Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 23 de março de 2019

América do Sul - Movimentação de contêineres na Costa Leste deve crescer a uma média anual de 5,9% até 2023


As perspectivas de crescimento na movimentação de contêineres na Costa Leste da América do Sul são positivas para os próximos cinco anos e devem ser aproximadamente três vezes maiores que o crescimento do PIB, segundo o ECSA Container Terminals Report 2019, produzido pela Datamar com a colaboração do Dr. Andreas Nohn, consultor marítimo independente, que atuou de 2013 a 2017 como economista de transportes na HPC Hamburg Port Consulting GmbH.

Segundo o levantamento realizado junto aos diretores e principais autoridades de 22 terminais de contêineres no Brasil, seis na Argentina e dois no Uruguai, a expectativa é que o setor cresça 5,9% na Costa Leste da América do Sul, impulsionada principalmente pelo Brasil, que deve ampliar a movimentação em 6,5% por ano. Em 2018, os portos nos três países movimentaram, ao todo, 12,7 milhões de TEUs, o que representou um incremento de 4,9% em relação a 2017, quando foram registrados 12,1 milhões de TEUs. Pelo estudo realizado pela Datamar, o volume de contêineres no Brasil deve saltar de 10,3 milhões de TEUs para 14,1 milhões de TEUs até 2023.

De todas as regiões do Brasil, a que apresentou maior taxa de crescimento na modelagem econômica foi a região Norte, onde a cabotagem é muito presente para o transporte de eletroeletrônicos e auto partes. Já o Porto de Santos tende a crescer por mais de um milhão de TEUs, causando o maior impacto em números absolutos. O relatório traz todos os números e taxas de crescimento previstas para cada região brasileira.

O Monitor de Negócios dos Terminais aponta a perspectiva atual e de curto prazo dos terminais. As classificações foram dadas por cada diretor em uma escala de 0 a 10, sendo que a média atingiu 6.1. A região que registrou maior potencial de desenvolvimento foi o Nordeste, onde os terminais acreditam que o ambiente de negócios tende a melhorar 25% no curto prazo. “Esta região sempre ‘amplifica’ a situação brasileira. Quando o Brasil vai bem, o Nordeste vai ainda melhor”, disse o diretor de um terminal importante na região.

Outro ponto de destaque é a previsão de utilização dos terminais no Brasil, ou seja, quanto se tem de movimentação em relação à capacidade, que deve subir de 56,6% para 64,7% em 2023, considerando as expansões atualmente planejadas pelos terminais. A incorporação de embarcações cada vez maiores às frotas – navios de 14 mil TEUs – trará mudanças à navegação regional, já que nem todos os portos serão capazes de receber os grandes navios. “Buenos Aires é o caso mais emblemático, e que tende a provocar um aumento de transbordos em Santos e nos portos do sul do Brasil”, explica Andrew Lorimer, diretor da Datamar.

Com a contínua consolidação do setor, o mercado de transporte de contêineres na região ECSA está cada vez mais concentrado. De acordo com o relatório, os quatro maiores armadores – Maersk, MSC, CMA CGM e Hapag-Lloyd – respondem por 79,2% de toda a capacidade prevista em fevereiro de 2019. Em termos de tráfego marítimo, as quatro empresas representam 82,3% do total de contêineres embarcados em 2018. Destes quatro armadores dois são sócios em terminais de contêineres de importante relevância no Brasil. “A tendência é que os terminais independentes tentem encontrar o seu nicho. Se o otimismo apontado pelo relatório se concretizar, haverá espaço para todo mundo”, ressalta o diretor da Datamar.

O ECSA Container Terminals Report traz uma análise completa dos seguintes pontos:

Previsão de demanda e capacidade por região até 2023
Avalia o histórico dos últimos anos, as previsões de taxa de crescimento regional do PIB, os fatores políticos e econômicos, bem como as restrições dos comércios para as grandes indústrias regionais.
Planejamento das autoridades portuárias para concessão de terminais
O efeito sobre os terminais dos planejamentos realizados por parte das autoridades portuárias. Os possíveis desfechos das situações enfrentadas pelos terminais e o efeito sobre seus planos de investimento e expansão.

Novas configurações de serviços dos armadores em cada terminal:

Atualizações, alinhamento frente às alianças globais, performance dos serviços e possíveis restriçõs de mercado por agências concorrentes.
Possíveis restrições portuárias frente ao aumento do tamanho dos navios:
Como a chegada de navios maiores à Costa Leste da América do Sul pode impactar os terminais. As características portuárias que podem fazer a diferença neste cenário.

Dados confiáveis e atualizados de movimentação, infraestrutura e equipamentos:

Dados recebidos diretamente dos armadores e terminais. Traz análises de demanda, capacidade, movimentação de longo curso, cabotagem, cheios, vazios, transbordos, mercadorias, acessibilidade naval, infraestrutura, equipamentos, serviços e rotas. In “Portos e Navios” – Brasil com “Jornal Dia a Dia”

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Brasil - Expansão do porto de Itapoá vai ser financiado por instituição do setor privado



O BID Invest, instituição do setor privado do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiará parte da expansão do terminal portuário de contêineres de Itapoá. O empréstimo concedido é de R$ 150 milhões, com prazo de pagamento de oito a 11 anos.

O projeto atenderá aos padrões ambientais e sociais, incluindo monitoramento de emissões e consumo de energia e melhoria na estação de tratamento de efluentes, entre outros aspectos.

O investimento inclui a compra de novos equipamentos, a ampliação do pátio de contêineres e a adequação do cais, permitindo que a empresa possa receber até dois navios ao mesmo tempo. A capacidade de movimentação de contêineres passará de aproximadamente 500 mil TEUs para 1,2 milhão de TEUs. O Porto de Itapoá vem trabalhando no limite de sua capacidade há mais de um ano.

A assessoria do Porto Itapoá relata que desde o início da expansão do terminal, em 2017, vem conduzindo tratativas de uma nova estrutura de financiamento, com o objetivo de suportar a expansão do terminal. Esta nova estrutura pode contar com a participação de três grandes instituições financeiras, dentre elas, o BID Invest.

A operação pretendida poderá envolver recursos totais de R$ 450 milhões, sendo R$ 150 milhões de participação do BID Invest. A concretização da operação com o BID Invest, conjuntamente com os demais investidores, é pretendida ainda para o primeiro trimestre de 2019.

O BID Invest financia empresas e projetos sustentáveis para obter resultados financeiros e maximizar o desenvolvimento econômico, social e ambiental da região. Com uma carteira de US$ 11,2 bilhões em ativos sob gestão e 330 clientes em 23 países, oferece soluções financeiras e serviços de consultoria. Loetz – Brasil in “NSC Total”

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Brasil - Porto de Itaguaí é o novo corredor de exportação de algodão em contêiner

O Sepetiba Tecon, terminal portuário localizado em Itaguaí (RJ), embarcou em outubro os primeiros contêineres carregados com algodão em fardos para exportação. Essa foi a primeira vez que o estado do Rio de Janeiro é usado como corredor de exportação dessa commodity.

Os fardos de algodão, produzidos na Bahia, seguiram para a Ásia, principal mercado consumidor desse produto, e o terminal foi o responsável pelos processos de ovação, desembaraço aduaneiro e por toda operação de embarque. A decisão de exportar um produto, com origem no Nordeste, por um terminal portuário localizado no Rio de Janeiro, se deu pela eficiente infraestrutura oferecida pelo Sepetiba Tecon e por sua localização estratégica. O terminal está instalado em um ponto de convergência das principais rodovias brasileiras, o que permite operações logísticas dinâmicas e econômicas. Além disso, possui o maior calado da costa leste da América do Sul, 15,40m, o que proporciona a atracação de grandes navios com o máximo de aproveitamento da sua capacidade, condição ideal para cargas de grande volume e peso.

Novos embarques estão previstos ainda em 2018 e a tendência é continuar em 2019, já que a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) prevê que o Brasil exportará volume recorde de 1,2 milhão de toneladas de algodão da safra que vai de julho de 2018 a junho de 2019. Hoje o país ocupa a 4ª posição no ranking mundial de exportação de algodão, depois de Estados Unidos, Índia e Austrália, e a expectativa é tornar-se o 2º maior exportador global do produto. In “Portos e Navios” - Brasil

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Brasil - Estudo avaliará deficiências competitivas na cabotagem e no apoio marítimo

O Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) contratou um estudo para identificar as principais deficiências competitivas nos mercados brasileiros de cabotagem e de apoio marítimo. O objetivo é discutir já com o próximo governo mudanças para que, futuramente, as empresas locais sejam tão competitivas quanto as internacionais. O sindicato defende que o marco regulatório (Lei 9432/1997) e o Fundo da Marinha Mercante são os pilares fundamentais para sobrevivência das empresas e para o crescimento da navegação brasileira no médio prazo.

O presidente do Syndarma, Bruno Lima Rocha, explicou que o objetivo do levantamento é comparar custos operacionais das empresas brasileiras com os de empresas estrangeiras em outros mercados, além de identificar o que é preciso corrigir para se tornarem mais competitivas internacionalmente. No apoio marítimo, a ideia é olhar o perfil de custos de dois dos principais mercados mundiais: Golfo do México e Mar do Norte.

“Para conseguirmos ser competitivos e termos preços de frete ou de afretamento de barcos de apoio competitivos em relação ao mercado internacional, precisamos discutir onde estão as diferenças entre nossos custos e custos internacionais”, disse durante o seminário “O Futuro da Indústria Naval”, promovido pelo jornal Valor Econômico na última segunda-feira (27), no Rio de Janeiro.

Na visão do sindicato, a cabotagem vem crescendo consistentemente há muitos anos, sobretudo transporte de contêineres. O vice-presidente do Syndarma e presidente da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), Cleber Lucas, destacou que a modalidade de navegação vem crescendo dois dígitos nos últimos 10 anos. Ele disse que o crescimento da cabotagem de contêineres foi de 13,1% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2017. “Crescendo mesmo com questões que roubam nossa competitividade mostra o que está reservado para cabotagem se esses pesos forem retirados da atividade”, ponderou.

No caso do apoio marítimo, o Syndarma acredita que possa haver novas encomendas em dois anos devido à recuperação do setor, ao aumento da produção e à maior participação de petroleiras estrangeiras, que podem passar a representar até 20% da demanda por barcos de apoio no mercado brasileiro no futuro. A associação destaca que o Brasil é mais competitivo nesse segmento na medida em que a maioria dos barcos em operação é de bandeira brasileira e construída em estaleiros nacionais. Danilo Oliveira – Brasil in “Portos e Navios”

terça-feira, 19 de junho de 2018

Brasil - Como evitar o caos no cais

SÃO PAULO – Estudo preliminar do Plano Mestre do Porto de Santos, preparado por técnicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC), explica em números aquilo que já se sabia há muito tempo: se o complexo marítimo mantiver a média de crescimento anual de 2,1% – em 2017 foram movimentadas 129,6 milhões de toneladas –, em 2021 chegará a 152 milhões. E, a se levar em conta o ritmo atual das obras de remodelação, haverá um colapso nos acessos rodoviários ao porto, pelo menos em sua margem direita.

Já na margem esquerda, no lado do Guarujá, o esgotamento do acesso nas rodovias deverá ocorrer por volta de 2025. O estudo prevê que, nos próximos anos, a tendência é que as cargas conteinerizadas ampliem sua participação na movimentação de 35% para 40%. As operações com contêineres deverão crescer 4,27% entre 2017 e 2021, ou seja, de 3,8 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) movimentadas em 2017, passarão para 4,2 milhões de TEUs em 2021 e 4,8 milhões em 2025. Segundo o estudo, a atual capacidade do porto para atender à demanda ser&aacu te; suficiente até 2045.

Já os granéis sólidos vegetais deverão cair dos atuais 42% para 36% do total movimentado, a se levar em consideração que a malha ferroviária será expandida na região Centro-Oeste, facilitando o escoamento da produção agrícola para os portos do Arco Norte (Itacoatiara AM, Santarém-PA, Vila do Conde-PA, Itaqui-MA, Salvador-BA e Ilhéus-BA).

Seja como for, o que está evidente é que há necessidade urgente de investimentos maciços no sistema viário que leva ao cais santista, especialmente na rodovia Manoel Hipólito Rego (Piaçaguera-Guarujá), na via Anchieta e na Domênico Rangoni, que deverão estar saturadas a partir de 2025. Já para a rodovia dos Imigrantes e o Trecho Sul do Rodoanel, o estudo prevê problemas maiores a partir de 2045, mas não se deve esquecer que, por erro dos técnicos que projetaram a Imigrantes, não é permitida a descida de caminhões nem de ônibus, em razão do seu declive muito acentuado.

A saída para esse cenário de caos passa, obviamente, pela ampliação da malha ferroviária, já que as cargas que utilizam esse modal deverão ter o seu montante duplicado até 2040 e quadruplicado até 2060. Alternativa concomitante é a utilização maior do modal hidroviário, que começou a ser explorado só recentemente.

Tudo isso será possível se a ampliação da utilização desses modais vier acompanhada por ações que estimulem a execução de obras de infraestrutura e a adequação do canal de navegação para que o porto tenha condições de receber navios de maiores dimensões, seguindo a tendência mundial. Afinal, a construção de uma plataforma off shore (no mar) para receber supercargueiros não passou de um sonho de verão. Milton Lourenço – Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Brasil - Dragagem: só indefinição

SÃO PAULO – Embora por força das circunstâncias Santos tenha sido erigido informalmente a hub port (porto concentrador de cargas), sabe-se que, em razão de suas características geofísicas, nunca haverá de atingir esse patamar, exceto se, algum dia, vier a dispor de uma plataforma offshore (afastada da costa), que permita a entrada de megacargueiros.

Hoje, a profundidade média do estuário é estimada em 15 metros, o que permitiria a entrada, sob alguns riscos, de porta-contêineres com capacidade de apenas 10 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) e graneleiros de 80 mil toneladas. Mas, a rigor, o calado operacional (fundura máxima que as embarcações podem atingir quando totalmente carregadas) do porto é 13,2 metros, o que tem obrigado as autoridades portuária e marítima a restringir a navegação para navios com até 12,3 metros de calado.

Desde quando foi instituído como porto organizado, Santos sempre dependeu de regular trabalho de dragagem, que tem por objetivo recolher os materiais sedimentares que se acumulam no fundo do canal e reduzem a sua profundidade, o que acaba por comprometer a navegação de navios de maior porte. A princípio, esse trabalho era executado pela antiga concessionária Companhia Docas de Santos (CDS) com seus batelões e cisternas, mas, já ao tempo de sua sucessora, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o serviço passou a ser transferido para o setor privado por meio de licitação.

Como o serviço de dragagem equivale, a grosso modo, a encher um saco sem fundo, ou seja, em pouco tempo, seus efeitos desapareceram porque a própria natureza favorece o depósito contínuo de sedimentos no leito do canal do estuário, praticamente, não há como mensurar os seus benefícios. E, provavelmente, não passaria de um sonho de verão imaginar que seria possível aprofundar o canal de acesso para 16 metros, o que permitiria a entrada de navios da nova geração, como apontou recente estudo preparado por técnicos da Universidade de São Paulo (USP), a pedido da Codesp.

Sabe-se que os custos para a realização desse trabalho de dragagem ficariam ao redor de R$ 1,6 bilhão, mas permitiriam até 2030 ganhos equivalentes a R$ 5,6 bilhões. Obviamente, nada garante que essa previsão virá a ser confirmada. Até porque o que se tem visto até aqui é muita indefinição por parte do poder público, o que inclui as complicações jurídicas.

Como se sabe, no início de fevereiro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1ª) determinou a revogação do pedido da empresa EEL Infraestruturas para reiniciar o trabalho de dragagem. O Ministério dos Transportes já anunciou que o consórcio formado pelas empresas Boskalis do Brasil e Van Oord Operações Marítimas, segundo colocado na licitação feita em julho de 2015 pela extinta Secretaria de Portos (SEP), deve iniciar as obras de dragagem no início do próximo semestre. Mas a pendenga deve continuar porque a EEL Infraestruturas promete recorrer mais uma vez à Justiça.

Não bastasse isso, há ainda a proposta de formação de um consórcio de usuários do porto de Santos para assumir a execução do serviço de dragagem. Esse consórcio, que contaria com o apoio do Ministério dos Transportes, seria formado por arrendatários, operadores portuários, terminais privados, pela Associação Comercial de Santos e pela própria Codesp. De antemão, porém, conclui-se que a um consórcio formado por tantas associações faltaria experiência e competência técnica. E que, portanto, o consórcio, fatalmente, acabaria por transferir para o setor privado a responsabilidade pelos serviços. Quer dizer: aparentemente, vem por aí mais indefinição.

Melhor seria que a uma empresa estrangeira fosse concedida a construção e futura operação da plataforma offshore e o canal do estuário continuasse a receber os navios adequados a sua profundidade natural. E que a Codesp continuasse a fazer o serviço de dragagem por conta própria, como antigamente. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quarta-feira, 28 de março de 2018

Brasil - Cabotagem vê sinal de retomada em 2018

Empresas brasileiras que atuam na navegação de cabotagem, na costa brasileira, em segmentos como contêineres e insumos industriais, identificam sinais de crescimento na demanda nos primeiros meses de 2018 na comparação com igual período do ano passado. O relativo otimismo com a retomada da economia - a cabotagem funciona como uma espécie de termômetro da atividade econômica do país - é acompanhado, porém, de algumas incertezas para o setor nas áreas financeira e regulatória. Também existe preocupação com eventuais efeitos para as empresas nacionais de navegação com o calendário eleitoral de 2018.

A Companhia de Navegação Norsul, controlada pelo grupo Lorentzen, registra sinais de retomada na atividade industrial desde meados de 2017, com crescimento da demanda em alguns setores como o de produtos siderúrgicos. "Os primeiros 60 dias de 2018 foram melhores do que o mesmo período de 2017", disse Angelo Baroncini, presidente da Norsul. Ele previu que este ano a receita da empresa cresça 5% sobre o ano passado, quando a Norsul faturou cerca de R$ 800 milhões. Com frota de 23 embarcações, a Norsul atende o setor industrial transportando madeira, celulose, aço e minério (bauxita), além de produtos químicos. "Fazemos parte da cadeia de suprimento de grandes grupos industriais", disse Baroncini.

Nos contêineres, a Aliança Navegação e Logística, ligada ao grupo dinamarquês Maersk, registra um crescimento mais forte do que o normal para os três primeiros meses do ano, sazonalmente mais fracos, disse Mark Juzwiak, diretor institucional da empresa. O desempenho é melhor sobretudo na rota Nordeste-Norte do país. Juzwiak disse que a cabotagem vem crescendo acima de 10% ao ano na última década. Em 2017, o volume de contêineres movimentado por linhas regulares de empresas brasileiras de navegação cresceu 12% sobre 2016. A Aliança opera com onze navios na cabotagem.

Márcio Arany, diretor comercial da Log-In Logística Intermodal, disse que está havendo uma "reação" no primeiro trimestre de 2018. Ele citou como exemplo os eletroeletrônicos movimentados via cabotagem a partir de Manaus (AM). "Nossos clientes em Manaus esperam movimentar mais 20% em 2018 em relação a 2017", disse Arany. Marco Aurélio Guedes, consultor da Flumar, especializada no transporte de químicos e gases, foi mais cauteloso: "Está começando a se estabelecer um movimento de recuperação pequeno."

Ao mesmo tempo em que trabalham com a expectativa de um ano melhor em 2018, as empresas brasileiras de navegação consideram que há uma série de incertezas em torno do setor. A primeira delas é de ordem financeira pois as empresas de cabotagem e de navegação de interior têm pagamentos em atraso de R$ 1 bilhão relativos ao ressarcimento do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRRM). O AFRRM é cobrado sobre os fretes marítimos, com exceção daqueles que têm origem ou destino nas regiões Norte e Nordeste do país, e constitui os recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), fonte de financiamento do longo prazo para a navegação. Com os recursos do AFRRM, as empresas pagam empréstimos bancários de construção de navios e serviços de docagem e de manutenção.

Luís Fernando Resano, vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), disse que os atrasos se relacionam à falta de um sistema informatizado para processar os ressarcimentos do AFRRM na velocidade que as empresas do setor precisam. Desde 2014, o ressarcimento do AFRRM passou a ser de responsabilidade da Receita Federal. Em nota, a Receita disse que estabeleceu um cronograma de pagamentos automatizados trimestral, a partir de 2018. "De acordo com esse cronograma o primeiro pagamento vence na primeira semana de abril. Além dos pagamentos automatizados estão em andamento auditorias de créditos realizadas por auditores fiscais, relativamente aos pedidos que incidiram em malha de ressarcimento."

As empresas ligadas ao Syndarma também estão preocupadas com o ambiente regulatório da navegação de cabotagem no país. "Ter uma agência reguladora forte é importante para conseguir manter os investimentos em renovação da frota", disse Baroncini, o presidente da Norsul. Na visão de Resano, do Syndarma, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) precisa ter poder de regular e de estabelecer regras que sejam aplicadas a todo o mercado. O problema, na visão de Resano, é que os "regramentos" da agência vêm sendo questionados pelos regulados (as empresas). Fonte próxima da Antaq afirmou que a agência produziu norma "moderna" e regulação eficiente, privilegiando as empresas que atuam e investem no setor.

As empresas de navegação também têm receio em relação a eventuais efeitos do calendário eleitoral de 2018. Isso porque o debate eleitoral tende a estimular argumentos a favor do fim da proteção da bandeira brasileira na cabotagem. A navegação entre os portos do país é reservada preferencialmente às empresas de bandeira brasileira, mas com frequência surgem argumentos para derrubar essa proteção. Francisco Góes – Brasil in “Valor Econômico”

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Brasil – Durante o ano de 2017 movimentação de carga no setor portuário cresce 8,3%

Em 2017, portos públicos e terminais de uso privado movimentaram 1,086 bilhão de toneladas

O setor portuário brasileiro (portos públicos + terminais de uso privado) movimentou 1,086 bilhão de toneladas no ano passado. Esse valor corresponde a um crescimento de 8,3% em relação a 2016, quando foram movimentadas 1,002 bilhão de toneladas. Os dados são da Gerência de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ.

Em relação ao tipo de carga, destaque para o granel sólido. Em 2017, foram 695,4 milhões de toneladas movimentadas em 2017, um incremento de 10,3%. O milho e a soja se evidenciaram, com crescimento de 71,8% e de 31,5%, respectivamente, sobre 2016.

Quanto ao granel líquido, foram 230,2 milhões de toneladas movimentadas no ano passado, o que correspondeu a um crescimento de 3,8%. Destaques para a importação de derivados de petróleo (+32%) e para a exportação de petróleo bruto (+19%). A movimentação da carga geral solta também aumentou: 54,2 milhões de toneladas, um incremento de 7,6% em relação a 2016.

Quanto à movimentação de contêineres, registrou-se crescimento na movimentação tanto em tonelagem quanto em TEUs. Para o primeiro, movimentação de 106,2 milhões de toneladas (+6,1%). Em relação ao segundo, 9,3 milhões de TEUs (+5,7%).

Porto público x Porto Privado

Em relação ao tipo de instalação, tem-se que os terminais de uso privado movimentaram 721,6 milhões de toneladas em 2017, um crescimento de 9,3% em relação a 2016, quando foram movimentadas 660 milhões de toneladas. Os portos públicos movimentaram 364,5 milhões de toneladas, um incremento de 6,3% sobre 2016, quando foram movimentadas 342,8 milhões de toneladas.

“Vale destacar que se analisarmos de 2010 a 2017, houve importantes crescimentos na movimentação”, afirmou Fernando Serra, gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ, referindo-se aos seguintes números: aumento de 22,7% na movimentação de carga nos portos públicos; de 32,9% nos terminais de uso privado; e no total, crescimento de 29,3%.

Navegação

Levando-se em conta a navegação, a Gerência de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ também registrou crescimento na movimentação. No longo curso, foram 803,3 milhões de toneladas movimentadas, um aumento de 8% em relação a 2016. Na cabotagem, 221,8 milhões de toneladas (+3,8%). Na navegação interior, a maior variação: crescimento de 37,8%, com 57,3 milhões de toneladas movimentadas. As navegações de apoio portuário e apoio marítimo movimentaram 3,6 milhões de toneladas. In “ANTAQ” - Brasil

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Brasil - Porto de Santos em expansão

SÃO PAULO – Embora não faltem pregoeiros da desgraça, não se pode dizer que 2017 tenha sido um ano perdido. É verdade que o Congresso não votou a reforma da Previdência, o que só empurrou o rombo em seu caixa para as próximas gerações, e as contas públicas continuam em completa desorganização, mas nem tudo foi negativo no País.

Na área de comércio exterior, por exemplo, o porto de Santos, responsável por 27% da movimentação de cargas no setor, registrou um recorde, chegando perto da marca de 130 milhões de toneladas. É de se ressaltar que já em novembro o resultado total de cargas movimentadas no porto santista havia sido pouco superior ao recorde anterior batido em 2015: 119,95 milhões contra 119,93 milhões de toneladas. Soja, adubo e óleo diesel e gasóleo foram os produtos que apresentaram maior movimentação no período (exportação/importação).

Na movimentação de contêineres, houve em 2017 um crescimento de 8% em relação a 2016. Foram 3,5 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, de 6,09 metros) contra 3,2 milhões de TEUs em 2016, o melhor resultado do porto de Santos no segmento até então.

Esses números mostram que o porto de Santos continuará ainda por muitos anos a ser o principal complexo marítimo do País, apesar das dificuldades que o seu baixo calado oferece para receber navios com capacidade superior a 10.500 TEUs. É possível que a longo prazo o complexo portuário do Açu, em São João da Barra-RJ, cuja Zona de Processamento de Exportação (ZPE) acaba de ser criada, ou o de Sepetiba-RJ, possa desbancá-lo, devido também à proximidade aos grandes mercados consumidores e a possibilidade de receber megacargueiros, mas por enquanto essa é uma possibilidade remota.

Portanto, é importante que os acessos ao porto de Santos sejam repensados, ou seja, reformados e reconstruídos. Depois do fracasso que foi a construção da pista descendente da Rodovia dos Imigrantes, que hoje só pode ser utilizada por veículos leves, torna-se fundamental a construção de uma nova pista de descida apenas para veículos pesados, a partir do início da Serra do Mar. Não se pode admitir que a Via Anchieta, construída na década de 1940, ainda constitua o principal canal de acesso terrestre ao porto, em razão dos congestionamentos e problemas de violência que se agravam a cada dia.

Também não se pode descartar a construção de uma rodovia que parta da Régis Bittencourt em direção a Peruíbe, no Litoral Sul, o que aliviaria o trânsito do Rodoanel e do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). Ao mesmo tempo, seria necessário recuperar o projeto de construção de um porto naquele município.

Se esses investimentos forem feitos, em pouco tempo, o porto de Santos estará movimentando 500 milhões de toneladas, ainda que os navios atuais de 10.500 TEUs continuem a entrar e a sair do seu canal do estuário sem o aproveitamento total de sua capacidade de carga. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sábado, 27 de janeiro de 2018

Brasil - Critério na definição de hub ports

No mercado mundial, as grandes empresas armadoras, para se tornarem mais competitivas, têm construído navios cargueiros cada vez maiores e formado joint ventures internacionais que permitem o transporte de cargas de um número cada vez maior de armadores.  Essa é a tendência mundial para a qual o Brasil não está preparado, pois, em razão da deficiência de infraestrutura, não dispõe de muitos portos para receber esses navios.

Em função disso, muitos exportadores não têm acesso a linhas de navegação para determinadas regiões do planeta porque esses megacargueiros não conseguem chegar às regiões onde eles estão instalados. Para tanto, esses exportadores dependem de um transporte doméstico de grandes distâncias – por terra, por mar ou hidrovia -, o que acaba por encarecer demais o produto, deixando-o sem preço competitivo no mercado externo.

Na tentativa de superar essas deficiências, vários portos têm sido erigidos como hubs logísticos, sem que disponham de capacidade para tal. É o caso do porto de Santos, o maior da América Latina e responsável por 27% do comércio exterior brasileiro, que, se dispõe de acessos ferroviário, rodoviário e por cabotagem e está localizado em região próxima aos grandes mercados produtores e consumidores, enfrenta um grande obstáculo para se tornar concentrador de cargas, pois o seu calado de 11,2 metros não permite a entrada de grandes navios transportadores de contêineres, com capacidade de 5 mil a 8 mil TEUs (twenty feet or equivalente unit, ou seja, unidade de 20 pés), pois essas embarcações exigem profundidade de 15 a 16 metros.

A princípio, imaginou-se que um serviço de dragagem poderia levar o canal do estuário a uma profundidade de 15 metros, mas, depois de se gastar muitos milhões de reais, concluiu-se que o calado só poderia chegar a 12,4 metros. Apesar disso, um grupo de trabalho do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil ainda discute uma proposta de privatização da gestão da dragagem do porto, que seria realizada por um consórcio formado por arrendatários, operadores portuários, terminais privados e, possivelmente, pela Companhia  Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Que existe a necessidade de serviços de desassoreamento dos canais de navegação e dos berços de atracação, não se questiona. O que se exige é que haja mais critério em sua execução, pois, do contrário, continuará a haver o desperdício de recursos públicos e privados para a obtenção de resultados pífios.

É claro que o porto de Santos ainda será importante para a economia nacional por muitos anos, mas não reúne as condições necessárias para se tornar um hub port completo em razão de sua localização geográfica e incapacidade para receber grandes cargueiros, a não ser que seja construído um berço de atracação off shore (avançado no mar), o que exigiria investimentos incalculáveis.  Em melhores condições como portos de águas profundas estão Sepetiba, no Rio de Janeiro, e o Porto Central, em Santa Catarina.

Portanto, é urgente definir quais serão os hub ports brasileiros – pelo menos um na região Sul-Sudeste e outro na região Norte-Nordeste. E a partir daí trabalhar com mais critério. Milton Lourenço - Brasil
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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Brasil - O futuro do 42º porto do mundo

SÃO PAULO – Embora seja o maior da América Latina e o 42º no ranking mundial divulgado há poucos dias pelo Lloyd´s List Maritime Intelligence, de Londres, o porto de Santos está longe de ser considerado um exemplo de modernidade. Pelo contrário. O seu futuro pode até estar comprometido, já que, por razões naturais, não está instalado em região de águas profundas que seria propícia para receber os megacargueiros que deverão dominar os mares.

Mas esse é um cenário que se projeta para décadas. Por enquanto, o porto de Santos cumpre, de maneira eficaz, o seu papel, movimentando cerca de 120 milhões de toneladas por ano e 27,7% do comércio exterior brasileiro, recebendo navios de até 10.500 TEUs (twenty foot equivalent unit/contêiner de 20 pés), que nunca saem totalmente carregados porque a profundidade do canal não passa de 11,2 metros.

Não fosse a estultice que tem marcado a ação da maioria dos nossos administradores públicos – provavelmente, porque ocupam cargos por indicação política e não por méritos profissionais –, o porto de Santos poderia estar mais bem situado no ranking do Lloyd´s, mais próximo dos dez primeiros: Shangai (China), Singapura, Shenzen (China), Ningbo-Zhoushan (China), Busan (Coréia do Sul), Hong Kong (China), Guangzhou (China), Qingdao (China), Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Tianjin (China).

Basta ver que foram gastos nos últimos tempos cerca de R$ 200 milhões para elevar o calado do porto para 15 metros, mas, por razões que os especialistas deveriam saber de antemão, a profundidade mal chegou a 12,4 metros e, provavelmente, hoje, talvez já tenha retornado aos 11,2 metros. Quer dizer, gastou-se uma fortuna para fazer um trabalho equivalente a encher um saco sem fundo.

Quando esse episódio é contado em seminários na Europa sempre suscita risos de mofa, a exemplo daquele mais conhecido que pouco dignifica a engenharia nacional, ou seja, o da construção da rodovia dos Imigrantes a partir de 1974. Como o porto desde o século XVIII sempre dependeu da transposição da Serra do Mar, imaginava-se que a Imigrantes iria atender à crescente movimentação de carretas em direção ao cais. Mas só depois de construída a rodovia é que se “descobriu” que a declividade de 6% de sua pista descendente não permitiria a descida de veículos pesados. Diante disso, caminhões continuam a descer para o porto pela ultrapassada Via Anchieta, construída nos anos de 1940, formando filas quilométricas numa área cercada por bolsões de pobreza.

O que se espera agora é que o governo do Estado invista na construção de uma nova pista para a rodovia dos Imigrantes, mas com declive próprio para veículos pesados. E que, finalmente, saia do papel a projetada rodovia entre o Planalto e Peruíbe, no Litoral Sul, que viria aliviar o tráfego no Sistema Anchieta-Imigrantes. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sábado, 12 de agosto de 2017

Brasil - Movimentação do setor portuário cresce 4,7% no primeiro semestre de 2017

O setor portuário brasileiro movimentou 517,5 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2017. Esse valor representa um aumento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Desse número, os terminais de uso privado movimentaram 343,04 milhões de toneladas, um aumento de 7,89%; e os portos movimentaram 174,46 milhões de toneladas, um decréscimo de 1,04%. Os dados são da Gerência de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ e foram divulgados no dia 10 de agosto, durante o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), evento realizado no Rio de Janeiro.

Nos primeiros seis meses do ano, foram movimentados 332,9 milhões de toneladas de granéis sólidos: um aumento de 5,9% em comparação com o primeiro semestre de 2016. Em relação aos granéis líquidos, foram movimentados 109 milhões de toneladas, um incremento de 1,2%. Analisando a carga geral solta, o levantamento realizado pela Agência registrou um aumento significativo: 12,6%, com 27 milhões de toneladas movimentados no primeiro semestre do ano. A movimentação de contêiner também obteve crescimento: 0,7%, com 48,5 milhões de toneladas.

Em relação às principais mercadorias, destaque para o minério de ferro. Nos primeiros meses do ano, o setor portuário nacional movimentou 190,3 milhões de toneladas, 7,62% a mais do que o registrado no mesmo período de 2016. Outro produto relevante foi o petróleo (combustíveis), com 95 milhões de toneladas movimentados, um aumento de 2%. A movimentação de soja teve um crescimento expressivo (10,29%), com 56,3 milhões de toneladas no primeiro semestre.

“A movimentação portuária no primeiro semestre de 2017 cresceu principalmente em função do granel sólido. Minério de ferro e soja, duas commodities que juntas representaram 47,7% da movimentação nos primeiros seis meses, tiveram crescimentos relevantes, 7,6% e 10,3%, o que contribuiu para o resultado do país. O minério teve seu resultado impactado por um aumento no preço da commodity a partir da segunda metade do ano passado até o primeiro trimestre desse ano. Já o crescimento da soja é em razão de uma safra recorde, quase 20% maior que a do ano passado, explicada pelo comportamento do clima em praticamente todas as regiões do país”, explica o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ, Fernando Serra.

O levantamento traz, ainda, os dados sobre exportação e importação. Foram exportados 313 milhões de toneladas, o que significou um aumento de 3,8%; e foram importados 69,9 milhões de toneladas, um incremento de 10,5%. Números também referentes aos primeiros seis meses do ano em comparação com igual período de 2016.

Navegação

O estudo mostra que a navegação de longo curso movimentou 382,8 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2017, aumento de 4,91% na comparação com igual período de 2016. Já a navegação de cabotagem movimentou 105 milhões de toneladas, o que significou incremento de 1,94%. A navegação interior ficou com 27,7 milhões de toneladas, contabilizando uma melhora importante de 13,62%.

A ANTAQ informou também algumas projeções. De acordo com o estudo da Agência, haverá um aumento na movimentação portuária de 1,75% no primeiro semestre de 2018, comparando com igual período de 2017. Outra expectativa é que seja movimentado 1,033 bilhão de toneladas neste ano, o que significará um aumento de 3,23% em relação a 2016.

O diretor-geral da ANTAQ, Adalberto Tokarski, destacou que a participação dos TUPs tem sido relevante devido à Lei 12.815/13, que retirou a obrigatoriedade de os terminais movimentarem carga própria, podendo, assim, trabalhar, por exemplo, apenas com carga de terceiros.

Tokarski apontou, ainda, dados referentes ao Arco Norte. Em relação à soja, houve um aumento na movimentação de 172,4%, levando-se em conta os primeiros semestres de 2012 a 2017. Analisando o milho, esse número alcançou um aumento de 51,1%. In “Antaq” - Brasil

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Brasil – Porto de Suape registra recorde na movimentação de contêineres


Julho foi um excelente mês para a movimentação de contêineres no Porto de Suape. Pela primeira vez, desde outubro de 2011, o atracadouro ultrapassou os 40 mil TEU em um único mês. Com isso, Suape segue firme no caminho para bater o recorde anual na movimentação de contêineres, registrado naquele mesmo ano (434 mil TEU). Os produtos são movimentados no Tecon Suape, terminal privado instalado no atracadouro pernambucano.

O crescimento foi puxado pelas operações de cabotagem, que contabilizaram aproximadamente 27,7 mil TEU, seguido pelas importações, com aproximadamente 8,8 mil TEU. As exportações chegaram a 3,6 mil TEU. Em peso bruto, a movimentação alcançou 469.349 toneladas e em unidades, 24.734 contêineres.

Em julho de 2016, o registro da movimentação foi de 33.247 TEU.

“Comemoramos a notícia e estamos otimistas com os dados registrados. Temos a movimentação de graneis líquidos como carro-chefe e, por isso, é importante que alcancemos resultados expressivos nas demais cargas. Esse dado mostra que podemos diversificar nossas operações e que estamos sendo bem avaliados por grandes empresas marítimas que escolhem atracar seus navios em nosso porto”, ponderou o presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Marcos Baptista. 

Semestre

Os números da movimentação de contêineres também foram expressivos no primeiro semestre. De janeiro a junho de 2017, o porto pernambucano cresceu 22,9% na movimentação deste tipo de carga, quando registrou 220.305 mil TEU movimentados, ante 179.260 mil TEU do mesmo período em 2016. A marca entra para os maiores recordes já registrados desde o início da operação do Tecon Suape em 2002.

No semestre, o incremento na movimentação se deveu, principalmente, às operações de cabotagem, que contabilizaram 154.438 mil TEU. As importações também registraram números significativos, com 47.940 TEU, seguido pelas operações de exportação com 17.927 TEU.

Entre as principais mercadorias movimentadas entre as cargas conteinerizadas estão os plásticos que lideram a lista com 451.995 mil toneladas; seguido pelos cereais com 240.998 mil toneladas; produtos químicos e orgânicos com 166.510 mil toneladas. Na sequência aparecem ferro fundido e aço com 119.166 mil toneladas; sal, enxofre, cal e cimento com 112.632 mil toneladas; bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres com 89.047 mil toneladas, entre outros. No total, o porto registrou a movimentação de 2.576.897 toneladas no primeiro semestre de 2017.

Portos públicos

No cenário nacional, Suape se manteve em 4º lugar entre os principais portos públicos na movimentação de contêineres nos seis primeiros meses do ano, com 220 mil TEU. Em 1º lugar está o Porto de Santos com 1.391.101 TEU movimentados, seguido pelo Porto de Paranaguá com 357 mil TEU e, Rio Grande com 345 mil TEU. In “Portos e Navios” - Brasil

terça-feira, 18 de julho de 2017

Internacional - Transporte marítimo: cresce a concentração

SÃO PAULO – Quem acompanha o dia a dia do comércio exterior sabe que ocorre a nível mundial uma intensa concentração no mercado de transporte marítimo, deflagrada por uma nova onda de fusões e aquisições de uma empresa por outra, o que se tem dado especialmente entre as grandes armadoras que transportam contêineres.

Segundo dados da empresa de consultoria inglesa Drewry, a fusão entre K-Line, MOL e NYK, que resultou na nova Ocean Network Express (ONE), colocará este grupo em quinto lugar no ranking mundial de empresas transportadoras de contêineres, com capacidade para 1,7 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), à frente da Hapag-Lloyd, que se fundiu com a UASC, com 1,6 milhão de TEUs, e da Evergreen, com 1,3 milhão.

Embora a CMA CGM tenha adquirido a Mercosul Line, subsidiária brasileira da Maersk, esta armadora continua dominando o mercado, com 4,2 milhões de TEUS (ou 18,4% do total), seguida pela MSC, com 3,1 milhões de TEUs ( 13,5%). A CMA CGM, que vem expandindo seus negócios na América do Sul, ocupa a terceira colocação, com 2,4 milhões de TEUS (10,4% do mercado). A compra da Mercosul Line representou a décima segunda aquisição pela armadora desde  1996, quando a CMA comprou a estatal francesa CGM.

É de se lembrar que essas três armadoras, em 2005, detinham 26% do mercado global, mas hoje já controlam 42%. Em quarto lugar, está a chinesa CoscoCS, que se fundiu com a CSCL, com 1,8 milhão de TEUs. Ressalte-se ainda que a Maersk comprou a Mercosul Line há uma década, mas teve de deixá-la como concessão, negociando-a com a CMA CGM, para seguir com seus planos de adquirir a Hamburg Sud, que é líder no Norte da Europa e na América Latina e opera a armadora brasileira Aliança, líder no setor de cabotagem no Brasil e no continente sul-americano. Hamburg Sud e Aliança são responsáveis por 80% do serviço de cabotagem brasileiro, à frente da Log-In Logística.  

Em resumo: as 25 maiores operadoras de carga em contêineres do mundo (incluindo subsidiárias, afiliadas e coligadas) controlam mais de 65% de todos os navios porta-contêineres disponíveis para uso em serviços comerciais. Desde já, o setor alega que esse é um preço a pagar, já que os seus clientes teriam se favorecido durante anos de fretes desvalorizados. Essa seria a razão pela qual as grandes companhias de navegação teriam buscado saída nas fusões e incorporações de concorrentes.

Em função dessa concentração que só cresce, é provável que haja neste segundo semestre de 2017 um melhor desempenho dessas empresas de navegação, mas não é preciso ser especialista para concluir que uma das consequências desse fenômeno é que haverá menores opções para os exportadores/importadores na hora de reservar espaços nos navios. E, com certeza, maiores custos, diante da falta de concorrência mais acirrada. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 27 de junho de 2017

Brasil – Porto de Imbituba será rota de contêineres da Ásia

Na passada sexta-feira, 23 de Junho de 2017, foi um dia histórico para o Porto de Imbituba. O Porto do sul catarinense venceu a concorrência e passa a fazer parte do grupo de portos da América Latina que recebe navios de contêineres do mercado asiático. “Pesa para esta decisão o fato de Imbituba abrigar o porto público com maior profundidade das regiões Sul e Sudeste do Brasil e possuir condições climáticas favoráveis para a continuidade das operações.”, informou por meio de nota a assessoria de imprensa do Porto de Imbituba. A previsão é de que os primeiros embarques iniciem em agosto deste ano.

Situado em uma enseada de mar aberto, protegido de ventos e ressacas, o Porto de Imbituba é administrado pela SCPar Porto de Imbituba S.A, após delegação do governo federal para o governo de Santa Catarina. Atualmente movimenta granéis sólidos e líquidos, congelados, contêineres e carga geral, contando com três berços de atracação. O Canal de Acesso atinge a profundidade de 17 metros. A Bacia de Evolução possui calado de 15,50. A Área Entre-berços alcançam calado de 15,50 e Berços 1 e 2 chegam a calados de 14,50 e berço 03 11,50 metros.

O Porto de Imbituba está apto a atender, principalmente, o escoamento de cargas dos três estados da região Sul, com influência direta em todo o Mercosul. In “NotiSul” - Brasil

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Brasil - O porto de Santos em números

SÃO PAULO – Relatório preparado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que o porto de Santos, apesar da crise econômica que o País atravessa , manteve em 2016 a liderança em movimentação de contêineres, ainda que tenha registrado um declínio de 5,1% na movimentação de cargas. 

De acordo com o levantamento, o porto de Santos operou 3,3 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), número ligeiramente inferior ao informado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que apontou a movimentação de 3,5 milhões. Essa divergência já havia sido registrada em relação à movimentação de contêineres em 2015, quando o relatório da Cepal apontou a operação de 3,6 milhões e a Codesp, de 3,7 milhões de TEUs.

Independente dessa divergência, o que se deve assinalar é o papel desempenhado pelo porto de Santos, que, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), alcançou em abril a maior participação do ano até agora na balança, com US$ 31,7 bilhões comercializados, o que representa 27,6% do total acumulado pelo comércio exterior do País no período, que foi de US$ 114,9 bilhões. 

Nas exportações, o valor das transações pelo porto de Santos foi de US$ 18,4 bilhões no acumulado do ano, o que equivale a uma participação de 27%, levando-se em conta que o total negociado pelo País foi de US$ 68,1 bilhões. Já nas importações, o resultado entre janeiro e abril foi de US$ 13,4 bilhões, correspondente a 28,6% do total brasileiro (US$ 46,8 bilhões), o que mostra que, ao contrário do que ocorria há 30 ou 40 anos, o porto de Santos assumiu hoje um viés mais exportador.

A presença majoritária de Santos no comércio exterior brasileiro é mais evidente quando se vê a diferença que registra em relação aos demais portos do País, à frente de Navegantes, terminal privado da Portonave em Santa Catarina, que movimentou 895,3 mil de TEUs, e  Paranaguá-PR, que movimentou 725 mil TEUs. Entre os 20 maiores portos do continente latino-americano e Caribe, Navegantes aparece em 16º lugar e Paranaguá em 20º.

De acordo a Cepal, imediatamente atrás de Santos estão dois complexos portuários do Panamá: Colón, que registrou a movimentação de 3,2 milhões de TEUs, e Balboa, com 2,9 milhões. Embora as diferenças econômicas e territoriais entre o Brasil e o Panamá sejam colossais, os dois portos panamenhos movimentam juntos mais que Santos, Navegantes e Paranaguá (6,1 milhões de TEUs contra 4,9 milhões de TEUs).  

O que explica isso é que o Canal do Panamá funciona como corredor entre a economia do Leste dos EUA e a Ásia e a Oceania. É de se assinalar que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a primeira economia da região, é de US$ 2 trilhões, enquanto o do Panamá, a 11ª, é de US$ 52,1 bilhões. A título de exemplo, é de se lembrar que o PIB dos EUA é de US$ 18,2 trilhões.

A China, com a participação de 20,4% no período, ou US$ 3,74 bilhões, EUA, com US$ 2 bilhões (11,4%), Argentina (7,4%), Holanda (2,9%) e México (2,8%) são os cinco principais importadores pelo cais santista. Entre os exportadores, estão a China, com 21,8% (US$ 21,9 bilhões) do total do porto, EUA, com 16,3% (US$ 2.1 bilhões), Alemanha, com 8,7%, Coreia do Sul, com 4,8%, e Japão, com 4,6%. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br