Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Revisitando Amilca Ismael em “Efémera Liberdade”



Em 2014 o livro de Amilca Ismael “Efémera Liberdade” foi notícia aqui no blogue “Baía da Lusofonia” aquando do lançamento do livro em Portugal pela editora “Labirinto de Letras”.

Revisitamos o romance “Efémera Liberdade” através do programa radiofónico “Neste rio sem fim” da autoria do sítio “Gaibéu” com locução de João Pedro Martins.

Por ser um programa de alta qualidade convidamos os leitores do blogue a ouvir esta revisita ao livro de Amilca Ismael “Efémera Liberdade”.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Amilca Ismael e a escravidão no século XXI

                                                              I

A escravidão é prática tão antiga quanto a Humanidade. Mas, ao que tudo indica, foi na Roma Antiga (723.aC.-476) que se estabeleceu o tráfico de seres humanos.  Os escravos se encarregavam apenas da produção das grandes fazendas e de todo serviço nas obras públicas, inclusive nas arenas dos gladiadores, mas, a princípio, não eram utilizados como mercadoria. Na África, em muitos reinos, a escravidão sempre constituiu prática milenar, mas o tráfico parece que foi implantado por viajantes europeus, provavelmente romanos, que logo descobririam que também poderiam explorar os atributos físicos de seus escravos.

Tanto séculos depois, essa prática ainda é corrente não só nos lupanares requintados de Roma, Milão, Turim e outras cidades italianas como é visível em suas ruas e avenidas. E não há evidência de que, algum dia, venha a ter fim, apesar da retórica dos governos que sempre anunciam medidas de repressão policial.

Para denunciar essa ignomínia, a escritora moçambicana Amilca Ismael decidiu escrever o seu terceiro romance, Efémera Liberdade (Lisboa, Labirinto de Letras, 2014). Escrito originalmente em italiano (Effimera Libertà) e lançado em 2014 pela editora Youcanprint, o romance ganhou tradução de João Manuel Peres de Seixas e da própria autora, com revisão de Adriana Barreiros.

O romance nasceu a partir da leitura de uma reportagem de jornal que exaltava os esforços de uma equipe médica para salvar uma jovem que fora abandonada de madrugada à porta de um hospital, em Turim. Com lesões internas e hemorragia grave como resultado de uma tentativa inábil de fazê-la abortar, a jovem morreu, sem que as autoridades policiais soubessem sequer o seu nome. A partir daí, Amilca imaginou a jovem, que seria Ruth Onwenu, africana, de 24 anos, a delirar e lutar pela vida e com o seu passado numa mesa de operações, em estado de semiconsciência.


                                               II
O romance denuncia a mercantilização da sexualidade feminina, ao recuperar a travessia que Ruth faz, saindo, aos 14 anos de idade, de um país africano, vendida por seu pai a um suposto protetor italiano, um tal de Presidente, que a levaria para Roma a fim de que pudesse supostamente prosseguir os estudos. A princípio, ao chegar, a jovem fica encantada com o que vê ao seu redor:
(...) É a casa onde ficarei hospedada e não consigo acreditar. Não é apenas uma casa, é grande como um castelo mas é moderna: sintaxe maravilhosa de paralelepípedos, janelas enormes sobre as quais o telhado parece flutuar, casa de cristal, aquário de sereias. Num dia passei de uma tabanca húmida em África para um castelo de vidro fora de Milão. Querido Deus, serei eu, na verdade, uma Princesa Castanha? Olho para a boneca e não me atrevo a ter resposta. Depois penso na minha mãe que ficou sozinha na tabanca, na humidade que faz apodrecer os ossos, devorada pelos mosquitos, ressequida, e não me capacito como pode o meu destino ser tão diferente do seu. (...).

Obviamente, a jovem cai num circuito de prostituição, onde é preparada por funcionários e funcionárias do tal Presidente para frequentar ambientes sofisticados em que transitam mulheres oriundas de regiões pobres de países da África, da Ásia e da América Latina e homens endinheirados.

Ganha o nome de guerra de Princesa Castanha, aprende a beber whisky sem vomitar, a fumar cigarros de uma maneira “provocante”, a ter as unhas bem cuidadas, a dançar valsas de Strauss, a ver filmes pornográficos sem se envergonhar, a consumir drogas e, um dia, é conduzida num carro alemão com assento de pele branca leitosa por um motorista particular e começa a descobrir a realidade: em Turim, sua virgindade vai à leilão.

Começa assim uma carreira pecaminosa que poderia ser igual à de tantas jovens do Terceiro Mundo atraídas para a prostituição, não fosse o incidente – ou melhor, o crime – que a levaria à morte. À beira da morte, ela ainda reflete:
(...) “Atrás de mim, de onde eu parti, surge assustadora a África machista e polígama que me vendeu a Itália. O que é que eu queria ser? Advogada? Médica? Queria ajudar as pessoas de minha aldeia? Garantir educação, igualdade, bem-estar? Queria lutar pelos direitos das mulheres do meu País e, portanto, pelos direitos de todas as mulheres do mundo? Mas que proporção poderia existir entre uma menina de catorze anos e o mundo? (...).


                                               III
O romance é dedicado a Laura Prati, sindaca (funcionária pública) de Cardano al Campo, cidade da Lombardia, ao Norte da Itália, assassinada provavelmente por desafetos que se irritavam com o seu trabalho em favor de jovens com trajetória e  destino semelhantes ao da personagem Ruth. Depois da dedicatória, a título de complemento, há ainda uma carta escrita pelo filho de Laura Prati, Massimo Poliseno, que, na altura do assassinato, tinha 22 anos de idade.

Como se vê, embora seja um romance, a obra tem muitos pontos de contato com a realidade, pois inspirado em fatos verídicos. Em outras palavras: trata-se de uma denúncia e um alerta para a situação das mulheres africanas (e não só africanas) atraídas para Itália (e outros países ricos) com falsas promessas, mas que depois são obrigadas a prostituir-se para sobreviver e sustentar máfias de proxenetas.


                                               IV
Amilca Ismael
Amilca Ismael nasceu em Lourenço Marques, atual Maputo, no dia 25 de junho de 1963 e mudou-se para a Itália em 1986. Na Itália, depois de vários trabalhos ocasionais, decidiu voltar à escola, tendo obtido em 2002 um diploma de assistente social e, em 2004, o diploma de assistente de saúde. Técnica social e de saúde, trabalhou por anos num lar de idosos, mas hoje a sua vida está dedicada às letras.

Sua estreia na literatura deu-se em 2008 com o romance A Casa de Recordações (La casa dei ricordi), publicado pela editora Ndjira (do Grupo Leya), de Maputo, com mais de 2000 exemplares vendidos, 11 reimpressões e uma segunda edição. O livro conta precisamente as recordações de uma mulher que vive num lar de idosos.

Em dezembro de 2010, publicou o seu segundo romance, Il raconto di Nadia (A história de Nadia), que conta o encontro num avião de duas moçambicanas, uma que mora na Itália e outra residente em Portugal. No trajeto de Maputo para Lisboa, Nadia conta a história da mãe em paralelo com a história de Moçambique no tempo colonial. O livro deverá ganhar em breve edição em português.

Amilca Ismael já participou de várias feiras internacionais, como a Expo América, em Nova York, a Piú libri piú leberi, em Roma, a Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, a Feira Internacional do Livro de Frankfurt, a Feira Internacional do Livro de Pequim, a Feira Internacional do Livro do Cairo, e a Feira Internacional do Livro de Londres.

Em outubro de 2010, recebeu, na Universidade da Suíça Italiana e de um júri internacional o Prêmio da Mulher do Ano-Secção Social. Já conquistou vários prêmios literários, como o Mulher Somente Mulher, dedicado ao Dia Mundial da Não Violência contra as Mulheres, o Prêmio Musolona Solbiate Olona Varese, na Itália, o Prêmio Europa, em Lugano, na Suíça, e o prêmio especial para os Direitos Humanos, em Nápoles, entre outros. Faz parte do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora, de Lisboa, e é conselheira da Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas, do Brasil, entre outras entidades.  Adelto Gonçalves - Brasil  
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Efémera Liberdade, de Amilca Ismael, com tradução de João Manuel Pereira de Seixas. Lisboa: Editora Labirinto de Letras, 115 págs., 12 euros, 2014. E-mail: correio@labirintodeletras.pt Site: www.labirintodeletras.pt


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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

quinta-feira, 14 de abril de 2016

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Angola – Um romance a reter: Efémera Liberdade, de Amilca Ismael

A conceituada revista Granta dedicou, recentemente, um volume (Portugal, vol.4) a África, à sua cultura e à sua literatura. Como seria previsível, as literaturas de língua portuguesa mereceram especial destaque na edição. Entre as várias contribuições, o volume traz uma troca de correspondência entre José Eduardo Agualusa e Mia Couto, a que deram o título de “Cartaria”. Numa das cartas, José Eduardo Agualusa chama a atenção para a escritora Taile Selasi, filha de uma nigeriana e de um ganês, nascida em Londres, em 1979, criada no Massachussets, nos Estados Unidos, e que, pelo historial de vida e pelo teor da sua narrativa, não deixa de ser uma escritora africana, só que filha da diáspora. Exercita uma escrita pós-nacionalista, como eu próprio, a dada altura (Venâncio 2005), considerei ser a escrita de Agualusa, por nela descortinar referentes que já não tinham a ver com preocupações de ordem nacionalista, comprometidos com a edificação da nação. Bem, o volume inclui um longo conto de Taile Selasi, intitulado “A vida sexual das raparigas africanas”, publicado originalmente na Granta 115 (verão de 2011), traduzido do inglês, para a edição portuguesa, por Madalena Alfaia. A autora descreve o despertar sexual de uma adolescente em ambientes urbanos de África; primeiro na Nigéria, mais precisamente em Lagos, para onde a mãe, ganesa, emigrara e conhecera o seu pai e, depois, no Gana, em casa do tio materno, junto de uma família de posses, cosmopolita e intelectual. Estes últimos atributos não bastaram, porém, para apagar a mágoa calada da tia, traída pelo marido, porque na “peculiar hierarquia dos lares africanos – como escreve a autora –, o único patamar mais baixo do que um filho sem mãe é uma mãe sem filho” (p.159), que era a situação da tia. É a tradição no seu melhor que está aqui em causa, a tradição que gera valores que resistem e amiúde emergem mesmo nos ambientes mais sofisticados e ocidentalizados. Evidentemente que é possível descortinar no conto uma postura crítica em relação a estes comportamentos e aos valores que os prescrevem ou consentem, ao que não será alheia a história de vida da própria autora, formada em Estudos Americanos pela reputada Universidade de Yale e em Relações Internacionais pela não menos considerada Universidade de Oxford.

A sua situação de “emigrante” acaba por desempenhar um papel importante na narrativa. Olhando de fora as duas sociedades, a de origem e as de destino, numa postura que os antropólogos designam por ética (o contrário seria émica), valoriza esteticamente o romance e responde, nessa medida, à suposição de José Eduardo Agualusa acerca da renovação das literaturas africanas a partir de experiências de escrita exteriores ao continente.

O percurso e a experiência de Amilca Ismael não é diferente. Oriunda de Moçambique, torna-se, já na Itália, enquanto imigrante (certamente com muito sacrifício!), técnica social e de saúde. Trabalha atualmente num lar de terceira idade.

Amilca Ismael não é propriamente uma desconhecida no mundo das letras que se exprime em língua portuguesa, conquanto escreva em italiano. O seu primeiro romance, La casa dei ricordi (A casa de recordações, Maputo 2008) foi editado em Moçambique, pela editora Ndjira. Il raconto di Nádia (A história de Nádia) será, em breve, igualmente editado em português.

Effimera libertà (Efémera liberdade, Lisboa: Labirinto das Letras), o romance consagrado nesta crónica, escrito inicialmente em língua italiana, traduzido para a língua portuguesa por João Manuel Peres de Seixas e pela própria autora, é uma narrativa ímpar. É-o não tanto pela história, em si, mas pela maneira como a autora a relata. É na mesa de operações, num estado de semiconsciência, que Ruth, o nome da jovem heroína, passa em recordação o seu passado, num artifício estilístico conseguido, inovador e empolgante. Ruth acaba por morrer.

O romance denuncia, como, aliás, já havia acontecido no conto de Selasi, a “mercadorização” da sexualidade feminina. Não é em vão que utilizo o termo ou conceito. Faço-o inspirado em Marx e nos autores marxistas contemporâneos, tais como Theodor Adorno, Ernst Bloch ou Jürgen Habermas, que, a exemplo daquele, apontaram o lado pernicioso da modernidade e do capitalismo, por terem os mesmos conduzido à alienação da pessoa humana enquanto tal. E, na verdade, em ambas as autoras, o sexo feminino é igual a mercadoria; é-o tanto em ambientes empobrecidos da África, como em ambientes mais sofisticados da Itália, junto de circuitos que praticam o comércio e a prostituição “fina” de mulheres oriundas de ambientes pobres e subdesenvolvidos. A história, em si, tem a ver com a entrega (venda?) de uma jovem nigeriana por um pai autoritário e machista a um suposto protetor italiano, que a levaria para a Itália para que pudesse prosseguir os estudos. Não é propriamente o que acontece. A jovem cai num circuito de prostituição e acaba por morrer nas mãos de um dos seus abusadores, que por sinal era médico, com uma hemorragia, numa intervenção cirúrgica destinada à interrupção da sua gravidez.

A história de Ruth é, no fim, a história de muitas outras raparigas por esse mundo fora; formas de escravatura que subsistem num mundo que, sendo mais global na aproximação de culturas e povos, permanece, paradoxalmente, desumano e desatento em relação ao sofrimento do (mais) próximo.

A este respeito, o romance traz, num propósito de quase militância, um extra-texto elucidativo. É dedicado a Laura Prati, sindaca (autarca comunal) de Cardano al Campo (Lombardia, norte da Itália), assassinada pelo trabalho desenvolvido, segundo Amilca Ismael, em prol de raparigas com a trajetória e o destino de Ruth, a personagem principal do romance. Após a dedicatória, a título de complemento, segue-se uma carta, sentida e bem escrita, do filho de Laura Prati, Massimo Poliseno, que, na altura do assassinato, tinha 22 anos de idade.

O despertar para a sexualidade enquanto processo narrado na primeira pessoa é outra vertente comum aos dois textos, que não se confinam aos contextos africanos, tais como estes foram descritos e seguidos aquando da vigência do paradigma nacionalista. Inscrevem-se, em vez disso, no que se poderia designar por literatura universal (que é diferente de literatura pós-colonial, lusófona ou anglófona!). Os temas que tratam são temas de toda a humanidade. A pertença a África das personagens e das narradoras em apreço não é essencial à dinâmica (forma-conteúdo) dos textos, é apenas acessório. E aqui reside, concordando - pelo menos em parte - com Agualusa [e Mia Couto], sobre a influência do fenómeno migratório ou de exílio na renovação e na afirmação das literaturas africanas em termos internacionais. JCarlos Venâncio – Angola in “O Chá – Mensário Angolano de Cultura”

José Carlos Venâncio - jcvenancio@sapo.pt

domingo, 26 de outubro de 2014

Moçambique – Amilca Ismael, “Efémera Liberdade”

Durante este mês de Outubro de 2014, bem podemos afirmar que é o momento de “trilhar” pelas letras em língua portuguesa da escritora moçambicana Amilca Ismael com o patrocínio da editora portuguesa “Labirinto de Letras”.



Logo no início do mês, a escritora moçambicana Amilca Ismael começou o seu trabalho de divulgação do seu terceiro livro “Efeméra Liberdade” traduzido para português e editado como anteriormente referido pela editora “Labirinto de Letras”.

Amilca Ismael vive em Itália, perto de Milão, há quase trinta anos e quando tomou a decisão de escrever, naturalmente foi em italiano que exprimiu os seus argumentos, mas rapidamente apercebeu-se ser a língua portuguesa, a sua língua materna, mas entretanto esquecida por falta de contacto com outros falantes, o melhor veículo para chegar a um público mais vasto.


A 12 do corrente mês de Outubro, Amilca Ismael acompanhada da editora “Labirinto de Letras” apresentou o seu livro “Efémera Liberdade” na prestigiada Feira do Livro de Frankfurt na Alemanha com a colaboração da editora “Mágico de Oz” para o numeroso público que na europa central fala a língua portuguesa, principalmente emigrantes dos países lusófonos.


Dois dias depois, a 14 de Outubro, Amilca Ismael mostrava o seu livro em Lisboa, no esplendoroso Café Concerto situado no Edifício Espaço Chiado, onde outrora viveu o advogado, escritor e político português Amílcar Ramada Curto, com a organização do evento a cargo do Dr. José António Barreiros da editora “Labirinto de Letras” que iniciou a introdução.


A apresentação do livro esteve a cargo, como a escritora, de um natural da antiga Lourenço Marques, hoje Maputo, capital de Moçambique, o ilustre ensaísta e crítico literário, Prof. Dr. Eugénio Lisboa que dissertou sobre a obra “Efémera Liberdade” um livro que trata um dos mais graves problemas sociais do nosso tempo, o tráfico de mulheres para fins sexuais e orgíacos ilícitos, citando vários trechos do livro, escritos com um forte realismo, que não deixam os leitores indiferentes.


De seguida falou a Juíza Desembargadora Dra. Conceição Gomes da Associação Portuguesa das Mulheres Juristas que analisou em termos jurídicos, as situações ilícitas que o tema do livro aborda.


Posteriormente assistiu-se a um interessante debate entre os diversos assistentes no evento, destacando-se o Dr. José António Barreiros e a Dra. Fernanda Angius entre outros.


Uma das últimas intervenções coube a João Peres de Seixas, co-tradutor do texto “Efémera Liberdade”, conhecedor da obra de Amilca Ismael que fez referência aos problemas da tradução de uma obra como a “Efémera Liberdade” e depois deu a conhecer aos presentes os protagonistas dos livros de Amilcar Ismael que são as mulheres, quer seja no primeiro livro, “Casa das recordações” que tem como tema um lar para idosos em Itália, mas nunca esquecendo os idosos de Moçambique, retractando quem tudo tem, mas nada tem (a Europa tem abandonado as suas bibliotecas humanas) (palavras da autora) e quem parece nada ter, tudo tem. (Presente na sala estava a tradutora deste livro editado em Moçambique, a Dra. Fernanda Angius). No segundo livro “A história da Nádia” a narrativa, aproveitando uma viagem de avião entre Maputo e Lisboa e o encontro entre duas mulheres companheiras de viagem, trata a história de Moçambique na era colonial e a situação vivida após a independência, enquanto Nádia vai contando a história da sua família.


A 16 de Outubro, Amilca Ismael estava na cidade do Porto, no Palácio Bonjóia, novamente para a apresentação do livro “Efémera Liberdade”. Depois da introdução feita pelo Dr. José António Barreiros da editora “Labirinto de Letras” a palavra coube ao Prof. Dr. Salvato Trigo Reitor da Universidade Fernando Pessoa, preleccionar durante aproximadamente uma hora sobre a obra.



Pronunciou de seguida sobre a obra a Prof. Dra. Clara Sottomayor, a mais jovem juíza na história do Supremo Tribunal de Justiça e por fim o Dr. Manuel Albano, da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e relator nacional português do tráfico de seres humanos, seguindo-se um debate entre os presentes.



A 17 de Outubro Amilca Ismael estava de novo em Lisboa para a convite do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora, apresentar na Casa Internacional de São Tomé e Príncipe, o seu terceiro livro “Efémera Liberdade”, com a presença e apresentação do livro a caber ao escritor moçambicano Delmar Maia Gonçalves.


Para culminar este mês de Outubro de 2014, repetimos o mês de Amilcar Ismael em língua portuguesa, a escritora moçambicana estará presente amanhã, 27 de Outubro de 2014, no programa “Mar de Letras” a transmitir pela RTP África e com reprodução durante toda a semana.


Para quem desejar conhecer a escrita de Amilca Ismael e pretender ler a sua mais recente obra “Efémera Liberdade” edição “Labirinto de Letras”, poderá adquirir o livro numa livraria perto de si ou com maior comodidade através do sítio: Labirinto de Letras. Baía da Lusofonia

Sinopse do livro "Efémera Liberdade":

“Uma rapariga surge abandonada frente a um pronto-socorro em Turim, em condições gravíssimas. Quem é? Como se chama? De onde vem? É negra, bela, tem uns olhos verdes insólitos, muito jovem. Quanto a mais, nada se sabe dela, para os médicos, por agora, é apenas um corpo que luta entre a vida e a morte. E é percorrendo o caminho entre a vida e a morte que a rapariga, num alucinado monólogo interior, tenta recordar-se da sua história. No espaço e no tempo onírico do coma em que caiu, reconstrói a viagem que, há dez anos atrás, a trouxe de uma pobre aldeia em África com a promessa de instrução e de condições mais dignas de vida. Em Itália, pelo contrário, apenas encontra o horror da pedofilia e da prostituição, é abusada, humilhada e manipulada por um circuito de poderosos e de tudo despojada, anónima e corrupta. Uma narrativa tocante, um devastador grito de dor para todas as mulheres.”

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Moçambique – Escritora Amilca Ismael lança livro em Lisboa e Porto

No próximo dia 14 de Outubro de 2014 a escritora moçambicana Amilca Ismael apresenta em Lisboa a sua mais recente obra “Efémera Liberdade” no Café-Concerto, Edifício Espaço Chiado, na Rua da Misericórdia, Nº 14 pelas 18H 30M, com a chancela Labirinto de Letras Editores.



Amilca Ismael nasceu em Lourenço Marques actual Maputo, Moçambique, no dia 25 de Junho de 1963 e vive na Itália desde 1986. Depois de vários trabalhos ocasionais decidiu voltar à escola tendo em 2002 obtido um diploma de Assistente Social e em 2004 o diploma de Assistente de Saúde. Em 2008 marca a estreia na literatura com o romance “A Casa de Recordações” com mais de 2000 livros vendidos, 11 reimpressões e uma segunda edição. O livro conta precisamente as recordações de uma mulher que vive num lar de idosos. Em Outubro de 2010 Amilca recebeu, na Universidade da Suíça Italiana e de um Júri Internacional presidido pela princesa Giovanna Colonna di Stigliano o Prémio da Mulher do Ano 2010 “Secção Social”.

Em Dezembro de 2010 publica o seu segundo romance, “A história de Nadia”, é um encontro num avião de duas moçambicanas, uma que mora na Itália e outra que mora em Portugal. No trajecto de Maputo para Lisboa, Nadia conta a história da mãe em paralelo com a história de Moçambique no tempo colonial, como é que se vivia naquele tempo.

“Efémera Liberdade” é o seu terceiro livro, lançado em 2014, em que o tema aborda a situação das mulheres africanas atraídas para Itália com falsas promessas e que depois são obrigadas a prostituir-se.


No dia 16 de Outubro de 2014 o livro é apresentado no Porto, no Palácio Bonjóia, Quinta da Bonjóia,185, pelas 21H e 30M. Baía da Lusofonia