Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Angola - Universidade Agostinho Neto reduziu para metade número de vagas este ano por falta de professores

A falta de professores na Universidade Agostinho Neto (UAN) obrigou a que fossem deixados de fora, este ano, mais de 2 mil novos estudantes nos diferentes cursos das 10 unidades orgânicas, soube o Novo Jornal junto de uma fonte da Reitoria

A UAN tinha previsto 6 mil vagas para o ano académico 2021/2022, e por falta de docentes, deste total apenas 3690 vagas foram disponibilizadas.

Por falta de professores, neste ano académico, a UAN não abriu vagas para os cursos de Biologia, Ciências da Computação, Metrologia e Química.

"Não adianta anunciar um número elevado de vagas quando, na verdade, não temos professores para leccionar. Só este ano tínhamos previsto cerca de 6 mil novas vagas. Mas por não termos professores suficientes, conseguimos seleccionar apenas 3690 vagas", contou uma fonte da reitoria da UAN, optando por não ser identificada.

Segundo a fonte, o ensino público, sobretudo o da Universidade Agostinho Neto, é muito prejudicado por falta de professores.

A fonte denunciou que existem na UAN estudantes que estão dependentes, há anos, de professores para a conclusão do curso.

"Há estudantes parados. Não sabem se aprovaram ou reprovaram porque faltam professores para dar seguimento ao curso em que estão", acrescentou.

A reitoria da UAN, prossegue a fonte, já escreveu várias vezes para o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia (MESCTI) a solicitar abertura de concurso público e não é atendido.

Segundo a fonte, a UAN tem capacidade para albergar muito mais estudantes no 1.º ano, contudo, não tem professores para cobrir as vagas.

Arlindo Isabel, director do gabinete de informação científica e documentação da Universidade Agostinho Neto, disse ao Novo Jornal que de facto há défice de professores na UAN.

O também porta-voz, afirmou que o número de vagas anunciadas pela UAN, no presente ano académico, foi em função do rácio entre professores e alunos, tento em conta o número de salas disponíveis e negou, quando questionado, se tinham de facto 6 mil vagas para o presente ano lectivo.

"A questão dos professores é de facto uma situação real. Por essa razão não abriram vagas para o 1.º ano dos cursos de Biologia, Ciências da Computação, Metrologia e Química", explicou.

Entretanto, na Faculdade de Engenharia, no campus universitário, por exemplo, a falta de professores em várias disciplinas-chave tem revoltado os estudantes do 1.º e 2.º ano.

Sob anonimato, com medo de represálias, vários estudantes contaram ao Novo Jornal que a situação tem vindo a complicar-se e que não receberam aulas das cadeiras-chave do curso, temendo, por isso, reprovações.

Em Novembro de 2018, o Presidente da República, João Lourenço, visitou o campus universitário da UAN e na altura lembrou que autorizou o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia (MESCTI) a realizar um concurso de ingresso de novos professores, medida essa que nunca chegou a ser concretizada.

A fonte da reitoria, assim como o porta-voz da UAN, Arlindo Isabel, comentaram que o MESCTI não realizou até aqui qualquer concurso público para admissão de novos docentes.

Sobre a falta de professores na UAN, o Novo Jornal tentou ouvir, sem sucesso, explicações do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia.

Recentemente, soube o Novo Jornal, o Reitor da UAN, Pedro Magalhães, voltou a apresentar estas preocupações durante um encontro, em Luanda, em que estiveram presentes vários membros do Executivo, entre os quais a ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, e a titular do MESTIC, Maria do Rosário Bragança Sambo. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

 


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Angola - Universidade Agostinho Neto vai apresentar proposta ao Parlamento para cobrar propinas

A Universidade Agostinho Neto (UAN) quer passar a cobrar propinas aos alunos e vai apresentar à Assembleia Nacional (AN) uma proposta, no sentido de "garantir melhor qualidade ao ensino e à gestão" e a conclusão das obras no Campus Universitário, atrasada devido a dívidas com empreiteiros



O anúncio foi feito, em Luanda, pelo vice-reitor da universidade pública para a Área de Gestão, Pepe de Gove, durante um encontro com os deputados da VI Comissão de trabalhos da Assembleia Nacional.

No mesmo encontro, o responsável informou os deputados de que a instituição, que abarca a província de Luanda, tem já preparada uma proposta para submeter ao parlamento.

"Não há nenhuma legislação que diz que o ensino superior é gratuito. Falta vontade política para inverter o quadro", disse.

Pepe de Gove, que defende que a UAN não pode continuar a depender do Orçamento Geral do Estado, referiu que "não há no mundo ensino superior gratuito" e que "em universidades modernas o orçamento é feito à base do custo do estudante".

Pepe de Gove pediu a intervenção dos deputados para ultrapassar os vários problemas sentidos na Universidade Agostinho Neto.

A Lei de Base do Ensino Superior estabelece que o ensino é gratuito até à nona classe, mas não regulamenta a prática da cobrança de propinas no ensino superior, lembrou o reitor da UAN, Pedro Magalhães, durante o mesmo encontro.

Já o presidente da Comissão de Saúde, Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia da Assembleia Nacional, Manuel da Cruz Neto, concordou que não há legislação que proíba a cobrança de propinas.

"É preciso começar por aí. Nada nos impede de assumirmos um compromisso de melhoria do ensino", realçou.

A UAN, que carece de docentes em todas unidades orgânicas, remeteu ao Executivo a proposta de um total de 827/ano. Segundo informações dadas aos parlamentares durante um encontro com os deputados da VI Comissão de trabalhos da Assembleia Nacional, o processo para a admissão de docentes encontra-se há mais de oito meses no Tribunal de Contas sem qualquer resposta.

"Há faculdades que se encontram numa situação mais difícil em termos de recursos humanos, há aquelas que já funcionaram há dois ou três anos e, neste momento, estão com uma grande escassez de recursos humanos", afirmou o reitor. In “Novo Jornal” - Angola