Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Galiza – Largura e comprimento

Na altura histórica em que a crise económica chega a toda a parte, alguma experiência pessoal, mesmo alguma notícia, pode abrir-nos novas expectativas, fazendo abrir os olhos a realidades existentes ao nosso lado. Não necessariamente ao nosso lado físico, porque há formas de proximidade e distanciamento que não podem ser medidas com o sistema métrico decimal.

Durante as férias de verão, uma empregada de uma conhecida empresa galega foi chamada para regressar urgentemente ao posto de trabalho. Tinha de fazer um orçamento de materiais para Angola no prazo mais breve possível. O contrato, em português, por um volume de negócio muito elevado, daria trabalho para um número importante de pessoas, de famílias, e o pagamento estava garantido. Durante a elaboração do orçamento, as colegas do escritório perguntaram-lhe se sabia bem o que eram “largura” e “comprimento”, porque errar nas medidas daria num rejeitamento do produto, perda económica para a empresa, desprestígio e anulação de futuros contratos num dos países com maior crescimento económico de África e do mundo. Os substantivos que a funcionária conhecia eram “largo e ancho”, que aprendera nas aulas de castelhano, ou talvez na de galego… já nem se sabe. A questão é que “largo e ancho”, como aprendera a denominar as medidas de um objeto de duas dimensões, não lhe serviam para conseguir o contrato com Angola. Tinha de ser feito em português, sem erros de cálculo e à primeira.

O passado 9 de outubro assisti, com outros colegas, à conferência "Perspetivas da Língua Portuguesa", realizada na Universidade do Minho e organizada pola Comissão de Promoção de Difusão da Língua Portuguesa da CPLP. O encontro contou com a participação oficial do Governo galego, representado por Valentín García Gómez, Secretário-Geral de Política Linguística, ao que os organizadores deram o lugar mais destacado possível, em concordância com a AGLP. Uma participação num encontro internacional de alto nível diplomático que constitui um reconhecimento implícito para a Galiza, e um oportunidade para um governo de uma comunidade autónoma alheia à CPLP. Um privilégio que ainda não receberam estados como o Geórgia, Namíbia, Turquia ou Japão, admitidos em julho de 2014 como observadores associados da CPLP.

Nesse mesmo encontro o representante da Missão da Guiné Equatorial na CPLP, que se apresentou e falou pola primeira vez, depois de o seu país ser admitido como membro de pleno direito, fez o esforço de falar em português e do português, o que é de agradecer. Naturalmente na Guiné Equatorial há outras línguas, como também em Cabo Verde, Timor, Angola ou Moçambique. Ora, a entrada neste clube significa entender e assumir o uso e promoção da língua comum, objeto de uma política internacional de consenso.

Todos os presentes durante a sessão da manhã dessa Conferência, agora disponível integralmente em vídeo, assistimos à apresentação sobre o “Potencial Energético da Lusofonia” realizada por José Eduardo Sequeira Nunes, da empresa GALP. Não é que eu goste muito nem pouco do mundo dos hidrocarbonetos, mas vivendo da economia real não posso deixar de ver as oportunidades que se apresentam para a Galiza. Ficamos a saber, durante a palestra do Sr. José Nunes, que a grande maioria das descobertas de petróleo e gás natural, a nível mundial, nos últimos dous anos, se encontram em territórios de língua portuguesa, nomeadamente Brasil, Angola e Moçambique. Soubemos também que estes dous últimos países precisarão um determinado número de barcos de grande capacidade para transportar esses combustíveis. E não só, porque todos os países da CPLP, salvo Portugal, têm grandes expectativas neste sentido.

Deixando a um lado a análise da provável mudança na geoestratégia a nível global que estas descobertas de recursos naturais vão provocar nas próximas décadas, a pergunta mais doméstica e imediata que eu me fazia é quem vai conseguir esses contratos de construção naval. Uma das notícias que nos tem preocupado aos galegos durante os últimos anos e décadas é a problemática do setor naval na zona de Ferrol, e as dificuldades para assegurar a sua viabilidade. A este respeito cabe dizer que os barcos também têm largura e comprimento.

À vista destes dados, que são só um exemplo ocasional, é fácil perceber que estamos à frente de importantes oportunidades, mesmo se alguns só conseguem ver riscos. Tornar o Galego útil para a Galiza também é uma forma de fazer país. Poderíamos dizer que, sobre este tema, há pontos de vista mais ou menos discutíveis, e há também pontos de cegueira, círculos viciosos que não nos permitem uma perceção da realidade diferente da estabelecida. Recuperar o sentido instrumental da língua é vital, não só para a comunidade linguística, mas também para a projeção política e económica, para o futuro do país. Ângelo Cristóvão – Galiza in “Portal Galego da Língua”

José Ângelo Cristóvão Angueira - (Santiago de Compostela, 1965), licenciado em Psicologia pela Universidade de Santiago, especializou-se em Psicologia Social. É empresário (faz parte da Junta Diretiva da Associação de Empresários de Padrão) e atualmente preside a Associação Cultural Pró AGLP. Também é académico e secretário da Academia Galega da Língua Portuguesa desde a sua fundação (2008).

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Luxemburgo – Crianças punidas por falarem português nas creches e ATL

Em Esch e Rodange - Crianças portuguesas no Luxemburgo punidas por falarem português em creches e ATL.

Há crianças portuguesas no Luxemburgo que são punidas e separadas do grupo se falarem português em creches e ateliers de tempos livres (ATL), disse ao CONTACTO uma funcionária portuguesa que trabalha num estabelecimento público deste tipo em Esch-sur-Alzette.

Maria, nome fictício para proteger o anonimato, conta que a direcção de um ATL ("maison relais", em francês), que inclui uma creche, em Esch, proíbe expressamente os educadores e auxiliares portugueses de falarem com as crianças na sua língua materna, proibição que se estende também às conversas entre os meninos, quase todos de origem portuguesa.

“Foi-nos dito que não podíamos falar português com os miúdos e que eles também não podiam falar português entre eles, é uma regra da casa”, conta a funcionária portuguesa. "Já chegámos a levar raspanetes da chefe por estarmos a dialogar entre nós em português", diz Maria.

As línguas autorizadas neste ATL onde as crianças passam entre quatro a seis horas por dia, fora do horário escolar, estão indicadas num painel na sala principal, "feito em conjunto" com os menores no início do ano, e limitam-se aos três idiomas oficiais do país: francês, luxemburguês e alemão.

A proibição de falar outras línguas aplica-se a todas as crianças que frequentam o atelier de tempos livres, que acolhe meninos dos três meses de idade aos 12 anos, garante a funcionária.

“Na ‘garderie’ (creche), as educadoras são um pouco mais flexíveis, mas a proibição existe na mesma”, conta Maria. “Facilitam mais e não se importam que falem em francês (em vez de luxemburguês), pelo menos no início do ano lectivo", explica. É que apesar de o Luxemburgo ter três línguas oficiais, e de o ATL autorizar o seu uso, "há uma exigência de falar luxemburgês em primeiro lugar", frisa a funcionária.

Para garantir que a proibição é cumprida, o ATL tem um sistema de castigos para as crianças, que vão da separação dos meninos que falem português com os colegas até ao isolamento.

“Há o castigo de os separar, de pôr um menino numa mesa e outro noutra, para não poderem falar entre eles, ou o isolamento numa mesa em frente ao escritório (dos funcionários)”, explica Maria.

Fora do ATL, nas saídas de grupo, a punição pode mesmo chegar à imobilização forçada. “Se vamos a caminho do parque ou da escola, há o castigo dos cinco minutos sentados. A criança [que falou português] tem de se sentar ou ficar quieta durante cinco minutos”, conta.

Na “maison relais” de Esch há apenas dois meninos luxemburgueses: os restantes, cerca de meia centena, são portugueses ou cabo-verdianos, e os castigos são aplicados “diariamente”, garante a funcionária.

Os funcionários do ATL têm também instruções para estar atentos ao grupo e organizar a sala de forma a evitar que o português seja utilizado. “Verificamos a disposição das crianças, sobretudo no primeiro mês, quando chegam, e mudamo-las de sítio ou de mesa para não poderem falar entre elas em português”, diz Maria.

A funcionária diz que “compreende” a proibição, porque acredita que pode ajudar as crianças “a falarem melhor luxemburguês”, mas há ocasiões em que admite que fala português “às escondidas”. 

“Eu própria falo português com as crianças, mas um bocadinho às escondidas, porque às vezes é mais fácil para elas comunicarem e porque precisam de afecto, e é mais fácil transmitir esse carinho na língua que elas compreendem”, confessa Maria. “Eles vêm-me perguntar: ‘Posso-te dizer em português, porque não sei em luxemburguês?’, e eu digo que sim, ‘mas baixinho’”.

Proibição aplica-se noutras creches e escolas

O ATL onde a funcionária portuguesa trabalha não é o único onde vigora a proibição de falar português em Esch-sur-Alzette, a segunda maior cidade do país e uma das localidades com maior percentagem de portugueses no Luxemburgo, que Passos Coelho visitou na semana passada.

“Conheço uma menina que frequenta outra ‘maison relais’" na cidade (um estabelecimento que também é público), “e ela queixou-se que eles lá também não os deixam falar”, diz Maria.

Em Rodange, também no sul do país, a interdição de falar português também se aplica nos infantários e na escola primária, disse ao CONTACTO Manuel Santos, com um filho de sete anos.

No mês passado, a criança foi castigada com trabalhos de casa suplementares por ter falado em português com um colega, durante uma visita da turma do segundo ano da escola primária de Rodange à capital, para ver um concerto de música clássica.

"Falou na rua, não foi na sala de aulas", queixa-se o pai. "Achei uma injustiça numa classe em que são quase todos portugueses, é normal que falem a língua dos pais, e só não reclamei porque tenho quase a certeza que o miúdo ia ser prejudicado", diz Manuel Santos.

Mas a proibição de falar português já vem do jardim-de-infância, garante Manuel Santos, a viver no Luxemburgo há quase 12 anos. "No infantário era a mesma coisa, nem nós pudemos falar em português com as empregadas, que são portuguesas, e as crianças também não".

O ministro da Educação do Luxemburgo anunciou em Julho a intenção de criar creches e "maisons-relais" bilingues, em francês e luxemburguês, que seriam gratuitas. O objectivo, disse na altura Claude Meisch ao l'Essentiel, é evitar que "as crianças de origem portuguesa, francesa ou servo-croata frequentem creches privadas onde o pessoal só fala francês", de modo a aprenderem também luxemburguês, um dialecto frâncico-moselano reconhecido como idioma oficial do país em 1984.

O CONTACTO noticiou na quarta-feira o caso de um director de uma turma de um liceu que proibiu os alunos de falar português nas aulas, uma decisão que mereceu a aprovação da ministra da Família e da Integração do país, Corinne Cahen.

A medida indignou a comunidade portuguesa e é criticada por especialistas em pedagogia e educação ouvidos pelo CONTACTO. Ao que o jornal apurou, a proibição de falar português é transversal a todos os níveis de ensino e começa logo no infantário, aplicando-se em várias escolas do país. Paula Alves – Luxemburgo in “Contacto”

Portugal – Coimbra, Universidade do conhecimento em língua portuguesa

“…Nós somos e continuaremos a ser uma Universidade em Língua Portuguesa. É uma Universidade que não tem nenhum problema, pelo contrário, tem a obrigação de conseguir que os seus estudantes falem outras línguas, nós temos que preparar os nossos estudantes para o mundo, e portanto têm todos de dominar várias línguas, mas o ensino é e estou absolutamente convencido continuará a ser em língua portuguesa, porque uma língua, só o é, se for também uma língua de conhecimento.

Uma língua só é viva, só trará futuro se for também uma língua do conhecimento, não pode ser apenas a língua da família, não pode ser apenas a língua do contacto social, não pode ser apenas a língua da literatura e da poesia, tem que ser também a língua da ciência, a língua da técnica, a língua da transmissão do conhecimento que faz andar o mundo, e isso é algo que só as Universidades podem ter, podem trazer, a Universidade de Coimbra muito em particular como compreendem com uma responsabilidade muito maior, dada a longevidade, mas todos em conjunto mantendo essa mesma via...” Gabriel Silva – Portugal

João Gabriel Monteiro de Carvalho e Silva - Concluiu em 1980 a licenciatura em Engenharia Electrotécnica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) com a classificação final de 18 valores. Em 1988 obteve o grau de Doutor pela Universidade de Coimbra em Ciências de Engenharia, especialidade de Informática, tendo sido aprovado por unanimidade, com Distinção e Louvor. Tem tido uma participação intensa na gestão universitária, quase ininterrupta desde que entrou na Universidade de Coimbra em 1975. Pertenceu ao Senado desde 2001 e foi eleito para a Assembleia da Universidade de 1998 até à sua extinção em 2008. Foi membro da Assembleia Estatutária em 2007/2008 e do Conselho Geral em 2008 e 2009. Foi eleito Diretor da FCTUC em 2009 - cargo que ocupou até 2011 - depois de ter sido eleito Presidente do Conselho Directivo e do Conselho Científico em 2006 e re-eleito em 2008 para os dois cargos. No plano internacional teve uma intervenção central na participação da FCTUC nos programas de cooperação de Portugal com a Universidade de Carnegie Mellon e o Massachusetts Institute of Technology. Participou ainda em diversas reuniões do Grupo de Coimbra, e em outras missões pontuais, em particular junto da Comissão Europeia.


domingo, 2 de novembro de 2014

Angola – Machismo mata

Cada vez que uma mulher é vítima de violência doméstica ou qualquer outro tipo de violência de género, todas nós estamos em perigo. Cada vez que as estruturas judiciais são benevolentes com os agressores, todas nós deveríamos nos sentir desprotegidas. Cada vez que a sociedade banaliza a violência que sofremos, não querendo identificar o machismo dessas agressões, ficamos todas um pouco mais invisíveis e mais vulneráveis. Perante tamanha injustiça, era numa só voz que nos deveríamos levantar todas para combater a violência e a ignorância.

Não há eufemismo mais perigoso do que a expressão “crime passional”. Dela se deduz que o agressor matou por amor, “um sentimento nobre que às vezes leva à loucura”. Mas não é o amor que mata: é o machismo. Ou então é uma noção machista de amor, colada a um sentimento de posse. “Ela é minha. Se não for minha, não será de mais ninguém.” Não, ela não é tua nem de ninguém. Não a possuis, não a controlas e em nenhuma circunstância terás o direito de a maltratar. Nada justifica a agressão. Não há motivo que nos comova, nem amor, nem ciúme, nem loucura.

Insistir na ideia de “crime passional” leva-nos, portanto, a desviar o foco do verdadeiro problema, um problema profundo que coloniza as nossas consciências, a nossa linguagem e os nossos primeiros instintos quando nos deparamos com casos destes. Precisamos de nos libertar desses preconceitos discutindo o que merece ser discutido. Debater a psicologia do agressor não é mais importante do que condenar sem pudor a violência que a vítima sofreu. Há questões mais importantes para se falar.

Falemos dos entraves que enfrenta uma mulher agredida pelo seu companheiro, quando decide ir fazer uma denúncia a uma esquadra da polícia, em Angola. Falemos da falta de apoio da família e dos amigos. Falemos da dificuldade que têm essas mulheres para dar esse passo difícil de denunciar o seu agressor, muitas vezes o pai dos filhos. Vamos falar dos vizinhos inertes e em silêncio cúmplice, que em noites repetidas escutam as discussões na casa ao lado, discussões que tantas vezes terminam em choro, quando a violência verbal se transforma em violência física. Falemos das marcas no rosto no dia seguinte, na vergonha e nas desculpas esfarrapadas.

Falemos sobre como a sociedade encobre essa violência, aceita essa violência, desculpa essa violência. Falemos abertamente sobre porque é que isso acontece. Falemos do namorado controlador, do namorado ciumento que às vezes te aperta o braço com um pouco mais de força, que te grita e te ameaça, que depois pede desculpas e promete que “nunca mais”. Falemos da cultura popular: “entre marido e mulher não se mete a colher”. Vamos falar do amor machista, do assédio, da violência verbal, da invisibilização feminina.

Falemos de um mundo onde um homem que disparou quatro vezes contra a mulher com quem estava casado recebe cinco anos de prisão. Um mundo onde a mulher que matou para se defender de uma violação é enforcada. Falemos do caso dos Combatentes reflectindo criticamente sobre o conteúdo daquilo que dissemos e ouvimos durante estes dias. Falemos das vezes que renegamos a urgência do feminismo ou que lhe trocamos o nome com medo que nos ridicularizassem. Não há nada de ridículo em lutar contra o machismo. O machismo destrói, oprime, diminui. O machismo mata. Aline Frazão – Angola in “Rede Angola”

sábado, 1 de novembro de 2014

Brasil – Situação das rodovias brasileiras

Pesquisa da CNT mostra demandas de rodovias brasileiras

Quase metade dos 98.475 km de rodovias avaliadas pela Pesquisa CNT de Rodovias 2014 apresenta algum tipo de deficiência no pavimento como buracos, trincas, afundamentos, ondulações, entre outros. Conforme o levantamento, 49,9% dos trechos foram classificados como regulares, ruins ou péssimos, o equivalente a 49.120 km. Os resultados do levantamento ressaltam a importância estratégica da Brazil Road Expo (BRE) 2015 evento que reunirá todas as soluções e tecnologias para melhorar a qualidade das rodovias brasileiras, e não apenas no quesito pavimentação. A 5ª edição da BRE acontecerá de 24 a 26 de março de 2015, em São Paulo.

O estudo, que está na sua 18ª edição, avaliou, além da pavimentação, a sinalização e a geometria de aproximadamente 98.475 mil quilômetros de estradas no Brasil, o que abrange todos os trechos pavimentados federais e as principais rodovias estaduais.

Comparando-se os resultados obtidos há 10 anos com os dados levantados agora, observa-se uma discreta melhora no estado geral das rodovias brasileiras, mas a demanda por obras ainda é muito grande. Na pesquisa CNT de 2004, 74,7% dos 74.681 km avaliados apresentavam problemas. Este ano, dos 98.475 km avaliados, o percentual com problemas foi de 62,1%. Em 2010, 9 dos 10 melhores trechos estavam no estado de São Paulo. Em 2014, 10 dos 10 melhores estão no estado de São Paulo. Em ambos os levantamentos, as 10 melhores rodovias do país estavam sob a gestão da iniciativa privada.

Do total de quilômetros avaliados, 79.515 estão sob gestão pública e 18.960 sob gestão de concessionárias. Na avaliação do estado geral das rodovias sob gestão pública, 29,3% da extensão das rodovias foram consideradas “boa ou ótima” e, 70,7%, “regular, ruim ou péssima”. Já a extensão de rodovias sob gestão de concessionárias obteve avaliação de 74,1% como “boa ou ótima”, e 25,9% como “regular, ruim ou péssimo”.

De acordo com a organização da Brazil Road Expo, que é o principal evento de infraestrutura viária e rodoviária do Brasil, a pesquisa da CNT evidencia a necessidade que o país tem de avançar em termos de investimento em infraestrutura, especialmente no que se refere à qualidade das estradas, importante para o escoamento de nossas riquezas. Segundo Fernando Merida, gerente do evento, o aumento da competitividade da economia brasileira passa pelas rodovias já que o modal rodoviário responde por cerca de 60% da matriz de transportes de cargas no Brasil. “A pesquisa mostra também que é fundamental que o governo continue trabalhando no programa de concessões e buscando parcerias com a iniciativa privada”, completa o executivo.


De acordo com a pesquisa, são necessários investimentos de mais de R$ 290 bilhões para que sejam executadas as obras de melhoria. In “Portogente” - Brasil

Macau – Live Music Association: nova casa em projecto renovado

Como muitas outras associações em Macau, a Live Music Association viu-se obrigada a abandonar a sua antiga sede. O resultado, acreditam, pode ser bem melhor.

No início deste ano, a Live Music Association (LMA), ou Associação de Música ao Vivo, perdeu a sua sede, onde estava há seis anos, mas apenas três meses depois encontrou um novo espaço, e desde que se mudou em Agosto já acolheu e produziu uma série de concertos de grandes bandas indie internacionais, incluindo nomes como os Tempers (USA), Blue Hawaii (Canada), Taragana Pyjarama (Dinamarca) e Bottled in England (Denmark).

Com o novo espaço, surgiu um novo projecto:

“Faremos o possível para que o público local contacte com bandas emergentes internacionais, de forma regular, contribuindo para alargar o seu espectro musical”, diz o presidente da LMA, Vincent Cheang, conhecido como G Tat.

“A nossa festa de abertura, em Agosto, contou com as bandas FM3v de FM3 (Pequim), Dadahack (Reino Unido), Matchbox (Hong Kong), The Muff (Zhuhai), Esqueça o G (Macau), LAVY (Macau), entre outras “.

“Entretanto, iremos continuar a apoiar músicos profissionais que sejam inspiradores, para que possam atrair quem quer que procure experienciar música ao vivo”, acrescenta.

Com uma área total de 1.600 metros quadrados e espaço para cerca de 150 pessoas, o novo local

é menor que o anterior mas, ainda assim, um bom espaço para as bandas realizarem espectáculos e ensaios.

“Mesmo não sendo tão espaçoso como o anterior, será mais fácil criar neste novo local um ambiente aconchegante e uma atmosfera própria, quer para as bandas, quer para o público, que entra num clima informal e íntimo”, diz Cheang. “Estamos a conseguir aproximarmo-nos do público e ele é a chave para que se consiga uma maior ligação com o espaço e com a nossa música.”

Mais do que meros concertos, os eventos da LMA são grandes festas. “É definitivamente emocionante quando temos uma casa cheia. Pessoas unidas por ideias comuns, juntas neste local criado para a música Indie, em Macau, dentro de um edifício industrial e onde podem conhecer-se facilmente antes e durante os espectáculos “, explica Cheang .

Sendo a única organização sem fins lucrativos que tem como objectivo promover apresentações de música ao vivo em Macau, a LMA tem trabalhado com um leque muito diversificado de pessoas locais, que de outra forma nunca teriam oportunidade de apresentar e experimentar a música ao vivo.

A sua abordagem distinta tem sido desenvolvida ao longo dos anos, desde a sua criação em 2008.

Fundada por um grupo de músicos, técnicos de luz e som, residentes em Macau, que partilham entre si o gosto pela música ao vivo, a LMA tem organizado, ao longo dos anos, concertos regularmente, oferecendo uma plataforma quer a bandas locais, quer a bandas estrangeiras que vêm tocar a Macau, para a realização de grandes concertos e espectáculos únicos. Kelvin U – Macau in “Ponto Final”

Programa

Não se esqueça de marcar as datas dos próximos espectáculos até ao final do ano:

07 de Novembro – Goodmorning Everyone (Indonesia)
14 de Novembro – Left Blues (Pequim)
21 de Novembro – FM3 (Pequim)
02 de Dezembro – Dan Deacon (Nova York)

Morada: Avenida do Coronel Mesquita, nº 50, Edifício Industrial San Mei, 11-B

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

CE-CPLP - Encontro de Negócios CE-CPLP & JETRO - Japan External Trade Organization

A Diretora Geral da CPLP, Georgina Benrós de Mello, sublinhou a importância de criar "uma Comunidade de pessoas em vez de uma Comunidade de Estados e Governos".

Realizou-se no passado dia 29 de Outubro de 2014 um Encontro de Negócios entre uma delegação de empresários japoneses e Associados da CE-CPLP, num evento organizado em conjunto com a JETRO - Japan External Trade Organization. Estiveram presentes o Presidente da CE-CPLP, a Diretora-Geral da CPLP, o Embaixador do Japão em Portugal e o Diretor Geral do Escritório da JETRO em Paris.

No encontro, o Presidente da CE-CPLP, Salimo Abdula, proferiu um breve discurso de abertura sublinhando a importância de alargar e aprofundar as relações económicas entre os países membros da CPLP e os países observadores, focando o Japão como um pólo de desenvolvimento económico e tecnológico com capacidades para ajudar o desenvolvimento da economia da CPLP.


A Diretora Geral da CPLP, Georgina Benrós de Mello, sublinhou a importância de criar "uma Comunidade de pessoas em vez de uma Comunidade de Estados e Governos". No breve discurso que proferiu no início do Encontro, Georgina Benrós de Mello destacou também a entrada da Guiné Equatorial enquanto país membro da CPLP e o alargamento dos países destacados com a posição de Países Observadores, dos quais fazem parte o Japão. "Acreditamos que o Japão tem muito a trazer ao Mundo da Língua Portuguesa, com a perspicácia, experiência, tecnologia, o know-how e os recursos que mostraram ao mundo e fizeram do Japão referência em todo o planeta", concluiu a Diretora-Geral da CPLP.

Salimo Abdula apresentou ainda à delegação japonesa as oportunidades de negócio e investimento em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, explorando os mercados destes quatro países da CPLP. A Guiné Equatorial, membro mais recente da Comunidade, mereceu também a atenção do Presidente da CE-CPLP, sobretudo pelos recursos naturais de que dispõe e pelas "excelentes oportunidades de negócios" que podem ser encontradas no país.

No final, houve ainda tempo para alguns encontros B2B entre Associados da CE-CPLP e membros da delegação japonesa liderada pela JETRO, durante os quais surgiram trocas de contactos e de informações sobre empresas e possíveis investimentos que reforcem as relações entre os vários países. CE-CPLP