Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Portugal – X Congresso de Ornitologia 2019 da SPEA

O X Congresso de Ornitologia da SPEA vai ter lugar em Peniche, de 2 a 5 de março de 2019. Ornitólogos amadores e profissionais podem submeter propostas de apresentações até 31 de outubro de 2018

O maior evento nacional dedicado à ornitologia decorrerá de 2 a 5 de março de 2019, na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, em Peniche. Para além das apresentações, workshops e sessões de posters, o congresso incluirá ainda saídas de campo e exposições. Até 07 de novembro de 2018, todos os ornitólogos são convidados a submeter propostas para o X Congresso de Ornitologia da SPEA.

Durante os 4 dias de trabalhos, os participantes poderão trocar ideias, apresentar projetos, discutir resultados, e ainda fazer saídas de campo a alguns locais de especial importância para as aves: as Berlengas, o Paúl de Tornada e a Lagoa de Óbidos.

“O Congresso de Ornitologia da SPEA é uma referência para todos os que se dedicam ao estudo das aves, e uma oportunidade ideal para discutir as últimas descobertas e os avanços mais recentes para quem estuda e trabalha nesta área da ciência,” diz Domingos Leitão, Diretor Executivo da SPEA.

Encontram-se já confirmados quatro oradores convidados, que este ano incluem o Prof. Rory Wilson, da Universidade de Swansea no Reino Unido, reconhecido internacionalmente como pioneiro no uso de marcadores eletrónicos não invasivos, que permitem seguir os movimentos de animais – por exemplo durante a migração – sem efeitos adversos para o animal. Para além de Wilson, haverá palestras de Paula Sobral (Universidade Nova de Lisboa), Gonçalo Cardoso (Cibio, Universidade do Porto), Richard Phillips (British Antarctic Survey) e Inês Catry (CEABN, Instituto Superior de Agronomia).

O congresso, que se realiza de dois em dois anos, atraiu 200 participantes na última edição, em Vila Real. A organização espera uma participação igual ou superior na próxima edição em Peniche. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves - Portugal

África do Sul - Será primeiro país não europeu com ensino complementar de língua portuguesa

A África do Sul será no próximo ano o primeiro país fora da Europa a implementar a modalidade de ensino complementar de língua portuguesa



“Ficou assente com a coordenação do ensino da língua portuguesa o objetivo de lançarmos no decurso de 2019 os projetos de ensino de língua portuguesa enquanto ensino complementar, ou seja, mantendo o ensino integrado e, para aqueles que o quiserem, a oferta de ensino paralelo, mas lançando uma nova modalidade que já foi também desenvolvida no Luxemburgo e que terá na África do Sul o primeiro exemplo fora da Europa de modalidade de ensino complementar", afirmou José Luís Carneiro.

Em declarações à agência Lusa, no final de uma visita de quatro dias à África do Sul e eSwathini (antiga Swazilândia), José Luís Carneiro esclareceu que Portugal passa, assim, a disponibilizar três modalidades de ensino e de promoção do ensino da língua portuguesa neste país africano, antiga colónia britânica.

O governante português sublinhou que a medida é um dos "quatro importantes objetivos alcançados" na sua terceira visita à África do Sul.

"Quanto à África do Sul, eu destacaria a continuidade do reforço e dignificação dos serviços consulares, por intermédio da inauguração das novas instalações da secção consular na embaixada em Pretória, no seguimento dos investimentos realizados no Consulado-Geral de Joanesburgo", afirmou.

José Luís Carneiro referiu depois a homenagem e o reconhecimento realizado às Academias do Bacalhau, enquanto movimento de solidariedade internacional, por ocasião do seu 47.º Congresso Mundial que juntou em Joanesburgo, capital das tertúlias, dirigentes do movimento de todo o mundo.

Nesta ocasião, o secretário de Estado português homenageou com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, no grau ouro, o presidente da Academia, José Contente, "um dos líderes mais carismáticos deste movimento".

Na deslocação à África do Sul, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas destacou ainda os encontros que manteve com empresários no âmbito da South African Portuguese Chamber of Commerce e dos investidores portugueses na África do Sul, "quer também hoje com um grupo cada vez mais vasto de portugueses que, sendo investidores na África do Sul, investem em Portugal".

"E pude encontrar dois fluxos, quer um fluxo de reforço dos investimentos que estão a ser realizados, quer na modernização de infraestruturas empresariais, quer na criação de novas infraestruturas empresariais na África do Sul, quer também na aposta que hoje existe por parte de muitos desses empresários em Portugal", precisou.

Nos contactos que manteve com dirigentes associativos de Joanesburgo e Pretória, o governante adiantou que lhes lançou o desafio de lançar na África do Sul "um contrato coletivo de apoio ao desenvolvimento comunitário nas múltiplas dimensões da sua intervenção".

Segundo José Luís Carneiro, este "movimento agregador" visa desenvolver projetos associativos nas áreas humanitária, desportiva, social, cultural, promoção da língua portuguesa e de apoio aos empreendedores portugueses da diáspora com investimentos na África do Sul.

Sobre a visita ao reino de eSwathini (antiga Swazilândia), o secretário de Estado disse que no encontro com mais de uma centena de portugueses - a maioria com origens na região Norte e Centro de Portugal, sentiu "uma comunidade muito bem enraizada, com vontade de ali permanecer", tendo assumido o compromisso de relançar o ensino da língua portuguesa "na medida em que há cerca de 500 alunos como vontade de se inscreverem". In “Diário de Notícias” - Portugal

Brasil - Indústria: produtividade em alta

SÃO PAULO – Dados que constam de estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a produtividade do trabalho na indústria em 2017 ficou 2,3% superior à média dos principais parceiros comerciais do País em relação a 2016, reforçando uma tendência observada desde 2015. Entre os parceiros comerciais estão Estados Unidos, Argentina, Alemanha, México, Japão, França, Itália, Coreia do Sul, Países Baixos e Reino Unido.

Isso demonstra em números que a situação econômica do Brasil, apesar da turbulência ocasionada por um período de eleições extremamente marcado por posições radicais, não é tão ruim como anunciam os pregoeiros do caos. Basta ver que, como indica o citado estudo que, entre 2016 e 2017, a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira cresceu 4,3% e só não foi maior que a produtividade apresentada pela Coreia do Sul, que cresceu 5,8%.

Já os Países Baixos apresentaram desempenho semelhante ao do Brasil, com um aumento de 4,2% da produtividade. Depois, aparecem Argentina, com 3,8%, e Japão, com 3,3%. É de se lembrar que a produtividade do trabalho é medida como o volume produzido dividido pelas horas trabalhadas na produção. Nos últimos cinco anos (2012-2017), a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira mostrou recuperação e acumulou aumento de 9,1%. O Brasil registrou os mesmos números que Coreia do Sul.

É claro que não se pode, a partir desta constatação, concluir que o País segue em águas tranquilas rumo ao seu futuro grandioso e que nada se deve mais fazer. Pelo contrário. É preciso avançar, até porque a competitividade da indústria continua a ser um importante desafio para a economia brasileira, pois só com preços competitivos será possível aumentar os números da exportação. Para tanto, é preciso também que se aumente a qualidade da educação no País, a fim de se formar operários e dirigentes mais capacitados, além de se investir em ciência e tecnologia.

Obviamente, a competitividade da indústria para aumentar precisa também de investimentos em infraestrutura logística, com a ampliação e conservação das malhas rodoviária, ferroviária e hidroviária e de portos e aeroportos. Só assim será possível competir com os preços exibidos por produtos asiáticos e outros competidores não só no mercado externo como no interno.

Não se pode deixar também de assinalar que esses dados compilados para o estudo da CNI foram obtidos num período que foi marcado pela paralisação no transporte de carga rodoviária que se deu no mês de maio de 2018, como reflexo da greve dos caminhoneiros, ocorrência, de certo modo, inusitada na história do País. De fato, a tendência de alta na indústria de transformação brasileira retrocedeu no segundo trimestre do ano, com a produtividade caindo 3,4% em comparação com o mesmo período de 2017, interrompendo uma tendência de alta registrada desde o segundo trimestre de 2016.

Seja como for, a previsão para os próximos meses é que o indicador de produtividade volte a refletir o aumento da eficiência, o que significa que, apesar da crise econômica, as empresas têm se mostrado eficientes, reduzindo custos, sem fazer cortes drásticos na mão-de-obra, que se tem mostrado competente. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Brasil - Primeiro submarino brasileiro classe Scorpène será lançado ao mar em dezembro

Além disso, primeiro submarino nuclear será finalizado até 2028



Batizado de Riachuelo, o primeiro submarino da classe Scorpène construído no Brasil deverá ser lançado ao mar em 14 de dezembro deste ano. Além dele, outros três serão montados e lançados a cada 18 meses, até 2023. Há ainda a previsão de que o primeiro submarino nuclear seja concluído em 2028.

O anúncio foi feito pelo diretor geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha do Brasil, o almirante de esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, que apresentou o Programa Nuclear da Marinha (PNM) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), nesta sexta-feira. A palestra do almirante, realizada no auditório da Capitania Fluvial de Porto Alegre, no Centro Histórico, reuniu militares da Marinha do Brasil e representantes da Pucrs, Ufrgs, Fiergs e da empresa AEL Sistemas, que produz materiais para as Forças Armadas.

Bento Costa apresentou detalhes dos projetos e a importância dessas iniciativas para o desenvolvimento do Brasil. Sobre o projeto de submarinos, Júnior disse que o Brasil está recuperando a sua capacidade de construção. Ao detalhar o projeto, o almirante informou que o primeiro modelo de submarino (S-BR), baseado no projeto francês “Scorpene”, foi desenvolvido com transferência de tecnologia francesa do Naval Group em parceria com a Marinha do Brasil e está sendo montado no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro.

“O Programa Nuclear da Marinha do Brasil tem como objetivo dar maior segurança à costa brasileira e gerar impactos significativos na economia do país. Toda a atividade nuclear em território brasileiro é para fins pacíficos”, destacou o Almirante que é diretor geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha do Brasil. Bento Costa afirmou ainda que o país está entre os mais extensos do mundo (ocupa a sexta posição) e possui grandes reservas naturais.

Em relação à tecnologia, o almirante afirmou que o programa da Marinha do Brasil traz inovação, competitividade e desenvolvimento ao país e apresentou dados dos últimos dez anos do programa. Segundo ele, o Prosub movimentou 700 empresas civis nacionais, 18 universidades e institutos de pesquisa, e foi responsável pela geração 4,8 mil empregos diretos e 12,5 mil empregos indiretos.

Sobre o programa nuclear brasileiro, o almirante disse ele começou a operar em 1914 por meio de parcerias com países como Itália, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Já a origem do Programa do Submarino Nuclear remonta a década de 1970, com o Plano Estratégico da Marinha, que indicava a necessidade de projetar e construir submarinos de propulsão nuclear.

Na década de 1980 e 1990, foi firmada uma parceria com a Alemanha para a construção de cinco submarinos e a transferência de tecnologia. Em 2008, um acordo de parceria estratégica foi assinado com a França possibilitando a construção de quatro submarinos convencionais e um submarino de propulsão nuclear, além da construção de um estaleiro e de uma base naval. “O projeto básico do nosso submarino de propulsão nuclear foi finalizado e certificado pelos franceses em janeiro de 2017 e estamos na fase de detalhamento do projeto”, acrescentou. Cláudio Isaías – Brasil in “Poder Naval”

Internacional - Embarcação intacta com 2400 anos descoberta por arqueólogos no mar Negro

Uma equipa de arqueólogos, cientistas e mergulhadores descobriu no mar Negro aquilo que se julga ser o navio intacto mais antigo alguma vez encontrado - uma embarcação comercial grega



Segundo os especialistas, citados pela Associated Press (AP), a embarcação é tão antiga que só era conhecida por desenhos em antigos potes de cerâmica.

Análises de carbono já realizadas estimam que a embarcação tenha cerca de 2400 anos.

O grupo de pesquisadores adiantou que o navio naufragado foi localizado ao largo da costa da Bulgária, a uma profundidade de dois quilómetros, onde a falta de oxigénio ajudou a preservar o material.

O projeto arqueológico na zona demorou três anos na pesquisa e utilizou tecnologia de ponta usada pelas companhias de exploração petrolífera.

A indicativa permitiu localizar outras 60 embarcações, incluindo navios romanos que transportavam ânforas.

Uma exposição sobre o projeto será hoje exibida no Museu Britânico. In “Sapo24” - Portugal

Angola - Entidade Reguladora da Comunicação Social adere e preside a órgão lusófono do sector

A ERCA (Entidade Reguladora da Comunicação Social de Angola) vai aderir esta semana, durante um encontro em Luanda que decorre até sexta-feira, à Plataforma das Entidades Reguladoras dos medias no universo lusófono, passando a presidir ao organismo no final do encontro e durante o próximo ano



O VII Encontro desta plataforma que agrega todas as entidades e associações com autoridade de regulação da comunicação social nos países de língua oficial portuguesa, criada em 2009, começou hoje em Luanda e prolonga-se pelo resto da semana, tempo durante o qual este organismo internacional abordará os temais "Media, Género e Regulação" e o órgão angolano, recentemente criado, terá oportunidade de beber da experiência das homólogas mais antigas.

Todavia, esta entrada da ERCA na plataforma não é uma novidade para os seus integrantes, visto que sucede no lugar ao Conselho Nacional de Comunicação Social, organismo que até ao surgimento da ERCA detinha a autoridade de regulação do sector dos media.

O presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, proferiu o discurso de abertura do encontro, onde defendeu a importância da comunicação social para o fortalecimento da democracia.

Na sua intervenção, Fernando da Piedade Dias dos Santos fez a apologia de um jornalismo que corresponda aos valores "patrióticos, éticos, morais, cívicos e culturais" e defendeu que o jornalismo não abdique de defender a justiça e os direitos humanos tendo como referência aquilo que definiu como " princípios consensuais" por forma a não ferir princípios essenciais, como a dignidade da pessoa humana.

Sobre o encontro, citado pela Angola, o Presidente da Assembleia Nacional reafirmou o compromisso do órgão a que preside para se juntar aos esforços para fazer desta plataforma lusófona um espaço de exercício da cidadania participativa e defesa da liberdade de expressão.

Neste encontro estão presentes, para além de Angola, dirigentes dos órgãos de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Entre os palestrantes neste encontro vai estar Muniz Sodré, sociólogo que vem do Brasil, país que não integra a Plataforma das Entidades Reguladoras, e que abordará as questões da liberdade no jornalismo e a sua regulação.

Do programa deste encontro, organizado pelo Ministério da Comunicação Social, fazem ainda parte visitas a órgãos de comunicação social angolanos e uma visita ao Palácio da Cidade Alta, onde serão recebidos pelo Presidente João Lourenço. In “Novo Jornal” - Angola

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Tomás Pinto Brandão, um poeta renascido e revivido

                                                          I
Da vida do poeta seiscentista/setecentista Tomás Pinto Brandão (1664-1743), pouco se sabe, a não ser aquilo que ele mesmo deixou escrito em sua obra Vida socinta, e abreviada do autor – por hum dos Acadêmicos seu Contemporaneo, que consta da edição de 1753 do livro Pinto Renascido. Mas tomar como verdadeiro o que um poeta colocou em seus poemas nunca foi aceito como método de pesquisa pela historiografia porque, como se sabe, o vate não tem nenhum compromisso com a verdade e sempre deixa o seu alter ego fluir para além da imaginação.   

Este pesquisador mesmo teve de enfrentar esse problema quando se decidiu por pesquisar a vida e a obra dos poetas Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) e Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805). E, muitas vezes, à falta de documentos, não encontrou outra alternativa que não fosse recorrer ao futuro do pretérito para alinhavar alguma informação que constava de algum poema, mas sempre deixando claro que a fonte não seria confiável.

Nos casos de Gonzaga e Bocage, não faltam documentos de arquivo que permitam recompor a tumultuada trajetória que ambos percorreram, mas, de Pinto Brandão, de geração anterior, já não se pode dizer o mesmo. Até porque, ao contrário de Gonzaga, não foi funcionário régio e tampouco uma figura tão notória e polêmica em Lisboa como seria Bocage.

Talvez por isso o jornalista e pesquisador brasileiro Jair Rattner,  em seu trabalho de mestrado pela Universidade Nova de Lisboa, não se tenha deixado levar pela ideia de escrever uma biografia de Pinto Brandão, optando por uma edição crítica e um estudo do códice 50-I-11, Verdades Pobres ditas em Portugal, e nos Algarves daquem e dalem America, Africa, Etiopia etc. Primeira Parte. Offerecida à Magestade de elRey D. João V, nosso Senhor em o anno de 1717, que consta do arquivo da Biblioteca da Ajuda e reúne poemas do vate barroco. Não deixou, porém, de incluir uma “notícia biográfica”, além de explicações sobre o devido cotejo entre as edições originais e papéis dispersos que constam de diversos arquivos portugueses.

O resultado é um trabalho de arqueologia textual extremamente importante e inestimável que há de contribuir para preencher uma extensa lacuna nos estudos sobre o período barroco em Portugal, já que muitos dos escritos literários dessa época ainda dormem o sono solto dos arquivos, especialmente aqueles ligados ao joco-sério, poesia satírica, de  caráter realista e burlesca, que era praticada nos séculos XVII e XVIII.  Pois, afinal, os versos foram o que de mais precioso sobrou da biografia de um vate que esteve longe de ser um súdito bem comportado, pois nunca deixou passar a oportunidade de fazer uma pintura caricatural de seus desafetos, ora em tom de pilhéria, ora em tom obsceno, sem deixar de passar pela grosseria, pela chocarrice e até pela escatologia.

Enfim, este trabalho meticuloso, que procura fazer a edição diplomática do original setecentista, torna-se desde já, ao lado de Este é o bom governo de Portugal, antologia organizada por João Palma Ferreira (1931-1989), de 1976, e de Portuenses Ilustres, v. I, pp. 254-259, de Sampaio Bruno (1957-1915), de 1907, indispensável para quem quiser estudar a época e a obra do poeta.

                                               II
Nascido no Porto, Pinto Brandão não seria de família humilde, pois o pai era formado em Direito, status à época reservado a poucos. O pai, no entanto, seria um “mau letrado” que “baixara a requerente”, segundo o próprio poeta disse num de seus chistes, o que o teria levado, em 1680, aos 17 anos de idade, a mudar-se sozinho para Lisboa. Na capital do Reino, teria conhecido o poeta baiano Gregório de Matos Guerra (1636-1696), advogado desbocado que ficaria mais conhecido como “Boca do Inferno”, cuja amizade seria decisiva para o rumo desencontrado que tomaria sua vida. Quatro meses depois, ambos seguiriam para a Bahia, onde Pinto Brandão assentaria praça na guarnição local.

Na Bahia, como consta da biografia apensa ao Pinto Renascido, edição de 1753, teria cometido “travessuras e excessos” que acabariam por levar o almotacé-mor Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho, então alçado a governador e capitão-general, a mandar prendê-lo. A se levar em conta o que dizem seus versos, o motivo da prisão seria a disputa pelos favores sexuais de uma mulher casada. O rival seria um frade que teria disparado um tiro contra o poeta, mas sem acertá-lo. Como vingança, o religioso teria feito queixa ao governador, que, por fim, decidiu mandar o poeta para Angola. Eis um trecho do poema:

(...) Nisso o Fradinho impaciente
leigo em toda a sociedade
vestio-se de caridade,
e foi queixar-se ao Regente:
Disse que hum Mosso insolente
difamava a huma cazada,
e tinha a vida arriscada; (...)

Em sua autobiografia burlesca em versos, Vida e Morte de Tomás Pinto Brandão, Escrita por Ele Mesmo Semivivo, o poeta relata pormenores de suas aventuras pelo Brasil e por África, ao mesmo tempo que dá uma imagem satírica do Portugal da época. Condenado a degredo em Angola, Pinto Brandão teria sua pena comutada em degredo para o Rio de Janeiro. Mas, depois do pedido de um nobre, o governador Luís César de Meneses (1653-1720) mandaria o poeta mesmo para Angola. O motivo teria sido um poema em que Pinto Brandão colocava a ridículo aquele nobre denunciante. Por trás, haveria novamente uma disputa por amores.

Condenado ao degredo africano, dedicou-se ao comércio de escravos, tendo reunido cerca de 70 “peças” como de sua propriedade. Apaixonou-se por Nana Ambundo, que seria sobrinha da rainha Ginga (c.1583-1663) e neta de Caconda, soberano de uma nação angolana. Mais tarde, casou, mas foi vítima de um processo movido pela sogra, situação que utilizou de forma satírica para escrever um soneto no mais puro estilo barroco:

(...) Todo o solteiro que este Mundo logra
e por cazar-se asezoado berra
considere que peste, fome, e guerra
o Diabo lhe dá, em darlhe sogra (...)

                                               III
Pinto Brandão teria corrompido o governador, dando-lhe alguns escravos de presente em troca da permissão para retornar ao Rio de Janeiro, onde vendeu seus demais escravos e casou-se com Josefa de Melo. Depois, retornou a Lisboa, onde perdeu a fortuna que acumulara desde Angola. Desentendeu-se com a nova sogra, que fez uma denúncia que lhe valeu outra prisão, mas conseguiu livrar-se dessa situação graças ao apoio de alguns fidalgos que apreciavam suas sátiras. No final da vida, pobre, passou a viver de favores de alguns nobres. Tanto que, em 1735, mudou-se para a casa da Junqueira do nobre Vasco Fernandes César de Meneses (1673-1741), o primeiro conde de Sabugosa, onde viveu seus últimos dias. 

Anticlerical, Pinto Brandão acumulou muitos desafetos com religiosos, que estavam longe de constituírem exemplo de caridade e sobriedade cristãs. Pelo contrário. Um desses desafetos foi frei Simão de Santa Catarina, com quem o poeta disputou os favores da freira Antônia Teodora, do convento de Santa Clara. A frei Simão, o poeta acusou, inclusive, de lhe ter roubado versos, desferindo-lhe uma resposta desaforada e escatológica, como bem se vê no trecho abaixo:

Mandarão ao Autor este mote de Belem
            Se me beijares no cú,
            Não no digas a ninguém
            que não quero que se saiba
            o gosto que meu cú tem.
                        Gloza
            Á Torto, á Frade, á Ladrão,
            já sey que este mote he teu,
            e queres, glozando-o eu,
            ter comigo introdução:
            falemos claro, Simão,
            eu sou pobre como tu;
            e pois que me apanhas nú,
            e eu a ti descalço, digo
            que só serey teu amigo
            se me beijares no cú. (...)  

                                                           IV
Formado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Literatura e Cultura Portuguesas pela Universidade Nova de Lisboa, Jair Rattner vive em Portugal desde 1986, tendo trabalhado como correspondente de jornais e agências de notícias. Fez colaborações para os serviços da BBC Brasil e para a Deutsche Welle, da Alemanha, para a Folha de S. Paulo, para O Estado de S. Paulo e para a Revista Pessoa, de São Paulo. Foi também subeditor de Internacional da revista portuguesa Época e trabalhou no jornal Correio do Brasil, voltado para a comunidade brasileira em Portugal. Antes, foi locutor na Rádio Coréia, em Seul.

Dedica-se atualmente à atividade acadêmica e à pesquisa nas suas várias áreas de interesse, que passam pela Literatura, pelas Ciências da Comunicação e pela História. Atualmente, faz doutoramento na área de Ciências da Comunicação na Universidade Nova e escreve tese sobre a atuação na iniciativa privada daqueles jornalistas que trabalharam como assessores de imprensa para o governo português, após deixarem de trabalhar com os ministros.

Faz intervenções em Esplendor de Portugal, programa de rádio que discute notícias da atualidade e é transmitido pela estação Antena 1 da Rádio e Televisão Portuguesa (RTP), apresentado e moderado por Rui Pêgo. Frequentemente, é convidado a participar como analista de temas brasileiros do telejornal SIC Notícias. Foi presidente da Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal. Adelto Gonçalves - Brasil


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Verdades Pobres de Tomás Pinto Brandão – edição crítica e estudo, de Jair Rattner. Beau Bassin, Mauritius: Novas Edições Acadêmicas/International Book Service Ltd., 536 páginas, 61,9 euros, 2018. E-mail: jair.rattner@gmail.com 
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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br