Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Macau – Vírus Nipah leva autoridades a reforçar avaliação médica nas fronteiras

Devido às infecções do vírus Nipah detectadas na Índia, as autoridades de Macau decidiram reforçar a vigilância médica nas fronteiras, apesar de não haver voos directos do território para aquele país. Sublinhando que estão a acompanhar a situação, os Serviços de Saúde indicaram que vão intensificar a avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços “para quem tenha história de viagem e apresenta sintomas”


As autoridades da RAEM vão reforçar a vigilância nas fronteiras, devido ao vírus Nipah, na sequência de um alerta epidemiológico lançado pelas autoridades de saúde da Índia. O vírus, que foi identificado no estado de Bengala Ocidental, já resultou em pelo menos dois casos confirmados e levou à quarentena de 190 pessoas. Os Serviços de Saúde (SSM) afirmaram ontem estar a “acompanhar atentamente a situação” causada pela infecção do vírus no leste da Índia, apelando aos residentes para “evitarem deslocar-se àquela região”.

“Os indivíduos que se encontram no local devem tomar as devidas medidas preventivas e, em caso de aparecerem sintomas de gripe após o regresso a Macau, devem recorrer ao médico o mais rápido possível e informar sobre a história de viagem e de contacto”, sublinhou o organismo.

Apesar de não haver voos directos entre Macau e a Índia, “por uma questão de precaução, vai ser reforçada avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços para quem tenha história de viagem e apresenta sintomas”, indicaram os SSM.

Também o Governo de Hong Kong anunciou um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto vindos da Índia. Em comunicado, citado pela Lusa, o director do Serviço para a Protecção de Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, confirmou o destacamento de equipas para o aeroporto.

O objectivo é “realizar o rastreio da temperatura dos viajantes nas portas de embarque relevantes, realizar avaliações médicas em viajantes sintomáticos e encaminhar casos suspeitos com potencial impacto na saúde pública para os hospitais para exame”, explicou o dirigente.

Apesar da medida, Edwin Tsui sublinhou que, até à data não foi registado em Hong Kong nenhum caso de infecção pelo vírus Nipah e que não existem voos directos entre o território e Calcutá, capital do estado indiano de Bengala Ocidental.

Por cá, os SSM referem que o Nipah é um vírus zoonótico que pode ser fatal. “Os morcegos frugívoros são os hospedeiros naturais do vírus Nipah, e este pode ser transmitido aos seres humanos através de alimentos contaminados (geralmente frutas ou produtos derivados de frutas) ou através de contacto com porcos infectados, ou directamente entre as pessoas”, sublinha.

A infecção pelo vírus Nipah causa desde sintomas assintomáticos até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal, com uma taxa de mortalidade estimada entre 40% e 75%. Os primeiros sintomas são similares aos da gripe, e nos casos mais graves pode haver dificuldades respiratórias, tonturas, sonolência, confusão mental, entre outros. Geralmente, o período de incubação varia entre quatro e 14 dias, sendo o máximo de 45 dias.

Os surtos do vírus Nipah, para o qual ainda não existe vacina ou cura aprovadas, ocorrem quase anualmente no Bangladesh e no estado indiano vizinho de Bengala Ocidental, ocasionalmente, noutros países do sul e sudeste da Ásia. A Índia registou os primeiros surtos em humanos em Bengala Ocidental, em 2001 e 2007, quando foram registadas pelo menos 50 mortes. O surto mais recente, em Julho de 2015, resultou em duas mortes no estado de Kerala, no sul do país.

OMS acredita que Índia conseguirá travar surto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera “baixo” o risco de expansão na Índia do vírus Nipah, um agente patogénico altamente letal para o qual não existe vacina ou tratamento antiviral específico, após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental e a declaração de alerta epidemiológico pelas autoridades indianas. “A Índia tem capacidade para conter estes surtos, como foi comprovado em casos passados”, disse um porta-voz da agência da ONU em resposta à EFE, assegurando que a OMS tem estado em contacto com as autoridades de saúde indianas para realizar uma avaliação de risco e fornecer apoio técnico. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


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