Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Macau - Projecto do viaduto entre Zonas A e B procura “equilíbrio”

O projecto do viaduto entre as Zonas A e B vai mesmo avançar, sendo que o Chefe do Executivo indicou que o design está a ser aperfeiçoado. Recorde-se que a UNESCO tinha exigido uma “avaliação de impacto ambiental abrangente” e a submissão de “documentação detalhada” em relação a este projecto. “Proteger o Centro Histórico é uma missão importante”, frisou Sam Hou Fai, garantindo que a ideia é encontrar um “equilíbrio” entre património e transportes


O Chefe do Executivo disse ontem que o Governo “está a aperfeiçoar o design” do projecto do viaduto entre as Zonas A e B, “de acordo com as exigências do Centro de Protecção do Património Mundial”, sendo que o objectivo é encontrar um “equilíbrio” entre património e a necessidade de transportes. Sam Hou Fai falava à margem da recepção comemorativa do 26.º aniversário da RAEM quando garantiu ainda que o Executivo mantém uma “atitude aberta” em relação às opiniões da sociedade.

“Em Abril, já mencionei que os Serviços de Obras Públicas estão a levar a cabo o design sobre o viaduto entre as Zonas A e B, sendo que o Governo irá manter uma atitude aberta para ouvir as opiniões do público, com o objectivo de resolver a longo prazo a procura pela deslocação entre a Zona A e a Península e ao mesmo tempo contemplar a protecção do património cultural”, afirmou Sam Hou Fai em declarações aos jornalistas.

Lembrando que este ano marcou os 20 anos da inscrição do Centro Histórico de Macau no Património Mundial da UNESCO, o líder da RAEM frisou que “proteger o Centro Histórico é uma missão importante”. Sam Hou Fai apontou que a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura, liderada pela Secretária O Lam, “está a manter contacto estreito com a Administração Estatal do Património Cultural da China e com o Centro de Protecção do Património Mundial”.

O objectivo, vincou Sam, é “garantir a continuação das vantagens de Macau de fusão cultural entre o Oriente e o Ocidente e desempenhar o papel de Macau enquanto plataforma de integração de culturas do Oriente e do Ocidente na região da Ásia-Pacífico e até em todo o mundo”.

Recorde-se que, apesar do viaduto entre as Zonas A e B dos Novos Aterros seguir o princípio “colina-mar-cidade”, o Comité do Património Mundial da UNESCO considerou que uma parte do projecto poderia violar as restrições de altura na zona do Farol da Guia, tendo instado a RAEM a realizar uma “avaliação de impacto ambiental abrangente” e submeter “documentação detalhada”. Um mês depois, em Agosto deste ano, o Instituto Cultural disse estar a acompanhar o pedido da UNESCO.

Ontem, o Chefe do Executivo notou ainda que a Zona A dos Novos Aterros vai acolher mais de 100 mil habitantes, sendo “necessário” construir um acesso entre essa nova zona e a Península. “A tutela dos transportes e obras públicas está a estudar uma ligação através do Metro Ligeiro”, afirmou.

Nas Linhas de Acção Governativa para 2026, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas voltou a abordar o plano de desenvolvimento do Metro, indicando que está prevista uma extensão a Coloane. Raymond Tam falou ainda nas diversas linhas, incluindo a Linha Sul, que poderá ligar o posto fronteiriço de Macau na Ponte do Delta à estação ES5 da Zona A, passando pelo NAPE, lote A9 em Nam Van, Sai Van e Barra. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Macau - Direcção dos Serviços de Obras Públicas vai iniciar estudo sobre impacto da Linha Leste do Metro Ligeiro no Farol da Guia

O Governo vai avançar com um estudo sobre o impacto da Linha Leste do Metro Ligeiro na paisagem do Farol da Guia, adiantou o Instituto Cultural, uma tarefa que caberá à Direcção dos Serviços de Obras Públicas. Recorde-se de que este tinha sido um dos pedidos feitos pelo Centro do Património Mundial da UNESCO, em Julho


A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) irá dar início à “Avaliação do Impacto da Linha Leste do Metro Ligeiro na Paisagem do Farol da Guia”, revelou o presidente substituto do Instituto Cultural (IC), Cheang Kai Meng. Em Julho, recorde-se, o Centro do Património Mundial da UNESCO pediu estudos de impacto relativamente a dois projectos, um deles precisamente a Linha Leste do Metro Ligeiro, mas também o viaduto entre as Zonas A e B dos Novos Aterros, como noticiou este jornal.

O órgão internacional exigiu ainda o envio de um relatório actualizado sobre o estado de conservação do Centro Histórico de Macau à Administração Estatal do Património Cultural da China, a ser enviado até ao dia 1 de Dezembro de 2026.

Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ron Lam, o presidente substituto do IC indica ainda que a Linha Leste – que terá cerca de 7,7 quilómetros de extensão – será construída através de túnel subterrâneo e incluirá seis estações subterrâneas. “Com excepção dos acessos às estações, salas de equipamentos e saídas de emergência, que ficarão à superfície, todas as restantes instalações localizar-se-ão no subsolo”, indicou ainda.

Já relativamente ao viaduto entre as Zonas A e B dos Novos Aterros, definido como “uma infraestrutura de transportes relevante” para a futura ligação entre a Península e os Novos Aterros, “presentemente, os serviços de obras públicas estão a elaborar o respectivo projecto”. Cheang Kai Meng assegurou ainda que o Governo da RAEM “mantém uma atitude aberta”, tendo em conta as “preocupações manifestadas pelos cidadãos quanto à forma de construção”. Segundo disse, o Executivo vai prosseguir com a recolha, organização e análise, “de forma abrangente”, das opiniões, “no sentido de aperfeiçoar o projecto”.

Sublinhando que a “Avaliação de impactos sobre o património” é um mecanismo geral para os trabalhos de protecção do património mundial, o mesmo responsável acrescenta que o Governo continuará a realizar esse tipo de estudo “para os programas que tenham necessidade, incluindo a avaliação sobre programas ulteriores nos termos das exigências constantes das decisões do Centro do Património Mundial”.

Nesse sentido, relembra que após a conclusão do estudo da “Avaliação do impacto patrimonial e concepção urbana da zona ao redor da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues”, o Governo submeteu o “conteúdo principal” do estudo ao Centro do Património Mundial para apreciação. Também sobre esta avaliação a UNESCO pediu mais detalhes. “Relativamente às informações e dados a serem adicionados após a decisão, o Governo da RAEM está a acompanhar o caso de acordo com o conteúdo da decisão”, acrescentou, não adiantando mais detalhes.

O Governo tem apresentado periodicamente informações sobre estudos e relatórios ao Centro do Património Mundial, com quem irá manter uma comunicação e intercâmbio “estreitos”, sobre qualquer assunto relacionado com a preservação e gestão do Património Mundial de Macau, garantiu ainda o IC.

O organismo lembra também que o Comité do Património Mundial se congratulou com o conteúdo do “Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau” por reunir pareceres do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios e do Centro do Património Mundial da UNESCO. Segundo Cheang, o plano constitui “um quadro abrangente e ferramentas eficazes para a preservação e gestão do Património Mundial de Macau”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Macau - Plano de salvaguarda do centro histórico é instrumento decisivo e urgente

Alguns arquitectos de Macau reagem à necessidade de Macau em acelerar os esforços para implementar o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico. Segundo um projecto de decisão divulgado pela UNESCO e que o Jornal Tribuna de Macau deu a conhecer em artigo recente, a RAEM deve submeter o respectivo regulamento ao Centro do Património Mundial, com as revisões sugeridas pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios. Alguns passos dados pelas autoridades locais nos últimos anos, têm sido elogiados pelo Comité do Património Mundial, mas este quer receber informações sobe vários estudos. Francisco Ricarte, Mário Duque e Maria José de Freitas dão a sua opinião sobre os últimos requisitos impostos pela UNESCO


Nos últimos anos Macau tem lançado algumas medidas para preservar o Valor Universal Excepcional (OUV, na sigla em inglês) do Centro Histórico, mas a UNESCO, responsável pela implementação da Convenção do Património Mundial, considera que alguns dos processos devem ser mais céleres. De entre esses processos está o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico, que se arrasta desde 2014.

Um projecto de decisão vai ser votado na 45ª sessão do Comité do Património Mundial, agendada para o período entre 10 e 25 de Setembro próximo, em Riade, capital da Arábia Saudita, e a China deverá submeter o novo documento para análise dos órgãos consultivos. Isto tendo em consideração que o regulamento administrativo sobre o Plano de Salvaguarda e Gestão “será revisto em conformidade com o parecer técnico” do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS).

Lançados os dados para alguma reflexão, o Jornal Tribuna de Macau ouviu algumas opiniões de arquitectos do território.

Francisco Ricarte considera que, com a promulgação em 2005 do Centro Histórico de Macau pela UNESCO a Património Mundial, “a cidade obteve um reconhecimento nacional e internacional do seu significado”, importância histórica e cultural relevantes e do património edificado existente, que “constituem factores decisivos para a sua afirmação e identidade.

Contudo, diz, tal distinção “acarretou – e acarretará ainda mais no futuro – passos decisivos na sua conservação, reabilitação e valorização integrada”. São esses passos que a Unesco e outros organismos de protecção cultural têm vindo, naturalmente, a pedir e, mesmo, a “exigir à RAEM”.

O arquitecto considera que o conceito de “salvaguarda do património” tem vindo a evoluir desde a sua criação (ver a “Carta de Veneza”, 1964), passando de uma abordagem essencialmente física – protecção dos monumentos e edifícios singulares notáveis – “para uma visão mais integrada” abrangendo também “a identidade dos espaços urbanos e as suas características sócio-económicas de base”, como a população residente, as suas actividades económicas e equipamentos de uso público, a sua acessibilidade, as redes de infraestruturas de suporte, entre outros aspectos.

Reconhecendo que a RAEM tem vindo, nas duas últimas décadas, a desenvolver um trabalho consistente na identificação e classificação dos monumentos e edifícios notáveis da cidade, e estabelecendo perímetros – tanto quanto possível consistentes – de protecção da sua área envolvente imediata, Francisco Ricarte, afirma que “é preciso ser mais ambicioso e atender a outros aspectos de natureza social, económica e ambiental que promovam a reabilitação harmoniosa e integrada da área”.

Acelerar medidas de protecção integrada

Na linha do reivindicado pela UNESCO, prossegue o arquitecto, importa agora “acelerar” as medidas de protecção integrada do Centro Histórico de Macau que “acautelem também o que não é singular ou monumental”, como os edifícios existentes de acompanhamento, as actividades económicas neles desenvolvidas, a fixação dos seus habitantes e atracção de novos residentes, a sua acessibilidade e a mobilidade urbanas.

Em síntese, é de opinião que o Plano de Salvaguarda “deverá também proteger e valorizar a vivência integrada do centro da cidade, evitando quer a sua sub-ocupação com edifícios em degradação já sem ocupação viável, ou a sua sobre-utilização agora que os fluxos turísticos voltaram, em massa, à cidade.”

O Plano, que surge na sequência de outros, será “um dos instrumentos fundamentais para conseguir o propósito de salvaguarda e reabilitação integrada do Centro Histórico”. Não deverá, obviamente, ser o único instrumento, “mas ser prosseguido por intervenções de pormenor quer de iniciativa da RAEM (Processo de renovação urbana e de reabilitação do edificado, por exemplo), quer privada sob sua orientação”.

Terá, contudo, prossegue, “um papel decisivo no estabelecimento de regras base e claras de utilização do espaço edificado e urbano existentes, dos edifícios a salvaguardar e dos passíveis de alteração, do desenho das ruas e seu mobiliário urbano de suporte, bem como de definir a potencial utilização dos espaços “vazios” e logradouros existentes, das volumetrias possíveis para as novas edificações e sua imagem arquitectónica geral”.

Neste domínio é imprescindível ser elaborado um Regulamento “ponderado” e com suficiente detalhe, “que dê resposta aos desafios e situações particulares que, naturalmente, surgirão”.

O arquitecto vai um pouco mais longe e expressa o seu ponto de vista sobre a matéria dizendo que que o Plano de Salvaguarda “terá que ir muito mais além do que abordar apenas aspectos físicos”. Como acima referido, “deverá avaliar e ponderar medias de valorização social e humana da área de forma integrada”, estipulando medidas de apoio aos seus residentes actuais e futuros, às actividades económicas de suporte, designadamente as tradicionais, ou à “criação de redes de equipamentos e serviços públicos fundamentais que propiciem uma melhoria da qualidade de vida da área”.

Neste aspecto, “dois dos desafios são enormes” e terão de ser abordados, designadamente a “valorização do Ambiente e Eco-sistema da área e o controlo da sua sobre-utilização por fluxos turísticos cada vez maiores”.

Francisco Ricarte lembra que a visão integrada do Plano de Salvaguarda não se deverá restringir ao seu limite territorial, que deverá ser o mais alargado quanto possível, mas identificar ações e intervenções articuladas com áreas adjacentes, como salientou a UNESCO, que deverão igualmente ser objecto de planeamento de detalhe e valorização, como a envolvente Norte e Sul da Colina da Guia, a Av. Rodrigo Rodrigues, a reabilitação e valorização integrada do Porto Interior, entre outros.

Na abordagem final, o arquitecto considera que o Plano de Salvaguarda do Centro Histórico “será um instrumento decisivo que urge elaborar”, as suas propostas e acções integradas serem discutidas publicamente, “e ser promulgado”. Cada dia que passa torna-se mais “urgente e necessário”.

Concretização de raiz implica um esforço significativo

Mário Duque deu igualmente ao JTM a sua opinião, começando por dizer que a demora na concretização do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico não é muito diferente do que se passou com o Plano Director da RAEM. “São diplomas no topo da hierarquia das matérias que regulam, que se actualizam ocasionalmente, mas a concretização de raiz implica um esforço muito significativo em reunir e tratar sistematicamente conteúdos, de os enquadrar numa síntese com as orientações necessárias e certas”.

Acrescenta que “é ainda tarefa que se torna cada vez mais difícil à medida que o tempo passa, as complexidades urbanas e económicas crescem, e proliferam as intervenções mal-avisadas, mas consolidadas”.

O arquitecto revela que a salvaguarda e a gestão do Centro Histórico da RAEM tem sido possível através de considerações e de diplomas avulsos que têm valido como medidas cautelares até à concretização do plano em vista, “mas sem a mesma eficácia ou consequência de um Plano de Salvaguarda e Gestão que se espera capaz de integrar e tratar todas as questões num único corpo”, completando o que falta, reformando e revogando o que ficou obsoleto.

Por isso, também à semelhança do que se passou com o Plano Director, muito possivelmente o formato do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico “será de início apenas as linhas geradoras dessa salvaguarda e gestão”, para serem preenchidas com especificação de detalhe, “sendo essa a modalidade que se afigura possível e desejável na impossibilidade de tratar toda a realidade”, e para que a entrada em vigor de um plano não seja recorrentemente protelada.

Mário Duque ressalva, no entanto, que existem “questões de articulação temática”, nomeadamente com o Plano Director, “para o qual um Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico compreensivo, e não apenas uma estrutura de plano, é já esperado e é necessário”, sem o qual “não é possível concretizar os planos de pormenor”, para que a cidade deixe de ser “avisada e decidida avulsamente”.

Mesmo assim, discorre o arquitecto, “a possibilidade de esse plano de salvaguarda ser ainda num formato de intenções”, ou de uma estrutura para ser preenchida com especificação de detalhe, “não significa que o mesmo não enuncie já os princípios que orientem significativamente o que irá suceder”. As questões do “impacto do desenvolvimento e da morfologia urbana” serão sempre aquelas que os órgãos de fiscalização acompanharão pelas razões mais standard e mais recorrentes.

Mário Duque observa que as questões da interpretação pela qual se pauta a renovação urbana, na qual se tomam posições respeitantes às características tipológicas das edificações e do espaço urbano, e não apenas aos desenhos das fachadas, abrindo assim espaço e conferindo sentido à interpretação, como motor de actualização e de inovação do mesmo património, “já não será imposição dos órgãos de supervisão”. “Seria antes a visão do plano”, diz.

No remate final da sua análise, o arquitecto fecha com a frase: “Se se diz que pela constituição que tens, dir-te-ei que país és, da mesma forma se pode dizer qual é a pauta cultural de determinado lugar, a integração do seu património histórico no quotidiano das suas gentes, e a forma como isso repercute no estilo da vida, a partir dos princípios por que se norteia um plano de salvaguarda para um centro histórico”.

É importante que permaneça a atmosfera única de Macau

Por fim as declarações de Maria José de Freitas, ligada à área do património há mais de 30 anos, não só em Macau, mas igualmente em Portugal. “O Plano de Gestão para o Centro Histórico de Macau é urgente e a sua necessidade faz-se sentir desde que o Centro Histórico, pelas caraterísticas que revela, foi incluído na lista Classificada da UNESCO em 2005”, inicia assim a sua abordagem ao tema que lhe propusemos comentar.

A arquitecta refere que “mais tarde, em 2013, a Lei 11/2013 veio abordar novamente esta situação – a promulgação do Plano de Gestão – como uma das prioridades a concretizar para salvaguardar o património existente em Macau”.

E cita alguns pontos importantes: “compete ao Instituto Cultural (IC) a elaboração e execução do plano em cooperação com outros serviços públicos que, no âmbito das respectivas competências, exerçam poderes relativos ao «Centro Histórico de Macau», nomeadamente a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM)” – na altura IACM; “O plano de salvaguarda e gestão subordina-se ao estabelecido na lei e às orientações da UNESCO, devendo conter medidas específicas que garantam o uso sustentável do espaço em termos urbanos, culturais e ambientais”.

Desde então, continua Maria José de Freitas, “temos assistido ao adiamento sucessivo da publicação do Plano de Gestão, o património vai sofrendo a consequência dessa ausência e as situações são resolvidas de forma casuística”, sendo certo que o Instituto Cultural tem zelado pela manutenção e cuidado dos bens patrimoniais, no entanto, “a inexistência de um plano consagrado e aprovado” torna a gestão “mais complexa, morosa e pouco transparente”. “As regras devem estar definidas, devem ser claras e a população está ciente disso”, afirma.

A UNESCO e o ICOMOS como entidades que cuidam da proteção patrimonial e sua defesa de modo que seja possível a existência de legados com significado e manutenção dos respetivos valores universais – Outstanding Universal Values [OUV] – tem feito pressão nesse sentido, a vigilância é permanente como denotam as sucessivas recomendações feitas ao longo dos últimos anos.

Aquela que é actualmente membro do Conselho do Património Cultural, juntamente com mais sete elementos, considera que a UNESCO e o ICOMOS como entidades que cuidam da proteção patrimonial e sua defesa, “de modo que seja possível a existência de legados com significado e manutenção dos respetivos valores universais” – Outstanding Universal Values [OUV] – “tem feito pressão nesse sentido, a vigilância é permanente, como denotam as sucessivas recomendações feitas ao longo dos últimos anos”.

Maria José de Freitas termina apontando que “em Macau as autoridades estão conscientes dessa situação e em Pequim têm-se feito sentir os ecos desta carência”, principalmente pela voz de associações patrimoniais locais, “designadamente no caso da envolvente do Farol da Guia e volumetria das construções a edificar nos novos aterros”.

Julgando ser importante que os corredores visuais se mantenham e permitam a visualização dos bens patrimoniais e considerando que é relevante que a atmosfera única de Macau permaneça, a arquitecta faz votos para que os prometidos Plano de Gestão e respectivo Regulamento sejam uma realidade em breve. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”