Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Internacional - Brasileiro viajou sete meses em estradas de 30 países africanos

O brasileiro Anderson Araújo relatou à Lusa o seu percurso por África, durante sete meses, onde atravessou 30 países ao volante de um Toyota Land Cruiser, num roteiro que começou em Angola e terminou em Portugal.


A viagem, com uma distância estimada de cerca de 42.000 quilómetros, que tinha uma previsão de três meses e se prolongou por mais quatro, não tinha um itinerário definido nem um número de países estabelecido, apenas a intenção de percorrer os caminhos menos conhecidos e de ir descobrindo as histórias e culturas dos povos ao longo do caminho.

“A ideia era simplesmente viajar e, eventualmente, dar a volta ao mundo”, diz Anderson Araújo, de 42 anos, que trabalha entre Portugal e Angola.

O gestor de projectos comprou, em 2019, um Toyota Land Cruiser 78 – um veículo muito comum em África, segundo explicou – depois de abandonar a ideia inicial de fazer a viagem de mota. O carro, de 2006, acabou por se tornar a sua casa durante grande parte do percurso e atravessou com ele cerca de 30 países do continente africano, com paisagens tão díspares que vão desde selvas densas ao deserto do Sahara.

Do automóvel observou os céus estrelados do continente, pores-do-sol cujas cores são indescritíveis, viu manadas de animais a correr parques selvagens à noite e fez do pouco que tinha o seu maior conforto “do lar”.

Na primeira fase da viagem passou pelas nações mais austrais e orientais.

Entre safaris, praias e montanhas, uma das experiências que mais o marcou aconteceu no Quénia, onde explorou uma cratera vulcânica e acabou por se perder com o guia que o acompanhava. “Estávamos perdidos, mas a situação estava sob controlo”, conta, explicando que o momento acabou por se transformar numa “experiência aleatória e fantástica”.

Outro momento que destaca foi a passagem pelo Burundi, um dos países mais pobres do mundo, que o surpreendeu pelo acolhimento das pessoas, sempre dispostas a ajudar.

A segunda etapa da viagem foi a África Central e Ocidental. Foi também nesta fase que surgiram alguns dos momentos mais difíceis, particularmente por ter apanhado malária no Senegal e ter sofrido uma tentativa de assalto na Nigéria, em Lagos.

Do Senegal – nação vizinha da Guiné-Bissau – seguiu-se outra etapa muito complicada, quando o objectivo era rumar ao norte de África e, posteriormente, à Europa. Daqui, teve o seu visto negado 10 vezes para a Mauritânia, sendo que, para si, seguir a viagem pelo Mali – país em conflito com grupos terroristas – não seria opção e, por isso, as alternativas começavam a escassear.

Quando finalmente conseguiu entrar na Mauritânia, atravessou parte do Sahara e pôde percorrer o famoso caminho dos vagões de minério de ferro. Uma experiência ilegal, mas que, nas suas palavras, é “turisticamente permitida”. São cerca de 12 horas num vagão cheio de ferro, sob um sol abrasador e uma sensação térmica de perto de 50 graus Celsius.

Da Mauritânia seguiu para Marrocos e, posteriormente, atravessou o Estreito de Gibraltar em direcção à Europa.

Apesar dos percalços que teve pelo caminho, o veículo não sofreu avarias graves. Teve um pneu furado e precisou de trocar um radiador, mas nunca ficou parado na estrada durante os cerca de 42.000 quilómetros.

“Eu acho que eu tenho mais sorte do que juízo”, afirma, lembrando que, quando começou a viagem, nem sequer sabia trocar um pneu e, para dificultar, o único idioma que domina é o português.

Ao longo da viagem, não sentiu dificuldades em abastecer o veículo, mas explicou que geriu os seus recursos e abastecia mais em países com combustíveis mais baratos.

Questionado sobre o impacto desta viagem na sua vida, diz que ainda não “assimilou bem a experiência” e que esta foi apenas a conclusão de uma etapa que, assim que possível, será retomada a partir da Europa.

Em termos de aprendizagens, destaca que os países são mais do que os preconceitos que, por vezes, lhes são incutidos e que pode haver surpresas.

“Há mais pessoas para ajudar do que para atrapalhar pelo caminho”, conclui. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 29 de maio de 2024

Angola - Parque Nacional do Iona ainda está longe dos congéneres da região

Apesar das enormes diferenças entre os serviços disponíveis dentro do Iona e nos tradicionais parques naturais e zonas de conservação da Namíbia ou África do Sul, a província do Namibe apresenta vantagens comparativas, ao nível do acesso e dos preços das viagens, para os turistas angolanos


Apesar da gestão privada, que assumiu as rédeas em Fevereiro de 2020, quando foi concretizada a parceria entre o Governo e a ONG African Parks, factores como a pandemia e a ausência de infra-estruturas turísticas e de lazer têm atrasado a recuperação dos 15 150 quilómetros quadrados de reserva e dificultado o fomento da actividade económica no interior do Parque Nacional do Iona, onde actualmente vivem cerca de 7000 pessoas, naquela que é uma realidade ainda distante dos maiores parques naturais da região Austral.

Tanto no Parque Nacional de Etosha, na Namíbia, como no famoso Parque Kruger, na África do Sul, a oferta de safaris (passeios guiados para observar a vida animal) e de alternativas dentro das reservas para acomodação dos turistas é vasta e inclui diversas possibilidades para casais, famílias, empresas e outros grupos de visitantes.

Para os turistas internos, a grande vantagem do Parque Nacional do Iona está na proximidade e no preço - uma viagem de avião entre Luanda e Moçâmedes ronda os 100 mil Kz por pessoa, menos de um terço da ligação para Windhoek (Namíbia) e cerca de 15% do bilhete para Joanesburgo (África do Sul) -, para além da possibilidade de (re)descobrir o País. Em 2022, a reserva recebeu 998 visitantes.

"A vertente económica da nossa gestão é a que está mais atrasada. Mas antes de olharmos para o turismo precisávamos de ter tudo o resto a funcionar", justifica Pedro Monterroso, director do Parque Nacional do Iona, em conversa com o Expansão.

A abordagem geral da African Parks é sustentada em três vertentes: conservação da biodiversidade, desenvolvimento comunitário e geração de receitas e de oportunidades económicas. No último caso, as acções de cariz económico são importantes para sustentar e encaminhar recursos financeiros para a conservação, melhoria das condições de vida e de trabalho no interior dos parques.

O objectivo da organização "passa por valorizar aquilo que o Iona tem" e por "criar fontes de financiamento com a mínima dependência do Estado", explica Pedro Monterroso, que anunciou o início de um período de transição para que seja possível cobrar as taxas de acesso aos parques nacionais definidas recentemente. No futuro, o Iona deve ter uma tabela de acesso com preços específicos.

"O parque está aberto ao público e recebe visitantes com regularidade. Aconselhamos apenas que os visitantes contactem os nossos serviços com alguns dias de antecedência para adiantar e facilitar o processo de entrada no parque. Em termos de estadia, o acampamento é, por enquanto, a única possibilidade", descreve o responsável recrutado pela African Parks.

Nos próximos meses também está prevista a realização de obras de benfeitoria para melhorar as zonas de campismo e a identificação de possíveis parceiros para a construção de lodges no interior do Parque Nacional do Iona, ainda que o modelo de trabalho para concretizar estes investimentos não esteja totalmente definido.

"Estamos em conversações com o Governo para encontrar a melhor solução. Tipicamente, a African Parks identifica parceiros para investir na vertente mais turística, mas também pode avançar para um lodge próprio. Ou até desenvolver as duas possibilidades: investir nas suas instalações em determinada zona da reserva, enquanto outros investidores apostam noutras áreas dentro do parque", sublinha Pedro Monterroso.

História e números

A renovada base, que foi inaugurada com a presença de João Lourenço no último fim-de-semana, vai servir apenas a African Parks e as equipas de gestão do empreendimento. Naquela ocasião, Monterroso divulgou que desde o início da gestão privada já foram investidos mais de 10 milhões USD em infra-estruturas para o parque, recrutamento de pessoal, entre outras actividades.

De acordo com o relatório anual da ONG relativo a 2022, desde o início da parceria - o acordo firmado com o Ministério do Ambiente tem a duração de 20 anos - as despesas operacionais e de capital aumentaram 66% e os custos com os trabalhadores subiram 71%. Neste formato de parceria público-privada, o Estado (via Ministério do Ambiente e Instituto Nacional da Biodiversidade e Conservação) mantém a titularidade da reserva, mas assume um modelo de co-gestão operacional e financeira com a entidade privada. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”