Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 22 de dezembro de 2024

Países Baixos - Forte representação portuguesa no Festival Internacional de Cinema de Roterdão

Mais de uma dezena de filmes portugueses e coproduções nacionais, em competição e fora dela, vão ser mostrados a partir de 30 de janeiro no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, nos Países Baixos, revelou a organização



Segundo a programação da 54.ª edição, quase completa e já disponibilizada ‘online’, há cinema português em várias secções, além das competições já anunciadas esta semana, e várias coproduções nacionais.

Na secção de curtas e médias metragens está “Sombras de nós próprios”, de Pedro Serrazina, um filme experimental feito a partir de animações em areia e que, segundo a produtora, “explora visual e sonicamente a perturbante sensação de vigilância crescente nas nossas sociedades”.

Na mesma seçcão, figuram ainda “Cinzas e nuvens”, da realizadora belga Margaux Dauby, sobre mulheres bombeiras que vigiam a paisagem portuguesa por causa dos incêndios, e a produção luso-brasileira “Quem se move”, de Stephanie Ricci, rodada em Lisboa.

Nesta secção tinha já sido divulgada a presença dos filmes “Vultosos Cumes”, ficção de Diogo Salgado, “Amarelo Banana”, primeira animação de Alexandre Sousa, e “A última colheita”, do cabo-verdiano Nuno Boaventura Miranda, com coprodução portuguesa.

Filmado ao longo de quinze anos, “na fronteira ancestral entre a Galiza e Portugal”, o filme “Deuses de pedra”, do realizador espanhol Iván Castiñeiras Gallego, também fará a estreia em Roterdão, no programa “Bright Future”, numa produção entre Portugal, Espanha e França.

O realizador espanhol Lois Patiño vai estrear em Roterdão o filme “Ariel”, inspirado na obra de Shakespeare e nas paisagens dos Açores, numa coprodução portuguesa.

Para famílias e crianças, Roterdão escolheu a animação “A menina com os olhos ocupados”, de André Carrilho, a partir de um premiado livro ilustrado homónimo do autor.

No extenso programa divulgado ‘online’ é possível ainda ver que Roterdão incluirá o filme “O Bobo” (1987), de José Álvaro de Morais, e contará com alguns dos filmes que já passaram por outros festivais, nomeadamente “Grand Tour”, de Miguel Gomes, “On Falling”, de Laura Carreira, e “Tardes de Soledad”, do espanhol Albert Serra, com coprodução minoritária portuguesa.

Esta semana, a organização anunciou os filmes das secções competitivas, nomeadamente “Pai Nosso – Os últimos dias de Salazar”, primeira longa-metragem de ficção de José Filipe Costa inspirada no fim de vida de um político e de um regime, “Primeira pessoa do plural”, num regresso de Sandro Aguilar a Roterdão, e “La Durmiente”, curta-metragem de Maria Inês Gonçalves.

A 54.ª edição do Festival de Roterdão, onde o cinema português tem tido palco regular nas escolhas dos programadores, decorrerá de 30 de janeiro a 09 de fevereiro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 13 de maio de 2024

França – Festival de Cinema de Cannes recebe cinema português

A luta dos habitantes de Covas do Barroso, Vila Real, contra a exploração de lítio na região, chega esta semana ao Festival de Cinema de Cannes, em França, num filme de Paulo Carneiro, que também reflete sobre o cinema português


O filme é “A Savana e a Montanha”, de Paulo Carneiro, que se estreia no sábado na Quinzena de Cineastas, um programa paralelo do Festival de Cannes, com a presença do realizador e de alguns dos habitantes de Covas do Barroso.

A longa-metragem é apresentada como uma ficção, sobre uma comunidade que decide unir-se para expulsar uma empresa estrangeira que quer construir uma mina de exploração de lítio na sua aldeia.

Numa encenação de um faroeste, a população mobiliza-se munida com as armas de que dispõe – tratores, enxadas, carros de bois, cantigas de protesto -, contra um inimigo invisível e distante: a empresa estrangeira e o governo que autorizou o projeto de exploração.

Este “western social” é uma encenação de uma luta real de associações locais e ambientalistas de Covas do Barroso e de Boticas, contra um projeto da empresa britânica Savannah Resources, de exploração de lítio a céu aberto, numa área que está classificada como Património Agrícola Mundial.

Nos últimos anos, têm sido realizadas manifestações, arruadas, acampamentos de protesto contra a mina que os opositores consideram prejudicial para a região.

Paulo Carneiro, que vive em Lisboa, mas conhece aquele território, onde já rodou o documentário de pendor biográfico “Bostofrio, où le ciel rejoint la terre” (2018), decidiu um dia pegar na câmara e juntar-se àquela luta.

Em entrevista à agência Lusa, Paulo Carneiro explica que começou por fazer “uma espécie de documentário”, mas acabou por envolver os habitantes na escrita de uma ficção para que eles concretizassem aquilo que não conseguiram ainda na realidade, impedir o projeto mineiro.

“Há um momento em que eu digo ‘Vamos fazer um filme, todos juntos; eu vou estar aqui, isto não vai ser fácil, mas querem que isto aconteça?’ E eles aceitam. A partir deste momento não se pode voltar atrás: Quando se entra na luta não se sai da luta. E nós, com o cinema, usamos o cinema como arma dessa luta. A verdade é que nunca ninguém desistiu e o filme existe”, afirmou Paulo Carneiro.

No filme entram algumas das pessoas que têm dado a cara contra o projeto da Savannah Resources, como a presidente da Comunidade Local dos Baldios de Covas do Barroso, Aida Fernandes, Maria Loureiro e Carlos Libo, que interpreta músicas de protesto.

Paulo Carneiro não sabe o impacto do filme ao estrear-se em Cannes, mesmo sendo este um dos mais importantes festivais do mundo.

“É um bocado difícil de acreditar que o cinema pode mudar alguma coisa, mas pelo menos que dê visibilidade e que faça com que se fale sobre o que se está a passar, que dê voz ao que acontece neste momento no terreno”, disse.

“A Savana e a Montanha” foi feito por quatro pessoas, ao longo de vários meses entre 2020 e 2023, sem financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), mas com apoio da Câmara Municipal de Boticas e da Agência de Cinema e Audiovisual do Uruguai, país coprodutor do filme.

“Éramos só quatro pessoas e tínhamos de trabalhar muito rápido, escolher o sítio para a câmara. O cinema é isso, encontrar o sítio onde pôr a câmara. De repente, temos os elementos todos, pensar rápido, encenar e não fazê-los [aos habitantes] perder muito tempo”, lembrou Paulo Carneiro.

Sobre a produção do filme, sobre o facto de não ter conseguido financiamento do ICA, ao qual concorreu várias vezes, Paulo Carneiro pede reflexão sobre o cinema português.

“O filme está aí, vai existir, terá distribuição e espero que isso faça refletir sobre o que é o cinema. O que me mete um bocado de medo é olhar e perceber que o cinema está a transformar-se cada vez mais no audiovisual. Sendo que existe uma secção concreta [nos apoios do ICA] para isso. Não tem mal nenhum fazer-se audiovisual. Mas cinema é uma coisa e audiovisual é outra”, disse.

“A Savana e a Montanha” tem estreia em Cannes, onde serão feitos contactos para distribuição internacional, enquanto se planeia também a exibição em Portugal, numa primeira apresentação em Covas do Barroso, para a população local, ainda sem data anunciada.

A Quinzena de Cineastas, que decorrerá de 15 a 25 de maio, é um programa independente não competitivo, que decorre em paralelo ao Festival de Cannes e é organizado pela Sociedade de Realizadoras e Realizadores de Cinema.

Além de “A Savana e a Montanha”, a programação inclui ainda a curta-metragem “Quando a terra foge”, de Frederico Lobo, também rodada em Trás-os-Montes, e a curta-metragem “O jardim em movimento”, da realizadora e artista visual Inês Lima.

Numa coprodução com Portugal apresentar-se-á também o filme “Algo viejo, algo nuevo, algo prestado”, do realizador argentino Hermán Rosselli, coproduzido pela Oublaum Filmes, de Ico Costa.

Na Semana da Crítica, outra das secções paralelas do festival, está o filme “As minhas sensações são tudo o que tenho para oferecer”, de Isadora Neves Marques.

No Festival de Cinema de Cannes, que começa na terça-feira, na competição oficial, está a longa-metragem “Grand Tour”, de Miguel Gomes, e a curta-metragem “Mau por um momento”, de Daniel Soares. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Canadá - Muito cinema português para ver no Festival Internacional de Toronto

Os filmes “Fogo-Fátuo”, “Mato seco em chamas” e “Pacifiction” foram selecionados para o Festival Internacional de Cinema de Toronto, em setembro, no Canadá


O festival, que cumprirá a 47.ª edição, anunciou esta quinta-feira parte da programação, incluindo três filmes portugueses, ou com coprodução portuguesa, entre os quais “Fogo-Fátuo”, de João Pedro Rodrigues, que fará a estreia norte-americana.

“O quase inclassificável ‘Fogo-Fátuo’ move-se, sem esforço, entre a representação histórica, a comédia musical, o romance queer e a provocação pós-colonial”, escreveu o festival canadiano.

A presença de “Fogo-Fátuo” em Toronto é anunciada numa altura em que o filme está também no Festival de Cinema de Melbourne (Austrália) e João Pedro Rodrigues estreia em Locarno o documentário “Onde fica esta rua? Ou sem antes nem depois”, correalizado com João Rui Guerra da Mata.

O filme tem estreia comercial assegurada em vários países, nomeadamente Estados Unidos, França, Alemanha e Brasil.

Em Toronto, estará também a premiada produção “Mato Seco em Chamas”, da realizadora portuguesa Joana Pimenta e do brasileiro Adirley Queirós, numa coprodução entre Portugal e Brasil.

“Mato Seco em Chamas” segue um grupo de mulheres, na periferia de Brasília, que vive do negócio de petróleo encontrado em oleodutos sob a cidade, transformando-o em gasolina para revenda.

O filme venceu o Grande Prémio do Cinema do Réel, em Paris, e o grande prémio e o galardão de melhor longa-metragem portuguesa no festival IndieLisboa.

A estas duas produções junta-se ainda, em Toronto, “Pacifiction – Tourment sur les îles”, do espanhol Albert Serra, com coprodução portuguesa pela Rosa Filmes.

O festival de Toronto contará ainda com filmes como “Saint Omer”, de Alice Diop, “No Bears”, de Jafar Panahi, “The Lost Kingdom”, de Stephen Frears, “Empire of light”, de Sam Mendes, “The Fabelmans”, de Steven Spielberg, “My Policeman”, de Michael Grandage, e “The Whale”, de Darren Aronofsky.

O festival abrirá a 08 de setembro com “The Swimmers”, um drama de Sally El Hosaini inspirado na história de duas irmãs sírias, desde que fugiram da guerra até à sua participação nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo