Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Hong Kong - Acolhe exposição pioneira sobre o Egipto faraónico

O Museu do Palácio de Hong Kong abriu ao público a exposição “Egipto Antigo Revelado: Tesouros de Museus Egípcios”, que reúne 250 peças de sete instituições egípcias, na véspera do 70.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Cairo e Pequim. A colecção, cedida por sete museus egípcios sob os auspícios do Conselho Supremo de Antiguidades, faz parte da Iniciativa Faixa e Rota, que visa reforçar a cooperação em infra-estruturas, comércio, finanças e cultura.


O actual contexto político reforça a importância do evento. Em Julho, no Cairo, o Primeiro-Ministro chinês, Li Qiang, e o Presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi, concordaram em aprofundar a cooperação em energias renováveis, tecnologia e intercâmbios culturais. Ao mesmo tempo, os bancos centrais de ambos os países assinaram acordos para promover a utilização do yuan nas transacções comerciais e de investimento, uma medida que os analistas interpretam como parte da internacionalização da moeda chinesa.

“Este projecto sinaliza um marco no diálogo entre a Ásia e África e consolida Hong Kong como um laboratório para novas formas de colaboração entre museus e curadoria”, enfatizou o director do museu, Louis Ng Chi-wa.

Patente até 31 de Agosto de 2026, a exposição poderá atrair cerca de 700 mil visitantes, estimou Louis Ng, esclarecendo que as peças foram seleccionadas entre as 700 expostas em Xangai no início deste ano. “Num gesto raro, o Presidente chinês, Xi Jinping, enviou uma carta de felicitações pela recente inauguração do Grande Museu Egípcio de Gizé, na qual mencionou a exposição de Xangai; é uma notícia maravilhosa que o Egipto esteja a exibir o seu património na China continental”, acrescentou, citado pela agência EFE.

A exposição foi concebida em torno de quatro temas. A “Terra dos Faraós” explora a organização política e o mundo religioso do Antigo Egipto, enquanto “A Lenda de Tutankhamon” e “Os Segredos de Sacara” ligam os visitantes ao jovem rei e às mais recentes descobertas na necrópole perto de Mênfis. A mostra termina com “O Antigo Egipto e o Mundo”, dedicada às interacções do Egipto com outras culturas mediterrânicas.

Entre as principais obras, destacam-se uma escultura de quartzito de Tutankhamon com 2,8 metros de altura, datada da XVIII dinastia (c. 1550-1295 a.C.), e uma figura de granito ajoelhada de Hatchepsut, uma das mais importantes governantes do Egipto faraónico.

A colecção inclui ainda múmias de felinos e bovinos, máscaras funerárias, vasos canópicos, estelas inscritas, instrumentos musicais, pães, sandálias e até um assento de sanita, um testemunho excepcional da vida doméstica no Vale do Nilo e das suas práticas em contextos quotidianos e funerários. O programa paralelo inclui palestras, visitas guiadas e workshops.

Para as famílias, serão oferecidas actividades como a confecção de amuletos, reconstrução de pirâmides e criação de jóias inspiradas em designs faraónicos.

A exposição chega a Hong Kong após a sua temporada em Xangai e simboliza uma crescente aproximação cultural entre a China e o Norte de África, numa altura em que empresas chinesas, como a estatal “China State Construction Engineering Corporation”, estão envolvidas em projectos de desenvolvimento urbano no Egipto, incluindo a nova capital administrativa perto do Cairo. In “Jornal Tribuna de Macau” com “Agência EFE”


sábado, 1 de novembro de 2025

Egipto - O poço Zohr-9 aumenta a produção de gás natural em 70 milhões de pés cúbicos por dia

O Ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Karim Badawi, anunciou a conclusão bem-sucedida das operações de perfuração no poço Zohr-9, localizado no campo de gás de Zohr, no Mediterrâneo. Espera-se que o novo poço adicione aproximadamente 70 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia à capacidade de produção do Egito, reforçando os esforços do país para atender à procura interna de energia e reduzir a dependência do gás importado.


Em comunicado divulgado pelo Ministério na quarta-feira, Badawi explicou que a camada de gás recém-descoberta no poço Zohr-9 contribuirá significativamente para o abastecimento energético do Egipto. Perfurado pela plataforma de perfuração Saipem 10000, o projeto foi concluído dentro do prazo e em total conformidade com as normas de segurança.

Esta conquista se baseia no sucesso do poço Zohr-6 e é um componente fundamental do plano em andamento para aumentar a produção do campo de Zohr, que continua demonstrando um potencial substancial para desenvolvimento futuro. O Ministro enfatizou que a descoberta reforça a solidez e a viabilidade a longo prazo do campo de Zohr.

Em paralelo, as operações de perfuração começaram esta semana no poço exploratório Denise W-1X, no Mar Mediterrâneo, ao largo da costa de Port Said. O novo poço, perfurado pela plataforma egípcia Al Qaher-2 (operada pela Modern Drilling Company), tem como alvo uma profundidade de mais de 4200 metros em águas com 98 metros de profundidade. Espera-se que o poço exploratório contribua ainda mais para o crescente setor energético do Egipto.

O Ministro Badawi também destacou o papel da Eni, a gigante italiana de energia, cujas atividades de perfuração em andamento nos campos offshore do Egipto refletem tanto a confiança da empresa no ambiente de investimento do país quanto ao seu compromisso em aprofundar a parceria com o Egipto. Ele ressaltou que estes esforços fazem parte da estratégia mais ampla do Ministério para fomentar o investimento, optimizar as operações e impulsionar o crescimento contínuo das indústrias de petróleo e gás do Egipto. In “Daily News” - Egipto


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Egipto - O grandioso Museu Egípcio abre as suas portas no 1.º de novembro

O Grande Museu Egípcio, que está prestes a tornar-se o maior museu arqueológico do mundo, será inaugurado oficialmente no 1.º de novembro. O prestigioso evento contará com a presença do presidente egípcio, Abdel Fattah Al-Sisi, além de uma reunião sem precedentes de chefes de Estado, monarcas e líderes governamentais de todo o mundo. Mohamed El Homsany, porta-voz oficial do Gabinete egípcio, confirmou que pelo menos 40 líderes mundiais são esperados, juntamente com diversos ministros e altos funcionários.


Um Novo Amanhecer para Maravilhas Antigas

Maravilha arquitetónica e localização privilegiada

Situado no Planalto de Gizé, o Grande Museu Egípcio (GEM) possui uma localização excepcional, de frente para as três icônicas pirâmides. O seu projeto arquitetónico único, concebido pelo escritório irlandês Heneghan Peng, combina harmoniosamente a geometria moderna com o simbolismo faraónico. A estrutura do museu está alinhada com os raios solares, que se estendem dos picos das pirâmides até convergirem no seu núcleo, criando um espetáculo visual deslumbrante. A construção, iniciada em 2005, foi concluída em 2021, seguida por preparativos meticulosos para instalações, conservação e treino da equipa.

Com uma área de 500.000 metros quadrados, dos quais 120.000 são dedicados a jardins exuberantes, o GEM é mais do que um simples museu, é uma viagem imersiva através de milénios da história egípcia. As suas 12 salas de exposição abrangem desde os períodos pré-dinásticos até ao fim da era romana no Egipto, exibindo mais de 100.000 artefactos.

Coleções sem precedentes

O Santuário Dourado do Faraó: Os Tesouros de Tutankhamon Revelados

Um dos destaques mais aguardados do museu é a coleção completa dos tesouros do Rei Tutankhamon. Pela primeira vez desde a descoberta da sua tumba em 1922, mais de 5000 artefactos pertencentes ao "Faraó Dourado" serão exibidos na sua totalidade, o que rendeu ao GEM o apelido carinhoso de "Lar de Tut".

Anteriormente, apenas itens selecionados, como a icónica máscara dourada, eram exibidos no Museu Egípcio em Tahrir, enquanto muitas outras peças de valor inestimável permaneciam guardadas. Agora, meticulosamente restaurados e preparados, esses tesouros – incluindo o selo de Tutankhamon, um escudo de couro nunca antes visto e até mesmo os fetos mumificados descobertos na sua câmara funerária – serão finalmente revelados ao público. Os seis carros de guerra de Tutankhamon, antes dispersos por diversos museus, também serão reunidos numa única exposição. O único item que não fará a viagem é a múmia de Tutankhamon, que permanecerá intacta no seu local de repouso original no Vale dos Reis.

Entre as peças espetaculares em exposição, encontram-se os quatro relicários de madeira dourada do Rei Tutankhamon, o maior dos quais foi meticulosamente transferido do Museu Egípcio na Praça Tahrir. Estes relicários, descobertos no seu túmulo em Luxor em novembro de 1922, estão agora abrigados em vitrines de última geração com controle ambiental, que ocupam aproximadamente 7200 metros quadrados, equipadas com recursos gráficos avançados e telas interativas para aprimorar a experiência do visitante.


Além de Tutanckhamon: Outras Exibições Icónicas

  • O Obelisco Suspenso: Recebendo os visitantes na praça ao ar livre, encontra-se o majestoso "Obelisco Suspenso" do Rei Ramsés II, transferido de San El Hagar. A sua inovadora disposição sobre uma base elevada permite, pela primeira vez em 3500 anos, a visualização do cartucho de Ramsés II, oculto por milénios na sua base. Ramsés II, um dos faraós mais célebres do antigo Egito, reinou durante o Novo Império, aproximadamente de 1279 a 1213 a.C.
  • Estátua de Ramsés II: A colossal estátua de granito rosa de Ramsés II, com 11,30 metros de altura e 83,4 toneladas, é o primeiro artefacto monumental a receber os visitantes no Grande Átrio do museu. Descoberta em 1820, esta magnífica estátua foi transferida para a Praça Ramsés, no Cairo, em 1955, antes da sua realocação definitiva para o GEM em 2006.
  • Pilar de Merneptá: Também no Grande Átrio encontra-se o pilar de granito rosa do Rei Merneptá, filho de Ramsés II. Descoberto em 1970 na cidade de On (Ain Shams), este pilar de 5,60 metros de altura e 13 toneladas é adornado com inscrições hieroglíficas que narram a vitória decisiva de Merneptá numa batalha renomada durante o seu quinto ano de reinado.
  • A Grande Escadaria: Antes de subir para os salões principais de exposição, os visitantes podem explorar 59 artefactos monumentais que ladeiam a "Grande Escadaria". Este método de exibição único apresenta algumas das esculturas mais magníficas e pesadas do antigo Egito, abrangendo desde o Antigo Império até ao período greco-romano, culminando numa vista panorâmica deslumbrante das pirâmides a partir de uma varanda de vidro.

Barcos solares de Quéops

Num edifício separado e exclusivo, adjacente ao museu principal, o público poderá explorar os fascinantes "Barcos de Quéops" ou "Barcos Solares". O primeiro barco estará em exposição, permitindo que os visitantes circulem ao redor e o observem de todos os ângulos. Uma segunda secção do museu será dedicada ao segundo barco, oferecendo uma oportunidade única de testemunhar o seu processo contínuo de restauração e montagem, que deverá levar de cinco a sete anos. Estes barcos de madeira de cedro, que datam de mais de 4600 anos, representam alguns dos artefactos orgânicos mais antigos da humanidade.



Um ícone verde e sustentável

O Grande Museu Egípcio conquistou reconhecimento internacional como o primeiro museu certificado como "verde" na África e no Oriente Médio. Ele ostenta com orgulho o certificado "Edge Advance" para edifícios verdes, concedido pela Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Grupo Banco Mundial. Esta distinção reflete o seu compromisso com a eficiência energética, o uso de energia limpa na construção e a integração de células solares e sistemas de iluminação e ventilação naturais.

O museu também conquistou oito certificações ISO em energia, saúde e segurança ocupacional, gestão ambiental e qualidade, além de ter sido premiado como "Melhor Projeto de Construção Verde". Recebeu ainda o Certificado de Ouro para Construção Verde e Sustentabilidade, no âmbito do Sistema Pirâmide Verde Egípcio, do Centro Nacional de Pesquisa para Habitação e Construção.

O projeto de vanguarda do GEM incorpora salas de exposição modernas e alguns dos maiores laboratórios de conservação do mundo, capazes de receber milhares de turistas diariamente. O projeto atual foi escolhido entre 1583 inscrições internacionais num concurso supervisionado pela UNESCO e pela União Internacional de Arquitetos, vencido pelo escritório de arquitetura irlandês com sede em Dublin, devido à sua conexão inovadora com as pirâmides.



Uma Linha do Tempo de Visão e Resiliência

A visão para o Grande Museu Egípcio surgiu na década de 1990, com o objetivo de criar o maior museu do mundo dedicado à civilização egípcia antiga.

  • Fevereiro de 2002: A pedra fundamental foi lançada perto das Pirâmides de Gizé após estudos iniciais.
  • 2002: O Egito lançou um concurso internacional de arquitetura para o projeto do museu, patrocinado pela UNESCO e pela União Internacional de Arquitetos.
  • Junho de 2003: Um consórcio irlandês-chinês venceu o concurso com um projeto que idealizava o museu como uma massa cónica onde os raios solares das três pirâmides convergem, criando a aparência de uma quarta pirâmide vista de cima.
  • Maio de 2005: A construção teve início oficialmente com um empréstimo para desenvolvimento da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA).
  • 2006: O Centro de Conservação de Antiguidades foi criado para restaurar e preparar artefactos para exibição.
  • Junho de 2010: O Centro de Conservação, a central elétrica e o posto de combate a incêndios foram inaugurados após a conclusão das duas primeiras fases do projeto.
  • Janeiro de 2011: Os trabalhos foram interrompidos devido à revolta popular.
  • 2014: O presidente Abdel Fattah El-Sisi retomou o projeto.
  • 2016: Uma decisão do gabinete criou a Autoridade do Grande Museu Egípcio.
  • Janeiro de 2018: A estátua do Rei Ramsés II foi transferida para o museu, tornando-se o seu primeiro artefacto permanente.
  • 2021: A construção foi concluída, abrangendo o hall de entrada, a Grande Escadaria, os salões do Rei Tutankhamon, o Museu das Crianças, os edifícios de serviço, a bilheteira, a segurança, os sistemas de vigilância e os estacionamentos.
  • 16 de outubro de 2024: O museu, projetado para abrigar mais de 100.000 artefactos, iniciou a sua operação experimental.
  • 25 de fevereiro de 2025: O governo egípcio planeou inicialmente uma cerimónia oficial de inauguração para 3 de julho. No entanto, tensões políticas regionais levaram ao adiamento para 1.º de novembro.

O Grande Museu Egípcio ergue-se como um testemunho da rica herança do Egipto e do seu compromisso em preservá-la e apresentá-la ao mundo. Promete uma experiência cultural incomparável, combinando maravilhas antigas com museologia de vanguarda, destinada a encantar visitantes por gerações vindouras. In “Daily News” - Egipto












segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Egipto - Revela vestígios de cidade submersa com mais de 2000 anos

O Egipto apresentou, este fim-de-semana, vestígios de uma cidade submersa em frente à costa de Alexandria, que incluem edifícios, tumbas, tanques para peixes e um cais, todos com mais de 2000 anos de antiguidade.


Segundo as autoridades, o sítio, localizado na baía de Abu Qir, pode corresponder a uma extensão da antiga cidade de Canopo, importante centro da dinastia ptolemaica – que governou o Egipto por quase três séculos – e, posteriormente, do Império Romano, que permaneceu ali por aproximadamente 600 anos.

Com o tempo, uma série de terramotos e o aumento do nível do mar submergiram a cidade e o porto vizinho de Heracleion.

Agora, este fim-de-semana, grandes guindastes retiraram várias estátuas. “Há muitos elementos debaixo de água, mas o que podemos recuperar é limitado; são apenas peças seleccionadas de acordo com critérios rigorosos”, declarou o ministro de Turismo e Antiguidades, Sherif Fathi.

“O restante permanecerá como parte integral de nosso património subaquático”, acrescentou.

As descobertas incluem edifícios de pedra calcária que teriam servido como locais de culto, casas ou estruturas comerciais e artesanais.

Também foram identificados depósitos e tanques escavados na rocha, destinados tanto à aquicultura quanto ao armazenamento de água para consumo doméstico.

Entre as peças mais notáveis estão estátuas reais e esfinges anteriores ao período romano, incluindo uma parcialmente preservada de Ramsés II.

Foram encontrados, ainda, um navio mercante, âncoras de pedra e inclusivamente, um guindaste portuário no local onde ficava um cais de 125 metros, utilizado como porto para embarcações menores durante as épocas romana e bizantina.

Sítio de grande riqueza arqueológica, Alexandria está actualmente ameaçada pelas mesmas águas que submergiram Canopo e Heracleion.

A cidade costeira afunda mais de três milímetros por ano e está entre as áreas mais vulneráveis às alterações climáticas e ao aumento do nível do mar.

Mesmo no cenário mais optimista elaborado pela ONU, um terço de Alexandria estará submerso ou inabitável em 2050, o que será um desastre para o que ainda resta da cidade fundada, em 331 a.c., por um dos grandes generais de sempre, o grego Alexandre Magno. Esta cidade que foi construída num pedaço de terra já ocupado por uma pequena aldeia egípcia entre o Mar Mediterrâneo e o Lago Mareotis (Lago Mariout) está a sofrer as alterações climáticas de forma intensa.

Para quem não saiba, ainda hoje são lugares icónicos a sua grande Biblioteca, a maior do mundo antigo, e o Farol de Alexandria (Pharos), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, sendo certo que as Catacumbas de Kom El Shoqafa são hoje consideradas uma das Sete Maravilhas da Idade Média. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Egipto - Anuncia a primeira descoberta em 100 anos de um túmulo faraónico

O Ministério das Antiguidades do Egipto anunciou a descoberta do túmulo de Tutmés II, o primeiro túmulo real antigo encontrado desde o de Tutankamon em 1922.



Tutmés II era filho de Tutmés I e da sua esposa menor, Mutnofret, que era provavelmente filha de Ahmés I. Era, portanto, filho menor de Tutmés I e escolheu casar com a sua meia-irmã real, Hatchepsut, para garantir a sua realeza. Como Mutnofret era uma princesa e Tutmés I era um plebeu, provavelmente casaram apenas depois de Tutmés se ter tornado rei, pelo que o seu filho nasceria após a coroação do seu pai, e provavelmente após a meia-irmã Hatchepsut, que era filha do faraó com a sua esposa primária.

Isto significaria que Tutmés II estava no início da adolescência quando se tornou faraó. Embora tenha reprimido com sucesso rebeliões na Núbia e no Levante e derrotado um grupo de beduínos nómadas, estas campanhas foram levadas a cabo especificamente pelos generais do rei, e não pelo próprio Tutmés II o que é muitas vezes interpretado como evidência de que Tutmés II era ainda menor de idade quando assumiu o trono. Tutmés II gerou Neferure com Hatchepsut, e Tutmés III, com uma esposa menor chamada Iset.

Alguns arqueólogos acreditam que durante o governo de Tutmés II Hatchepsut era o verdadeiro poder por detrás do trono, devido às políticas internas e externas semelhantes que foram posteriormente adoptadas durante o seu reinado e por causa da sua alegação de que era a herdeira pretendida do pai. É retratada em várias cenas de relevo de um portal de Karnak que datam do reinado de Tutmés II, tanto juntamente com o seu marido como sozinha e mais tarde, fez-se coroar Faraó vários anos após o governo do jovem sucessor do seu marido, Tutmés III; isto é confirmado pelo facto de “os agentes da rainha terem substituído o nome do rei em alguns lugares pelos seus próprios”.

Agora, o túmulo de Tutmés II foi encontrado perto do Vale dos Reis em Luxor, no sul do Egipto, a alguns quilómetros do seu imponente templo funerário, erguido na margem oeste do Nilo.

Trata-se de “uma das descobertas arqueológicas mais importantes dos últimos anos”, celebrou o Ministério das Antiguidades.

Segundo estudos preliminares, o túmulo, escavado por uma missão conjunta egípcio-britânica, foi esvaziada na antiguidade, deixando o túmulo sem múmia real nem o esplendor dourado associado à descoberta de Tutankamon.

A sua entrada foi localizada pela primeira vez em 2022 nas montanhas de Luxor, a oeste do Vale dos Reis, mas os especialistas acreditavam que ela conduzia ao túmulo de uma esposa real.

A equipa encontrou depois “fragmentos de vasos de alabastro com o nome do faraó Tutmés II, identificado como o ‘rei falecido’, assim como inscrições com o nome de sua principal esposa real, a rainha Hatshepsut”, detalha o ministério.

Pouco depois do sepultamento do rei, a água inundou a câmara funerária, danificando o interior e fragmentando um revestimento de gesso decorado com extractos do Livro de Amduat, um antigo texto funerário sobre o além.

Também foram encontrados no túmulo alguns móveis funerários que pertenceram a Tutmés II, indicou o ministério.

De acordo com o chefe da missão, Piers Litherland, citado pelo Ministério das Antiguidades, a equipa continuará o seu trabalho na região, com a esperança de encontrar objectos que originalmente estavam no tumulo.

Este anúncio ocorre num momento em que o Egipto intensifica os esforços para impulsionar o turismo, uma fonte essencial de divisas estrangeiras para a economia do país. No ano passado, o Egipto recebeu 15,7 milhões de turistas e este ano espera a visita de 18 milhões, especialmente graças à esperada inauguração do Grande Museu Egípcio, ao pé das pirâmides de Gizé. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


domingo, 16 de fevereiro de 2025

Indonésia - A Pirâmide de Gunung Padang pode reescrever a história

As escavações megalíticas de Gunung Padang, na Indonésia, podem levar a uma descoberta sensacional capaz de virar de cabeça para baixo as ideias modernas sobre a história da civilização humana. De acordo com os dados mais recentes, esta estrutura pode ser a pirâmide mais antiga do mundo, com cerca de 25.000 anos, o que é significativamente mais antigo que as famosas pirâmides egípcias de Gizé.



Gunung Padang, antes considerada uma colina natural, é uma estrutura de várias camadas criada por mãos humanas. Uma pesquisa liderada pelo geólogo Danny Hilman Natawijaya mostrou que as pessoas começaram a modificar ativamente a colina há cerca de 25.000 a 14.000 anos. Em vários períodos históricos, foram ali realizadas obras de construção, incluindo a instalação de pedras assentadas como tijolos e melhorias na alvenaria.

Se a idade da pirâmide de Gunung Padang for confirmada, a descoberta desafiará as teorias existentes sobre a origem e o desenvolvimento das civilizações, em particular a ideia de que tecnologias de construção complexas só surgiram após o desenvolvimento da agricultura.

De particular interesse são as câmaras escondidas encontradas dentro da estrutura, que podem conter artefatos ou sepulturas que podem lançar luz sobre a cultura e a tecnologia dos antigos construtores. In “Oreanda-Novosti” - Rússia


domingo, 19 de janeiro de 2025

África - A colossal barragem que pode ‘destruir’ uma nação milenar e secar o maior rio do mundo

Não há um país no mundo que dependa tanto de um rio como o Egipto do Nilo: e num mundo cheio de conflitos, o grande medo do Cairo não é um exército estrangeiro ou terroristas, mas sim a água, em particular uma possível escassez. Essa preocupação é real há pouco mais de uma década, isto porque, no coração do Nilo Azul, nas terras altas da Etiópia, está a Grande Barragem do Renascimento Etíope (GERD), uma obra monumental que encarna as aspirações de desenvolvimento de um país e, ao mesmo tempo, o epicentro das tensões geopolíticas entre duas potências regionais que agora estão ‘condenadas’ a entender-se.



Este titã de betão, com uma capacidade de armazenamento de 74 mil milhões de metros cúbicos e uma potência hidroelétrica de 6450 megawatts, promete transformar a economia etíope, mas ao mesmo tempo ameaça perturbar o delicado equilíbrio abastecimento de água do Nilo, o rio que tem sido a força vital do Egipto durante milénios.

O arranque dos trabalhos neste colossal projeto deu-se em 2013, sendo que a tensão entre Egipto e Etiópia já era palpável: afinal, tratam-se de duas das maiores e mais populosas economias de África – o Cairo solicitou veementemente a interrupção das obras, uma vez que boa parte dos seus 112 milhões de habitantes necessitam do rio Nilo – e do seu caudal atual – para viver. A Etiópia defendeu que precisa da barragem para gerar a energia de que os seus 126 milhões de habitantes necessitam.

No final de 2023, a Etiópia anunciou com grande orgulho que o enchimento da barragem tinha sido concluído, ultrapassando obstáculos e enfrentando duras ameaças do Egipto e do Sudão, que temem que a barragem afete os níveis das águas do Nilo. Exigiram que Adis Abeba, a capital da Etiópia, deixasse de as encher até que se chegasse a acordo sobre os mecanismos para o fazer. Não só o enchimento foi concluído, como em 2024 a construção foi concluída e foram acionadas duas turbinas, com capacidade para gerar 400 megawatts cada. Estas turbinas juntaram-se a outras duas já em funcionamento, que geraram 375 megawatts cada, perfazendo um total de 1550 megawatts.

A GERD é a maior barragem de África e já está entre as maiores do mundo. O seu muro de 145 metros de altura e 1,8 quilómetros de comprimento, frisou a publicação espanhola ‘El Economista’, é um colosso concebido para gerar electricidade suficiente para abastecer toda a Etiópia e exportar energia para os países vizinhos. Para Adis Abeba é um símbolo de orgulho nacional e de autossuficiência, para o Cairo um risco existencial.

“Para os egípcios, a construção da barragem é uma questão que ameaça a sua existência: um dos exemplos mais claros de um país que é prisioneiro da geografia. O Nilo é a força vital do país e do seu povo”, indicou o escritor e especialista em geografia e geopolítica, Tim Marshall. Ou seja, se a Etiópia decidir fechar a torneira por necessidade ou por ameaça, isso poderá significar o fim do seu vizinho. “Não é que a Etiópia pretenda fechá-la completamente, mas terá capacidade para o fazer”, sustentou o especialista, algo mais do que suficiente para manter os egípcios acordados durante a noite.

“O Egipto é um país em grande parte desértico, pelo que 95% dos seus 112 milhões de habitantes vivem nas margens do delta do rio. O Cairo teme que a mera retenção de 10% da água, por apenas alguns anos, deixe desempregados cinco milhões de agricultores, reduzir a produção agrícola para metade e desestabilizar ainda mais o país”, afirmou Marshall.

Conflito faraónico

A tensão entre a Etiópia e o Egipto sobre o controlo do Nilo não é nova. Desde os tempos faraónicos que as águas deste rio têm sido alvo de disputas e alianças. No entanto, a Grande Barragem levou esta questão a um nível febril. As negociações, mediadas por organizações internacionais e países vizinhos, têm progredido lentamente, com acordos temporários que não respondem às preocupações fundamentais de cada nação.

A Etiópia insiste que tem o direito de utilizar os recursos hídricos para o seu desenvolvimento, referindo que mais de 60% da sua população não tem acesso à eletricidade. O Egipto, por seu lado, exige garantias de que o enchimento e o funcionamento da barragem não comprometerão as suas necessidades de água, especialmente durante os períodos de seca.

Neste complexo panorama, o Sudão desempenha um papel crucial como país intermediário entre a Etiópia e o Egipto. Embora o Sudão possa beneficiar desta grande barragem através de um melhor controlo das cheias e de eletricidade mais barata, também teme os efeitos adversos da gestão unilateral da água por parte da Etiópia.

A diplomacia tentou atenuar estas tensões, mas com resultados limitados. As Nações Unidas, a União Africana e países como os Estados Unidos mediaram as negociações, mas os acordos alcançados até agora foram frágeis e temporários. O Egipto alertou que “todas as opções estão em cima da mesa” se não for garantido um caudal de água adequado, o que inclui implicitamente a possibilidade de conflito armado. In “Executive Digest” - Portugal


segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Egipto - Descoberto sarcófago do Império Médio em Luxor

Egiptólogos franceses descobriram um sarcófago reenterrado da era do Império Médio em Luxor, no Egipto, como parte das investigações realizadas após a descoberta, em 2018 e 2019, de cinco sarcófagos no mesmo local, informou um membro da equipa este domingo, dia 29 de dezembro



A descoberta ocorreu no dia 16 de dezembro, quase no final de uma missão arqueológica de dois meses, confirmou à AFP Frédéric Colin, diretor do Instituto de Egiptologia da Universidade de Estrasburgo, no leste de França.

O egiptólogo, que participou na missão, considera a descoberta "notável" em todos os sentidos.

"Esclarece uma importante questão antropológica: como os habitantes do Antigo Egipto se comportaram com os corpos mumificados e os túmulos dos seus ancestrais quando descobriram sarcófagos antigos e tiveram que os mover devido a grandes reformas públicas", explicou Colin à AFP.

O sarcófago descoberto foi enterrado de novo, assim como os cinco sarcófagos descobertos em Luxor em 2018 e 2019.

A recente missão arqueológica foi organizada para "compreender melhor a natureza e o significado das descobertas de 2018 e 2019", salienta Frédéric Colin.

As equipas procuravam descobrir "se estes cinco sarcófagos constituíam um túmulo isolado ou faziam parte de um conjunto maior e mais sistemático de exumações", adicionou.

O investigador acrescentou ainda que durante seis meses foram estudadas várias camadas de terra com mais de oito metros, estratificadas e acumuladas ao longo de mais de 3000 anos e realizadas "três escavações arqueológicas".

"E o início da resposta (às nossas perguntas) surge no último dia da terceira campanha de escavação", quando o sarcófago foi descoberto, observou.

Os egiptólogos apenas "tocaram a camada (de terra) onde o sarcófago estava localizado. A escavação vai continuar quando a próxima campanha começar, em outubro de 2025", comentou Colin.

O sarcófago, da era do Império Médio (final do século XXI e século XVIII a.C), foi "preservado num baú de madeira feito sob medida".

O seu conteúdo vai ser estudado em 2025 "em colaboração com arqueoantropólogos (arqueólogos especializados na escavação de corpos humanos), modelando todas as etapas da pesquisa em 3D, como a equipa tem efetuado desde 2018". In “Sapo Viagens” – Portugal com “AFP”


quinta-feira, 11 de julho de 2024

Fundação Calouste Gulbenkian – Vencedores do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2024

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade deste ano realça a diversidade de soluções no âmbito da agricultura sustentável e distingue pessoas e organizações que contribuem para a segurança alimentar, resiliência climática e proteção dos ecossistemas a nível global. Os vencedores são pioneiros da agricultura sustentável da Índia, Egipto e EUA


O programa Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming (Índia), o Professor Rattan Lal (EUA/Índia) e a plataforma de ONG SEKEM (Egipto) são os vencedores do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2024, pela sua contribuição para a segurança alimentar global, a resiliência climática e a proteção dos ecossistemas.

O júri, presidido pela antiga chanceler alemã Angela Merkel, selecionou estas três entidades como reconhecimento da importância da complementaridade do seu trabalho e da necessidade de conciliar a investigação científica com aplicações práticas na área da agricultura sustentável.

Os três vencedores foram selecionados, de entre 181 candidaturas de 117 nacionalidades (o maior número de sempre de nomeações e distribuição geográfica), pelas suas abordagens distintas à agricultura sustentável – a agricultura biodinâmica, natural e regenerativa – as quais têm sido implementadas com sucesso em diversas regiões com condições climáticas adversas, demonstrando como a agricultura sustentável beneficia as comunidades, os agricultores, as economias e o planeta.

Com esta escolha, o Prémio Gulbenkian para Humanidade 2024 vem sublinhar como os desafios climáticos são interdependentes e conduzem a crises sistémicas interligadas. As alterações climáticas estão a agravar a perda de biodiversidade, a ocorrência de fenómenos climáticos extremos e a degradação dos recursos, perturbando os sistemas alimentares e a saúde humana, a nível mundial. Simultaneamente, a agricultura contribui significativamente para as alterações climáticas através das emissões de carbono, da degradação dos solos e dos recursos hídricos, e da perda de biodiversidade.

Os Vencedores

Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming (Índia) é um programa que apoia pequenos agricultores, sobretudo mulheres, na transição para uma agricultura natural; Rattan Lal (EUA/Índia) é um cientista pioneiro na abordagem à agricultura centrada no solo; e SEKEM (Egipto), uma organização com trabalho no domínio da agricultura biodinâmica, é distinguida em particular pela sua emblemática iniciativa Associação Biodinâmica Egípcia, uma rede que apoia os agricultores na transição para práticas agrícolas regenerativas.

Os três vencedores vão partilhar o Prémio, no valor de 1 milhão de euros, a fim de expandirem o seu trabalho em prol de sistemas alimentares mais seguros e sustentáveis.

O programa Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming (APCNF) apoia pequenos agricultores na transição de uma agricultura intensiva, com recurso a substâncias químicas, para uma “agricultura natural”, através de técnicas como utilizar resíduos orgânicos e não lavrar a terra para melhorar a saúde do solo, reintrodução de sementes autóctones e diversificação de culturas, incluindo árvores. O programa foi lançado, em 2016, pelo Governo de Andhra Pradesh, um estado na costa sudeste da Índia, de forma a criar respostas sustentáveis às preocupações dos agricultores com as crises económicas e as alterações climáticas.

Implementado pela organização sem fins lucrativos Rythu Sadhikara Samstha (RySS) (Farmers Empowerment Cooperation), o APCNF é o maior programa de agroecologia do mundo, envolvendo mais de um milhão de pequenos agricultores, sobretudo mulheres, em 500.000 hectares na região de Andhra Pradesh. Logo na primeira fase de transição, este programa permite aos agricultores um aumento na produtividade das colheitas, bem como melhores rendimentos e vantagens para a saúde. Gera ainda benefícios ambientais e sociais ao sequestrar mais carbono no solo, reverter a degradação do solo, reduzir a sua temperatura e aumentar a biodiversidade. O sucesso do programa assenta em quatro pilares: implementação baseada numa rede consolidada de coletivos de mulheres; aprendizagem interpares através de “Agricultores Mentores”; tecnologia evolutiva; e ser uma iniciativa apoiada pelo estado.

Este modelo está a ser incubado em 12 estados da Índia e será introduzido, ainda este ano, em cinco outros países do Sul Global, adaptado aos contextos locais.

Rattan Lal, natural da Índia e Professor de Ciência dos Solos na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, é um cientista de prestígio mundial, precursor de uma abordagem centrada no solo, que harmoniza a produção alimentar com a preservação ecológica e a mitigação das alterações climáticas. As suas metodologias têm demonstrado, a nível global, a interligação entre a saúde dos solos e o bem-estar ambiental e humano, bem como a importância de promover a segurança alimentar, em paralelo com a conservação dos recursos naturais. Ao promover a investigação e a educação em prol da gestão sustentável dos solos, Rattan Lal tem contribuído para o desenvolvimento do conhecimento na área da agricultura sustentável e da resiliência climática.

SEKEM é uma plataforma de ONG e empresas que promovem abordagens holísticas no combate às alterações climáticas. Criada há quase 50 anos numa região desértica do Egipto, SEKEM focou-se, desde o início, na agricultura biodinâmica, regenerando solo árido com o envolvimento da comunidade local. O seu trabalho no domínio da alimentação e da agricultura promove as práticas regenerativas e destaca os benefícios conexos de soluções baseadas na natureza, tanto para o solo como para as comunidades.

A principal iniciativa de SEKEM no âmbito da agricultura regenerativa é a Associação Biodinâmica Egípcia (EBDA), a maior associação de agricultores independentes do Egipto, que dá apoio na transição de modelos agrícolas convencionais para modelos agrícolas regenerativos, o que, por sua vez, promove o desenvolvimento rural. Até à data, a EBDA apoiou cerca de 10.000 agricultores e converteu mais de 40.000 hectares de terra.

Sistemas alimentares sustentáveis e a resiliência climática

Para Angela Merkel, Presidente do Júri, “O acesso a uma alimentação de elevada qualidade nutricional é de importância vital para todos. As alterações climáticas, e o aquecimento global que daí resulta, provocaram um aumento de fenómenos climáticos extremos e põem em perigo a segurança alimentar global. Esta situação implica um desafio adicional a todos os que se dedicam ao setor agrícola. Os vencedores deste ano demonstraram, de forma exemplar, como, na prática, os sistemas alimentares sustentáveis podem contribuir para a resiliência climática.”

A alimentação é fundamental para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a agenda de desenvolvimento das Nações Unidas para o século XXI. O segundo dos 17 ODS tem como objetivo “erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.” Para atingir este objetivo até à data prevista de 2030, é necessária colaboração internacional, com vista à transformação sustentável do sistema alimentar e agrícola a nível global.

António Feijó, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, afirma: “Queremos distinguir os vencedores deste prémio pelo seu trabalho pioneiro no domínio da agricultura sustentável e pelas soluções inovadoras para a segurança alimentar, resiliência face às alterações climáticas e proteção dos ecossistemas a nível global. Cada um dos premiados demonstrou um grande empenho na transformação das práticas agrícolas, provando que os modelos sustentáveis podem prosperar em ambientes desafiantes e diversos. O seu trabalho demonstra os benefícios da agricultura sustentável para as comunidades e para o planeta. Acreditamos que as suas histórias irão inspirar outros a implementar abordagens semelhantes noutras regiões do mundo e a construir um futuro sustentável para todos.”

Sobre o Prémio Gulbenkian para a Humanidade

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade é uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e distingue indivíduos e organizações que contribuem com o seu exemplo e liderança para enfrentar o maior desafio atual da humanidade: as alterações climáticas e destruição da natureza. No valor de um milhão de euros, reconhece contribuições excecionais para a ação climática e soluções que inspiram esperança e novas possibilidades.

Este é o quinto ano em que o prémio é atribuído. Em 2020, foi atribuído a Greta Thunberg; em 2021, foi entregue ao Pacto Global de Autarcas para o Clima e a Energia;  em 2022, foi atribuído conjuntamente ao Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) e à Plataforma Intergovernamental Científica e Política sobre a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas (IPBES); e, em 2023, conjuntamente a Bandi “Apai Janggut”, líder comunitário tradicional da Indonésia, Cécile Bibiane Ndjebet, ativista e agrónoma dos Camarões, e Lélia Wanick Salgado, ambientalista, designer e cenógrafa do Brasil. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


terça-feira, 30 de abril de 2024

Egipto - Recupera estátua de 3400 anos encontrada na Suíça

O Egipto recebeu de volta uma estátua de 3400 anos que representa a cabeça do rei Ramsés II, depois de ter sido roubada e contrabandeada para fora do país há mais de três décadas, informou o Ministério de Antiguidades do país


A estátua está agora no Museu Egípcio no Cairo, mas não está em exibição. O artefacto passará por restauração, informou o ministério num comunicado.

A estátua foi roubada do templo de Ramsés II na antiga cidade de Abydos, no sul do Egipto, há mais de três décadas. A data exata não é conhecida, mas Shaaban Abdel Gawad, que chefia o departamento de repatriação de antiguidades do Egito, disse que se estima que a peça tenha sido roubada no final da década de 1980 ou no início da década de 1990.

As autoridades egípcias detectaram o artefacto quando ele foi colocado à venda numa exposição em Londres em 2013. Ele passou por vários outros países antes de chegar à Suíça, de acordo com o ministério de antiguidades.

“Essa escultura de cabeça faz parte de um grupo de estátuas que retratam o rei Ramsés II sentado ao lado de várias divindades egípcias”, disse Abdel Gawad.

Ramsés II foi um dos faraós mais poderosos do Egipto antigo. Também conhecido como Ramsés, o Grande, ele foi o terceiro faraó da Décima Nona Dinastia do Egito e governou de 1279 a 1213 a.C.

O Egipto colaborou com as autoridades suíças para estabelecer a sua propriedade legítima. A Suíça entregou a estátua à embaixada egípcia em Berna no ano passado, mas foi apenas recentemente que o Egipto trouxe o artefacto de volta. In “Swissinfo” – Suíça com “Reuters”


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Egipto - Arqueólogos desenterram tumba antiga de 4500 anos com tesouros surpreendentes

Tesouros notáveis ​​​​foram descobertos na tumba, incluindo o enterro de uma criança da Segunda Dinastia, um vaso de alabastro bem preservado da 18ª Dinastia e estátuas de terracota representando Ísis e Harpócrates


Arqueólogos fizeram uma descoberta inovadora na necrópole de Saqqara, situada a aproximadamente a 32 quilómetros ao sul do Cairo, ao revelarem uma antiga tumba egípcia esculpida na rocha há mais de 4000 anos.

A notável descoberta, recentemente confirmada pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, foi revelada por um esforço de colaboração entre arqueólogos egípcios e japoneses.

A tumba, que data entre 2649 e 2150 a.C. apresenta vários túmulos e artefactos que abrangem diferentes períodos históricos, "fornece informações valiosas sobre a história desta região", disse Nozomu Kawai, chefe da equipe japonesa.

O que foi descoberto na tumba?

A equipa internacional desenterrou uma infinidade de tesouros durante a sua missão, incluindo sepulturas, elementos arquitetónicos e uma série de artefactos fascinantes.

Notavelmente, eles descobriram os restos mortais de um ser humano enterrado ao lado de uma máscara de cores vivas, bem como um cemitério para uma criança pequena que remonta à Segunda Dinastia (2890 – 2686 aC).

No interior do túmulo, um caixão da XVIII Dinastia (1550-1295 a.C.) revelou um vaso de alabastro notavelmente preservado.

Além disso, foram descobertas duas estátuas de terracota retratando a antiga deusa egípcia Ísis, inicialmente associada a práticas funerárias, e a divindade infantil Harpócrates, conhecida como o deus do silêncio e dos segredos durante os períodos ptolomaicos.

Outras descobertas incluíram uma estela, uma laje de pedra esculpida, com uma inscrição que a identificava como pertencente a um homem chamado "Heroides", vários amuletos e óstracos (pedaços de cerâmica quebrada).


Uma riqueza de descobertas recentes

Saqqara é uma vasta necrópole da capital egípcia, Memphis. É um Património Mundial da UNESCO e abriga mais de uma dúzia de pirâmides, incluindo as famosas Pirâmides de Gizé, bem como pirâmides menores de Abu Sir, Dahshur e Abu Ruwaysh.

As autoridades egípcias anunciaram uma riqueza de descobertas arqueológicas em locais importantes em todo o país nos últimos anos.

Em Janeiro passado, foram apresentados os resultados de uma escavação de um ano em Saqqara – os resultados incluíram dois túmulos antigos da quinta e sexta dinastias do Império Antigo (cerca de 2500-2100 a.C.) e um sarcófago bem preservado.

Na mesma época, dezenas de cemitérios da era do Novo Império, que datam de 1800-1600 aC, foram encontrados perto da cidade de Luxor, no sul, junto com as ruínas de uma antiga cidade romana. Theo Farrant – Reino Unido in Euronews.culture”




quarta-feira, 31 de maio de 2023

Egipto – Novos tesouros descobertos na necrópole de Saqqara

Uma equipa de arqueólogos encontrou novos tesouros na necrópole de Saqqara, a sul do Cairo, capital do Egipto


Foram desenterradas duas oficinas de embalsamamento humano e animal, assim como outras duas tumbas.

O vasto cemitério, na antiga capital egípcia Memphis, é Património Mundial da Unesco e abriga mais de uma dúzia de pirâmides, túmulos de animais e antigos mosteiros cristãos coptas.

Mostafa Waziri, líder do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto, explicou à agência AFP que as oficinas de embalsamamento, onde humanos e animais foram mumificados, “remontam à 30ª dinastia”, que reinou há cerca de 2400 anos.

Os investigadores “encontraram vários quartos equipados com camas de pedra onde os mortos se deitavam para a mumificação”, precisou o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egipto.


Cada cama terminava em calhas para facilitar o processo de mumificação, com uma coleção de potes de barro próximos para guardar entranhas e órgãos, além de uma coleção de instrumentos e vasos rituais.

Os primeiros estudos sugerem que foi usada para a “mumificação de animais sagrados.”

A descoberta também inclui os túmulos de dois padres que datam dos séculos XXIV e XIV AC, respetivamente.

O primeiro pertencia a Ne Hesut Ba, que serviu na quinta dinastia como chefe dos escribas e sacerdote dos deuses Hórus e Maat.

A segunda tumba, a de um padre chamado Men Kheber, foi esculpida em rocha e apresenta representações do próprio falecido nas paredes, bem como em uma estátua de alabastro de um metro de comprimento. In “JN” – Portugal com “AFP”




sábado, 11 de março de 2023

Egipto - Arqueólogos descobrem esfinge sorridente de imperador romano

Arqueólogos no Egipto fizeram uma descoberta fascinante de uma estátua de esfinge de calcário com um "rosto sorridente e duas covinhas" perto do Templo de Hathor, um local antigo bem preservado no país.

A descoberta, anunciada pelo Ministério do Turismo e Antiguidades, é apenas a mais recente de uma série de descobertas feitas nos últimos meses.


Os pesquisadores acreditam que a representação estilizada de um antigo imperador romano, encontrada dentro de uma tumba de dois níveis perto do templo, pode ser o imperador Cláudio, que governou de 41 a 54.

Ao lado da esfinge lindamente trabalhada, a equipa também encontrou uma estela romana escrita em letras demóticas e hieroglíficas que, uma vez decifradas, poderiam lançar luz sobre a identidade do governante.

Significado político e económico das recentes descobertas no Egipto

O Templo de Hathor, localizado a cerca de 500 quilómetros ao sul do Cairo, tem uma história rica e já abrigou o Zodíaco de Dendera, um mapa celestial que está em exibição no Louvre, em Paris, desde 1922.

O governo egípcio tem tentado recuperar o Zodíaco, que foi levado por um francês chamado Sebastien Louis Saulnier há mais de um século.


A descoberta da "esfinge sorridente" é apenas um dos muitos achados arqueológicos recentes no Egipto.

Em Gizé, as autoridades anunciaram recentemente a descoberta de uma passagem escondida de nove metros dentro da Grande Pirâmide, que poderia levar à verdadeira câmara funerária do faraó Khufu. Em Luxor, foi encontrada uma "cidade residencial completa da época romana".

Somando-se a isso está um novo estudo, que recentemente lançou luz sobre o enigmático processo egípcio antigo de mumificação, revelando as receitas usadas para preservar os corpos dos mortos por milhares de anos.

Apesar do significado científico dessas descobertas, alguns especialistas veem os anúncios como tendo mais peso político e económico. O Egipto está atualmente a passar por uma grave crise económica e depende do turismo para reviver a sua vital indústria do turismo.

O governo espera atrair 30 milhões de turistas por ano até 2028, um aumento significativo em relação aos 13 milhões antes da pandemia.

Espera-se que este ano seja inaugurado o Grande Museu Egípcio no Cairo, considerado o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização. Ele contará com a maior coleção de relíquias de Tutancâmon já exibida e espera atrair 5 milhões de visitantes por ano. Theo Farrant – Reino Unido in “Euronews.culture”