Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Brasil - Projeto prevê construção de comboios fluviais movidos a GNL na região Norte



Um projeto logístico para transporte e distribuição de gás natural liquefeito (GNL) na região Norte prevê a construção de 20 barcaças e cinco ou seis empurradores. Segundo os idealizadores é a primeira vez que serão construídas no Brasil balsas desse tipo movidas a GNL. A meta é construir as unidades a partir de 2020, no Estaleiro Rio Maguari (PA). A primeira fase do projeto, a partir de 2021, movimentará três milhões de metros cúbicos de gás por dia, saindo de uma unidade de armazenamento flutuante (FSU -floating storage unit) em Itacoatiara (AM). Desse volume, dois milhões de m³ serão levados pelos comboios até Porto Velho (RO), via Rio Madeira, e um milhão de m³ será transportado até Roraima.

Cada um desses empurradores terá potência de aproximadamente 4.200 HPs e cada balsa carregará 1.200 m³ de gás. “Pela primeira vez no Brasil serão construídas balsas gaseiras e empurradores fluviais, que também queimarão GNL. É inédito para construção naval no Brasil”, destaca o vice-presidente executivo e diretor de operações da Amazonica Energy, Ronaldo Melendez. Para segunda etapa, a empresa pretende instalar outra FSU na Bacia da Ilha de Marajó (PA), com mais 20 a 25 balsas e cerca de 10 empurradores fluviais. A previsão de investimentos é da ordem US$ 600 milhões, sendo US$ 300 milhões destinados aos ativos fluviais da fase 1.

A parceria foi firmada pela Amazonica Energy, criada ao final de 2016, com a projetista canadense Robert Allan, o Estaleiro Rio Maguari (ERM), além da MTU (sistemas de motorização a gás) e a Rolls-Royce (sistemas de propulsão) — estas duas pertencentes ao mesmo grupo. A empresa também está em fase de fechamento com uma empresa de navegação da região Amazônica, a ser definida em breve e se juntar ao projeto. O presidente da Amazonica, Marcelo Araújo, afirma que o projeto vem sendo idealizado desde 2014, com estudos técnicos, de infraestrutura e de hidrologia, desafios para entrega de gás na região, além de questões regulatórias, tributárias e ambientais.

O objetivo é obter financiamento entre 80% e 85% do projeto via Fundo da Marinha Mercante (FMM). Os sócios pretendem submetê-lo na 41ª reunião do conselho diretor do FMM, prevista para o dia 4 de julho. O restante virá de private equity da sociedade de propósito específico (SPE), que será formada por parceiros estratégicos e instituições financeiras brasileiras e estrangeiras dispostas a fazer financiar o projeto e oferecer garantias. A previsão inicial é de R$ 20 milhões em investimentos em 2019, principalmente para estudos de engenharia. Além de Araújo, que é engenheiro elétrico e foi consultor da Petrobras, e Melendez, engenheiro mecânico e ex-diretor da Rolls-Royce, a Amazonica tem como sócio o engenheiro civil Lívio Assis, ex-diretor da Celpa.

O GNL é uma alternativa ao diesel, combustível predominante na região Norte, e que também serve para substituição de coque, madeira e carvão. Os empresários identificaram demandas de gás para geração elétrica em sistemas isolados de geração de energia elétrica, no agronegócio, mineração, e em atividades industriais como as de fertilizantes e cerâmicas. O gás pode atender a Amazônia leste, a região central e o extremo oeste da região. A Amazonica possui autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para comercialização de gás natural no Brasil. O gás natural será importado e trazido por navios gaseiros, provavelmente do Golfo do México, até a região Norte, onde serão distribuídos por meio das balsas.

A tendência, segundo esse modelo de negócios, é que os clientes industriais de grande porte realizem a regaseificação em suas próprias instalações. Para os clientes de pequeno e médio porte, a Amazonica vai oferecer uma tecnologia de regaseificação modular por meio de um parceiro. Melendez ressalta que o sistema é de operação e manutenção simples e acrescenta que esse tipo de tecnologia já é realidade na Ásia e em países como Alemanha e Estados Unidos. Ele acrescenta que a diferença para construção, basicamente, será a motorização, já que a embarcação precisa de um tanque gás para armazenar o combustível.

Algumas das barcaças estão sendo projetadas para carregar tanktainers no seu convés principal, que consistem em contêineres de 40 pés com tanque criogênico dentro. As barcaças serão configuradas considerando a capacidade de armazenamento das unidades e o calado dos rios, já que existem trechos que chegam a ficar com profundidades entre três e quatro metros na baixa estação. “Nossos desenhos de referência estão sendo feitos para navegação de calado raso para atender as áreas mais remotas”, ressalta Araújo. Danilo Oliveira – Brasil in “Portos e Navios”

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Brasil - Estudo avaliará deficiências competitivas na cabotagem e no apoio marítimo

O Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) contratou um estudo para identificar as principais deficiências competitivas nos mercados brasileiros de cabotagem e de apoio marítimo. O objetivo é discutir já com o próximo governo mudanças para que, futuramente, as empresas locais sejam tão competitivas quanto as internacionais. O sindicato defende que o marco regulatório (Lei 9432/1997) e o Fundo da Marinha Mercante são os pilares fundamentais para sobrevivência das empresas e para o crescimento da navegação brasileira no médio prazo.

O presidente do Syndarma, Bruno Lima Rocha, explicou que o objetivo do levantamento é comparar custos operacionais das empresas brasileiras com os de empresas estrangeiras em outros mercados, além de identificar o que é preciso corrigir para se tornarem mais competitivas internacionalmente. No apoio marítimo, a ideia é olhar o perfil de custos de dois dos principais mercados mundiais: Golfo do México e Mar do Norte.

“Para conseguirmos ser competitivos e termos preços de frete ou de afretamento de barcos de apoio competitivos em relação ao mercado internacional, precisamos discutir onde estão as diferenças entre nossos custos e custos internacionais”, disse durante o seminário “O Futuro da Indústria Naval”, promovido pelo jornal Valor Econômico na última segunda-feira (27), no Rio de Janeiro.

Na visão do sindicato, a cabotagem vem crescendo consistentemente há muitos anos, sobretudo transporte de contêineres. O vice-presidente do Syndarma e presidente da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), Cleber Lucas, destacou que a modalidade de navegação vem crescendo dois dígitos nos últimos 10 anos. Ele disse que o crescimento da cabotagem de contêineres foi de 13,1% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2017. “Crescendo mesmo com questões que roubam nossa competitividade mostra o que está reservado para cabotagem se esses pesos forem retirados da atividade”, ponderou.

No caso do apoio marítimo, o Syndarma acredita que possa haver novas encomendas em dois anos devido à recuperação do setor, ao aumento da produção e à maior participação de petroleiras estrangeiras, que podem passar a representar até 20% da demanda por barcos de apoio no mercado brasileiro no futuro. A associação destaca que o Brasil é mais competitivo nesse segmento na medida em que a maioria dos barcos em operação é de bandeira brasileira e construída em estaleiros nacionais. Danilo Oliveira – Brasil in “Portos e Navios”

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Brasil – Estaleiro Atlântico Sul conclui primeiro navio Aframax construído no país



Pernambuco entra para a história da navegação marítima como o primeiro estado brasileiro a construir um navio petroleiro Aframax. Com investimento no valor de R$ 250 milhões, o petroleiro Castro Alves de 248 metros de extensão que carrega até 120 mil toneladas, foi construído no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), instalado no Complexo Industrial Portuário de Suape. A embarcação foi financiada pelo Fundo da Marinha Mercante do Brasil. Para conferir de perto a grandiosidade do investimento, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro, visitou o EAS na manhã desta segunda-feira (23/04), na companhia do governador Paulo Câmara, do presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Marcos Baptista, e, dos deputados federais Tadeu Alencar e Betinho Gomes. A visita também foi acompanhada pela imprensa pernambucana.

Harro Burmann, presidente do EAS, explicou durante a visita que o Castro Alves será entregue ainda este mês. “Hoje posso dizer que esse navio visitado tem uma margem bruta de R$ 120 milhões de reais. No passado, a cada navio que se entregava se perdia um navio. Temos um navio com qualidade indiscutível e dentro do custo e prazo planejado. Também não podemos esquecer o mais importante: feito por brasileiros”, comemorou Burmann, que, luta para atrair novas encomendas para o EAS.

Paulo Câmara garantiu o apoio a manutenção do empreendimento. “Estamos juntos do estaleiro desde o início. Sabemos da importância da indústria e temos aqui um estaleiro de nível mundial, fruto da aposta em Pernambuco e da mão de obra pernambucana. É uma luta que estamos juntos. O ministro conheceu o empreendimento e sai sensibilizado. Nosso estaleiro dá conta do recado e é importantíssimo para a geração de emprego no estado e renda no Brasil”, afirmou.

Para o ministro Casimiro, o setor merece toda atenção da pasta e esta ação é uma indicação de um começo de recuperação. “Temos a consciência de que o momento da indústria naval é bastante desafiador e exigirá ações estruturantes. Sendo assim, o Ministério dos Transportes está empenhado em resgatar o setor. Por isso, estamos mantendo um diálogo com o Governo Federal para formular políticas que dinamizem o segmento”, reforçou.



O Castro Alves é o 11º navio fabricado no empreendimento. Restam, portanto, apenas quatro embarcações da Transpetro para serem finalizadas no EAS. Burmann apresentou o Aframax como a prova de que o empreendimento tem capacidade para receber novas encomendas. Ele articula até uma visita da diretoria da Petrobras ao EAS e ao Castro Alves. “Só a estatal deve contratar 80 plataformas, 160 navios aliviadores e 50 navios de cabotagem nos próximos 25 anos para atender à demanda do pré-sal”, detalha.

Entre 2010 e 2017, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) já financiou a construção de 510 embarcações em estaleiros brasileiros. Só em Pernambuco, foram 2 estaleiros e 23 embarcações. Entre os navios, os modelos Aframax e PLSV (Pipe Laying Support Vessel) tiveram 90% dos seus custos financiados pelo FMM, sendo o restante pela Transpetro e outro pela Dofcon, totalizando R$ 1,25 bilhão. Para o ministro, esses equipamentos mostram a importância do Fundo com a construção naval brasileira, que certamente será reaquecida com a estabilidade econômica do país.

60 ANOS FMM – O Fundo é gerenciado pelo Ministério dos Transportes e seus recursos são destinados ao financiamento para projetos de embarcações e estaleiros. Ele foi constituído em abril de 1958 e está completando 60 anos em 2018. Jéssica Lima – Brasil In “Suape”