Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 21 de junho de 2024

Brasil - ‘Monstro Lixo’: Projeto português chega à cidade de Santos para conscientização ambiental

No litoral paulista, uma figura imponente e dona de um olhar assustador recepciona quem passa pelo bulevar da Rua XV de Novembro, no Centro Histórico de Santos, durante o Encontro das Cidades ODS, que aconteceu nesta sexta-feira (21). A descrição corresponde ao monstro marinho construído pelos alunos da UME Ayrton Senna, no Campo Grande, em 2022, para retratar o vilão que está destruindo o planeta, os resíduos plásticos.



A criatura repleta de material reciclado, inspirada nos monstros das cartas náuticas do século 16, é um dos trabalhos realizados pelo projeto Monstro Lixo, organizado pela Escola Profissional de Vila do Conde, em Portugal, em parceria com a Prefeitura Municipal de Santos, por meio da Secretaria de Educação (Seduc). Na iniciativa criada pelo produtor cultural da Baixada Santista, Amauri Alves, bonecos gigantes e coletores de lixo com estéticas assustadoras são confeccionados e expostos por alunos do Ensino Fundamental II para promover a conscientização ambiental.

As obras do projeto têm base de papelão e possuem esculturas e colagens de texturas a partir da coleta de resíduos de lixo. A professora de Arte, Márcia Justino Alves, coordenadora do projeto, explica que as artes plásticas reforçam a importância dos 3R’s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) em uma sociedade que consome muitos recursos naturais.

“Didaticamente, o ‘Monstro Lixo’ busca reduzir o impacto ambiental negativo causado pelo excesso de consumo e desperdício de materiais. Além, claro, de incentivar a prática da reciclagem, promover o hábito da separação de resíduos domésticos e o seu descarte correto e, por fim, fomentar o estudo da cultura oceânica”, ressalta.

O Monstro Lixo já contemplou a UME Ayrton Senna da Silva e atualmente está na UME Monte Cabrão, na Área Continental. Além de representar a realidade e promover uma sensibilização, os alunos participantes têm a oportunidade de realizar um intercâmbio virtual com estudantes portugueses.

A secretária de Educação, Cristina Barletta, enfatiza que o impacto do projeto ultrapassa o ambiente escolar, desconstruindo a cultura do descarte incorreto. “Eles chamam a atenção pelos tamanhos e cores para propor uma reflexão diante do descarte responsável, coleta e separação de resíduos. Uma iniciativa que aborda o impacto do lixo em relação ao meio ambiente e como podemos fazer para que isso seja revertido”, complementa.

Programação da vila ODS

Incluindo o Monstro Lixo, a Vila ODS terá diversas atrações socioambientais, que se dividem entre tendas e um palco. Os artesãos de produtos com material reciclado das instituições Chuviscos Art, Creche Mundo Novo, Onde de Nós e da Prefeitura de Itanhaém (Projeto Reciclar) abriram a mostra de artesanato. Na sequência, a exposição ’17 cartoons para mudar o mundo’ também ficará disponível ao público, com produções artísticas para cada bandeira dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Ao meio-dia, os personagens Dr. Onu e Omar, ambos da Cia SSM Arte, realizaram intervenções cênicas. O primeiro é um simpático médico que, através de uma maleta de primeiros socorros, apresenta os curativos para as metas dos ODS, enquanto o segundo é um vendedor ambulante que oferece um “produto que não tem preço”, a conscientização.

A partir das 13h, o grupo Água e Sal agitou o público com um setlist de músicas de engajamento socioambiental. No mesmo horário, o Projeto Pescarte, uma rede integrada por pescadores artesanais do Rio de Janeiro, se une aos demais expositores de artesanato. Das 14h às 17h, a atração musical ficou por conta do DJ Fábio, no mesmo horário em que aconteceu a intervenção cênica ‘Olha o Palhaço no Meio da Rua’, da Bella Cia. Por fim, às 18h, o personagem ‘Seo Cara de Papel’, acompanhado de seu inseparável acordeão, fechou a programação da Vila ODS.

Encontro das cidades ODS

O Encontro das Cidades ODS, promovido pelo Movimento ODS Santos 2030, busca conectar representantes de todo o País à comunidade santista em um chamado à ação pela implementação urgente dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos municípios, previstos na Agenda 2030 da ONU. A programação contou com painéis e mostras, sediadas na Associação Comercial de Santos (ACS), que já estão com ingressos esgotados, além das atrações da Vila ODS.

O evento também arrecadou donativos para a Creche Mundo Novo, situada no Rádio Clube, Zona Noroeste. A instituição oferece cuidados e educação para mais de 100 crianças, com idades entre 0 e 4 anos, e precisa de doações para melhor atendê-las.

O Encontro das Cidades ODS é uma realização do Movimento ODS Santos 2030 em parceria com a Prefeitura de Santos, DP World, EcoPorto, Transbrasa, Terminal Exportador do Guarujá, Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá, Terminal Exportador de Santos, Hidrovias do Brasil, EcoFábrica ZNO, MS Content, RR Agro e RR Cargo, Unimar Agenciamentos Marítimos Rotary Club Santos Aparecida, Ibis Santos Valongo, Associação Comercial de Santos (ACS), Cultivo Tech, Gran Bazar Encontro de Empreendedores, Nunes Projetos Incentivados e Santos Press. In “Mundo Lusíada” - Brasil


segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Portugal - Cientistas da Universidade de Coimbra apresentam novas técnicas para combater o lixo eletrónico


O lixo eletrónico é um dos resíduos tóxicos com crescimento mais acentuado nos últimos anos. Agora, investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram e testaram um conjunto de novas técnicas que permitem reverter esta realidade e aplicar a política dos 3R’s (reduzir, reutilizar e reciclar) na área da eletrónica. Os resultados foram publicados na revista Advanced Materials.

A investigação, financiada no âmbito dos projetos WoW do Programa Carnegie Mellon Portugal (CMU Portugal), Dermotronics e SMART Display, representa um novo passo no combate à poluição tecnológica. Atualmente, a produção de lixo eletrónico atingiu um nível alarmante de 7 kg/pessoa/ano. Apenas 20% do lixo eletrónico é enviado para reciclagem, e só uma pequena percentagem de metais preciosos, principalmente ouro, é recuperada.

Apesar da urgência em encontrar soluções e novas formas de produção, Mahmoud Tavakoli, primeiro autor do artigo científico, explica que a efetiva aplicação dos 3R’s à eletrónica só é possível «se pudermos demonstrar novas técnicas de fabricação que, por um lado, dependem de materiais resilientes, reparáveis e recicláveis e, por outro, podem competir com as técnicas existentes em termos de resolução de padrões, implementação multicamada, integração de microchips e fabricação autónoma».

Esta investigação, que está em curso no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), introduz uma nova arquitetura para uma produção escalável, autónoma e de alta resolução de dispositivos eletrónicos 3R.



Em concreto, os cientistas introduziram uma nova arquitetura para materiais macios, como compósitos condutores e substratos que satisfazem os objetivos 3R; desenvolveram técnicas de fabricação autónomas, incluindo padrões digitais de alta resolução e soldagem de microchips numa única etapa, e ainda tecnologias de suporte para a reciclagem de materiais e componentes.

De acordo com o investigador do ISR e docente da FCTUC, outro fator diferenciador deste processo de fabrico é ser realizado à temperatura ambiente, um passo essencial para a eletrónica verde: «é tudo feito à temperatura ambiente, incluindo a deposição, padronização e soldagem dos microchips. A eliminação da temperatura do processo de sinterização (como é comum em eletrónicos impressos) e do processo de soldagem reduz consideravelmente o consumo de energia».

Esta investigação apresenta uma mudança de paradigma e fornece as bases para a próxima geração de dispositivos eletrónicos recicláveis. No entanto, as técnicas desenvolvidas ainda requerem um maior desenvolvimento tecnológico «para atingir a mesma maturidade que a atual tecnologia de circuitos impressos, isto é, carecem da maturidade necessária, incluindo a resolução de padronização desejada e o nível de automação adequado, para aplicações industriais», finaliza Mahmoud Tavakoli. Universidade de Coimbra - Portugal