Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Duas obras imperdíveis para leitores iniciantes

Livros de Lourenço Cazarré já podem ser considerados clássicos da literatura juvenil  

                                                                                                     

                                                           I

O livro mais vendido do premiado escritor Lourenço Cazarré, A fabulosa morte do professor de Português (Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 2026), chega agora a sua terceira edição, com ilustrações do artista gráfico Negreiros. Trata-se de um admirável exemplo de como se pode fazer literatura juvenil, sem deixar de agradar ao leitor experiente e exigente. Escrito inicialmente como conto policial para uma coletânea destinada a adultos que não saiu à luz, a novela foi remodelada com o olhar voltado especialmente para a garotada, como explicou o próprio autor

Em linhas gerais, lê-se a movimentação de dois pré-adolescentes que receberam da professora a incumbência de escrever uma reportagem para o jornal do colégio e foram destacados para cobrir a inauguração de uma livraria, onde estariam presentes vários intelectuais e artistas da cidade. E, como já anuncia o título, durante o acontecimento, ocorrem vários fatos que culminam com a morte de um professor de Português e também crítico literário, que não seria bem visto pelos intelectuais da cidade.

Dono de um estilo fluido, ágil e envolvente, de que Contos pelotenses (Florianópolis, Editora Insular, 2025) e Breve memória de Simeão Boa Morte e outros contos poéticos (Rio de Janeiro, Faria e Silva Editora, 2025), obra publicada em Portugal em 2024 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, dentro da Coleção Comunidades Portuguesas, são os mais destacados e recentes exemplos, Cazarré, a cada dia, assume-se como o principal escritor brasileiro voltado para a literatura juvenil, atividade em que está empenhado desde 1985.  

Afinal, o seu Clube dos leitores de histórias tristes, lançado em 2005, foi considerado pela revista Veja como o melhor livro para leitores de dez a doze anos. E tanto Nadando contra a morte (1998) quanto A cidade dos ratosuma ópera-roque (1993), ambos publicados pela Editora Formato, foram considerados altamente recomendados para jovens pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Sem contar que a novela Isso não é um filme americano (Editora Ática, 2002) recebeu menção honrosa no Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro da Biblioteca Municipal de Belo Horizonte.

Um exemplo desse estilo direto que, ao mesmo tempo, passa lições de sabedoria aos jovens leitores e especialmente para aqueles que ainda sonham com a profissão de jornalista, extremamente vilipendiada nestes tempos de inteligência artificial e quejandos, é este diálogo entre pai e filha que se lê logo às primeiras páginas deste A fabulosa morte do professor de Português:

“(...) – Seja discreta – continuou o pai. – Tente ser invisível pra poder anotar tudo sem que as pessoas percebam que você é repórter. Não faça como a maioria dos jornalistas, que se acham mais importantes do que os entrevistados...

– Pai, eu também estou preocupada com o depois... Será que vou saber escrever a reportagem?

– Saberá... Escreva só frases diretas: sujeito, verbo e predicado. Não use mais de duas vírgulas por frase. E não faça cambalhotas estilísticas... O bom jornalista aprende a escrever lendo os bons autores...

– Mas eu não penso em ser jornalista, pai!

– Então leia pra aprender a pensar melhor... E, agora, vamos ao feijão com arroz.(...)”.

 

                                                 II

Outra obra dirigida ao público juvenil é Um velho velhaco e seu neto bundão (Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 2024), também já em terceira edição, que, como confessa o autor, foi escrita com a imaginação voltada para os anos em que teve de viver com o seu avô paterno, enquanto estudava numa escola técnica em Pelotas, entre 1965 e 1968. “Meu avô, claro, não era cretino como o personagem do livro. Mas eu era bundinha como o menino Candinho”, diz.

Ou seja, aqui se conta o relacionamento entre um menino ingênuo, mas esperto, e um velhote brincalhão, porém, ao mesmo tempo rigoroso e exigente, que procura ensinar o neto a amar os esportes e a leitura e a estudar com método. Ou, nas palavras do autor: “Ensina também que nunca estamos suficientemente preparados para enfrentar as muitas surpresas da vida e que, pensando bem, é melhor não viver chorando porque chorar demais só faz ranho”.

Como o enredo é povoado por personagens dotados de língua bem afiada, o livro está repleto de diálogos hilariantes, que, afinal, tratam de atrair o jovem leitor iniciante, entretê-lo e deixá-lo alegre por alguns momentos. Mas que, de certo modo, procura resgatar e recriar a picaresca clássica, aquela de Lazarillo de Tormes (1554), de autoria desconhecida, e El Buscón (1626), de Francisco de Quevedo (1580-1645), ao mostrar o cotidiano de pobretões que têm sonhos e querem satisfazê-los, mas que, para tanto, precisam contornar as regras do jogo oficial da vida, tornando-se assim pessoas astutas, ardilosas, espertas, burlescas e trapaceiras.

Trata-se de um livro divertido, de humor, tal como aquelas obras da picaresca clássica. Ou melhor: estamos diante de um exemplo bem acabado de neopicaresca. Até porque a picaresca clássica espanhola é irrepetível e só tem sentido se associada aos séculos XVI e XVII.

 

                                                 III  


Nascido em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Lourenço Cazarré (1954) é descendente de portugueses de Cinfães que emigraram para o Brasil ao final do século XIX. Fez o curso ginasial em Pelotas e formou-se radiotécnico “com a nota mínima”, ao mesmo tempo em que devorava impiedosamente todos os livros da seção infantil da Biblioteca Pública da cidade. Em 1975, graduou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas.

Depois de um breve período como operador de telex, trabalhou um ano como repórter na sucursal de Pelotas dos jornais Correio do Povo, Folha da Manhã e Folha da Tarde, que pertenciam à empresa Caldas Júnior, de Porto Alegre. Em junho de 1976, transferiu-se para Florianópolis, onde permaneceu por seis meses como repórter da sucursal local do grupo Caldas Júnior, antes de se transferir para a redação do jornal O Estado.

Como escritor passou a ser reconhecido depois que ganhou a 1ª Bienal Nestlé, em 1982, com o romance O calidoscópio e a ampulheta (1983), em que conta as desventuras de um ditador livremente inspirado em Getúlio Vargas (1882-1954). Em 1977, transferiu-se para o Distrito Federal, onde passou a trabalhar como redator do Jornal de Brasília.

Por essa época, já escrevia contos que publicava em jornais e revistas. Em 1979, começou a escrever Agosto, Sexta-Feira, Treze, seu primeiro romance, publicado em 1981. Depois de um retorno ao Rio Grande do Sul, estabelecendo-se na praia de Laranjal, na costa Oeste da Lagoa dos Patos, onde viveu dos parcos recursos acumulados com os empregos e os prêmios literários conquistados, voltou a Brasília. Dessa época, são os contos da primeira edição de Enfeitiçados todos nós (São Paulo, Melhoramentos, 1984).

Em 1983, em Brasília, passou a trabalhar em uma assessoria de imprensa na Câmara dos Deputados. Em seguida, tendo sido aprovado em concurso para professor de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, retornou para Pelotas, mantendo-se em trânsito entre o Rio Grande de Sul e Santa Catarina por alguns meses, até desistir da carreira e transferir-se definitivamente para Brasília. Em 1987, exerceu por alguns meses a função de chefe de editoração da Editora da Universidade de Brasília (UnB), até que, em 1988, aprovado por concurso público, assumiu o cargo de redator no Senado Federal, onde trabalhou até se aposentar. Atualmente, é colaborador do jornal Correio Braziliense. Hoje, vive em Brasília.

Autor profícuo, Cazarré publicou mais de 40 livros, desde romances e coletâneas de contos a novelas juvenis, entre os quais se destacam também o romance A longa migração do temível tubarão (2008), as novelas Estava nascendo o dia em que conheceriam o mar (2011) e Os filhos do deserto combatem na solidão (2016), as coletâneas de contos A arte excêntrica dos goleiros (2004) e Exercícios espirituais para insônia e incerteza (2012) e as novelas juvenis Kandimba (2019) e Amor e guerra em Canudos (2021).

Em 2018, com Kzar, Alexander, o louco de Pelotas (Curitiba, Editora Paraná, 2018), venceu na categoria romance o Prêmio Paraná de Literatura, promovido pela Biblioteca Pública daquele Estado. O romance premiado trata da paixão alucinada de um homem pela literatura. Em parceria com Pedro Almeida Vieira, publicou em fascículos, no site Página Um, a novela policial de humor A misteriosa morte de Miguela de Alcazar. Adelto Gonçalves - Brasil

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A fabulosa morte do professor de Português, de Lourenço Cazarré, com ilustrações de Negreiros. Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 112 páginas, R$ 43,49, 2026.  Um velho velhaco e seu neto bundão, de Lourenço Cazarré, com ilustrações de Vito Quintans. Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 126 páginas, R$ 45,00, 2024. E-mail: atendimento@grupoautentica.com.br Site: www.editorayellowfante.com.br

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp)/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-Latas da Madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado os Estados Unidos e na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


 


quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Macau - Lançamento do livro ilustrado bilingue “ALUA” marcado para a próxima semana

No dia 3 de Novembro deste ano será oficialmente lançado na Casa Nostalgia Das Casas da Taipa o novo livro ilustrado bilingue intitulado “ALUA”. O evento está marcado para as 15h00, durante a Exposição de Livros Ilustrativos, que faz parte do 6º “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. O livro é editado pelo Instituto Internacional de Macau (IIM), com o financiamento do Fundo de Desenvolvimento Cultural. “ALUA”, destina-se ao público jovem e é uma adaptação de ‘O Sapo de Pedra de Láp- K’âp’, originalmente publicado no jornal português ‘Notícias de Macau’ e incluído na edição chinesa do IIM, ‘Lendas Chinesas de Macau’. A história ganhou vida através da colaboração entre a autora Chloe Wong e a ilustradora Mira Lau


Chloe Wong, licenciada em educação básica pela Universidade de Macau, dedica-se actualmente à educação artística, utilizando diferentes métodos de comunicação para inspirar a expressão artística e a criatividade das crianças. Mira Lau, a ilustradora, acrescentou um toque criativo adicional ao projecto, trazendo para a mesa a sua experiência prévia na publicação de livros ilustrados. Juntas, criaram uma narrativa apresentada em chinês e português, tornando-a acessível a um público mais vasto, e esperam agora que esta transmita “os temas da bondade, do companheirismo e do amor”, para ambas centrais nas lendas chinesas de Macau.

O lançamento de “ALUA” realça a importância do intercâmbio cultural entre a China e as comunidades de língua portuguesa. Este evento, que coincide com o último fim de semana do Festival da Lusofonia, sublinha a importância da narração de histórias para promover a compreensão e a apreciação dos diversos patrimónios culturais. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 29 de abril de 2024

Angola – Jovem escritora apresenta obra que apela aos pais a uma maior atenção à alimentação

A escritora Ombembwa, de 12 anos, realizou, no passado sábado, na Praça da Independência, em Luanda, o lançamento do seu segundo livro intitulado “O Pomar Mágico”


Durante a apresentação do livro, a autora explicou que procurou, com os diálogos entre as frutas de um pomar, localizado no município da Quiçama, destacar a importância da inclusão das frutas na dieta diária das crianças.

Segundo Ombembwa, o manual surge, igualmente, com a intenção de promover a interacção entre pais e filhos, através da leitura conjunta.

A escritora considera o hábito da leitura entre pais e filhos, como um grande aliado para a criação de vínculos. Além disso, disse contribuir positivamente para o desenvolvimento vocabular, cognitivo e emocional da criança.

Ombembwa, que começou a ler aos quatro anos de idade por influência do pai que sempre colocou à disposição da menina várias opções de leitura, realçou a importância do livro na vida das pessoas, sobretudo das crianças.

"Quanto mais for o contacto da criança com o livro, sobretudo com o texto literário, maior será o seu desenvolvimento”, afirmou.

A pequena escritora espera que, muita gente possa adquirir "O Pomar Mágico” nas próximas sessões de venda.

Mais sobre o livro

Em 30 páginas, a escritora descreve um pomar lindo, com paisagens belas, árvores de frutas típicas de Angola, pássaros, insectos e outros animais, que dão lugar à discussão entre as oito amigas-frutas típicas do nosso campo e mercado, demonstrando a vaidade de umas e os ciúmes de outras.

Para alegria de umas e tristeza de outras, uma altruísta aparece para aconselhar e mediar a discussão acerca da importância dos nutrientes que cada uma possui, mostrando-se um aparador de consenso, pelo valor que cada uma possui.

Assim, as frutas, na sua conversa falam das suas origens e dos nutrientes que possuem, demonstrando com clareza em que parte do corpo do homem actuam e em especial como contribuem para melhorar a saúde das crianças.

O manual foi publicado com a chancela da editora AJEA, conta com a ilustração de Lucas Paulo, design de capa de Lukeny José e prefácio de Akiz Neto.

Detentora de vários prémios

Ombembwa, expressão da região etnolinguística umbundu, que em português significa Paz e Benção, é o pseudónimo literário de Sadimauria Ivone Bessa Ferreira, que declama desde os quatro anos.

Sadimauria Ivone Bessa Ferreira nasceu a 24 de Março de 2012. É declamadora desde os quatro anos, ainda no jardim de infância. Foi vencedora da segunda edição do concurso nacional "Kids Talents Awards”, na categoria de "Poesia: Melhor Declamadora”, e na quarta edição, na categoria de "Literatura: Melhor Texto Literário”.

A escritora tem textos assinados em duas antologias poéticas internacionais, nomeadamente "O Sonho da Criança”, editado em 2021 pela Cultive Suíça, e "A Donzela – O Sonho da Criança e Independência”, de 2022.

Ombembwa é membro da Academia Virtual de Poetas da Língua Portuguesa e da Liga das Escritoras Africanas em Angola. É criadora das frases "A criança é uma flor que desabrocha ao amanhecer”, "Quem oferece um livro, oferece uma visão e educação” e "Todas as crianças podem realizar os seus sonhos se amarem os livros”. É membro mais nova da Brigada Jovem de Literatura de Angola (BJLA), desde 2020. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 7 de março de 2022

Macau - Sílaba – Associação Educativa e Literária quer promover a leitura junto dos mais novos em língua portuguesa

Com o objectivo de promover a leitura e o gosto pelos livros em língua portuguesa, Susana Diniz decidiu criar a Sílaba – Associação Educativa e Literária. Além dos clubes de leitura para os mais novos, estão a ser pensados passeios focados na história de Macau, entre outras actividades


Proprietária de uma empresa ligada à formação, ensino e tradução, Susana Diniz percebeu que não havia em Macau nenhum clube de leitura em português para os mais pequenos. De sessões em que se lê uma história, com a ajuda do personagem Diniz, para a criação de uma associação foi um passo. Nasceu, assim, em Dezembro, a Sílaba – Associação Educativa e Literária.

“Pretendemos ir um pouco mais além deste clube de leitura e estamos a pensar fazer um clube de cinema em português, chinês ou inglês, ainda não decidimos”, adiantou Susana Diniz ao HM. “Vamos também fazer workshops de escrita criativa e lançar um website, que ainda não está completo, e que irá ter um blogue onde os miúdos podem deixar os seus textos e imagens. Também já comunicámos com uma escola em Portugal para criarmos uma rede de pen friends, seja por carta ou por email”, acrescentou.

Apesar de esta ser uma associação que pretende ir “de encontro aos miúdos” e levar-lhe os livros, a “Sílaba” poderá ser também uma entidade de promoção de passeios que revelem pedaços da história de Macau.

“Temos algum contacto com miúdos que estão no ensino em português e que, por isso, aprendem história de Portugal. Mas há partes da história portuguesa em Macau que não conhecem, e vamos começar por aí. Vamos criar alguns passeios e temos dois peddy-papers desenhados para eles poderem participar.”

Trabalho informal

A criação de um clube de leitura surgiu depois de Susana Diniz ter percebido que as crianças com quem trabalha têm “muita dificuldade na interpretação de textos”, apesar do domínio do português ir melhorando.

“Está provado que, quanto mais lermos, melhor nos exprimimos. Achei que não havia nenhum clube de leitura em português em Macau e que poderia ser engraçado [fazer esta actividade]. No nosso caso, a personagem do clube, o Diniz, convida uma pessoa para contar a história e depois criamos uma série de actividades a partir dela.

O objectivo é promover o debate de ideias, para que consigam resolver questões rapidamente.”

Susana Diniz não aponta o dedo às escolas no seu papel de dinamização da leitura. Mas assume que o facto de as crianças lerem livros com a ajuda da Sílaba pode ajudá-los, uma vez que “não há a pressão das notas”. “Não somos os professores destas crianças e não há a pressão de dar a resposta certa ou tentar entender a história toda logo à primeira. E quando essa pressão desaparece, acontecem coisas engraçadas. As crianças partilham mais coisas connosco, porque sabem que não estão a ser avaliadas”, frisou.

Outro dos objectivos, é promover o contacto com o português fora da sala de aula, sobretudo para as crianças que não têm o idioma como língua materna. “[Nas escolas] há algumas actividades em português, mas penso que direccionadas aos livros e ao contar de uma história não é muito comum. Pretendemos fazer um clube de leitura mensal, mas se fosse possível faríamos todas as semanas. Falta isso às crianças, sobretudo os que não são portugueses, é difícil o contacto com a língua portuguesa fora da escola”, apontou a fundadora da Sílaba. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Alemanha - Dois livros infantis portugueses estão entre os melhores de 2021

Os livros ilustrados portugueses “Noa” e “Para que serve?”, destinados aos mais novos, figuram entre as melhores obras de literatura para crianças e jovens de 2021, selecionadas pela Biblioteca Internacional da Juventude. Do Brasil foram escolhidas as obras “Eu sou a monstra” e “Mapinguari”

José Maria Vieira Mendes, Madalena Matoso, Susana Cardoso Ferreira e Raquel Costa são os autores dos livros alvo desta escolha.

Aquela biblioteca, sediada em Munique, reúne anualmente uma seleção dos melhores livros para a infância e juventude publicados em vários países e em diversas línguas, elabora um catálogo de divulgação internacional e atribui um selo intitulado “White Ravens”.

A Biblioteca Internacional de Munique revelou que este ano foram escolhidos 200 títulos de 54 países, entre os quais duas obras da literatura portuguesa: “Noa”, da escritora e tradutora Susana Cardoso Ferreira, com ilustrações de Raquel Costa, e “Para que serve?”, do autor José Maria Vieira Mendes, ilustrada por Madalena Matoso.

Sobre “Noa”, editado pela Oficina do Livro, a organização do White Ravens sublinha a “linguagem figurativa rica” de Susana Cardoso Ferreira, na abordagem aos temas da perda e da superação do luto, narrando a história de uma menina que vai viver com o avô, depois de perder os pais num naufrágio.

Aquela biblioteca internacional escolheu ainda “Para que serve?”, editado pela Planeta Tangerina, por ser um livro “pouco usual e bastante brilhante – simples, inteligente, surpreendente, divertido e hábil em apresentar ideias simples aos leitores”, lê-se no catálogo.

O livro assume que “um mundo sem confusão e investigação é um mundo triste e aborrecido”. Por isso atravessa um universo de “coisas que sabemos para que servem (coisas que servem para pouca coisa e por isso é mais fácil saber para que servem)”, desafiando sempre o leitor a perguntar “para que serve perguntar para que serve?”, o que leva sempre mais longe a ideia de um “porquê”.

Em língua portuguesa, mas de produção brasileira, foram ainda escolhidos “Eu sou a monstra”, de Hilda Hilst e Ixchel Estrada, “Mapinguari”, de André Miranda e Gabriel Goes, e “Peças de um dominó”, escrito e ilustrado por Pedro Tavares. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

França - Livro ilustrado “Plasticus Maritimus” é candidato a prémio literário


O livro ilustrado “Plasticus Maritimus”, da bióloga Ana Pêgo e da escritora Isabel Minhós Martins, ilustrado por Bernardo P. Carvalho, é candidato aos prémios literários franceses Sorcières, destinados à literatura para os mais novos.

A lista de nomeados aos prémios foi divulgada esta semana pela Associação de Bibliotecários de França e pela Associação de Livrarias Especializadas para Jovens, e partilhada hoje nas redes sociais pela bióloga Ana Pêgo.

A edição francesa de “Plasticus Maritimus, uma espécie invasora” está indicada na categoria de não-ficção.

Os Prémios Sorcières (feiticeiros, em tradução literal) foram criados em 1986, pela Associação de Livrarias Especializadas para Jovens, em parceria com a Associação de Bibliotecários de França, e reconhecem, em seis categorias, a produção literária para crianças e jovens que é publicada no mercado francês.

Editado em 2018 pela Planeta Tangerina, “Plasticus Maritimus” é um livro informativo sobre meio ambiente e um guia de exploração, para os leitores que queiram também ser mais ativos na defesa da natureza, escrito pela bióloga Ana Pêgo, juntamente com Isabel Minhós Martins, e ilustrado por Bernardo P. Carvalho.

Inspirada na nomenclatura científica que identifica as espécies da natureza, a bióloga Ana Pêgo criou, em 2015, um bilhete de identidade para designar a presença de plástico nos oceanos – Plasticus Maritimus.

A partir daí, desenvolveu todo um trabalho de consciencialização para o problema, com a realização de oficinas para crianças, exposições com o plástico recolhido em praias e partilha de informações com outros ativistas.

Na obra explica-se, por exemplo, que um ‘beachcomber’ é alguém que recolhe lixo nas praias e se torna num “colecionador que se interessa pela origem e pela história dos objetos que encontra”.

Há ainda dados estatísticos sobre a vida na Terra e sobre poluição – por exemplo, uma garrafa de plástico demora 450 anos a degradar-se -, é dado um enquadramento histórico sobre a produção de plástico e uma cronologia sobre “coisas importantes que já aconteceram entre pessoas e oceanos”.

As autoras deixam ainda conselhos práticos para uma ‘saída de campo’, para recolha de lixo, e enumeram tipos de ‘plasticus maritimus’ comuns e raros que se encontram nas praias, como beatas de cigarro, palhinhas, cotonetes, pequenos brinquedos, moedas e lancetas de diabéticos.

O livro, cujos direitos foram já vendidos para tradução em catalão, galego, espanhol, chinês, checo, inglês, francês, italiano, coreano e polaco, recebeu em 2020 uma menção na categoria de melhor livro de não ficção na Feira do Livroo Infantil e Juvenil de Bolonha, Itália.

Os vencedores dos Prémios Sorcières serão anunciados em março. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Suécia - Sete portugueses nomeados para o prémio literário Astrid Lindgren 2021

Sete autores portugueses, entre os quais Cristina Carvalho, Luísa Ducla Soares e André Letria, estão nomeados para o prémio literário sueco Astrid Lindgren 2021



Entre os 263 autores, ilustradores e promotores de leitura nomeados para o prémio, estão Bernardo P. Carvalho, Cristina Carvalho – pela primeira vez nomeada -, Luísa Ducla Soares, António Jorge Gonçalves, Maria Teresa Maia Gonzalez, André Letria e Catarina Sobral.

O Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA) é considerado um dos mais prestigiados prémios internacionais dedicados à literatura para os mais novos e à promoção da leitura, e tem um valor monetário de cinco milhões de coroas suecas (cerca de 482 mil euros).

Destes sete autores portugueses, apenas Cristina Carvalho está nomeada pela primeira vez. Todos os outros já tinham sido nomeados uma ou mais vezes para edições anteriores do ALMA.

Cristina Carvalho, 70 anos, autora de contos, romance e biografia ficcionada, estreou-se em 1989 com a obra “Até já não é adeus”.

Com uma profunda ligação à cultura escandinava, Cristina Carvalho publicou, entre outros, os livros para jovens “O gato de Uppsala”, “Tarde fantástica” e “Quatro cantos do mundo”.

Mais recentemente publicou os romances biográficos “Ingmar Bergman – O caminho contra o vento” (2019) e “A Saga de Selma Lagerlof” (2018).

Dos restantes nomeados, a Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas tinha proposto para a edição de 2021 os autores Luísa Ducla Soares, que está a celebrar 50 anos de vida literária, e André Letria, que somou vários prémios pelo trabalho visual e de ilustração para o livro “Guerra”, coassinado com José Jorge Letria.

O Astrid Lindgren Memorial Award foi criado em 2002 pelo governo da Suécia, em homenagem à escritora Astrid Lindgren, popular por ter criado a personagem “Pipi das meias altas”.

Este ano, o prémio foi atribuído à autora sul-coreana Baek Heena.

O anúncio do premiado de 2021 será anunciado a 15 de abril. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 25 de junho de 2020

A associação portuguesa em França Cap Magellan lançou a revista CapMag Júnior, dirigida a crianças dos oito aos 12 anos lusodescendentes ou filhos de pais lusófonos para colmatar “a falta de conteúdos em português”, foi anunciado

Esta revista vai sair três vezes por ano como um suplemento da CapMag, revista dirigida aos jovens lusófonos em França que já vai na sua 300.ª edição. As duas revistas são editadas pela associação Cap Magellan, maior associação de jovens lusodescendentes em França.

“Esta ideia nasceu de uma constatação simples: há uma falta de conteúdos em português, embora exista um público de crianças lusófonas em França”, pode ler-se num comunicado da associação.

A revista conta com duas personagens principais, os irmãos Capi e Magui, que exploram a cultura lusófona através de diferentes aventuras.

O primeiro número deveria ter saído em abril, mas foi adiado devido à pandemia de covid-19 e lançado perto do 10 de junho. Propõe um passeio em Paris por pontos ligados a Portugal e fala ainda sobre o 25 de abril.

O principal objetivo é sensibilizar os mais jovens para a língua e culturas portuguesas e de outros países lusófonos, mas também dar a conhecer a história desses países e promover valores como a ecologia e a cidadania.

Este suplemento vai sair para acompanhar as férias escolares da Páscoa, verão e Natal, sendo que, ainda devido à covid-19, o próximo número vai chegar aos mais pequenos em setembro, aquando o regresso à escola.

A revista CapMag e o suplemento CapMag Junior podem ser subscritos para entregas em casa, sendo distribuídas de forma gratuita em diversos espaços da comunidade portuguesa em França e sendo ainda possível consultá-las ‘online’ através do sítio da associação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 30 de março de 2020

Estados Unidos da América - Lusodescendente conta tradições portuguesas em livro



A empresária lusodescendente Ângela Simões lançou um novo livro bilingue ilustrado para crianças dos seis aos 12 anos, com uma história que retrata a tradição das “Festas” nas comunidades portuguesas nos Estados Unidos.

Com ilustrações da luso-americana Hélia Borges Sousa e tradução portuguesa do professor Diniz Borges, o livro intitula-se “Maria and Joao go to the Festa! A Maria e o João vão à Festa!” e está disponível na livraria online Amazon em formato papel.

“Durante a minha infância em quase todos os fins de semana íamos a uma Festa”, disse à Lusa a autora, que foi rainha e aia das celebrações em vários anos e noutros levava bandeiras ou estandartes. “As Festas foram uma grande parte da minha vida, tenho muito boas memórias”, acrescentou.

As “Festas” das comunidades nos Estados Unidos estão ligadas a eventos religiosos com uma forte componente de tradições açorianas, refletindo a origem da maior parte dos emigrantes portugueses no país.

Ângela Simões, lusodescendente de terceira geração, teve a ideia de escrever livros bilingues para crianças quando começou a ler histórias infantis em português à filha e teve dúvidas em relação a certas palavras. Se os livros fossem bilingues, ela conseguiria perceber o sentido das palavras em português que não conhecia.

Depois dos livros “Pretty Girl, Linda Menina”, “Handsome Boy, Lindo Menino” e “Numbers, Colors, Fruits, Números, Cores e Fruta”, para uma audiência mais nova, a autora decidiu escrever um livro mais completo em termos de narrativa.

“Percebi que não havia livros infantis sobre as Festas, o seu colorido, a diversão”, afirmou, referindo que “há um livro que documenta a história das Festas na Califórnia” mas nada com que as crianças lusodescendentes, como ela foi, se identificassem.

“Aprendi palavras enquanto escrevia o livro, o que reflete a razão pela qual tive a ideia de o escrever”, contou. “Os portugueses nos Açores poderão identificar-se com o aspeto das Festas e os portugueses em Portugal poderão ter um vislumbre da cultura luso-americana”.

Ângela Simões publica os livros através da insígnia Riso Books, tirando partindo do mecanismo de impressão a pedido da Amazon, o que faz com que não seja necessário um grande investimento financeiro à partida nem a manutenção de um inventário. “Este modelo permite a qualquer autor publicar o que pretende”, sublinhou.

A empresária, que é também ‘chair’ do Conselho de Liderança Luso-americano (PALCUS), tem uma “longa lista” de tópicos que gostaria de abordar em livros com ilustrações para crianças, em colaboração com a artista Hélia Borges Sousa. “Escrever um por ano seria ótimo”, afirmou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Cabo Verde - “Imperativo” promover hábitos de leitura considerou a embaixadora de Portugal



Cidade da Praia – A embaixadora de Portugal em Cabo Verde, Helena Paiva, considerou hoje que é “imperativa” a necessidade de promover os hábitos de leitura em Cabo Verde, sobretudo junto das crianças e dos adolescentes.

A diplomata falava na abertura do Seminário Especializado no Ensaio Literário Intertextual, baseado em Obras Infanto-Juvenis, que decorre na Faculdade de Educação e Desporto (FaED), na Cidade da Praia, no âmbito do Procultura, uma Acção do Programa Indicativo Multianual PALOP – Timor-Leste e União Europeia.

Para a promoção dos hábitos de leitura, Helena Paiva indicou uma “assertiva” operacionalização de acções estruturadas de promoção de uma cultura valorizada da leitura.

“O assíduo e construtivo relacionamento com o livro, que em muitos casos, e pelas fantásticas viagens que proporcionam, constitui o primeiro contacto com o mundo”, notou Helena Paiva, considerando o livro um “instrumento de excelência” e o maior aliado do binómio ensino-aprendizagem.

Neste sentido, apontou como exemplo o projecto da dinamização das bibliotecas escolares, desde 2018, que a cooperação portuguesa implementa em parceria com a Direcção Nacional da Educação e Biblioteca Nacional de Cabo Verde.

Helena Paiva lembrou que existem 14 bibliotecas escolares na ilha de Santiago e que “brevemente” vão ser implementadas na ilha do Fogo e Maio.

O projecto bibliotecas escolares teve como principal objectivo a angariação de livros de literatura infantil e juvenil em Portugal com vista à criação de bibliotecas escolares em Cabo Verde.

Este seminário, que conta com a participação de 30 professores universitários e profissionais de educação, tem como objectivo formar pelo menos 480 educadores de infância e professores do ensino básico na utilização da literatura como recurso de ensino-aprendizagem, para estímulo da leitura em idade precoce e criação de novos leitores.

A Procultura é uma Acção do Programa Indicativo Multianual PALOP – Timor-Leste e União Europeia, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Instituto Camões, Fundação Calouste Gulbenkian com o objectivo de contribuir para a criação de emprego em actividades geradoras de rendimento na economia cultural e criativa com um orçamento de 19 milhões de euros até 2023. In “Inforpress” – Cabo Verde

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

UCCLA – Lançamento do livro infanto-juvenil “O Abutre Vaidoso”

A escritora guineense Kátia Casimiro vai lançar o seu mais recente trabalho infanto-juvenil “O Abutre Vaidoso” no dia 9 de novembro, às 17h30, no auditório da UCCLA.

Com a chancela da Editorial Novembro, o livro será apresentado por Adela Figueroa Panisse - escritora, ativista ambiental e da defesa da língua galega - e Tony Tcheka - poeta escritor, jornalista e presidente da Aegui.



Biografia de Kátia Casimiro:

Ivanilde Kátia Rodrigues Casimiro nasceu em 1979 na cidade de Bissau, Guiné-Bissau. Residente em Portugal há 37 anos. Autora e participante na 88.ª Feira do Livro de Lisboa com a obra infanto-juvenil “Íris e o jogo das cores", Chiado Editora, 2018. Contadora de estórias da Guiné-Bissau no 1.° Festival Infanto-juvenil de Língua Portuguesa - Travessia das Letras, Templo da Poesia, Oeiras, 2019. Representante da Guiné-Bissau no 1.° e 2.° Encontro Culturas Poéticas - Tertuliana, 2018 e 2019.

Autora dos poemas "Corre Criança Corre!" e "Gosto" - XII e XIII encontro poético da LAHSM (Liga dos amigos hospital Santa Marta), 2017 e 2018.

Autora do “Tributo a Tony Tcheka”- I Volume da obra: Tributo - Homenagem a Autores Marcantes da Literatura Universal, da Chiado Books, 2019.

Autora do Conto de Natal "O par de sapatinhos" na coletânea Natal em palavras da Chiado Books, 2018.

Autora de micro ficção na coletânea "SMS" Chiado Books, 2019.

Autora de “Uma carta de amor” na coletânea "3/4 de um amor” da Chiado Books, 2019.

Representante da Guiné-Bissau no “Maio Mês da lusofonia”, Fábrica Braço Prata com o tema “A literatura guineense: contribuição para a identidade de um povo”.

Representante da Guiné-Bissau no IX Encontro de Escritores da Língua Portuguesa, organizado pela UCCLA e com o tema “Contos tradicionais infantis - a sua importância”, 2019.

Representante e mediadora da Guiné-Bissau - ÁFRICA NO FEMININO - dia internacional da mulher africana (OMA/AMMA/Junta Freguesia Larangeiro e Feijó).

Autora do poema “Amor” na coletânea “Entre o sono e o sonho" da Chiado Books, 2019.

Morada:

Casa das Galeotas
Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros: 714, 727 e 751 - Altinho, e 728 e 729 - Belém
Comboio: Estação de Belém
Elétrico: 15E - Altinho
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Moçambique - Universidade Politécnica e Escola Portuguesa firmam parceria para edição e publicação de livros literários infanto-juvenis



A Universidade Politécnica e a Escola Portuguesa de Moçambique (EPM) assinaram na passada sexta-feira, 21 de Junho, em Maputo, um memorando de entendimento, que visa a edição e publicação dos livros literários infanto-juvenis, resultantes do concurso Literário Maria Odete de Jesus (CLMOJ), promovido pela Direcção das Bibliotecas da maior universidade privada do País.

Pretende-se com esta parceria, promover e facilitar o intercâmbio entre as duas instituições de ensino no âmbito da produção e edição de livros infanto-juvenis, promover o gosto pela literatura infanto-juvenil, fomentar a realização de eventos que visem a disseminação de livros infanto-juvenis.

Falando após a assinatura do memorando, Rosânia da Silva, Pró-Reitora para a área de Pós-graduação e Investigação Científica, Extensão Universitária e Cooperação da Universidade Politécnica, disse tratar-se do cumprimento de mais um dos acordos existentes entre a Universidade Politécnica e a EPM e, que o presente, preconiza basicamente a promoção da leitura e publicação de livros entre as duas instituições.

“Regularmente realizamos concursos literários intitulados Maria Odete de Jesus e os vencedores têm o direito da publicação das suas obras. Nós entendemos que através da parceria com a EPM podemos melhorar o circuito de colocação deste livro no mercado”, afirmou Rosânia da Silva.

Por sua vez, a Directora da EPM, Dina Maria Trigo, afirmou que o objectivo principal da assinatura do memorando é fazer cumprir uma das suas missões, que é a divulgação da língua portuguesa através da leitura e escrita.

“Já editámos vários livros e, muitos são de escritores moçambicanos. Ao alargarmos a edição para outros escritores, dá-nos a possibilidade de termos mais livros. Tudo isto para nós, demonstra que a leitura é muito importante. Ler é mais importante, abre os horizontes, faz-nos viajar”, concluiu Dina Maria Trigo.

Importa realçar que o memorando será operacionalizado através da Direcção das Bibliotecas da Universidade Politécnica, entidade que promove o desenvolvimento sistémico das bibliotecas, capacitando-as para oferecer, aos docentes, pesquisadores, estudantes e pessoal técnico-administrativo serviços e produtos necessários para o desenvolvimento das actividades académicas de ensino, pesquisa e extensão, e do Centro de Ensino e Língua Portuguesa da EPM, um estabelecimento público de educação e ensino do Sistema Educativo Português no estrangeiro, que se inscreve numa política de cooperação entre os governos de Portugal e Moçambique, desenvolvendo actividades de promoção, divulgação, edição e distribuição de livros e literatura de escritores moçambicanos. In “Olá Moçambique” - Moçambique