Realizado anualmente num dos morros mais pitorescos de Goa, o Festival de Música do Monte, organizado pela Fundação Oriente, oferece vistas deslumbrantes do Rio Mandovi, as suas ilhas, um santuário de pássaros nas proximidades e o icónico centro histórico de Goa Velha, Património Mundial da UNESCO.
Criado em 2002, após a restauração da Capela de Nossa
Senhora do Monte, do século XVI, pela Fundação Oriente, o festival foi
concebido como uma plataforma para o intercâmbio artístico entre as tradições
clássicas ocidentais e indianas.
Ao longo dos anos, tornou-se um importante encontro
cultural que vai além da música e da dança, acolhendo artistas de Portugal e da
Índia que compartilham não apenas os seus desempenhos, mas também a rica
herança das suas regiões.
A edição de 2026 será realizada nos dias 30 e 31 de
janeiro e 1º de fevereiro, no pátio da Capela de Nossa Senhora do Monte, em Goa
Velha, transformando mais uma vez o sereno pátio da capela num espaço para
diálogo e celebração cultural. Esta é a quarta edição do festival sob a direção
do Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes, diretor da Fundação Oriente, que conta com o
apoio da equipa da Fundação Oriente.
O Festival de Música de Monte não exigirá ingressos para
nenhum dos seus concertos e haverá dois autocarros para levar os visitantes do
Gandhi Circle, em Goa Velha, até a Capela de Nossa Senhora do Monte, também em
Goa Velha. O Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes informa: “A próxima edição do
Festival de Música de Monte reunirá, através da música e da dança, diferentes
elementos e diferentes partes da Índia e de Portugal. De Rajasthan, Gujarat,
Ahmedabad, Mumbai e Delhi, na Índia, e de Lisboa e Alentejo, região no sul de
Portugal, uma mistura de grandes músicos que oferecerá não apenas um festival
de música e dança, mas também um evento cultural. Este é o ingrediente mais
importante para nós no Festival de Música de Monte.
Claro que não podemos esquecer os artistas goeses, pois
abriremos o Festival de Música de Monte com Sonia Shirsat e os seus amigos,
todos goeses, para promover também os artistas, a música e a língua goesa.”
Falando sobre Ricardo Ribeiro, que encerrará o festival,
o Dr. Paulo Gomes afirma: “Ele é um fadista português com uma voz inesquecível,
que combina com maestria o fado clássico com influências contemporâneas. Hoje,
é considerado uma das vozes mais influentes do fado em Portugal.” A Fundação
Oriente tem o dom de selecionar apresentações excepcionais ano após ano,
mantendo o festival vibrante e atual, apresentando artistas nacionais e
internacionais raramente vistos no país.
“Trabalhamos na área das artes e
seguimos certos critérios. Em primeiro lugar, recebemos um grande número de
propostas de músicos indianos e portugueses. Para cada edição, os artistas são
selecionados pela equipa curatorial responsável naquele ano. Temos um amplo
banco de dados, o que facilita o processo de seleção em termos de qualidade,
pois oferece uma grande variedade de opções. Dito isso, “Nunca é fácil escolher
alguns artistas e não outros que também gostaríamos de convidar, isso faz parte
do processo. No geral, graças ao volume de propostas que recebemos e ao nosso
extenso banco de dados, a nossa missão é facilitada nesse sentido”, explica o
Dr. Paulo Gomes. Dolcy D'Cruz – Goa in “O
Heraldo”
Programa
30 de janeiro |
19h, HORIZONTES EM TRANSFORMAÇÃO, COM O CORO AO NAGA. Horizontes em
Transformação é uma jornada musical que celebra as tradições vivas do nordeste
da Índia. Enraizado nas tradições culturais Naga, o Coro representa com orgulho
a sua herança por meio de trajes tradicionais, paisagens sonoras indígenas e desempenhos
que incorporam o espírito e o legado dos seus ancestrais.
30 de janeiro |
17h45 CALIDOSCÓPIO – UMA SINFONIA DE CORES EM SOM, POR SÓNIA SHIRSAT E AMIGOS O
FMM 2026 será inaugurado com uma apresentação da cantora goesa Sónia Shirsat,
acompanhada por cinco músicos goeses. Eles apresentarão canções em português e
concani, destacando os laços históricos entre Goa e Portugal, bem como o idioma
oficial de Goa, o concani. O grupo será composto por Carlos Menezes, Allan
Abreu, Prathamesh Chari, Irshad Khalifa e Franz Schubert Cotta.
31 de janeiro |
17h45 “ROOTS” – ONDE AS MELODIAS ESQUECIDAS DA ÍNDIA ENCONTRAM A SUA VOZ
NOVAMENTE, POR ASAD KHAN E AMIGOS Liderado pelo mestre do sitar reconhecido
pelo Grammy, Asad Khan, o Roots é um coletivo musical que dá vida às ricas
melodias enterradas no solo cultural da Índia. Das tradições folclóricas do
Rajastão, Gujarat, Maharashtra, Assam e Bengala, Asad reinventa dhuns, taranas,
dohas e heets de casamento esquecidos, cada um enraizado nos humores da vida
indiana: amor, saudade, chuva, colheita, celebração e despedida. O conjunto
contará com Rais Khan, Dana Bharmal Harjan, Kalpa Joyti, Altamash Ansari e Jogi
Laxman Premji.
31 de janeiro |
19h 100 PAREDES E STUTI CHORAL & STRING ENSEMBLE Em 2025/2026, celebra-se o
centenário de Carlos Paredes, uma das figuras mais emblemáticas da cultura
portuguesa e embaixador mundial da guitarra portuguesa. Para homenagear este
marco, André Varandas e Bruno Costa criaram o projeto 100 Paredes. Em Goa, o
grupo 100 Paredes atuará ao lado do aclamado Stuti Choral & String
Ensemble, sob a direção de Parversh Java, com arranjos orquestrais do renomado
compositor brasileiro Rodrigo Morte.
1º de fevereiro |
17h45 SAMANVAYA – HARMONIA POR RAUL & MITALI Mitali-Raul e a sua trupe
apresentam Samanvaya – Harmonia; uma confluência de música e movimento, Odissi
e Bharatanatyam, tradição e inovação, ritmo e expressão, património e
contemporaneidade.
1 de fevereiro |
19h RICARDO RIBEIRO A voz de Ricardo Ribeiro, descrita como "uma vez
ouvida, jamais esquecida", tornou-se um nome essencial no fado
contemporâneo. Com uma presença vocal que evoca vida e morte num só fôlego, ele
continua a trilhar o seu próprio caminho entre o fado tradicional e o futuro do
género.
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