Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 30 de outubro de 2021

Cabo Verde propôs a Penafiel replicar o festival literário Escritaria

Penafiel – O ministro da Cultura de Cabo Verde disse hoje ter proposto ao município português de Penafiel, no distrito do Porto, a realização, em 2022, naquele país africano, de uma réplica do festival literário Escritaria.

“Fizemos o desafio ao senhor presidente para termos uma câmara geminada com Penafiel e fazermos uma edição do Escritaria em Cabo Verde, ou seja, promover a internacionalização do próprio conceito do Escritaria, a começar pelo Germano Almeida”, afirmou Abraão Vicente, em entrevista à agência Lusa.

Há poucas horas na cidade, onde encontrou animação de rua, nomeadamente música e teatro, e muito material gráfico alusivo à vida e à obra de Germano Almeida, o governante cabo-verdiano sugeriu que “tudo aquilo que foi produzido em Penafiel pode ser replicado num ou dois dias de programação na cidade do Mindelo ou na cidade da Praia”.

Para o titular da pasta da Cultura daquele país africano, “a programação e o impacto visual do Escritaria” em Penafiel é algo que se devia “plagiar, no bom sentido, e levar para Cabo Verde”.

À Lusa, assinalou ter já apresentado essa ideia à equipa camarária de Penafiel, no sentido de, no próximo ano, “fazer uma réplica daquilo que se fez aqui com a imagem e com a obra de Germano Almeida”.

“Creio que terá um profundo impacto na cidade de Mindelo. Hoje inauguraremos a silhueta de Germano e é algo que devíamos replicar em Cabo Verde”, reforçou.

Abraão Vicente destacou, por outro lado, a “arte de bem receber” de Penafiel.

“Não só fui bem recebido, como percebi que Germano Almeida está profundamente grato e impressionado com a forma como a sua obra está a ser divulgada”, concluiu.

O presidente da Câmara de Penafiel, Antonino Sousa, disse à Lusa que promover uma réplica do festival em Cabo Verde é “um desafio muito interessante” e que o seu município vê com “entusiasmo”.

“O festival pode dar um contributo para a aproximação das comunidades que têm em comum a língua portuguesa. Há uma oportunidade imensa de criar maior proximidade entre os escritores, entre os leitores”, anotou.

O autarca português sinalizou, também, que o Escritaria, “ao final de cada edição, reúne um espólio imenso”.

“Todos os materiais que se vão produzindo, todas as peças artísticas, seja na pintura, seja nos objetos de arte de rua, criam um espólio muito interessante que deve poder ser visto por mais gente”, referiu, lamentando ser “uma pena que esse espólio chegue ao final do festival e seja arrumado”.

Agora que chegou à sua 14.ª edição, o Escritaria, defendeu o edil, “pode ganhar uma nova escala, não apenas mostrando o seu espólio nos países dos escritores homenageados, como de Mia Couto e Pepetela, mas – porque não? -, levar este espólio a Brasília ou a S. Paulo, no Brasil”.

Para o presidente da câmara, o processo de internacionalização que agora vai começar deve envolver “todas as instituições que se preocupam com a promoção da língua portuguesa e da literatura em português”, nomeadamente a Comunidade de Países de Língua Portuguesa e o Instituo Camões, que, acentuou, devem “olhar para esta iniciativa com entusiasmo”. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

 

Cabo Verde - Inaugurada escultura de Germano Almeida em Penafiel (Portugal)


Mindelo – O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas informou hoje que a Câmara Municipal de Penafiel, em Portugal, inaugurou uma escultura da cara do escritor cabo-verdiano Germano Almeida junto ao Tribunal Judicial da Comarca do Porto Este.

Em nota enviada à Inforpress, o Ministério da Cultura explicou que a inauguração da escultura foi um momento simbólico que decorreu inspirado pela exibição do filme “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, numa adaptação à obra homónima de Germano Almeida, uma vez que se sucedeu em baixo a vários guarda-chuvas devido à chuva em Penafiel.

“Um momento de grande emoção para o escritor que ficou sem palavras com o descerramento do pano que contou com a presença do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, convidado da Câmara Municipal de Penafiel, para estar neste festival literário, e o presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Antonino de Sousa”, destacou.

O escritor cabo-verdiano Germano Almeida, Prémio Camões em 2018, é homenageado no 14.º Festival Literário Escritaria, em Penafiel, no distrito do Porto, Portugal, que decorre até este domingo. O evento homenageia todos os anos um escritor de língua portuguesa.

O escritor, nasceu na ilha da Boa Vista em 1945. Licenciou-se em Direito na Universidade Clássica de Lisboa, mas vive em São Vicente onde, desde 1979, exerce a profissão de advogado.

Publicou as primeiras estórias na revista Ponto & Vírgula, assinadas com o pseudónimo de Romualdo Cruz, que em 1994 foram transformadas no livro “A Ilha Fantástica” e que recriam os anos de sua infância e o ambiente social e familiar na ilha da Boa Vista.

O seu primeiro romance foi “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, publicado em 1989, que marca a ruptura com os tradicionais temas cabo-verdianos.

O Meu Poeta, 1990, Estórias de Dentro de Casa, 1996, A Morte do Meu Poeta, 1998, As Memórias de Um Espírito, 2001 e O Mar na Lajinha, 2004, formam o que se pode considerar o ciclo mindelense da obra do autor.

Germano Almeida, tem obras publicadas no Brasil, França, Espanha, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega e Dinamarca, Cuba, Estados Unidos, Bulgária, Suíça e Cabo Verde. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Portugal - Escritor cabo-verdiano Germano Almeida não gosta da expressão “lusofonia”


Penafiel – O escritor cabo-verdiano Germano Almeida, prémio Camões em 2018, disse hoje, no festival Escritaria, em Penafiel, não gostar da expressão lusofonia, considerando que a língua portuguesa não representa “uma cultura lusófona”.

“Eu não gosto muito da expressão lusofonia. Somos escritores de diversos países que usam a língua portuguesa como língua de contacto, como língua de expressão, mas não é uma cultura lusófona”, afirmou na conferência de imprensa do evento que hoje se realizou no museu municipal daquela cidade do distrito do Porto.

O escritor, que está a ser homenageado pelo festival Escritaria até domingo, acrescentou: “Nós temos muitos pontos comuns, obviamente, sobretudo Cabo Verde, que é um país feito pelos portugueses. Mas as ilhas – não só a sua orografia, mas sobretudo a ausência de meios de vida, a falta de chuva, sobretudo – fizeram de nós pessoas diferentes”.

Segundo o autor, “é isso que a gente tenta traduzir na literatura e na música”.

“Isto [língua comum] pode ser um elemento importante para os países de expressão portuguesa, mas não nos faz lusófonos; ‘lusógrafos’ sim”, observou aos jornalistas.

Sublinhando que teve sempre com Portugal, onde estudou e fez serviço militar, “uma relação óptima”, ressalvou que os portugueses não fizeram dos cabo-verdianos portugueses.

“Portugal foi sempre uma presença estranha. Nunca me senti português, sempre me afirmei cabo-verdiano. Mas, se um dia Cabo Verde desaparecesse, o país que eu adotaria seria Portugal, mais nenhum outro”, acentuou.

O ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, vai estar em Penafiel, no Festival Literário Escritaria.

O governante cabo-verdiano participará na conferência “O papel da Lusofonia | À conversa com Germano Almeida e Abraão Vicente”, além de outras iniciativas incluídas na programação oficial do festival, até 31 de outubro, disse o presidente da câmara de Penafiel, Antonino Sousa.

O festival literário Escritaria de Penafiel inclui dezenas de atividades dedicadas ao livro, ao teatro, a exposições, música e artes de rua.

“Germano Almeida, um dos mais proeminentes escritores em língua portuguesa, terá silhueta e frase em Penafiel para memória futura, a par com os anteriores homenageados”, assinala a organização.

No sábado, será lançado o novo romance de Germano Almeida, “A Confissão e a Culpa”, o último volume da sua “Trilogia do Mindelo”.

Lídia Jorge, Pepetela, Manuel Alegre, José Saramago, Alice Vieira, Mário de Carvalho, Mário Cláudio, Agustina Bessa-Luís são alguns outros escritores homenageados em edições anteriores do festival. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”