Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 17 de março de 2025

Timor-Leste - Portugal apoia o país a identificar recursos minerais em Oecusse

O Instituto de Geociências de Timor-Leste (IGTL) e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) de Portugal estão a identificar recursos minerais metálicos no enclave de Oecusse, nomeadamente crómio, níquel, cobre e ouro. “Enquanto serviço geológico de Portugal, o LNEG está a trabalhar em conjunto com o IGTL na prospeção de recursos minerais em Timor-Leste. Este trabalho resulta de um memorando de entendimento que o IGTL e o LNEG assinaram em Março de 2024″, afirmou à Lusa o presidente daquele instituto timorense, Job Brites dos Santos.



Segundo o responsável, após a assinatura do memorando de entendimento, foi logo estabelecido um acordo de implementação para definir os trabalhos relacionados com a prospeção de recursos minerais em Oecusse, situada na parte indonésia da ilha de Timor. “No âmbito deste trabalho conjunto, realizámos já um estudo inicial ou reconhecimento em Oecusse e conseguimos detetar algumas áreas relacionadas com potencial para terem minerais como crómio, níquel, cobre e ouro”, explicou. Questionado sobre o valor económico destes recursos minerais, Job Brites dos Santos afirmou que não pode ainda determinar o seu valor exacto, mas destacou a sua importância estratégica. “Neste momento, há uma grande necessidade de produção destes minerais para equipamentos militares, veículos elétricos e para apoiar a produção de energia renovável”, disse. O responsável adiantou que está um técnico do LNEG em Timor-Leste para dar continuidade ao estudo, com uma análise mais detalhada das áreas já identificadas com potencial mineral. “Vamos realizar um estudo detalhado para avaliar o valor económico dos recursos minerais que já detetámos”, acrescentou.

Sobre a possibilidade de existirem recursos minerais metálicos noutras regiões do país, o presidente do IGTL explicou que os estudos serão realizados por fases. “Começámos em Oecusse e faremos também um estudo de reconhecimento nos municípios de Maliana, Aileu e outros. O estudo científico tem fases complexas e, por isso, estamos a focar-nos primeiro em Oecusse e, depois, seguiremos para Maliana e outras áreas”, esclareceu. O responsável disse também que 22 timorenses concluíram o mestrado na área de geologia na Universidade de Coimbra, com o objetivo de aumentar o conhecimento na área, incluindo na prospeção e identificação de recursos minerais. In “Ponto Final” - Macau 


domingo, 28 de fevereiro de 2021

Portugal - Start-up cria uma solução para produção de bioetanol

A start-up portuguesa Stex criou uma solução inovadora que aproveita os resíduos florestais e agrícolas e os resíduos sólidos urbanos para produzir bioetanol. A empresa pretende construir em Portugal, nos próximos dois anos, a primeira biorrefinaria da Península Ibérica

A Stex criada em 2019 depois de quatro anos de investigação científica no Brasil, desenvolve tecnologias verdes para a produção de biocombustíveis líquidos, pré-bióticos e proteínas a partir de biomassas residuais ou resíduos em escala industrial.

A empresa desenvolveu uma solução inovadora que aproveita os resíduos florestais e agrícolas e os resíduos sólidos urbanos para produzir bioetanol, que tem de ser incorporado nos combustíveis do setor dos transportes para responder a diretiva europeia ‘Renewable Energy – Recast to 2030 (RED II)’.

A start-up foi distinguida com o prémio ‘Born from Knowledge (BfK) Awards’, atribuído pela Agência Nacional de Inovação, no âmbito da sétima Edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola.

O administrador, Lucas Coelho, destaca que a start-up opera uma planta piloto dentro das instalações da Unidade de Bioenergia e Biorrefinarias do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) coordenado por Francisco Gírio e pretende lançar no espaço de dois anos a primeira biorrefinaria da Península Ibérica.

A solução da Stex assenta numa unidade industrial, a biorrefinaria, para transformar resíduos florestais, agrícolas ou lixo urbano em bioetanol. “Trata-se de um biocombustível avançado, uma vez que é feito a partir de matéria celulósica residual e não compete com a produção de alimentos”, informa a empresa num comunicado enviado ao ‘Mundo Português’.

Bagaço de azeitona e podas de oliveiras

Após quatro anos a desenvolver a tecnologia no Brasil, os fundadores decidiram mudar-se para a Europa, onde existe legislação madura para a transição energética e para uma sociedade neutra em carbono até 2050.

Em 2019, abriram a Stex, uma empresa 100% portuguesa, e instalaram no campus do Lumiar do LNEG, em Lisboa, a unidade piloto que mantinham do outro lado do Atlântico. A unidade está em operação, sendo uma das maiores da União Europeia e a maior da Península Ibérica. A empresa já validou o processo para resíduos florestais de bagaço de azeitona e podas de oliveiras e resíduos sólidos urbanos através de uma parceria com o LNEG.

“Neste momento está em busca de parceiros para implementar as biorrefinarias em Portugal e na Europa”, informa ainda no comunicado. Nos próximos dois anos, o objetivo é construir em Portugal a primeira biorrefinaria da Península Ibérica, e, em 10 anos, 10 no território ibérico. O restante mercado europeu também está nos seus horizontes

Em 2018, a União Europeia aprovou a RED II, que obrigará o setor dos transportes a incorporar até 2030, um mínimo, de,5% de biocombustíveis que provenham de resíduos. A Stex partiu dessa norma da UE para desenvolver um processo que, ao contrário do que acontece nas soluções maioritariamente adotadas, não parte de açúcares (Brasil) ou hidratos de carbono (Europa e EUA). “Estas alternativas, além de não serem as mais sustentáveis, ainda competem com a produção de alimentos, o que aumenta os seus preços”, explica.

Com a procura por este tipo de biocombustível a aumentar nos próximos anos, a empresa prevê, na Europa, um potencial de mercado que pode chegar a 15 mil milhões de euros. Ana Pinto – Portugal in “Mundo Português”