Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de abril de 2026

África - Preços do cacau afundam 65% em apenas dois anos

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta mundial, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais


A evolução recente do preço do cacau nos mercados internacionais tem sido marcada por uma forte correcção, com quedas acumuladas na ordem dos 65% em cerca de dois anos, depois de um período de máximos históricos que alimentou expectativas de escassez prolongada. Depois de um pico de 11.675 USD/ton que aconteceu em Dezembro de 2024, o preço nos mercados internacionais tem vindo a cair até ao mínimo de 2798 USD/Ton em Janeiro deste ano, tendo no I trimestre de 2026 valorizado ligeiramente. Esta inversão reflecte, em primeiro lugar, um ajustamento entre oferta e procura, após um ciclo de forte valorização impulsionado por choques climáticos na África Ocidental e por constrangimentos logísticos globais.

Com a normalização parcial das colheitas, sobretudo na Costa do Marfim, e a reposição de stocks por parte das grandes indústrias transformadoras, os preços começaram a ceder, num movimento também influenciado pela desaceleração do consumo em mercados-chave, como a Europa e EUA, pressionados por inflação e perda de rendimento disponível. A isto junta-se a componente financeira, com investidores a reduzirem posições especulativas em commodities agrícolas, acelerando a trajectória descendente das cotações. É neste contexto de volatilidade que se reafirma a centralidade da África Ocidental no mercado mundial do cacau.

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais, mas também expõe o mercado a ciclos de instabilidade, dado que qualquer perturbação climática ou fitossanitária nestes países tem impacto imediato na oferta global.

Apesar deste domínio africano, começa a desenhar-se uma reconfiguração gradual do mapa produtivo, com a América Latina a ganhar protagonismo. O Equador destaca-se como o principal produtor fora de África, consolidando uma estratégia assente na qualidade, nomeadamente no segmento de cacau fino e de aroma, destinado a nichos premium da indústria do chocolate. Peru, República Dominicana e Colômbia seguem o mesmo caminho, ainda que com volumes mais modestos, mas com maior incorporação de valor. Esta aposta evidencia uma tentativa de fugir à lógica tradicional de exportação de matéria-prima, procurando capturar uma fatia mais significativa da cadeia de valor.

Já a Indonésia, que no passado ocupou posições cimeiras no ranking mundial, enfrenta actualmente uma trajectória mais errática. Continua a ser o maior produtor asiático, mas tem perdido competitividade devido ao envelhecimento das plantações, à menor renovação tecnológica e a problemas de produtividade, factores que têm limitado o seu peso relativo no mercado global.

Apesar da diversidade crescente de produtores, o destino do cacau mantém-se altamente concentrado. A esmagadora maioria da produção mundial é exportada para a Europa, onde se localizam as principais indústrias de transformação e fabrico de chocolate. Este desequilíbrio estrutural evidencia uma clivagem persistente: os países produtores, maioritariamente em África e na América Latina, continuam dependentes da exportação de cacau em bruto, enquanto o valor acrescentado é capturado nas economias industrializadas, perpetuando uma relação desigual numa das cadeias agroindustriais mais relevantes à escala global. Hermenegildo Ferreira – Angola in “Expansão”


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Estados Unidos – Jogo do Mundial de futebol entre a Colômbia e Portugal é o que tem mais procura por bilhetes

O último jogo de Portugal na fase de grupos do Campeonato do Mundo de 2026, contra a Colômbia, em Miami, em 27 de junho, foi a partida com mais procura por bilhetes, anunciou a FIFA


A FIFA anunciou na quarta-feira que recebeu mais de 500 milhões de pedidos de bilhetes para o Mundial2026, que se realizará no Canadá, nos Estados Unidos e no México, apesar da controvérsia em torno dos elevados preços dos bilhetes.

Os pedidos vieram de todos os 211 países e territórios membros da federação. Além dos três países anfitriões, a procura foi particularmente forte na Alemanha, Inglaterra, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha e Portugal, disse a FIFA, em comunicado.

Além do Colômbia-Portugal, os jogos com procura por bilhetes são o México-Coreia do Sul, em Guadalajara, México, a 18 de junho, e a final, em New Jersey, nos Estados Unidos, a 19 de julho.

Os adeptos tiveram até terça-feira para enviar os pedidos de bilhetes, que serão distribuídos através de um sistema de sorteio. Os resultados não serão anunciados antes de 05 de fevereiro, afirmou a FIFA. “Sabendo o quanto este torneio significa para as pessoas de todo o mundo, o nosso único pesar é não poder receber todos os adeptos nos estádios”, disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino.

A FIFA tem enfrentado críticas pela estratégia de preços para o Mundial2026. Segundo a organização Football Supporters Europe (FSE), os bilhetes custam cinco vezes mais do que no Mundial2022, no Qatar. Em resposta às críticas, a FIFA introduziu uma nova categoria de bilhetes com desconto em dezembro, com um preço de 60 dólares (51 euros).

O preço dos bilhetes para os jogos de Portugal no Mundial2026 custam entre 225 e 600 euros, segundo o sítio oficial da competição na Internet.

A FIFA colocou Portugal entre as seleções com os bilhetes mais caros durante a fase de grupos, juntamente com os três países anfitriões e com a Argentina, atual detentora do título, Brasil e Inglaterra. Isto significa que o ingresso mais barato para assistir ao vivo à estreia da seleção portuguesa no Mundial2026, que será em 17 de junho, em Houston, nos Estados Unidos, contra o vencedor do caminho 1 do play-off intercontinental (Jamaica ou Nova Caledónia ou República Democrática do Congo) custa 225 euros (265 dólares).

O valor mantém-se para os restantes dois jogos de Portugal no Grupo K, que serão frente ao Uzbequistão, em 23 de junho, igualmente em Houston, e Colômbia, em 27, em Miami.

Num cenário em que Portugal vença o grupo e chegue à final, um adepto precisa de gastar cerca de seis mil euros para assistir a todos os jogos da equipa das quinas.

O Mundial 2026 terá 16 cidades anfitriãs no Canadá, México e Estados Unidos, com a participação de 48 seleções num total de 104 jogos. O jogo de abertura será entre México e a África do Sul, em 11 de junho, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Portugal integra o Grupo K do Mundial2026, juntamente com Uzbequistão, Colômbia e o vencedor do caminho 1 do play-off intercontinental (com Jamaica, Nova Caledónia e RD Congo). In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Portugal - Intercepta narco-submarino com 1,7 toneladas de cocaína a caminho da Península Ibérica

As autoridades portuguesas interceptaram um navio que transportava drogas no Oceano Atlântico com 1,7 toneladas de cocaína destinadas aos mercados europeus. Quatro tripulantes foram presos


As autoridades portuguesas interceptaram um narco-submarino transportando mais de 1,7 toneladas de cocaína no Oceano Atlântico, numa operação coordenada com diversas agências estrangeiras, anunciou nesta segunda-feira a Polícia Judiciária portuguesa.

O submarino semissubmersível, com quatro tripulantes a bordo, tinha como destino "diversos países europeus", segundo as autoridades, que não especificaram o ponto de partida do submarino nem a nacionalidade dos detidos.

A Operação “El Dorado” envolveu a coordenação entre a Polícia Judiciária Portuguesa e a Marinha, com o apoio das autoridades do Reino Unido e dos Estados Unidos.

A Força Aérea Portuguesa, a Agência Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido, a Agência Antidrogas dos EUA e a Força-Tarefa Interagências Conjunta Sul participaram da interdição.

A polícia portuguesa também contou com o auxílio de informações do Centro de Análise e Operações Marítimas sobre o Tráfico de Drogas, com sede em Lisboa, que inclui oito países da UE — Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha, Países Baixos e Portugal — no fortalecimento da cooperação internacional contra o tráfico de drogas por via marítima e aérea.

As autoridades descreveram a apreensão como "um novo golpe para as redes transnacionais de tráfico de cocaína que operam entre a América Latina e a Europa".

Os navios semissubmersíveis, projetados para navegar parcialmente submersos a fim de evitar a detecção, representam um método preferido pelos cartéis de drogas para transportar grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para os mercados europeus.

O tráfico de drogas pelo Atlântico normalmente tem origem em regiões produtoras de cocaína na Colômbia, Peru ou Bolívia, antes de percorrer milhares de milhas náuticas para chegar à costa europeia.

As águas portuguesas têm se tornado cada vez mais pontos de trânsito para narcóticos que entram na Europa, com as autoridades relatando um aumento nas apreensões, à medida que as organizações de tráfico adaptam suas rotas e métodos para evitar a detecção. Euronews


domingo, 14 de setembro de 2025

Portugal - Ganha medalha de ouro e três de prata nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Biologia

Portugal conquistou uma medalha de ouro e três de prata nas XVIII Olimpíadas Ibero-Americanas de Biologia, realizadas na Colômbia, anunciou a Ordem dos Biólogos


Tomás Faria, do Colégio Moderno, em Lisboa, foi o aluno premiado com a medalha de ouro, e Daniel Marques, da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, Kaixin Cheng, da Escola Básica e Secundária de São Martinho do Porto, e Matilde Luís, do Colégio Moderno, ganharam as três medalhas de prata.

Estas olimpíadas, que encerraram em Armenia, Colômbia, tiveram início no passado dia 07, e o resultado alcançado pela comitiva portuguesa coordenada pelos professores Pedro Oliveira e Maria Margarida Roque “coloca Portugal entre os países mais destacados desta edição”, considerou a Ordem dos Biólogos no comunicado enviado hoje.

No mesmo documento enviado às redações, a bastonária da Ordem dos Biólogos, Maria de Jesus Fernandes, considerou que este resultado é “motivo de orgulho nacional”.

“Os nossos alunos mostraram ao mundo a qualidade da ciência e do ensino da Biologia em Portugal”, disse a bastonária, acrescentando que estas medalhas “são fruto do talento, do trabalho árduo e da dedicação destes jovens e dos professores que os acompanham ao longo do ano”.

A Ordem dos Biólogos destacou ainda que estas olimpíadas são “uma das competições internacionais mais relevantes da disciplina” e “uma oportunidade de partilha cultural e de construção de laços entre jovens de diferentes países”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Internacional - As ameaças de Trump para 2025

O ano começa mal e poderá ficar pior. Quem garante isso é o milionário Donald Trump, de volta à presidência dos Estados Unidos dentro de alguns dias, numa conversa com a imprensa praticamente quatro anos depois de ter incitado o ataque ao Capitólio.

Saboreando seu retorno ao poder, quer posar como um conquistador e não se envergonha de revelar suas aspirações expansionistas: tomar o Canal do Panamá, se apossar da Groenlândia e tornar o Canadá num novo estado norte americano, com o uso da força militar se for preciso. Esse é só o aperitivo, depois tem mais...

Estamos delirando, foi champagne demais no réveillon ou Trump está propondo mesmo trazer a guerra para perto de nossas fronteiras? O presidente do Panamá já disse não estar disposto a ceder os 77 km do canal, projetado e iniciado, em 1880, pelo francês Ferdinand de Lesseps, com sua experiência na construção do Canal de Suez. Cinco anos depois, a empresa faliu.

Nessa altura, a região onde tinham começado as obras do Canal pertencia à Colômbia. Mas o presidente norte-americano Theodore Roosevelt percebeu a importância geográfica e econômica do empreendimento e negociou o controle da região com a Colômbia para concluir o Canal. Entretanto, o senado colombiano não aprovou o acordo.

Diante desse impasse, os EUA incentivaram o movimento de independência do Panamá que, em contrapartida, lhes concederia o controle da região e a continuação da construção do Canal. A frota norte-americana ficou por perto, impediu a intervenção colombiana e os EUA passaram a ter o controle da zona, pagando também 10 milhões de dólares mais uma espécie de aluguel anual.

Com base nas pesquisas de um médico cubano, foi promovida a erradicação dos mosquitos transmissores da febre amarela, em 1905, causadores até ali de milhares de mortes de trabalhadores. O Canal foi inaugurado em 1913 com a presença do presidente norte-americano e foi muito utilizado pelos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, para chegar ao Japão depois do ataque a Pearl Harbour.

No fim do século passado, foram aplicados os tratados que previam uma entrega gradual do controle da região ao Panamá. Esse controle implicou na ampliação do Canal, a fim de poder ser utilizado por navios maiores e mais largos.

Se Donald Trump quiser retomar o controle do Canal poderá negociar um novo acordo com o Panamá. Imagina-se ser a ameaça de uma invasão armada um tipo de pressão própria de Trump. Como no passado, os EUA de Trump poderiam usar de sua força econômica e militar para fomentar um Golpe, em troca do retorno do controle do Canal.

No caso de um ataque militar, o Panamá não terá condições para se defender, pois desde 1990 dissolveu as forças armadas, decisão confirmada quatro anos depois pelo Parlamento. Entretanto, é imaginável a intervenção direta ou indireta de alguns países e a criação de um clima geral de instabilidade. O Brasil teria um papel importante nesse tipo de crise.

Em todo caso, o atual presidente do Panamá, José Raúl Mulino, já disse num comunicado publicado na plataforma social X que, "cada metro quadrado do Canal continuará pertencendo ao Panamá".

Com relação à ameaça trumpista de se apossar da ilha da Groenlândia, ela revela a maldosa dualidade do seu pensamento. Embora seja negacionista e esteja disposto a bloquear e dificultar todas medidas destinadas a impedir ou atrasar o processo das mudanças climáticas, Trump deseja abocanhar essa região pouco habitada, administrada pela Dinamarca, para os EUA se beneficiarem do derretimento das águas marítimas próximas do Ártico e assim passarem a dispor de uma nova rota marítima para a Ásia. Além de poder se tornar base estratégica, a ilha de Groenlândia é rica em recursos minerais e petróleo

Com relação ao Canadá, Trump não pretende enviar tropas armadas mas exercer um forte pressão para o governo canadense ver a grande vantagem de se integrar nos EUA, não só do ponto de vista aduaneiro com o fim das taxas alfandegárias, como pela proteção representada diante, no caso de guerra, de ataques de navios russos ou chineses.

Essa questão alfandegária foi um dos pontos de desacordo dentro do governo canadense, responsáveis pela demissão do primeiro-ministro Justin Trudeau, para quem "o Canadá nunca, jamais, fará parte dos Estados Unidos". Ao que Elon Musk respondeu, trocando maldosamente presidente por governador: "você não é mais governador do Canadá, o que você diz não tem nenhuma importância".

Como se não bastasse Donald Trump ter o apoio irrestrito do dono da plataforma X, Elon Musk, acaba de receber a sujeição de Mark Zuckerberg, dono da Meta. Ambos são contrários a qualquer tipo de censura nas redes sociais, abrindo o caminho para o uso em profusão das notícias falsas (fake news). Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Portugal - Investigadores exploram células do tamarilho com potencial para produção de substâncias ativas

Um grupo de investigadores do Laboratório de Biotecnologia Vegetal do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) tem vindo a explorar, ao longo dos últimos anos, linhas celulares de plantas solanáceas, nomeadamente o tamarilho, com o objetivo de induzir a produção de moléculas ativas em cultura in vitro com potencial para aplicação em diferentes setores.

O projeto PlantReact, um dos vencedores dos Prémios Semente da Universidade de Coimbra, centrou-se na produção de enzimas hidrolíticas, moléculas com a capacidade de decompor outras moléculas em frações mais simples. 

«Estas enzimas têm um amplo leque de aplicações, incluindo nos setores industrial, farmacêutico e na luta contra fungos e bactérias, devido às suas propriedades de resposta a reações de stress. A obtenção de fontes sustentáveis para a produção destas enzimas é de grande relevância», considera Sandra Correia, investigadora do CFE e diretora do Departamento de Proteção de Culturas Específicas no Laboratório Colaborativo InnovPlantProtect. 

Até ao momento, os resultados alcançados mostram que os produtos obtidos se enquadram na classe de compostos ativos com potencial para reduzir o impacto de fungos em determinadas culturas agrícolas, embora seja necessário mais financiamento para realizar testes adicionais e validar esta aplicação.

Segundo a especialista, no decorrer da investigação, foi possível realizar análises proteómicas detalhadas e compreender em que condições estas proteínas são produzidas, assim como identificar fatores que estimulam a sua produção. Além disso, foram conduzidos ensaios de atividade enzimática em condições in vitro, marcando um avanço significativo na exploração do potencial destas células vegetais. Foi ainda possível aumentar a escala de produção desses compostos através de crescimentos celulares em bioreatores. 

«A agricultura celular, apesar de ser uma área emergente, mostra um enorme potencial para a produção de compostos ativos de forma controlada, segura e sustentável. As células vegetais destacam-se por possuírem características únicas que permitem produzir compostos de interesse industrial e alimentar, sem a necessidade de explorar recursos naturais de forma intensiva», revela a especialista, sublinhando que «este método possibilita controlar e até aumentar a produção de forma rigorosa». 

De acordo com o grupo de investigação, o tamarilho revelou-se uma espécie particularmente adequada para esta investigação, dada a facilidade de indução de linhas celulares a partir de uma simples folha, transformando-a numa massa de células pluripotentes com um potencial metabólico variado. Estas células podem, assim, ser estimuladas a produzir diferentes compostos de interesse.

«O projeto PlantReact posiciona-se, assim, como um avanço promissor no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a produção de moléculas ativas de alto valor, contribuindo para a inovação na agricultura celular e na biotecnologia vegetal», conclui. 

O projeto PlantReact, financiado pelo Banco Santander, contou com a colaboração entre o CFE, o Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), o Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar (CATAA) e a Universidade de Antioquia, na Colômbia. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

América do Sul - Mais de 420 mil crianças são afetadas por seca recorde na Amazónia, diz Unicef

Choques climáticos no Brasil, Colômbia e Peru deixam menores sem acesso à educação, alimentos e serviços vitais. Mais de 1,7 mil escolas brasileiras foram fechadas ou ficaram inacessíveis devido aos níveis baixos de água nos rios


Mais de 420 mil crianças estão afetadas pela seca recorde que atinge a Amazónia, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
O evento climático extremo, desde o ano passado, deixou os rios da bacia amazónica em níveis extremamente baixos, afetando severamente o Brasil, Colômbia e Peru.
Mais de 1,7 mil escolas fechadas no Brasil
Nestes países, as famílias que vivem em comunidades ribeirinhas e indígenas dependem dos rios para transportar e aceder a alimentos, água, combustível e suprimentos médicos básicos.
A via fluvial também é importante para que as crianças consigam ir às aulas. Somente no Brasil, mais de 1,7 mil escolas e 760 centros de saúde foram fechados ou ficaram inacessíveis devido aos níveis baixos dos rios.
A última avaliação do Unicef em 14 comunidades no sul da Amazónia brasileira, revela que metade das famílias está com os seus filhos fora da escola como resultado da seca.
“A saúde da Amazónia afeta a saúde de todos”
A oferta de serviços essenciais, incluindo saúde e proteção infantil também foi interrompida na região.
A diretora executiva da Unicef, Catherine Russell disse que a região vivencia a devastação de um ecossistema essencial do qual dependem as famílias, “deixando muitas crianças sem acesso adequado a alimentos, água, cuidados de saúde e escolas".
Ela afirmou que é preciso mitigar os efeitos da crise climática extremas para proteger as crianças hoje e as gerações futuras. Para Russell, “a saúde da Amazónia afeta a saúde de todos”.
Crises na Colômbia e no Peru
Já na Amazónia colombiana, a queda foi mais drástica de até 80%, restringindo o acesso à água potável e ao abastecimento de alimentos.  Em mais de 130 escolas, aulas presenciais foram suspensas.
Isso aumentou o risco de recrutamento, uso e exploração por grupos armados não estatais e levou ao aumento de infecções respiratórias, diarreias, malária e desnutrição aguda entre os menores de 5 anos.
No Peru, a região nordeste de Loreto é a mais afetada pela seca, deixando em risco comunidades remotas, a maioria delas indígenas e já vulneráveis.
Mais de 50 centros de saúde tornaram-se inacessíveis, enquanto os incêndios florestais, muitas vezes gerados pelo ser humano e impulsionados pela seca, estão causando devastação sem precedentes e perda de biodiversidade em 22 das 26 regiões do país.
Necessidade de US$ 10 milhões para a resposta
A Unicef estima que US$ 10 milhões são necessários durante os próximos meses para atender às necessidades mais urgentes das comunidades afetadas pelas secas no Brasil, Colômbia e Peru, incluindo a distribuição de água e outros suprimentos essenciais.
O investimento também cobriria mobilização de brigadas de saúde e fortalecimento da resiliência dos sistemas comunitários e serviços públicos locais nas comunidades indígenas afetadas.
A Amazónia é a maior e mais diversificada floresta tropical do planeta e abrange nove países da América do Sul. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Colômbia - Avistada ave com traços de ambos os sexos

Hamish Spencer, professor e zoólogo na Universidade de Otago (Nova Zelândia), estava de férias na Colômbia, quando foi alertado por um ornitólogo amador, John Murillo, para a presença de um saí-verde (Chlorophanes spiza) com um aspeto peculiar que andava numa reserva natural a 10 quilómetros da cidade de Manizales.


Este passeriforme, da família dos Traupídeos, é frequentemente observado ao longo de uma vasta área que se estende desde o sul do México à região sudeste do Brasil. Por isso, a sua presença na Colômbia não era surpreendente.

Mas o que deixou o biólogo neozelandês de queixo caído foi o facto de a ave apresentar uma coloração singular: metade azul e metade verde. Nessa espécie, a cor azul identifica os machos, e a cor verde as fêmeas. Por isso, era uma ave metade fêmea, metade macho.

Para tentar desvendar o mistério, a dupla pediu aos proprietários da reserva que criassem uma estação de alimentação, com fruta e água açucarada, para atrair a ave e ser possível observá-la de mais perto e durante mais tempo. Entre outubro de 2021 e junho de 2023, Murillo avistou várias vezes o animal, o que permitiu confirmar que, de facto, se tratava de um indivíduo adulto com traços de fêmea e de macho, ou seja, um ginandromorfo.

“Muitos observadores de aves podem passar as suas vidas sem alguma vez verem um ginandromorfo bilateral em qualquer espécie de aves”, explica Spencer, apontando que “o fenómeno é extremamente raro nas aves”.

O ginandromorfismo bilateral, em que um lado do corpo apresenta caraterísticas masculinas e o outro lado traços femininos, já foi registado numa série de espécies de aves, mas esta é apenas a segunda vez, em cerca de 100 anos, que é observado num saí-verde.

Num artigo publicado na revista ‘Journal of Field Ornithology’, assinado por Spencer, Murillo e outros investigadores, é explicado que o ginandromorfismo acontece mais frequentemente em espécies com um forte dimorfismo sexual, isto é, em que machos e fêmeas têm características físicas bastantes distintas um do outro.

No entanto, tende a acontecer sobretudo em insetos, crustáceos, aranhas, lagartos e até em roedores.

Spencer sugere que o fenómeno ocorre devido a “um erro” durante o processo de formação dos ovos, a meiose, em que o número de cromossomas femininos é reduzido para metades, e por uma “dupla fertilização por dois espermatozoides”.

Apesar o aspeto peculiar, a ave não apresentava um comportamento que não fosse esperado de um saí-verde, embora os investigadores tenham percebido que a ave tendia a evitar outros membros da sua espécie, que também pareciam evitar a companhia do saí ginandromorfo.

“Por isso, parece pouco provável que este indivíduo tivesse tido qualquer oportunidade para se reproduzir”, escrevem no artigo.

No entanto, não foi possível perceber se os órgãos internos do animal também apresentavam sinais de ginandromorfismo bilateral, mas os investigadores dizem que isso é algo expectável, com base em estudos realizados sobre outras aves com essa condição, que apresentavam quer ovários, que testículos.

A ave agora observada tinha penas azuis (macho) no lado esquerdo e penas verdes (fêmea) no lado direito, “o oposto do anterior caso de há mais de 100 anos”, escrevem. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers”


domingo, 7 de agosto de 2022

Colômbia - Beija-flor Asa-de-sabre-de-santa-marta volta a ser avistado após uma década


Após mais de uma década, o beija-flor Asa-de-sabre-de-santa-marta (Campylopterus phainopeplus) foi reencontrado nas florestas da Sierra Nevada de Santa Marta, na Colômbia. O momento inesperado ocorreu perto do rio Guatapurí, a 1530 metros de altitude, com o ornitólogo Yurgen Vega, que se encontrava numa expedição do World Parrot Trust, da SELVA – Pesquisa para Conservação nos Neotrópicos e do ProCAT Colombia – Projeto de Conservação de Águas e Solos, para estudar aves endémicas da região.

“Ao sair da área onde estava a trabalhar, um beija-flor chamou-me à atenção. Peguei nos meus binóculos e fiquei chocado ao ver que era um Asa de sabre de santa marta, e num incrível momento de sorte o beija-flor pousou num ramo, dando-me tempo para tirar fotografias e filmar”, revela Yurgen Vega, em comunicado.

Segundo o investigador, tratava-se de um macho e o seu comportamento e vocalização foram associados à defesa do território ou ao cortejo, embora não tivesse sido avistado mais nenhum espécime no local. Os especialistas sugerem que existe ali uma população muito pequena, que se encontra a diminuir.

A Campylopterus phainopeplus é uma espécie rara identificada em 1946 e vista pela última vez em 2010, em San Lorenzo. Esta é a terceira vez que é documentado um avistamento da mesma.

“Esta redescoberta é espantosa e deixa-me esperançoso de que começaremos a compreender melhor esta ave misteriosa e ameaçada”, refere o cientista Esteban Botero-Delgadillo, da SELVA. “No entanto, encontramo-la numa área desprotegida, o que significa que é extremamente importante que os conservacionistas, as comunidades locais e as instituições governamentais trabalhem juntos para aprender mais sobre os beija-flor e a protegê-los e ao seu habitat antes que seja tarde demais”.

A ave está entre as 10 aves perdidas mais procuradas no planeta, no âmbito da iniciativa Search for Lost Birds, que une as organizações Re:wild, American Bird Conservancy (ABC) e BirdLife International. Além disso, encontra-se classificada como “criticamente em perigo” de conservação pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

América do Sul - Representantes de nove países reinstalam o Parlamento Amazônico

 


Com representantes do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana, Equador e Guiana Francesa foi reinstalado nesta segunda-feira o Parlamento Amazônico (Parlamaz). Criado há 32 anos, o grupo tem o objetivo de estabelecer políticas integradas e estreitar as relações entre os países-membros na discussão sobre as questões amazônicas, promovendo a cooperação e o desenvolvimento sustentável da região Amazônica.

“A nossa pauta principal neste momento é a proteção do nosso imenso patrimônio, constituído pela Floresta Amazônica. São 7 milhões de quilômetros quadrados de pura riqueza, a região de maior biodiversidade do planeta”, ressaltou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), eleito por aclamação para presidir o Parlamaz. Em reunião remota do colegiado hoje (21), Trad deu prazo até 21 de janeiro para que os membros indiquem candidatos para a vice-presidência e apontamentos para o plano de trabalho do grupo. A data da próxima reunião do Parlamento Amazônico ainda não foi definida.

Criado em 17 de abril de 1989, o Parlamaz funcionou por alguns anos, mas acabou desmobilizado. A ideia de reativá-lo, depois de oito anos inativo, voltou em 2019, após uma reunião dos países-membros na Embaixada do Equador. Segundo Nelsinho Trad, depois daquele encontro foram realizados debates decisivos para a continuidade do projeto.

“Nossa intenção é dar voz às populações nativas, oferecer não uma obra passageira, mas uma contribuição definitiva que se perpetuará no tempo. A reinstalação do Parlamaz significa um passo importante, e os resultados poderão impactar de modo decisivo e firme o nosso futuro”, afirmou.

Para o deputado colombiano Juan David Velez, outro grande desafio dos países-membros é sugerir ações de proteção ao meio ambiente também de forma geral. “Para nós, o Parlamaz trará sinergia para a região [Amazônica], visando ações que gerem produtividade sustentável e riqueza. Não queremos seguir com a pobreza, e precisamos tratar desse tema de modo responsável”, disse.

Uma das representantes da Bolívia, a deputada Marta Ruiz Flores disse que o parlamento boliviano está comprometido com a causa. Segundo ela, juntos, os países do Parlamaz podem promover mudanças importantes para a sustentabilidade do bioma amazônico.

Aquecimento global

Na opinião do presidente da Assembleia Nacional da Guiana, Manzoor Nadir, o aquecimento global tem trazido mudanças e consequências que não podem ser medidas, mas que precisam ser combatidas. Ele chamou atenção para a responsabilidade do Parlamaz em relação à legislação ambiental. “Estamos falando de uma lei que tem um poder único de apresentar números e trazer soluções. Nosso tempo de agir é agora”, disse.

O deputado brasileiro Léo Moraes (Podemos-RO) disse que além de defender os amazônidas, como indígenas e ribeirinhos, é fundamental que o grupo parlamentar chame à participação todas as populações que habitam a área. “Temos que cuidar e aliançar o interesse pelo desenvolvimento e pelo progresso pensando, sobretudo, na nossa soberania. Ninguém melhor que os moradores e desbravadores dessa região para nos transmitir as experiências inerentes a esse rincão e estamos à disposição para promover esse bom debate”, disse.

Para Carlos Alberto Lázare Teixeira, da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), o Parlamaz é um canal de diálogo e cooperação entre os legislativos desses países, fundamental para consolidar as políticas de Estado necessárias à Amazônia.

Composição

Brasil: senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Eduardo Braga (MDB-AM), Plínio Valério (PSDB-AM), Paulo Rocha (PT-PA) e Telmário Mota (Pros-RR); e os deputados Marcelo Ramos (PL-AM), Léo Moraes (Podemos-RO), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e José Ricardo (PT-AM).

Bolívia: Marta Ruiz Flores, Sara Kattya Condori, Carlos Hernán Arrien Aleiza, Alcira Rodríguez, Ana Meriles e Genaro Adolfo Mendoza.

Colômbia: Germán Alcides, Blanco Álvares, Harry Gonzalez, Henry Correal, Juan David Velez, Maritza Martinez, Harold Valencia, Carlos Cuenca e Jorge Guevara.

Equador: Fernando Flores, Carlos Cambala.

Guiana: Manzoor Nadir.

Peru: Gilmer Trujillo Zegarra.

Suriname: Marinus Bee.

Venezuela: María Gabriela Hernández Del Castillo, Romel Guzamana. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “EBC”

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Brasil - Ganha prémio da ONU sobre combate à malária em época de pandemia

Iniciativas do estado do Pará e Amazonas foram as escolhidas ao lado de projetos da Honduras, Colômbia e Haiti. A distinção “Campeões contra a Malária nas Américas” contou com vídeos selecionados pela Organização Mundial da Saúde, OMS, e pela Organização Pan-Americana da Saúde, Opas



Dois projetos brasileiros de combate à malária durante a crise global do novo coronavírus receberam o prémio “Campeões contra a Malária nas Américas”, concedido por duas agências da ONU.

As iniciativas dos municípios de Atalaia do Norte, no Amazonas, e Oeiras, no estado do Pará, foram escolhidas ao lado de outros projetos da Colômbia, do Haiti, e da Honduras.

Indígenas

Os prémios foram entregues no Dia de Combate à Malária nas Américas pela Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS. A Fundação das Nações Unidas e outros parceiros da ONU também apoiaram a distinção.

A escolha foi feita com base em vídeos dos projetos apresentados no fórum “Zerar a malária começa comigo: combata a Covid-19, proteja os trabalhadores de saúde e acabe com a malária.”

O projeto de Atalaia do Norte, no Amazonas, mostra a participação da comunidade na vigilância e controle do vetor, além de ajudar a detectar a infecção e a buscar o tratamento com a população indígena.

Já a iniciativa de Oeiras do Pará ajudou a cortar o fardo da malária em 11 mil casos de 2018 para menos de 1 mil casos este ano. Com isto, o município pulou do 27 lugar na lista de novas infecções para o terceiro.

Parasitas

Um dos diretores da Opas, Jarbas Barbosa, disse que apesar de tempos sem paralelo, por causa da pandemia, o apoio da agência para combater a malária permanece mais forte que nunca.

A doença, que pode ser letal, é causada por parasitas transmitidos às pessoas pela picada de mosquitos infectados. Quase metade da população mundial corre risco de contágio especialmente os que vivem em países de baixo rendimento. Nas Américas, 132 milhões de pessoas moram em áreas de risco de malária. ONU News – Nações Unidas

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Colômbia – Literatura portuguesa no centro da Festa do Livro e da Cultura de Medelín

 


A 14.ª edição da Festa do Livro e da Cultura de Medelín, que terminou no passado dia 11 de Outubro, naquela cidade colombiana, realizou-se este ano de forma virtual, centrada na cultura portuguesa e sob o tema da “Diáspora”, anunciou a Cátedra Pessoa.

Portugal esteve presente em quatro eventos da festa literária, em emissões ao vivo no canal de Youtube, mas também através do Facebook.

Organizada com a colaboração da Cátedra de Estudos Portugueses Fernando Pessoa e o Leitorado Bogotá, de língua e cultura portuguesas, localizados na capital colombiana, a Festa do Livro e da Cultura esteve aberta este ano à participação de qualquer parte do mundo.

O tema central foi a “Diáspora”, uma reflexão sobre um termo que muitas vezes se pensa distante, mas que, “na verdade, é parte da nossa identidade”, como afirmou a directora do evento, Ana Piedade Jaramillo: “A nossa riqueza cultural está na diversidade e isso nos torna únicos”.

A poeta portuguesa Patrícia Lino participou em “Conversas da tarde” com a crítica e curadora Sol Astrid Giraldo, a artista visual e escritora Verônica Gerber Giecci, e a gestora cultural Stefanía Rodriguez.

Também foi exibido um painel subordinado ao tema “Ver com outros olhos. Ecos de outros artistas no próprio trabalho” contou com a participação do escritor Gonçalo M. Tavares, que esteve à conversa com o também escritor Pablo Montoya e a jornalista Ana Cristina Restrepo.

Seguiu-se uma conversa entre o professor e investigador Jerónimo Pizarro, responsável pelo resgate e edição de dezenas de obras de Fernando Pessoa, e a poeta colombiana Lucia Estrada. Ambos falaram sobre uma antologia poética de Alexandre O’Neill, “Acordeón”.

Jerónimo Pizarro foi também o responsável pela selecção, tradução e prefácio desta obra, uma novidade da Fondo de Cultura Económica (FCE) – Columbia.

Na tarde do dia 11 de Outubro, a escritora Dulce Maria Cardoso e a escritora e argumentista Isabel Botero conversaram com Jerónimo Pizarro sobre a errância das suas personagens, num painel intitulado “Passageiros em transe. Não importa para onde vamos, transportamo-nos sempre uns aos outros”.

Todos os eventos foram transmitidos através do YouTube da Festa do Livro e atualizados na pagina de Facebook da Cátedra Pessoa.

Esta iniciativa contou com o apoio da Embaixada de Portugal na Colômbia, do Instituto Camões e da Universidade dos Andes. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul

sábado, 3 de outubro de 2020

Colômbia - Instituto Camões ajuda a equipar hospital no país

 


O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e a Agência Presidencial de Cooperação Internacional da Colômbia (APC-Colômbia) celebraram esta semana um protocolo de cooperação para apoio humanitário no setor da saúde, que beneficiará também deslocados da Venezuela

O protocolo dá início oficial ao projeto de “aquisição de equipamentos biomédicos e mobiliário hospitalar para os serviços de obstetrícia e hospitalização do Hospital ESE San José de Maicao”, adiantou em comunicado o Camões.

A execução do projeto poderá beneficiar mais de 160 mil pessoas, que diariamente procuram os serviços do Hospital de Maicao, maioritariamente provenientes da Venezuela, permitindo não só melhorar o atendimento materno-infantil, mas também contribuir para a resposta de emergência aos casos motivados pela pandemia de covid-19, referiu a nota.

O projeto, que visa o fortalecimento institucional do Hospital de Maicao, no departamento de La Guajira, na Colômbia, tem um orçamento total aproximado de 100 mil euros, financiado pelo Camões, mas será a APC-Colômbia a entidade que administrará os recursos e fará o seu acompanhamento, acrescentou o comunicado.

“Com a assinatura deste protocolo, as relações bilaterais entre Portugal e a Colômbia são reforçadas e é reafirmada a intenção da União Europeia e dos seus Estados-membros em apoiar a região afetada pela crise humanitária e fluxo de populações deslocadas e em situação de vulnerabilidade provenientes da Venezuela”, sublinhou o Camões.

A cerimónia de assinatura do protocolo pelo presidente do Camões, Luís Faro Ramos, e pela diretora da APC-Colômbia, Angela Ospina de Nicholls, foi testemunhada pela embaixadora de Portugal em Bogotá, Gabriela Soares de Albergaria, e pela embaixadora da Colômbia em Portugal, María Elvira Pombo, e contou com a participação do vice-ministro da Saúde da Colômbia, Luis Alexander Moscoso.

O Camões é um instituto público, tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tem por missão propor e executar a política de cooperação portuguesa e a política de ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sábado, 15 de abril de 2017

Brasil – Vai triplicar exportação de automóveis para a Colômbia

Brasília - O Brasil fechou um acordo com a Colômbia que vai triplicar as exportações de automóveis para aquele mercado no prazo de três anos. As vendas, que somaram 17,5 mil unidades no ano passado, devem chegar a 50 mil.

O ministro Marcos Pereira finalizou as tratativas do acordo durante agenda de trabalho em Buenos Aires na semana passada. Com vistas a fortalecer e aumentar o comércio entre Brasil e Argentina e com os demais parceiros da América Latina, o ministro participou da 4ª Reunião da Comissão Bilateral de Produção e Comércio Brasil-Argentina e da Primeira Reunião do Conselho de Ministros da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Mercosul.

Em Buenos Aires, o ministro participou ainda do Fórum Econômico Mundial da América Latina 2017 e se reuniu com autoridades de vários países, entre eles, a ministra do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, Maria Claudia Lacouture. Neste encontro, eles finalizaram as negociações para aumentar a venda de automóveis para a Colômbia.

“O entendimento com a ministra Maria Claudia Lacouture sobre o acordo automotivo com a Colômbia já vinha sendo construído desde nosso primeiro encontro, em Medellín. É uma medida importante, de grande interesse das montadoras instaladas no Brasil, mas sobretudo um passo a mais na direção da integração regional, com diversas possibilidades comerciais entre nossos países. É uma grande vitória para ambos”, afirmou Marcos Pereira.

O acordo com a Colômbia define cotas para que os países possam exportar automóveis, vans e veículos comerciais leves com alíquota zero – até então as exportações estavam sujeitas ao recolhimento do Imposto de Importação de 16%. Serão 12 mil unidades no primeiro ano, 25 mil no segundo e 50 mil do terceiro ao oitavo anos. Depois disso, haverá uma revisão. Se ela não for feita, permanecem as 50 mil unidades.

O acordo determina que a Colômbia possa exportar as mesmas quantidades para o Brasil sem recolher impostos. A Colômbia deve iniciar as vendas ao Brasil em aproximadamente um ano e meio. In “MDIC” - Brasil

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Colômbia – O galeão San José trezentos anos depois

O Presidente colombiano não avançou o nome do seu parceiro privado. A ser encontrada, a carga de ouro e esmeraldas com que até García Márquez sonhou promete gerar polémica - é que será preciso dividi-la.



Trezentos anos depois, o galeão San José começa a emergir ainda que, para já, não fisicamente. O Presidente da Colômbia revelou no sábado que os destroços da embarcação espanhola foram localizados e anunciou a intenção de criar um museu.

Depois das “óptimas notícias” da descoberta, que partilhou em primeira mão no Twitter, o Presidente colombiano apresentou-se numa conferência de imprensa na base naval de Cartagena - a localidade de onde o San José partiu para a sua derradeira viagem em 1708 - e foi peremptório: “Sem dúvida, sem qualquer espaço para dúvidas, encontrámos, 307 anos depois de se ter afundado, o galeão San José”, anunciou Juan Manuel Santos.

Para os especialistas a descoberta é inequívoca. Na base desta certeza estão os canhões de bronze feitos especificamente para esta embarcação, uma das maiores da coroa espanhola, e que puderam ser observados através de imagens captadas por um sonar, que revelou ainda peças de cerâmica e outros artefactos.

A descoberta foi levada a cabo pelo Estado colombiano numa parceria público-privada, dirigida pelo Ministério da Cultura, com a supervisão técnica do Instituto Colombiano de Antropologia e História e a colaboração de peritos internacionais, cujas identidades as autoridades preferiram não revelar.

As operações de localização do galeão terminaram a 27 de Novembro nas proximidades de Barú, uma península entre a baía de Cartagena e as Ilhas do Rosário. O processo de escavação, intervenção e conservação deverá durar vários anos.

O museu que receberá os artefactos resgatados do San José, e cuja criação o Presidente anunciou também na conferência de imprensa, será construído em Cartagena.

Não se conhece ainda a extensão dos vestígios do galeão nem se sabe se será possível trazê-lo à superfície. Para já, pelas imagens recolhidas, o que as autoridades colombianas podem dizer é que acreditam que a sua carga se encontra preservada. Dela contarão ouro, moedas de prata, esmeraldas e, possivelmente, outras pedras preciosas. De acordo com a agência Reuters, este espólio poderá valer mais de mil milhões de euros, mas basta percorrer a imprensa internacional para perceber que este não é um número consensual - há quem fale em cinco mil milhões de euros.

Referindo-se àquele que será, provavelmente, “o mais valioso tesouro encontrado na História da humanidade”, e evocando o segredo de Estado, Juan Manuel Santos escusou-se a identificar o parceiro privado que se associou a esta operação de resgate.

Questão delicada

Os destroços do San José, tal como os de cerca de mil outras embarcações que se terão afundado naquela região ao longo dos três séculos de domínio colonial, encontram-se salvaguardados pela Convenção da UNESCO para a Protecção do Património Cultural Subaquático.

Em traços gerais, este documento de 2001, que Portugal também ratificou, defende que os galeões e outros navios naufragados que navegassem ao serviço do Estado devem ser considerados como embaixadas flutuantes, ou seja, como território do respectivo Estado. Nesse sentido, pertencem ao país de origem e não ao país em cujas águas foram encontrados. Ainda que a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) seja aparentemente clara nesta matéria, a aplicação das suas directivas é depois muito díspar. Em primeiro lugar, porque muitos países não adoptaram a Convenção e, em segundo, porque se trata de uma questão delicada, de interpretação complexa, que não pode ignorar a legislação do património de cada Estado.

Recorde-se que, em 2013, a Colômbia aprovou uma nova lei relativa ao seu património submerso que, segundo os mais críticos do documento, abriu espaço para a actividade de caçadores de tesouros. A legislação prevê que as empresas interessadas em procurar navios naufragados em águas colombianas avancem com uma parcela do financiamento e, em contrapartida, recebam uma fracção da carga descoberta segundo o critério da “repetição”. Ou seja, se for encontrado um lote de moedas de ouro o governo colombiano fica com parte delas para si e outras, desde que sejam iguais, podem ser usadas como forma de pagamento à empresa.

Jesus Garcia Calero, jornalista do diário espanhol ABC especializado em assuntos de património, lamentou num artigo que o presidente “não tenha esclarecido de que forma a equipa foi assistida por uma empresa privada”.

Calero defende que o San José, “o galeão ao qual todos os caçadores de tesouros do mundo sonharam alguma vez dar o golpe”, tem uma “história que merece se contada, mas não merece ser vendida”.

O San José fazia parte da frota do rei Filipe V usada em combate contra os ingleses durante a Guerra da Sucessão espanhola. Era, para muitos, a mais importante das embarcações da armada.

Ainda em 2013, a propósito da aprovação da nova lei colombiana, a UNESCO evocou a Convenção de 2001 para lembrar que “o património subaquático não deve ser vendido porque pertence a toda a humanidade".

A presidência colombiana, por seu lado, garante que os artefactos encontrados “fazem parte do Património Cultural da Nação, à excepção daquilo que a própria lei estabelece como não o sendo". Num comunicado oficial reitera-se que “a lei permite que se possa dispor dos elementos que não sejam considerados património”.

Que galeão é este?

Com 45 metros de comprimento, 13 de largura e capacidade para aproximadamente 70 canhões, o San José cruzou-se com a armada liderada pelo almirante inglês Charles Wager no dia 8 de Junho de 1708. Os ingleses procuravam impedir os barcos espanhóis de atravessarem o oceano com cargas preciosas, que serviriam para financiar o esforço de guerra franco-espanhol.

Uma cena de combate marítimo, que os registos históricos descrevem como violenta e intensa, terminou alegadamente com uma explosão no galeão espanhol, que foi ao fundo de imediato. Terão morrido 600 pessoas e ter-se-á perdido uma carga preciosa. Foi precisamente essa carga, um tesouro cuja existência está ainda por confirmar, que rodeou ao longo dos séculos o San José de uma aura mítica ímpar, matéria para a imaginação e para a criação.

Florentino Ariza, o herói de O Amor nos Tempos de Cólera, do Nobel Gabriel García Márquez, queria aprender a nadar e mergulhar o mais fundo possível para resgatar o seu tesouro e oferecê-lo à sua noiva à distância, Fermina. O próprio autor enumera no romance a dimensão do tesouro que o galeão transportaria nessa viagem que terminou em naufrágio: “No Panamá, onde carregara parte da sua fortuna: trezentos baús com prata do Peru e Vera Cruz, e cento e dez baús de pérolas, reunidas e contadas na ilha de Contadora. Durante o longo mês em que aqui permaneceu (...) carregaram o resto do tesouro destinado a tirar da pobreza o reino de Espanha: cento e dezasseis baús de esmeralda de Muzo e Somondoco e trinta milhões de moedas de ouro.” Frederico Batista – Portugal in "Jornal Público"

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Brasil – Empresas levam tecnologia para a Colômbia

Começou nesta quarta-feira, 22 de julho de 2015, o projeto Brasil Tecnológico na Colômbia. O evento, com duração de dois dias, vai reunir mais de 50 empresas brasileiras selecionadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e entidades setoriais que trabalham com tecnologia de ponta. A expectativa é gerar US$ 30 milhões em negócios nos dois dias.

Serão nove os setores presentes no evento: tecnologia da informação, máquinas e equipamentos, farmoquímico, médicos-hospitalar, sucroalcooleiro, defesa e segurança, eletroeletrônicos, plástico e telecomunicações. A Apex-Brasil quer aprimorar o posicionamento de mercado das empresas brasileiras com foco em tecnologia, além de reforçar a imagem do Brasil como fornecedor tecnológico inovador. Para isso, o presidente da Agência, David Barioni, e o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, estarão presentes e farão a abertura oficial das atividades, além de encontro com jornalistas de veículos colombianos especializados em economia.

Esta é a 6ª edição do evento, que já foi realizado anteriormente na África do Sul, Colômbia, México, Peru e Rússia e volta a Bogotá este ano. As tardes de ambos os dias serão reservadas para rodadas de negócios, com reuniões individuais entre investidores colombianos, empresários brasileiros e representantes das entidades parceiras.

Na manhã do primeiro dia, os empresários participam de palestras cujos temas foram elaborados em parceria com as próprias associações de classe participantes. No conteúdo, serão tratadas questões como a evolução da cadeia produtiva do setor de cana de açúcar, soluções brasileiras para o mercado global de TI e soluções de máquinas e equipamentos brasileiros para a Colômbia.

Já na quinta-feira, haverá seminários técnicos sobre internacionalização para empresários brasileiros e colombianos interessados em fechar parcerias. Os temas vão desde oportunidades de investimentos até depoimentos de empresas brasileiras que abriram, com sucesso, filiais no país. In “Apex-Brasil” - Brasil