Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Portugal - Cientistas da Universidade de Coimbra descobrem que o consumo continuado de mirtilo tem um forte impacto no fígado

Uma equipa multidisciplinar de cientistas da Universidade de Coimbra (UC) descobriu que o consumo continuado de mirtilo em doses diárias de cerca de 240 gramas tem um forte impacto hepático, fornecendo pistas importantes para orientar um consumo saudável e seguro destas bagas muito ricas em antioxidantes.

A descoberta, já publicada na revista Pharmaceutics, aconteceu no decorrer de um estudo que pretende avaliar os possíveis efeitos benéficos do sumo de mirtilo no contexto da pré-diabetes, em modelo animal.

Considerando a composição fitoquímica enriquecida do mirtilo, numa diversidade de compostos bioativos «que parecem poder conferir inúmeros efeitos protetores em distintas condições, pareceu-nos muito pertinente perceber igualmente qual o impacto do consumo deste “superalimento” de forma prolongada, numa condição saudável», explicam os coordenadores do estudo, Flávio Reis e Sofia Viana, do Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR), da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

Para tal, os investigadores avaliaram um conjunto de parâmetros metabólicos, com destaque para o fígado, e em particular para as funções mitocondriais, em ratos adultos submetidos durante 14 semanas a um consumo regular de sumo natural de mirtilo (equivalente no homem a um copo e meio de sumo por dia).

No final da experiência, ao analisar os resultados, nomeadamente ao nível da mitocôndria – a casa energética da célula – hepática, observou-se que nos ratos pré-diabéticos «havia uma proteção da esteatose hepática (acumulação de gordura no fígado) e um impacto enorme ao nível da mitocôndria», afirma Sara Nunes, aluna de doutoramento no âmbito deste projeto. No caso dos ratos saudáveis, destaca, «verificámos que o consumo de sumo de mirtilo não teve impacto no perfil metabólico e não foram registadas alterações a nível intestinal. No entanto, o impacto hepático foi surpreendente, particularmente na função mitocondrial, semelhante a um efeito de uma dieta hipercalórica».


Os resultados observados nos ratos saudáveis sugerem que o consumo continuado de mirtilo força uma reprogramação metabólica, cujas consequências (benéficas ou nefastas) permanecem por esclarecer. A equipa acredita que «o forte impacto hepático gerado pelo consumo continuado de mirtilo pode permitir prevenir ou atenuar contextos de doença, como, por exemplo, a diabetes e a obesidade, mas não podemos descartar a hipótese de poder provocar algum tipo de desequilíbrio e ter consequências nocivas para a saúde».

Por isso, o passo seguinte do estudo vai centrar-se em clarificar ambas as hipóteses, de modo a contribuir para um consumo de mirtilo seguro, «no sentido de melhor elucidar se esta resposta adaptativa resultante do consumo prolongado de mirtilo se traduzirá em benefícios ou se, pelo contrário, poderá estar associada a efeitos nefastos. No contexto dos hábitos atuais de uma parte da população, esta investigação reveste-se de particular relevância», assinalam Flávio Reis e Sofia Viana.

Os benefícios do mirtilo para a saúde estão intimamente relacionados com a atividade antioxidante, «principalmente devido ao seu alto teor em compostos fenólicos. As suas reconhecidas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias são de certa forma responsáveis pelo aumento do consumo ao longo dos últimos anos», esclarecem os investigadores, salientando, contudo, que «alguns trabalhos têm alertado para possíveis efeitos adversos resultantes de um consumo descontrolado e excessivo de certos produtos antioxidantes, incluindo os enriquecidos em compostos fenólicos».

Este estudo faz parte de um projeto de investigação mais alargado, que conta com a parceria da Cooperativa Agropecuária dos Agricultores de Mangualde (COAPE) e da MIRTILUSA (Sever do Vouga), focado no potencial terapêutico da planta do mirtilo no seu todo, ou seja, além de estudar as bagas (casca e polpa), a equipa liderada por Flávio Reis e Sofia Viana está a explorar o potencial das folhas, particularmente das folhas caducas, para acrescentar valor a uma parte do arbusto do mirtilo que neste momento é um desperdício e que cumulativamente tem uma quantidade de compostos bioativos muito maior que o fruto.

Nesse sentido, os investigadores já desenvolveram uma tecnologia de processamento das folhas, que ultrapassa as tradicionais infusões, cuja biomassa obtida se revela «muito promissora, com propriedades antioxidantes potentíssimas do ponto de vista terapêutico», rematam Flávio Reis e Sofia Viana. Universidade de Coimbra - Portugal


 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Portugal - O’baga a internacionalização da marca de mirtilos

O’baga quer reforçar internacionalização da marca de mirtilos e exportar mais 80%



A Quinta da Vinha do Vale, produtora de mirtilos em modo biológico, quer “a afirmação internacional da marca O’baga, a expansão dos produtos oferecidos, a expansão da empresa em novos mercados e o aumento da capacidade logística para estar bem preparado e competitivo no mercado internacional”, afirmou o responsável comercial da do departamento de importação e exportação empresa, Gonçalo Oliveira, ao sítio holandês FreshPlaza. A empresa quer aumentar a exportação em 80%.

A O'baga, situada em Viseu, começou a sua actividade em 2010 com o cultivo de mirtilos orgânicos, mas actualmente conta com muitos outros pequenos frutos, como amora, groselha, framboesa, goji, kiwi, pêra e fisalis. E exporta já para Espanha, Holanda, Bélgica, países nórdicos e Reino Unido.

Reforçar a exportação

“No ano passado vendemos 180 toneladas de mirtilos e outros pequenos frutos, produzidos em 100 hectares”, trabalhando a empresa com produtos da agricultura tradicional e biológica, acrescentou Gonçalo Oliveira.

“Aumentamos os volumes de produção das nossas próprias frutas, ano após ano, com o aumento da área cultivada, as plantações estão a entrar no ano de cruzeiro e, no futuro, pretendemos aumentar a exportação em 80% porque acreditamos na qualidade e valorização das nossas bagas nos mercados europeus”, salienta aquele responsável da O’baga.

Gonçalo Oliveira considera ser “importante ter grandes quantidades no mercado europeu para responder às necessidades dos clientes e reduzir o valor dos transportes, uma vez que o mirtilo português é um produto com excelente qualidade. A maior diferença, no entanto, é que o mirtilo português tem muito menos estratégia de promoção, temos a capacidade de cultivar um produto de qualidade, mas não temos ferramentas promocionais fora de Portugal, onde somos muito desconhecidos. Portugal ainda tem muito a fazer para divulgar seus frutos ao Mundo”.

O nascer de um projecto

A família detentora da Quinta da Vinha do Vale, com cerca de seis hectares, tinha “há muito a paixão pela agricultura”. Mas só um ha estava a ser aproveitado. Decidiram então em 2010 avançar para o aproveitamento total da Quinta. Foi um projecto desenvolvido por André e Diogo Oliveira, com ajuda de familiares e amigos, estando ligado à produção de mirtilos em modo de produção biológico.

Aqueles empreendedores apostaram num “produto de qualidade e biológico para uma melhor saúde dos nossos clientes como dos próprios produtores”. Em 2011 iniciaram o investimento culminado com o plantio dos arbustos em Fevereiro de 2012.

A Quinta situa-se em Povolide, Viseu, com uma área de 4,5 hectares de mirtilos em modo de produção biológico, no qual tem 3,5 hectares na Quinta da Vinha do Vale e 1 ha na Preza do Monte.

No ano 2013 iniciaram o processo de conversão para agricultura biológica que está a ser acompanhado pela empresa de certificação Sativa. E em 2015 iniciou-se o processo de certificação GlobalGAP e HACCP.

Ainda em 2015 arrancou o processo de comercialização dos frutos, criando uma marca própria, O´Baga, marca associada aos produtos de agricultura biológica certificados.

No ano passado, a O’baga avançou para a internacionalização e já em 2017 tornou-se numa empresa profissional de importação e exportação de fruta, consolidando o crescimento da marca O´baga. Carlos Caldeira – Portugal in “Agricultura e Mar Atual”