Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 3 de abril de 2025

São Tomé e Príncipe - Cultura em Risco: O grito de alerta do Presidente da República

O Presidente da República, Carlos Vila Nova lançou o desafio para preservação e promoção da cultura nacional

O chefe de estado fez este lançamento na cerimónia de abertura do mês da cultura nacional quando enfatizava a urgência da preservação do património cultural são-tomense e lançou desafios para um maior compromisso do Estado e da sociedade na valorização da identidade nacional.

Com a presença de altas figuras do Estado, Primeiro-Ministro e membros do Governo, líderes parlamentares e representantes do sector cultural, o Presidente alertou para os riscos de desaparecimento de várias expressões culturais e reforçou a necessidade de acções concretas para a sua revitalização.

Sem rodeios, Carlos Vila Nova denunciou que muitas das manifestações culturais do país estão à beira da extinção. “A cultura é a alma de uma nação. A perda de qualquer um dos nossos elementos culturais não seria apenas uma perda para nós, mas para a humanidade”, declarou.

O Presidente citou exemplos preocupantes de tradições quase desaparecidas, como Lumbu, Alimandade, Soya Kutu Damala e Soya Lombo Kumukantan, assim como danças tradicionais da Ilha do Príncipe, como Toluja e Bêlélé. “Se nada for feito, corremos o risco de apagar séculos de história e identidade”, alertou.

Ao mesmo tempo em que sublinhou a necessidade de preservar a tradição, Carlos Vila Nova destacou o potencial económico da cultura. “Os recursos culturais, quando bem aproveitados, são activos económicos valiosos. Eles nunca foram causa de guerras, mas sim de prosperidade”, sublinhou.

O Chefe de Estado defendeu uma estratégia de promoção cultural que inclua festivais, exposições e intercâmbios, colocando a cultura como peça-chave para impulsionar o turismo. “Temos uma riqueza única que pode diferenciar São Tomé e Príncipe no mapa turístico mundial. Devemos transformar essa riqueza cultural em valor económico e identidade nacional fortalecida”, avançou.

Num tom desafiador, Vila Nova propôs que, por ocasião dos 50 anos da Independência Nacional, o país promova espaços de reflexão sobre a cultura e aproveite o momento histórico para exaltar e resgatar as tradições santomenses. “Este cinquentenário não pode ser apenas uma celebração. Deve ser um compromisso renovado com a nossa identidade e um passo decisivo na valorização da nossa cultura”, concluiu, lançando um repto aos decisores políticos, artistas, comunidades e juventude: “A cultura é um organismo vivo. Cabe-nos garantir que ela não morra, mas floresça e evolua. Se queremos um país com identidade e orgulho das suas raízes, devemos agir agora.”

A solenidade no Pavilhão D. Alda Espírito Santo, do Liceu Nacional, seguiu com apresentações culturais que reforçaram a diversidade e a riqueza da cultura são-tomense, dando o tom do que promete ser um mês de celebração, mas também de reflexão e acção concreta para o futuro cultural do país.

A ministra da Educação, Cultura, Ciências e Ensino Superior, Isabel Abreu, destacou a importância da cultura como pilar da identidade nacional e do desenvolvimento económico de São Tomé e Príncipe.

Diante de um público repleto de autoridades, intelectuais e fazedores da cultura, a ministra exaltou o legado dos grandes vultos santomenses e apontou caminhos para a valorização e dinamização do sector cultural.

A escolha de Abril para esta celebração não foi aleatória, enfatizou Isabel Abreu. O mês é marcado pelo nascimento de figuras emblemáticas, como José de Almada Negreiros, José Viana da Mota, Caetano da Costa Alegre e Alda Espírito Santo, cuja memória será o centro das comemorações deste ano. “Alda Espírito Santo não foi apenas uma poetisa, mas uma guardiã dos valores e da luta do povo santomense. Dedicamos este mês à sua memória e ao seu legado inestimável”, reforçou.

A ministra salientou que a cultura vai além das artes e da literatura, sendo um vector essencial da economia, do turismo e da projecção internacional do arquipélago. “A cultura une, impulsiona o turismo e fortalece a nossa presença no cenário global”, apontou.

Com um tom firme, Isabel Abreu referiu que o 19º governo constitucional tem tomado medidas concretas para fortalecer o sector, desde a actualização da Carta da Política Cultural até a submissão de bens culturais à UNESCO para reconhecimento como Património Mundial.

“Não basta celebrar, precisamos agir. A cultura não pode ser apenas um elemento decorativo do nosso país, mas uma força activa no nosso desenvolvimento”, enfatizou.

A ministra também alertou para a necessidade de preservar as tradições e saberes ancestrais, garantindo que sejam transmitidos às gerações futuras. “Perder um traço da nossa cultura é perder um pedaço da nossa identidade”, frisou.

Entre as iniciativas programadas para este mês, Isabel Abreu anunciou a realização da Primeira Conferência Nacional sobre Alda Espírito Santo, nos dias 29 e 30 de Abril. O evento será um espaço de reflexão sobre o impacto e a influência da poetisa na cultura santomense e africana.

“Acreditamos que esta conferência será um marco na valorização da nossa literatura e um incentivo para as novas gerações a explorarem e preservarem a nossa história”, contou.

Isabel Abreu fez também um apelo para que toda a sociedade se envolva activamente nas actividades do Mês da Cultura. “A cultura não se faz sozinha. Ela precisa de todos nós, do nosso compromisso e do nosso empenho. Que este mês seja um reflexo da nossa diversidade e da nossa força enquanto nação”, concluiu.

A cerimónia de abertura foi marcada por apresentações artísticas e culturais que reforçaram a riqueza e a autenticidade da identidade santomense, dando início a um mês de celebrações e reflexões sobre o futuro cultural do país. Waley Quaresma – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde desvenda mutações que aumentam risco de Cancro Gástrico Difuso Hereditário

Estudo permitiu avançar com três novos critérios clínicos que serão fundamentais para identificar famílias de risco para teste genético, e agir profilaticamente


Uma equipa internacional, liderada pela investigadora Carla Oliveira, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), publicou um estudo na revista Lancet Oncology, onde identifica as alterações no gene CDH1 que especificamente aumentam o risco de desenvolvimento dos cancros associados à síndrome de Cancro Gástrico Difuso Hereditário (HDGC).

O mesmo estudo permitiu também avançar com três novos critérios clínicos, a somar aos atualmente usados, que serão fundamentais para identificar famílias de risco para teste genético, e agir profilaticamente, no sentido de evitar que desenvolvam doenças oncológicas de elevadíssima mortalidade.

Sabe-se que o gene CDH1, que codifica a proteína Caderina-E, está intimamente ligado ao desenvolvimento da síndrome de Cancro Gástrico Difuso Hereditário (HDGC). Neste trabalho, sublinha Carla Oliveira, “estudámos as diversas variantes que ocorrem neste gene e provámos que apenas as alterações que eliminam a produção de Caderina-E aumentam o risco de desenvolver cancro da mama e cancro do estômago“. Existem outras alterações no mesmo gene, nomeadamente aquelas que apenas alteram um aminoácido na proteína do gene CDH1, mas essas não aumentam o risco de desenvolvimento destas doenças.

Esta clarificação das variantes do gene da Caderina-E que acarretam maior propensão para desenvolver síndrome de Cancro Gástrico Difuso Hereditário (HDGC), e de quais os tipos de cancro mais prevalentes em portadores destas alterações “permite-nos repensar os critérios clínicos para teste genético, no sentido de melhorar a gestão clínica de famílias portadoras destas variantes”, acrescenta José Garcia-Pelaez, primeiro autor do artigo.

O trabalho agora publicado é o primeiro estudo que relaciona diferentes tipos de variantes do CDH1 com dados clínicos de doentes reais com síndrome Cancro Gástrico Difuso Hereditário (HDGC). “Foi um trabalho multicêntrico, ou seja, com dados de 29 laboratórios de 10 países Europeus, que incluiu 854 portadores de 398 variantes raras diferentes no gene CDH1, bem como mais de mil familiares desses portadores que foram seguidos clinicamente e desenvolveram cerca de 2000 cancros”, explica Carla Oliveira.

Novos critérios para identificar famílias em risco

Para conseguir realizar este estudo de larga escala, a equipa liderada pela cientista do i3S, recorreu a informação dos testes genéticos e dados clínicos disponíveis na Rede Europeia de Referência em Síndromes de Risco de Tumores (ERN-GENTURIS), cuja representante de Portugal é a própria Carla Oliveira.

“Ao clarificarmos as mutações específicas no gene CDH1 que constituem um risco real para o indivíduo e quais as mutações que não são preocupantes, conseguimos avançar com três novos critérios clínicos, a somar aos atualmente utilizados, que ajudarão a identificar famílias em risco», revela José Garcia-Pelaez.

Carla Oliveira lembra por sua vez que “há famílias com elevada frequência de cancro da mama, mas que, por si só, não reúnem os critérios clínicos atualmente definidos para serem conduzidas para estudo genético de Cancro Gástrico Difuso Hereditário, mas podem possuir mutações no gene CDH1 que geram grande risco para esta síndrome”

Como tal, sublinha a líder do grupo «Expression Regulation in Cancer» do i3S, “as conclusões deste estudo permitem propor critérios clínicos mais assertivos que maximizam a identificação de famílias em risco para esta síndrome”.

Estes novos critérios clínicos serão validados entre pares na próxima reunião do consórcio que reúne os especialistas internacionais nesta doença, que decorrerá no Porto, na primavera de 2024, e que está a ser organizada por investigadores do i3S.

Sobre o Cancro Gástrico Difuso Hereditário

A síndrome de Cancro Gástrico Difuso Hereditário, causada por alterações no CDH1, afeta quase 50 mil pessoas/ano em todo o mundo. Os portadores de algumas dessas alterações apresentam um risco elevado para desenvolver cancros do estômago em homens e do estômago e da mama nas mulheres, e em idade jovem.

Quando se conhece a causa genética da doença, a prevenção, e consequentemente a sobrevida dos portadores, são maximizadas se o estômago e/ou as mamas forem removidos profilaticamente após os 18 anos e antes de a doença se manifestar.

“Como é impossível prever em que idade um portador da mutação desenvolverá cancro, e não existem tratamentos eficazes para estes cancros, estas opções profiláticas, apesar de drásticas, são a melhor opção», explica Carla Oliveira.

Segundo a investigadora, “as implicações não são apenas no sentido preventivo individual, estamos a falar de uma síndrome de cancros hereditários, ou seja, que tem implicações familiares, afetando os doentes, e, com grande probabilidade, também os seus familiares de sangue. Se um indivíduo é portador de uma das mutações de risco agravado para HDGC, os seus familiares de sangue também têm elevada probabilidade de serem portadores e de estarem em risco de desenvolver a mesmo tipo de cancro”, esclarece a investigadora. Por isso, este estudo pode ajudar inúmeras famílias a tomar decisões informadas para gestão individual de risco.

Para além dos parceiros europeus da ERN-GENTURIS, este trabalho contou com participação dos grupos de investigação do i3S «Population Genetics & Evolution» e «UnIGENe», do «Ipatimup Diagnósticos» e de equipas do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), IPO-Porto, GenoMed, Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra e Porto Comprehensive Cancer Centre Raquel Seruca (PCCC). Universidade do Porto - Portugal