Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Brasil - Estudo avaliará deficiências competitivas na cabotagem e no apoio marítimo

O Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) contratou um estudo para identificar as principais deficiências competitivas nos mercados brasileiros de cabotagem e de apoio marítimo. O objetivo é discutir já com o próximo governo mudanças para que, futuramente, as empresas locais sejam tão competitivas quanto as internacionais. O sindicato defende que o marco regulatório (Lei 9432/1997) e o Fundo da Marinha Mercante são os pilares fundamentais para sobrevivência das empresas e para o crescimento da navegação brasileira no médio prazo.

O presidente do Syndarma, Bruno Lima Rocha, explicou que o objetivo do levantamento é comparar custos operacionais das empresas brasileiras com os de empresas estrangeiras em outros mercados, além de identificar o que é preciso corrigir para se tornarem mais competitivas internacionalmente. No apoio marítimo, a ideia é olhar o perfil de custos de dois dos principais mercados mundiais: Golfo do México e Mar do Norte.

“Para conseguirmos ser competitivos e termos preços de frete ou de afretamento de barcos de apoio competitivos em relação ao mercado internacional, precisamos discutir onde estão as diferenças entre nossos custos e custos internacionais”, disse durante o seminário “O Futuro da Indústria Naval”, promovido pelo jornal Valor Econômico na última segunda-feira (27), no Rio de Janeiro.

Na visão do sindicato, a cabotagem vem crescendo consistentemente há muitos anos, sobretudo transporte de contêineres. O vice-presidente do Syndarma e presidente da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), Cleber Lucas, destacou que a modalidade de navegação vem crescendo dois dígitos nos últimos 10 anos. Ele disse que o crescimento da cabotagem de contêineres foi de 13,1% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2017. “Crescendo mesmo com questões que roubam nossa competitividade mostra o que está reservado para cabotagem se esses pesos forem retirados da atividade”, ponderou.

No caso do apoio marítimo, o Syndarma acredita que possa haver novas encomendas em dois anos devido à recuperação do setor, ao aumento da produção e à maior participação de petroleiras estrangeiras, que podem passar a representar até 20% da demanda por barcos de apoio no mercado brasileiro no futuro. A associação destaca que o Brasil é mais competitivo nesse segmento na medida em que a maioria dos barcos em operação é de bandeira brasileira e construída em estaleiros nacionais. Danilo Oliveira – Brasil in “Portos e Navios”

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Brasil – Pirataria aumenta custo dos fretes

Porto Velho - A conta dos ataques de piratas a embarcações de transporte de carga na Amazônia é bem maior que o prejuízo de R$ 100 milhões estimado com o roubo de mercadorias. Para evitar e se proteger dos criminosos, empresas de transporte têm reportado um custo adicional de milhões de reais por ano com a contratação de empresas de vigilância e escolta armada. A conta, essencial para a proteção das cargas, é repassada ao frete e, mais adiante, ao consumidor.

Uma das líderes no setor de cargas na região, a Transportes Bertolini (TBL) gasta cerca de R$ 4 milhões por ano com o serviço para proteger cargas de eletrônicos da Zona Franca de Manaus no trajeto de Belém a Santarém. "É um problema muito sério na Amazônia. No Estreito de Breves (canal fluvial de acesso ao Arquipélago do Marajó), até mataram um comandante", diz Irani Bertolini, dono da TBL e presidente da Fetramaz, entidade que reúne as empresas de transporte na Região Amazônica.

Dois profissionais fardados e armados viajam a bordo nos comboios e trabalham em regime de revezamento, fazendo uma ronda nas embarcações. Nos trechos de maior incidência de ataques piratas, ambos ficam em alerta. Ao todo, 40 profissionais prestam serviço para a TBL.

Antes da contratação do serviço, em 2015, a empresa havia sido alvo de seis ataques de piratas que resultaram em prejuízo de R$ 500 mil, sobretudo com roubo de combustível. Os piratas chegam em barcos menores e velozes e atacam de surpresa. "É a linha vermelha da Amazônia. O risco é iminente", diz Ricardo Bonatelli, gerente de navegação da TBL. Após a empresa contratar os serviços de escolta armada, no entanto, os ataques cessaram.

A companhia de vigilância Prosegur teve alta de 30% na demanda por seus serviços de 2016 para cá, principalmente no Amazonas e no Pará, segundo o diretor Bruno Jouan. À medida que os "piratas amazônicos" ficam mais ousados, a companhia também renova seu "portfólio" - agora, está usando drones para monitorar cargas.

Em busca de segurança, no entanto, as empresas têm procurado o serviço de cabotagem, que representa quase 90% do transporte de mercadorias de valor agregado da Zona Franca de Manaus. Segundo Eduardo Carvalho, presidente do Sindicato dos Armadores do Pará (Sindarpa), isso tem tirado algumas empresas de transporte fluvial comum de circulação.

"Apesar de a cabotagem ser mais lenta, ela é mais segura. O contêiner sai da fábrica e chega ao destino final com mais segurança do que o caminhão em cima da balsa e depois por estrada", diz Claudomiro Carvalho Filho, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma).

O delegado Geraldo Pimenta Neto, superintendente regional da Polícia Civil de Marajó Ocidental, no município de Breves, afirma que os casos de roubo de carga na região têm diminuído com a vigilância privada e a intensificação do monitoramento pelo Grupamento Fluvial de Segurança Pública no Pará (GFLU), formado pelas polícias civil e militar e pelo Corpo de Bombeiros.

À frente das operações da polícia civil em dez municípios na região das Ilhas de Marajó desde dezembro, o delegado disse que com o aumento do policiamento, os piratas migraram para roubos a residências e estabelecimentos nas margens dos rios, sobretudo em busca de óleo diesel.

Seguro

Outro problema é a dificuldade de se fazer o seguro de cargas. "Ninguém consegue fazer seguro de roubo de carga na Amazônia. Quando a seguradora aceita, o preço é impagável", afirma Carvalho. Procurada, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) informou não ter dados sobre essa situação de seguros na Amazônia.

Outra consequência é o fracionamento da carga em várias embarcações - o que também pesa no frete. "São custos que atentam contra o desenvolvimento da Amazônia", afirma Getulio Bezerra Santos, coordenador do Programa de Segurança das Operações de Transporte de Cargas e Prevenção ao Delito (Proteger), da Confederação Nacional do Transporte. A meta é construir uma base de dados sobre pirataria pelos boletins de ocorrência, criando um sistema interligado de dados.

Adalberto Tokarski, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, afirma que os ataques piratas preocupam o órgão regulador. "É algo bastante complexo e já estive conversando com algumas instituições, incluindo a Polícia Federal e a Marinha, para ver qual é a solução para desmantelar e inibir essas ações." Um dos principais entraves para coibir esse crime é a jurisdição dos órgãos de segurança, pois algumas áreas são de competência de órgãos estaduais e outras, de entidades federais. "É necessário criar ações coordenadas de inteligência", defende Tokarski. As informações são do jornal. Karla Mendes – Brasil in “Estado S. Paulo”

sábado, 15 de outubro de 2016

Brasil – O acordo marítimo entre Brasil e Chile

6 benefícios para o país com o fim do acordo marítimo entre Brasil e Chile. Na avaliação da CNI, o acordo onera o setor produtivo e encarece as mercadorias nacionais, pois restringe o frete marítimo de contêineres a navios de bandeira brasileira e chilena

O acordo de Transporte Marítimo com o Chile é um obstáculo ao aumento das exportações brasileiras. Desde 2014, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta o governo sobre as distorções que o tratado criou. Assinado em 1974, renovado oito vezes, o acordo criou um duopólio na rota marítima Brasil-Chile-Brasil. Atualmente, só fazem o transporte de carga duas multinacionais. Elas disponibilizam apenas oito navios para atender os mais de 3,5 mil exportadores e quase de 1,2 mil importadores brasileiros.

A CNI aguarda a fim do acordo, previsto para 28 de outubro, data estabelecida pela Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) para que o Ministério do Transportes apresente uma justificativa para manter o duopólio. Na avaliação da CNI, o acordo onera o setor produtivo e encarece as mercadorias nacionais, pois restringe o frete marítimo de contêineres a navios de bandeira brasileira e chilena, únicos autorizados a transportarem cargas entre os dois países. Veja os efeitos previstos com o fim do acordo:

1. Fim da proteção artificial da rota Brasil-Chile-Brasil
A navegação mundial vive um período de “liberdade dos mares”. Não existem reservas de carga entre países da União Europeia ou do Nafta, por exemplo.

2. Aumento da oferta de navios
Em função do convênio, o transporte marítimo entre os dois países está restrito a oito navios. Com o livre-comércio, a disponiblidade de navios triplicaria, de acordo com estimativas da CNI.

3. Fretes mais baratos
As empresas chegam a pagar 40% a mais pelo frete atualmente. Empresas de setores importantes da economia brasileira dizem que dentre os 130 mercados para os quais exportam, o Chile tem o frete mais caro.

4. Previsibilidade para fechar contratos de curto prazo
Para conseguir atender contratos, as empresas são obrigadas a usar o modal rodoviário. Esta opção acarreta fretes entre duas e três vezes mais elevados e as rodovias fecham em determinados períodos no inverno devido às nevascas na Cordilheira dos Andes.

5. Equilíbrio nas relações comerciais
O fim da reserva beneficiará as empresas exportadoras e importadoras dos dois países melhorando o poder de negociação com os armadores brasileiros e chilenos.

6. Menos um obstáculo à exportação
Pesquisa da CNI com 847 empresas brasileiras aponta o custo do transporte como o principal problema para exportar. O fim do acordo ajudará a melhorar essa realidade. Adriana Nicacio – Brasil in “Agência CNI de Notícias”

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Internacional – Indústria da navegação enfrenta a pior crise

Navios “zumbi” podem ser o primeiro sinal do colapso econômico global

“Um navio zumbi é aquele que mal consegue saldar as taxas de juros de suas dívidas, mas que não nutre esperança alguma de liquidar o investimento do capital”, diz executivo do Baltic Exchange

A indústria da navegação vem enfrentando a pior crise de que se tem memória, à medida que os anos de rápida expansão impulsionada por crédito barato coincidiu com a retração do mercado chinês.

“Estamos agora em um estágio em que as pessoas nem se lembram direito de outra época na qual as dificuldades foram tão profundas, considerando como vivemos os anos 90, 80, 70 – e daí a expressão ‘de que se tem memória’”, disse o Chefe Executivo de Relações Comerciais do Báltico em Londres, Jeremy Penn, ao jornal britânico The Telegraph.

O Baltic Exchange é responsável por estabelecer fretes marítimos há mais de dois séculos e meio, e os membros do comitê concordam em que a situação atual é de fato grave. “Os armadores chegaram a um ponto em que talvez precisem encarar a dura decisão de simplesmente lançar as âncoras ao mar e esperar a tempestade passar” acrescentou Penn.


O artigo do The Telegraph, assinado por John Ficenec, relata que os temores acerca da economia global culminaram há pouco com a queda do Índice do Báltico para Cargas Secas em mais de 20% no último ano, atingindo 369 – o mais baixo desde o início do registro oficial, em 1985. O Baltic Dry, extraído do intercâmbio comercial, é um indicador do custo dos embarques de cargas secas a granel, como carvão, minério de ferro, grãos e produtos acabados, como o aço, porém funciona também como um indicador econômico, por sua relação direta com as tendências mercadológicas das grandes fortunas.

O principal problema reportado pelo artigo tem sido a retração da economia chinesa: o maior consumidor de commodities mundiais, que vinha sendo a força motriz da indústria de transportes marítimos nas últimas duas décadas.


Contudo, boa parte da crise foi causada pelo próprio mercado, diz o artigo. A indústria da navegação passou por um período de crescimento massivo, impulsionado pelo crédito barato e a demanda frequente.

A rápida expansão da frota marítima

De 2010 a 2013, a frota mundial dobrou em tamanho. Simultaneamente, a China também chegou a dobrar a sua capacidade de produção nos estaleiros, que receberam encomendas faraônicas para novas embarcações, enquanto o mercado tentava controlar o fluxo de commodities.


“O mercado de carga seca cresceu perto da casa dos 10% por um período de anos a fio” lembrou o diretor executivo da agência marítima londrina Braemar Shipping, James Kidwell, ao The Telegraph. “E de repente, você está em um mercado que simplesmente murchou. Uma mudança extremamente radical: se de repente há mais navios do que cargas, obviamente os fretes vão enfraquecer — simples assim”.

Os impactos para o armador têm sido drásticos. A tarifa média cobrada pelo maior navio Capesize — aqueles que recebem esse nome por serem grandes demais para o Canal do Panamá, e são obrigados a desviar por Cape Horn — caiu para cerca de US$ 2.700 por dia. “Um número altamente contrastante com a média de 15 a 25 mil dólares cobrados durante a febre de 2008”, de acordo com Penn.

Várias das rotas hoje são percorridas com prejuízo, uma vez que o custo administrativo de um Capesize em operação, que chega até 340 metros e equivale a quase quatro campos de futebol alinhados, pode chegar a $7.500 dólares por dia.

Afundando em dívidas

Em um mercado normal, a decisão racional seria simplesmente retirar do mercado os navios que estejam causando prejuízo à frota, porém este é simplesmente um mercado atípico. A frota mundial de navegação está afundada em dívidas. Kidwell conta como os armadores que financiaram suas frotas com 60% de empréstimos e 40% de capital já enxergaram que seu patrimônio perdeu o valor.

Enquanto isso, os bancos que aprovaram os financiamentos não estão dispostos a afrouxar as negociações, uma vez que, para isso, precisariam reconhecer os próprios prejuízos também. A única coisa que estão aceitando é que não conseguirão a amortização total dos serviços da dívida, e serão forçados a esperar para ver se o armador vai conseguir sobreviver até que o mercado se recupere. Em algum momento, poderão vender o navio a preços melhores.

Navios “zumbi” ganham os mares

“O que de fato está prejudicando a navegação é a proliferação de uma frota zumbi, que vem aceitando transportar mercadorias a fretes independentes, simplesmente para se agarrarem ao mercado,” alerta Kidwell, que explica: “Um navio zumbi é aquele que mal consegue saldar as taxas de juros de suas dívidas, mas que não nutre esperança alguma de liquidar o investimento do capital”.

E a situação tende a piorar drasticamente no que diz respeito aos empréstimos adquiridos pela indústria de navegação, de acordo com o The Telegraph. Isso porque o cálculo do pagamento de dívidas referentes aos empréstimos e taxas de juros depende do histórico do valor residual do navio ao final da extensão do empréstimo. Kidwell ilustra, por exemplo, que um navio Capesize de cinco anos de idade foi vendido a US$ 19 milhões nas últimas semanas, 40% abaixo do que seria considerado como uma oferta típica por um navio dessa idade, que seria por volta de US$ 33 milhões, e menos da metade do custo de um navio novo (US$48 milhões). O valor de base dos navios também caiu drasticamente assim que a China injetou novas remessas de aço no mercado mundial.

O colapso do preço de navios de segunda mão promete deixar marcas profundas nas planilhas financeiras de qualquer banco ou investidor que mantém empréstimos desse tipo. O Reino Unido, por exemplo, pode não estar entre os principais armadores mundiais, mas há bancos britânicos, como o RBS que detêm agora os direitos sobre empréstimos da ordem de £ 8,3 bilhões (US$ 9,5 bilhões), assim como o Lloyds Bank, que também fornece crédito para a indústria da navegação. Londres permanece a capital mundial do agenciamento de navios, por meio de companhias como a Clarkson, que configura no diretório das maiores empresas da bolsa londrina (FTSE 250), e outras menores, como a Braemar Shipping.

Assim como Londres também configura como referência mundial em seguros marítimos, com a Lloyd’s londrina, que chegou a assegurar prêmios da ordem de £2,1 bilhões em 2014 (US$ 2,4 bilhões).

Para os agentes de cargas, no entanto, o mercado não traz apenas más notícias, releva o artigo da publicação britânica. A superdemanda do petróleo mundial acarretou em um dos mais movimentados mercados de navios-tanque neste ano. Com a possibilidade da entrada do Irã na batalha pelo mercado, acrescentando mais 41 petroleiros ao comércio do combustível, é possível que as agências recuperem o caminho das comissões lucrativas depois da suspensão, divulgada neste mês, do embargo americano ao petróleo daquela região, que já durava 40 anos.

As perspectivas, no entanto, permanecem ainda obscuras aos armadores.


O fato é que vai chegar um momento em que os armadores terão que tirar do mercado os seus navios. “Será um processo lento”, Penn adverte. “Antigamente, era possível tirar os navios de atividade com facilidade, reduzindo assim os custos de drasticamente, porém hoje, com toda a tecnologia e os aparatos eletrônicos dos navios, isso é muito mais difícil”, observa Penn. Em sua visão, os navios de hoje me dia já não podem ser estacionados como se fazia nas recessões do passado.

“Presumidamente, os armadores e outros players do setor ainda devem nutrir esperanças de que o mercado se recupere antes que eles entrem em total desespero”, disse Penn. E, no entanto, ele conclui: “Porém, o que temos para o momento neste mercado é uma depressão generalizada”. In “Guia Marítimo” - Brasil