Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 2 de junho de 2026

Moçambique - Bruno Mourinho lança livro sobre comunicação, negócios e relações interculturais

O empreendedor e activista moçambicano Bruno Mourinho lançou recentemente o livro How to Communicate, Work and Negotiate with Mozambicans, uma obra dedicada à gestão intercultural e ao ambiente de negócios em Moçambique.

Segundo o autor, o livro resulta da combinação das suas experiências académicas e profissionais nas áreas de Diplomacia, Relações Internacionais e cooperação com equipas multiculturais em diferentes países. A publicação surge com o objectivo de orientar cidadãos estrangeiros, investidores, profissionais e organizações interessadas em trabalhar, viver ou estabelecer negócios em território moçambicano.

Juntei valências, vivências e experiências da minha formação em Diplomacia, da minha especialização em Relações e Assuntos Internacionais, da minha estada fora do país e do meu trabalho em projectos internacionais com pessoas de outros países e culturas, e decidi montar um guia de gestão intercultural e doing business em Moçambique”, explicou Bruno Mourinho.

Com 175 páginas distribuídas em oito capítulos, a obra apresenta uma abordagem prática sobre o contexto social, cultural e profissional moçambicano, explorando de que forma factores históricos, culturais e educacionais influenciam as relações interpessoais, negociações e dinâmicas de trabalho no país.

O autor considera que este é o primeiro livro do género em Moçambique e possivelmente na região, destacando que a publicação foi concebida para ajudar estrangeiros e parceiros internacionais a compreender melhor a realidade moçambicana, promovendo uma actuação mais consciente, assertiva e eficiente.

O livro já se encontra disponível na plataforma Amazon, nas versões digital (Kindle) e física, enquanto o lançamento oficial e o período de pré-venda deverão ser anunciados brevemente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sábado, 12 de abril de 2025

Uma viagem pela Lusofonia

O escritor e viajante brasileiro Guilherme Canever lança um convite singular aos leitores com o seu novo livro, “ONDE SE FALA PORTUGUÊS – UMA VIAGEM PELOS PAÍSES LUSÓFONOS”

Canever foi o entrevistado do Espaço Brasil em maio de 2020, quando estava trabalhando na divulgação do livro “Viagem por Países que Não Existem”.

Agora, o novo livro, mais do que um simples relato de viagens, propõe uma imersão cultural nos nove países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), utilizando o idioma comum como bússola e ponte.

O livro, que já se encontra em pré-venda, explora as conexões e particularidades de um universo que une mais de 300 milhões de falantes em diversos continentes.

Encontros Inesperados

A ideia para o projeto não nasceu de um plano meticuloso, mas de encontros fortuitos que revelaram a força inesperada da língua portuguesa em terras distantes.

Canever recorda um episódio marcante numa pequena comunidade piscatória no Lago Malawi, país onde o inglês é oficial, mas outras línguas predominam no quotidiano.

Com dificuldades de comunicação, foi surpreendido por um senhor moçambicano, “extremamente bêbado”, que falava português. “Começamos a conversar e logo se criou uma conexão”, relata.

O homem, antigo orador oficial na província de Niassa, anunciou informalmente que ambos pertenciam à “mesma tribo”, uma piada local que carregava um fundo de verdade sobre a união proporcionada pelo idioma.

Semanas depois, já em Moçambique, a experiência aprofundou-se. “A facilidade na comunicação em locais mais afastados e a profundidade nas conversas tornaram a viagem muito especial”, conta Canever.

A sensação repetiu-se na Guiné-Bissau. Embora nem todos falassem português fluentemente, a língua criava uma “conexão diferente”.

As viagens pelos restantes países lusófonos ocorreram de forma mais orgânica, e só mais tarde o projeto do livro tomou forma.

A Língua como elo

Durante as suas andanças, Canever experienciou de forma palpável o poder agregador do português. Uma das surpresas mais significativas ocorreu na província de Niassa, em Moçambique, e repetiu-se no arquipélago de Bijagós, na Guiné-Bissau: foi elogiado por “falar tão bem português”. O escritor percebeu que, para muitos locais, era invulgar ver um “branco” comunicando-se na língua que, apesar de ser “a do colonizador”, ali funcionava como um elo inesperado.

“A união que a língua traz é algo que eu nunca tinha imaginado antes. Como se fossemos de uma grande família”, reflete.

O Desafio da Xenofobia

Questionado sobre se a língua ainda consegue aproximar povos num mundo marcado pela crescente xenofobia, Canever oferece uma visão ponderada. Ele reconhece o português como “uma ponte que une povos, carregando histórias e possibilidades de conexão”.

No entanto, admite que a xenofobia, muitas vezes alimentada por disputas econômicas e culturais, “tem criado barreiras”. Como viajante, ele sente menos dessas tensões, já que suas interações são mais diretas e espontâneas.

Contudo, para quem reside permanentemente noutros países, “existem tensões estruturais, onde a desigualdade alimenta o medo do ‘outro'”.

Apesar disso, Canever acredita no potencial da língua: “Ainda assim, a língua pode aproximar se usada com empatia, mostrando que a diversidade nos humaniza e que a solidariedade pode superar as injustiças por trás da xenofobia.”

Uma Comunidade Global (Ainda) por Descobrir

Um aspeto que chamou a atenção do autor foi a aparente falta de consciência, entre muitos dos seus interlocutores nos diversos países, sobre a real dimensão e força da Lusofonia.

Embora consumam produtos culturais – músicas, programas de televisão, conteúdos do YouTube – de outros países de língua portuguesa, “não creio que a população em geral tenha noção do tamanho e força da língua”, observa Canever.

Ele lembra que o português é, afinal, “a língua mais falada no hemisfério sul, e uma das mais faladas no mundo”.

O livro surge, também, como uma forma de lançar luz sobre essa vasta comunidade interligada pelo idioma.

Para Além do Roteiro Turístico

Como destaca o historiador Leandro Karnal no prefácio da obra, a viagem de Canever foge ao convencional: “A viagem não é de caravela, mas envolve coragem. Barcos na madrugada, trens fora do padrão turístico, hospedagens quase bizarras: ir além do circuito consagrado implica desafio pessoal. O prêmio? Viagem intensa, memórias e uma experiência colorida narrada pelo autor.”

“ONDE SE FALA PORTUGUÊS – UMA VIAGEM PELOS PAÍSES LUSÓFONOS” promete, assim, ser mais que um livro de viagens: é um convite à navegação por culturas diversas através daquilo que as une – a Língua Portuguesa. José da Silva – Brasil in “Portal Galego da Língua”

Pré-venda do livro aqui.

Conheça Guilherme Canever

O autor é brasileiro, casado, pai do Gabriel, 9 anos e Teresa, 6 ano.

Ele traz na genética o gosto pela viagem e pelos livros. Desde que nasceu, foi estimulado pela curiosidade e pela descoberta em uma família de viajantes. Seu primeiro livro foi De Cape Town a Muscat: Uma Aventura pela África. Depois lançou De Istambul a Nova Délhi, Uma Aventura pela Rota da Seda. O terceiro: Uma Viagem pelos Países que Não Existem, teve sua tiragem rapidamente esgotada e transformou Guilherme em uma das principais fontes de referência sobre países não reconhecidos pela ONU. “Destinos Invisíveis – Uma nova aventura pela África“ é o título de sua quarta publicação.


quinta-feira, 27 de março de 2025

Macau - Amélia António exorta MNE a “explicar” posição de Portugal em relação à China

A presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM) defendeu, numa antecipação à visita de amanhã do ministro dos Negócios Estrangeiros português ao território, a importância de Paulo Rangel esclarecer a comunidade portuguesa sobre o posicionamento do Governo relativamente à China.



“Estamos aqui, sofremos as consequências dessas relações [entre Portugal e China], boas ou más. Tivemos relações muito próximas durante muito tempo, o que se alterou com a covid. Ainda não vi as coisas voltarem a ser como eram, e penso que era importante o senhor ministro explicar qual é a posição”, declarou à Lusa Maria Amélia António, referindo que Portugal não tem de “alinhar fielmente com tudo o que se diz na Europa e, sobretudo, nos EUA”, salientou.

Antes da pandemia, lembrou, existia “comunicação permanente” e “muito intercâmbio” entre as autoridades portuguesas e chinesas. Hoje é perceptível um “endurecimento relativamente aos portugueses” em matéria de imigração em Macau, declarou Maria Amélia António, sublinhando, porém, não poder afirmar categoricamente se a posição está relacionada com “esse afastamento” entre a China e o Ocidente.

As autoridades de Macau não aceitam desde o ano passado novos pedidos de residência no território para portugueses, para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. A alternativa para um nacional português garantir o Bilhete de Identidade de Residente (BIR) passa por uma candidatura aos programas recentes de captação de quadros qualificados. Outra hipótese é a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação.

Estas limitações têm afectado a CPM na contratação de profissionais para integrarem a Escola de Arte e Ofícios. Mencionando a relação estratégica entre a China e o universo de língua portuguesa e o interesse de Pequim na língua portuguesa, a líder associativa lamentou a postura “um pouco contraditória”.

“Não podemos fazer omeletas sem ovos, nós que estamos aqui e que trabalhamos com a cultura portuguesa e com a língua portuguesa, temos muita dificuldade em ter pessoas que substituam aquelas que foram saindo. Saíram muitos portugueses de Macau, e trabalhar nestas áreas com essa falta [de pessoas com essas qualificações] é muito complicado”, rematou.

Também o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) considerou os novos obstáculos à residência de portugueses “uma questão importante”, embora admita que a história não é garante de “estatuto especial”. “Como português, pessoa em Macau, claro que gostaria que os meus patrícios fossem bem tratados e, naturalmente, que a residência em Macau seja sempre facilitada”, ressalvou Miguel de Senna Fernandes.

O presidente da APIM notou que a dificuldade de contratação teve impacto na Escola Portuguesa (EPM), sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Espera-se, referiu, que o Estado português “continue sempre a prestar uma atenção especial” à EPM.

Senna Fernandes, também vice-presidente da Fundação da EPM salientou, porém, uma “atitude distante” das autoridades portuguesas “em relação às coisas de Macau”. A viagem de Rangel à RAEM, acredita, vai trazer poucas mudanças. “É um pró-forma, porque, sem querer ser pessimista, não estou a ver que faça muita diferença. Mas, claro, que é sempre bom que o ministro dos Negócios Estrangeiros visite Macau. (…) Nunca fez diferença. Aliás, nunca nenhum político ou ministro em Macau tem feito alguma diferença”, referiu. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Lusofonia - As 100 Personalidades Negras mais influentes de 2024

A BANTUMEN apresentou a quarta edição da Power List BANTUMEN 100, uma iniciativa que reconhece e celebra as conquistas de 100 personalidades afrodescendentes de países lusófonos. Este reconhecimento, que se concretiza numa lista de impacto, celebra a excelência em diversas áreas profissionais e culturais, promovendo a visibilidade e a influência da afrodescendência no mundo lusófono.



A lista, disponível aqui, é elaborada em colaboração com vários meios de comunicação de expressão portuguesa, evidenciando a importância da presença e da voz Afrodescendentes nas diferentes esferas sociais, como Ciências, Cultura, Comunicação e Empreendedorismo.

A gala de apresentação deste ano, organizada em co-produção com a Lisboa Cultura, realizou-se no dia 30 de novembro, no Pátio da Galé, no centro histórico de Lisboa, conduzida pelas apresentadoras de televisão Kathy Moeda (Cabo Verde) e Nádia Silva (Angola). O evento contou com a presença do Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, Mayra Andrade, Nenny, Dino de Santiago, Inocência Mata, entre outras personalidades. A moçambicana Assa Matusse, a francesa de origens cabo-verdianas Rislene Semedo e as Batucadeiras das Olaias foram alguns dos artistas que atuaram para os mais de 300 convidados.

A iniciativa visa, além do reconhecimento individual, promover a partilha e a reflexão em torno da diversidade cultural, e no contexto do último ano da Década Internacional dos Afrodescendentes, instituída pela ONU. Esta celebração é uma oportunidade para reforçar a importância do reconhecimento dos direitos afrodescendentes e da luta contra desigualdades históricas.

A Power List BANTUMEN 100 conta com o apoio de dois Media Partners: a RTP África e o canal Trace. A RTP África, responsável pela transmissão em diferido, como canal público voltado à cultura e atualidade das comunidades lusófonas africanas, reforça a conexão e a valorização dessas culturas, enquanto o Trace, canal de televisão francês dedicado à música e à juventude afrodescendente global, amplia o alcance e a representatividade das vozes afro-lusófonas.

A distribuição dos homenageados na Power List BANTUMEN 100 em números reflete 47% Homens, 49% Mulheres e 4% de pessoas não-binários. Em relação aos países de origem: Angola (13%), Brasil (22%), Cabo Verde (19%), São Tomé e Príncipe (11%), Guiné-Bissau (11%), Moçambique (15%) e 19% com dupla nacionalidade (portuguesa mais uma dos PALOP). Em termos de áreas de atuação, Comunicação e Media: 18%; Negócios e Empreendedorismo: 7%; Ciências e Tecnologia: 3%; Artes e Cultura: 32%; Ação Social e Direitos Humanos: 20%

Os homenageados são indicados através de parceiros editoriais - Balai CV (Cabo Verde), BANTUMEN (Lusofonia), CULTNE TV (Brasil), Notícia Preta (Brasil), RSTP (São Tomé e Príncipe) e Xonguila (Moçambique) - assim como através de curadoria de personalidades destacadas em edições anteriores da PowerList.

Esta iniciativa é promovida pela Hausdown, agência criativa lusófona, e patrocinada pelas empresas cabo-verdianas Unitel T+ (telecomunicações) e Glowcondo (gestão imobiliária). O evento associado à iniciativa conta com a co-produção do organismo Lisboa Cultura e o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Adega de Borba, Pastéis de Belém, Prosperous Vodka, Turismo de Lisboa, Sogrape e a Kees Eijrond Foundation. In “Bantumen” - Portugal


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Lula, comunicação e TV Brasil

Correm nos bastidores a crítica de que o governo Lula não consegue levar ao povo os bons resultados de sua administração, justamente num mundo dominado pelos meios de comunicação. É uma crítica para se levar a sério, pois a eleição de Bolsonaro e seu índice de aprovação, durante os quatro anos de governo, se deveu a uma explosão de redes sociais a ele favoráveis com altos níveis de participação de seguidores ativos e mesmo fanatizados.

Bolsonaro tinha um encontro diário com seus seguidores no chamado Cercadinho, já desmontado, junto do Palácio do Alvorada, repercutido depois pela imprensa e suas redes sociais. Como não era um presidente revolucionário ou inovador, surpreende a constatação de que ali não fazia comunicações de medidas sociais que favorecessem seus seguidores, mesmo porque durante seu governo sequer reajustou o salário mínimo. Era uma conversa conservadora, utilizando uma linguagem bem popular, às vezes mesmo chula. Ora, era isso, o fato de ser um presidente que aceitava manter um bate-papo com simples admiradores, tudo sob uma aura evangélica religiosa, que mantinha a popularidade de Bolsonaro, a ponto de quase ter conseguido se reeleger.

Não se pode também esquecer o papel das igrejas, congregações que nos seus cultos bi ou tri-semanais, escolas dominicais e grupos de juventude, repisavam e agradeciam nas orações a presença de um “ungido” na direção do país. Como as religiões postergam para o futuro o bem-estar de seus fiéis destinados ao céu, essa mistura bem-sucedida de uma espécie de política evangélica, era o contraponto tranquilo e abençoado, às manifestações sociais pedindo transformações que exigiam rupturas coloridas, feministas, salariais ou climáticas, criando temores e apreensões nas pessoas conservadoras.

Essa situação pouco mudou, durante o retorno de Lula ao governo, pode-se dizer que estão num compasso de espera. Estão marcando passo, à espera do retorno ao poder. As prévias e sondagens eleitorais mostram uma provável derrota do governo na tentativa de conquistar as principais prefeituras do país. Até agora, nenhuma sondagem dá vitória ao candidato da esquerda em São Paulo, sinalizando uma possível vitória do atual prefeito e dos bolsonaristas, enquanto o surgimento do candidato outsider Pablo Marçal mostra existir de forma latente um eleitorado capaz de seguir um candidato de linguagem e gestos extremados.

Essa é uma introdução necessária na busca de uma possibilidade de o governo Lula conseguir furar o bloqueio que lhe fazem a extrema direita e os fundamentalistas evangélicos, repetindo uma situação semelhante existente nos Estados Unidos. Entretanto, o surgimento, nos EUA, da candidatura de uma mulher negra vinda da emigração poderá quebrar a máquina trumpista e isso, se ocorrer, terá forte repercussão no Brasil. Será igualmente importante uma vitória de Guilherme Boulos em São Paulo. Nada disso ocorrendo, Lula, se quiser ser reeleito, precisará reformular sua política de contato com o povo e reavaliar o uso das redes sociais e da Empresa Brasileira de Comunicação, que gere a TV Brasil.

Estas observações decorrem, em grande parte de uma entrevista do influencer responsável pelo Portal do José e de seus comentários sobre o papel que ocupa atualmente a TV Brasil e de sua falta de audiência, publicada numa reportagem do jornal Estadão, retomada pelo grupo mediático de direita Antagonista. Como alguns leitores poderão imaginar estarmos fazendo a apologia das tevês públicas que fazem propaganda de seus governos, é bom ressaltar que isso ocorre só nas ditaduras. Nem se trata de defender a privatização total das tevês, mas de se imaginar como se obter mais audiência na concorrência com tantas redes sociais convertidas em minis-tevês.

A TV Brasil gasta 600 milhões de reais por ano (este ano são 800 milhões) mas não tem audiência e nem metas a alcançar, comenta o influencer professor e jurista José Fernandes Jr, entrevistado por Pedro Zambarda do Portal Folha Democrata. A declaração foi a propósito do governo Lula não contar com uma boa base mediática para debater e divulgar as iniciativas do seu governo e seus ministérios.

Na verdade, praticamente só o Canal 247 cuida disso, enquanto a oposição a Lula e a extrema direita dispõe de centenas de redes sociais populares, uma grande parte utilizando fake-news. Isso mostra não haver uma contrapartida para se enfrentar o enxame de canais preocupados em manter vivo o bolsonarismo.

E a totalidade desses canais é auto suficiente, mantida por seus criadores ou por pequenos grupos, contando com a monetização paga pelo Youtube ou com contribuições de seguidores permitidas nas chamadas comunidades.

Uma das consequências da criação das redes sociais foi a da fragmentação e personificação de lideranças, tanto entre os bolsonaristas e evangélicos como entre as lideranças de esquerda. Embora pareça não haver ainda um estudo sobre a consequência da monetização dos influencers, aqueles que conseguem reunir um grupo importante de seguidores, centenas de milhares, passam a receber uma participação nas publicidades veiculadas com seus vídeos, equivalente a um salário.

Isso lhes permite ter um canal próprio independente, no qual gozam de ampla liberdade sendo seus próprios editores, ficando ao seu critério pertencer ou não a um grupo de canais com ideias e objetivos semelhantes. Entre os influenciadores de esquerda, uma grande parte prefere se individualizar e guardar sua independência, livrando-se assim de críticas e da obrigação de obedecer a códigos de partidos ou obrigações comuns. Alguns se sentem mais fortes unidos em grupo para ter maior audiência como Opera Mundi, Forum, Meteoro, Metrópoles e MyNews. Outros preferem manter seu ideal de esquerda, sem abrir mão de sua individualidade - é o caso de Bob Fernandes, de Andrea Gonçalves, do controvertido Paulo Ghiraldelli ou do Clayson, para citar só alguns dos mais vistos entre canais de esquerda. (estes canais citados são apenas alguns entre dezenas e centenas com menor número de seguidores)

Na sua crítica à TV Brasil, que pertence à Empresa Brasileira de Comunicação, com 1700 funcionários e mais de 800 milhões de despesas, para um número inexpressivo de telespectadores, o influencer do Portal do José oferece a sugestão ao presidente Lula de frequentar e conceder entrevistas aos principais canais e portais Youtube, com audiência mínima de meio milhão de visualizações e isso sem nenhum custo. Esse contato direto com youtubers e seguidores permitirá que as ações do governo cheguem ao povo e lhe garantam popularidade com alto nível e sem as baixarias do Cercadinho.

A título de comparação, as Tv francesas France 2 e France 3 assim como as suíças TS1 e TS2 mostram boa audiência e cumprem seu papel informativo sem se tornarem instrumentos de propaganda do governo. Isso valeria uma pesquisa, uma reflexão e uma avaliação pelo governo e parlamentares. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Macau - Há futuro para o intercâmbio desportivo e passa pelos países de língua portuguesa

O deputado Lei Chan U apelou ao desenvolvimento da indústria do desporto e do lazer para estabelecer Macau como uma “cidade desportiva” e defendeu que, para aumentar a atractividade de Macau como destino desportivo e turístico, é urgente promover eventos desportivos de grande alcance e as actividades de alta competição

O desporto é visto como um meio de promover a comunicação e a amizade. Com base no sucesso dos Jogos da Lusofonia de 2006, o deputado à Assembleia Legislativa Lei Chan U quer agora mais de Macau. O deputado apresentou uma interpelação escrita ao Governo na qual colocou duas questões relativas ao intercâmbio desportivo entre Macau e os países de língua portuguesa. Na interpelação, o deputado referiu os relatórios das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2020, 2022 e 2024 e sublinhou a importância da utilização de Macau como plataforma de intercâmbio desportivo e de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa e do desenvolvimento da indústria do desporto e do lazer para estabelecer Macau como uma “cidade desportiva”.

Lei Chan U apresentou as medidas do “Plano de Apoio ao Turismo”, que visa atrair a assistência e a participação internacional nas competições desportivas e contribuir para o desenvolvimento do turismo desportivo em Macau. Exposto o plano, o deputado questionou os esforços empregados pelo Governo para reforçar o intercâmbio cultural e para a realização de competições desportivas em Macau.

No seguimento desta questão, Lei Chan U atestou às contribuições desportivas e económicas que o reforço do intercâmbio desportivo e da cooperação entre Macau e os países de língua portuguesa pode trazer à região. O deputado defendeu ainda que esta colaboração contribuiria também para alargar o papel de Macau como Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o que reforçaria, por sua vez, a influência da região como base de intercâmbio cultural e desportivo. Lei Chan U inquiriu então acerca do ponto de situação do Governo na organização de mais eventos desportivos com os países de língua portuguesa, a fim de promover o desenvolvimento do desporto local e apoiar a construção da iniciativa “Um Centro, Uma Plataforma, Uma Base”.

Na resposta à interpelação, assinada pelo presidente do Instituto do Desporto Pun Weng Kun, o Governo assegurou que está empenhado em promover o desenvolvimento integrado e transversal dos sectores do turismo e do desporto. O Governo afirmou que pretende reforçar o intercâmbio e a cooperação com os países de língua portuguesa e atrair mais turistas para Macau, através de eventos desportivos, impulsionando assim o desenvolvimento das indústrias relacionadas.

O Governo revelou também que, até ao momento, foram aprovadas sete candidaturas para o turismo desportivo, beneficiando 1393 turistas, e que o sector desportivo foi apoiado na organização de mais de dez eventos desportivos com mais de 7000 participantes.

Foi ainda esclarecido que o Instituto do Desporto está a trabalhar no sentido de lançar mais competições desportivas diversificadas e projectos de cooperação com os países de língua portuguesa, apoiando assim, simultaneamente, a cooperação e o intercâmbio amigável entre as associações desportivas de Macau e as suas congéneres em Portugal e nos outros países de língua portuguesa.

Na resposta à interpelação do deputado Lei Chan U, o Governo deixou clara a sua intenção em reforçar os laços entre Macau e os Países de Língua Portuguesa na área do desporto e em atrair visitantes internacionais à região através de eventos desportivos. No entanto, não foram confirmados nenhuns eventos dessa natureza, além de um seminário teórico sobre a ciência desportiva, para o futuro, em Macau. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 28 de junho de 2024

Macau - Ensino inteligente abrange 25 escolas

O plano piloto de ensino inteligente foi lançado em Macau em 2022 e o número de unidades escolares participantes neste plano passou de 16 para 25. Estas escolas recorrem à inteligência artificial e aos megadados nos seus trabalhos pedagógicos. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude revelou que no próximo ano escolar vão ser atribuídos mais recursos para apoiar as escolas na aquisição de equipamentos para a inteligência artificial e a educação da generalização científica


A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), para apoiar a aplicação pedagógica da inteligência artificial nas escolas locais, lançou no ano lectivo passado o plano piloto do ensino inteligente, cujas escolas participantes aumentaram de 16 para 25 neste ano lectivo de 2023/2024.

As escolas participantes no projecto cooperaram na construção de uma plataforma de serviços com foco nas funções pedagógicas, que incluem uma base de dados de perguntas inteligentes, a constituição inteligente de enunciados e a correcção inteligente. Nesse sentido, o ensino inteligente recorre à utilização da inteligência artificial e aos megadados para acompanhar e analisar a situação de aprendizagem dos alunos, apoiando as escolas no processo de ensino-aprendizagem personalizado e aumentando a eficácia pedagógica.

Em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, o director da DSEDJ disse atribuir “grande importância” à formação das capacidades em informática dos alunos e assim estabeleceu “reforçar o ensino da criatividade e das tecnologias de informação e comunicação” como uma das prioridades no Planeamento a Médio e Longo Prazo do Ensino Não Superior (2021-2030). O plano de acção concreto inclui o desenvolvimento da “Educação Inteligente” em Macau.

A DSEDJ indicou que foi realizada no primeiro trimestre do ano uma exposição dos resultados do plano piloto do ensino inteligente intitulada “Apoio da inteligência artificial no ensino, reduzindo o encargo e aumentando a eficiência”, a fim de promover o plano e permitir que mais escolas conheçam o ensino inteligente e incentivar a criação de um plano de serviços localizado deste ensino. A exposição convidou a participação de várias escolas de Macau, como a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, o Colégio Mateus Ricci (secundário), a Escola Secundária Pui Ching, o Colégio Yuet Wah (secção chinesa), o Colégio de Santa Rosa de Lima – Secção Chinesa, entre outras.

Reafirmando a aposta nos recursos educativos da inteligência artificial e o apoio da sua aplicação pedagógica das escolas, Kong Chi Meng salientou que o Fundo Educativo, através do Plano de Financiamento para o Desenvolvimento das Escolas, está a apoiar as escolas na optimização dos equipamentos informáticos e de generalização científica, tanto como dos equipamentos complementares de que elas necessitam para a implementação dos currículos de educação da inteligência artificial.

De acordo com a DSEDJ, em articulação com as necessidades da reforma curricular, o plano de financiamento para o próximo ano escolar irá “reunir mais recursos” para apoiar as escolas na aquisição de equipamentos para a inteligência artificial e a educação da generalização científica, criando condições para o desenvolvimento integral do sistema curricular da educação de inteligência artificial em Macau. O Fundo Educativo vai assim melhorar o processo de apreciação, aprovação e actualização dos pedidos de financiamento.

“As escolas podem ainda, através do plano de financiamento, contratar pessoal na área das tecnologias de informação e comunicação, de forma a aliviar o peso dos trabalhos não pedagógicos dos docentes nesta área”, observou a DSEDJ.

O organismo disse ter reforçado a formação do pessoal docente das escolas, tendo implementado há três anos o Plano Piloto de Ensino e Investigação Interescolar, para que as escolas possam desenvolver, em conjunto, recursos pedagógicos relacionados com a educação da inteligência artificial e apoiar o desenvolvimento desta educação nas diferentes escolas locais. No corrente ano lectivo, a DSEDJ organizou também mais de 100 cursos de formação para o pessoal docente com conteúdo da inteligência artificial e as tecnologias de informação e comunicação. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 21 de março de 2023

A intervenção de Arnaldo Niskier para a transformação do Brasil

A crise que se manifesta, no Brasil, nos mais diversos sectores da Educação e do Ensino constitui o tema de comunicação e debate hoje na Academia das Ciências

Arnaldo Niskier, que é – e há muito, no Brasil – uma das maiores autoridades em matéria de Educação e de Ensino, encontra-se em Portugal para estabelecer contactos institucionais e, entretanto, apresentar (terça-feira, 21 de Março, às 15 horas) uma comunicação na Academia das Ciências, de cuja Classe de Letras é sócio correspondente brasileiro. O tema abrange a história do passado e a problemática do presente. Subordinada ao tema genérico «Da Companhia de Jesus à Educação no Brasil nos dias de Hoje», Arnaldo Niskier como, aliás, se verifica em numerosos ensaios críticos que tem publicado, não se escusará de abordar a «conjuntura atual que permanece» – e, conforme tem repetidamente destacado–, «repleta de condicionalismos. Muitas das soluções apresentadas têm sido precárias e acentuam, cada vez mais, a profunda crise que se manifesta, no Brasil, nos mais diversos sectores da Educação e do Ensino».

A Academia das Ciências de Lisboa, na sua trajetória bicentenária, inscreveu o Brasil, logo de início, nos seus grandes objetivos literários, científicos, políticos e diplomáticos. A presença de José Bonifácio, como secretário-geral, constitui um dos exemplos mais emblemáticos. Este objetivo voltou a ser relançado e inserido numa hierarquia de prioridades pelo Prof Dr José Luís Cardoso, atual presidente da Academia das Ciências e pelos seus diretos colaboradores. Mas é com a maior satisfação que reconheço, também, faz parte da programação que está a ser realizada, pelo meu colega e confrade Merval Pereira, Presidente da Academia Brasileira de Letras, mestre de Jornalismo e de Jornalistas, grande repórter e grande protagonista nas tribunas de opinião, do jornal O Globo e membro do conselho editorial do Grupo Globo, o maior universo da comunicação social não apenas do Brasil mas, também, da América Latina.

Eleito em 2 de Dezembro de 1999 sócio correspondente brasileiro da Academia das Ciências, Arnaldo Niskier tem uma forte e extensa relação com Portugal. Somos amigos desde 1963 – há, portanto, 60 anos – e ambos nos conhecemos como jornalistas a realizar um trabalho profissional – Arnaldo Niskier para a Manchete e eu para o Diário de Notícias.

Além da comunicação que vai proferir e que já mencionamos, a Academia das Ciências presta-lhe homenagem, em cerimónia presidida pela Vice-Presidente da Classe de Letras, Profª Drª Maria da Glória Garcia, para evidenciar os aspetos mais relevantes da obra e da personalidade de Arnaldo Niskier. É uma intervenção em torno dos múltiplos aspetos do magistério, mas também abrange uma expressiva atividade pública, no exercício de funções governamentais. Em largas dezenas de livros ocupou-se do estudo e refexão da investigação histórica e literária e do jornalismo profissional, adquirindo, nas últimas décadas, uma dimensão nacional e um estatuto internacional.

Com efeito, os últimos 50 anos do Brasil têm a inapagável marca da intervenção cultural, social e política de Arnaldo Niskier. O Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro – referência obrigatória da cidade e invadido, diariamente, por sucessivos grupos de jovens estudantes e turistas – constitui uma das suas notáveis realizações, resultantes das quatro vezes que desempenhou cargos governamentais nas áreas da Cultura e Educação, da Ciência e da Tecnologia. Ao proceder à requalificação da cultura do Brasil também projetou um Museu da Ciência, na cidade de Campos, no espaço emblemático da Quinta da Baronesa; e, ainda, no Rio de Janeiro, organizou e pôs em funcionamento um Museu do Automóvel, ao lado do Planetário.

Mas também avultam – no diversificado currículo de Arnaldo Niskier – a implantação de uma centena de escolas e o lançamento de uma rede de bibliotecas, a fim de estimular a leitura e promover a difusão do livro. Instituiu concursos e festivais de literatura, organizou debates sobre novas tecnologias, colóquios, seminários e outras iniciativas, para a valorização da língua portuguesa, como língua de expressão e cultura, como língua de trabalho, idioma de comunicação para o diálogo e o encontro de povos e civilizações.

Membro da Academia Brasileira de Letras, desde 1984, e seu presidente em 1998 e 1999, exerceu uma ação de tal modo relevante que Carlos Heitor Cony, com pleno conhecimento de causa, afirmou que a existência centenária da ABL se caracteriza por «dois períodos – antes e depois de Arnaldo Niskier. Trouxe para a ABL o seu know-how de grande executivo. Impôs a modernidade». Devem-se-lhe, por exemplo, a instalação do Banco de Dados, que catalogou mais de 12 mil escritores da língua portuguesa; e, ainda, a instalação e inauguração do Teatro Magalhães Júnior e a fundação da Galeria Manuel Bandeira.

E last, but not the least, intensificou o culto por Machado de Assis, grande escritor, o maior entre os maiores fundador da Academia Brasileira de Letras. Arnaldo Niskier já havia consagrado um livro que tem lugar primordial na bibliografia de Machado e, onde a dado passo, observa, com penetrante lucidez que, «toda a obra machadiana, é sempre uma lição, mesmo quando não é, exatamente, esse o seu objetivo”. Nada mais exato, seja qual for a perspetiva que contemplemos a obra multifacetada de Machado de Assis. Isto porque Machado de Assis ensinou o Brasil a ser ele mesmo.

Perante embaraços suscitados por familiares que continuavam nas fronteiras do absurdo, Arnaldo Niskier empenhou-se, com tenacidade, na trasladação, em Abril de 1998, para o mesmo jazigo do Cemitério São João Batista, de Machado de Assis e de sua mulher e inseparável companheira Carolina celebrada num dos mais belos sonetos da língua portuguesa. Havia uma questão fundamental a resolver. Depois do falecimento de Machado, a família de Carolina recusou, obstinadamente, a colocação do seu corpo ao lado dos restos mortais do marido, sob a alegação de que «ele era mulato». Arnaldo Niskier conseguiu que Machado e Carolina voltassem a ficar juntos para sempre. Uma alegoria escultórica, dois pares de mãos entrelaçadas, simboliza a vida vivida em comum e repara a odiosa discriminação racial.

Apesar das inevitáveis citações que remontam aos séculos XVI, ao século XVII e a uma parte do século XVIII, Arnaldo Niskier vai, na Academia das Ciências, chamar a atenção – e com a frontalidade que lhe é peculiar – na complexa situação que se vive, presentemente, no Brasil e que requer medidas pontuais e estruturais da maior urgência. Aliás, são frequentes as interpelações de Arnaldo Niskier nas tribunas de opinião que lhe estão reservadas nos mais importantes jornais diários como, por exemplo, o Globo e O Estado de São Paulo nas quais disserta e analisa questões de flagrante atualidade – e nas mais diversas vertentes – nos sectores da Educação e do Ensino.

O magistério cultural e cívico de Arnaldo Niskier vai, como sempre, incidir – nesta comunicação apresentada na Academia das Ciências de Lisboa – em questões primordiais destinadas a transformar o Brasil. É a aposta no futuro. É doutrinação e crítica necessárias para alertar e propor a urgência das soluções fundamentais destinadas à reconstrução do Brasil, perante um novo ciclo da sua história cinco vezes centenária. António Valdemar – Brasil in “Blog de São João del-Rei”

António Valdemar - Jornalista - sócio efetivo da Academia das Ciências


domingo, 9 de fevereiro de 2020

Portugal - SPEAK: Projeto português para aprender línguas e conhecer pessoas recebe financiamento da Google

Um projeto português que liga migrantes a viver na mesma cidade através de experiências de intercâmbio para a aprendizagem de línguas vai receber financiamento de um fundo da Google que apoia soluções para combater o ódio e o extremismo

A Google.org lançou o desafio “Impact Challenge on Safety” para colaborar e apoiar organizações europeias que tenham uma missão de contribuir para uma sociedade mais inclusiva e que trabalhem com os desafios de discriminação, xenofobia, ódio no discurso e extremismo.

O fundo recebeu mais de 900 candidaturas e a portuguesa SPEAK, que facilita a criação de redes de suporte informal, relações de amizade e ajuda mútua através de uma rede para aprendizagem de línguas, é uma das organizações escolhidas pela Google.org.

O SPEAK, que começou em Leiria em 2014, liga pessoas de diferentes origens que se inscrevem para aprender e, se quiserem, para ajudar outros a aprender uma língua, tendo os participantes acesso gratuito aos eventos.

O projeto está a ser replicado por um modelo de social franchising e em 2019 testou a abertura em 20 novas cidades. In “Sapo24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Moçambique – Iniciativas para fomentar a inovação e o empreendedorismo




Desenvolvedores de aplicativos, designers, estudantes da área de informática e entusiastas de tecnologias reuniram-se, recentemente, em Maputo, para debater a importância e o campo de actuação do DevOps, um conjunto de práticas de desenvolvimento de software combinadas com as operações de tecnologia de informação de modo a agregar valor ao produto final.

Promovido pela comunidade tecnológica, Lepsta Developers Maputo, em parceria com a Incubadora de Negócios do Standard Bank, o encontro tinha por objectivo debater o conceito de DevOps, seus campos de actuação e a importância do seu estudo, aplicabilidade, assim como o seu ciclo de desenvolvimento.

Com esta iniciativa, os promotores pretendem igualmente, reunir a comunidade de desenvolvedores e interessados na área das tecnologias de informação e comunicação para obter a noção de como é que o ecossistema funciona e cresce, de modo a expandir as técnicas de programação futuristas, visando dinamizar o progresso da comunidade de desenvolvedores, no País.

Abordado, momentos após o encontro, o orador principal, Edgêncio da Calista, software developer da Jembi Health Systems NPC, explicou que DevOps tem sido adoptado a nível de equipas de desenvolvimento de software, assim como pelo pessoal que gere as infraestruturas de tecnologias de informação.

“É uma cultura que está a ganhar terreno e visibilidade ao nível do mercado local e internacional”, disse, realçando que em Moçambique as pessoas já estão em sintonia com o que está a acontecer no âmbito das tecnologias de informação e comunicação.

Para um dos desenvolvedores que participou no evento, Leonardo Banze, o encontro serviu para ter a noção sobre os objectivos da aplicação do DevOps: “Percebi que se trata de tirar vantagens para o futuro, pois a sua implementação tem a ver com uma nova cultura e uma nova forma de trabalhar”, frisou.

Leonardo Banze sustentou que o DevOps é aplicável nas empresas, cujo foco assenta no desenvolvimento de uma determinada cultura, sendo que o DevOps torna essa cultura mais eficaz.

Por sua vez, Obadias Pelembe, desenvolvedor da Robobo INC, referiu que o DevOps ajuda aos empreendores a seguirem o melhor caminho para atingir os seus objectivos de forma eficiente.

“Fiquei a saber que nos projectos, primeiro, tem que se fazer a prospecção e depois automatizar os processos operacionais necessários em cada etapa”, concluiu.

Importa realçar que a Incubadora de Negócios do Standard Bank é um empreendimento concebido no âmbito da visão e estratégia do banco, cuja materialização passa pela implementação de iniciativas que fomentam a inovação e o empreendedorismo, que são os mentores do crescimento económico do País.

Para além do espaço físico, a incubadora oferece desde a formação até à interação com outras empresas e órgãos ou entidades governamentais, tendo em vista a criação de condições para o surgimento e estabelecimento de empreendimentos sustentáveis, que terão um impacto positivo na economia e na sua cadeia de valores, gerando riqueza e inclusão financeira para os cidadãos.In “Olá Moçambique” - Moçambique

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Angola - Apoia criação de canal de televisão lusófono

A indicação foi dada pelo ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Domingos Augusto, em entrevista à Euronews





O chefe da diplomacia angolana referiu que "a comunicação entre povos é fundamental, especialmente quando falam a mesma língua. Através dessa comunicação poderemos estar a par sobre o que cada um de nós faz e descobrir até oportunidades ou debilidades que podem ser depois objeto de empenho das autoridades e das respetivas sociedades civis para tornar a comunidade mais harmoniosa".

Em janeiro, a ideia de um canal de televisão lusófono foi referenciada pelo deputado português Jorge Lacão, à margem dos trabalhos da VIII Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP), que decorreu na capital de Cabo Verde, Praia.

O canal lusófono, explicou, seria "partilhado pelos vários canais de televisão dos vários países, com uma dimensão à escala planetária".

A ambição da CPLP em criar um canal de televisão internacional já existe há pelo menos 12 anos, mas nunca saiu do papel. In “Plataforma” - Macau

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

São Tomé e Príncipe – Guarda Costeira e Marinha portuguesa retomam comunicação rádio

A primeira comunicação radio-HF (High Frequency) em fonia, entre a Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe e a Marinha portuguesa, interrompido há mais de 40 anos, realizou-se sexta-feira, às 13h45, hora de Lisboa.

Esta primeira comunicação, inserida no âmbito da missão de capacitação da Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe, assinala o marco de funcionamento da estação de rádio “Almada Negreiros” da base operacional da Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe, explica um comunicado da Marinha.

“Esta capacidade constitui uma mais-valia para a coordenação de meios de busca e salvamento marítimo e para a coordenação das missões de vigilância patrulha nas águas são-tomenses e da região do Golfo da Guiné”, adianta o mesmo documento.

Mensagem em rádio tele-impressão

Foi igualmente realizada a primeira mensagem em rádio tele-impressão, recebida na estação “Almada Negreiros” a partir do Centro de Operações Marítimas da Marinha (COMAR).

Relembre-se que o navio reabastecedor “Bérrio” e a patrulha “Zaire” partiram para São Tomé e Príncipe no passado dia 3 de Janeiro. O “Bérrio” transportou a bordo diverso material e equipamentos que têm como objectivo principal capacitar e apoiar a Guarda Costeira de STP.

A equipa de instalação da Marinha Portuguesa concluiu na quinta-feira a montagem de duas antenas que permitem a partir de agora estabelecer comunicações rádio de voz cobrindo toda a Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe e comunicar directamente para Portugal.

Operações de mergulho

Simultaneamente, tem decorrido outras actividades levadas a cabo pela equipa de instalação do patrulha “Zaire”, nomeadamente a avaliação das condições de atracação no porto de Neves, na costa Norte da ilha, onde foram realizadas operações de mergulho, recolha de informação sobre as profundidades no local (sondagens), recolha de imagens e contactos com população local. João Borges – Portugal in “Agricultura e Mar Actual” 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Comunicação

“A Necessidade de uma Mídia Lusófona Global”

“Recentemente dois artigos no Jornal eletrônico galego “Portal galego da Língua” chamaram minha atenção sobre o caso de como é valorizado o galego – português no mundo. E dizer a cultura lusófona ou luso – galaica. Um dos artigos focava sua advertência sobre a grande injustiça que tem sofrido o Brasil – eu acrescentaria toda a Lusofonia – a respeito dos prêmios Nobel.

Em outras ocasiões diários como “El país” (de Espanha) na sua edição especial dos domingos dedicada a negócios tem incluído ao Brasil com um membro mais da cena Latino-americana, comparando o gigante sul Americano e 5ª potência econômica mundial, com países como o Uruguai, a Argentina ou o México... nos dias de hoje com muito menos poder regional e global.

Mesmo alguns autores têm falado abertamente dum Brasil onde espanhol e português vão da mão, quase que em um idílio próprio de um país bilíngue, esquecendo a crescente demanda do português na América do Sul, e no mundo... ou casos como os do Uruguai ou a Guiné Equatorial, onde o português tem categoria de língua oficial.

Porque então se estão a dar estes agravos?

Simplesmente porque ao invés do inglês ou, em menor medida do caso do espanhol, que já são línguas com poder global e presença a nível internacional; o português não está usufruindo do grande poder regional e global que países emergentes como o Brasil ou Angola, estão tendo no cenário atual.

Daí que falemos da necessária criação – para já – duma mídia global lusófona.

Parece mentira que Brasil ou Angola, mesmo Portugal, não tenham pesquisado já esta oportunidade. Uma mídia global lusofonia ofereceria imediatamente um aumento da presença e do poder global da cultura lusófona em todo o mundo.

Facilitaria o relacionamento entre países lusófonos e falantes desta área com o resto do mundo. Implementaria o acréscimo de valor nos PIB de cada país respectivo, subindo a percentagem percebida por receitas derivadas deste labor em empresas, direta ou indiretamente, relacionadas com a cultura e a língua.

Criaria a nível planetário uma marca de cultura no campo da música, literatura, arte, ciência e tecnologia, que proporcionaria mais desenvolvimento, maior número de parcerias e progressivo sucesso em todos estes campos do saber.

Relacionaria ao português com resto as línguas globais em pé de igualdade o qual ampliaria a demanda deste no mundo. Traria também novos insumos no labiríntico universo das tecnologias em rede, ajudando a criar relacionamentos muito interessantes, dentro e fora da lusofonia.

Em fim, muitos mais aspetos que em este artigo não daria espaço para especificar. Mas o mais importante faria dos países lusófonos e do campo lusófono um espaço aberto ao mundo, o qual daria a este espaço lusófono mais capacidade intervenção, relacionamento, criação de pensamento e pelo tanto influência a nível global.

Nada mais a acrescentar.

Aguardo agora potencias como Brasil, Portugal e Angola, darem esse passo decisivo para definitivamente colocar o poder global lusófono no lugar que lhe corresponde pelo peso específico que hoje já tem no mundo.” Artur Alonso – Galiza     in “Portal Galego da Língua”