Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Ilha do Príncipe avança na transição energética com bicicletas eléctricas

A entrega das 14 bicicletas elétricas, três postos de carregamento solar e uma Ciclo Oficina equipada decorreu no dia 17, na cidade de Santo António, uma iniciativa que marca um passo importante na transição energética e no combate às alterações climáticas. O projeto faz parte da iniciativa AfroSmartSpot, implementada pela Efrican e financiada pela Cooperação portuguesa, através do Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e Energia de Portugal


A Região Autónoma do Príncipe inaugurou um projeto piloto de mobilidade sustentável que contou com a presença do presidente do Governo Regional, Filipe Nascimento, do secretário regional Júlio Pereira Mendes, da Embaixada de Portugal representada por Paula Pereira, e da equipa da Efrican. Representantes de cooperativas, associações, operadores turísticos, empresas privadas e a comunidade local também marcaram presença.

Mudança de paradigma

As bicicletas foram distribuídas por entidades públicas e privadas, incluindo operadores turísticos, moto-taxistas e o setor do comércio e serviços. O objetivo é reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, substituindo veículos a combustão por bicicletas elétricas em deslocações de curta distância.

“Este é um passo muito importante para a sustentabilidade e para uma mudança de paradigma”, afirmou Ivo Pizarro, responsável da Efrican. A Cooperação Portuguesa destacou a importância do projeto para o desenvolvimento sustentável e a consciência ambiental da população.

Formação mecânica de bicicletas elétricas

O projeto incluiu ainda formação em mecânica de bicicletas elétricas, capacitando um grupo de participantes para garantir manutenção e assistência técnica. Foram criadas ciclo-oficinas e postos de serviço básicos, reforçando a sustentabilidade a longo prazo. Além disso, três estações de carregamento solar foram instaladas na cidade de Santo António, assegurando energia limpa para o funcionamento das bicicletas.

O Governo Regional do Príncipe destaca que esta é apenas a primeira fase de um caminho de transformação do setor dos transportes e um exemplo inspirador de desenvolvimento sustentável para todo o país.

“Deixo, em nome do Governo Regional, a vontade de continuarmos com novos e inovadores projetos”, declarou Filipe Nascimento. Adelise Coelho – Cabo Verde in “A Nação”


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Macau - Mostra Gastronómica Sino-lusófona

Entre um super-alimento vindo de Angola e tradições nascidas em Timor-Leste, da resistência à ocupação indonésia, arranca na sexta-feira uma mostra que durante cinco dias vai promover em Macau a gastronomia lusófona.


“Uma super-comida do futuro”, foi como o ‘chef’ angolano Nário Tala descreveu o catato, numa apresentação à imprensa do menu da Mostra Gastronómica Lusófona, que vai decorrer na Doca dos Pescadores de Macau, até 22 de Outubro.

A surpresa fica reservada para a chegada do prato à mesa do Restaurante Vic’s, com o catato – um tipo de lagarta, típico da cozinha angolana – salteado com beringela, azeite, cebola e alho.

“É um alimento muito proteico, tem vitamina C, ferro, zinco, e podes encontrar com facilidade. Não engorda, é anticancerígeno, e pode ser feito de várias maneiras”, explicou Tala à Lusa.

As sementes de linhaça, cânhamo e chia, a maca, a espirulina, o açaí e as bagas goji são alguns dos chamados super-alimentos, caracterizados por uma elevada concentração de nutrientes como vitaminas, ómega 3 e proteínas.

O catato “é um alimento comum, faz parte da cultura, principalmente na parte do norte de Angola”, mas Nala admitiu que ainda “há uma resistência” a comer esta lagarta da palmeira-de-dendé. “Como tudo na vida, há de se ter um princípio”, defendeu o ‘chef’. “Em Angola há boas equipas a fazerem estudos do que são os nossos alimentos”, acrescentou.

Em Fevereiro de 2023, o ‘chef’ angolano Hel Araújo lançou o projecto Ovina Yetu (‘o nosso produto/a minha coisa’, na língua Umbundu), para recolher de forma exaustiva informações sobre mais de mil produtos nativos, incluindo o catato.

Depois de demonstrar “quais são os benefícios que tem para o corpo humano”, Nário Tala acredita que o catato vai encontrar um público entre as pessoas que procuram na alimentação “sustentabilidade e prevenção de saúde”.

O ‘chef’ sublinhou que a lagarta “não precisa de ser cultivada” e que o seu consumo até pode encorajar a população a plantar mais palmeiras. “Acabamos por consumir o que a palmeira nos oferece, mas sem destruí-la”, explicou Tala.


A importância da sustentabilidade foi também sublinhada por Maria das Dores, que saiu pela primeira vez da ilha de Príncipe para apresentar em Macau um ‘abobó’, com feijão, farinha de mandioca e peixe grelhado.

“Nós usamos aquilo que é nosso. Por isso, o que é nosso é bom e também fica mais barato”, disse à Lusa a ‘chef’ santomense.

Para a timorense Delfina Maria Baptista Guterres, usar ingredientes autóctones como o milho e a batata doce é também uma forma de preservar tradições de Timor-Leste.

“O milho em pó, por exemplo, depois de frito, dura meses e essa era a comida que a gente levava quando vivíamos no mato, por vezes até anos, durante a ocupação, quando o inimigo vinha atacar”, recordou a ‘chef’ timorense.

A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) levou a cabo uma resistência armada nas matas timorenses durante décadas, após a invasão por parte da Indonésia, em 07 de Dezembro de 1975.

“Mas essa malta nova já não faz muito disso, querem coisas mais instantâneas”, lamentou Guterres.

A Mostra Gastronómica Lusófona inclui ainda Martinho Moniz, um ‘chef’ português radicado em Macau, e a macaense Ana Manhão.

Ana Manhão disse que, mais do uma ‘chef’, se identifica como uma defensora das “tradições culinárias” dos macaenses.

Os cinco ‘chefs’ irão também dar workshops de culinária, no âmbito da 16ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




terça-feira, 15 de outubro de 2024

Ilha do Príncipe vai acolher Assembleia Geral da UCCLA

De acordo com a deliberação tomada na Assembleia Geral - realizada em Fortaleza, em 20 de novembro de 2023 - a XL Assembleia Geral da UCCLA terá lugar no dia 25 de outubro, às 14h30, na Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe.


Ordem de Trabalhos:

- Aprovação da ata da XXXIX Assembleia Geral;

- Votação do Relatório e Contas relativo ao ano findo em 31 de dezembro de 2023;

- Votação do Programa de Atividades de 2024;

- Votação de Moções;

- Aprovação de pedidos de adesão e de exoneração;

- Alteração dos estatutos;

- Proposta de listas para eleição dos Corpos Sociais e Secretário-geral da UCCLA para o biénio 2024-2026;

- Deliberação sobre a data e local da próxima Assembleia Geral;

- Informações e outros assuntos.

 

As cidades que estarão presentes na Assembleia Geral são:

Angola: Belas, Icolo e Bengo, Kilamba Kiaxi, Luanda, Talatona e Viana

Brasil: Rio de Janeiro

Cabo Verde: Praia

Guiné-Bissau: Bissau

Moçambique: Dondo, Maputo e Quelimane

Portugal: Amadora, Braga, Cascais, Coimbra, Covilhã, Fundão, Lisboa e Porto

São Tomé e Príncipe: Água Grande e Santo António do Príncipe

Timor-Leste: Díli

Os pedidos de adesão à UCCLA são os seguintes: Cidades: Amadora (Portugal) e Dondo (Moçambique); Empresa: Javali (Portugal).


sábado, 25 de novembro de 2023

Ilha do Príncipe - “Lung’ie, Lunge No” o primeiro dicionário do crioulo da ilha


São Tomé – O Presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe, Filipe Nascimento presidiu à cerimónia de lançamento do Livro “Lung’ie, Lunge No”, o primeiro dicionário do crioulo da ilha do príncipe, que resulta da investigação de vários anos dos académicos Ana Lívia Agostinho e Gabriel Araújo.

Na sua intervenção, Filipe Nascimento realçou o empenho do Governo Regional no resgate, preservação e promoção da nossa Cultura, relembrando o historial de programas radiofónicos em Lung’ie, introdução do Lung’ie nas escolas, sendo que neste ano letivo estendeu-se para o curso noturno, e que agora passamos a contar com mais esta ferramenta didática para acelerar a aprendizagem.


Além do líder do governo regional, a cerimónia contou com a presença de várias personalidades da sociedade, autoridades regionais, grupos culturais, professores, alunos, fazedores da Cultura, Ministro Conselheiro da Embaixada do Brasil.

Sendo uma língua crioula de base portuguesa, o lung’Ie é falado na Ilha do Príncipe, enquanto outros dois crioulos são-tomenses, designadamente, santomé e angolar, são falados na ilha de São Tomé, neste arquipélago de língua oficial portuguesa. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”




 

terça-feira, 17 de outubro de 2023

UCCLA - Estará presente no 4.º Fórum de Cooperação Municipalista da Lusofonia


Sobre o tema “Governança local para o desenvolvimento sustentável”, a Região Autónoma do Príncipe vai acolher o 4.º Fórum de Cooperação Municipalista da Lusofonia, de 23 a 26 de outubro. A coordenadora da Área Social da UCCLA, Princesa Peixoto, estará presente e fará uma comunicação.

“Governança local para o desenvolvimento sustentável” é o tema central do evento. O programa contará com sessões em torno dos seguintes subtemas: “A cooperação descentralizada como mecanismo de aceleração do cumprimento dos ODS”, “Oceano sem fronteiras”, “Desafios da governação e instrumentos inovadores para o desenvolvimento sustentável”, “Gestão das áreas protegidas: terrestres e marinhas”, “A educação ambiental para as gerações futuras”, “As cidades inteligentes e o desafio da gestão sustentável dos resíduos”, “A coordenação sectorial para o equilíbrio económico, social e ambiental sustentável”, “As ações para a adaptação e mitigação das consequências das alterações climáticas”, “Desenvolvimento sustentável e turismo” e “Alternativas viáveis/sustentáveis ao uso dos recursos naturais”.

De referir que a técnica responsável pela Área Social da UCCLA, Princesa Peixoto, participará em dois momentos: “Oceano sem Fronteira e Educação Ambiental para Gerações Futuras” e irá moderar a mesa “Desenvolvimento Sustentável e Turismo”.

O 4.º Fórum de Cooperação Municipalista da Lusofonia resulta de uma parceira entre o Governo Regional do Príncipe e o Fundo Galego de Cooperação e Solidariedade e a Rede de Autoridades Locais pelos ODS - rede, criada em 2019, que pretende ser um espaço de participação igualitária por forma a fortalecer o papel das autoridades locais.  


 

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

São Tomé e Príncipe - UN-Habitat apoia construção de comunidade sustentável para 133 famílias na ilha do Príncipe

A diretora-executiva do Programa de Assentamentos Humanos das Nações Unidas (UN-Habitat) iniciou a entrega de casas a 133 famílias da ilha do Príncipe, beneficiárias do projeto Terra Prometida para a criação de uma comunidade sustentável e urbanizada.

A subsecretária-geral das Nações Unidas e diretora-executiva do UN-Habitat, Maimunah Sharif, está em São Tomé e Príncipe para uma visita de trabalho que termina esta sexta-feira, após ter visitado o projeto Terra Prometida na comunidade da Roça Sundy, na ilha do Príncipe.

Após um encontro com o primeiro-ministro são-tomense para balanço da sua missão ao arquipélago, Maimunah Sharif sublinhou que o projeto Terra Prometida visa “promover a urbanização sustentável e processos participativos nos projetos” em São Tomé e Príncipe.

A dirigente da ONU sublinhou que “as 133 casas estão prontas” e que “o projeto está quase concluído” e deverá começar a acolher os primeiros habitantes ainda durante este mês, tendo em conta que há famílias “na sanzala” da Roça Sundy “que estão em risco”, porque os tetos das casas ameaçam desabar.

Durante a sua visita ao projeto, na quarta-feira, foram entregues alguns títulos de posse às famílias, em concertação com o presidente do governo regional e os líderes comunitários.

Por outro lado, Maimunah Sharif assegurou o apoio da UN-Habitat para ajudar a finalizar e implementar o Plano Nacional de Ordenamento de Território realizado há dois anos.

Neste sentido, as autoridades vão realizar no primeiro trimestre do próximo ano uma mesa-redonda com todos os parceiros para discutir como implementar o Plano Nacional de Ordenamento do Território com a assistência técnica da UN-Habitat.

Em nota enviada à Lusa, a empresa HBD Príncipe, do empresário sul-africano Mark Shuttleworth destaca que o projeto Terra Prometida resulta de “um percurso notável de dedicação e colaboração que conduziu a um marco significativo na vida da comunidade Sundy”.

O comunicado refere que a Roça Sundy foi cedida à HBD Príncipe pelo governo regional do Príncipe em 09 de fevereiro de 2011 e que a empresa “reconhecendo a importância do desenvolvimento sustentável e do bem-estar da comunidade” solicitou formalmente a experiência da UN-Habitat para a concretização do projeto Terra Prometida, que conta com a participação financeira da HBD Príncipe em 6,6 milhões de euros.

“Ao longo dos anos, esta parceria demonstrou resiliência face aos desafios, incluindo as complexidades logísticas, a pandemia global de covid-19 e os obstáculos climáticos.

Apesar destes obstáculos, todos os parceiros permaneceram empenhados na sua visão partilhada”, lê-se na nota.

A HBD Príncipe refere que o projeto de reassentamento sustentável Terra Prometida foi concebido “não só para proporcionar habitações seguras e modernas, mas também para criar um ambiente propício à educação, aos cuidados de saúde, ao crescimento económico e ao bem-estar geral”.

“A comunidade de Roça Sundy trabalhou cuidadosamente durante muitos anos para dar forma à sua nova comunidade, com título de posse e infraestruturas dedicadas para servir as suas necessidades”, declarou Mark Shuttleworth, citado no comunicado.

“Gostaria de reconhecer e apreciar a forma como eles e o seu comité trabalharam em questões e compromissos complexos e emotivos, em parceria com a UN-Habitat e a HBD, para concretizar este sonho. Embora isto seja apenas o início, é um feito tremendo e um marco a celebrar no Príncipe”, acrescentou. In “Greensavers” – Portugal com “Lusa”

 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

São Tomé e Príncipe - Ilha do Príncipe eleita 8º melhor destino turístico do mundo para 2023


São Tomé – A distinção vem do conceituado jornal francês e um dos mais populares do mundo, o “Le Monde”. A ilha irmã ficou em 8º lugar, da lista dos 20 destinos turísticos recomendados para o ano 2023, em reconhecimento pela sua aposta na preservação e promoção do Ecoturismo e pelos esforços dos governos central e regional no sentido da melhoria do sector turismo e dos serviços, em que foram tidas também em conta a questão do meio ambiente e a segurança.

A revelação surge ao fim do trabalho de terreno realizado no mês de Setembro passado pelo jornalista, Pierre Sorgue, com assistência do historiador são-tomense, Francisco Conceição, cuja reportagem intitulada “Príncipe, Naturellement Vôtre”, ou seja, “Príncipe Naturalmente Vosso”, foi publicada no referido jornal. 

A revelação desta notícia surge na página de Facebook do Presidente do Governo Regional, em que o mesmo diz que o resultado desse trabalho ”é de milhares de pessoas, especialmente de toda a população do Príncipe e não só, de dirigentes e que vêm há vários anos”, ao qual a todos agradece.

A distinção chega numa altura em que o Príncipe passa a estar conectado ao continente africano, através da companhia aérea gabonesa Afrijet, que deu início aos seus voos em meados do mês passado, ligando Libreville-Príncipe-ST-Libreville, assegurando que os turistas franceses, essencialmente, e também outros europeus que viajam para Livreville, através da companhia aérea francesa, Air France, possam fazer férias também em São Tomé e Príncipe. Além da Afrijet, a companhia de bandeira nacional, a STP Airways, assegura também as ligações diárias entre as duas ilhas.   

A Ilha do Príncipe foi declarada em 11 de Julho de 2012, pela UNESCO, Reserva Mundial da Biosfera. In “STP-Press” – São Tomé e Príncipe com “Le Monde”


 

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

São Tomé e Príncipe - Investigadores do CIBIO-InBIO descrevem nova espécie de mocho

O mocho-do-príncipe (Otus bikegila) distingue-se pelo seu canto único e foi descoberto na Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe


Uma equipa internacional liderada por investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO/BIOPOLIS), da Universidade do Porto, acaba de publicar um artigo na revista ZooKeys, no qual descreve, pela primeira vez, o mocho-do-príncipe (Otus bikegila), uma nova espécie de mocho descoberta na Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe.

A existência do mocho-do-príncipe (Otus bikegila) foi confirmada para a ciência apenas em 2016, embora suspeitas da sua ocorrência tenham ganho força a partir de 1998. Contudo, testemunhos de habitantes locais sugerindo a sua existência já tinham sido encontrados numa carta que remonta a 1928.

No artigo agora publicado, a equipa encabeçada por Martim Melo (que é também investigador do Museu de História Natural e Ciência da U.Porto), Bárbara Freitas (mestre em Mestrado em Biodiversidade, Genética e Evolução pela Faculdade de Ciências da U.Porto e atual doutoranda na Universidad Autónoma de Madrid) e Angelica Crottini faz a descrição da espécie para a ciência, com base em várias linhas de evidência, incluindo morfologia, cor e padrão de plumagem, vocalizações e genética,

“A descoberta de uma nova espécie de ave é sempre uma ocasião de celebração e uma oportunidade para aproximar o grande público do tema da biodiversidade”, destaca Martim Melo.

Segundo o investigador, “as aves são provavelmente o grupo animal mais bem estudado. Assim, a descoberta de uma nova espécie de ave no século XXI confirma a atualidade das explorações de campo com o objetivo de descrever a biodiversidade, e mostra como este empreendimento movido pela curiosidade tem maiores probabilidades de ser bem-sucedido quando aliado ao conhecimento local, à participação de naturalistas amadores entusiastas e a persistência”.

Um canto distinto

Na natureza, a maneira mais fácil de detetar e reconhecer um mocho-do-príncipe é através do seu canto único – na verdade, foi uma das principais pistas que levaram à sua descoberta.

“O chamamento do mocho-do-príncipe é uma nota curta “tuu” repetida cerca de uma vez por segundo, podendo lembrar o canto de insetos. Muitas vezes é emitido em dueto, logo após o cair da noite”, explica Martim Melo.

A nova espécie foi batizada com o nome científico de Otus bikegila. “Otus” é o nome genérico dado a um grupo de pequenos mochos que partilham uma história evolutiva comum, e comumente chamados de mochos-d’orelhas.

Já o epíteto “bikegila” foi escolhido em homenagem a Ceciliano do Bom Jesus, conhecido por Bikegila – um ex-apanhador de papagaios da Ilha do Príncipe e agora guia da natureza e guarda do Parque Natural.

“A descoberta do mocho-do-príncipe só foi possível graças ao conhecimento partilhado por Bikegila e aos seus inabaláveis esforços para resolver este mistério de longa data”, justifica Martim Melo. Como tal, conclui, “o nome é também um reconhecimento a todos os assistentes de campo locais que têm um papel fundamental para o avanço do conhecimento sobre a biodiversidade do mundo”.


Monitorizar para travar ameaça

Um segundo artigo da autoria da mesma equipa, e que acaba também de ser publicado pela revista Bird Conservation International, mostra que o mocho-do-príncipe é encontrado apenas na floresta nativa remanescente que se encontra hoje na parte desabitada do sul da Ilha do Príncipe. Aqui ocupa uma área de cerca de 15 quilómetros quadrados, aparentemente devido à preferência por altitudes mais baixas.

Como todos os indivíduos da espécie ocorrem neste local único e muito pequeno (do qual uma parte será afetada num futuro próximo pela construção de uma barragem hidroelétrica), os investigadores propuseram que a espécie – cuja população está estimada em cerca de 1000-1500 indivíduos – fosse classificada como ‘Criticamente em Perigo’, o nível de ameaça mais alto da Lista Vermelha da UICN.

De modo a monitorizar as suas populações e a acompanhar alterações ao longo do tempo, os investigadores desenvolveram e testaram com sucesso um protocolo de monitorização da espécie que utiliza unidades de gravação automáticas do seu canto em combinação com inteligência artificial para analisar rapidamente os milhares de horas de gravações. Universidade do Porto - Portugal




sexta-feira, 31 de maio de 2019

Brasil – Governantes defendem maior união entre países de língua portuguesa

Políticos brasileiros, de diferentes quadrantes ideológicos, defenderam uma maior união entre países de língua portuguesa, em particular no ramo da ciência e tecnologia, durante evento em Sobral, Ceará.

“Eu tenho conversado muito com vários embaixadores, e conversei também com Portugal, e sei inclusive que nos Açores estão a construir um centro de estudos oceânicos e também um centro de lançamento (de satélites), o que é bastante interessante. Espero que essa relação (entre o Brasil e países de língua portuguesa) continue, e cada vez mais forte”, declarou à Lusa o ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes.

Para celebrar os 100 anos do fenômeno que confirmou a veracidade da nova teoria do Universo, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), em parceria com o Observatório Nacional (ON), inaugurou neste dia 29 a exposição O Eclipse – Einstein, Sobral e o GPS.



Voltada para todos os públicos, a mostra conta a história da expedição científica que comprovou da Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, trazendo detalhes sobre como foram registradas as fotografias da posição das estrelas próximas à borda solar na cidade de Sobral (Ceará) e na Ilha do Príncipe (África), onde se encontra o presidente de Portugal.

O Prefeito de Sobral, Ivo Gomes, disse estar feliz por partilhar esta celebração com um país que fala a mesma língua que o Brasil.

“A nossa língua proporciona-nos uma integração com vários países, desde África, com o próprio Portugal, e países da Ásia também, que pouca gente sabe que também falam português. Nós temos orgulho das nossas origens, tanto portuguesas, como africanas, e povos nativos, e estamos felizes por celebrar este evento juntos, com a outra comunidade que fala português, que é o Estado de São Tomé e Príncipe”, afirmou à Lusa Ivo Gomes.

A cidade brasileira do Sobral recebeu nos últimos dias palestras, mostras sobre Astronomia, Astrofísica, História do eclipse de 1919, Relatividade Geral e Cosmologia, assim como o lançamento de livros sobre o tema, numa parceria entre a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Prefeitura de Sobral e o Governo do estado do Ceará.

Durante esta quarta-feira, foi lançado em Sobral um Selo Comemorativo do Centenário do Eclipse de Sobral e foi feita uma transmissão simultânea entre a cidade brasileira e a ilha do Príncipe, com a participação de várias entidades políticas e científicas de ambas as regiões.

Falta de aproximação

O ex-candidato às eleições presidenciais brasileiras Ciro Gomes lamentou, em declarações à agência Lusa, a “vassalagem” do Brasil a outros Estados, em detrimento de uma aproximação a Portugal e a outros países de língua portuguesa.

“O Brasil, infelizmente, está a rasgar tudo o que é obvio para se colocar como um vassalo do império estrangeiro e não guarda nenhuma coerência com os nossos próprios interesses. A nossa tradição é pan-americana, nós estamos nas Américas, mas não há nenhuma razão para que o Brasil celebre uma aproximação em que os interesses são antagônicos aos nossos, enquanto nega uma outra aproximação com interesses similares aos nossos, e cujas identidades culturais são muito mais fortes”, disse Ciro Gomes, questionado pela Lusa sobre a atual aproximação do Governo de Jair Bolsonaro aos EUA.

O antigo governador do Ceará, candidato presidencial em 2018 pela terceira vez – pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), de esquerda – disse ainda que as “conexões afetivas e culturais” que ligam o Brasil aos países de língua portuguesa, deveriam ser tidas em consideração pelo novo executivo.

“O processo de aproximação global do Brasil deveria obedecer a alguns critérios que são muito óbvios, naturais e espontâneos. Ao mesmo tempo que atendemos conexões afetivas e culturais, podemos atender interesses pragmáticos, de comércio, e economia. Esses passos de aproximação, claramente nos apontam Portugal e as comunidades de língua portuguesa que se espalham pelo mundo, pela extraordinária liderança de Portugal, que atualmente ainda exerce sob o ponto de vista cultural”, acrescentou o político, à margem do evento. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

quinta-feira, 22 de março de 2018

São Tomé e Príncipe - Assina acordo para formação de quadros da função pública na ilha do Príncipe com o Brasil

São Tomé – São Tomé e Príncipe e Brasil assinaram um acordo de cooperação estimado em mais de 650 mil dólares, visando a formação de quadros da administração pública da ilha do Príncipe, em documentos assinados pelo ministro são-tomense dos Negócios Estrangeiros, Urbino Botelho e pelo embaixador do Brasil, Vílmar Coutinho Júnior.
Testemunhado pela ministra da Justiça e Administração Pública, Ilza Amado Vaz, o acordo intitulado de “Ajuste Complementar ao Acordo Básico de Cooperação Científica e Técnica” e que visa “a implementação de um projecto de desenvolvimento” tem como objectivo a “promoção da qualidade” dos serviços à população através “de intercâmbios de conhecimentos e capacitação de quadros da administração regional”, de acordo com o ministro Urbino Botelho.
Segundo ainda o chefe da diplomacia são-tomense o acordo se enquadra na política do governo regional do Príncipe de “modernizar a administração pública” de forma a “torná-la mas credível, eficaz capaz de dar resposta tanto aos problemas dos cidadãos” quanto às necessidades do “desenvolvimento sustentado”.
O embaixador do Brasil, Vílmar Coutinho Júnio anunciou que “se tudo correr bem” ainda este ano será assinado um acordo de género destinado ao governo central de São Tomé e Príncipe com a mesma finalidade de “formar os funcionários da administração pública” são-tomense.
Existe uma possibilidade bastante grande de que um projecto semelhante venha ser também assinado a favor do governo Central” disse o diplomata brasileiro tendo acrescentado que “esperemos que ainda este ano”.
Numa cooperação multifacetada, São Tomé e Príncipe e a República Federativa do Brasil cooperam nos domínios de formação de quadros, alfabetização, luta contra a tuberculose, HIV e malária, instalação de centro profissionais, alimentação escolar, justiça, ensino superior, segurança e defesa entre outras áreas de intervenção brasileira no arquipélago.
O acto da assinatura foi testemunhado pela Ministra são-tomense da Justiça e Administração Pública, Ilza Amado Vaz. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “Agência STP-Press”

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Ilha do Príncipe - Conclusões do IV Congresso Internacional de Educação Ambiental



Linhas de reflexão e ação

“O Príncipe é uma pequena terra… A Terra é uma pequena ilha”.

Dada a escala, riqueza e complexidade académica, social e cultural dos produtos que chegaram à comissão relatora, dando conta das visões, recomendações, propostas, desafios e reflexões, fruto dos painéis, da apresentação de comunicações, das conferências plenárias, das mesas redondas, dos eventos paralelos e outras atividades do congresso, estamos conscientes, pela nossa própria natureza humana que a proposta que aqui apresentamos é mais um conjunto de intuições que de conclusões.

Na abertura o presidente do Príncipe colocou-nos uma pergunta que poderia fazer parte da filosofia da rede de educadores e educadoras ambientais dos países de Língua Portuguesa e Galiza: como poderemos, ainda, edificar a esperança, junto das nossas comunidades, depois do esgotamento de algumas certezas que, nalguns casos, supúnhamos intemporais e, até, tinham suporte cultural, aparentemente insubstituível, que suportavam a nossa velha ideia de progresso económico e social?

A presente declaração aponta possíveis linhas para responder a essa questão. Neste sentido, partimos da necessidade de que a CPLP e todas as entidades envolvidas, apoiem os seguintes pontos gerais:

Criar um grupo de trabalho permanente com um secretariado executivo para apoiar as atividades de continuidade dos congressos. O grupo seria constituído por dois representantes de cada um dos países.

A exemplo do que ocorreu no Príncipe, os congressos subsequentes deverão integrar as comunidades locais em sua programação, valorizando a cultura e os saberes tradicionais. O acolhimento das comunidades locais do Príncipe foi um aspeto positivo destacado pelos participantes do evento. Elas nos mostraram uma grande paixão pelo seu modo de viver, por sua capacidade de auto-organização em torno de seu sustento econômico (baseadas em modelos de economia social e solidária) e pela integração de todos os membros.

As estratégias educativas são especialmente importantes para o envolvimento das comunidades na definição de políticas que combinem o cuidado das áreas protegidas com a valorização da cultura e as formas de vida das comunidades locais. As organizações e instituições deverão assumir o compromisso e a responsabilidade por manter um equilíbrio entre as necessidades das comunidades e a sustentabilidade socioambiental.

Destaca-se a importância da formação para reforçar o papel da Educação Ambiental no desenvolvimento de uma cultura de transição para sociedades sustentáveis e equitativas, além das necessidades sociais e seus desafios para os países da CPLP e Galiza. Em especial, destacamos a iniciativa de um grupo de participantes do evento em promover um processo de formação de formadores dirigido a formação escolar a ser construído de maneira participativa e apresentado ao secretariado executivo da CPLP.

Entre os temas para a elaboração de projetos integradores foram apontados os seguintes: mudanças climáticas globais, bio e geodiversidade, saúde ambiental, estilos de vida (relacionados a resíduos, energia e alimentação), migrações, riscos e vulnerabilidades.

Educação Ambiental não tem fronteiras, pois partilha espaços e saberes com outras experiências educativas centradas na justiça social e ambiental, a igualdade de gênero, a comunicação ou nos valores da cooperação e da solidariedade. É por isso que se deve buscar alianças, contatos e momentos de participação em eventos comuns, nos quais se encontrem educadores e educadoras ambientais e outros agentes sociais. Neste sentido, destaca-se a necessidade de realizar encontros setoriais entre cada congresso dos países de Língua Portuguesa.

Propor ao secretariado executivo da CPLP que reconheça e viabilize a realização de um mapeamento e uma rede de centros e equipamentos de Educação Ambiental.

Estimular e apoiar a elaboração e fortalecimento de políticas públicas de Educação Ambiental em diferentes níveis e esferas de organização política, criando condições para evitar processos de descontinuidade associados às mudanças políticas. Ainda, é fundamental a garantia de recursos econômicos e humanos para viabilizar e executar políticas de Educação Ambiental.

As comunidades locais organizadas fazem a diferença entre um coletivo vulnerável e uma comunidade resiliente frente a uma mudança socioambiental global. A Educação Ambiental pode ser um elemento fundamental na construção da resiliência social. É importante capacitar a diferentes grupos sociais por meio de metodologias participativas para reduzir a sua vulnerabilidade diante das situações de risco e catástrofe.

O acesso responsável à terra, ao teto e ao trabalho são direitos humanos fundamentais para os quais a Educação Ambiental deve contribuir. É necessário que a Educação Ambiental incentive e apoie o conhecimento crítico sobre as necessidades materiais e simbólicas que emergem do contexto social. Complementariamente, também deve contribuir para desvelar as formas de produção e consumo baseadas no lucro, no patenteamento da vida, na ganância e na acumulação privada em detrimento do Bem Comum. Para isto, é preciso promover a simplicidade voluntária, a frugalidade e o decrescimento. Para que esses valores se tornem hegemónicos é necessário formar uma cidadania ambiental politicamente ativa.

É preciso considerar a transversalidade e pluralidade de atores e agentes de Educação Ambiental (professores e professoras, autoridades, gestores e gestoras, etc.) e reconhecer sua capacidade transformativa.

As diferenças de gênero são universais concretizando-se em cada lugar pela carga de trabalho com o cuidado da casa e dos membros da família atribuída às mulheres. É preciso apoiar programas que visibilizem às mulheres e sua liderança, que incrementem a sua formação e que equilibrem os rendimentos do trabalho feito em favor da comunidade.

Os livros escolares e materiais didáticos tem distorções e ausências significativas sobre as alterações climáticas e a crise socioambiental global, por isso há necessidade de melhorar a qualidade destes e aprimorar a forma de inserção curricular desta temática.

É importante identificar e difundir experiências emblemáticas e boas práticas que são desenvolvidas nos países da CPLP e Galiza, que possam ser replicados em outros contextos geográficos. Como exemplo, se poderia citar o programa “Príncipe sem plástico”, “Projeto Rios” e outros que foram apresentados durante o congresso.

Ampliar os investimentos e ações de formação em espaços educativos informais, especialmente no que se refere a formação de guias e intérpretes do patrimônio natural e cultural, considerando a igualdade de gênero no acesso à formação.

É reconhecida a necessidade de um estudo sobre o estado da arte do campo da Educação Ambiental nos países de Língua Portuguesa e Galiza, baseado em metodologias que permitam um rigor no tratamento dos dados, de forma a auxiliar a planificação e avaliação de políticas públicas.

Rentabilizar Plataformas Digitais existentes no contexto da CPLP, nomeadamente, plataforma online “Ambiente CPLP” para uso dos diferentes atores sociais, de forma a democratizar a difusão dos conhecimentos e recursos construídos pela comunidade dos países de Língua Portuguesa e Galiza. Nesta linha é preciso impulsionar revistas, espaços virtuais e outras publicações de caráter científico e divulgativo em que se partilhem as reflexões e as práticas de EA que se desenvolvem no espaço CPLP e Galiza. A revista “Ambientalmente Sustentable” é o instrumento possível para este fim, podendo outros ser identificados e integrados.

Como encaminhamento final, destaca-se que é preciso iniciar a elaboração de uma agenda comum de pesquisa para partilhar metodologias, marcos teóricos, conhecimentos e processos de construção interdisciplinar e transcultural do conhecimento entre os investigadores e investigadoras da Educação Ambiental.

Esta agenda deveria incentivar projetos de investigação e de ação devem ter como suporte a perspetiva da cooperação democrática e horizontal entre os países. Neste sentido, as seguintes edições do congresso deveriam dar prioridade à apresentação de pesquisas, relatos de experiências e programas educativos que impliquem equipas de pesquisa, educadores e educadoras ambientais de mais do que um país ou comunidade.

Por fim, os participantes do IV Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países de Língua Portuguesa e Galiza sugerem que, em reconhecimento à contribuição e ao compromisso com os saberes tradicionais da guia principense, Nuna, que nos deixou no início deste congresso, que este documento se chame Declaração Nuna. In “Téla Nón” – São Tomé e Príncipe”

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ilha do Príncipe - IV Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países da CPLP


Está a realizar-se na ilha do Príncipe no arquipélago de São Tomé e Príncipe, entre os dias 18 e 21 de Julho de 2017, o IV Congresso Internacional de Educação Ambiental da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). O congresso tem como objetivos:


I. A promoção da divulgação de projetos de investigação científica, a troca de experiências pedagógicas, a partilha de projetos comunitários e o reforço das redes nas áreas da Educação Ambiental para a Sustentabilidade, Cooperação e Desenvolvimento;

II. Promover a cooperação entre atores educativos e técnicos das comunidades lusófonas capacitando-os para atuar ao nível das políticas de responsabilidade ambiental e de justiça social;

III. Reforçar o papel político da Educação Ambiental para a Sustentabilidade, considerando a educação e o ambiente como a chave para a democratização da nossa casa comum, no sentido de promover novas formas de governança em diferentes tipos de organizações políticas e da sociedade civil através de metodologias participativas e de decisão democrática.

A temática da Educação Ambiental vai ser debatida em torno de oito eixos temáticos: Identidade(s) do campo e políticas públicas em Educação Ambiental; A Educação Ambiental na resposta às alterações climáticas e aos riscos e desastres ambientais; A Educação Ambiental nos equipamentos, interpretação e conservação; A Educação Ambiental no sistema educativo; As fronteiras da Educação Ambiental: ética, inclusão, género, paz e justiça; A Educação Ambiental na valorização socioeconómica das comunidades locais; A educação Ambiental nos saberes tradicionais e manifestações culturais-artísticas; A educação Ambiental-Educomunicação nas redes sociais e tecnologias de informação.

A programação do evento contempla a dinamização de atividades como minicursos, mesas-redondas, oficinas, apresentação de livros ou revistas e visitas a iniciativas e projetos locais.

O presidente da Comissão Especializada de Assembleia Nacional popular para o ambiente da Guiné-Bissau Mário Dias Sami anunciou que o país é candidato para acolher em 2019, o 5º Congresso Internacional de Educação Ambiental da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Nós também estamos aqui para apresentar a candidatura de Guiné-Bissau para organizar o V Congresso, e esperamos acolher pelo menos 250 pessoas nas nossas belas ilhas, especialmente na ilha de Bubaque, no arquipélago dos Bijagós," afirmou Mário Dias Sami. Baía da Lusofonia

Se pretende conhecer a vida selvagem da ilha do Príncipe veja o documentário seguinte:

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Ilha do Príncipe - É uma pequena rã e só existe nesta ilha

É uma pequena rã e só existe na ilha do Príncipe. O arquipélago de São Tomé e Príncipe continua a ser uma caixinha de surpresas. Uma expedição pelas duas ilhas principais permitiu descobrir uma espécie de rã nova para a ciência


As aparências iludem e podem passar 100 anos até que alguém diga que estão erradas. As rãs que o digam. Uma equipa da Academia das Ciências da Califórnia, nos Estados Unidos, em expedição por São Tomé e Príncipe descobriu que algumas rãs identificadas como Hyperolius molleri pertenciam, afinal, a uma nova espécie: a Hyperolius drewesi. A sua descrição científica foi agora publicada na revista Herpetologica.

Situadas no Golfo da Guiné, as ilhas de São Tomé e Príncipe têm uma vasta vegetação acumulada no solo, que é arrastada pelos rios e pelas grandes chuvadas. Por isso, tornam-se o habitat ideal para os anfíbios. Até há bem pouco tempo, estavam registadas sete espécies endémicas de anfíbios nas duas ilhas. Dentro destas espécies que só existem ali, havia duas rãs que vivem nos juncos (do género Hyperolius). Uma é a espécie Hyperolius molleri, que se encontra nas duas ilhas, a outra é a Hyperolius thomensis vive apenas em São Tomé.

Investigadores da Academia das Ciências da Califórnia – liderada pelo herpetólogo norte-americano Robert Drewes e que é membro do comité científico da Reserva Mundial da Biosfera da Ilha do Príncipe, da UNESCO –  começaram a fazer expedições a São Tomé e Príncipe para estudar a enorme biodiversidade destas ilhas.

Ao longo de 15 anos de expedições, já foram descobertas cerca de 20 novas espécies: duas rãs, uma osga, dois peixes, um escaravelho, mais de seis cogumelos, dois crustáceos, uma formiga e duas cobras.

Para a nova espécie de rã agora encontrada foi fundamental a recolha de vários exemplares ao longo das expedições, entre 2001 e 2013. Assim pôde-se comparar as diferenças entre as espécies de rãs presentes nas duas ilhas.

A entrada da investigadora norte-americana Rayna Bell para a equipa, em 2012, fez a diferença nesta história. Foi ela que reparou em algo estranho nos exemplares da ilha do Príncipe até então classificados como Hyperolius molleri: “As rãs dos juncos do Príncipe eram diferentes das de São Tomé. As rãs raramente atravessam o mar – não conseguem sobreviver muito tempo em água salgada – e parecia-me estranho que a migração entre as ilhas tivesse sido frequente”, conta ao Público a investigadora. É que cerca de 150 quilómetros separam São Tomé e Príncipe.

Mas não bastam desconfianças para se definir uma nova espécie. O que foi então feito? Através da sequenciação do ADN de amostras das rãs, a investigadora conseguiu perceber melhor a sua anatomia em laboratório e, por fim, detectou as diferenças. Sequenciou dois genes das mitocôndrias da nova espécie, bem como da Hyperolius molleri da Hyperolius thomensis. Tinham linhagens distintas.

Rayna Bell conta-nos que estas diferenças se devem ao tempo em que as ilhas já estiveram isoladas. O arquipélago São Tomé e Príncipe só começou a ser habitado há 500 anos: “A partir daí, as espécies começaram a mudar genética e anatomicamente e a nível do comportamento. Por vezes, ‘descobrir’ uma nova espécie envolve observar as espécies de perto e revelar o que afinal já é conhecido.”

Eis que surgiu então uma nova espécie. E até foi fácil para Rayna Bell atribuir-lhe um nome vulgar. No artigo científico em inglês, propôs “Drewes’ reed frog”, algo como rã-dos-juncos-de-drewes. E o seu nome científico é Hyperolius drewesi. “Teve de ficar com o nome do meu mentor Robert Drewes, em honra ao seu contributo para o estudo dos anfíbios em África e, em particular, da biodiversidade de São Tomé e Príncipe.”

A nova espécie está espalhada por sete locais com altitudes variadas na ilha de Príncipe. Podemos encontrá-la perto de riachos que correm lentamente, em lagos temporários em florestas ou até em habitats onde há muitas pessoas.

Mesmo que as diferenças entre a Hyperolius drewesi e outras espécies não se tenham notado durante 100 anos, elas estão lá. Tanto o macho como a fêmea da “Hyperolius drewesi” são monocromáticos, ou seja, ambos verdes. Já a “Hyperolius cinnamomeoventris”, umas das espécies endémicas comparadas, tem diferenças entre os sexos, a fêmea é verde e o macho cor de bronze com riscas amarelas.

A rã-dos-juncos-de-drewes também difere da Hyperolius thomensis no tamanho: pode ter entre 24,8 a 30,9 milímetros de comprimento, enquanto a “Hyperolius thomensis” tem entre 36,1 a 41,2 milímetros. Assim como há diferenças na coloração do ventre, em que a Hyperolius drewesi é branca ou translúcida e a “Hyperolius thomensis” é preta ou laranja.

Levar o laboratório às escolas

A acompanhar de perto esta descoberta esteve a investigadora portuguesa Maria Jerónimo. Actualmente está a terminar o doutoramento em evolução e desenvolvimento, no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, e decidiu embarcar na expedição a São Tomé e Príncipe. “Realmente, as duas espécies eram muito parecidas morfologicamente e devido a esta equipa descobriu-se a diferença”, diz-nos.

Mas Maria Jerónimo não esteve na expedição por causa das rãs. A cientista portuguesa integrou a equipa para divulgar ciência nas escolas de São Tomé e Príncipe. “Só” faz ciência em laboratório e sentiu que tinha de levar tudo isso para fora. “Toda a ciência que se faz deve-se levar à sociedade. Afinal, é da sociedade que vem o financiamento e gosto de dar o retorno.”

Cada expedição dura cerca de um mês. Este ano, Maria Jerónimo esteve nas duas ilhas entre 12 de Novembro e 11 de Dezembro e, no ano passado, entre Setembro e Outubro. Em cada expedição visitou cerca de 50 turmas de 27 escolas do ensino básico em São Tomé e Príncipe e conheceu 2200 alunos com quem falou sobre a biodiversidade das ilhas.

Este ano, Maria Jerónimo foi às escolas acompanhada pela equipa de Robert Drewes. Levaram binóculos, lupas e o livro “As Nossas Águas Costeiras”, escrito pela investigadora brasileira Roberta Ayres (da equipa de Robert Drewes) e que Maria Jerónimo fez a revisão.

Com o grupo também vai sempre uma mensagem. Maria Jerónimo gosta de a contar assim aos mais novos: “As vossas ilhas são especiais. Têm animais especiais e vocês são os donos. Tentem saber mais sobre elas e depois falem delas com familiares e amigos.”

Parece que as crianças que Maria Jerónimo tem encontrado em São Tomé e Príncipe são boas alunas: “Quando vamos para a expedição ao final do dia, vemos os miúdos com as lupas a procurar os animais especiais de que lhes falámos.” Talvez ainda venham a encontrar novas espécies de rãs em São Tomé e Príncipe. Teresa Serafim – Portugal in "Jornal Público"