Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de março de 2017

UCCLA - Apresentação do livro de Manuel Rui “O Kaputo, Camionista e Eusébio”

A UCCLA orgulha-se de apresentar, amanhã, 2 de março, pelas 18h30, o conto “O Kaputo, Camionista e Eusébio” de Manuel Rui, conto este que vem na estiva de “Quem me dera ser onda” em que retrata a realidade de forma invulgar e única, com muito humor à mistura.



O conto inclui vários relatos de amigos de Manuel Rui, incluindo o do Secretário-Geral da UCCLA, Vítor Ramalho, que foi, no Huambo, colega de Manuel Rui, embora mais novo.

Vamos voltar a 1966. Em Inglaterra, Portugal vai entrar em campo para jogar com a Coreia do Norte. O pé de Eusébio vai pisar daqui a nada a relva. Mas não é para Inglaterra que este livro do angolano Manuel Rui nos leva. É mesmo para Angola, para uma solitária estrada de Angola. Está Eusébio a entrar em campo e está um camião em viagem. Saído do Lubango, Sá da Bandeira colonial, por uma estrada de Angola vai um camião sem auto-rádio. É dia 23 de Julho de 1966, um sábado. Um camionista fala com o pendura a quem deu boleia. Fala de Eusébio, do que espera de Eusébio, da forma como mitifica Eusébio. E falando de Eusébio, fala dos seus preconceitos, dos seus medos, da estranheza das outras raças. Em Inglaterra, Eusébio está em campo e Portugal joga contra a Coreia do Norte. O camionista acelera, quer saber o resultado na primeira tasca de estrada que apanhe. Vai num alvoroço patriótico. Quer a glória desportiva. E, no entanto, espera-o um resultado desencantado. Para ele, kaputo camionista, um resultado humilhante. Poderá o mito de Eusébio resistir ao choque?

Manuel Rui, com uma mestria insuperável, com um camião, Botija ao volante, e Tó-Tó, à boleia, sentado ao seu lado, escreve uma ficção encantatória, uma pequena novela. Com o espírito de Eusébio a cobrir Angola como um véu de amargura, de redenção e, talvez, de glória, resgatando, golo a golo, uma pátria triste.

A esta sua quase épica ficção, Manuel Rui quis juntar o prefácio de David Borges, e textos de Carla Ferreira, filha de Eusébio, de Boaventura Sousa Santos, José Jorge Letria, e outros amigos. Um livro tão original que até Boaventura Sousa Santos confessa a Manuel Rui: «os sociólogos não sabem andar de boleia». In “UCCLA”



Manuel Rui. Nasceu no Huambo, a 4 de Novembro de 1941. Licenciado em Direito, em Coimbra, foi ministro no governo de transição, em 1975, integrando a representação de Angola em organismos internacionais como a OUA e a ONU.
É poeta, contista, dramaturgo, romancista e cronista. Escreveu a letra do Hino nacional angolano e letras de canções. Participou em filmes, como figurante e declamando poemas, mas também escrevendo diálogos.
Do espanhol ao mandarim, os seus livros estão traduzidos em mais de doze línguas. Publicou, em 1977, Sim Camarada!, o primeiro livro de ficção angolana pós-independência. Quem Me Dera Ser Onda converteu-se num clássico da literatura escrita em português. O Kaputo Camionista e Eusébio é o seu mais recente livro.

domingo, 4 de setembro de 2016

Meninos do Huambo










Vamos aprender português, cantando


Com fios feitos de lágrimas passadas
os meninos de Huambo fazem alegria
do céu puxando as cadentes mais bonitas

Com lábios de dizer nova poesia
soletram as estrelas como letras
e vão juntando no céu como pedrinhas
estrelas letras para fazer novas palavras
e vão juntando no céu como pedrinhas
estrelas letras para fazer novas palavras

Os meninos à volta da fogueira
vão aprender coisas de sonho e de verdade
vão aprender como se ganha uma bandeira
vão saber o que custou a liberdade

Com os nomes mais lindos do planalto
fazem continhas engraçadas de somar
juntam fápula com flores e com suor
e subtraem manhã cedo por luar

Divide a chuva miudinha por o milho
multiplicam o vento pelo poder popular

Os meninos à volta da fogueira
vão aprender coisas de sonho e de verdade
vão aprender como se ganha uma bandeira
vão saber o que custou a liberdade

Palavras sempre novas, sempre novas
palavras deste tempo sempre novo
porque os meninos inventaram coisas novas
que até já dizem que as estrelas são do povo
porque meninos inventaram coisas novas
que até já dizem que as estrelas são do povo

Os meninos à volta da fogueira
vão aprender coisas de sonho e de verdade
vão aprender como se ganha uma bandeira
vão saber o que custou a liberdade

Assim contentes à voltinha da fogueira
soltam ao céu as estrelas já escritas
novas palavras para fazer redações
escapando ao se esvadeio ao machado
para os meninos também são constelações
constelações que brilham sempre sem parar

Palavras deste tempo sempre novo
multiplicam o vento pelo poder popular
porque meninos inventaram coisas novas
que até já dizem que as estrelas são do povo
porque meninos inventaram coisas novas
que até já dizem que as estrelas são do povo

Os meninos à volta da fogueira
vão aprender coisas de sonho e de verdade
vão aprender como se ganha uma bandeira
vão saber o que custou a liberdade

Os meninos à volta da fogueira
vão aprender coisas de sonho e de verdade
vão aprender como se ganha uma bandeira
vão saber o que custou a liberdade

Ruy Mingas – Angola
Letra: Manuel Rui Monteiro - Angola


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Angola – Escritor Manuel Rui tem uma nova obra

O escritor Manuel Rui lança amanhã, 29 de Dezembro de 2015, às 18H 00M, no Centro Cultural Português – Instituto Camões, em Luanda, o seu mais recente livro infanto-juvenil, intitulado “Duas Abelhas Amigas de um Girassol”, com ilustrações de Rosa Cubillo.


Com 46 páginas, o livro de poesia infanto-juvenil, ”Duas Abelhas Amigas de um Girassol” chega ao mercado com a chancela da Mayamba Editora. Na obra o autor evidencia a sua mestria e forma singular de captar momentos. Mário Cohen – Angola in “Jornal de Angola”



Manuel Rui Alves Monteiro nasceu no Huambo em 1941, tendo vivido durante anos em Coimbra onde se licenciou em Direito. Em Portugal foi advogado e membro da direcção da revista "Vértice", de que foi colaborador. Regressou a Angola em 1974, onde ocupou diversos cargos políticos, tendo sido Ministro da Informação do Governo de Transição. Foi também professor universitário e Reitor da Universidade de Huambo, um dos principais ficcionistas Angolanos