Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Macau - Café Lisboa reabre portas já esta sexta-feira

Depois de quase cinco meses em que esteve fechado, o Café Lisboa/A Baía vai reabrir já esta sexta-feira. O restaurante continua no NAPE, no mesmo sítio onde se estabeleceu em 2020. Ao Ponto Final, Carlos e Rosa mostram-se optimistas quanto ao futuro


O Café Lisboa – que no início de 2020 se fundiu com o restaurante A Baía no NAPE – vai reabrir já esta sexta-feira. O restaurante estava fechado desde o final de Setembro do ano passado. Ao Ponto Final, o casal Carlos e Rosa disse estar confiante no futuro.

Depois das mensagens dos clientes habituais a pedir o regresso do Café Lisboa, o restaurante está agora de volta e até já tem mesas reservadas para sexta-feira – o primeiro dia de actividade após a pausa.

O objectivo inicial era reabrir o restaurante no início do Ano Novo Chinês, mas as obras que o casal quis fazer no espaço atrasaram-se ligeiramente, o que fez com que só agora seja possível recomeçar as operações.

Em Setembro, o encerramento deveu-se principalmente a dois factores: falta de mão-de-obra e o contrato de arrendamento do espaço. O casal chegou entretanto a acordo com o senhorio do espaço e o novo contrato prolonga-se até 2025.

Os problemas de mão-de-obra também foram mitigados. Em Setembro, o desejo de Carlos e Rosa de renovarem o pessoal esbarrava na impossibilidade de fazer voltar os trabalhadores que estiveram no Café Lisboa durante vários anos e que estão agora nas Filipinas. No início de 2020, quando o restaurante passou da Taipa para o NAPE, o casal não conseguiu levar consigo os trabalhadores que tinha, tendo estes voltado para as Filipinas.

Agora, o casal já conseguiu contratar dois funcionários e está à espera de um terceiro que deverá chegar em breve. O ideal, conta o casal, seria terem seis trabalhadores e, por isso, será pedido às autoridades mais quotas para contratar trabalhadores não-residentes.

O Café Lisboa encerrou em Setembro do ano passado, numa altura em que as restrições em Macau ainda eram muitas. Aliás, o Café Lisboa/A Baía estabeleceu-se no NAPE no início de 2020, na mesma altura em que começava a pandemia de Covid-19, por isso, os três anos foram marcados pelas dificuldades resultantes da epidemia.

Em Setembro, o casal dizia ao Ponto Final que, desde que abriu o Café Lisboa na Taipa em 2001, o ano de 2022 foi o pior. “São quase três anos a remar contra a maré”, lamentava Rosa.

Actualmente a situação é bem diferente. No início deste ano as autoridades levantaram as restrições impostas e os turistas têm chegado a Macau a bom ritmo, o que faz com que o casal olhe para o futuro com optimismo. “Esperamos que agora seja um pouco melhor”, comentou Rosa. Recordando que antes da pandemia, ainda na Taipa, o restaurante recebia turistas vindos do interior da China, Hong Kong, Taiwan e Japão, Carlos apontou: “Esperemos que voltem”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Macau - Café Lisboa sai da Taipa em direcção ao NAPE para fusão com o Baía

O icónico restaurante muda de sítio, depois de 18 anos nas ilhas. No início desta semana começou uma nova vida, que agora se mistura com outro espaço bem conhecido da comunidade portuguesa, o Baía. O casal Carlos e Rosa já tem saudades do passado, mas olha para o futuro com esperança. Os bitoques, o bacalhau, o arroz de pato, e os incontornáveis grelhados vão continuar a ser actores principais do novo capítulo do antigo Lisboa



Ao final de 18 anos, a mudança. Não foi por vontade própria, mas por um fenómeno que em Macau passou a ser o prato do dia: a pressão imobiliária. Carlos e Rosa, donos do Café Lisboa, começaram a fazer contas a vida, e o que ganhavam não dava para fazer face a uma renda que ultrapassava as 100 mil patacas por mês. Tiveram que arranjar alternativa. E a oportunidade levou-os para a península, na zona do NAPE, para o lugar de um também afamado restaurante. O nome Lisboa caiu, para já, e é o antigo Baía que dá nome ao espaço. Pode-se mesmo, segundo o casal, falar de uma fusão entre o Lisboa e o Baía.

São 15h30, e o casal recupera do terceiro dia em que serve o almoço depois da reabertura. Têm sido dias de grande azáfama, com o ‘set lunch’ a fazer furor. O Café Lisboa — local de referência para a comunidade portuguesa de Macau quando é altura de almoçar ou jantar — teve de sair da Taipa onde o espaço conquistou fama.

Culpado? O valor exagerado das rendas. “O senhorio tinha aumentado o ano passado, e eu já tinha dito que não aguentava o valor o que ele queria”, afirma Carlos Lao, de 59 anos.

O dono do Lisboa explica que, no ano passado, o negócio não estava a correr tão bem, e que, por essa razão, “não dava para pagar a renda que eles estavam a pedir”. “Não dava mesmo para continuar. Já tínhamos decidido”, repete.

Carlos e Rosa começaram a falar de alternativas, e a necessidade de arranjar outro local para continuar o negócio tornou-se uma evidência. O senhorio nem sequer manifestou vontade de negociar. O crescimento da Taipa enquanto espaço turístico tem feito encarecer os arrendamentos do outro lado do rio, e, segundo Carlos, a realidade actual é a de que o aluguer de espaços comerciais está mais caro do que em Macau. “Ainda procurámos na Taipa, mas não encontrámos nada”, avança o proprietário.

Começaram a busca, e conversa puxa conversa, com amigos em comum à mistura, e houve duas vontades que se juntaram. A de Constantino José, ex-dono do Baía — de abandonar a RAEM depois de aqui ter assentado arraiais em 2013 — e a dos líderes do Café Lisboa de precisarem de um novo lugar para prosseguir a sua vida. Começou, logo ali, a ganhar forma a fusão que aconteceria mais tarde.

O pessoal do Lisboa mudou-se para o antigo Baía. “Trocar de nome é muito complicado, a burocracia é muito grande, mas se calhar, lá mais para a frente, isso poderá acontecer”, avança Rosa.

Prós e contras

A mudança, segundo Lao, foi uma decisão difícil de tomar. “Sempre são 18 anos. Tínhamos a clientela feita”, lamenta. Rosa acrescenta, entre risos: “Nem quero muito pensar nisso”. “Foi muito tempo naquele sítio, e agora há também a adaptação aqui”.

E ainda recorda que, antes, “fazíamos as coisas de olhos fechados”. “A cozinha lá era melhor, apesar de esta estar bem equipada, mas faltam-me os frios. Tinha os dois frigoríficos, e aqui não há”, enumera.

Mas, claro, também há coisas boas com a passagem para o NAPE. “Temos mais espaço, é ligeiramente mais barato, mas não muito”, começa por dizer. Se no anterior Lisboa havia lugar para 40 pessoas “bem apertadinhas”, aqui “podem sentar-se 50”. Ou seja, há mais espaço para rentabilizar. Mas o que pode parecer à primeira vista uma mais-valia, é avaliado por estes empresários como um pau de dois gumes. É que se por um lado podem ter mais gente, por outro lado isso terá como consequência o aumento de todos os custos.

“Pensámos numa coisa mais pequenina, para ter menos encargos. Arranjar pessoal é uma dor de cabeça muito grande, porque depois ainda é preciso treiná-los. Não queríamos ter tantas despesas, mas foi o que apareceu”, explica a mulher.

Sucesso imediato

No entanto, os primeiros dias de funcionamento ao almoço, segundo Rosa, têm sido uma loucura. Muita afluência. Mesas cheias. Pratos a entrar e a sair da cozinha. “Temos o ‘set menu’ e isto enche. Este é o terceiro dia, e isto é uma dor de cabeça porque a equipa ainda não está oleada”, confessa a mulher que comanda a operação.

O pessoal que forma a equipa é também uma fusão dos dois restaurantes, saem dois da cozinha do antigo Lisboa, e entram dois do antigo Baía.

Esta afluência ao almoço contrasta com o que era a rotina na Taipa, onde era o momento mais parado do dia. “Não ia muita gente, porque não há muitos escritórios. Trabalhávamos melhor à noite, porque os nossos clientes eram mais as pessoas que ali viviam”, explica, o que contrasta com aquela zona do NAPE, polvilhada de empresas e de funcionários.

Um ‘handicap’ da anterior “casa” na Taipa era a falta de sitio para os clientes estacionarem, o que a nova localização tem em bom número. No novo Baía, Rosa e Carlos esperam conseguir manter muitos dos clientes antigos, que já prometeram não abandonar o espaço, e conquistar novos públicos.

Longe vão os tempos em que era apenas a comunidade portuguesa a dar corpo à realidade do então Café Lisboa. Rosa lembra que, depois desse início, começaram a vir os chineses, “muitas pessoas de Taiwan”, e o turismo trouxe os japoneses e os coreanos que se apaixonaram pelos sabores portugueses. Hoje é um espaço muito heterogéneo.

Ementa de fusão

O casal ainda está a apalpar terreno. Para já o menú é aquele que Constantino José e a mulher Noémia tinham delineado. No futuro será uma mistura dos dois restaurantes. Rosa diz que vão aproveitar, da anterior gestão, “pelo menos os pratos de marisco”, que “são muito bons”. A esses vão acrescentar os clássicos “bife, bitoque, carne de porco à alentejana e a lula recheada”. Juntar-se-ão o “arroz de povo e o arroz de pato”, “o bacalhau assado e o polvo à lagareiro”. Não vão faltar os tradicionais grelhados, em que os frangos, a entremeada, e os secretos, eram as vítimas mais conhecidas.

Mas se no antigo Lisboa a carta era até grande demais para o número de mesas que o restaurante detinha, no novo Baía, a carta vai ser mais pequena, apesar de haver mais espaço para clientes. A razão é uma: “A cozinha é mais pequena, por isso não pode ser de outra forma”.

Se na Taipa o Café Lisboa estava aberto ininterruptamente entre as 11 horas e as 22 horas, a gestão vai adoptar, para já, outro modelo. Uma primeira abertura às 12 até as 15 horas para o almoço, e outra das 18 às 22 horas para o jantar.

Uma história que começou com salgadinhos

Os dezoito anos na vida dos humanos é uma marca que está ligada à entrada na fase adulta, e o mesmo se passa no caso do restaurante Café Lisboa.

Rosa relembra o início desta história quando tudo era mais voluntarista e nascia com a espontaneidade de quem se lembra de uma receita ou um prato novo para pôr na lista. “Nós começámos e não tínhamos condições nenhumas, era só para ser salgados e bolinhos”, recorda.

Tudo o que havia era “uma copazinha”. Rosa começou por fazer tudo em casa, primeiro uma carne assada, depois um arroz de pato. “E as pessoas começaram a pedir mais coisas. Ia mudando”, diz nostálgica.

Ela explica logo que não é cozinheira de profissão, mas que o acabou por ser por vocação. “Gosto de fazer, mas nunca pensei em trabalhar numa cozinha destas”, declara. O Café Lisboa foi crescendo, e o casal ficou com a parte que estava ao lado do estabelecimento.

“A partir daí começámos a fazer mais coisas, e eu todos os dias acrescentava um prato. Começámos a ter a lista, porque não a tínhamos sequer. E as coisas foram por aí fora”, relembra.

Podemos estar a entrar num capítulo de mais 18 anos, numa nova casa? “Ui, não”, solta, sonora, Rosa. “Isto será só mais uns aninhos, e depois passamos. É até à reforma. Dezoito anos são muitos anos, mas haja saúde”, remata. João Malta – Macau in “Ponto Final”

Joaomalta.pontofinal@gmail.com