Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Camilo Castelo Branco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Camilo Castelo Branco. Mostrar todas as mensagens

domingo, 2 de novembro de 2025

Índia - Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli promove leitura de “Amor de Perdição”

No âmbito das comemorações do bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco, o Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli dedica o IV Grupo de Leitura de Autores de Língua Portuguesa à leitura integral do clássico “Amor de Perdição”


O IV Portuguese Book Club decorrerá ao longo de um mês, com encontros semanais online às quartas-feiras, nos dias 5, 12, 19 e 26 de novembro, entre as 18h00 e as 20h00 (hora local).

A participação é livre mas sujeita a inscrição obrigatória, através de um formulário online. A iniciativa está aberta a leitores da Índia e de outros países, com ou sem domínio da língua portuguesa. Os participantes poderão optar por ler o romance na sua versão original ou na tradução inglesa de Alice R. Clemente.

As sessões semanais, que servirão para discutir e refletir sobre as leituras individuais, serão dinamizadas em inglês por João Ribeirete, Diretor do Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Chile - Semana da Língua Portuguesa homenageia escritores portugueses

Na semana passada, decorreu, no Chile, a Semana da Língua Portuguesa, iniciativa organizada pela Cátedra Fernão de Magalhães na Universidade de Playa Ancha. O evento, dedicado à literatura em língua portuguesa, destacou dois dos maiores escritores nacionais: Camilo Castelo Branco e José Cardoso Pires, que em 2025 assinalam, respetivamente, os 200 e 100 anos do seu nascimento


A programação contou ainda com a participação da poeta portuguesa Sandra Santos, que apresentou a sua obra ao público chileno, reforçando a presença cultural de Portugal no país. A Embaixadora de Portugal no país marcou presença na sessão de encerramento.

Criada em 2018 através de um acordo entre o Instituto Camões e a Universidade de Playa Ancha, a Cátedra Fernão de Magalhães é um programa de investigação dedicado ao estudo do oceano, evocando um dos principais momentos de encontro entre Portugal e o Chile, associado à figura do navegador português. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Portugal - Festival Literário Correntes d’Escritas assinala legado de Camões e Camilo

O Festival Literário Correntes d’Escritas, que se realiza na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, vai dedicar parte da programação da sua 26.ª edição ao legado das obras de Luís de Camões e Camilo Castelo Branco.



O certame, que acontece entre 15 e 22 de fevereiro nesta cidade do litoral norte, reúne, desta vez, 100 autores de expressão ibérica, sendo 30 estreantes no evento, numa lista de convidados onde figura o cabo-verdiano Germano Almeida, Prémio Camões de 2018 e autor do novo livro “Crime nas Correntes d’Escritas”.

“Estando a festejar os 500 anos [do nascimento] de Luís de Camões tínhamos de o assinalar no Correntes d’Escritas como o grande poeta português. Já Camilo Castelo Branco, que tinha uma grande ligação à Póvoa de Varzim, onde passava grandes temporadas, é um dos grandes artífices da nossa língua, e quando se comemora os 200 anos do seu nascimento não poderíamos ficar indiferentes”, explicou hoje Luís Diamantino, vereador com o pelouro da Cultura da Câmara da Póvoa de Varzim, na apresentação do evento.

O autarca, que foi um dos obreiros da criação do Correntes d’Escritas, está em final de mandato e mostrou-se satisfeito por o festival se ter, nestes anos, estabelecido no panorama cultural português

“O importante é ter ajudado a que o Correntes exista por si só, independentemente das pessoas que o organizam. Sempre acreditei que isso iria acontecer, e ver um recente estudo que aponta que 30% da população portuguesa já teve contacto com o evento através da Comunicação Social é muito gratificante e importante para uma cidade que tem como desígnio a cultura, o lazer e o turismo”, acrescentou Luís Diamantino.

Um dos momentos altos do Correntes d’Escritas será a atribuição do Prémio Literário Casino da Póvoa de Varzim, no valor 25 mil euros, e que este ano tem a concurso 11 obras, de autores de língua portuguesa, de países como Portugal, Brasil e Angola.

A concurso estão livros de João Luís Barreto Guimarães, Luísa Freire, Andreia C. Faria, Adília Lopes (1960-2024), Jorge Gomes Miranda, João Melo, Ricardo Gil Soeiro, Paulo Tavares, Eucanaã Ferraz, Bernardo Pinto de Almeida e Nuno Júdice (1949-2024), sendo o vencedor conhecido no dia inaugural do evento.

Ainda nesse primeiro dia terá lugar, no Cine-Teatro Garrett, palco central do evento, a conferência de abertura, proferida, este ano, por Hélder Macedo, poeta, romancista, professor e investigador literário português, radicado há vários anos em Inglaterra, que vai subordinar a sua intervenção ao tema “Luís de Camões: conhecer não ter conhecimento”.

Nesta 26.ª edição do Correntes d’Escritas serão reforçadas algumas das atividades âncora do certame, como a feira do livro, exposições, sessões nas escolas e também a ida do evento às freguesias do concelho da Póvoa de Varzim, com a presença de escritores.

“Finamente vamos conseguir levar o Correntes d’Escritas a todas as freguesias da Póvoa de Varzim, é um grande desafio, mas que estamos certos que vai aproximar, ainda mais, as pessoas a este evento”, sublinhou o vereador Luís Diamantino.

Segundo números divulgados pela organização, desde a primeira edição, no ano de 2000, já passaram pelo Correntes d’Escritas 1000 autores, num evento que totaliza um número total de 200 mil espectadores, tendo sido, nos últimos 25 anos, lançados mais 500 livros durante o festival. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


domingo, 12 de abril de 2015

A revolução camiliana


I

Em 1994, à época que desenvolvia pesquisas sobre a vida e a obra do poeta Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), deparava-me frequentemente na sala de leitura da Biblioteca Nacional de Lisboa (BNL) com um colega de pesquisas que se destacava porque estava sempre trajado com uma guayabera ou slack, espécie de farda de mangas curtas, que se veste por cima das calças, muito usada na região do Caribe e popularizada no Brasil, na década de 1960, pelo presidente Jânio Quadros (1917-1992).

Foi preciso, no entanto, a coincidência de uma viagem num domingo numa caminhoneta de Lisboa para Abrantes para que nos aproximássemos. Como não poderia faltar numa conversa entre pesquisadores, quis saber o que tanto pesquisava. Ele me respondeu: – Camilo. Como à época eu acabara de escrever um ensaio intitulado “O poema de forma livre: Oito Elegias Chinesas, de Camilo Pessanha”, que seria publicado na Revista Vértice, de Lisboa, nº 65, março-abril de 1995, acrescentei de supetão: – Camilo Pessanha... E ele respondeu: – Não, o outro. Só mais tarde é que eu descobriria que, em Portugal, só Camilo se refere sempre a Camilo Castelo Branco (1825-1890). Já Camilo Pessanha (1867-1926) exige sempre que se acrescente o sobrenome para identificá-lo. Nos dias seguintes, quando cruzávamo-nos nos corredores da sala de leitura da BNL, ele sempre me recomendava: – Não deixe de estudar também Camilo, o outro, dizia, sorrindo, com ironia. 

Só agora, vinte e um anos depois daqueles encontros rápidos e acidentais, em meio a jornais e papéis amarelecidos, reencontro o espírito daquele velho pesquisador da BNL – até porque a nossa alma sempre fica impregnada naquilo que escrevemos –, ao ler Futilidade da novela: a revolução romanesca de Camilo Castelo Branco (Campinas, Editora da Unicamp, 2012), em que o seu autor, o professor Abel Barros Baptista (1955), cita largamente Alexandre Cabral (1917-1996), com certeza, o maior pesquisador da obra e da vida do grande romancista português, autor de Dicionário de Camilo (Lisboa, Editora Caminho, 1989) e outros tantos livros sobre a obra camiliana.

II

Em Futilidade da novela, título que tirou de uma observação de Camilo que consta do prefácio que escreveu para Amor de perdição (1879) e que serve de epígrafe, Abel Barros Baptista reúne ensaios produzidos ao longo de sua vida de estudioso da obra camiliana em que procurou mostrar que o autor teve “uma visão mais ampla e mais moderna” do romance que a de Eça de Queiroz (1845-1900), ao romper com “os pilares da noção de romance que se imputa à forma queirosiana”.  E que é falsa a noção de etapa de imaturidade atribuída a Camilo, argumentando que, na verdade, foi ele quem fez uma revolução no romance português, a que chama de revolução camiliana.

É no capítulo 4, “Da prática – guerrilha e nome próprio” – que Baptista se detém mais tempo em Alexandre Cabral, a quem atribui o primeiro esforço de explicar segundo um princípio de coerência a dimensão do trabalho de Camilo, ao defender a tese da “noção de profissionalismo” do romancista, que consta do prefácio para o segundo volume de As polêmicas de Camilo (1962-1970, reeditado em 1981-1982). Para Cabral, se muitas vezes, aos olhos de hoje, Camilo aparece como um oportunista ou mercenário das letras, pode-se atribuir essa noção à ideia de profissionalismo que ele assumia, ao trabalhar em periódicos e passar a defender os argumentos do proprietário da publicação.

É o que se dá hoje com os jornalistas profissionais que, por uma questão de sobrevivência, assumem-se como ghost writers de políticos e empresários ou mesmo aqueles que escrevem os editoriais dos jornais que assumem posições que, em seu íntimo, não assumiriam. É por isso que, como dizia Cabral, Camilo pode aparecer, muitas vezes, como “escritor católico, miguelista, constitucional etc. etc., até ao extremo de se confessar ateu”. Para Cabral, “Camilo era, a seu modo, aquilo que eram os seus amigos de ocasião e refletia-se em si a ideologia dos jornais em que trabalhava profissionalmente”.

Para Baptista, essa “noção de profissionalismo” em Camilo não deve ser vista como uma mancha na carreira do escritor nem serve para concluir que “a sua importante obra romanesca se fez apesar dela”. Ou seja, como folhetinista, ele escrevia de acordo com a ocasião, ou seja, de acordo com a orientação do patrão para o qual trabalhava. Para Baptista, “se Camilo se diz disponível para escrever romances despóticos, jesuítas, jasenistas, cabralistas, ou monárquico-representativos, é porque ele próprio é tudo isso e ao mesmo tempo não é nada disso: paradoxo do romancista, a juntar ao paradoxo do ator como o entendia Diderot”.  Por aqui se vê o que aguarda neste livro o leitor interessado na obra camiliana.

III

Abel Barros Baptista
Abel Barros Baptista é professor titular de Literatura Brasileira da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Autor de Camilo e a revolução camiliana (1988), seu primeiro livro, retomado agora em Futilidade da novela: a revolução romanesca de Camilo Castelo Branco, escreveu com Luísa Costa Gomes O defunto elegante, romance epistolar, publicado em 1996, e com Gustavo Rubim Importa-se de me emprestar o Barroco?, ensaio literário/ficção, que saiu à luz em 2003.

Escreveu, sobretudo, ensaios no campo específico da literatura portuguesa e brasileira, especialmente sobre Machado de Assis: A formação do nome. Duas interrogações sobre Machado de Assis (Lisboa, 1991, Prêmio de Ensaio do Pen Club de Portugal; Editora da Unicamp, 2003); e Autobibliografias. Solicitações do livro na ficção de Machado de Assis (Lisboa, 1998, Grande Prêmio de Ensaio da APE; Editora da Unicamp, 2003).

Os seus últimos livros são Coligação de Avulsos. Ensaios de Crítica Literária (Lisboa, 2003), Ensaios Facetos (Lisboa, 2004), O Livro Agreste. Ensaio de curso de literatura brasileira (Editora da Unicamp, 2005), e De espécie complicada (Coimbra, 2010). Desde 1997, é diretor-adjunto da revista Colóquio/Letras. Dirigiu para as Edições Cotovia, de Lisboa, o Curso Breve de Literatura Brasileira, coleção de catorze volumes (2005/2006). Adelto Gonçalves - Brasil

____________________________________________ 
Futilidade da novela: a revolução romanesca de Camilo Castelo Branco, de Abel Barros Baptista. Campinas: Editora da Unicamp, 292 págs., 2012. Site: www.editora.unicamp.br E-mail: vendas@editora.unicamp.br

____________________________________________ 
Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003) e Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br