Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 25 de setembro de 2022

Portugal - Rara moeda portuguesa encontrada em Inglaterra

Um exemplar raro da moeda de ouro portuguesa do século XV que Vasco da Gama levou para a Índia foi encontrada no Reino Unido por um praticante amador de ‘detetorismo’, e vai ser vendida em leilão


Esta foi a primeira vez que um “Português”, com o valor de 10 cruzados, foi encontrado em território britânico e está avaliado em entre 20000 e 30000 libras (22400 e 33600 euros) pela leiloeira Noonans de Londres.

A moeda foi encontrada no início de julho por Mick Edwards, de 62 anos, num turismo rural em Etchilhampton, cerca de 150 quilómetros oeste de Londres, próximo da cidade de Bath, onde estava a celebrar os 35 anos de casamento.

Este funcionário público estava a testar o detetor de metais num campo antes do pequeno-almoço, às 06:00, quando recebeu um sinal e após escavar um buraco de 25 centímetros encontrou a moeda de ouro, que tem 36 milímetros de diâmetro e pesa cerca de 35 gramas.

“Fiquei estupefacto e fiquei sentado a olhar para a moeda incapaz até de respirar. Consegui ver a cruz na moeda e pensei que era provavelmente espanhola, mas mais tarde descobri que era portuguesa do rei chamado Manuel”, contou, citado num comunicado da leiloeira.

Segundo a Casa da Moeda, o Português de D. Manuel I foi a moeda portuguesa de maior circulação mundial devido à importância do país em termos comerciais na época.

Cunhado em ouro quase puro, o Português terá sido uma das moedas que Vasco da Gama levou nas naus para a Índia e provavelmente também foi produzida com ouro trazido para Portugal das viagens a África e Índia.

Nigel Mills, especialista da Noonans, disse que “em Inglaterra, nessa altura, a maior moeda de ouro era um Soberano que pesava 15,3 gramas, pelo que esta moeda é mais do dobro do peso, pelo que teria um valor superior a duas libras”.

Foi a primeira vez que um exemplar de um Português de Manuel I foi encontrado no Reino Unido, o que também surpreendeu Javier Salgado, numismata e fundador da Nunisma Leilões há 47 anos.

“É muito rara. Não tenho informação de ter aparecido outra assim fora de Portugal”, disse à Agência Lusa, prevendo que atraía licitações de colecionadores acima da estimativa mais alta, devido ao bom estado de conservação.

Uma ressalva é feita devido a uma cavidade que afeta os dois lados da moeda, que a leiloeira britânica acredita ser uma marca feita por punção para atestar se era feita de ouro puro.

A moeda vai a leilão em 29 de setembro, no âmbito de uma venda de moedas e medalhas históricas da Noonans, e o ‘detetorista’ Mick Edwards pretende partilhar a receita com o proprietário da quinta onde a encontrou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Espanha - Amadores descobrem tesouro romano no fundo do mar da baía de Portitxol

Um conjunto de 53 moedas de ouro dos séculos IV e V foi descoberto graças a um achado casual na baía de Portitxol, na Espanha. Será estudado, restaurado e exposto no museu local


Todos os Verões, os cunhados Luis Lens e César Gimeno e respectivas famílias passam as férias em Xàbia, um dos principais pontos turísticos da província de Alicante, na costa mediterrânea da Espanha.

O seu principal hobby é praticar o mergulho com snorkel, “um equipamento técnico de 10 euros que consiste numa máscara, tubo, barbatanas e calções”, brinca Lens.

O seu objectivo é desfrutar do panorama submarino e “limpar o lixo” que encontram à passagem. No último 23 de Agosto, um brilho numa rocha na baía de Portitxol, a cerca de sete metros de profundidade, fez Lens imaginar que tinha encontrado “o que parecia ser uma moeda de 10 cêntimos de euro”.

Continuou a mergulhar e decidiu resgatá-la. “Estava num pequeno orifício, como de um gargalo”, relata. Ao subir a bordo, limpou-a e descobriu “uma imagem antiga, como um rosto grego ou romano”, e pensou que era uma jóia perdida.

Lens e Gimeno mergulharam de novo no local do achado e, “com um saca-rolhas de um canivete suíço, do barco”, trouxeram à superfície em “algumas horas” o que afinal configurou um tesouro formado por 53 moedas de ouro da época do fim do Império Romano, entre os séculos IV e V, “encravado em uma fenda na rocha”.

Trata-se de um dos maiores conjuntos da Europa com essas características, segundo os especialistas.

Os descobridores do tesouro, em conclave familiar, decidiram no dia seguinte notificar a descoberta à autarquia de Xàbia. “Levamos as oito moedas que tínhamos encontrado num pote de vidro com um pouco de água de mar”, rememora Lens. A partir daí, ele e o cunhado voltaram três vezes ao local das moedas, acompanhados por especialistas em arqueologia submarina da Câmara, da Universidade de Alicante (UA) e da Guarda Civil espanhola.

Em três momentos, tiraram do fundo do mar 53 moedas, três pregos provavelmente de bronze e restos de chumbo muito deteriorados, que parecem fazer parte de um cofre, conforme detalha a UA. “É algo incrível, o sonho de toda criança de encontrar um tesouro”, descreve Lens.

“Os conjuntos de moedas de ouro não são habituais”, afirma Jaime Molina, catedrático de História Antiga da Universidade e responsável científico por uma escavação que há três anos vem investigando a baía de Portitxol, “onde os barcos procedentes da Bética [Andaluzia] aportavam antes de partir para as Baleares, a caminho de Roma”.

Menos comum ainda é que esses tesouros se encontrem em “perfeito estado de conservação”, como o resgatado pelos dois cunhados. A equipa liderada por Molina conseguiu identificá-las e relacioná-las com os imperadores Valentiniano I (3 moedas), Valentiniano II (7), Teodósio I (15), Arcádio (17) e Honório (10). Também há uma peça sem identificar.

“Não há restos de navios afundados na zona onde foram achadas”, observa Molina, “por isso provavelmente tratou-se de uma ocultação voluntária perante a chegada dos bárbaros” à costa da Península Ibérica, “neste caso, os alanos”. “Este achado fala-nos de um contexto de medo, de um mundo que se acaba, o do Império Romano”, sentencia.

Segundo os indícios, as moedas devem ter pertencido a “um dominus, um grande proprietário, um latifundiário da região”. Entre os séculos IV e V, “as cidades estão em declínio e o poder deslocara-se para as grandes propriedades no campo”, declara o catedrático da UA. “O comércio apaga-se e as fontes de riqueza passam a ser a agricultura e o gado”, prossegue.

Perante o avanço dos bárbaros, um destes senhores da época terá “decidido juntar as moedas de ouro, que não circulavam, mas eram acumuladas para fixar a riqueza de uma família”, num cofre que afundou na baía. “E a seguir deve ter morrido, porque não voltou para resgatá-lo”, especula Molina.

Depois do seu estudo, no qual tentarão determinar “a fundição onde foram cunhadas, entre os anos 360 e 409, a liga utilizada e sua circulação”, ou seja, “toda a informação de história económica” que as peças puderem oferecer, o tesouro será restaurado pelo Instituto Universitário de Arqueologia e de Património Histórico da Universidade de Alicante e depois deve ser exibido no Museu Arqueológico e Etnográfico Soler Blasco, em Xàbia.

O governo da Comunidade Valenciana, onde fica Alicante, já destinou 17800 euros para a escavação subaquática do lugar da descoberta. E as famílias de Lens e Gimeno recordarão para sempre uma “aventura única e excepcional”… In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências internacionais”