Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Internacional - Museu Virtual de bens culturais roubados abriu em Barcelona com seis objectos de Portugal

A UNESCO lançou o Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados, que inclui seis peças reportadas como desaparecidas por Portugal.


O museu virtual da UNESCO, anunciado em 2022, resulta de uma colaboração com a Interpol e arranca, para já, com 250 objectos iniciais de 56 países. Na galeria de Portugal, há seis objectos roubados, entre os quais, jóias do Tesouro Real e o quadro “Busto de mulher romana”, de 1882, de Henrique Pousão.

Entre as joias portuguesas está um colar de diamantes de 1834 encomendado por D. Maria II (1819-1853) e um cabo de bengala de D. José I (1750-1777), feito a ouro e incrustado com 387 diamantes de vários tamanhos.

O Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados da UNESCO (https://museum.unesco.org/), concebido pelo arquitecto Francis Kéré, natural do Burkina Faso e prémio Pritzker em 2022, é “um museu único no mundo”, “sem paredes, mas não sem memória”, disse o director-geral adjunto para a Cultura da UNESCO, Ernesto Ottone, na apresentação do projecto.

Ernesto Ottone sublinhou que os bens culturais roubados “ferem a memória” colectiva, rompem cadeias de transmissão cultural entre gerações e “impedem a ciência de evoluir”, por ocultarem conhecimento.

Este tipo de roubo é dos mercados negros “mais lucrativos”, resulta de crime organizado, financia o terrorismo e prospera especialmente em zonas de guerra, destacou ainda o director-geral adjunto da UNESCO, que sublinhou que o objectivo do museu virtual é recuperar e restituir objetos roubados, mas também sensibilizar para este tipo de crime e para o impacto que tem em diversos níveis, assim como apelar um “papel mais activo nesta luta” por parte de todos, em especial os mais jovens.

O museu virtual quer também ajudar na promoção da educação sobre bens culturais e “facilitar a transmissão inter-geracional” de conhecimento, acrescentou. “Aprender sobre estes objectos desaparecidos é o primeiro passo para a sua recuperação” e “quando um objecto cultural é roubado perdemos uma parte da nossa identidade” são, precisamente, as primeiras duas frases que lê quem entra na plataforma do museu virtual da UNESCO.

Ernesto Ottone apelou aos 60 estados-membros da UNESCO que não registaram oficialmente objectos culturais roubados para o fazerem, uma vez que só entram neste museu virtual peças que já estão na base de dados da INTERPOL.

A ambição da UNESCO é que o número de objectos expostos aumente no imediato, mas a esperança é que as galerias se vão esvaziando, à medida que forem sendo encontrados e restituídos aos países e donos de origem.

Segundo a Interpol, os 250 objectos integrados nas galerias inaugurais deste museu são apenas uma pequena amostra de um tráfico ilícito que envolve pelo menos 57.000 bens. Este tráfico resulta de roubo e contrafacção de obras de arte, mas também de pilhagens em zonas de conflito ou escavações arqueológicas clandestinas, diz a Interpol.

O Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados da UNESCO foi apresentado, no primeiro dia da conferência MONDIACULT 2025, em Barcelona, Espanha. A MONDIACULT 2025 é a Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável e realiza-se este ano pela terceira vez, depois de edições no México em 1982 e 2022, sob o mote “libertar o poder da cultura para conseguir o desenvolvimento sustentável”.

Estão reunidos em Barcelona 120 ministros de todo o mundo. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Europa - Supercomputador com mão portuguesa inaugurado em Barcelona

O MareNostrum 5, um supercomputador inaugurado esta quinta-feira em Barcelona, é dos computadores com maior potência da Europa e resultou de um consórcio de que fazem parte Espanha, Portugal e Turquia, tendo sido financiado em 50% pela União Europeia


“As capacidades e versatilidade deste novo supercomputador serão fundamentais para dotar a Europa da tecnologia mais avançada no âmbito da supercomputação e acelerar a capacidade de investigar com inteligência artificial, permitindo novos avanços científicos que ajudarão a resolver desafios globais” relacionados com as alterações climáticas ou a medicina, segundo a informação enviada aos meios de comunicação social pelo Barcelona Supercomputing Center (BSC), o Centro Nacional de Supercomputação de Espanha.

O MareNostrum oficialmente inaugurado esta quinta-feira pelo primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, o quinto de uma geração de supercomputadores instalados em Barcelona desde 2005, custou 202 milhões de euros e foi em 50% financiado pela Comissão Europeia.

Os restantes 50% foram assumidos por Espanha (na sua maioria), Portugal e Turquia, com a percentagem que coube a cada um dos países a não ser revelada pelo BSC.

A comparticipação nos custos permitirá a cientistas de cada um dos três países usar o supercomputador em 50% do seu tempo de funcionamento.

Os restantes 50% do tempo disponível serão distribuídos pela empresa europeia criada em 2018 para desenvolver a computação na União Europeia (UE), a EuroHPC, que abrirá concursos a nível europeu com esse objetivo.

“A singular arquitetura do MareNostrum 5 foi desenhada para oferecer aos investigadores a melhor tecnologia disponível para procurar respostas às grandes perguntas da ciência”, escreveu o BSC na informação que deu aos jornalistas.

O novo MareNostrum aumentou, em relação aos anteriores, a potência de cálculo, a memória do sistema e o número de núcleos que integra, pelo que “ajudará a solucionar mais problemas e de maior complexidade”.

“Por exemplo, as simulações de alterações climáticas poderão ter maior resolução”, diz o BSC, que estima que o MareNostrum 5 venha a ter um papel chave no projeto Destination Earth, da UE, que tem como objetivo desenvolver uma réplica virtual completa do planeta Terra que permita prever os efeitos das mudanças no clima e criar e testar cenários para um desenvolvimento mais sustentável.

Segundo o BSC, o supercomputador permitirá também estudar “problemas muito mais complexos de inteligência artificial e de análise de grandes volumes de dados”, com a possibilidade de serem gerados “modelos de linguagem massivos treinando redes neuronais muito maiores” do que atualmente ou do reforço da investigação médica europeia para criar novos medicamentos, desenvolver vacinas ou simular a propagação de vírus.

Será também “uma ferramenta crucial para a ciência de materiais e a engenharia”, segundo o BSC.

Para dar uma ideia da potência do MareNostrum 5, o BSC compara a capacidade máxima de cálculo do supercomputador ao de mais de 380 mil computadores portáteis de gama média-alta. Os cálculos do MareNostrum 5 numa hora são equivalentes aos que um portátil desses faria em 46 anos.

Quanto ao armazenamento, o MareNostrum 5 poderia guardar 1280 cópias de todos os livros catalogados no mundo ao longo de toda a história.

O supercomputador ocupa 800 metros quadrados num espaço que tem mais de seis metros de altura e é 23 vezes mais potente do que o predecessor (MareNostrum 4) e cerca de 10000 vezes mais potente do que o primeiro MareNostrum. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 5 de junho de 2023

Espanha - A dessalinização pode ajudar a combater a crise da água?

Barcelona está a apoiar-se na maior central de dessalinização da Europa, já que a seca reduz o abastecimento de água


Quando pensamos em economia circular, geralmente vem-nos à mente reparar e reciclar produtos. Mas há um elemento importante que muitas vezes é esquecido: a água.

Como um recurso finito que sustenta toda a vida na Terra, a água é essencial para a nossa sobrevivência.

Com partes da Europa enfrentando secas severas, a crise da água nunca pareceu tão próxima da nossa casa.

A gestão responsável deste precioso recurso é essencial, pois os suprimentos são ameaçados pelo clima imprevisível e populações crescentes.

Com as reservas de água potável diminuindo devido às ondas de calor e à seca, Barcelona está a recorrer à maior central de dessalinização de água da Europa como uma tábua de salvação para os moradores ressequidos.

Onde antes a segunda cidade da Espanha bebia principalmente dos seus rios e poços, agora ela depende de uma malha labiríntica de canos verdes, azuis e roxos dentro de uma planta industrial para evitar que fique com sede.

Mal utilizada após ser construída em 2009, a central de dessalinização está a funcionar “a todo o vapor” para ajudar a área metropolitana de Barcelona e cerca de cinco milhões de pessoas a adaptarem-se ao impacto das alterações climáticas.

Como funciona a central de dessalinização de Barcelona?

A central de dessalinização de Llobregat bombeia água a uma distância de dois quilómetros no Mar Mediterrâneo, onde fica num percurso isolado da praia.

Depois de passar por vários sistemas de limpeza e filtragem, chega à sua parte final: os canais multicoloridos que torcem e giram que espremem cada gota de água para livrá-la do seu sal.

Em abril de 2021, antes da seca, os rios forneciam 63% da água potável de Barcelona, ​​os poços forneciam 34% e a dessalinização apenas 3%.

Dois anos depois, a dessalinização representa 33 por cento da água potável da cidade, enquanto os poços fornecem 23 por cento e os rios encolheram para apenas 19 por cento, de acordo com a companhia municipal de água de Barcelona.

Por que Barcelona precisa de uma central de dessalinização?

A região do Mediterrâneo está a aquecer a um ritmo mais rápido do que muitas outras áreas do globo. Isso levou a um recorde de calor em 2022 na Espanha e a uma seca generalizada que está a prejudicar a agricultura.

A falta de água é particularmente grave no nordeste da Catalunha, cuja agência de água prevê que os seus recursos hídricos diminuirão 18% antes de 2050.

Os reservatórios alimentados pelas bacias hidrográficas do norte da Catalunha estão atualmente com apenas 25% da sua capacidade. Limites foram colocados na quantidade de água disponível para agricultura, indústria e alguns usos municipais.

Mas as autoridades ainda não tiveram de tomar medidas drásticas como durante a seca de 2006-2008, quando navios-tanque transportaram água potável.

“Sabíamos que mais cedo ou mais tarde viria uma seca”, diz Carlos Miguel, gerente da fábrica de Llobregat.

“Enquanto durar a seca, a central vai continuar a funcionar. Isso está claro.

As autoridades responsáveis pelo abastecimento de água preveem que a área de Barcelona está a caminhar para uma 'emergência de seca' oficial, o que implicará em restrições mais rígidas, até setembro.

“Prevemos que nos próximos tempos as chuvas serão acima da média, mas isso não compensa os 32 meses de seca”, diz Samuel Reyes, chefe da Agência Catalã de Água.

A central de dessalinização é sustentável?

Embora a construção da central de Llobregat seja o resultado de as autoridades atenderem aos alertas de especialistas em clima e planearem com antecedência, ela tem altos custos económicos e ambientais.

No processo de dessalinização da central de Llobregat, para cada 0,45 litro de água doce, são produzidos como resíduo cerca de 0,55 litro de salmoura extremamente salgada. Esta é despejada no mar, onde a sua carga super salgada pode prejudicar o ecossistema.

Outro problema premente para o planeta são os processos intensivos em energia envolvidos na dessalinização.

O processo de osmose reversa, onde a alta pressão força a água do mar através de membranas que separam o sal, requer muita energia que ainda não vem inteiramente de fontes de energia renováveis.

A Espanha gerou 42% de sua eletricidade a partir de fontes de energia renováveis ​​em 2022 e espera chegar a 50% este ano, mas ainda usa grandes quantidades de gás natural que aquece o planeta. A eletricidade gerada pelos painéis solares da central de Llobregat vai para a rede elétrica, não diretamente para as operações do local.

Turismo e agricultura sobrecarregam os recursos hídricos na Espanha

Julio Barea, especialista em água do Greenpeace na Espanha, enfatiza que a dessalinização não é uma panaceia.

Barea cita o aumento constante do uso de água na Espanha nas últimas décadas para apoiar dois dos pilares económicos do país: agricultura e turismo.

Cerca de 80% da água da Espanha vai para a agricultura, calcula o Greenpeace, enquanto as áreas costeiras, incluindo Barcelona, ​​são grandes atrativos turísticos, muitos oferecendo hotéis com piscinas que precisam de ser atestadas. As restrições de água a serem implementadas em breve na Catalunha proibirão o enchimento de piscinas privadas, enquanto os hotéis ainda poderão encher as deles.

“[As autoridades] têm de fornecer água potável para as pessoas, mas as centrais de dessalinização têm um impacto porque são essencialmente fábricas de água que precisam de muita energia”, diz Barea. “Deveria ser o último recurso e devemos nos perguntar como chegámos a esta situação.”

Onde mais depende da dessalinização?

A dessalinização formou uma parte fundamental da política de água da Espanha por mais de meio século.

A ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, instalou a primeira central de dessalinização da Europa em 1964. A indústria continuou crescendo no país do sul da Europa, propenso a verões longos e secos.

O desenvolvimento e difusão da técnica de osmose inversa nas décadas de 1980 e 1990, juntamente com a redução de custos, levaram à sua implantação em muitas zonas da Espanha continental.

A Espanha é agora a quarta no mundo pela sua capacidade de dessalinização, cerca de 5% do total global, atrás da Arábia Saudita, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, de acordo com a Associação Espanhola de Dessalinização e Reutilização de Água.

A capacidade de dessalinização aumentou constantemente em todo o mundo na última década, com novas tecnologias, tendo um aumento maior na Europa e na África.

A Espanha tem cerca de 800 centrais de dessalinização que podem produzir 5 milhões de litros cúbicos por dia de água para beber, agricultura e indústria. Se fosse dedicado exclusivamente ao consumo humano, saciaria a sede de 34 milhões de pessoas - mais de 70% da população da Espanha.

Como parte de um pacote de resposta à seca de € 2,2 mil milhões, o governo nacional da Espanha disse esta semana que estava a reservar € 220 milhões para expandir outra central de dessalinização ao norte de Barcelona, ​​além de outros € 200 milhões para uma central na costa sul da Espanha. Também se comprometeu a gastar 224 milhões de euros na melhoria dos sistemas de purificação de água no sul da Espanha.

Este pequeno milagre de inovação científica, no entanto, inclui ainda mais custos.

Quanto custa a dessalinização?

Segundo a empresa pública que gere a central de Llobregat, mil litros de água dessalinizada custam 0,70 euros a produzir, contra 0,20 euros a mesma quantidade de água retirada do rio Llobregat e purificada para beber. Isso significa uma carga tributária mais pesada e, possivelmente, contas de água mais altas.

Xavier Sánchez-Vila, professor de engenharia civil e especialista em águas subterrâneas da Universitat Politècnica de Catalunya, disse que, embora as centrais de dessalinização como a de Barcelona tenham fornecido uma tábua de salvação em tempos de crise, as autoridades devem continuar a diversificar as suas estratégias e concentrar-se em melhorar a purificação e reutilização da água.

“Claro que com as alterações climáticas sabemos que as secas vão ser mais frequentes e por isso há esta necessidade [de dessalinização]”, diz. “Mas em termos económicos, não tenho a certeza absoluta se faz sentido continuar a construir talvez mais alguns, mas sabendo que esta é uma solução muito cara."

Quais são as alternativas à dessalinização?

À medida que as populações urbanas continuam a crescer, as cidades em todo o mundo exigirão mais água e produzirão mais águas residuais e poluição da água. Enquanto isso, as secas devem tornar-se mais frequentes e severas, de acordo com a ONU.

Portanto, confiar num modelo linear de uso e descarte não é mais viável.

Então, de que outra forma podemos alavancar a economia circular para reutilização e reciclagem de água?

Como alternativa à dessalinização, Sánchez-Vila aplaude o aumento do uso de águas residuais tratadas em Barcelona numa estação de tratamento separada situada ao lado da instalação de Llobregat. Essa água tratada que é reintroduzida rio acima e depois disponível para ser puxada de volta para o abastecimento da cidade agora representa 25% da água de Barcelona.

Isto pode ser aplicado em menor escala em casa, com edifícios projetados para usar a água mais de uma vez em um formato de 'cascata' - por exemplo, água de chuveiros sendo reutilizada para descarga de vasos sanitários.

As águas residuais agrícolas podem ser purificadas naturalmente usando pântanos construídos, que apresentam plantas que absorvem nitrogénio e fosfato.

Combater uma das principais causas subjacentes à escassez de água - a alteração climática - reduzindo as emissões de gases de efeito estufa continua a ser essencial. Euronews.green