Vamos aprender português, cantando
Vou andando por aí
sobrevivendo á bebedeira e ao comprimido
vou dizendo sim à engrenagem
e ando muito deprimido
é difícil encontrar quem o não esteja
quando o sistema nos consome e aleija
trincamos sempre o caroço
mas já não saboreamos a cereja
Já houve tempos em que eu
tinha tudo não tendo quase nada
quando dormia ao relento
ouvindo o vento beijar a geada
fazia o meu manjar com pão e uva
fazia o meu caminho ao sol ou à chuva
ao encontro da mão miúda
que me assentava como uma luva
Se ainda me queres vender
se ainda me queres negociar
isso já pouco me interessa
perdemos o gozo de viver
eu a obedecer e tu a mandar
os dois na mesma triste peça
os dois à espera do fim
Tu tens fortuna e eu não
Podes comer salmão e eu só peixe miúdo
Mas temos em comum o facto de ambos vermos
A vida por um canudo
Invertemos a ordem dos factores
Pusemos números à frente de amores
E vemos sempre a preto e branco o programa
Que afinal é a cores
Se ainda me queres vender
se ainda me queres negociar
isso já pouco me interessa
perdemos o gozo de viver
eu a obedecer e tu a mandar
os dois na mesma triste peça
os dois à espera do fim
só à espera do fim
Jorge Palma – Portugal
Jorge Manuel de Abreu Palma - (Lisboa, 4 de
junho de 1950 – 21 de setembro de 2026)

Sem comentários:
Enviar um comentário