira em torno da exploração de petróleo e gás, que é, até agora, a base das nossas economias. Apesar disso, e da necessidade de diversificação económica dos nossos países, temos de reforçar a cooperação neste domínio”, defendeu o chefe da diplomacia equato-guineense.

Simeon Esono Angue lembrou que “Angola e Guiné Equatorial são dois países irmãos que optam por cultivar boas relações de amizade e cooperação”. João Dias – Angola in “Novafrica”

domingo, 1 de dezembro de 2019

Angola - Advoga maior cooperação para segurança no Golfo da Guiné

Luanda - Angola defende uma actuação coordenada entre os Estados do Golfo da Guiné para o reforço da segurança marítima na região, afirmou o director dos Assuntos Multilaterais do MIREX, Mário Constantino



O responsável expressou o facto em declarações à imprensa, no segundo dia da sessão de peritos, preparatória da 49ª reunião do Comité Consultivo Permanente das Nações Unidas encarregue das Questões de Segurança na África Central (UNSAC).

Informou que a região do Golfo da Guiné possui oito por cento dos recursos de petróleo do mundo, segundo dados oficiais, bem como actividades pesqueiras e tráfego marítimo significativos.

Este quadro, de acordo com Mário Constantino, torna a zona numa das áreas mais perigosas para os marinheiros.

Mário Constantino, responsável dos Assuntos Multilaterais do MIREX e também Ponto Focal de Angola na UNSAC, entende que apesar dos países possuírem estratégias nacionais para combater a pirataria no Golfo da Guiné, só uma cooperação internacional pode tornar a região mais segura, eficaz e voltada à paz.

Deu a conhecer que durante a sessão, dominada pela segurança marítima, os participantes aconselharam os países a procurar financiamento para a melhoria das condições de segurança.

“Angola dá uma importância à segurança no Golfo da Guiné, por causa da importância que o mar tem para a nossa economia”, disse.

Relativamente ao desarmamento, outro tema do dia, explicou que avaliou-se o grau de implementação das convenções relativas à adesão dos países ao tratado de comércio de armas que, por enquanto, grande parte dos países da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) ainda não aderiu.

Esclareceu que a adesão a este instrumento é fundamental para a manutenção da segurança na região, por proibir a circulação ilegal de armas de pequeno porte.

Angola orientou os trabalhos da 49ª reunião da UNSAC, depois de assumir, na passada terça-feira, a presidência rotativa do comité, criado em 1991.

Fazem parte da região do Golfo da Guiné, Angola, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benin, Nigéria, Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, São Tomé e Príncipe, República Democrática do Congo e República do Congo. In “Angop Agência Angola Press” - Angola

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Internacional – Pirataria no Golfo da Guiné aumenta

A Baltic and International Maritime Council (BIMCO) pede o apoio naval internacional para o combate à crescente pirataria na África Ocidental

O apelo do organismo internacional surge no seguimento do relatório do Bureau Marítimo Internacional (BMI) da Câmara Internacional de Comércio que dá conta que os ataques de pirataria voltaram a aumentar em 2018, após três anos de descidas.

A África Ocidental foi a região com a maior subida de ocorrências. O documento coloca o Golfo da Guiné como uma área cada vez mais perigosa para as tripulações.

Com base nesta realidade, o chefe de segurança marítima na BIMCO, Jakob Larsen, referiu que o apoio naval internacional para combater a pirataria na região tem de ser enviado o quanto antes.

“Para ser sincero, a menos que vejamos apoio naval internacional e cooperação estreita entre as marinhas internacionais e as polícias locais, duvido que vejamos os números diminuírem de maneira significativa”, afirmou Larsen em comunicado.

“Está a haver um reforço significativo das capacidades na região e as forças navais estão a receber formação, mas todas essas iniciativas visam o longo prazo e não resolvem o problema no momento. Portanto, precisamos intensificar o esforço. Só então poderemos virar a maré da pirataria na região”, acrescentou o mesmo responsável da BIMCO.

Jakob Larsen acredita ser necessário combinar a capacitação da forças locais com mais recursos marítimos e aéreos para ser possível alcançar uma aplicação local da lei mais robusta. O executivo da BIMCO admite, porém, que qualquer operação pode ser complicada do ponto de vista político. Não será fácil conseguir que todos os estados costeiros da África Ocidental concordem com a opção naval. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sábado, 14 de julho de 2018

Gana - ENI começou a exploração offshore de gás

A ENI começou a exploração offshore e gás, com o apoio do Banco Mundial. Uma produção destinada ao consumo interno e que poderá auxiliar o país, segundo a empresa



A ENI, companhia petrolífera italiana com interesses em Portugal, obteve licença de exploração offshore para a produção de gás no Gana, na África ocidental, e há dias deu início à produção no campo de Sankofa, sob o projecto integrado Offshore Cape Three Points (OCTP).

Este é o único projecto de gás em águas profundas não associado da África sub-saariana totalmente destinado ao consumo interno, que garantirá ao Gana fornecimentos de gás estáveis (180 milhões de pés cúbicos standard por dia durante 15 anos).

O projecto, desenvolvido também com o apoio do Banco Mundial, pode ajudar o Gana a mudar o seu paradigma energético, trocando a energia movida a petróleo para uma fonte de energia mais limpa, contribuindo para o seu desenvolvimento tanto económico e sustentável. E será suficiente para converter em gás, metade da energia do Gana.

Este parque será iniciado a partir de dois dos quatro poços submarinos de águas profundas ligados ao navio flutuante de produção, armazenamento e descarregamento (FPSO), John Agyekum Kufuor. Sendo que se espera que a produção de petróleo e gás da OCTP atinja os 85 mil barris por dia.

“O OCTP alia criação de valor com sustentabilidade social e ambiental. O gás do OCTP irá contribuir para a estabilidade do Gana em termos de energia, que é um pré-requisito para o crescimento industrial e económico do país, e ao mesmo tempo auxilia nas questões de sustentabilidade”, referiu o CEO da ENI, Claudio Descalzi. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal