Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 9 de maio de 2023

Luxemburgo - No final de 2021 viviam no país quase 110 mil portugueses

Desde o recenseamento de 2011, a população estrangeira do Luxemburgo aumentou quase 38%, atingindo, em 8 de novembro de 2021, 304 051 pessoas, representando 47,2% da população total (643 941)

Os cidadãos originários de países da União Europeia representam 38,2% da população residente e quase 80,9% da população estrangeira que vive no Grão-Ducado. Os portugueses eram, em novembro de 2021, data do último recenseamento, a primeira nacionalidade estrangeira no país com 93659 pessoas (ou seja, 14,5% da população total), aos quais há que somar 15510 que detêm dois passaportes: português e luxemburguês.

O recenseamento de 2021 não tem em conta os lusodescendentes. Um luxemburguês filho de pais portugueses não entra, naturalmente, nestes números, o que tornará a população portuguesa ou lusodescendente muito mais representativa.

Há portugueses de norte a sul do Luxemburgo, mas alguns municípios registavam percentagens superiores a 30%: Larochette, Vianden e Differdange. No mapa a seguir pode ver-se que há portugueses em todas as localidades; quanto mais escuro mais portugueses vivem nessa comuna.



A 8 de novembro de 2021, existiam 339890 pessoas com nacionalidade luxemburguesa, ou seja, um aumento de 16,5% face a 2011, o que se pode também atribuir à naturalização de muitos estrangeiros. Os luxemburgueses de nascimento representavam no final de 2021 50,7% da população.

Em 8 de novembro de 2021, 573629 pessoas tinham uma única nacionalidade, 67594 duas nacionalidades, 2690 três nacionalidades e 28 até quatro nacionalidades.

Encontravam-se no Luxemburgo 180 nacionalidades à data do recenseamento (novembro de 2021). Entre as dez nacionalidades estrangeiras mais numerosas no Grão-Ducado, oito são nacionalidades da UE: os portugueses vêm em primeiro lugar (14,5% da população total), seguidos dos franceses (7,6 %), os italianos (3,7%), os belgas (3,1%), os alemães (2,0%), os espanhóis (1,3%), os romenos (1,0%) e, finalmente, os poloneses (0,8%). As duas últimas nacionalidades neste “top ten” não são de países da União Europeia: os britânicos (0,7%) e os chineses (0,6%).

A idade média da população do Grão-Ducado do Luxemburgo é de 39,7 anos. Existem, no entanto, diferenças significativas entre luxemburgueses e estrangeiros. Com efeito, a idade média dos luxemburgueses é superior à dos estrangeiros: 41,3 anos contra 37,9 anos, ou seja, 3,4 anos de diferença.

Entre os recenseamentos populacionais de 2011 e 2021, a população aumentou em 131588 pessoas (+25,7%). Nos últimos dez anos, o número de luxemburgueses evoluiu mais lentamente do que a população estrangeira: eram 291831 em 2011 contra 339890 em 2021 (+16,5%). Este aumento deve-se sobretudo ao maior número de aquisições de nacionalidade luxemburguesa na sequência da lei de 2008, que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2009, facilitando os processos de obtenção da nacionalidade. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Nações Unidas -Todos os países de língua portuguesa caíram no ranking do desenvolvimento humano

A Suíça lidera pela primeira vez a classificação de 191 países no Índice de Desenvolvimento Humano. A Crise da pandemia, impactos na economia e baixa expectativa de vida afetaram as nações lusófonas; Portugal está na posição mais alta do grupo de nove economias, enquanto Moçambique está mais abaixo


As Nações Unidas publicaram esta quinta-feira o Relatório de Desenvolvimento Humano 2021/2022.

A publicação com o título “Tempos incertos, vidas instáveis: Construir o futuro num mundo em transformação”, observa uma reversão de cinco anos no progresso em todo o mundo.

Estado do progresso

Em conversa com a ONU News, o diretor do Escritório de Desenvolvimento Humano, Pedro Conceição, explicou as razões para o declínio global no desenvolvimento que marca uma estagnação inédita em 32 anos.

“O Índice de Desenvolvimento Humano, desde que nós começamos em 1990 e até 2019, tem vindo sempre a aumentar. Em 2020 e em 2021, pela primeira vez, decaiu a nível global. Todos os anos há alguns países em que o desenvolvimento humano cai normalmente - um em cada 10. Nos últimos dois anos, no período 2020 – 2021, nove em cada 10 países viram uma queda do Índice de Desenvolvimento Humano. Por isso, isto é uma manifestação com números quantitativos, deste retrocesso e deste passo atrás no desenvolvimento, que se reflete também um passo atrás que temos estado no progresso para os outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

A análise considera variáveis como saúde, educação e rendimento médio de uma nação. Pela primeira vez, a Suíça lidera o ranking de desenvolvimento humano graças ao aumento da expectativa de vida e à recuperação do seu rendimento per capita, após o fim de todas as restrições da Covid-19. 

No top 10, estão Noruega, Islândia, Região Administrativa Especial de Hong Kong na China, Austrália, Dinamarca, Suécia, Irlanda, Alemanha e Países Baixos.

Entre os países de língua portuguesa, Portugal está na posição 38. Segue-se o Brasil em 87º, Cabo Verde na posição 128, São Tomé e Príncipe no lugar 138, Timor-Leste 140º e Guiné Equatorial colocada em 145º da lista. No lugar 148 do índice está Angola, seguida pela Guiné-Bissau, na posição 177, e Moçambique que é o 185º colocado na classificação.

O autor da pesquisa disse que nas nações lusófonas as razões para a queda do desenvolvimento humano divergem, mas a tendência é global.

“Por exemplo, no Brasil, em Cabo Verde e em Moçambique, o fator principal na queda do Índice de Desenvolvimento Humano foi o decréscimo na esperança média de vida à nascença, que decresceu quase dois anos nestes países. Em países como Angola, por exemplo, ou Portugal, o crescimento do índice de desenvolvimento humano deveu-se mais a contração económica. Houve também um decréscimo na esperança média de vida, mas de menos de um ano. Comparado com a generalidade do que aconteceu em todos os países, foi uma queda não muito elevada. Por isso, eu diria que houve uma queda, como na generalidade dos países, não tão elevada.”

O relatório recomenda aos países que implementem políticas com foco no investimento em três áreas essenciais: energia renovável, preparação para pandemias e segurança, incluindo a proteção social. O objetivo é organizar as sociedades para os altos e baixos de um mundo com incertezas.


Cálculos

O documento ressalta que a inovação em vertentes tecnológicas, económica, cultural também pode desenvolver capacidades para responder a quaisquer desafios que venham a surgir.

As conclusões sobre dimensões-chave do desenvolvimento humano como uma vida longa e saudável, acesso à educação e um padrão de vida digno incluem cálculos sobre esperança de vida ao nascer, média de anos de escolaridade, expectativa de anos de escolaridade e rendimento nacional bruto per capita.

Em termos regionais, houve declínios acentuados na América do Sul, na África Subsaariana e no Sul da Ásia.

Entre os maiores fatores para as quedas na classificação global destaca-se a série de restrições na pandemia. Outras razões foram eventos extremos como secas e inundações recordes em 2021, declarado como o ano mais quente já registado. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Lusofonia - Índice de Percepção da Corrupção 2021


Na edição de 2021 do Índice de Percepção da Corrupção, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa continua a demonstrar enormes debilidades, sendo claros os problemas de corrupção no setor público.

Dos nove países que constituem a CPLP, apenas São Tomé e Príncipe piorou a pontuação em relação ao ano anterior, enquanto Brasil e Cabo Verde mantiveram o mesmo valor. Todos os restantes melhoraram, ainda que não se trate de variações significativas.

À exceção de Portugal e Cabo Verde, todos os países da CPLP têm uma pontuação inferior a 50 – numa escala de 0 (percecionado como muito corrupto) a 100 (muito transparente). Dos nove, apenas quatro estão posicionados acima do meio da tabela: Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.


O Índice de Percepção da Corrupção (IPC), organizado pela TI, classifica 180 países e territórios pelos níveis de percepção da corrupção no setor público, numa escala de zero (altamente corrupta) a 100 pontos (limpa da percepção de corrupção).

Moçambique ganhou um ponto no Índice de Percepção da Corrupção 2021, divulgado hoje pela organização Transparência Internacional, o que lhe permitiu subir da 149.ª para a 147.ª posição.

Pese embora a melhoria em relação à edição de 2020, tal não retira o país lusófono do grupo de maiores retrocessos na África subsaariana – ao lado da República do Congo, Maláui, Madagáscar, Libéria e Zâmbia – por acumular seis pontos perdidos desde 2012, nota a organização.

Do lado oposto está Angola, que subiu oito pontos desde 2014 e integra o grupo dos países com maiores progressos.

A organização Transparência Internacional (TI) tem alertado Moçambique para a necessidade de haver esforços concertados para apoiar “a transparência e a responsabilização”, caso contrário o país arrisca-se a entrar numa “espiral descendente”, como referiu em 2021 Mokgabo Kupe, conselheira da TI para a África Austral.

O Centro de Integridade Pública (CIP), organização não-governamental (ONG) moçambicana, considerou no último ano haver melhorias nas leis anticorrupção do país desde 2004, mas deixou o alerta de que não estão a produzir efeitos, apelando a reformas mais profundas.

A média da África subsaariana no índice de 2021 é de 33 pontos, a mais baixa do mundo, e 44 países classificam-se abaixo dos 50 pontos.

Quanto aos outros países lusófonos, Portugal surge no índice na 33.ª posição com 62 pontos, seguido por Cabo Verde (39.ª posição, 58 pontos); São Tomé e Príncipe (68.ª posição, 45 pontos); Timor-Leste (82.ª posição, 41 pontos); Angola (136.ª posição, 29 pontos), Guiné Bissau (162.ª posição, 21 pontos) e Guiné Equatorial, que está na 171.ª posição, com apenas 17 pontos, e merece algumas considerações particularmente críticas no relatório anual da organização não-governamental (ONG) sediada em Berlim.

Angola

Angola é um dos países da África Subsariana com maiores progressos no Índice de Percepção da Corrupção 2021, que assinala uma “melhoria significativa” do país após a eleição do Presidente, João Lourenço.

Angola – que no IPC 2021 tem 29 pontos, mais 7 pontos desde o índice de 2012 – regista “uma melhoria significativa” na sequência da eleição do Presidente, João Lourenço, em 2017, que tomou medidas significativas para quebrar a corrupção, assinala o relatório da TI.

“As autoridades têm levado a cabo investigações de corrupção de alto nível a membros da antiga família dominante, entre eles, a filha do ex-presidente e ex-chefe da companhia petrolífera estatal Sonangol, Isabel Dos Santos – exposta pela investigação ‘Luanda Leaks’ e recentemente indicada pelo governo dos EUA por ‘corrupção significativa’”, assinala a Transparência Internacional.

O relatório ressalva, porém, outra circunstância: “As investigações raramente são abertas noutros casos, levantando dúvidas sobre a existência de justiça seletiva”.

A organização sublinha mesmo que “num inquérito de 2019, 39 por cento dos angolanos disseram que o Presidente estava a utilizar a luta contra a corrupção como um instrumento contra rivais políticos e a maioria disse também que aqueles que denunciaram corrupção correm o risco de retaliação”.

Guiné Equatorial

No outro lado do espectro, a Guiné Equatorial estagnou no fundo do IPC com 17 pontos, e o país “continua a ser uma cleptocracia”, acusa o relatório, que ilustra a recente acusação.

O relatório da TI dá relevo à investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês), cujo projeto “Organized Crime and Corruption Reporting Project” acusou no início do ano Gabriel Mbega Obiang Lima, filho do Presidente Teodoro Obiang e ministro para as Minas e Hidrocarbonetos da Guiné Equatorial, de “desviar para o estrangeiro milhões provenientes de fundos estatais e subornos”.

O texto da Transparência Internacional saúda, por outro lado, a decisão definitiva da justiça francesa, cuja sentença em julho último determinou o confisco de 150 milhões de euros em bens arrestados em França a outro filho do chefe de Estado da Guiné Equatorial, o vice-presidente ‘Teodorin’ Obiang.

“Foi feita alguma justiça no caso de outro membro da família Obiang”, assinala a Transparência Internacional, num processo judicial em que a organização fez parte do conjunto de entidades queixosas.

Brasil

O relatório da Transparência Internacional faz uma referência a outro país da lusofonia, o Brasil, na pessoa do seu Presidente, Jair Bolsonaro, que “usou a luta contra a corrupção como bandeira de campanha para atrair um eleitorado desiludido com a política tradicional, cansado da corrupção e a exigir o respeito pelos direitos humanos”.

Porém, “ao contrário das promessas”, não só a TI não regista “progressos na luta contra a corrupção”, como assinala a tomada de “medidas antidemocráticas, violadoras dos direitos e regressivas no combate àquele mal”, de acordo com o texto, que não pormenoriza as mesmas.

Quanto à África Subsariana, em termos gerais, a TI sublinha que, de acordo com os últimos inquéritos do Afrobarómetro, a maioria da população africana acredita que a corrupção está a aumentar, ao mesmo tempo que expressa insatisfação com a forma como a democracia funciona.

“Isto não é surpreendente”, assinala a TI, explicando que “a corrupção persistente tem andado de mãos dadas com mudanças inconstitucionais de poder em várias partes do continente”.

Noutro domínio, também nesta região do mundo os governos impuseram restrições desproporcionadas às liberdades civis em muitos países – muitas vezes sob o pretexto de conter a expansão da pandemia de covid-19.

“Os resultados do IPC 2021 devem servir como um alerta para as sociedades de toda a África Subsariana. A magnitude dos desafios da corrupção exige as respostas mais arrojadas de sempre”, defende a TI.

“Os governos devem reconhecer que o progresso sustentável na luta contra a corrupção só pode ser alcançado se forem garantidos os controlos societais e institucionais do poder”, acrescenta.

A pandemia de covid-19, por outro lado, “não pode ser usada como desculpa para os governos restringirem o direito das pessoas à informação ou à liberdade de expressão”, acrescenta a ONG. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”




 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

França - Jovem senegalês ganha prémio literário mais importante do país

O escritor senegalês Mohamed Mbougar Sarr, de 31 anos, foi galardoado quarta-feira com o prémio Goncourt 2021, a distinção literária mais importante de França.

Sarr tornou-se o primeiro escritor de África Subsaariana a vencer este concurso com a obra "La plus secrète mémoire des hommes", que em português significa "A mais secreta memória dos homens".

O livro conta a história de um jovem escritor senegalês que pretende resgatar a memória de um autor que ficou conhecido como o "Rimbaud Negro" depois da publicação de um livro em Paris, em 1938, que gerou controvérsia.

Na história, o personagem principal vai confrontar-se com o colonialismo africano e o Holocausto e viaja por três países chave: Senegal, França e Argentina. O presidente da Academia Goncourt, Didier Decoin, defendeu que o livro é um verdadeiro “hino à literatura".

Mohamed Sarr nasceu no Senegal, em 1990, e sempre teve resultados escolares de excelência. Em Paris, dedicou-se ao estudo da literatura africana e deixou o doutoramento em suspenso para dedicar-se inteiramente ao mundo da escrita. Apesar disso, o jovem não é um novato nesta área, uma vez que este é o seu quarto livro.

Mohamed Sarr publicou a sua primeira obra literária "Terra ciente" aos 24 anos, em 2014, livro que lhe valeu 3 prémios literários. A obra abordava a vida quotidiana numa vila dominada por jihadistas.

Seguiu-se a obra "Silence du chœur", em 2017, que foi condecorada por duas vezes e que se foca em temáticas relacionadas com a vida dos imigrantes na Sicília.

Por seu turno, em 2018, lançou "De purs hommes", um livro que aborda a homossexualidade no continente africano.

Agora, em 2021, com a conquista deste prestigiado galardão francês, o autor vai tornar-se ainda mais lido no mundo, uma vez que o prémio é conhecido por fazer disparar as vendas dos autores vencedores.

Em entrevista aos jornalistas, Mohamed Sarr mostrou-se muito feliz com este reconhecimento: "Eu sinto muita alegria".

O escritor defendeu ainda que "não há idade na literatura. Pode chegar-se muito jovem, aos 30, aos 67, aos 70 ou ser-se muito velho".

Em 2020, o mesmo prémio foi atribuído a Hervé Le Tellier, com o romance "A anomalia", que foi editado em Portugal pela Presença e que obteve no horizonte temporal de 1 ano, mais de 1 milhão de vendas.

Em 2019, Jean-Paul Dubois sagrou-se vencedor com a obra "Tous les hommes n'habitent pas le monde de la même façon", o que traduzido quer dizer “Nem todos os homens vivem da mesma maneira no mundo”. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau com “RFI”



 

domingo, 24 de outubro de 2021

Países Baixos - Angolano Israel Campos nomeado para prémio de jornalismo

O jornalista angolano Israel Campos está entre os nomeados na edição de 2021 do Free Press Award, uma iniciativa da Free Press Limited, organização não-governamental holandesa que se bate pela liberdade de imprensa e pela defesa dos direitos de jornalistas em todo o mundo

De 21 anos, Israel concorre à categoria de Revelação do Ano em Jornalismo (Newcomer of the Year Award), em que se distinguem jovens talentos que tenham "um forte desempenho" no exercício da profissão. "Todos os indicados demonstram compromisso excepcional com a liberdade de imprensa, cobertura independente e usam métodos inovadores para divulgar informações", lê-se no comunicado de imprensa, que adianta que o anúncio dos vencedores será feito a 2 de Novembro, durante uma cerimónia em Haia, Países Baixos.

Filho do também jornalista Graça Campos, ao Novo Jornal, Israel Campos reage à indicação com um misto de sentimentos, pois, se por um lado demonstra o "reconhecimento" pelo trabalho que desenvolve, por outro, evidencia que o mundo "está atento ao que se passa em Angola" e identifica no País "graves problemas" no que diz respeito à liberdade de imprensa.

"Esta nomeação deveria servir de reflexão para as nossas instituições", comenta o jornalista, criticando a actuação dos órgãos de comunicação sob a tutela do Estado. "Só prevalece em Angola, hoje, a visão de quem é do MPLA e todas as vozes que se levantam contra as más práticas do Governo são taxadas como vozes da oposição", lamenta.

A licenciar-se em Jornalismo pela City University of London, Israel Campos foi, em Abril deste ano, proibido de voltar a fazer trabalhos ao vivo na Rádio Luanda, estação em que trabalha desde os 13 anos, após ter lido, no programa Viva a Noite, a crónica de um activista sobre os estragos da chuva na capital angolana. Onélio Santiago – Angola in “Novo Jornal”

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Lusofonia - Escritora moçambicana Paulina Chiziane vence Prémio Camões

A escritora moçambicana Paulina Chiziane é a vencedora do Prémio Camões 2021, numa escolha feita por unanimidade, anunciou hoje a ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca



"No seguimento da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões, que decorreu no dia 20 de outubro, a ministra da Cultura anuncia que o Prémio Camões 2021 foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane", lê-se na nota informativa hoje divulgada.

“O júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio à escritora moçambicana Paulina Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o reconhecimento académico e institucional da sua obra”, pode ler-se na nota.

O júri referiu também a importância que dedica nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana. O júri sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na construção de pontes entre a literatura e outras artes.

Paulina Chiziane "está traduzida em muitos países, e é hoje uma das vozes da ficção africana mais conhecidas internacionalmente, tendo já recebido vários prémios e condecorações", conclui-se na mensagem.

Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, Moçambique, em 1955. Estudou Linguística em Maputo. Atualmente, vive e trabalha na Zambézia.

Ficcionista, publicou vários contos na imprensa.

Publicou o seu primeiro romance, "Balada de Amor ao Vento" (1990), depois da independência do país, que é também o primeiro romance de uma mulher moçambicana.

"Ventos do Apocalipse", concluído em 1991, saiu em Maputo, em 1993, como edição da autora e foi publicado em Portugal, pela Caminho, em 1999, antecedendo a publicação de "Balada de Amor ao Vento", em Portugal, pela mesma editora, em 2003.

A Caminho possui aliás os títulos da autora publicados em Portugal: "Sétimo Juramento" (2000), "Niketche: Uma História de Poligamia" (2002), "O Alegre Canto da Perdiz" (2008).

Da sua obra fazem igualmente parte "As Andorinhas" (2009), "Na mão de Deus" e "Por Quem Vibram os Tambores do Além" (2013), "Ngoma Yethu: O curandeiro e o Novo Testamento" (2015), "O Canto dos Escravos" (2017), "O Curandeiro e o Novo Testamento" (2018).

O júri da 33.ª edição do Prémio Camões foi constituído pelos professores universitários Ana Martinho e Carlos Mendes de Sousa (Portugal), pelo escritor e investigador Jorge Alves de Lima e pelo professor universitário Raul César Fernandes (Brasil), e pelos escritores Tony Tcheka (Guiné-Bissau) e Teresa Manjate (Moçambique).

No Brasil, está editada apenas a obra "Niketche: Uma História de Poligamia".

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil, com o objetivo de distinguir um autor "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum".

Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, e publicado em novembro do mesmo ano, o prémio consagra anualmente “um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga.

Em 2019, o prémio distinguiu o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, autor de "Leite Derramado" e "Budapeste", entre outras obras; em 2020, o professor e ensaísta português Vitor Aguiar e Silva.

Portugal e Brasil lideram a lista de distinguidos com o Prémio Camões, com 13 premiados cada, seguindo-se Moçambique, agora com três laureados, Cabo Verde, com dois, mais um autor angolano e outro luso-angolano.

A história do galardão conta apenas com uma recusa, exatamente a do luso-angolano Luandino Vieira, em 2006. In “Sapo Mag” – Portugal com “Lusa”




quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Lusofonia - Maria Ângela Carrascalão “Prémio Mérito Lusófono é para todos os timorenses”


Díli – Maria Ângela Guterres Viegas Carrascalão é a vencedora do Prémio Mérito Lusófono 2021. A premiada defendeu que é um prestígio, não só para si mesma, mas para todos os timorenses, particularmente para os estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL).

“O prémio não visa distinguir apenas o meu papel no desenvolvimento da língua portuguesa, especialmente na área do ensino superior, mas abrange também o Estado timorense, pois consagrou-a como língua oficial, a par do Tétum, a UNTL, pelo seu esforço em desenvolvê-la, a Faculdade de Direito, por ter sempre ensinado em português, e os meus alunos, pela sua coragem e determinação em aprenderem Direito em português”, informa Maria Ângela Guterres Viegas Carrascalão, à Tatoli, via WhatsApp.

A jurista timorense defendeu ainda a importância da língua portuguesa em Timor-Leste, como “marca fundamental da nossa identidade cultural e histórica, que nos distingue na área geográfica em que estamos inseridos”.

A ex-Ministra da Justiça de Timor-Leste revelou também que “a minha obrigação, no que souber e puder, é contribuir para o sucesso e a consolidação do país a que pertenço, com a convicção de que também estou a ajudar na edificação do Estado de Timor-Leste para se afirmar como Estado e Nação. Para ser diferente do contexto geográfico em que se situa, o país precisa de marcar a sua posição como Estado soberano no mundo globalizado, o que passou pela adoção da língua portuguesa como língua oficial e também pela sua inclusão na CPLP, que conta com estados-membros espalhados pelos quatro cantos do mundo”.

A quinta edição da Gala dos Prémios da Lusofonia realizar-se-á no próximo dia 23 de outubro de 2021 em Lisboa, Portugal.

Maria Ângela Guterres Viegas Carrascalão é natural de Liquiçá, Timor-Leste. Tem nacionalidade timorense e portuguesa. É Mestre em Direito pela Faculdade de Direito de Timor-Leste e, atualmente, Doutorada em Ciências Jurídico-Políticas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Jurista, com uma vasta experiência de ensino, ministrou Direito Internacional Público bem como Propedêutica do Direito, tendo sido, ainda, Docente Convidada do Instituto Diplomático. Todas estas funções estão vinculadas à Universidade de Timor-Leste.

Escreveu o livro “Timor, os Anos da Resistência” (Factos e documentos sobre a luta da Resistência Timorense pela Independência), publicado em 2002; já em 2012, editou a obra “Taur Matan Ruak, a Vida pela Independência”, uma obra biográfica.

Como atividade profissional, para além da docência exercida na Faculdade de Direito da UNTL, foi consultora jurídica e administradora da firma de advogados Vasco Vieira de Almeida & Associados (em Lisboa), tal como tradutora de tétum para português. Exerceu funções em Melbourne, Austrália, como correspondente da Rádio SBS (num programa falado em língua portuguesa). Foi editora e redatora do jornal Lia Foun (bilingue, em português e tétum) e na Timor Telecom ministrou formação em língua portuguesa. Foi também editora e documentalista em alguns dos principais jornais da imprensa portuguesa.

Ao nível do desempenho de cargos públicos, sublinhamos o facto de ter assumido, em 2017, após nomeação pelo Presidente da República, as funções de Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial. Nesse mesmo ano, tornou-se Ministra da Justiça do VII Governo Constitucional do seu país. Afonso do Rosário – Timor-Leste in “Tatoli”


 

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Portugal - Seminário Internacional de Cinema Doc’s Kingdom 2021 regressa a Arcos de Valdevez

“O Movimento das Coisas” é o ponto de partida da presente edição do Seminário Internacional de Cinema Doc’s Kingdom, que regressa a Arcos de Valdevez de 1 a 5 de Outubro. O Seminário Doc’s Kingdom é organizado desde 2000 pela Apordoc — Associação pelo Documentário, também responsável pelo Festival Doclisboa


O único filme realizado por Manuela Serra — “O Movimento das Coisas” (Portugal, 1986/2021), estreado comercialmente 40 anos depois das filmagens em Lanheses, no Alto Minho — inspira o programa da presente edição, que celebra o reencontro no cinema com a presença de Manuela Serra, Jeannette Muñoz, Jessica Sarah Rinland, Naomi Uman e Sílvia das Fadas, entre outras realizadoras a anunciar.

Com um programa secreto até ao início de cada projecção, o Doc’s Kingdom 2021 reúne gestos que nos convocam para uma experiência táctil do cinema, incluindo um programa inédito de sessões especiais em 16mm, a partir do diálogo entre obras e cineastas que imaginam o lugar da comunidade na fragilidade do encontro e na sensibilidade do contacto, aí encontrando a sua força e a sua forma singulares.

O Doc’s Kingdom arranca na tarde de sexta-feira, 1 de outubro, com a conferência "A Vez do Cinema", organizada em parceria com o Cineclube de Arcos de Valdevez. A conferência reúne delegados de projectos — salas, laboratórios, escolas, livrarias ou residências artísticas — que são exemplares na sua dimensão simultaneamente local e internacional. Estão confirmadas, entre outras, as participações de Ao Norte (Viana do Castelo), Casa do Xisto (Barcelos), Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto), Filmaporto Film Commission (Porto), Laboratório da Torre (Porto), Numax (Santiago de Compostela), Rua Escura (Porto), para além do Flaherty Film Seminar (Nova Iorque, EUA) e La Vulcanizadora (Santa Marta, Colômbia).

Originalmente inspirado pelo seminário Flaherty, o Doc’s Kingdom mantém as mesmas características distintivas desde a sua primeira edição em 2000: ao longo de uma semana, o mesmo grupo vê filmes e conversa informalmente sobre eles; cada jornada inclui sessões de filmes de diferentes cineastas, propondo o diálogo entre os autores presentes e um debate coletivo aberto a todos os participantes, sem distinções hierárquicas entre realizadores, estudantes, professores, espectadores e organizadores; desde 2013, para encorajar a participação integral no seminário e intensificar a experiência de imersão total, o seminário não divulga antecipadamente o programa de filmes; ao longo do programa intensivo de projecções e debates, a experiência passa também pelo encontro com o lugar onde se realiza o Doc’s Kingdom, promovendo a relação com a comunidade local.

Contrariando a dimensão quantitativa dos festivais e a formatação do espaço académico, o que aqui se propõe é uma experiência de cinema e uma experiência humana global, que desejavelmente se tornem uma só coisa. Este encontro visa proporcionar um salto no conhecimento e na visão de quem nele participa. Por um lado, através da experiência concentrada de projecções e debates. Por outro, usando como catalisadores a própria vivência de grupo e a oportunidade de mergulho num lugar inspirador, que extrai os participantes aos seus diferentes contextos habituais, convidando-os para uma experiência de imersão total.

O seminário insiste na dimensão colectiva desta experiência, propondo um programa único para todos os participantes, sem eventos paralelos e sem alinhamento prévio: em cada sessão, o grupo entra na sala de cinema sem mapa, aliando a disponibilidade e o risco para cooperar numa experiência que não pode antecipar. Doc's Kingdom - Portugal


quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Macau - Tem uma das bandas largas mais rápidas do mundo, Portugal em 34.º, Brasil em 68.º

Com 128,56 Mbps, a RAEM está no top 10 das velocidades de banda larga mais rápidas do mundo, à frente de países ou regiões como o Reino Unido, Japão, Estados Unidos ou Hong Kong. Portugal, com uma velocidade de 63,03 Mbps, quedou-se pela 34.ª posição e a China, a passo de caracol com 2,06 Mbps, ocupa a 206.ª posição. Os resultados foram tornados públicos pela Cable.co.uk.


Muitos se queixam da velocidade da Internet em Macau, mas afinal o território é bafejado com uma das mais rápidas bandas largas do mundo. Com 128,56 Mbps, a RAEM ocupa a sétima posição de um ranking de 224 países ou regiões, tornado público pela  Cable.co.uk.

O território só é batido por Jersey, Liechtenstein, Islândia, Andorra, Gibraltar e Mónaco, todos territórios pequenos e todos situados na Europa. O top 10 é ainda composto pelo Luxemburgo, pelos Países Baixos e pela Hungria. Singapura, outra região asiática, surge na 11.ª posição com uma velocidade de banda larga na ordem dos 97,61 Mbps.

Para a obtenção desta média, em Macau efectuaram-se 2005 testes a IPs únicos, num total de 6972 testes. A título de exemplo, o download de um filme de 5Gb dura, em média, no território cinco minutos e dezanove segundos.

Estranhamente ou não, países altamente desenvolvidos ou em franco desenvolvimento possuem bandas largas de Internet com valores que podem ser considerados baixos. Os Estados Unidos da América, por exemplo, apresentam uma velocidade de banda larga na ordem dos 92,52 Mbps. Já o Japão, que ocupa a 13.ª posição do ranking, tem uma banda larga que debita 96,36 Mbps. O Reino Unido, na 43.ª posição, tem uma banda larga com velocidade de 51,48 Mbps. Isto para dar alguns exemplos.


Na esfera da lusofonia, o país ou região com melhor banda larga, se não contarmos com Macau, é Portugal, que ocupa a 34.ª posição do ranking com velocidades de banda larga na ordem dos 63,02 Mbps. Em terras lusas, descarregar um filme com 5Gb pode demorar quase 11 minutos. O Brasil, 68.º lugar, é o país que se segue com uma banda larga a velocidades de 33,34 Mbps, o que significa que o tal filme de 5Gb demorará mais de 20 minutos a ser descarregado.

Cabo Verde, em 149.º lugar com velocidade de banda larga de 7,94 Mbps; Moçambique, a ocupar a 158.ª posição com 7,17 Mbps; Angola no lugar 172 e com velocidades de 5,88 Mbps; São Tomé e Príncipe em 204.º lugar com 2,43 Mbps; Timor-Leste na 219.ª posição e com uma velocidade de 1,33 Mbps; Guiné Equatorial, 220.º com 1,30 Mbps são os restantes países lusófonos, cujo ranking de falantes de português encerra com a Guiné-Bissau, a pior Internet da lusofonia, na posição 221 e com uma banda larga de 1,24 Mbps.

China muitos furos abaixo

Na Grande China, depois de Macau, surge Hong Kong na 15.ª posição mundial e com uma velocidade de banda larga de 91,04 Mbps. Taiwan muito mais abaixo, na 49.ª posição e uma banda larga com velocidades na ordem dos 46,43 Mbps. A República Popular da China, na 209.ª posição com 2,06 Mbps. Foram testados 25052 IPs únicos e um total de mais de um milhão e meio de testes foram feitos na rede chinesa continental. Aqui ao lado, descarregar um filme de 5Gb pode demorar mais de cinco horas. Recorde-se que o domínio e controlo estatal da Internet no Império do Meio pode também explicar as velocidades de navegação tão baixas.

Os países da África do Norte colectivamente tiveram a velocidade média mais baixa em todo o mundo, de 5,68 Mbps, com as nações da Europa ocidental colectivamente a ter uma velocidade média mais rápida regionalmente, de 90,56 Mbps. A velocidade média global da banda larga é de 29,79 Mbps, 20% acima dos 24,83 Mbps em 2020. O pior país é o Turquemenistão com uma banda larga com velocidades de 0,50 Mbps, onde um filme com 5Gb pode durar quase um dia a ser descarregado para ser visualizado.

A Cable.co.ok executou mais de 1,1 mil milhões de testes de velocidade em todo o mundo, tendo testado quase 250 milhões de testes a IPs únicos. Em média mundial, um filme com 5Gb demora uma hora e 43 minutos a ser descarregado. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com




quarta-feira, 12 de maio de 2021

Associação das Universidades de Língua Portuguesa - Abertas candidaturas para o Prémio Fernão Mendes Pinto 2021


A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) já abriu, até 31 de Julho, as candidaturas para a atribuição do Prémio Fernão Mendes Pinto 2021, destinado a estudantes dos países de língua portuguesa.

Em comunicado, a AULP referiu que o prémio galardoa com oito mil euros a uma dissertação de mestrado ou doutoramento, informando que só se poderão candidatar ao prémio as instituições membros da AULP que tenham as quotas em dia.

O prémio, atribuído anualmente por uma acção conjunta entre AULP e CPLP, segundo a mesma fonte, tem o objectivo de contemplar uma dissertação de mestrado ou doutorado que promova a aproximação das comunidades de Língua Portuguesa, explicitando relações entre comunidades de, pelo menos, dois países.

A dissertação a submeter, escrita em português, avançou, tem que ter sido defendida durante o ano civil imediatamente anterior ao da candidatura, salientando que as propostas deverão ser apresentadas por instituições de ensino superior ou institutos de investigação científica membros da AULP, de países de língua portuguesa.

Os trabalhos são agrupados pelas seguintes áreas: “Letras e Artes”, “Ciências Exactas”, “Ciências da Saúde e da Vida”, e “Ciências Sociais e Humanas”. A investigação ganhadora terá publicação a cargo do Instituto Camões.

A mesma fonte realça ainda que o júri será constituído por um conjunto de professores de áreas diferentes e provenientes de instituições de ensino superior de vários países. O presidente da AULP fará parte do júri e é da responsabilidade do conselho de administração nomear os avaliadores por um período de 3 anos.

A AULP é uma Organização Não Governamental (ONG) internacional, fundada em 1986, que promove a cooperação e troca de informação entre universidades e institutos superiores, com membros dos países de língua oficial portuguesa. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sábado, 10 de abril de 2021

Brasil - 2021, um ano quase perdido

SÃO PAULO – Nem mesmo se chegou à metade do ano e não há quem possa imaginar que a balança comercial irá fechar com um superávit de US$ 70 bilhões, com as exportações chegando a US$ 256 bilhões (contra US$ 221 bilhões em 2020) e as importações a US$ 186 bilhões (contra US$ 168 bilhões em 2020), de acordo com a previsão feita em março pelo Banco Central. Se isso se confirmar, o superávit representará um recorde histórico, pois será superior à maior marca já alcançada, a de 2017 (de US$ 67 bilhões).

Segundo o Banco Central, embora o ano tenha começado com números decepcionantes, em consequência do agravamento provocado pela segunda onda da pandemia de coronavírus (covid-19), é esperado um aumento nas exportações ainda neste primeiro semestre de 2021, especialmente em razão da boa safra de soja e do patamar elevado em que se encontram os preços das commodities (alimentos, petróleo e minério de ferro) e pela recuperação da demanda internacional.

Essa previsão, porém, parece muito otimista, até porque as indústrias brasileiras continuam com dificuldades para obter insumos e matérias-primas nacionais e importadas, o que significa que do segmento de produtos industrializados não se poderá esperar uma contribuição significativa para a formação do superávit. Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, as expectativas de normalização das cadeias produtivas nacionais, inicialmente previstas para este semestre, foram frustradas. Segundo levantamento da CNI, 37% das empresas esperam que a situação se normalize nos próximos três meses, 42% preveem melhora apenas para o segundo semestre e 14% só veem um cenário mais positivo em 2022. 

Esse cenário adverso, obviamente, vem não só do impacto provocado na economia pela letargia com que o governo federal se movimentou no combate à epidemia, o que contribuiu decisivamente para o seu agravamento, como de uma ausência quase completa de medidas mais concretas que pudessem reduzir as consequências da falta de competitividade dos produtos industrializados em função do elevado custo-Brasil, que, segundo estudo do Ministério da Economia, consome R$ 1,5 trilhão e representa 22% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre as medidas, aparentemente, deixadas de lado pelo governo, a pretexto de esperar por melhores tempos, estão a tão anunciada reforma tributária, a implementação do Acordo de Facilitação de Comércio e a conclusão do mecanismo de funcionamento do Portal Único de Comércio Exterior, que poderia reduzir sobremaneira a burocracia e seu custo nos produtos industrializados. Para piorar, há ainda uma série de problemas econômicos e políticos enfrentados por países vizinhos, que deverá redundar em baixa nas exportações dos manufaturados brasileiros.

Sem contar os prejuízos trazidos para a diplomacia comercial por um ministro das Relações Exteriores nada diplomático que, em vez de estimular a negociação de acordos com países e blocos representativos e o fortalecimento do Mercosul, contribuiu ainda mais para o isolamento do País, chegando ao ponto de colocar em risco até o relacionamento com a China, hoje o principal parceiro comercial do País.

De positivo, só se deve ressaltar os leilões de concessões de mais de 50 ativos nas áreas de energia elétrica, gás, óleo e logística portuária que o Ministério da Infraestrutura vem promovendo, que deverão resultar em mais de R$ 460 bilhões de investimentos ainda neste ano. De assinalar ainda é que, em 2022, deverão ser privatizadas a Autoridade Portuária de Santos (antiga Codesp), a Companhia Docas do Espírito Santo, a Companhia Docas de São Sebastião e a Autoridade Portuária de Itajaí-SC.

Nesse cenário turvo, portanto, as exportações de commodities deverão continuar a funcionar como o motor de sustentação das exportações brasileiras, dependendo ainda de medidas que venham a ser tomadas pelo presidente norte-americano Joe Biden, que podem impactar esse importante segmento das exportações brasileiras. Mas, seja como for, o que se prevê é que a soja deverá continuar a liderar a lista dos principais produtos de exportação, seguida por petróleo e minério de ferro, que representaram 35,4% do volume total exportado em 2020. Diante disso, o mais provável é que o Brasil venha a ter uma participação até mesmo inferior a 1% no comércio mundial. Tempos difíceis vêm por aí. Adelto Gonçalves – Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde (Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns e Barter Comércio Exterior). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br

 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Suécia - Sete portugueses nomeados para o prémio literário Astrid Lindgren 2021

Sete autores portugueses, entre os quais Cristina Carvalho, Luísa Ducla Soares e André Letria, estão nomeados para o prémio literário sueco Astrid Lindgren 2021



Entre os 263 autores, ilustradores e promotores de leitura nomeados para o prémio, estão Bernardo P. Carvalho, Cristina Carvalho – pela primeira vez nomeada -, Luísa Ducla Soares, António Jorge Gonçalves, Maria Teresa Maia Gonzalez, André Letria e Catarina Sobral.

O Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA) é considerado um dos mais prestigiados prémios internacionais dedicados à literatura para os mais novos e à promoção da leitura, e tem um valor monetário de cinco milhões de coroas suecas (cerca de 482 mil euros).

Destes sete autores portugueses, apenas Cristina Carvalho está nomeada pela primeira vez. Todos os outros já tinham sido nomeados uma ou mais vezes para edições anteriores do ALMA.

Cristina Carvalho, 70 anos, autora de contos, romance e biografia ficcionada, estreou-se em 1989 com a obra “Até já não é adeus”.

Com uma profunda ligação à cultura escandinava, Cristina Carvalho publicou, entre outros, os livros para jovens “O gato de Uppsala”, “Tarde fantástica” e “Quatro cantos do mundo”.

Mais recentemente publicou os romances biográficos “Ingmar Bergman – O caminho contra o vento” (2019) e “A Saga de Selma Lagerlof” (2018).

Dos restantes nomeados, a Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas tinha proposto para a edição de 2021 os autores Luísa Ducla Soares, que está a celebrar 50 anos de vida literária, e André Letria, que somou vários prémios pelo trabalho visual e de ilustração para o livro “Guerra”, coassinado com José Jorge Letria.

O Astrid Lindgren Memorial Award foi criado em 2002 pelo governo da Suécia, em homenagem à escritora Astrid Lindgren, popular por ter criado a personagem “Pipi das meias altas”.

Este ano, o prémio foi atribuído à autora sul-coreana Baek Heena.

O anúncio do premiado de 2021 será anunciado a 15 de abril. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 8 de setembro de 2020

Macau – Início das aulas na Escola Portuguesa de Macau

Recomeçaram ontem as aulas na Escola Portuguesa de Macau (EPM). Ao Ponto Final, Manuel Machado, director da escola, contou 657 alunos matriculados, o que revela um aumento de 5% face ao ano passado. Sobre o destaque que a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) dá à educação patriótica, Manuel Machado referiu que, na EPM, vai tudo manter-se na mesma. A EPM também vai continuar sem fazer a cerimónia do hastear da bandeira



Ontem foi o primeiro dia de aulas do ano lectivo 2020/2021 na Escola Portuguesa de Macau (EPM) e Manuel Machado, director da instituição, começou por contar como correu o recomeço das aulas: “O primeiro dia correu muito bem, com uma grande afluência de alunos e de encarregados de educação na escola logo nas primeiras horas da manhã”.

Manuel Machado explicou que os alunos do primeiro ciclo foram recebidos pelas respectivas professoras e os alunos do 5.º ao 12.º ano foram recebidos pela direcção no ginásio da escola. “Nessa recepção foram dadas as boas-vindas e foram referidos alguns aspectos a considerar ao longo deste ano lectivo na sequência da situação que se vive, e na continuidade das medidas que já tinham sido adoptadas após o reinício em Maio do último ano lectivo”, detalhou o director da instituição.

Para este ano estão matriculados, no total, 657 alunos, o que reflecte um aumento de 5% face aos 623 alunos que estavam matriculados no ano lectivo de 2019/2020. Dos 657 matriculados na EPM este ano, 306 são do primeiro ciclo. Manuel Machado nota que, nos últimos anos, tem havido um crescente interesse no ensino do português por parte dos encarregados de educação. Segundo o director, há apenas uma aluna em Portugal que, com as restrições nas fronteiras, não conseguiu voltar a Macau para o reinício das aulas.

O número de alunos matriculados que têm como língua materna o português também aumentou: “A percentagem de alunos de língua materna portuguesa no primeiro ano de escolaridade anda à volta dos 30%. Cresceu um bocadinho em comparação com o ano passado, porque o número de alunos de língua portuguesa no primeiro ano era de aproximadamente 25%”.

Quanto aos professores, Manuel Machado indicou que foram contratados mais três professores de inglês para os níveis de ensino mais elementares. “Isto deve-se a um acréscimo da carga horária de inglês no currículo da Escola Portuguesa de Macau”, justificou o director da EPM. No total, há este ano 65 professores a tempo inteiro e três a tempo parcial. Manuel Machado destacou ainda que, ao nível do ensino especial, “está tudo preparado para o acompanhamento dos alunos que carecem de apoio para as diferentes necessidades que tenham”.

Para este ano lectivo, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) tem destacado os esforços feitos no âmbito do ensino do amor à pátria e a Macau. Na EPM não haverá mudanças: “Nós, na EPM, desde há muitos anos, temos leccionado as disciplinas de História e Geografia de Macau e da China. Portanto, no âmbito dessa disciplina, obviamente que ensinamos o que diz respeito à China, nomeadamente no que diz respeito à sua história, aos seus símbolos e ao respeito que lhe é devido”.

Há um ano, com a entrada em vigor da nova lei do hino, passou a estar previsto que as escolas de Macau fizessem, semanalmente, uma cerimónia de hastear da bandeira da China. Porém, a EPM não chegou a fazê-lo, mantendo a bandeira exposta no átrio principal, ao lado das bandeiras da RAEM e da escola. Este ano, a situação mantém-se. “Neste momento vamos manter-nos como estivemos durante o ano lectivo anterior”, explicou Manuel Machado. Na altura, a justificação da EPM era a de que não havia espaço para realizar a cerimónia. “É um problema com que continuamos a deparar-nos, porque o espaço é pequeno e cada vez há maior número de alunos”, reiterou o director da escola. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Timor-Leste - 2021 será ano de desenvolvimento económico

DÍLI - O Ministro Coordenador dos Assuntos Económicos (MCAE), Joaquim Amaral, disse que Timor-Leste só poderá entrar na fase de desenvolvimento económico no início do ano de 2021.

“De junho a dezembro, estaremos na fase de recuperação económica, antes de entrarmos na fase de desenvolvimento em 2021”, disse Joaquim, no passado domingo (30/08), aos jornalistas, no âmbito da cerimónia do encerramento da exposição da promoção de produtos locais, que teve lugar no Helly Port, no Bairro Pité, Díli.

O ministro referiu ainda que, apesar de a recuperação constituir uma fase difícil, o Governo vai envidar todos os esforços para ajudar a impulsionar o setor económico do país.

“Antes de entrarmos na fase de desenvolvimento económico, temos de enfrentar um período difícil devido ao impacto da crise pandémica provocada pela covid-19, com medidas adicionais para atenuar as dificuldades que o país atravessa atualmente”, referiu.

O governante afirmou ainda que o Executivo timorense está a tentar pôr em prática medidas que procuram alavancar o setor privado e estimular uma produção em maior quantidade com destino ao mercado local e nacional.

“Peço-vos a todos, pequenas e médias empresas e cooperativas, que aumentem a vossa produção para entrarem no mercado”, sugeriu.

Joaquim Amaral lembrou que os produtos produzidos entre os meses de novembro e dezembro poderão ser distribuídos pela comunidade.

“Sugiro, mais uma vez, às médias e pequenas empresas que sejam diligentes, se coordenem, produzam e vendam no mercado. A intenção do Governo é melhorar a vossa capacidade para participar no desenvolvimento económico, que terá o seu início em 2021”, concluiu. In “Timor Post” – Timor-Leste