Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 13 de janeiro de 2018

Moçambique - Anadarko negoceia venda de gás natural à China

A Anadarko, multinacional petrolífera norte-americana com sede em Houston, está a negociar com as suas contrapartes na China a venda de gás natural liquefeito (GNL) da bacia do Rovuma àquele país asiático

MAPUTO- “Está em discussões com uma série de homólogos chineses, incluindo empresas nacionais de petróleo e compradores independentes de GNL emergentes”, disse esta semana a Anadarko, citada pela Bloomberg.

A fonte referiu que o aumento do consumo de gás natural “faz da China um mercado estratégico de longo prazo para o projecto de GNL em Moçambique liderado pela Anadarko”.

A demanda recorde de gás natural na China poderá ajudar a estimular a decisão final de investimento para o arranque dos projectos de exportação de GNL na região da África Oriental, de acordo com Emma Richards, analista sénior de petróleo e gás da empresa de consultoria BMI Research.

Nos primeiros 10 meses de 2017, os preços de GNL registaram uma melhoria considerável, estimulados pelas importações chinesas, e cresceram quase 50 por cento. Por isso, a China acabou por se tornar no terceiro maior importador de gás natural do mundo, depois do Japão e da Coreia do Sul, de acordo com dados compilados pela Bloomberg New Energy Finance.

Enquanto a Eni SpA assinou seu projecto de coral flutuante de sete bilhões de dólares em Moçambique, a Anadarko precisa de mais contratos de compra e venda para justificar uma decisão final de investimento para o desenvolvimento do seu campo de gás natural, na bacia do Rovuma.

A Anadarko já assinou contratos de compra e venda para cerca de 2,6 milhões de toneladas por ano das mais de oito milhões de toneladas que tenciona produzir numa primeira fase.

“A localização geográfica central e favorável de Moçambique significa que o país está bem posicionado para atender às necessidades dos clientes do mercado do lado do atlântico e dos mercados da Ásia e do Pacífico, em particular, aproveitando a crescente demanda por energia na China', disse a Anadarko.

Segundo afirmou Richards, do BMI, a demanda chinesa também vai ajudar a amortecer o impacto negativo do ‘boom’ do gás de xisto dos EUA.

“A China poderá desempenhar um papel ao reduzir o excesso de gás natural”, acrescentou Richards, em entrevista telefónica.

'Se a China aparecer no mercado com maior pujança, procurando aumentar mais volumes, então sim, certamente isso ajudaria os operadores em Moçambique e na Tanzânia a garantir os contratos de compra e venda para facilitar a obtenção de financiamento e fazer avançar os projectos para desenvolvimento”, referiu.

Em Outubro de 2016, o consórcio do Bloco da Área 4 na Bacia do Rovuma, liderado pela multinacional italiana ENI, assinou um acordo vinculativo com a BP Poseidon Ltd., uma empresa totalmente controlada pela BP Plc, para a venda de GNL que será produzido na fábrica flutuante a ser instalada no Campo de Coral Sul, na Bacia do Rovuma.

O contrato, que é válido por 20 anos, cobre a venda de todos os volumes de GNL que serão produzidos a partir da fábrica flutuante de GNL de Coral Sul, com uma capacidade de produção acima de 3,3 milhões de toneladas de GNL por ano. In “Folha de Maputo” - Moçambique

Guiné-Bissau - Diagnóstico de tuberculose com maior precisão e rapidez

Bissau - Mais de 20 técnicos nacionais do hospital “Raoul Follereau”, principal centro de tratamento da tuberculose da Guiné-Bissau, estão a ser capacitados sobre novos aparelhos de diagnósticos da doença, informou a Rádio Jovem.

O novo equipamento instalado no hospital irá permitir aos profissionais de laboratório fazer teste rápido para diagnóstico de tuberculose com capacidade de detectar a presença do bacilo causador da doença em 80 minutos, segundo a indicação do técnico que está a ministrar a formação.

Segundo Mamadu Saliu Sanhá, representante da “Ahead”, a ONG que gere o hospital “Raoul Follereau”, com a implantação desta nova tecnologia, conhecido por “Gene Xpert”, o diagnóstico da tuberculose será mais eficiente.

“Podemos dizer que é uma tecnologia altamente avançada, sobretudo em África, porque poucos hospitais têm estes aparelhos que podem testar os bacilos causadores da doença. Por isso, esta tecnologia é muito importante para testar os pacientes com a tuberculose. Anteriormente tínhamos muitas dificuldades, mas agora utilizando estes aparelhos da última geração, o diagnóstico vai ser muito eficiente”, explicou Saliu Sanhá.

A ação de formação destinada aos profissionais do laboratório do principal centro de tratamento da tuberculose do país está a ser ministrado por um biólogo italiano e especialista em microbiologia, Renzo Cristofoli.

Durante cinco dias, o biólogo italiano, para além de capacitar os profissionais da saúde, vai ainda capacitar os utilizadores destes novos aparelhos na forma de interpretar com precisão todos os dados obtidos, através desse aparelho de nova tecnologia que está copulada a um sistema informativo.

Em declarações à imprensa, Renzo Cristofoli, realçou as vantagens dessas tecnologias, mas salientou que o fundamental é ter capacidade para utilizar os aparelhos.

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada por bactéria que afecta principalmente os pulmões. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa e é propagada pelo ar. Um doente, sem tratamento, pode infectar entre 10 a 15 pessoas por ano.

Segundo especialistas da saúde, o aumento do consumo de bebidas alcoólicas e do tabaco associado à fraca alimentação são também outros dos factores para este recrescimento da doença.

A Organização Não Governamental Italiana, Ajuda a Saúde e Desenvolvimento (AHEAD), que assumiu administração do hospital “Raoul Follereau”, tem estado a investir muitos recursos financeiros na assistência aos doentes de tuberculose internados. In “Agência de Notícias da Guiné” com “Rádio Jovem”

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Equador – À procura de um novo futuro após o terramoto

Uma família que vive numa cidade afectada por esta catástrofe acontecida em 2016, está a recuperar rapidamente graças a um programa da OIT baseado na criação e desenvolvimento de negócios



Calceta, Equador - Jesús Oñate e Mónica Monserrate são um casal ​​há mais de 15 anos e moram na cidade de Calceta, província de Manabí, localizada numa região costeira equatoriana que foi muito afectada pelo terremoto de 2016. Ambos levantam-se todos os dias às 5 da manhã para levar os seus três filhos para a escola e começarem um novo dia de trabalho.

Ele dedica-se à arte e pintura desde os 8 anos de idade e desde há 15 anos começou a comercializar as suas obras. Em 2015, alguns meses antes da visita do Papa Francisco ao Equador, Jesus produziu um retrato do papa com 4 mil pedaços de madeira, que foi entregue ao Sumo Pontífice e actualmente esta obra encontra-se no Vaticano, em Roma.

"A arte é definitivamente a minha paixão. Eu sempre consegui fazer fotos ou esculturas com materiais que encontro em áreas arborizadas. O retrato que fiz do Papa foi algo que teve impacto devido ao nível de esforço e dedicação que custou para fazê-lo, inclusive eu estou novamente a fazer. Então eu não paro e quero fazer mais, para que as pessoas reconheçam o meu talento", afirmou Jesús.

No entanto, o terrível terremoto de 7,8 graus que atingiu a costa norte do Equador em abril de 2016 e cujo epicentro foi na província de Manabí, gerou perdas significativas em máquinas e ferramentas necessárias para o desempenho dos seus trabalhos.

"O terremoto afectou-nos tanto no lado material como no emocional, mas a minha família apoiou-me imenso para continuar com os meus trabalhos. As minhas filhas adoram o que faço, mesmo em várias ocasiões elas tentam me ajudar", acrescentou.

A catástrofe ceifou a vida de 673 pessoas, além das perdas económicas de mais de 3300 milhões de dólares.

Em relação aos empregos, a existência de grandes perdas foi relatada nos sectores da indústria transformadora, comércio, agricultura, pecuária e serviços de pesca e turismo, afectando um total de 21823 empregos em todo o país.

Após a catástrofe, Jesus teve dificuldade em retomar a comercialização das suas obras, especialmente porque não tinha a certeza dos passos a seguir para vendê-las. Perante isso, o homem de 45 anos foi convocado para integrar um dos componentes do Programa IMESUN (Iniciar e Melhorar o seu Negócio) da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

"O Programa deu-me uma série de ferramentas para avançar, mesmo deu-me um impulso de alma. Ensinaram-me estratégias para ver como promover as artes que faço. Os cursos sobre como administrar o dinheiro que tenho, como maximizar os meus ganhos, também me ajudaram muito", explicou.

Pelo seu lado, Mónica, de 43 anos, dedica-se a fazer gelados. Após a catástrofe, queria realizar algo para ajudar o seu marido e apoiar a família. Desta forma, também participou nos cursos IMESUN e o resultado foi muito positivo.

"Uma das ferramentas dentro do Programa foi identificar o tipo de negócio que fazia falta no bairro, especialmente após a catástrofe que ocorreu. Foi lá que surgiu a ideia de avançar uma loja para vender mercadorias. Percebemos que as pessoas do bairro tinham que deslocar-se ao centro para fazer as compras para casa e este negócio poderia trazer bons resultados ", explicou.

Graças ao componente GIN (Gerar a sua Ideia de Negócios) do programa IMESUN, destinado a pessoas que querem iniciar um negócio, a Mónica abriu a sua loja há três meses e espera expandir o comércio no próximo ano com a aquisição de uma loja maior e com uma maior variedade de produtos.

"O negócio está indo muito bem, se eu atender bem, os clientes voltam. Sou uma pessoa que atendo da melhor maneira e eu gosto de ajudar as pessoas ", disse Mónica.

Sobre o programa

John Bliek, Especialista em Negócios, Cooperativas e Desenvolvimento Rural do Escritório da OIT para os Países Andinos, explicou que esta iniciativa liderada pelo Ministério do Trabalho e pelo Ministério da Indústria e Produtividade do Equador procura contribuir para uma recuperação inclusiva e sustentável da economia local nas áreas afetadas pelo terremoto.

“A OIT, a pedido do Governo do Equador, apoiou a Avaliação dos Custos de Reconstrução. Deste modo, concluiu-se que era necessário reactivar a produtividade e a criação de emprego. Assim, o projecto atual chamado REMESUN + E foi lançado (Reactivando e Melhore a sua ideia Business + Employment) ", explicou Bliek.

No âmbito do projecto, executam-se metodologias do programa IMESUN da OIT, que foi implementada em mais de 100 países com o objectivo de promover a capacidade empresarial e aumentar a viabilidade das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) com princípios de gestão adequada ao contexto dos países em desenvolvimento.

REMESUN + E também incluiu um pacote de formação destinado a capacitar as partes interessadas através da formação e desenvolvimento de competências para que possam iniciar e implementar estratégias de desenvolvimento económico local, que levem em conta as características de um determinado território.

"Neste projecto de recuperação económica, também trabalhamos no fortalecimento do sistema de procura laboral, identificando as necessidades específicas de ocupação, bem como a análise de cadeias de valor para apoiar o desenvolvimento do turismo nas áreas afetadas pelo terremoto", finalizou o Especialista em Empresas, Cooperativas e Desenvolvimento Rural.

Espera-se que o projecto, que beneficiou um total de 1056 homens e mulheres no Equador, vá criar e desenvolver ideias de negócios, gere não só um impacto directo sobre eles, mas também propague mais actividades e atenção para reactivar o sector produtivo e a criação de meios de subsistência para muitos equatorianos. Organização Internacional do Trabalho

Macau - Universidade de Macau dá pouca atenção à língua portuguesa

Na Universidade de Macau, contrariamente ao que se poderia pensar, não existe a promoção da língua portuguesa. As palavras são de Inocência Mata, antiga subdirectora do Departamento de Português da instituição. Ao Ponto Final, a académica apontou um rol de problemas que diz existir no departamento relacionados com a importância – ou falta dela – atribuída à língua portuguesa

A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) enviou uma carta aberta a Song Yonghua, que tomou ontem posse como reitor da Universidade de Macau (UM). Na missiva, o organismo apela ao académico para “promover a utilização da língua portuguesa na comunicação da UM com a sociedade e com os jornalistas de língua portuguesa de Macau”, algo que considera “que não tem sido prática corrente no passado recente da UM”. Para Inocência Mata, que até Agosto do ano passado era a subdirectora do Departamento de Português da Universidade de Macau (UM), esta carta é vista como “oportuna”. “É oportuna porque na verdade eu creio que para a Universidade de Macau o português não existe”, afirmou a académica em declarações ao Ponto Final.

“Eu penso [que esta carta] faz todo o sentido porque contrariamente ao que se poderia imaginar não existe a promoção da língua portuguesa pela e na Universidade de Macau”, declarou Inocência Mata. “Eu gostava que a língua portuguesa fosse uma língua mais promovida não apenas no sentido desse ensino que, como também já é do conhecimento geral, tem sofrido um enorme ‘backlash’. Eu espero que quem toma as decisões na Universidade de Macau perceba que a universidade ganha em promover a língua portuguesa. Não direi já como língua de trabalho mas pelo menos [como] uma das línguas muito importantes para os alunos e para que os alunos se sintam motivados”, sustentou a professora.

Questionada quanto a uma possível alteração do panorama por si traçado com a tomada de posse de Song Yonghua, Inocência Mata duvida que tal esteja directamente dependente do reitor. Porém, a académica também não acredita que este poder esteja concentrado no director do Departamento de Português devido à “relação demasiado vertical” que diz existir na hierarquia da instituição. “Nunca se sabe quem impõe as regras, eu não sei se depende do chefe do departamento porque na verdade é uma relação demasiado vertical que não sei qual é o centro do poder que não tem noção da especificidade da língua portuguesa na região de Macau”, criticou a docente.

Quanto ao que a motivou a abandonar o cargo de subdirectora, Inocência Mata aponta uma “miríade de razões” sendo a principal o facto de achar que “todas as decisões já estavam tomadas”. “Eu não quis continuar porque achava que não fazia a diferença e eu estou habituada a fazer a diferença. Na casa de onde venho, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, eu estou habituada a que as decisões de ordem pedagógica e científica sejam tomadas pelos professores. Eu cheguei à conclusão que os professores não têm qualquer palavra a dizer, a decisão está toda tomada. Eu não sei onde é que está o centro das decisões, eu sei é que não está no Departamento de Português”.

Inocência Mata faz também a ponte com a instituição onde leccionava em Portugal antes de vir para Macau para criticar o facto de a UM não abrir há três anos um mestrado na área dos estudos literários e culturais de português. Segundo explicou a académica, quando assumia ainda funções como subdirectora foi-lhe comunicado que o mestrado não iria abrir devido ao número de alunos inscritos não ser suficiente.

“Por exemplo, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa é óbvio que os candidatos aos cursos de latim e grego são sempre um número menor do que os candidatos aos cursos de línguas hispânicas ou de português; portanto, deixar de abrir cursos de latim e grego é passar um atestado de óbito. Ou seja, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa arca com este fardo porque tem a ver com o espírito da faculdade e eu penso que a Faculdade de Letras e Humanidades [da UM] devia fazer isto em relação ao português”, sustentou.

A especialista em estudos pós-coloniais no mundo da língua portuguesa critica ainda o facto de, na faculdade, “o que conta são as revistas publicadas em inglês e os artigos publicados em inglês”. “Então não era de se valorizar uma pessoa que é da área do português e haver uma promoção das revistas portuguesas, angolanas, brasileiras, moçambicanas?”, atirou. “Mas não. Para meu espanto cheguei a apercebi-me de que, na verdade, o que conta são as revistas que estão em bases e que são todas elas dos Estados Unidos e da Inglaterra”, contou.

“Obviamente que eu não consigo conviver com isto porque a minha área é a área do português. Porque é que eu tenho de escrever em inglês e publicar em inglês? O inglês aqui é a língua valorizada para publicação, realidade com a qual eu não convivi nada bem”, disse a académica que, contudo, assumiu que “obviamente que as coisas mudaram um bocado”. “Esperemos que as pessoas agora tenham atenção a esta matéria porque esta é a minha grande tristeza, a pouca atenção que se dá à língua portuguesa na Universidade de Macau”.


“Que obstáculo é que vocês têm no contacto [com a UM]?

Contactado pelo Ponto Final também sobre a carta da AIPIM, Yao Jingming, director do Departamento de Português da UM, disse que “faz sentido ter sido enviada essa carta”, apesar de defender que “recentemente a universidade tem vindo a trabalhar muito em termos de melhoramento do ensino da língua portuguesa”. “Em termos de relação da Universidade de Macau com os meios de comunicação social em português, as notícias que eles fazem sempre fazem em três línguas. Por isso, que obstáculo é que vocês [jornalistas] têm no contacto e na comunicação com eles?”, questionou o também poeta e tradutor.

Para Yao Jingming, a questão também se coloca de forma inversa ao afirmar que “todos os cidadãos de Macau também têm que aprender outras línguas”. “Os portugueses que vivem aqui em Macau também têm que aprender e sentir-se mais motivados para aprender chinês. Se todos pudessem falar outras línguas a comunicação e o convívio seria muito mais fácil. Os chineses claro que têm que aprender mais português enquanto que os portugueses que vivem em Macau também têm de estar mais motivados para aprender a língua e a cultura chinesas”.

Quanto ao novo reitor, o responsável pelo Departamento de Português disse que Song Yonghua “precisa de tempo para conhecer a realidade da língua portuguesa para [poder] tomar medidas em termos da promoção desta língua, porque ele chegou a Macau há poucos dias”. Catarina Vila Nova – Macau in “Ponto Final”

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Brasil - Porto de Paranaguá fecha 2017 com volume histórico de cargas

O Porto de Paranaguá fechou 2017 com a maior movimentação de cargas da sua história. Foram 51,5 milhões de toneladas operadas entre janeiro e dezembro, o que representa um aumento de 11% em relação ao recorde anterior, de 46,1 milhões de toneladas, alcançado em 2013 e 14,2% a mais do que o ano passado, quando operou 45,1 milhões de toneladas.

O crescimento foi bem acima da média brasileira. Enquanto as exportações de produtos no Brasil inteiro tiveram crescimento médio de 7,2% em relação a 2016, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, as exportações pelo Porto de Paranaguá cresceram 17%.

O secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, afirma que a marca é histórica, pois representa uma mudança no patamar dos portos do Paraná. “O Porto de Paranaguá se preparou para isso. Foi uma confluência de fatores que levaram a este recorde”, diz ele.

“O campo produziu muito, o câmbio favoreceu a comercialização internacional da produção agrícola e o porto se equipou nos últimos anos para atender este aumento de demanda. O mais importante é que sempre que o produtor paranaense e brasileiro quiser usufruir do Porto de Paranaguá, ele estará preparado para receber estas cargas e operá-las da maneira mais ágil possível”, afirma Richa Filho.

Safra e investimentos 

A safra de grãos 2016/2017 foi recorde, ao alcançar as 240 milhões de toneladas colhidas pelo Brasil, e coincidiu com a entrega de alguns dos principais investimentos previstos para o porto. “De 2011 a 2017, foram mais de R$ 868 milhões em investimento público. Neste período, a movimentação de cargas de Paranaguá teve um aumento de 25%”, afirma o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.

A soja foi o carro-chefe da alta, com mais de 11,4 milhões de toneladas exportadas ao longo do ano (a maior marca da história), mas o recorde geral também foi alcançado com o aumento nas movimentações de carga geral (máquinas, peças industriais e produtos de alto valor agregado), com 9,5 milhões operados; fertilizantes, com 8,8 milhões de toneladas importadas; derivados de petróleo, com 4,7 milhões de toneladas importadas; açúcar, 4,8 milhões de toneladas exportadas; farelos, com 4,5 milhões de toneladas embarcadas; e milho, com 3,5 milhões de toneladas exportadas.

Recordes

Além de ultrapassar a marca das 50 milhões de toneladas pela primeira vez, o Porto de Paranaguá registrou vários outros recordes ao longo do ano. Ao todo, 17 marcas históricas foram batidas ao longo de 2017.

Foram alcançados os recordes históricos de movimentação diária, mensal, semestral e anual de cargas. Maior operação diária, semestral e anual de soja e de veículos. Maiores volumes de graneis sólidos, líquidos e carga geral. Maior fluxo de caminhões no Pátio de Triagem.

Entre as principais obras que tornaram possíveis estas marcas estão as campanhas continuadas de dragagem, reforma e aprofundamento do cais, instalação de novos shiploaders (carregadores de navios), construção de novos gates com novas balanças, automação dos equipamentos de controle de acesso, construção de novos tombadores, novos pátios de caminhões, entre outros.

Estes investimentos aumentaram em 33% a capacidade na descarga de grãos, multiplicaram o acesso de caminhões de fertilizantes, veículos e cargas gerais à faixa primária do porto e duplicaram a resistência do cais para operações.

Também foram feitas constantes campanhas de dragagens de manutenção, que garantiram a profundidade de projeto do canal de acesso e dos berços, permitindo que os maiores navios que atracam na costa brasileira pudessem operar em Paranaguá nas suas capacidades máximas de carga.

Em 2015 e 2016, o porto já tinha batido os recordes de movimentação do Corredor de Exportação, de embarque de açúcar, de desembarque de fertilizantes, movimentação de contêineres, desembarque de diesel e exportação de etanol, entre outros. Desde 2011, quando iniciou-se o atual pacote de investimentos, foram 45 recordes batidos.

Cidade

Um grande feito é que todas estas marcas tenham sido batidas sem causar transtornos à cidade. Mesmo com o maior volume de cargas chegando e saindo de Paranaguá, as filas de caminhões foram extintas, os motoristas são orientados a não despejar grãos nas vias dos municípios e o processo de limpeza das ruas foi intensificado.

Fruto deste trabalho, o Porto de Paranaguá alcançou a liderança nacional do ranking de sustentabilidade da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) com o melhor desempenho ambiental entre mais de 100 portos públicos e privados.

Além disso, uma obra de revitalização da avenida Bento Rocha, principal via de acesso ao porto, e a construção de um viaduto na entrada da cidade, na continuação da BR-277, serão realizados com aportes do caixa próprio da Appa. Os mais de R$ 36 milhões são os maiores investimentos feitos pelo porto em toda a história na infraestrutura da cidade. In “Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina” - Brasil

Portugal - BIAL vai comercializar medicamento para doença de Parkinson na China

A farmacêutica BIAL vai começar a comercializar na China o Ongentys, um medicamento para a doença de Parkinson, que vai chegar ao mercado chinês após um acordo de licenciamento exclusivo com a chinesa Wanbang, anunciou fonte da BIAL.

“A BIAL e a Wanbang Biopharmaceutical (…) assinaram um acordo de licenciamento exclusivo para a importação, embalagem e comercialização de Ongentys (opicapona) na China, excluindo Hong Kong, Macau e Taiwan”, lê-se em nota enviada à Lusa.

A BIAL, empresa portuguesa sediada na Trofa (distrito do Porto), “está empenhada em dar resposta às necessidades dos doentes e profissionais de saúde em todo o mundo e o acordo de licenciamento é um “marco na estratégia de expansão” da empresa, porque assinala a entrada dos seus produtos num mercado “importante como a China”, explicou António Portela, director-executivo da BIAL, dizendo estar “satisfeito” por ir trabalhar com a Wanbang” e por ir disponibilizar o “novo tratamento às pessoas com Parkinson na China”.

O Ongentys é um fármaco de investigação BIAL, de toma única diária, aprovado em junho de 2016 pela Comissão Europeia e indicado como terapêutica adjuvante da levodopa em pacientes adultos com doença de Parkinson e flutuações motoras que não estão controlados com outras terapêuticas.

Com este acordo, a BIAL que comercializa medicamentos em mais de 50 países e tem cerca de mil colaboradores, vai receber da Wanbang, subsidiária da Fosun Pharma, um pagamento inicial pela licença de “2,5 milhões de euros, acrescidos de 12,5 milhões, de acordo com o cumprimento de determinados objectivos ao longo da parceria”, esclarece a BIAL.

“Estamos bastante satisfeitos por estabelecer este acordo com a BIAL, e lançar a opicapona na China”, disse, por seu turno, Yifang Wu, editor executivo e presidente da Fosun Pharma e Chairman da Wanbang, citado no mesmo comunicado.

Segundo Yifang Wu, a Wanbang está impressionada com a “eficácia”, “segurança” e com o “regime de toma única diária da opicapona”.

“Esta parceria vem trazer uma opção terapêutica alternativa, que dá resposta a uma necessidade médica na China, e enriquece o nosso portefólio de produtos na área do Sistema Nervoso Central, uma das nossas áreas terapêuticas estratégicas. Estamos muito motivados e esperamos começar em breve a importar e comercializar a opicapona na China”, acrescentou.

O Ongentys é o segundo medicamento de patente portuguesa e da BIAL a chegar ao mercado chinês, depois da comercialização de Zebinix, para o tratamento da epilepsia, e é comercializado na Europa, em países como a Alemanha, Reino Unido e Espanha, perspectivando-se o seu lançamento em outros países europeus, incluindo Portugal, ao longo deste ano de 2018.

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum em todo o mundo, estimando-se que existam entre 7 a 10 milhões de pacientes. Na China, a taxa de incidência da doença de Parkinson na população com mais de 65 anos é de 1700/100.000, com um total de 100 mil novos casos por ano na população total.

A chinesa Wanbang, uma subsidiária da Fosun Pharma, possui um centro de investigação e produção de soluções terapêuticas desenvolvidas através de engenharia genética e descreve-se como estando focada no “desenvolvimento, produção e distribuição de produtos farmacêuticos em diversas áreas, tais como hipoglicemia, hipertensão, dislipidemia, ácido úrico e cancro”. In “Ponto Final” - Macau

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Galiza - O problema da contaminação dos oceanos por plásticos

A Fundação Espanhola de Ciência e Tecnologia (Fecyt) e a Universidade de Vigo colaboram no projecto informativo "Oceans of Plastics", que visa alertar a gravidade deste problema nos mares do planeta



O projecto Ocean of Plastics iniciou há um ano pela mão do Campus do Mar  da Universidade de Vigo e da Fundação Espanhola de Ciência e Tecnologia ( Fecyt) com o objectivo de informar e alertar a sociedade sobre o uso excessivo de plásticos e o impacto que este tipo de resíduos têm no meio marinho. Para o conceber, trabalharam em colaboração com os grupos de pesquisa da Universidade de Vigo e o Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO) para seleccionar os conteúdos mais relevantes em relação a este campo e transformá-los em recursos gráficos para divulgação.

Agora, na parte final do projecto, está a começar-se a disseminar estes conteúdos informativos através das redes sociais e sítios para ver, por exemplo, o impacto que os plásticos têm nos peixes ou mamíferos, como distinguir os tipos de embalagens plásticas e a sua toxicidade ou a forma de minimizar a produção deste tipo de lixo, que provêm de garrafas e sacos, no caso de microplásticos, géis ou higiene e produtos de limpeza.

Actualmente, estima-se que, nos oceanos do planeta, cerca de cinco milhões de partículas de plástico flutuam, o que gera verdadeiras lixeiras. É um problema crescente, pois todos os anos, devido à má gestão deste tipo de lixo, cerca de oito milhões de toneladas de plástico terminam no mar. Estes resíduos provêm do consumo doméstico e industrial e são uma das principais preocupações da comunidade científica em oceanografia, poluição marinha e mudanças globais.

Nesse sentido, a Oceans of Plastics optou por aproveitar a pesquisa desenvolvida no Campus do Mar nesta área para produzir recursos gráficos informativos de alta qualidade que abordem a realidade do impacto que os plásticos estão tendo nos oceanos. Para isso, o projecto envolve professores de Ciências da Educação e do Desporto e das Ciências Sociais e da Comunicação do campus de Pontevedra, além dos cientistas do Campus do Mar.

Assim, depois de seleccionar os conteúdos de projetos de P&D, esta informação foi adaptada a pequenas unidades de ensino que são compreensíveis para o público em geral, tais como painéis de notícias, gifs animados ou computação gráfica. Agora, na fase final, procede-se à difusão dos materiais produzidos para que eles atinjam toda a sociedade, especialmente os centros educacionais dos diferentes níveis, para informar e sensibilizar as novas gerações sobre este problema ecológico.

"A recepção do projecto nas redes sociais é realmente excelente", explica o coordenador global, Jorge de los Bueis, porque em menos de 24 horas o projecto no Facebook atingiu mais de 100 seguidores", que é, sem dúvida, um óptimo indicativo da preocupação da sociedade pelo cuidado e conservação dos oceanos". Num mês desde o lançamento dos canais de transmissão, o Facebook já possui mais de 1200 seguidores.

Competição escolar

Além da disseminação dos materiais gerados na Oceans of Plastics, o projecto também lançou uma competição escolar para estudantes do ensino primário e secundário em que os participantes poderiam apresentar trabalhos sobre a mitigação dos efeitos dos resíduos de plástico no mar. De acordo com os coordenadores, este concurso, que acaba de dar a conhecer os seus vencedores, visa envolver activamente centenas de jovens que procuram "inculcar a importância das nossas ações diárias no meio marinho". Os projectos vencedores foram na Primária “Mensagem numa garrafa”, dos estudantes do CEIP Vicente Otero Valcárcel e no Secundário “Oceanos de Plástico”, de um grupo de alunos do CPI da Caverna de Terreña.

Material divulgativo sobre plásticos

Os diferentes tópicos abordados pelo projecto em relação aos impactos negativos do plástico nos oceanos são variados e incluem aspectos como as diferenças entre os macroplásticos e os microplásticos, os aditivos utilizados na fabricação de diferentes plásticos, a classificação dos microplásticos, os impactos do plástico macroscópico e microscópico, o efeito "ilha de lixo" e até oferece uma série de boas práticas para minimizar os efeitos negativos produzidos por esses resíduos.

Por exemplo, uma das peças conta como os contaminantes químicos da microplastia, através de bioacumulação, passam dos peixes para organismos humanos, enquanto outros explicam a diferença entre os microplásticos primários (que são fabricados com um tamanho menor que 5 mm, como micropartículas, microfibras de confecção ou micropartículas de detergentes ou produtos de higiene) e os secundários (provenientes da degradação de recipientes ou sacos que estão no meio marinho).

Outras infografias também explicam como os plásticos macroscópicos, como bolsas, redes, etc. podem asfixiar aves marinhas ou estrangular peixes e mamíferos. Outra série de peças centra-se na prevenção e redução da produção desses resíduos. Explicam como identificar as resinas de plástico presentes na embalagem e recordam que as garrafas e recipientes a serem evitados são identificados pelos códigos 3 (PVC e vinil), 6 (espuma de poliestireno) e 7 (bisfenol A) e os 2, 4 e mais seguros 5, sendo um de um único uso, uma vez que o uso continuado pode liberar DEHP, um ftalato tóxico. Também através de gifs animados dão-se boas práticas de orientações e ideias que ajudam a minimizar a produção de resíduos plásticos, como a compra a granel, a reciclagem de embalagens, não vazar para a água artigos de higiene pessoal, como os cotonetes para os ouvidos, evite comprar cosméticos com micrpartículas ou roupas com microfibras têxteis e optar por artigos de vários usos. In “GCiencia” - Galiza