Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Argentina - Investigada morte de centenas de baleias na Patagónia do país

Cientistas estão a investigar as causas da morte de centenas de filhotes de baleias-francas na Patagónia argentina desde Junho, dezenas dos quais foram encontrados na semana passada em praias próximas de Puerto Madryn, em Chubut, informou o especialista Mariano Coscarella à AFP.


Embora o óbito de filhotes seja comum, “particularmente nesta temporada a mortalidade tem sido bastante alta”, explicou Mariano Coscarella, investigador no Laboratório de Mamíferos Marinhos do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), em Puerto Madryn.

Segundo o especialista, os veterinários que estudam os casos suspeitam de um surto de erisipela, uma doença causada por uma bactéria que normalmente vive na pele dos cetáceos. Contudo, essa hipótese ainda precisa ser confirmada.

“Aparentemente, trata-se de uma causa natural; no entanto, os efeitos da acção humana não podem ser totalmente descartados”, afirmou Mariano Coscarella.

O governo de Chubut assinalou em comunicado que trabalha “de maneira articulada com a comunidade científica e equipas de pesquisa especializadas no levantamento dos exemplares encontrados sem vida e na análise de amostras”.

“De acordo com as informações disponíveis até ao momento, tratar-se-ia de uma bactéria comum no mar que pode causar afecção sistémica em baleotes, não havendo evidências que permitam atribuir a mortalidade registada a factores de origem antrópica”, sublinha o comunicado divulgado na última semana.

Puerto Madryn é reconhecida internacionalmente por abrigar a maior concentração reprodutiva de baleias-francas-austrais do Atlântico sudoeste. O censo de 2025 atingiu o recorde de 2110 animais, com mais de 800 filhotes nascidos na região, enquanto o levantamento deste ano contabilizou 1375 exemplares, entre eles cerca de 400 filhotes, detalhou Mariano Coscarella.

Os investigadores haviam assinalado, ao divulgar o último censo, que a diferença em relação ao ano anterior se encontrava dentro das flutuações naturais esperadas para essa população.

“Esse tipo de evento de mortalidade aguda, em geral, quando afecta a fracção de recém-nascidos em animais que têm uma longevidade tão grande como a baleia-franca, não representa um perigo para a população no médio prazo”, destacou o cientista.

No entanto, advertiu que será necessário esperar até ao fim da temporada “para compreender o fenómeno e poder tentar modelar o que vai acontecer com essa população”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”