Devido às infecções do vírus Nipah detectadas na Índia, as autoridades de Macau decidiram reforçar a vigilância médica nas fronteiras, apesar de não haver voos directos do território para aquele país. Sublinhando que estão a acompanhar a situação, os Serviços de Saúde indicaram que vão intensificar a avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços “para quem tenha história de viagem e apresenta sintomas”
As autoridades da RAEM vão reforçar a
vigilância nas fronteiras, devido ao vírus Nipah, na sequência de um alerta
epidemiológico lançado pelas autoridades de saúde da Índia. O vírus, que foi
identificado no estado de Bengala Ocidental, já resultou em pelo menos dois
casos confirmados e levou à quarentena de 190 pessoas. Os Serviços de Saúde
(SSM) afirmaram ontem estar a “acompanhar atentamente a situação” causada pela
infecção do vírus no leste da Índia, apelando aos residentes para “evitarem
deslocar-se àquela região”.
“Os indivíduos que se encontram no local devem tomar as
devidas medidas preventivas e, em caso de aparecerem sintomas de gripe após o
regresso a Macau, devem recorrer ao médico o mais rápido possível e informar
sobre a história de viagem e de contacto”, sublinhou o organismo.
Apesar de não haver voos directos entre Macau e a Índia,
“por uma questão de precaução, vai ser reforçada avaliação e exames médicos nos
postos fronteiriços para quem tenha história de viagem e apresenta sintomas”,
indicaram os SSM.
Também o Governo de Hong Kong anunciou um reforço dos
controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto vindos da Índia.
Em comunicado, citado pela Lusa, o director do Serviço para a Protecção de
Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, confirmou o destacamento de equipas para o
aeroporto.
O objectivo é “realizar o rastreio da temperatura dos
viajantes nas portas de embarque relevantes, realizar avaliações médicas em
viajantes sintomáticos e encaminhar casos suspeitos com potencial impacto na
saúde pública para os hospitais para exame”, explicou o dirigente.
Apesar da medida, Edwin Tsui sublinhou que, até à data
não foi registado em Hong Kong nenhum caso de infecção pelo vírus Nipah e que
não existem voos directos entre o território e Calcutá, capital do estado
indiano de Bengala Ocidental.
Por cá, os SSM referem que o Nipah é um vírus zoonótico
que pode ser fatal. “Os morcegos frugívoros são os hospedeiros naturais do
vírus Nipah, e este pode ser transmitido aos seres humanos através de alimentos
contaminados (geralmente frutas ou produtos derivados de frutas) ou através de
contacto com porcos infectados, ou directamente entre as pessoas”, sublinha.
A infecção pelo vírus Nipah causa desde sintomas
assintomáticos até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal, com uma
taxa de mortalidade estimada entre 40% e 75%. Os primeiros sintomas são
similares aos da gripe, e nos casos mais graves pode haver dificuldades
respiratórias, tonturas, sonolência, confusão mental, entre outros. Geralmente,
o período de incubação varia entre quatro e 14 dias, sendo o máximo de 45 dias.
Os surtos do vírus Nipah, para o qual ainda não existe
vacina ou cura aprovadas, ocorrem quase anualmente no Bangladesh e no estado
indiano vizinho de Bengala Ocidental, ocasionalmente, noutros países do sul e
sudeste da Ásia. A Índia registou os primeiros surtos em humanos em Bengala
Ocidental, em 2001 e 2007, quando foram registadas pelo menos 50 mortes. O
surto mais recente, em Julho de 2015, resultou em duas mortes no estado de
Kerala, no sul do país.
OMS acredita que Índia conseguirá travar surto
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera “baixo” o
risco de expansão na Índia do vírus Nipah, um agente patogénico altamente letal
para o qual não existe vacina ou tratamento antiviral específico, após a
confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental e a declaração de
alerta epidemiológico pelas autoridades indianas. “A Índia tem capacidade para
conter estes surtos, como foi comprovado em casos passados”, disse um porta-voz
da agência da ONU em resposta à EFE, assegurando que a OMS tem estado em
contacto com as autoridades de saúde indianas para realizar uma avaliação de
risco e fornecer apoio técnico. Catarina Pereira – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”
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