Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 27 de setembro de 2026

À Espera do Fim











Vamos aprender português, cantando

 

À Espera do Fim

 

Vou andando por aí

sobrevivendo á bebedeira e ao comprimido

vou dizendo sim à engrenagem

e ando muito deprimido

é difícil encontrar quem o não esteja

quando o sistema nos consome e aleija

trincamos sempre o caroço

mas já não saboreamos a cereja

 

Já houve tempos em que eu

tinha tudo não tendo quase nada

quando dormia ao relento

ouvindo o vento beijar a geada

fazia o meu manjar com pão e uva

fazia o meu caminho ao sol ou à chuva

ao encontro da mão miúda

que me assentava como uma luva

 

Se ainda me queres vender

se ainda me queres negociar

isso já pouco me interessa

perdemos o gozo de viver

eu a obedecer e tu a mandar

os dois na mesma triste peça

os dois à espera do fim

 

Tu tens fortuna e eu não

Podes comer salmão e eu só peixe miúdo

Mas temos em comum o facto de ambos vermos

A vida por um canudo

Invertemos a ordem dos factores

Pusemos números à frente de amores

E vemos sempre a preto e branco o programa

Que afinal é a cores

 

Se ainda me queres vender

se ainda me queres negociar

isso já pouco me interessa

perdemos o gozo de viver

eu a obedecer e tu a mandar

os dois na mesma triste peça

os dois à espera do fim

só à espera do fim

 

Jorge Palma – Portugal

Jorge Manuel de Abreu Palma - (Lisboa, 4 de junho de 1950 – 21 de setembro de 2026)

 

Estróina

Deixa-me rir

 

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