Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Brasil - Estudo prevê secas acima da média nos próximos 5 anos

Relatório da Organização Meteorológica Mundial afirma que temperaturas devem subir de 1,3°C a 1,9°C acima da média entre 2026 e 2030. Os especialistas citam alta probabilidade de novo recorde de calor em 2027, redução de chuvas e condições de seca vão atingir especialmente o Hemisfério Sul


As temperaturas médias globais provavelmente continuarão em níveis recordes ou próximo deles até 2030, de acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial, OMM, produzido pelo Met Office do Reino Unido.

O estudo, divulgado nesta quinta-feira, afirma que as temperaturas médias globais próximas à superfície durante 2026 a 2030 devem variar entre 1,3°C e 1,9°C acima da média de 1850-1900, a era pré-industrial.

86% de possibilidades de um novo recorde de calor

Os dados revelam ainda uma eventualidade de 86% de que um dos anos de agora até 2030 ultrapasse 2024 como o ano mais quente já registado.

O autor principal do relatório, Leon Hermanson, ressaltou que há um El Niño previsto para o final deste ano, o que aumenta as possibilidades de que 2027, seja o próximo ano recorde.

Os especialistas afirmam ser excepcionalmente improvável que, nos próximos cinco anos, a temperatura ultrapasse 2°C acima da média pré-industrial.

Condições de seca afetam o Brasil

E o estudo cita o Brasil, ao afirmar que previsões de chuvas para as estações, de maio a setembro, sugerem anomalias húmidas na região do Sahel, norte da Europa, Alasca e Sibéria, e anomalias secas sobre a Amazónia entre 2026 e 2030.

O estudo ressalta ainda que partes do Brasil provavelmente ficarão mais secas do que o habitual.

Já em latitudes altas do Hemisfério Norte, as previsões de chuva favorecem condições mais húmidas que a média para as próximas cinco estações de inverno.

O padrão de aumento da precipitação nos trópicos e latitudes altas em comparação com o período de referência de 1991 a 2020, e a redução das chuvas nos subtrópicos, especialmente no Hemisfério Sul, é considerado consistente com as expectativas de um clima em aquecimento.

Temperaturas árticas 2,8°C acima da média

As temperaturas árticas nos próximos cinco invernos do Hemisfério Norte, de novembro a março, devem ser 2,8°C acima da média registada de 1991 a 2020.

Esta alta é 3,5 vezes superior à anomalia global de temperatura no mesmo período, segundo o estudo.

Além disso, as previsões para março de 2026 a 2035 sugerem novas reduções na concentração de gelo marinho nos Mares de Barents, Bering e Okhotsk. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

FAO - Inovação pode tornar pecuária aliada na redução de emissão de gases de efeito de estufa

A atividade pecuária é apontada, muitas vezes, como uma das grandes responsáveis pela alteração climática. Em entrevista à ONU News, de Roma, o diretor do Escritório de Alterações Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Eduardo Mansur diz que as inovações previstas para o setor podem contribuir com a redução da emissão de metano, importante gás de efeito de estufa, e evitar o aumento da temperatura global em até 0,2ºC


Emissões de metano, libertadas em diversos sistemas de produção agrícola, especialmente na pecuária, são até 28 vezes mais nocivas ao meio ambiente quando comparado com outros gases de efeito estufa.

O alerta do diretor do Escritório de Alterações Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Eduardo Mansur disse à ONU News, de Roma, que inovações e acordos, firmados na Conferência sobre Alteração Climática, COP26, no ano passado, podem reverter esse cenário.


Produção sustentável

“40% das emissões de metano que temos saem do setor agrário. Portanto, o desafio que nós temos é ter tecnologias para diminuição das emissões. A boa notícia é que elas existem, para ter uma atividade pecuária de baixo impacto de carbono com uma alimentação que diminua a fermentação entérica de ruminantes, para ter uma produção de arroz em áreas cobertas de água que tenham baixa fermentação e baixa emissão de metano. A redução dentro de uma gestão sustentável do adubo orgânico, incluindo o aproveitamento da fermentação para produção de energia renovável”

O diretor da FAO destacou uma aliança proposta pela União Europeia e Estados Unidos durante a COP26, em Glasgow, na Escócia. O objetivo é reduzir a emissão do gás em 30% até 2030, tanto na criação de gado quanto em outras atividades, como na plantação de arroz em áreas alagadas.

O Compromisso Mundial do Metano já tem a adesão de mais de 100 países, incluindo os principais emissores, como Brasil e México. Segundo dados, o cumprimento do acordo ajudaria a reduzir o aquecimento global em até 0,2ºC até 2050.


Adaptação para pequenos produtores

Com mais nações firmando esse compromisso, o desafio é a extensiva implementação das tecnologias, especialmente em países em desenvolvimento, onde a prioridade de pequenos produtores é garantir formas de adaptação aos crescentes desafios com o aquecimento global.

“Faltam-nos mecanismos de disseminação de larga escala. O pequeno produtor já trabalha com uma margem de risco muito grande, aumentar riscos em novas tecnologias tem que haver uma compensação, alguma garantia, para que os pequenos produtores também participem desse processo de luta contra as alterações climáticas e produção de baixo impacto. O pequeno produtor, sobretudo em países em desenvolvimento, tem outra preocupação: como se adaptar às condições de alterações climáticas. Os países vulneráveis necessitam ter apoio para se adaptar a essas condições porque a alteração climática é inevitável, estão acontecendo numa velocidade que estamos a viver essas mudanças.”

De acordo com Eduardo Mansur, a atividade agrária é responsável por pelo menos um terço das emissões de gases - o metano corresponde por cerca de 40%. Por isso, ele afirma que o setor precisa agir como parte da solução. Mansur também pontua que os fenómenos climáticos impactam diretamente na produtividade e é de interesse da área que sejam mitigados.

O diretor da FAO ressalta que os últimos anos tem batidos recordes nas oscilações de temperatura, desafiando a agricultura em diversos países. Além da pior seca em anos na região do Corno de África, Mansur afirma que Portugal também observa falta de chuvas, que prejudicam a produção local. ONU News – Nações Unidas




segunda-feira, 21 de maio de 2018

Cabo Verde - Aumento de temperatura da água leva caravelas-portuguesas a dar à costa

Cidade da Praia – Centenas de caravelas-portuguesas estão a dar à costa em várias ilhas de Cabo Verde, um fenómeno que regista maior incidência nos últimos tempos fruto do aumento da temperatura dos oceanos, segundo a associação ambientalista cabo-verdiana Biosfera I.

“Nesses últimos meses, chegaram mesmo centenas de caravelas-portuguesas às ilhas de Santa Luzia e São Vicente. Os banhistas tiveram de tomar bastante atenção, soubemos de muitos casos de pessoas que entraram em contacto com esses animais e que ficaram feridas”, disse Tommy Melo, presidente da Biosfera I, à agência Lusa.

Segundo Tommy Melo, a espécie aquática parecida com a alforreca tende a surgir nas praias cabo-verdianas com o aumento da temperatura dos oceanos.

“Neste caso, não é algo que possamos dizer que seja inédito em Cabo Verde. Às vezes factores climáticos e diferencial de maré fazem com que elas cheguem à costa”, prosseguiu.

O presidente da associação não-governamental de defesa do ambiente Biosfera I, criada em 2006, alertou as pessoas a tomar cuidados, uma vez que são animais “extremamente urticantes”.

“A população tem de ter cuidado ao se banhar em praias que estejam infestadas desses indivíduos”, prosseguiu, alertando em especial às pessoas com risco alérgico, porque o contacto com esse animal pode até levar à morte.

Segundo a Autoridade Marítima Nacional (AMN) portuguesa, a caravela-portuguesa é um organismo de nome científico ‘Physalia physalis’ e que vive na superfície do mar graças ao seu flutuador cilíndrico, azul-arroxeado, cheio de gás, cujos tentáculos podem atingir os 30 metros, sendo o seu veneno muito perigoso.

Num alerta sobre o surgimento do animal na costa do Algarve no mês passado, a organização acrescentou que os efeitos da picada daqueles organismos marinhos resultam em “dor forte, sensação de queimadura, irritação, vermelhidão, inchaço e comichão”.

A ANM indica ainda que “algumas pessoas, especialmente as sensíveis às picadas e venenos das águas-vivas, podem ter reações alérgicas graves, como falta de ar, palpitações, cãibras, náuseas, vómitos, febre, desmaios, convulsões, arritmias cardíacas e problemas respiratórios”.

No caso de haver contacto com a caravela-portuguesa, prosseguiu, as pessoas devem evitar esfregar a zona atingida, não usar água doce, álcool ou amónia, lavar com soro fisiológico, retirar os tentáculos (caso tenham ficado agarrados à pele) utilizando luvas ou uma pinça de plástico e aplicar vinagre, bandas ou água quente, para aliviar a dor, e consultar assistência médica o mais rapidamente possível. In “Inforpress” – Cabo Verde