Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Grécia - Anuncia plano para combater a seca e garantir o abastecimento de água

As alterações climáticas e a seca "ameaçam" Atenas com escassez de água pela primeira vez em 30 anos. O plano de emergência visa evitar essa situação


A Grécia acaba de lançar projetos no valor de 2,5 mil milhões de euros para implementar o seu plano de gestão hídrica e enfrentar a crescente ameaça de escassez de água.

O Ministro do Meio Ambiente e Energia, Stavros Papastavrou, anunciou o investimento juntamente com o Primeiro-Ministro Kyriakos Mitsotakis no evento de comemoração do centenário da Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto de Atenas (EYDAP). Eles enfatizaram que a água continuará sendo um bem público e manterá o seu status como uma das de mais alta qualidade na Europa.

O ponto central do plano é um projeto para desviar parcialmente o fluxo dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis para o reservatório de Evinos, que abastece a capital grega. O objetivo é garantir o abastecimento de água da Ática pelas próximas três décadas.

Papastavrou alertou que as alterações climáticas estão s agravar a escassez de água num momento em que a disponibilidade hídrica na Grécia está próxima de mínimos históricos. As novas medidas visam garantir água potável para mais da metade da população do país e promover maior coordenação na gestão dos recursos hídricos em âmbito nacional.

O principal projeto de desvio do rio

A peça central do plano é o desvio parcial dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis para o reservatório de Evinos. A conclusão do projeto está prevista para o primeiro semestre de 2029 – um século depois da conclusão da Barragem de Maratona.

Entretanto, a EYDAP está a implementar medidas a curto prazo para reforçar imediatamente o abastecimento de água da Ática. Estas incluem a exploração de novos poços em Mavrosouvala, Ymittos e nos Montes Cifisos da Beócia, que, em conjunto, poderão fornecer cerca de 150 milhões de metros cúbicos de água anualmente, assim que estiverem operacionais.

Papastavrou afirmou que dois importantes projetos de médio prazo também estão em andamento, caso sejam necessários. O primeiro envolve um aqueduto para ligar o Sistema Externo de Abastecimento de Água às instalações de dessalinização. O segundo é uma nova central de dessalinização em terra com capacidade de até 87,5 milhões de metros cúbicos por ano.

O governo também planeia expandir a abrangência geográfica da EYDAP e da EYATH para incluir a irrigação nas suas áreas de atuação, ao mesmo tempo em que procura simplificar o cenário fragmentado da gestão de recursos hídricos na Grécia, consolidando 750 fornecedores.

Mitsotakis: Crise hídrica dos anos 1990 'não se deve repetir'

Em discurso no evento do centenário da EYDAP, no Museu de História Natural Goulandris, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis alertou para o perigo muito real da escassez de água que a região da Ática enfrenta.

"A Ática enfrenta um problema muito sério em termos de abastecimento de água se medidas drásticas não forem tomadas. Esperança não é estratégia e temos de estar preparados para o pior cenário."

Ele acrescentou que o desvio parcial dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis poderia transferir mais de 200 milhões de metros cúbicos de água por fluxo natural, sem estações de bombeamento.

"Este projeto garantirá que, pelos próximos trinta anos, a Ática não enfrentará problemas de abastecimento de água", enfatizou o primeiro-ministro grego, lembrando "a crise de abastecimento de água da década de 1990, que jamais se deve repetir". Euronews.green


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Espanha, Chipre, Grécia: Onde a Europa está a enfrentar a seca após uma primavera quente recorde?

A agricultura e a energia hidroelétrica podem ter dificuldades para sobreviver enquanto a seca causada pelo clima continua na Europa


Mais de 40% da Europa enfrenta atualmente alguma forma de seca, revela a última atualização oficial.

Partes do sudeste da Espanha, Chipre, Grécia e áreas do sudeste dos Balcãs estão sob o nível mais alto de "alerta", de acordo com o relatório do Observatório Europeu da Seca (EDO) de 11 a 20 de maio.

Mas um "alerta" de seca também está em vigor em grandes áreas do norte e leste da Europa, após uma primavera quente e seca recorde, causada pelas alterações climáticas.

Março foi o mês mais quente já registado na Europa, e alguns países tiveram o seu março mais seco, informou anteriormente o Serviço Europeu de Alterações Climáticas Copernicus (C3S).

Alerta de seca em pontos turísticos de férias

No total, 1,6% dos 27 países da UE (excluindo Madeira, Açores e Ilhas Canárias), além do Reino Unido, estão em estado de alerta. De acordo com a classificação da EDO, isso significa que a vegetação está a apresentar sinais de estresse, além de solo com falta de humidade – o que coloca a área sob alerta – e precipitação abaixo do normal.

A situação é particularmente grave em algumas regiões do Mediterrâneo, preferidas por turistas, como as ilhas gregas de Santorini e Mykonos. Lá, a água precisa de ser transportada de Atenas ou filtrada por centrais de dessalinização para encher piscinas e duches.

O turismo excessivo está a ser responsabilizado por agravar o problema. "O setor turístico é insustentável e não há planeamento", disse Nikitas Mylopoulos, professor de gestão de recursos hídricos na Universidade da Tessália, à Sky News do Reino Unido. "[Isso] está a levar a um aumento tremendo na procura por água no verão."

No entanto, ele acrescentou, a agricultura representa um dreno muito maior dos recursos hídricos do país, amplificado pelo desperdício e pela falta de políticas eficazes.

Preocupações com a agricultura em países afetados pela seca

Condições de alerta estão a surgir rapidamente em grandes áreas da Ucrânia e países vizinhos, impactando plantações e vegetação, alerta o EDO.

A Ucrânia é um dos países com aquecimento mais rápido na Europa, atingindo 2,7°C acima da média de 1951-1980 em 2023. Como grande exportador de grãos, a seca no país tem sérias implicações para o abastecimento global de alimentos. Partes da Polónia e da Eslováquia também estão a sofrer com a seca.

As condições de alerta também persistem no oeste, sudeste e centro da Turquia, norte e oeste da Síria, Líbano, Israel, Palestina , partes da Jordânia, norte do Iraque, Irão e Azerbaijão. 

No norte da África, as condições de alerta e advertência perduram há mais de um ano.

Alertas generalizados de seca no norte da Europa

De acordo com o Indicador Combinado de Seca (CDI) do EDO, 39,6% da UE-27 e do Reino Unido têm um alerta de seca.

Durante o período de 10 dias de 11 a 20 de maio, as temperaturas ficaram acima da média sazonal no norte da Europa.  

Além dos impactos na agricultura, há preocupações com a energia hidroelétrica. A Associação Internacional de Energia Hidroelétrica afirmou que a seca e as chuvas intensas – um exemplo de "choque climático" – estão a levar as centrais a "operar no limite dos seus equipamentos existentes".

As alterações climáticas estão a piorar a seca?

O aquecimento global está a agravar a seca em algumas partes do mundo, incluindo ao redor do Mediterrâneo. Cientistas da World Weather Attribution descobriram que a seca generalizada de 2022, por exemplo, foi 20 vezes mais provável devido às alterações climáticas.

Levará algum tempo para fazer um estudo semelhante para a primavera de 2025, mas não há dúvida de que as alterações climáticas estão a piorar as secas ao aumentar as temperaturas e alterar os "regimes de precipitação", nas palavras de Andrea Toreti, coordenador dos Observatórios Europeu e Global de Secas Copernicus.

Regiões que normalmente teriam uma oportunidade de se recuperar ou equilibrar a falta de água nas estações mais quentes e se preparar para o verão não podem depender das chuvas da mesma forma, disse Toreti anteriormente à Euronews Green.

“Hoje em dia, esse tipo de equilíbrio foi modificado.” Euronews Green


quinta-feira, 25 de julho de 2024

Fundação Calouste Gulbenkian - A Orquestra Juvenil Geração está de regresso ao Grande Auditório

 


O concerto assinala os 100 anos de nascimento do compositor português Joly Braga Santos, com o seu emblemático Concerto de Cordas, a que se juntam aberturas de ópera e repertório de influência latino americana, sendo de realçar a peça de Anne Victorino d’Almeida, criada no âmbito do projecto B-Me (Blending melodies: bridging cultural identities) numa parceria entre o Sistema Chipre, Sistema Grécia e Associação das Orquestras Sinfónicas Juvenis Sistema Portugal, com o apoio do Creative Europe.

Reunindo mais de 100 jovens de todos os núcleos da Orquestra Geração da Área Metropolitana de Lisboa (Almada, Amadora, Lisboa, Loures, Oeiras, Sesimbra e Vila Franca de Xira), neste concerto participarão ainda 9 jovens do Sistema Chipre que integraram o estágio de verão da Orquestra Geração.

O concerto será dirigido pelos maestros Juan Carlos Maggiorani, diretor artístico da Orquestra Juvenil Geração, e Santiago Ossa Alzate, diretor artístico do Sistema Chipre.

A receita de bilheteira reverte para a Orquestra Geração. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal

28 jul 2024

domingo, 18:00

Local

Grande Auditório

Fundação Calouste Gulbenkian

Preço

5,00 €

Comprar Bilhete

Orquestra Juvenil Geração

Juan Carlos Maggionari Maestro

Santiago Ossa Alzate Maestro

Gioachino Rossini

Abertura da ópera Guilherme Tell

Anne Vitorino de Almeida em colaboração com Edison Otero

Rapsódia dos Rios, op. 93c*

Joly Braga Santos

Concerto para Orquestra de Cordas, op. 17

Arturo Marquez

Danzón n.º 2

Richard Wagner

Abertura da ópera Os Mestres Cantores de Nuremberga

*Peças compostas no âmbito do projeto B-Me: blending melodies, bridging cultural identities (Creative Europe, EU)

Duração 60 min. (sem intervalo)

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação. 

Assista ao concerto de 2023:

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Grécia - Descobre complexo minoico "único" em Creta

O Ministério da Cultura grego anunciou nesta terça-feira a descoberta, na ilha de Creta, de um edifício "único" da civilização minoica, numa colina situada no perímetro do futuro aeroporto internacional em construção


Em comunicado, o ministério detalhou que o edifício em questão foi descoberto numa colina em Kasteli, a cerca de 500 metros de altitude, num local inicialmente reservado para a instalação de um radar, como parte das obras do novo aeroporto.

"É uma descoberta única e especialmente interessante", comemorou a ministra grega da Cultura, Lina Mendoni, que enfatizou que é a primeira descoberta desse tipo em Creta.

O edifício, circular e de pedra, tem uma superfície de cerca de 1800 metros quadrados e contém oito anéis "quase labirínticos" conectados por pequenas aberturas.


O uso do complexo é desconhecido, mas poderia ter tido funções rituais, indica o ministério, que acredita que a construção foi utilizada entre 3700 e 4000 anos atrás.

A descoberta implica que o radar do novo aeroporto seja instalado noutro lugar, disse também a ministra.

A civilização minoica foi uma superpotência naval na Idade do Bronze e floresceu em Creta e outras ilhas do mar Egeu aproximadamente até o ano 1500 antes da era cristã. In “Sapo Viagens” – Portugal com “AFP”






segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Portugal - Concerto B-Me - Orquestra Juvenil Geração


A 23 de julho de 2023, a Orquestra Juvenil Geração realizou um concerto no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, celebrando a riqueza da diversidade cultural. Integrando uma parceria com o Sistema Chipre e o Sistema Grécia, no contexto do projecto B-Me co-financiado pela Creative Europe (União Europeia), estiveram em palco nove composições em estreia mundial, da autoria conjunta de compositores nacionais e músicos de origem migrante ou refugiados.

Na segunda parte do concerto, pode-se ainda assistir a outras obras do repertório da Orquestra Juvenil Geração. Na direção de orquestra tivemos os maestros Sandra Martins, Jorge Camacho, Jesús Olivetti e Juan Maggiorani. Orquestra Geração Sistema Portugal

 

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Grécia - Está a avançar com planos para os primeiros parques eólicos offshore

As turbinas poderão abastecer 1,5 milhões de lares gregos até 2030, de acordo com os planos para os mares Egeu, Jónico e Mediterrâneo

A Grécia está a avançar com planos para construir os seus primeiros parques eólicos offshore, anunciaram as autoridades em Atenas.

O país mediterrânico – que foi gravemente afetado em incêndios florestais provocados pelo clima neste Verão – está a tentar afastar-se dos combustíveis fósseis.

As energias renováveis ​​forneceram mais de 50% da eletricidade da Grécia pela primeira vez no primeiro semestre de 2023. E o país ganhou as manchetes em Outubro passado, quando funcionou exclusivamente com energias renováveis, embora por apenas cinco horas.

A energia eólica onshore, a energia solar e a energia hídrica tornaram este marco possível, mas a nação de milhares de ilhas tem até agora evitado explorar o seu potencial eólico offshore.

Agora a Grécia está a identificar áreas para desenvolvimento privado, no âmbito de um projeto de plano para instalar 2 gigawatts de energia eólica offshore até 2030, o que equivale a um décimo da sua capacidade onshore. É o suficiente para abastecer cerca de 1,5 milhão de residências.

“A Grécia, devido à sua localização estratégica e às suas características climáticas, tem vantagens comparativas significativas em termos do seu potencial solar e eólico, especialmente offshore”, disse o Ministro da Energia e Ambiente, Theodore Skylakakis.

“O desenvolvimento destes projetos é uma prioridade nacional não só porque contribuirá decisivamente para a nossa independência energética , mas também porque nos permitirá exportar energia verde no futuro”, acrescentou durante um evento de lançamento do projeto de Parques Eólicos Offshore Nacionais. Programa de Desenvolvimento.

Onde está a Grécia a construir parques eólicos no mar?

O projeto de plano inclui 25 áreas de desenvolvimento elegíveis, cobrindo uma área total de 2712 km2 nos mares Egeu, Jónico e Mediterrâneo.

Estes locais estarão disponíveis em dois períodos de tempo, alguns entre 2025 e 2032, e outros mais tarde, de acordo com a Empresa Helénica de Gestão de Hidrocarbonetos e Recursos Energéticos (HEREMA), responsável pelo programa.

As zonas, que terão uma capacidade mínima estimada de 12,4 gigawatts entre si, estão localizadas em: leste de Creta, sul de Rodes, Egeu central, eixo Evia-Chios e mar Jónico.

A tecnologia flutuante será adequada para a maioria das zonas, disse HEREMA.

Grupos ambientalistas expressaram preocupações de que os parques eólicos offshore possam prejudicar a vida selvagem, especialmente durante a sua construção, e alertaram que não devem ser construídos em áreas ecologicamente sensíveis.

A HEREMA afirma ter aplicado 20 critérios de exclusão para salvaguardar estas áreas e atividades marinhas nas águas gregas. Ao encomendar uma avaliação de impacto ambiental - que está disponível ao público - a autoridade afirma que também teve em conta a segurança nacional, os aeroportos, as actividades turísticas e as áreas de aquicultura.

Como é que os parques eólicos offshore beneficiarão a Grécia?

“A energia eólica offshore é uma prioridade pan-europeia, uma vez que se prevê que até a meio do século, 35 por cento da eletricidade da UE poderá ser gerada exclusivamente a partir de fontes offshore”, afirmou a Vice-Ministra Alexandra Sdoukou.

“Ao mesmo tempo, apresenta uma série de benefícios para o nosso sector energético nacional, a nossa economia nacional e as comunidades locais que acolherão ou serão adjacentes a projetos eólicos offshore.”

Prevê-se que atingir a meta de 2 gigawatts exija investimentos superiores a 6 mil milhões de euros.

Mas, de acordo com um estudo separado sobre os benefícios económicos, a implantação da energia eólica offshore poderia aumentar o PIB até 1,9 mil milhões de euros por ano, em média, entre 2024-2050, e apoiar até 44 400 empregos por ano.

A aprovação final do plano está prevista para o final do ano, antes que as áreas designadas sejam oficialmente demarcadas no final de 2024, disse a HEREMA.

“O Programa Nacional que foi apresentado não só serve o objetivo principal, o de proteger o nosso sistema energético, mas também cria condições para a emergência da Grécia como um centro energético em toda a região”, acrescentou Sdoukou. Euronews.green


sábado, 9 de setembro de 2023

Grécia – Assina acordo para salvar raros afrescos bizantinos do século XII com a Macedónia do Norte

Os afrescos encontrados no interior da igreja de São Jorge, na Macedónia do Norte, são um raro exemplo de arte bizantina na região dos Balcãs. Os governos da Macedónia do Norte e da Grécia – juntamente com o Centro Europeu para Monumentos Bizantinos – concordaram em garantir a preservação dos frescos


No alto das montanhas acima do Lago Prespa, que liga a Macedónia do Norte à Grécia e à Albânia, fica a igreja de São Jorge, do século XII.

Os frescos encontrados no seu interior oferecem exemplos interessantes e raros da arte bizantina na região dos Balcãs e constituem uma parte importante do património cultural da Europa.

“Segundo alguns cientistas, podemos ver os primeiros sinais do período pré-renascentista que podemos ver na expressão dos santos [mas] também nas suas roupas”, explica Olivera Makrievska, do Instituto para a Proteção dos Monumentos-Museu Bitola.

Os governos da Macedónia do Norte e da Grécia – juntamente com o Centro Europeu de Monumentos Bizantinos – assinaram um pacto para proteger e preservar os frescos.

“A tinta provém principalmente de minerais de pedras, vegetais ou mesmo animais”, disse Babys Apostolidis, do Centro Europeu para Monumentos de Bizâncio.

“A tinta vinha de pó, pó muito fino, e misturavam esse pó com cal em água [...] O pintor então aplicava a tinta na argamassa fresca antes que a argamassa secasse”.

Desde que a Macedónia do Norte e a Grécia assinaram o acordo de Prespa em 2017, as relações bilaterais ganharam impulso.

Um resultado concreto disto é o projecto conjunto para a preservação do rico património cultural na região do Lago Prespa, cujas águas formam a fronteira entre os dois países. Euronews.culture




sábado, 22 de julho de 2023

Portugal - Compositores portugueses e migrantes estreiam-se na Fundação Calouste Gulbenkian

A Orquestra Juvenil Geração apresenta no domingo um programa constituído por peças, em estreia, de compositores gregos, cipriotas e portugueses, cocriadas com músicos migrantes, no âmbito de um projeto da União Europeia


O concerto realiza-se na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, às 18h00, e a Orquestra Juvenil Geração apresenta nove das quinze obras realizadas no âmbito do projeto “B-Me: Blending Melodies: Bridging Cultural Identities” (“Seja eu: Misturando melodias: unindo identidades culturais”, em tradução livre), levado a cabo pela Associação das Orquestras Sinfónicas Juvenis-Sistema Portugal (Orquestra Geração), pelo Sistema Chipre e pelo El Sistema-Grécia, cofinanciado pela União Europeia.

O concerto marca a estreia de composições dos portugueses Mário Laginha, Carlos Garcia, Anne Victorino d’Almeida, Ana Seara e Marta Domingues, dos gregos George Dousis e María Gouvali e dos cipriotas Giorgio Karvellos e Geórgia Christoforou, todas cocriadas com músicos de origem migrante.

O projeto europeu é coordenado em Portugal pela Orquestra Geração e está em desenvolvimento também no Chipre e na Grécia desde junho do ano passado.

O objetivo é “juntar, em cada um destes três países, cinco compositores locais a músicos refugiados, migrantes ou seus descendentes, para criar obras originais que unam diferentes identidades culturais e permitam compreender outras culturas através da música”, afirma a Orquestra Geração em comunicado.

Mário Laginha fez dupla com Edvânia Moreno, de Cabo Verde, Carlos Garcia com o ucraniano Marian Yanchyk, Anne Victorino d’Almeida com o colombiano Edison Otero, Ana Seara com a indiana Carolina Figueiredo, de Goa, e Marta Domingues com o brasileiro Ale Damasceno.

As diferentes duplas começaram a trabalhar em outubro do ano passado.

No próximo domingo, além de peças cocriadas pelos compositores portugueses, são também estreadas as peças das duplas Giorgos Karvellos e Ranya Al Najjar, do Líbano, Geórgia Christoforou e Yenisleydi Guevara Garcia, de Cuba, e as de Giorgos Dousis com Padou Mayuma, da República Democrática do Congo, e de Maria Gouvali com Elina Sadova, da Rússia.

Chipre, que coordena o projeto sob o Sistema Chipre, congénere à Orquestra Geração, contou ainda com a participação dos compositores e músicos Andys Skordis e Ibrahim Kamara, da Gâmbia, Kyriaki Iakovidou e Ma Belen Llarde, das Filipinas, e Voris Sarris e Nikita Zozovsky, da Ucrânia.

Pela Grécia, sob a coordenação do El Sistema-Grécia, participaram os compositores Roxani Chatzidimitriou com Enxhi Kllogiri, da Albânia, Ioanna Topsi-Moutesidou com Hussain Bardan, da Síria, e Alexandros Gkonis com Hasan Labendz, da Polónia.

No mesmo comunicado o português Mário Laginha considera o projeto “apaixonante” e referiu que, no seu caso, “a escolha da Edvânia Moreno não podia ter sido mais feliz”.

“Foi ela que sugeriu e me deu a conhecer o batuque cabo-verdiano e me chamou a atenção para algumas particularidades do batuque que se tornaram nucleares na peça que escrevi”, acrescenta.

Marian Yanchyk, violonista ucraniano que se estabeleceu em Portugal em 2005, considera que a “colaboração com os músicos de vários países do mundo é importantíssima neste momento”.

“Penso que é uma oportunidade para demonstrar, mais uma vez, a igualdade que existe entre todas as nações do mundo e a união que é possível fazer através da música”.

As composições criadas pelos compositores portugueses, cipriotas e gregos vão ficar disponíveis para serem tocadas por qualquer outra orquestra do mundo como forma de “possibilitar a compreensão de outras culturas através da música, destacando o valor e a importância da diversidade cultural”, afirma a Orquestra Geração. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



quarta-feira, 13 de abril de 2022

Grécia – O maior parque solar de dupla face da Europa foi inaugurado na Grécia, fornece energia para 75 mil residências


O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, inaugurou esta quarta-feira um novo parque solar. É o maior sistema com painéis de dois lados ou bifaciais da Europa.

Mitsotakis prometeu acelerar as licenças para projetos de energia renovável à medida que o país procura livrar-se dos combustíveis fósseis importados poluentes e caros.

A Grécia pretende quase dobrar a sua capacidade instalada de energias renováveis ​​para cerca de 19 gigawatts até 2030. Isso pode ser revisto para cima como parte do novo esforço da Comissão Europeia para acelerar a transição para energia verde e acabar com a dependência do gás russo até 2027, após a invasão russa da Ucrânia.

O parque solar de 204 megawatts na cidade de Kozani, no norte da Grécia, foi construído pela maior refinaria de petróleo da Grécia, a Hellenic Petroleum.

A Hellenic Petroleum é uma das maiores companhias petrolíferas dos Balcãs, mas afirma estar a passar por uma transformação em energia limpa. Ela instalou o maior parque solar da Grécia e também sugere que também pode adicionar armazenamento de bateria.

Quanta energia o parque solar gerará na Grécia?

O parque fornecerá energia para 75000 residências e conectar-se-á à rede elétrica do país nas próximas semanas.

"Este projeto reflete as nossas metas nacionais de energia barata e limpa do sol, do vento, da água", disse o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis na inauguração do parque.

A Grécia superou a sua meta para 2020 ao aproveitar as energias renováveis ​​para 21,7% do seu consumo de energia, de acordo com o escritório de estatísticas da União Europeia, e pretende aumentar o número para 35% até 2030.

No entanto, precisará de permissões mais rápidas para superar atrasos nas instalações e armazenamento em grande escala.

Mitsotakis disse que o seu governo vai acelerar os procedimentos de licenciamento e deve especificar as licenças para a construção de parques eólicos offshore de grande escala. Maeve Campbell – Reino Unido in “Euronews.green”


 

quarta-feira, 4 de março de 2020

Grécia – O porto do Pireu já é o quarto maior da Europa

O porto do Pireu cresceu 15% em 2019 e, com isso, tornou-se o maior do Mediterrâneo e o quarto maior da Europa no movimento de contentores



O porto do Pireu, sob gestão da Cosco, continua a sua cavalgada no ranking dos maiores portos europeus de contentores. No ano passado foi, de muito longe, o que mais cresceu no top 15 e, com isso, galgou duas posições, ultrapassou Valência e Bremerhaven e assumiu o quarto posto, atrás dos “gigantes” Roterdão, Antuérpia e Hamburgo.

De acordo com os resultados elaborados por Theo Notteboom, no ano passado os 15 maiores portos de contentores europeus processaram 79 071 TEU, mais 2,8% que em 2018. Os três maiores somaram 25 929 TEU, num crescimento homólogo de 4,6%.

O crescimento do topo 15 em 2019 compara com os 4,7% verificados em 2018 e os 4,6% de 2017, nota o especialista. Mas superam os 2,1% de 2016 e, por maioria de razão, os -1,6% de 2015.

Comparando com 2007, o ano anterior à crise financeira global, o top 15 de 2019 aumentou a sua produção 29%. Mas Gioia Tauro, Hamburgo e Bremerhaven ainda não atingiram os  números de então. Na inversa, Gdansk cresceu 20 vezes e o Pireu triplicou-os.

Olhando para o alinhamento dos 15 maiores portos europeus de contentores em 2019, são poucas as diferenças relativamente a 2018. Nas subidas destaca-se o Pireu, de 6.º para 4.º, enquanto Algeciras passou de 7.º para 6.º, Le Havre de 11.º para 10.º e Gdansk de 16.º para 15.º. Na inversa, Bremerhaven, Marsaxlokk e Southampton perderam posições, o que no caso do porto britânico lhe custou mesmo a presença no restrito “clube”.

Na sua análise, Notteboom sublinha os diferentes perfis dos portos, com o Pireu e Algeciras quase exclusivamente hubs de transhipment, e Felixtowe, Génova ou S. Petersburgo quase exclusivamente portos gateway.

Os desafios de Sines

Sines integrou o top 15 europeu em 2016, então com uma produção de 1,5 milhões de TEU e um crescimento de 908,7% (!) na comparação com 2007.

O porto português não figura agora entre os 15 maiores, mas Theo Notteboom assinala que tem potencial para lá regressar. A par da Southampton, Londres, Zeebrugge, La Spezia ou Marselha, todos com resultados entre os 1,4 e os 2 milhões de TEU em 2019.

Mas Sines, como Algeciras e Valência, terá de haver-se com a “concorrência” de Tanger Med, que no ano findo cresceu 38% e tocou os 4,8 milhões de TEU, e que este ano deverá andar a ampliar a sua capacidade, assinala o especialista. In “Transportes & Negócios” - Portugal

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

CPLP - Países observadores podem vir a financiar cooperação nos Estados-membros




Lisboa - O secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse, em Lisboa, que os países observadores associados da organização podem vir a financiar projetos de cooperação, assunto a decidir na cimeira de 2020 em Luanda.

"Tendo em conta o número crescente de países observadores associados da CPLP, nós estamos num processo de reflexão sobre a melhor forma de aproveitar todas as potencialidades e de criar sinergias entre os países observadores e a CPLP", afirmou o embaixador Francisco Ribeiro Telles, em declarações à imprensa, à margem de um debate, na Sociedade de Geografia, sobre o futuro da organização.

Segundo o diplomata, neste contexto, "uma das ideias que está em cima da mesa é que projetos de cooperação que envolvam os Estados-membros da CPLP possam vir a ter o financiamento de países observadores".

"Portanto, agora há que partir pedra e ver quais são os projetos que interessam à CPLP e quais os que interessam aos países observadores", comentou.

Francisco Ribeiro Telles recordou que já houve uma reunião com os países observadores, este ano, na qual foi debatido o assunto, e adiantou que haverá uma outra, ainda antes do final de 2019, provavelmente em novembro, para continuar aquilo a que chamou "processo de reflexão".

Nesta próxima reunião, o diplomata admitiu que "podem ser dados passos importantes para que na cimeira de Luanda possa haver uma decisão naquele sentido".

Durante o debate que hoje decorreu em Lisboa sobre "CPLP -- Que presente e que futuro", na sua intervenção, o secretário-executivo referiu que já foram aprovadas também as candidaturas do Peru, Roménia, Grécia, Qatar e Costa do Marfim que, desta forma em breve poderão fazer parte daquele grupo, logo que sejam "sancionadas na cimeira de chefes de Estado e de Governo", a decorrer em Luanda, capital de Angola, em 2020.

Também os Estados Unidos da América apresentaram recentemente o pedido para serem observadores associados da organização lusófona.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa contava em 2014 com três observadores associados, lembrou Ribeiro Telles, na sua intervenção, em que adiantou que havia "várias ideias a germinarem ao nível dos Estados-membros da CPLP" sobre como se encaixar os países observadores na organização.

Na mesma, considerou ainda que a tendência "era cada vez mais para que países observadores possam vir a financiar ou a colaborar em projetos de cooperação nos Estados-membros da CPLP".

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Atualmente, são observadores associados 18 países e uma organização internacional (Organização dos Estados Ibero-Americanos). In “Sapo Timor-Leste”

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Grécia – Edifício público grego descoberto junto à ilha de Salamina

Arqueólogos subaquáticos encontraram o edifício e numerosas peças de valor artístico defronte da ilha de Salamina, onde em 480 a.c., a frota persa liderada por Xerxes I foi derrotada pela grega comandada por Temístocles



Uma equipa de arqueólogos subaquáticos descobriu os restos dum grande edifício público da Grécia antiga, no local onde a batalha de Salamina ocorreu em 480 a.c., de acordo com um comunicado do Ministério da Cultura e Desportos grego.

A empresa lançou recentemente os resultados da escavação debaixo de água, entre junho e julho do ano passado, na área da península de Kynosoura e da Baía de Ampelakia, na referida ilha, onde a frota grega se reuniu na véspera da luta contra a invasão persa.

Graças a uma técnica inovadora que permitiu drenar a água da área, combinando técnicas de escavação subaquática e terrestre, a estrutura foi encontrada, com aproximadamente 15 metros de comprimento e com fundações provavelmente estabelecidas no final do período clássico ou no início do período helenístico. Também foi encontrado uma grande quantidade de cerâmica, um conjunto de fragmentos de estátuas de mármore, elementos arquitetónicos, colunas e outros objetos relacionados com o uso do edifício. Entre as descobertas destacou-se uma cabeça de mármore, provavelmente um deus ou um atleta, que segundo o ministério data do século IV a.c.



Segundo a publicação, a construção foi um dos principais edifícios públicos. Foi localizado no ponto mais baixo da cidade, o porto, e foi usado até ao final dos tempos romanos. Os arqueólogos continuam as investigações, que ajudam a reconstruir a história e a geografia da região há 2500 anos. In “RT” - Rússia

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Internacional - Embarcação intacta com 2400 anos descoberta por arqueólogos no mar Negro

Uma equipa de arqueólogos, cientistas e mergulhadores descobriu no mar Negro aquilo que se julga ser o navio intacto mais antigo alguma vez encontrado - uma embarcação comercial grega



Segundo os especialistas, citados pela Associated Press (AP), a embarcação é tão antiga que só era conhecida por desenhos em antigos potes de cerâmica.

Análises de carbono já realizadas estimam que a embarcação tenha cerca de 2400 anos.

O grupo de pesquisadores adiantou que o navio naufragado foi localizado ao largo da costa da Bulgária, a uma profundidade de dois quilómetros, onde a falta de oxigénio ajudou a preservar o material.

O projeto arqueológico na zona demorou três anos na pesquisa e utilizou tecnologia de ponta usada pelas companhias de exploração petrolífera.

A indicativa permitiu localizar outras 60 embarcações, incluindo navios romanos que transportavam ânforas.

Uma exposição sobre o projeto será hoje exibida no Museu Britânico. In “Sapo24” - Portugal

sábado, 21 de julho de 2018

Grécia - Aposta nas concessões portuárias

A Grécia privatizou os dois maiores portos do país, Pireu e Salónica, e faz um balanço positivo da opção. O modelo a seguir para os restantes dez portos do país será, porém, o das concessões

A indicação foi dada pelo secretário-geral da política portuária da Grécia, Christos Lambridis, que revelou que os restantes portos serão explorados como sociedades anónimas. “A concessão das actividades portuárias será o modelo preferencial de liberalização a partir de agora”, afirmou, citado pela imprensa local, Lambridis.

Com o controlo de outros dois portos no Norte da Grécia, os vizinhos Kavala e Alexandroupolis têm sido alvo de interesse, sobretudo de investidores norte-americanos e europeus assim como do Médio Oriente.

O porto de Alexandropoupolis tem como objectivo ser um centro importante no abastecimento de gás natural da Europa de Leste para a Itália e Europa Central. Está prevista a construção de um terminal de GNL perto daquela cidade do Norte da Grécia. In “Transportes & Negócios” - Portugal

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Grécia - Assinado venda da maioria do Porto de Salónica

A venda de 67% do Porto de Salónica deverá representar um encaixe de 1,1 mil milhões de euros para o Estado grego, estima a agência de privatizações do país.

No imediato, o consórcio liderado pela Deutsche Invest Equity Partners, capital de risco germânica, e que inclui também a Terminal Link (Grupo CMA CGM) e os cipriotas da Belterra Investments pagará 231,9 milhões de euros pelas acções. E fica obrigado a investir 180 milhões de euros no porto, nos próximos sete anos.

Acrescem para o Estado helénico 3,5% das receitas totais da administração portuária e os dividendos relativos à posição accionista que manterá, até ao fim da concessão, em 2051.

A venda agora contratada respeita apenas à empresa gestora do porto de Salónica, que detém a concessão do porto, e não inclui, portanto, a propriedade do porto.

O porto de Salónica é o segundo da Grécia, atrás do Pireu (privatizado no ano passado com a Cosco). Entre Janeiro e Outubro, o porto movimentou cerca de 327 mil TEU, o que representou uma subida homóloga de 16,5%.

Como contrapartida à ajuda financeira internacional, a Grécia obrigou-se a um plano de privatizações que já incluiu o porto do Pireu, vários aeroportos regionais e a operadora ferroviária.

O negócio da venda do Porto de Salónica terá ainda de ser validado pela Comissão Europeia, o que deverá acontecer no primeiro trimestre de 2018. In “Transportes & Negócios” - Portugal

domingo, 25 de junho de 2017

Como a União Europeia fez da Grécia um gueto muçulmano

"Começarei pedindo desculpa aos Eslavos dos quais sou mestiça: embora seja ucraniana, sou também grega. (Logo na abertura do vídeo é mostrado o presidente Donald Trump dizendo que ama muito os Gregos, ao lado de autoridades gregas.) Também enquanto geralmente tenho em mente Eslavos que se sentam bebendo, usando trajes esportivos, divertindo-se com minhas tagarelices, este vídeo é dedicado aos meus compatriotas Gregos. Francamente, não sei se é por exaustão após a crise econômica, os bailouts ¹, a austeridade e todo o inferno que deixaram para trás lá, parece que todos os analistas no Ocidente falam constantemente da morte da França, da Alemanha e da Suécia pela globalização islâmica e esqueceram-se da Grécia. (Aqui é mostrado um gráfico sobre as taxas de desemprego na Grécia, sendo de 50% para os gregos bem jovens (entre 15 e 24 anos de idade), 33% (entre 25 e 34 anos), 24% (entre 35 e 44 anos), 21% (entre 45 e 54 anos) e 19% (entre 55 e 64 anos).)

Se me permitem, em cinco minutos lhes direi porque o meu coração se despedaça pela Grécia. Esta semana, os Gregos por toda a parte festejam o Dia de sua Independência e um dia eu também fui uma das que festejou. Neste ano, porém, recusei-me a fazê-lo. Porquê? Não porque não respeite a história do nosso país, mas porque estou convencida de que a verdade é que os Gregos não são mais independentes. A Grécia perdeu a sua independência. A irônica injustiça é evidente, pense nisso.

Então, os Gregos festejam o Dia de sua Independência. Com poucas palavras, os patriotas gregos combateram e venceram na Revolução contra as dinastias muçulmanas turcas. Antes de sua independência, os Otomanos exerciam domínio sobre os Gregos com seu punho islâmico de ferro, estabelecendo um regime de "apartheid" e escravizando populações inteiras de nossos antepassados durante 400 anos. Por cerca de 10 anos aconteceu a guerra da Independência com massacres completos de Gregos na Jônia, em Creta, em Constantinopla, na Macedônia, nas ilhas do Egeu e noutros locais onde sucederam. Comunidades inteiras, por toda a Grécia, foram exterminadas. Um banho de sangue foi derramado em nome da Independência dos Gregos pelos Turcos muçulmanos. Finalmente, quando os Turcos foram depostos do poder, os Gregos iniciaram uma nova era de desenvolvimento e de inabalável e corajoso nacionalismo, em grande parte graças aos esforços da Igreja Ortodoxa. Não quero sobrecarregá-los com muito mais história.

Mas gostaria de lhes dizer isso: os Gregos possuem muitas coisas pelas quais podem se orgulhar, uma longa história de milênios. A Grécia foi o berço da Civilização Ocidental, com feitos magníficos na administração, onde nasceu a Democracia afinal, as Ciências, a Matemática, a Filosofia, a Arquitetura e as Artes, a maioria das quais influencia as nossas vidas hoje; (cabe ainda mencionar) as suas montanhas e o Mediterrâneo e sua comida e sua base de nível moral que intensificaram o patriotismo helênico.

Mas, hoje, é uma história diferente. Certamente os Gregos continuam a amar a sua história e seu país, mas a verdade é que a Grécia não é mais deles. Eles a venderam e permitiram que ela fosse invadida. A independência grega é um fantasma oco do nosso passado que todo ano encaramos como outra realidade que nos assombra, realidade na qual os Gregos outrora independentes viraram escravos de novo. Sim, escravos de uma dívida por um Império que possui de novo distintivamente um matiz islamofílico.

Agora, (convido-os a) uma rápida olhadela no assunto econômico. Não tomarei muito tempo: a Eurozona entrou na previsível crise sistêmica, num esforço de unir 19 países com diferentes políticas fiscais, com diferentes indicadores de desemprego, com lacunas por toda a parte, parece também ter fracassado em possuir simbolismos comuns e ter algumas pontes neutras sobre seus papéis-moeda. Segue a incapacidade da Grécia de conformar-se a seguir as cláusulas mais loucas do plano de socorro financeiro que jamais se viram; a Grécia continuamente o violou do lado econômico. (Nesta altura, aparece um cartaz no canto superior direito do vídeo com os dizeres, recomendando sua leitura: "Grécia: um País à Venda", por Eleni Portaliou ² - Subtítulo: Alexis Tsipras e seu governo do partido Syriza têm supervisionado as privatizações numa escala nunca vista desde a reunificação alemã.)

Depois de anos de cláusulas anti-helênicas que o governo do Syriza subscreveu (e a Nova Democracia antes dele), os memorandos entregam os recursos nacionais da Grécia pelo século seguinte a mãos estrangeiras. Os estrangeiros controlarão a eletricidade, as comunicações, a água, os portos, inclusive o de Piréus, os meios de transportes, marinas e todos os aeroportos, bens turísticos e públicos, estradas, gás natural e petróleo e quaisquer outras fontes de recursos nacionais. Graças ao FMI, ao Banco Central Europeu, à União Europeia e aos traidores do governo grego, que se tornaram as prostitutas de luxo dos agiotas estrangeiros, a Grécia perdeu a soberania econômica e nacional.

O país não é independente: foi convertido num protetorado de potências estrangeiras, no qual os agricultores, os criadores de gado, os produtores locais afinal pagam o preço de cortes de aposentadorias e os impostos de consumo sobem até mesmo 25%.

Então, com toda a franqueza, com o verão se aproximando, não me incomoda tanto a escravidão da dívida quanto a imigração. A Grécia se transformou no gueto regional de imigrantes ilegais. Graças à chanceler Angela Merkel, à super-potência da União Europeia e aos infiéis membros vendidos do Parlamento grego, a Grécia acabou sendo um depósito de imigrantes clandestinos. (Nesta altura do vídeo é mostrada a imagem de Merkel sobrepondo-se a todo o continente europeu.) Por causa da localização em que se encontra a Grécia, é o ponto de entrada principalmente de homens mulçumanos, que aceitaram o convite de Merkel, para os abonos europeus oferecidos pelo Estado-Providência ³. (Nesta altura, o vídeo mostra o mapa do Mediterrâneo, pondo a Grécia com suas ilhas em relevo.)

Sabem? Há dois anos atrás, tive a intenção de visitar as ilhas de Samos ⁴ e Lesbos ⁵, na companhia de meu pai, e fomos comprar os bilhetes do navio no guichê. A pessoa lá nos disse: "Oh, não, tomara que vocês não vão lá... agora as pessoas lá fazem as suas necessidades na rua... toda a ilha foi destruída... pode ser que os ataquem... nem os nativos querem estar ali... não é um bom lugar para turistas..." Isso aconteceu há dois anos. Hoje, Lesbos, Kós, Samos, Leros, Kálymnos, Rodes, Syme, Chios, Agathonísi, todas essas ilhas foram completamente ocupadas. Elas são algumas das mais lindas ilhas, não só do país, mas também do mundo. Ilhas, que floresciam com o turismo, a base da economia grega, agora se tornaram míni Sírias e Afeganistão. Isso não é independência. Isso é um império muçulmano. Isso é uma conquista muçulmana por meio da migração clandestina, que o governo grego consentiu sob as ordens da Alemanha e da União Europeia. Sim, é uma história deprimente, se tu és Grego como eu. Então é duplamente deprimente.

Então, existe uma esperança no horizonte? É possível no assunto da migração. Esta semana, o ministro grego de migração (Yannis Mouzalas) advertiu a União Europeia de que a Grécia não pode lidar com mais imigrantes. Mas vocês podem estar pensando: daqui a pouco, afinal de contas, (tudo estará resolvido, pois) esses imigrantes simplesmente passam pela Grécia, dirigindo-se a países mais ricos ao Norte e Oeste da Europa. Não exatamente. Berlim agora está assinalando que quer regressar à controversa Convenção de Dublin, que, quando aplicada, manda os migrantes à responsabilidade do primeiro país de entrada. Se vocês sabem geografia, isso significa "o fim da Grécia". Os imigrantes que chegam à Alemanha ou à Suécia através da Grécia, se não receberem o asilo que eles procuram daqueles países, então, de acordo com a Convenção de Dublin, têm que ser restituídos à Grécia em vez de gozar naqueles países de sua procedência. Este é um sistema totalmente monstruoso que sucumbirá imediatamente na próxima tempestade de imigrantes.

Então, minha mensagem para os Gregos e para o governo grego: Como essa semana lembramos nossa perdida independência, digam NÃO à Convenção de Dublin. Digam à chanceler Merkel que os imigrantes que vêm à Europa, fiquem lá porque os convidou, de modo a mantê-los. Oxalá os Gregos tivessem saído da União Europeia quando tiveram a oportunidade. Oxalá pudéssemos reivindicar nossa soberania nacional, a posse de uma das mais belas porções da terra e do mar no planeta. É hora de pararmos de fingir. É hora de pararmos de viver no passado. É hora de seguirmos o exemplo dos nossos ancestrais, olharmos nossos conquistadores nos olhos e dizermos: NÃO! E então talvez venha o dia que possamos festejar, de verdade, o dia da nossa independência de novo. Faith Goldy – Ucrânia Tradução: Francisco José dos Santos Braga - Brasil (bragamusician.blogspot.com)

Para mais informações aceda aqui.

NOTAS  EXPLICATIVAS, pelo tradutor Francisco José dos Santos Braga

¹ "Bailout" é uma palavra inglesa que, em economia e finanças, significa uma injeção de liquidez dada a uma empresa, banco ou governo falido ou próximo da falência a fim de que possa honrar seus compromissos de curto prazo.


³ Ou Estado social, ou Estado de bem estar social. Welfare State, em inglês.

⁴  Ilha grega no leste do mar Egeu. Segundo o geógrafo Pausânias, em visita à ilha no século II d.C., ouviu os nativos dizerem que ali tinha nascido a esposa de Zeus, Hera (Descrição da Grécia, 7.4.4), razão por que havia na ilha um santuário muito antigo dedicado à deusa. Também foi o local de nascimento de Pitágoras (︎ ilha de Samos, c. 570 a.C.- ilha de Crotona, no sul da Itália (Magna Grécia), c. 495 a.C.).

⁵  A ilha de Lesbos está localizada a nordeste do mar Egeu, na costa da península anatoliana (Turquia asiática), e a noroeste de Esmirna.




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