Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 23 de maio de 2022

Brasil - Comércio exterior: nova política em 2023

São Paulo – Pesquisa desenvolvida em abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 72% de 163 empresas consultadas confirmaram que tiveram sua produção afetada pela continuidade da paralisação de auditores fiscais da Receita Federal, que teve início ao final de 2021. O principal problema apontado foi a lentidão no desembaraço das mercadorias, tanto na importação como na exportação.

Segundo dados da CNI, entre as importadoras, 21,2% tiveram a produção interrompida, quase três vezes mais do que os 7,8% registrados em consulta realizada em janeiro.  E 23,9% relataram atraso na entrega de mercadorias, índice acima dos 7% registrados em janeiro. Entre as exportadoras, o atraso na exportação das mercadorias aumentou de 23,4% para 40,2% de janeiro até abril. Já o cancelamento de contratos subiu de 1,8% para 7,6% no mesmo período.

Como já não são poucos os obstáculos estruturais que prejudicam a competitividade dos produtos nacionais, o prolongamento da operação-padrão dos auditores fiscais agravou sobremaneira a situação das empresas brasileiras. Entre aqueles obstáculos, estão as consequências da pandemia de coronavírus (covid-19), iniciada em janeiro de 2020, o congestionamento nos portos, a falta de contêineres e valores dos fretes sempre em ascensão.

A esses problemas é preciso acrescentar outros bastante conhecidos, como a demora nas inspeções das cargas, os custos adicionais associados à armazenagem, logística e movimentação das cargas, a maior rigidez nas inspeções das cargas e no uso dos canais de verificação, bem como a lentidão na concessão das Declarações de Trânsito Aduaneiro, a exigência de mais documentos, a suspensão da operação de embarque e a depreciação das cargas.

Sem contar que o movimento de greve também tem prejudicado o avanço da agenda de facilitação e modernização do comércio exterior, comprometendo o desenvolvimento de programas estruturantes e prioritários para a indústria, como o Operador Econômico Autorizado (OEA) e o Portal Único de Comércio Exterior, ambos em processo de implementação.

Por tudo isso, o que se espera é que o governo que sair das urnas em outubro já assuma com uma política de comércio exterior mais definida, que possa atuar como instrumento de produtividade e de atualização tecnológica dentro de uma estratégia maior que favoreça a ampliação da presença dos produtos industrializados brasileiros no mercado externo. Para tanto, é necessário que essa política vá além de mero instrumento de defesa de subsídios para compensar a ineficiência do sistema produtivo.

Isto posto, é fundamental que a política de comércio exterior do novo governo seja firme em defesa dos interesses nacionais, sem se deixar levar por pruridos ideológicos de direita, que podem fazer tanto mal ao País quanto os de esquerda, que, por exemplo, em 2005, impediram a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), proposta em 1994 pelo presidente norte-americano Bill Clinton com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os 34 países do Continente americano, formando assim uma área de livre-comércio, que, englobada ao Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta), seria o maior bloco econômico do mundo.

Parece claro que se a Alca tivesse saído em 2005, o Mercosul teria tido maior poder de fogo nas negociações com a União Europeia (UE) para a assinatura de um acordo comercial e arrancado dos europeus maior número de concessões. Hoje, esse acordo ainda depende essencialmente de uma revisão profunda da atual política do governo brasileiro de desleixo em relação ao desmatamento, pois está em andamento na UE uma proposta que proíbe a importação por empresas daquele bloco de produtos que fomentam a devastação ambiental, o que imporia também controles às importações de carne bovina, óleo de palma, cacau e café, entre outros.

Em outras palavras: o que se espera é uma política de comércio exterior séria e pragmática que estimule o crescimento da economia brasileira. Liana Martinelli - Brasil 

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: lianalourenco@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Brasil - Inovação industrial é a saída

Goiânia – Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e desenvolvida pelo Instituto FSB mostrou que 68% de 500 indústrias de pequeno porte (de 10 a 49 empregados) consultadas não possuem área de inovação e 76% não têm orçamento específico para inovação nem profissionais dedicados exclusivamente a esse fim. Isso mostra que essas empresas, na maioria, não têm estrutura para tornar a inovação uma atividade contínua.

A pesquisa apontou ainda que 78% das empresas sentiram impacto da pandemia de coronavírus (covid-19) sobre seus negócios e que pelo menos 27% foram muito prejudicadas. Para 55% dos entrevistados, a cadeia de fornecedores foi o primeiro ou segundo aspecto mais impactado pela pandemia, seguido pelas vendas (50%) e pela relação com os trabalhadores (19%). De acordo com a pesquisa, 45% das pequenas empresas tiveram mais dificuldades em inovar por conta da pandemia. Mais:  68% das pequenas empresas não fizeram inovação nesse período. Pensando num mundo pós-pandemia, 80% afirmaram que terão que investir em inovação para crescer ou se manter no mercado.

Da pesquisa da CNI, o que se conclui é que o trabalho remoto, instaurado por força da pandemia, mudou a realidade das pequenas indústrias, que tiveram de recorrer a esse tipo de atividade. Segundo a enquete, nesse período, 43% das empresas adotaram o trabalho no sistema home office. As regiões Nordeste e Sudeste foram as que mais tiveram empregados em trabalho remoto: 52% e 45% das empresas, respectivamente. E, das 500 empresas consultadas, 35% vão manter esse modelo, mesmo depois da pandemia.

Esse cenário mostra ainda que indústrias e outros estabelecimentos comerciais terão de buscar novas ferramentas para manter a competitividade e a produtividade, especialmente na área de inovação. E uma das soluções passa pela adoção de parcerias com startups e logtechs como forma de atender às expectativas e demandas cada vez mais refinadas, complexas e exigentes que são reivindicadas por clientes e consumidores.

Dentro desse cenário, é fundamental que grandes empresas recebam incentivos para contratar startups e logtechs, que possam ser alcançados por meio da isenção do pagamento de diversos tributos e taxas. Afinal, essas pequenas empresas hoje podem constituir um agente estratégico na promoção de grandes e médias indústrias, que assim podem experimentar novas alternativas na expansão de seus negócios. No caso das logtechs, estas pequenas empresas procuram oferecer qualidade e rapidez na entrega, mais informação no processo de compra e pagamento facilitado, com soluções que modernizam processos internos, otimizam custos logísticos e aumentam a eficiência na prestação de serviços.

Deve-se levar em conta ainda que uma startup não trabalha apenas diretamente com o setor de tecnologia da informação (TI), mas procura apresentar soluções para outros departamentos da empresa, como, por exemplo, a área de recursos humanos (RH), que, afinal, precisa manter os funcionários motivados na busca de inovação.

As startups podem também trazer soluções para o setor de comércio eletrônico (e-commerce), especialmente no gerenciamento da carga, com a criação de aplicativos com foco na gestão de equipes externas, como de motoristas e promotores de vendas, sem complicações e com velocidade. Em outras palavras: as startups podem oferecer uma experiência fascinante a empreendedores que buscam explorar atividades inovadoras no mercado. Ivone Silva - Brasil

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Ivone Maria da Silva, economista, empresária, diretora da Imase Soluções Empresariais, em  Goiânia, conselheira do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO) e conselheira classista do Conselho Administrativo Tributário de Goiás (CAT-GO). E-mail: diretoria@imase.com.br

 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Brasil - O que esperar de 2022

São Paulo – O documento “Economia Brasileira: 2021-2022”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), prevê um crescimento de 1,2% para a economia do Brasil em 2022, mas faz uma ressalva: para que esse número modesto seja alcançado, é preciso que sejam superados alguns problemas conjunturais, como inflação, emprego e normalização das cadeias globais de valor a partir do segundo semestre de 2022.

Em outras palavras: é fundamental que seja reduzido o chamado custo Brasil, expressão que define um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que atrapalham o crescimento do País, influenciando negativamente o ambiente de negócios, além de encarecer os preços dos produtos nacionais e custos de logística, comprometer investimentos e contribuir para uma excessiva carga tributária. A estimativa é que o custo Brasil retire R$ 1,5 trilhão por ano das empresas instaladas no País, representando 20,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para superar esses gigantescos obstáculos, a CNI defende que seja aprovada pelo Congresso a PEC 110, que propõe uma reforma tributária que vai eliminar as distorções e simplificar a tributação sobre o consumo. Ao mesmo tempo, alerta para a necessidade de que sejam aplicados altos recursos em infraestrutura, lembrando que, com custos competitivos, o País poderá receber investimentos de empresas que querem diversificar a rede de fornecedores. Se nada disso ocorrer, a previsão da CNI para a expansão do PIB em 2022 cai para 0,3%. A expectativa é que, na segunda metade de 2022, quando a recuperação de serviços estiver próxima do nível de pré-pandemia, a atividade industrial esteja mais aquecida.

A longo prazo, espera-se que sejam realizadas as grandes obras previstas para a modernização e ampliação da infraestrutura nacional. Entre essas grandes obras, está a construção de um túnel para a ligação seca entre os municípios de Santos e Guarujá, no Estado de São Paulo, uma promessa que começa a ultrapassar a marca de um século sem que tenha saído do papel. A previsão é que o edital seja lançado no terceiro trimestre de 2022, com leilão programado para o quarto trimestre de 2022.

O túnel terá extensão total de 1500 metros, com a parte submersa medindo 800 metros. A implantação tem custo estimado em R$ 4 bilhões. O projeto prevê fluxos de veículos leves e de carga; pedestres, bicicletas e do veículo leve sobre trilho (VLT). Segundo o governo, entre os objetivos do empreendimento, estão a maior segurança para as operações de tráfego das embarcações, mobilidade urbana e operacional entre as margens do porto de Santos, e a redução das interferências de navegação no canal do porto.

O Ministério da Infraestrutura (Minfra) prevê que deve ir a leilão em 2022 um terminal no porto de Rio Grande-RS voltado para movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais, que exigirá investimentos de R$ 41,2 milhões. Também deverá ir a leilão um terminal no porto de Paranaguá-PR, destinado a granéis sólidos minerais, com previsão de investimento de R$ 172,5 milhões. Um terminal graneleiro de São Francisco do Sul-SC também entrou na carteira do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), do Minfra, que prevê uma injeção de R$ 60 milhões na área. O PPI aprovou ainda a relicitação do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, localizado no Rio Grande do Norte, com planos de realizar o leilão no primeiro trimestre de 2022, e investimentos estimados em R$ 308,9 milhões. Por fim, o PPI deu aval à relicitação da Autovia Fluminense (BR-101/RJ).

Obviamente, a aplicação de recursos na modernização e ampliação da infraestrutura, na prática, pouco resultará no desempenho do PIB em 2022, exceto que o início dessas grandes obras significará um estímulo para aqueles setores da iniciativa privada que hoje hesitam em aumentar os seus investimentos no País. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Brasil - Indústria: é preciso reagir

São Paulo – Dados da última Pesquisa Industrial Anual (PIA) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), à falta de números mais recentes, mostram que o setor industrial perdeu 28,6 mil empregos de 2013 a 2019. Obviamente, esse estudo não levou em conta os impactos provocados pela pandemia de coronavírus, o que significa que o fechamento de vagas nas indústrias deve ter alcançado números ainda mais dramáticos.

De acordo com aquele levantamento, o Brasil tinha 334,9 mil indústrias em 2013, maior nível da série histórica, com dados desde 2007. Mas, a partir de 2014, ainda à época do governo Dilma Rousseff, a economia começou a registrar sinais de fragilidade, com quedas sucessivas, chegando a 306,3 mil em 2019, em função da recessão que afetou a economia, o que se agravou com a paralisação de atividades em muitas fábricas a partir de 2020, em razão da pandemia.  

Ainda de acordo com dados do IBGE, o setor industrial, que empregava 7,6 milhões de pessoas em 2019, ficou 15,6% menor em comparação com 2003, o que significa que, desde então, foram fechados 1,4 milhão de postos de trabalho. O ramo de confecção de artigos do vestuário e acessórios foi aquele que mais fechou fábricas entre 2013 e 2019: o número de empresas do segmento encolheu de 54,6 mil para 37,4 mil. Já a segunda principal baixa ocorreu no segmento de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos), setor que registrou uma redução de 5,6 mil empresas, caindo de 40,4 mil para 34,8 mil. Outro segmento que registrou variação negativa foi o de veículos automotores, reboques e carrocerias, com uma queda de 12,3% para 9,2% entre 2010 e 2019.

Como se sabe, esses são setores que tinham no mercado externo o seu principal foco, mas que tiveram de recuar porque, além da escassez de insumos nacionais, as empresas passaram a encontrar dificuldades em obter matérias-primas importadas, independentemente de pagarem mais caro pelos produtos. Antes da crise mundial, o Brasil chegou a conquistar um significativo espaço no mercado de produtos de média intensidade tecnológica, que, no entanto, foi perdido. Hoje, os principais produtos exportados são ferro, açúcar, carne bovina e soja.

Diante disso, para que não volte a ser apenas um país fornecedor de matérias-primas, o Brasil precisa que o seu governo tome, de maneira urgente, medidas concretas para tentar reverter essa tendência, o que significa acelerar o crescimento para amenizar os efeitos econômicos e sociais gerados pela pandemia. Isso, obviamente, passa por uma reforma tributária ampla, que envolva tributos federais, estaduais e municipais.

Como defende a Confederação Nacional da Indústria (CNI), esse sistema, a exemplo do que se vê em países mais desenvolvidos, prevê a criação de um Imposto de Valor Agregado (IVA) federal, com uma Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), em substituição ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), e outro IVA subnacional, com a unificação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre Serviços (ISS), que são extremamente prejudiciais à competividade e ao crescimento econômico.

Mas, além da reforma da tributação, o Congresso precisa avançar na agenda do imposto de renda, buscando alinhar o Brasil ao que tem sido praticado internacionalmente, evitando medidas que possam desincentivar os investimentos produtivos. Ou seja, é preciso que a reforma, em vez de se preocupar apenas em aumentar a arrecadação, seja indutora de investimentos produtivos e de crescimento econômico, o que passa pela recuperação do parque fabril, caminho mais rápido para que cresça o número de empregos e haja melhora da qualidade de vida da população. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de relações institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

terça-feira, 13 de julho de 2021

Brasil – Comércio internacional em ritmo de recuperação

São Paulo – A previsão de que a participação do Brasil na corrente de comércio mundial em 2021 poderia vir a cair abaixo de 1%, em razão do impacto provocado pela pandemia de Coronavírus, parece cada vez mais distante. No último relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2020, já em função da diminuição do fluxo comercial, o Brasil respondeu por apenas 1% na movimentação global de exportações e importações, mantendo-se na 27ª posição no ranking do comércio mundial.

Nos seis primeiros meses de 2021, principalmente em função do crescimento das exportações em segmentos como o agropecuário, o de sucatas ferrosas e o de minério de ferro, a balança comercial registrou um superávit de U$ 37,5 bilhões, com um acréscimo de US$ 15,2 bilhões em relação ao mesmo período de 2020. Esse resultado, porém, deve ser visto com a devida cautela porque, no período anterior, a pandemia de coronavírus causou um impacto no Brasil acima da média mundial, tendo a corrente de comércio recuado 8,2%, segundo levantamento da OMC, enquanto o encolhimento no planeta foi de 7,6%. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a retração na corrente de comércio brasileira, em 2020, resultou da queda de 7% na exportação e de 10% na importação.

Neste ano, a alta no preço internacional das commodities, produtos primários com preços formados em bolsas no exterior e o câmbio contribuíram para que números mais expressivos fossem alcançados até agora. Nos seis primeiros meses de 2021, minérios de ferro e de cobre tiveram alta de 172,1% e 82,6% na exportação, respectivamente. Café, produtos do complexo soja, açúcar, petróleo e siderúrgicos também registraram números significativos.

As taxas de crescimento do comércio exterior brasileiro foram ainda mais expressivas em junho, quando as exportações superaram as importações em US$ 10,37 bilhões, o mais alto superávit mensal de 2021. Ou seja, as vendas externas, de US$ 28,1 bilhões, subiram 60,8% ante o mesmo mês de 2020, e os gastos no exterior, de US$ 17,73 bilhões, aumentaram 61,5%.

Com isso, o Ministério da Economia já projetou um superávit de US$ 105,3 bilhões em 2021, com alta de 106% em relação a 2020. É de se lembrar que a estimativa anterior era de um saldo de US$ 89,4 bilhões. Para 2021, porém, a OMC prevê uma queda entre 13% e 32% no volume do comércio global, garantindo que será mais acentuada do que aquela registrada durante a crise financeira de 2008 e 2009. No ano passado, entre os membros do G20, grupo formado pelos ministros de Finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, a corrente de comércio diminuiu 8% em relação a 2019.

Aliás, só a China registrou crescimento na corrente de comércio em 2020, com evolução de 4% nas exportações e de 1% nas importações. Com isso, chegou a uma corrente de comércio de US$ 4,6 trilhões, aumentando a sua participação no comércio global de 12% para 13%, o que lhe garantiu a liderança no ranking, à frente de Estados Unidos, Alemanha e Japão.

Para melhorar a posição do País, está claro que ao governo brasileiro não resta outra saída que não seja avançar nas reformas estruturais, principalmente na questão da infraestrutura logística, o que ficou claro com a recente decisão do governo de aumentar em R$ 1 bilhão o orçamento do Ministério da Infraestrutura para atender à demanda das 17 obras iniciadas, retomadas ou autorizadas no primeiro semestre.  Ao mesmo tempo, são necessárias medidas que promovam desburocratização, redução de tarifas, melhoria do financiamento e o fechamento de acordos comerciais para a redução de barreiras aos produtos brasileiros no exterior. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de relações institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Brasil - Indústria: saídas para a crise

São Paulo – Enquanto os presidentes do Brasil e da Argentina dão declarações extemporâneas, que vão de encontro a tudo aquilo que a diplomacia recomenda, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a União Industrial Argentina (UIA) distribuíram comunicado conjunto em que definem ações prioritárias para o segundo semestre deste 2021 com o objetivo de impulsionar o comércio bilateral e aprofundar a integração do Mercosul.

Entre as propostas, estão sugestões para a facilitação de comércio e a cooperação regulatória entre os dois países, além de medidas para estimular a adoção de documentos eletrônicos para processos de comércio exterior. Também entre as preocupações comuns das duas entidades estão o aperfeiçoamento da Tarifa Externa Comum (TEC), bem como a intensificação de negociações extrarregionais, a internalização de acordos pendentes e a revisão de acordos do Mercosul.

A busca desse entendimento, que, a princípio, deveria ter partido da alta cúpula dos governos dos dois países, nasce da constatação de que é preciso encontrar meios de superar a crise desencadeada pela pandemia de coronavírus (covid-19) que veio agravar os obstáculos históricos que resultam em perda de competitividade no mercado global. Parece que as duas entidades concluíram que, se as indústrias dos dois lados ficarem à espera de benefícios e iniciativas governamentais, o mais certo é que venha a ocorrer um processo ainda mais intenso de desindustrialização.

Afinal, o crescimento dos dois países passa necessariamente pelo desenvolvimento produtivo, já que o comércio bilateral tem sido marcado por uma pauta composta por bens industrializados, que, infelizmente, a cada ano, está cada vez mais reduzida. Basta lembrar que, de 2011 até 2020, o comércio entre as duas nações caiu de US$ 40 bilhões para US$ 16 bilhões.

Apesar das dificuldades causadas pela pandemia, para reverter essa tendência, é preciso aproveitar o momento de recuperação que a indústria brasileira tem mostrado nos últimos dias, como indica pesquisa da CNI. Segundo esse levantamento, entre março e abril, no auge da segunda onda de covid-19, na virada entre março e abril deste ano, a indústria reagiu de forma positiva, com a capacidade instalada mantendo-se acima de 80% pelo segundo mês consecutivo.

Também as horas trabalhadas na produção cresceram 0,7% em abril, após alta de 1,1% no mês anterior, enquanto na comparação com abril de 2020 as horas aumentaram 35,1%. Já o emprego registrou alta pelo nono mês consecutivo e massa salarial retornou ao patamar pré-pandemia, segundo dados da pesquisa. No entanto, apesar da melhora na atividade, o faturamento real da indústria de transformação recuou 1,3% no período.

É verdade que a comparação com o período anterior pode, nas atuais circunstâncias, não passar de enganação ou, para se usar um sinônimo mais elegante, sofisma, pois, efetivamente, não se pode falar em crescimento, mas apenas em retomada parcial do panorama que havia antes da pandemia. Afinal, a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) vem caindo sucessivamente nos últimos anos. Basta ver que, no primeiro trimestre, o crescimento do PIB foi puxado pelo setor agropecuário (quase 6%) e pela indústria extrativa (especialmente a de minério de ferro).

É de se lembrar que a participação da indústria de transformação no PIB atingiu em 2020 o menor nível da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996: 11%. E que, neste ano, deverá ficar abaixo da agropecuária, que hoje já representa 11%, mas em fase de ascensão em função do atual ciclo de alta nas cotações internacionais de commodities, potencializadas pela elevação da taxa de câmbio. Por isso, vem em boa hora esse entendimento que CNI e UIA procuram em busca de saídas para a crise. Aliás, esse entendimento deveria servir de exemplo para as autoridades governamentais dos dois países. Adelto Gonçalves -  Brasil

 

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Brasil - Comércio exterior: perspectivas

São Paulo – A previsão da Maersk, uma das maiores empresas de logística do Brasil, de que, ainda em 2021, haverá um aumento de 5% no volume das operações em cargas conteinerizadas chegou num momento em que o pessimismo começava a tomar conta do setor, diante da expectativa de que a participação do Brasil possa vir a cair abaixo de 1% na corrente de comércio mundial. Como se sabe, no último relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2019, o Brasil respondeu por apenas 1,2% das exportações, ocupando a 27ª posição global, e 1% das importações, o que o deixou na 28ª posição. 

De acordo com a armadora, desde julho de 2020, as exportações e as importações têm apresentado forte desempenho, apesar das dificuldades provocadas pelos efeitos da pandemia de coronavírus (covid-19). Segundo o estudo, no primeiro trimestre de 2021, o volume de importações e exportações cresceu 9% em comparação com o mesmo período de 2020. Com certeza, esse resultado foi obtido em função do crescimento registrado em alguns segmentos, como o agropecuário, o de sucatas ferrosas e o de minério de ferro.

Conforme o relatório da Maersk, as importações chegaram a 11% no primeiro trimestre de 2021, com destaque para maquinários e aparelhos eletrônicos, têxtil e couro e bens de consumo. Já as exportações, em comparação com o mesmo trimestre de 2020, aumentaram 6%, em consequência de uma safra alta e do crescimento do mercado brasileiro, especialmente nos segmentos de algodão, açúcar, café, carne suína e carne bovina.

Esses números, porém, ainda devem ser vistos com prudência, pois, no ano passado, a pandemia de coronavírus causou um impacto no Brasil acima da média mundial, tendo a corrente de comércio recuado 8,2%, segundo levantamento da OMC, enquanto o encolhimento no planeta foi de 7,6%. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a retração na corrente de comércio brasileira, em 2020, resultou da queda de 7% na exportação e de 10% na importação.

Para 2021, a OMC prevê uma queda entre 13% e 32% no volume do comércio global, garantindo que será mais acentuada do que aquela registrada durante a crise financeira de 2008 e 2009. No ano passado, entre os membros do G20, grupo formado pelos ministros de Finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, a corrente de comércio diminuiu 8% em relação a 2019.

Aliás, só a China registrou crescimento na corrente de comércio em 2020, com evolução de 4% nas exportações e de 1% nas importações. Com isso, chegou a uma corrente de comércio de US$ 4,6 trilhões, aumentando a sua participação no comércio global de 12% para 13%, o que lhe garantiu a liderança no ranking, à frente de Estados Unidos, Alemanha e Japão.

Para melhorar a posição do País no ranking mundial, está claro que ao governo brasileiro não resta outra saída que não seja avançar nas reformas estruturais, principalmente na questão tributária, e eliminar os gargalos que elevam o custo Brasil, conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que atrapalham o crescimento, influenciam negativamente o ambiente de negócios, encarecem os preços dos produtos nacionais e os custos de logística, comprometem investimentos e contribuem para uma excessiva carga tributária.

Para tanto, são necessárias medidas que promovam desburocratização, redução de tarifas, melhoria do financiamento e o fechamento de acordos comerciais para a redução de barreiras aos produtos brasileiros no exterior. Segundo cálculos da CNI, o custo Brasil retira cerca de R$ 1,5 trilhão por ano das empresas instaladas no País, representando 20,5% do produto interno bruto (PIB).

Obviamente, se aqueles países que ocupam os primeiros lugares no ranking da OMC se recuperarem, o comércio exterior brasileiro deverá crescer. Mas não há dúvida de que essa recuperação deverá ser mais lenta e que muitos países poderão adotar medidas mais protecionistas, o que deverá dificultar a assinatura de novos acordos, inclusive aquele previsto entre o Mercosul e a União Europeia. Portanto, o risco de a participação do Brasil na corrente de comércio mundial cair para baixo de 1% ainda é alto. Adelto Gonçalves – Brasil com “Pravda-RU”

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Brasil - À espera da reforma tributária

São Paulo – Custo-Brasil é um termo escolhido para definir um conjunto de entraves estruturais, burocráticos, trabalhistas e econômicos que impedem o crescimento da produção industrial e do comércio. Apareceu pela primeira vez em 1995, no ano seguinte ao lançamento do Plano Real, quando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu um seminário para discutir o tema, especialmente a reforma tributária, item que pesa sobremaneira no chamado custo-Brasil. Como se vê, 26 anos já se passaram e nada se avançou, chegando a um ponto em que a discussão está, praticamente, travada em razão do agravamento da pandemia de coronavírus (covid-19).

Desta vez, o plano do governo, defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes,  previa um corte de impostos sobre empregadores, com aumento da tributação apenas sobre a distribuição de dividendos, hoje isenta. A desoneração ampla seria viabilizada com a criação de um imposto sobre transações, nos moldes da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), aplicada entre 1997 e 2007, mas a ideia tem sofrido forte rejeição no Parlamento e até mesmo dentro do governo.

O setor industrial apoia uma ampla reforma tributária, mas que inclua impostos federais, estaduais e municipais e que venha a beneficiar toda a população, com a geração de empregos e renda para as famílias. Tanto que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que os dividendos também sejam tributados, já que, da maneira como estão, geram desigualdades e injustiças na arrecadação.

Uma das ideias defendidas em seminário da CNI, realizado no ano passado, é que seja criado um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que congregue tributos federais, estaduais e o Imposto sobre Serviços (ISS), dos municípios. Esse seria um imposto neutro, sem resíduos tributários nas exportações, com recuperação de crédito e cobrança no destino. Para a CNI, só dessa maneira a indústria poderia adquirir boa parte da competitividade perdida desde a recessão de 2014.

Já o governo federal defende uma proposta que preveja a unificação do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), além da simplificação da cobrança de impostos regionais, deixando de lado a reforma do Imposto de Renda e a reestruturação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), enquanto as propostas da Câmara e do Senado são mais amplas e unificam cinco e nove tributos, respectivamente, incluindo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é estadual, e o ISS, municipal. Para técnicos do governo, as propostas da Câmara e do Senado podem ter efeito contrário, aumentando a carga tributária.

Seja como for, o que se intui é que a reforma tributária, se houver, só irá acontecer em 2023, na melhor das hipóteses, até porque, em 2022, haverá eleições presidenciais, o que acabará por prender toda a atenção dos congressistas e, com certeza, impedirá a tramitação de propostas consideradas polêmicas. Sem contar as consequências que deverão advir do agravamento da pandemia, pois o discurso que mais se ouve atualmente no Congresso é que não há clima para se debater impostos enquanto os sistemas de saúde de estados e municípios se aproximam do colapso.

Isso significa que o Brasil corre o risco de cair ainda mais na pesquisa realizada anualmente pelo Banco Mundial para calcular a facilidade para o pagamento de impostos. E observem que, na última pesquisa, o País ficou na 184.ª posição, entre 190 nações, à frente apenas de República do Congo, Bolívia, República Centro-Africana, Chade, Venezuela e Somália. Um posto nada honroso. Adelto Gonçalves – Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Brasil - Como destravar o comércio exterior

SÃO PAULO – Como parece que o presidente eleito Jair Bolsonaro desistiu de incorporar o Ministério da Indústria, Comércio e Exterior e Serviços (MDIC) ao Ministério da Fazenda no governo que se inicia dia 1º de janeiro, seria interessante que o futuro titular da pasta desde já colocasse entre suas prioridades as sugestões apresentadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao então candidato. Entre essas sugestões, está a simplificação da carga tributária do comércio exterior, já que a reforma tributária ainda levará muito tempo para ser discutida e concluída.

Entre as ações que podem simplificar a carga tributária estão a manutenção da desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas exportações de bens não industriais e de semielaborados; o aumento da alíquota do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadores (Reintegra); a criação de mecanismos para utilização de créditos tributários federais e estaduais provenientes de exportações; o aperfeiçoamento dos regimes aduaneiros especiais de incentivo às exportações; e a retirada do valor aduaneiro e de custos de descarga da mercadoria no território nacional.

A CNI defende ainda que o novo governo considere as análises técnicas na aplicação de medidas antidumping, antissubsídios e de salvaguardas. Para a CNI, esses são instrumentos legítimos que não se confundem com protecionismo. Como se sabe, hoje, os produtos manufaturados só conseguem se apresentar com preços competitivos em países vizinhos, como aqueles que são parceiros no Mercosul, valendo-se da curta distância. Já em mercados mais distantes, esses preços sobem e perdem competitividade.

É claro que essa situação, se tem permitido ao menos sobrevivência ao parque industrial instalado no País, oferece muita insegurança, impedindo que os produtores façam investimentos para ampliar sua capacidade de produção. Afinal, se um país vizinho entrar numa situação de crise, como é o caso da Argentina hoje, essa situação pode abalar toda a indústria brasileira e gerar desemprego.

Obviamente, não são apenas os custos com a distância que entram no preço dos produtos. Há vários fatores, como aqueles que constituem o chamado custo Brasil, ou seja, alta carga tributária, infraestrutura logística deficiente, juros altos, câmbio defasado e burocracia alfandegária. Outro fator que preocupa é a possibilidade de o governo, a pretexto de abrir a economia, retirar as tarifas de importações de maneira abrupta, já que a indústria nacional ainda está sem condições de enfrentar a concorrência de produtos estrangeiros. Portanto, essa abertura terá de ser gradual.

Ao mesmo tempo, o governo precisa estabelecer uma diretriz que aumente a eficiência do Estado, investindo em obras de infraestrutura logística, além de oferecer segurança jurídica, financiamento e segurança pública. Em outras palavras: antes de abrir-se completamente às importações, o Brasil precisa afastar ou reduzir os obstáculos internos que impedem a indústria de oferecer produtos com preços mais competitivos.

Já a discussão com outros blocos econômicos têm de prosseguir, embora sejam pouco viáveis acordos de livre-comércio, como deixaram claro as negociações entre Mercosul e União Europeia, que vêm desde 1999 e se encontram, depois de muitas reuniões e acusações mútuas, praticamente, na estaca zero. Milton Lourenço - Brasil 


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Brasil - Uma abertura para o mundo

SÃO PAULO – Documento apresentado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao novo presidente da República, ainda à época da campanha eleitoral, reafirma a importância de o futuro governo continuar buscando acordos que sejam estratégicos para o setor industrial, como as negociações com a União Europeia e o México. A essas prioridades deve-se também acrescentar a necessidade de que o novo governo reafirme tudo o que ficou acertado nas recentes negociações com o Chile para a assinatura de um acordo de livre-comércio, que tiveram início em abril deste ano de 2018.

Com a assinatura desse acordo prevista para breve, ainda dentro do mandato do atual governante, o País deixará para trás o processo de isolamento político e comercial que marcou o longo período sob a visão estreita do lulopetismo, mas que, a rigor, vem desde 1991, quando o Brasil se tornou membro do Mercosul. Desde então, o País só assinou três acordos de livre-comércio, ou seja, com Israel, Palestina e Egito, mas desses apenas o primeiro ainda está em vigor. Tudo isso num período em que houve no mundo uma explosão de acordos bilaterais e regionais.

Na América Latina, os acordos também proliferaram. Basta ver que Peru e Colômbia selaram 12 e 11 acordos de livre-comércio, respectivamente, incluindo Estados Unidos e União Europeia. Já o Chile abriu o seu mercado para 21 países, enquanto o México assinou 13 acordos. Mas, com a presença de governos de orientação populista e terceiro-mundista tanto no Brasil como na Argentina e no Uruguai, aqueles países encontraram dificuldades para acertar um tratado de larga abrangência com o Mercosul.  Aliás, para o Chile, assumir a condição de membro pleno do Mercosul sempre constituiu um processo difícil porque esse passo representaria um retrocesso, porque o país andino sempre esteve mais avançado nas reformas e na abertura econômica.

Agora, o que se espera é que essa fase venha a ser superada e, finalmente, o Mercosul possa acertar também um acordo amplo com a Aliança do Pacífico, grupo criado em 2011 por Chile, Peru, Colômbia e México, e com a Parceria Transpacífico (Trans-Pacific Partnership - TPP), que pode vir a se constituir uma ponte entre a América Latina e os mercados asiáticos Como se sabe, dessa Parceria Transpacífico faziam parte os Estados Unidos, que se retiraram em 2017. Como resposta, os demais parceiros firmaram um amplo tratado comercial que reduziu as tarifas alfandegárias e estabeleceu novas regras entre eles.

É indiscutível que hoje o Mercosul pouco significa em escala mundial e o Brasil necessita, de maneira urgente, abrir-se para o mundo, colocando fim em seu isolamento dos fluxos dinâmicos do comércio internacional e das cadeias produtivas. Isso só será possível com a assinatura de acordos de maior amplitude, que venham a permitir acesso à inovação e às tecnologias, além de envolver mais as empresas multinacionais no esforço para aumentar a capacidade exportadora do País.

Por fim, esse processo precisa vir acompanhado da parte mais difícil, ou seja, a redução do chamado custo Brasil, que é formado por carga tributária elevada, infraestrutura precária e excesso de burocracia aduaneira e hoje responde por 30% do preço dos produtos fabricados no País. Só assim os produtos nacionais poderão ser apresentados no mercado externo a preços competitivos. Dessa forma, os manufaturados voltariam a ter um peso significativo na pauta exportadora, que hoje é basicamente dominada por commodities. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Brasil - Indústria: produtividade em alta

SÃO PAULO – Dados que constam de estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a produtividade do trabalho na indústria em 2017 ficou 2,3% superior à média dos principais parceiros comerciais do País em relação a 2016, reforçando uma tendência observada desde 2015. Entre os parceiros comerciais estão Estados Unidos, Argentina, Alemanha, México, Japão, França, Itália, Coreia do Sul, Países Baixos e Reino Unido.

Isso demonstra em números que a situação econômica do Brasil, apesar da turbulência ocasionada por um período de eleições extremamente marcado por posições radicais, não é tão ruim como anunciam os pregoeiros do caos. Basta ver que, como indica o citado estudo que, entre 2016 e 2017, a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira cresceu 4,3% e só não foi maior que a produtividade apresentada pela Coreia do Sul, que cresceu 5,8%.

Já os Países Baixos apresentaram desempenho semelhante ao do Brasil, com um aumento de 4,2% da produtividade. Depois, aparecem Argentina, com 3,8%, e Japão, com 3,3%. É de se lembrar que a produtividade do trabalho é medida como o volume produzido dividido pelas horas trabalhadas na produção. Nos últimos cinco anos (2012-2017), a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira mostrou recuperação e acumulou aumento de 9,1%. O Brasil registrou os mesmos números que Coreia do Sul.

É claro que não se pode, a partir desta constatação, concluir que o País segue em águas tranquilas rumo ao seu futuro grandioso e que nada se deve mais fazer. Pelo contrário. É preciso avançar, até porque a competitividade da indústria continua a ser um importante desafio para a economia brasileira, pois só com preços competitivos será possível aumentar os números da exportação. Para tanto, é preciso também que se aumente a qualidade da educação no País, a fim de se formar operários e dirigentes mais capacitados, além de se investir em ciência e tecnologia.

Obviamente, a competitividade da indústria para aumentar precisa também de investimentos em infraestrutura logística, com a ampliação e conservação das malhas rodoviária, ferroviária e hidroviária e de portos e aeroportos. Só assim será possível competir com os preços exibidos por produtos asiáticos e outros competidores não só no mercado externo como no interno.

Não se pode deixar também de assinalar que esses dados compilados para o estudo da CNI foram obtidos num período que foi marcado pela paralisação no transporte de carga rodoviária que se deu no mês de maio de 2018, como reflexo da greve dos caminhoneiros, ocorrência, de certo modo, inusitada na história do País. De fato, a tendência de alta na indústria de transformação brasileira retrocedeu no segundo trimestre do ano, com a produtividade caindo 3,4% em comparação com o mesmo período de 2017, interrompendo uma tendência de alta registrada desde o segundo trimestre de 2016.

Seja como for, a previsão para os próximos meses é que o indicador de produtividade volte a refletir o aumento da eficiência, o que significa que, apesar da crise econômica, as empresas têm se mostrado eficientes, reduzindo custos, sem fazer cortes drásticos na mão-de-obra, que se tem mostrado competente. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Brasil - Comércio exterior: as propostas da CNI

SÃO PAULO – Embora nos dias de hoje esteja mais preocupado com a sua própria sobrevivência política, o governo Temer faria melhor se, pelo menos na área de comércio exterior, levasse em conta as sugestões que constam da segunda edição da Agenda Internacional da Indústria, lançada há dias pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De prático, o que a CNI espera – e, por extensão, toda a cadeia econômica que gira em torno do comércio exterior – é que, até o final de 2017, o governo consiga concluir as negociações com o México para a assinatura de um acordo que amplie a cobertura de produtos exportados sem imposto de importação ou com imposto reduzido. É de se lembrar que, hoje, 44% de todos os bens vendidos para a economia mexicana estão fora dos acordos comerciais e que cerca de 75% das exportações mexicanas para o Brasil são cobertas por algum tipo de preferência tarifária ou isentas de imposto. O acordo deve ainda incluir temas de serviços, facilitação de comércio, barreiras técnicas e medidas sanitárias e fitossanitárias.

A CNI espera também que o tão propalado acordo entre Mercosul e a União Europeia (UE) seja finalmente assinado, depois de quase duas décadas de negociações. O acordo pode ampliar as oportunidades para 1101 produtos brasileiros, que têm vantagem comparativa em relação aos europeus. Como pelo menos 68% desses produtos hoje pagam tarifas, o acordo é visto como amplamente benéfico para o Brasil. Acontece, porém, que, ao contrário do que ocorria quando as negociações começaram a ser entabuladas, hoje é a UE que passa por uma fase de divergências internas e muitas indefinições políticas em vários de seus países-membros.

A CNI defende ainda as negociações com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta, na sigla em inglês), mas, neste caso, as negociações ainda parecem um pouco embrionárias. Mais fáceis talvez sejam as conversações com África do Sul, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Índia, Irã e Japão, que prevêem a assinatura de Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFIs), incluindo temas como serviços, propriedade intelectual e vistos.

Um ponto importante entre as propostas apresentadas pela CNI é a adoção de um sistema único de pagamento de encargos e taxas aplicadas às exportações e importações. Igualmente de extrema importância, segundo a CNI, é o fim da cobrança ilegal da taxa para escanear contêineres vazios ou cheios nos portos, hoje ao redor de R$ 200 a R$ 400.

A CNI, com razão, condena também o aparecimento de novos tipos de barreiras não tarifárias, especialmente técnicas, sanitárias e fitossanitárias e aquelas associadas à difusão de padrões e regulamentos ambientais e sociais. E defende uma estratégia para mapear e remover barreiras, além de reforçar a proposta de estabelecimento de adidos de comércio e indústria nas embaixadas, que acompanhem a criação por outros países de barreiras que prejudiquem as exportações nacionais.

Entre outras propostas, a CNI defende maior difusão e ampliação do uso do ATA Carnet, passaporte aduaneiro internacional que permite a exportação e a importação temporária de bens e produtos pelo período de um ano, tornando mais fácil a circulação de bens, além  de baratear as operações. A entidade pede ainda que seja priorizada a implementação da assinatura digital do Certificado de Origem, com o qual os produtos brasileiros obtêm vantagens em mercados de países com os quais o Brasil mantém acordos. Afinal, a digitalização reduzirá custo e tempo de emissão do documento. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sábado, 15 de outubro de 2016

Brasil – O acordo marítimo entre Brasil e Chile

6 benefícios para o país com o fim do acordo marítimo entre Brasil e Chile. Na avaliação da CNI, o acordo onera o setor produtivo e encarece as mercadorias nacionais, pois restringe o frete marítimo de contêineres a navios de bandeira brasileira e chilena

O acordo de Transporte Marítimo com o Chile é um obstáculo ao aumento das exportações brasileiras. Desde 2014, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta o governo sobre as distorções que o tratado criou. Assinado em 1974, renovado oito vezes, o acordo criou um duopólio na rota marítima Brasil-Chile-Brasil. Atualmente, só fazem o transporte de carga duas multinacionais. Elas disponibilizam apenas oito navios para atender os mais de 3,5 mil exportadores e quase de 1,2 mil importadores brasileiros.

A CNI aguarda a fim do acordo, previsto para 28 de outubro, data estabelecida pela Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) para que o Ministério do Transportes apresente uma justificativa para manter o duopólio. Na avaliação da CNI, o acordo onera o setor produtivo e encarece as mercadorias nacionais, pois restringe o frete marítimo de contêineres a navios de bandeira brasileira e chilena, únicos autorizados a transportarem cargas entre os dois países. Veja os efeitos previstos com o fim do acordo:

1. Fim da proteção artificial da rota Brasil-Chile-Brasil
A navegação mundial vive um período de “liberdade dos mares”. Não existem reservas de carga entre países da União Europeia ou do Nafta, por exemplo.

2. Aumento da oferta de navios
Em função do convênio, o transporte marítimo entre os dois países está restrito a oito navios. Com o livre-comércio, a disponiblidade de navios triplicaria, de acordo com estimativas da CNI.

3. Fretes mais baratos
As empresas chegam a pagar 40% a mais pelo frete atualmente. Empresas de setores importantes da economia brasileira dizem que dentre os 130 mercados para os quais exportam, o Chile tem o frete mais caro.

4. Previsibilidade para fechar contratos de curto prazo
Para conseguir atender contratos, as empresas são obrigadas a usar o modal rodoviário. Esta opção acarreta fretes entre duas e três vezes mais elevados e as rodovias fecham em determinados períodos no inverno devido às nevascas na Cordilheira dos Andes.

5. Equilíbrio nas relações comerciais
O fim da reserva beneficiará as empresas exportadoras e importadoras dos dois países melhorando o poder de negociação com os armadores brasileiros e chilenos.

6. Menos um obstáculo à exportação
Pesquisa da CNI com 847 empresas brasileiras aponta o custo do transporte como o principal problema para exportar. O fim do acordo ajudará a melhorar essa realidade. Adriana Nicacio – Brasil in “Agência CNI de Notícias”

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Brasil - Um pouco de otimismo

Os dados de julho da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a indústria continua a cortar postos de trabalho, em razão de queda não só nas exportações e importações como do encolhimento do mercado interno, acossado pela crise provocada por um governo que se mostrou relapso na condução das contas públicas. Por trás de tudo, está também uma política equivocada adotada a partir de 2003, quando o novo governo se sentiu incomodado por uma possível dependência do País em relação aos Estados Unidos.

Com isso, deliberadamente, houve uma redução nas vendas de produtos industrializados e semiindustrializados para a nação norte-americana, já que o crescimento da China e sua procura desenfreada por commodities pareciam eternos. Com a desaceleração chinesa, o resultado foi estagnação não só no Brasil como em toda a América Latina, que, como à época do colonialismo, continua majoritariamente como fornecedora de matérias-primas para o mundo desenvolvido.

Segundo a CNI, o faturamento da indústria caiu 6,7% em julho em comparação com o mesmo período de 2014. O que fazer? Aparentemente, só há uma saída: aumentar a produtividade para reduzir a pressão nos custos, o que só se faz com o crescimento das vendas para o mercado externo. Cabe ao governo ajudar a reduzir a pressão nos custos. Mas, seja como for, o panorama é menos drástico do que tem sido apresentado na mídia. Até porque a Europa, mercado-alvo para os produtos industriais brasileiros, tem registrado sensível melhora. Pelo menos é que mostra o indicador Purchasing Managers’ Index (PMI) da Markit, o principal medidor mundial.

Segundo o PMI, o emprego industrial em agosto, na zona do euro, subiu em ritmo mais rápido em comparação com os últimos quatro anos, com um crescimento contínuo na Alemanha, Itália, Espanha e Holanda, enquanto Áustria, Irlanda e França crescem em ritmo menos intenso. Só a Grécia está em ritmo decrescente em razão da ausência de novas encomendas e uma queda acentuada na produção.

O PMI também mostra que o nível de empregos no setor industrial brasileiro diminuiu com o prolongamento do período de baixa. Ao atingir 45,8 em agosto, valor inferior ao recorde de baixa de 47 meses de 47,2 observados em julho, o índice PMI continuou a indicar uma piora das condições de negócios no setor como um todo.

Mas, se a indústria na Europa está em fase de retomada do crescimento, tudo indica que essa tendência será seguida em breve por sua congênere brasileira. Até porque o boletim Focus do Banco Central prevê que a balança comercial brasileira (exportações menos importações) terá saldo positivo de
US$ 8 bilhões, em 2015.

Com isso, entrarão no País mais recursos através dos ganhos das exportações do que os recursos que saem pelo pagamento de importações, o que equivale a dizer que os produtores nacionais e a economia em geral terão maiores recursos para realizar e desenvolver novas atividades, acelerando o crescimento. Um pouco de otimismo é o que se pede nesta hora. Adelto Gonçalves – Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista especializado em comércio exterior, é doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br