Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Moçambique - Miguel Luís lança romance sobre o drama da mineração em Manica

O escritor moçambicano Miguel Luís lançou na cidade da Beira, o seu primeiro romance, intitulado A terra ainda está zangada, na Livraria Fundza, numa sessão que marcou o início de um roteiro literário que leva o autor às províncias de Manica e Maputo.

Ambientado no universo da mineração, particularmente na província de Manica, o romance acompanha Francisco, um adolescente que vê o seu sonho de continuar os estudos ameaçado depois de o pai desaparecer num desabamento ocorrido num campo de mineração. Ao lado do amigo Eurico, o jovem acaba por descobrir que uma empresa mineira, alegadamente protegida por autoridades e homens armados, pretende apoderar-se das terras, do ouro e das águas do rio Púnguè.

A narrativa aborda temas como a perda, os conflitos familiares, a ganância, a injustiça e a resistência de comunidades confrontadas com a exploração dos seus recursos naturais. Para Miguel Luís, o interesse pela mineração não está apenas no fenómeno económico ou técnico, mas sobretudo nas consequências que esta actividade produz sobre as pessoas, as famílias, os afectos e o território.

O escritor, que actualmente vive em Portugal, explica que a obra resulta também de uma ligação permanente a Moçambique e da necessidade de reflectir sobre as dores e transformações do país. O processo de escrita começou entre 2018 e 2019, quando a exploração de rubis despertou a sua atenção. No entanto, o projecto ganhou novo impulso depois de uma passagem por Maputo, em Dezembro de 2024, experiência que, segundo o autor, o levou a confrontar-se com um país marcado pela dor.

Mais do que um simples romance, Miguel Luís considera A terra ainda está zangada uma espécie de oração à sua terra natal. O título, explica, reflecte as feridas que permanecem na sociedade moçambicana depois de diferentes períodos de conflito e instabilidade, incluindo a luta de libertação, a guerra civil, os conflitos militares e a violência registada em 2024.

A ensaísta Fátima Mendonça considera a obra um romance de formação, destacando a capacidade narrativa do autor e uma escrita ancorada na realidade social moçambicana.

Depois da apresentação na Beira, Miguel Luís seguiu para Manica. Na cidade de Chimoio, o escritor esteve na Escola Mwana Unerufaro, no dia 14, para uma conversa com alunos do ensino secundário. No mesmo dia a obra foi apresentada aos leitores na UniPúnguè pelo escritor e editor Dany Wambire.

O programa incluiu ainda um encontro com o Clube do Livro da Beira, no dia 15 e uma apresentação em Maputo, no dia 20, pelo músico Stewart Sukuma, além de uma conversa com estudantes de Ensino de Português da Universidade Eduardo Mondlane, marcada para o dia 25.

Nascido em Maputo, Miguel Luís é escritor e advogado. É licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e mestre em Estratégia de Investimento e Internacionalização pelo Instituto Superior de Gestão. Tem textos publicados em antologias e na imprensa moçambicana e portuguesa e foi distinguido em diferentes prémios literários. Em 2023, publicou O Desamparo das Flores, obra que foi finalista do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil de Moçambique em 2024. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 17 de junho de 2025

Moçambique - Associação Kulemba promove Festival do Livro Infanto-juvenil na Beira

A Associação Kulemba vai promover, de 18 a 21 de Junho, a VIII edição do Festival do Livro Infanto-juvenil da Kulemba (FLIK 2025). O evento, que terá lugar na Casa do Artista, Livraria Fundza e em diversas escolas da cidade da Beira, tem como tema “os continuadores da liberdade”.


O FLIK 2025 vai homenagear Alberto da Barca, um dos precursores da literatura infanto-juvenil em Moçambique, e terá uma programação voltada para a exaltação da independência e da liberdade.

No dia 18 de Junho, primeiro dia do evento, será pintado um mural por alunos de diversas escolas da cidade da Beira. Com a pintura, pretende-se consciencializar os mais pequenos sobre a necessidade da preservação dos ideais da liberdade.

No mesmo dia, durante a abertura oficial do festival, está prevista uma homenagem ao escritor Alberto da Barca, para além do início de um curso de literatura infanto-juvenil, no qual os escritores Agnaldo Bata, Celso Celestino Cossa, Nick do Rosário, Mauro Brito e Alberto da Barca vão partilhar, com aspirantes a escritores, experiências sobre a produção de livros para crianças.

No dia seguinte, 19 de Junho, as escolas e instituições parceiras vão receber sessões de narração de histórias, oficinas de story cubes, conversas literárias e lançamentos, com a presença dos autores convidados.  Na Livraria Fundza, haverá o lançamento do livro Poemas à Sombra da Infância, de Nick do Rosário. Na Casa do Artista, o público poderá acompanhar leituras, conversas com Ninfa Parreiras, o lançamento do livro A estranha metamorfose de Thandi, de Mauro Brito, e visitar a exposição e feira de livros.

No dia 20 de Junho, nas escolas, acontecerão conversas com autores, leituras, sessões de narração em línguas locais e oficinas, com a participação de inúmeros autores, com destaque para Stélio Filipe, Leónie Dielman e Christiane Maia. À tarde, na Livraria Fundza, será lançado o livro O Gulamo e a tartaruga Zena, de Benjamim Luís, e realizadas sessões de narração. Na Casa do Artista, Suzy Bila e Patrícia Vasco farão leituras, haverá conversa com Lucia Tucuju e o lançamento do volume II do livro A greve das palavras, de Celso Celestino Cossa.

No último dia do festival, 21 de Junho, a Casa do Artista será palco da grande final do concurso de debate e de declamação de poesia, que envolve alunos de escolas básicas e secundárias da cidade da Beira. As duas competições serão intercaladas por uma sessão de narração de histórias, a ser proporcionada pelo actor e humorista Chef Gaf.

A VIII edição do FLIK será realizada de forma presencial e online, e contará com a participação de autores de Moçambique, Brasil e Portugal. As pessoas que se encontram fora da Beira poderão acompanhar toda a programação do festival através das páginas oficiais da Associação Kulemba, no YouTube e Facebook. In “O País” Moçambique


quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Moçambique - Emília Paulino estreia-se com “Bebé O e a descoberta do mundo azul” na Beira

Nesta sexta-feira, às 17 horas, a Editorial Fundza vai lançar, na Livraria Fundza, Cidade da Beira, o livro “Bebé O e a descoberta do mundo


Nesta sexta-feira, às 17 horas, a Editorial Fundza vai lançar, na Livraria Fundza, Cidade da Beira, o livro “Bebé O e a descoberta do mundo azul”, da escritora Emília Paulino.

De acordo com o comunicado de imprensa da Editorial Fundza, trata-se de um livro infanto-juvenil que aborda a história inspiradora de um bebé com espectro autista, que, com o apoio de médicos, familiares e, em especial, da sua irmã mais nova, desenvolve habilidades essenciais e valores como o amor, a inclusão e a união.

A autora avança que o livro traz uma mensagem de esperança e reforça a importância do apoio familiar e social no processo de desenvolvimento de uma criança autista, conforme se pode ler na nota de imprensa: “Com esta obra, pretendo abraçar, mesmo que de longe, os pais de filhos especiais e todos os meninos autistas para dizer-lhes que não estão sozinhos, que o autismo não é um segredo e que juntos somos mais fortes”, reforça a escritora.

Na cidade da Beira, a obra será apresentada por Rodrigues Germano, especialista na terapia da fala e que assiste muitas crianças com necessidades especiais.

Emília Paulino, natural da cidade da Beira, é advogada e docente universitária. Tem um mestrado em Direito e outro em Sistemas de Informação Geográfica, além de formação em neurociências do autismo e em ABA e estratégias naturalistas. In “O País” - Moçambique


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Moçambique - Ana Magaia considera que Feira do Livro da Beira marca diferença na valorização da literatura

As actividades desenvolvidas pela Associação Kulemba, em prol da literatura em Moçambique, marcam a grande diferença, em termos práticos, na valorização da literatura moçambicana. Essa posição foi defendida pela actriz Ana Magaia, depois do encerramento da quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2024), que decorreu entre os dias 18 e 20 de Setembro.


Para Ana Magaia, a Kulemba está a fazer o que devia ter sido feito há muito tempo. A actriz acrescentou que a associação está a dar aulas a grandes gerações ao proporcionar eventos como a FLIB, que permitem discutir vários aspectos da literatura moçambicana.

Na FLIB 2024, Ana Magaia participou no sarau de encerramento do evento, no qual fez uma leitura encenada do conto “Rosita, até morrer”, da autoria Luís Bernardo Honwana, escritor homenageado na quarta edição da FLIB.

Em relação ao trabalho apresentado, a actriz sublinhou que encenar qualquer peça sobre a obra de Honwana é motivacional e inspirador, uma vez que faz recordar vários episódios da sua juventude nos diferentes palcos do país, pois ela estreou esta peça, pela primeira vez, nos anos 80.

Palestras, conversas, debates, sarau cultural e feira de livros foram as actividades programadas para a quarta edição, que decorreu no Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, Livraria Fundza, Universidade Licungo, Centro Cultural Português na Beira e Casa do Artista. Nessas actividades, houve participação de diferentes públicos que celebraram a grande festa do livro.

No seu discurso de encerramento, Dany Wambire, presidente da Associação Kulemba, sublinhou que esta edição é uma continuação da celebração dos 60 anos de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso, uma vez que, ainda neste ano, houve, em Maputo, actividades iniciais, como o simpósio e a publicação do livro “O inventário da memória”, organizado por José dos Remédios.

Depois destes quatro dias de intensas actividades, Dany Wambire afirmou que Associação Kulemba conseguiu cumprir, com sucesso, os objectivos traçados para a festa de seis décadas da obra emblemática que marcou várias gerações em Moçambique e no estrangeiro. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Moçambique - Luís Bernardo Honwana diz que o livro é o único instrumento para desenvolver o país

O escritor de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso”, Luís Bernardo Honwana, defende que não existe nenhum outro instrumento, senão o livro, para que qualquer país se desenvolva em diversas áreas. Honwana falava durante uma palestra, na quinta-feira, na Livraria Fundza.


Luís Bernardo Honwana disse, durante o seu discurso na abertura oficial da 4ªedição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, cujo lema é “Encontro entre Literatura, Direito e Religião”, que Moçambique faz parte das nações que devem abraçar o livro para encontrar a solução de vários problemas.

Acrescentou ainda que a pobreza no país só será mitigada através dos livros, pois é nos manuais onde se encontra a chave que pode abrir as portas para a solução dos males existentes, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança, tecnologia, entre outras.

O escritor vincou que este debate deve ser levado a sério, pelo que, o livro não pode ser visto, como acontece muitas vezes, como algo lúdico. Por isso, Honwana entende que já está na hora de se desenharem políticas sobre o livro.

O escritor fez comentários sobre a importância das línguas autóctones moçambicanas e disse ser vergonhoso observar a existência de pessoas que sentem o complexo de inferioridade quando se comunicam nas suas línguas de origem. Para ele, Moçambique deve orgulhar-se por ter vários idiomas.

Hoje, prosseguem as actividades do FLIB-2024. Por isso, às 18 horas, vai decorrer, no Centro Cultural Português na Beira, o debate sobre os temas: “Relação entre Literatura, Direito e Religião” e “Inventário da Memória”.

Luís Bernardo Honwana, conversou, na manhã da passada quarta-feira, na Universidade Licungo, Cidade da Beira, com docentes e estudantes de diferentes cursos.

No dia inaugural da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, a qual está a decorrer estre esta quinta-feira e amanhã, sábado, na cidade da Beira, Luís Bernardo Honwana referiu-se a vários temas que mexem com a actualidade e o passado do país. Nessa ocasião, falou da falta de valorização das línguas bantu em Moçambique, defendendo que há ainda uma grande discrepância entre o que se diz e o que se pratica.

Ainda assim, o autor afirma que, mesmo depois de 50 anos de independência, não se pode afirmar que a língua portuguesa ocupou um espaço privilegiado no país, uma vez que exclui muitos moçambicanos em diversas áreas das suas vidas. Citou, a título de exemplo, o processo da construção da paz e da democracia e, também, o processo de ensino e aprendizagem. No primeiro caso, o autor defende que só se envolvem ou sentem-se envolvidos os que têm domínio da língua portuguesa, colocando, desta maneira, os outros como meros assistentes.

No segundo caso, o Luís Bernardo Honwana defendeu que, apesar de estar em andamento o programa bilingue de ensino, em algumas regiões, dá-se privilégio ao português.

Para Luís Bernardo Honwana, as línguas bantu continuam a representar a identidade dos moçambicanos em diversos contextos.

No final, o escritor desafiou os estudantes a pensarem soluções para os problemas do país e a não serem somente assistentes. Com isso, disse que os trabalhos de conclusão de curso devem ser pensados com o objectivo de resolver os desafios que Moçambique enfrenta.

Nesta terça-feira, Luís Bernardo Honwana também teve um encontro com os estudantes do Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, onde afirmou que qualquer país que queira ser grande deve apostar na formação de quadros com capacidade de ser e estar perante as várias adversidades.

A quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024) subordina-se ao tema “Encontro entre Literatura, Direito e Religião” e tem como convidado especial o escritor Luís Bernardo Honwana. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 19 de setembro de 2023

Moçambique - Kulemba realiza terceira edição da Feira do Livro da Beira a partir desta quarta-feira

A Associação Kulemba realiza, a partir desta quarta-feira, a terceira edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2023). Agendada para Livraria Fundza e universidades da cidade, o evento vai juntar autores e leitores de diferentes gerações para a celebrarem Moçambique através da arte literária.


Conforme avança a nota de imprensa, neste dia inaugural, 20 de Setembro, às 14h, a terceira edição da FLIB vai iniciar com a cerimónia de lançamento dos livros Estórias trazidas pela ventania, de Adelino Albano Luís, e Phombe, de Juvenal Bucuane. O evento vai decorrer na Universidade Zambeze. Às 15 horas, na Universidade Católica de Moçambique, será lançado Deixa-me escrever-te, de Timóteo Papel.

À noite desta quarta-feira, quando forem 18 horas, na Livraria Fundza, o professor universitário e filósofo, José Castiano, vai proferir uma palestra subordinada ao tema “O reencontro com munthu: em busca do sujeito reconciliador”. Cruzando a filosofia e a literatura, Castiano vai, inclusive, recorrer a uma abordagem intelectual anteriormente partilhada na sua mais recente publicação em livro: O inter-munthu.

No dia 21, quinta-feira, às 9 horas, na Universidade Católica de Moçambique, o escritor e jornalista Daniel da Costa vai conversar sobre literatura com autores e leitores. Às 10 horas, na Universidade Alberto Chipane, será a vez de Timóteo Papel e Whaskety Fernando trocarem impressões. Por fim, às 14 horas, na Universidade Zambeze, será a vez Mia Couto conversar com a comunidade literária.

No dia 22, sexta-feira, às 9 horas, na Universidade Licungo, José Castiano e Álvaro Vasconcelos farão parte de uma mesa redonda subordinada ao tema “Memória e reconciliação: diálogo entre filosofia e história”. No mesmo horário, no Instituto de Formação de Professores de Inhamizua, Francisco Noa vai interagir com docentes e futuros docentes daquela instituição de ensino. Mais tarde, quando forem 16h30, na Livraria Fundza, Daniel da Costa e Juvenal Bucuane vão dividir a mesa-redonda “Isso aconteceu? Fronteiras entre história e literatura”. Por fim, às 17 horas, na Universidade Aberta ISCED, Mia Couto volta a conversar com autores e leitores.

A FLIB 2023 termina no dia 23, sábado, às 9 horas, na Livraria Fundza, com o lançamento do livro Estórias da paz e reconciliação, uma colectânea de crónicas que reúne textos estudantes universitários que se destacaram na edição do ano passado do Concurso de Crónicas. Por fim, às 11 horas, na Livraria Fundza, serão anunciados os vencedores do Concurso de Fotografia “Eu na Livraria”.

A terceira edição da FLIB 2023 decorre com o lema O reencontro com o munthu: diálogos entre a História, a Filosofia e a Literatura. Portanto, a programação dos quatro dias do evento inclui sessões de conversas, debates, feiras, lançamentos de livros e premiação. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 4 de maio de 2023

Moçambique - Daniel da Costa e Nayara Homem reflectem sobre as variantes do português na Beira


A 5 de Maio de cada ano, celebra-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Para assinalar a data, a Associação Kulemba vai realizar, próxima sexta-feira, 5 de Maio, às 18 horas, na Livraria Fundza, Cidade da Beira, uma conversa subordinada ao tema “Diálogo entre as variantes do Português de Moçambique, Brasil e Portugal”.

De acordo com a nota de imprensa da Associação Kulemba, na sessão aberta gratuitamente ao público, o escritor e jornalista freelancer Daniel da Costa (Moçambique) e a actriz e escritora Nayara Homem (Brasil) vão recorrer a experiências vivenciadas nos seus locais de trabalho e nas suas viagens para juntos reflectirem sobre as variantes do português falado em Moçambique, Brasil e Portugal, ressaltando as semelhanças e diferenças dessas mesmas variantes.

Na Livraria Fundza, localizada na baixa da Cidade da Beira, o evento deverá durar cerca de 90 minutos e a moderação será feita pelo docente universitário Jane Mutsuque.

Daniel da Costa nasceu em Tete, em 1964, e ingressou no jornalismo em 1987. Trabalhou na então Televisão Experimental de Moçambique como repórter, e na Rádio Moçambique como produtor de programas. Exerceu a crítica de teatro e literatura. Tem colaboração dispersa pelos principais semanários de Moçambique. Foi coordenador da Gazeta de Artes e Letras, suplemento literário da prestigiada revista Tempo. Foi membro de vários júris, incluindo o dos Prémios Gazeta, da revista Tempo, e o Prémio Nacional de Literatura, instituído pela Associação dos Escritores Moçambicanos. É autor dos seguintes títulos de ficção narrativa, editados pela Ndjira: Xingondo (2003), A ciência de Deus e o sexo das borboletas (2007) e A flauta do Oriente (2008).

Nayara Homem é especialista em comunicação, arte e cultura, e nos quase 20 anos de percurso pelo mundo das artes desempenha papéis como produtora cultural, investigadora, escritora, maquiadora, actriz, palhaça, performer e apresentadora. Transita entre circo, teatro, tv, cinema, literatura e fotografia. Os seus caminhos artísticos e as pesquisas incluem passagem por vários países (Espanha, França, Suíça, Peru, México, Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Argentina, Moçambique – chegou em Maio de 2021).

É autora dos livros As tintas do riso (2018), fruto de pesquisa independente, com abordagem filosófica, de tema inédito, cujo foco é a relação entre maquiagem e a arte da palhaçaria, e Cinemaquia (2022), que traz ferramentas e reflexões para maquiadores de cinema e interessados no tema. Em 2020, inicia a sua pesquisa de doutoramento em Estudos Africanos (ISCTE-IUL- Lisboa) para se debruçar sobre a produção de humor e riso em culturas africanas e, a partir de 2021, inicia o seu mergulho na cultura nyau, pesquisando a dança-religião Gule Wamkulu, Património Imaterial da Humanidade. In “O País” - Moçambique


 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Moçambique - Adelino Timóteo lança novo romance na Livraria Fundza

O escritor e poeta Adelino Timóteo lançou, esta quinta-feira, o seu mais recente romance. Intitulado A biblioteca por debaixo da cidade, a nova proposta do autor é, fundamentalmente, uma balada de amor aos livros e à leitura.

Foto: Kulemba

Segundo uma nota de imprensa sobre o evento, o mais recente romance de Adelino Timóteo é constituído por 30 capítulos que perfazem 379 páginas. O livro foi construído ao longo de sete anos, tempo necessário para a história amadurecer com cortes de várias páginas.

Além de ser uma balada de amor aos livros, A biblioteca debaixo da cidade é um romance sobre a relevância do amor à terra, à cidade natal e ao desconhecido, o que se tece com alguma aproximação erótica entre uma personagem que vive à margem da sociedade, Laurentino Carambola, e uma mulher de boa família, Suzana Castelo Branco. “Através dessa personagem misteriosa, deste vagabundo, vamos nos deleitar de uma história que se passa na Cidade da Beira de 1936 até 1975. O vagabundo serve de estudo para se perceber o que se passou na sociedade colonial: negra e branca”, disse Adelino Timóteo, citado na nota de imprensa.

No seu A biblioteca debaixo da cidade, igualmente, Adelino Timóteo pretende suscitar o que está escondido numa sociedade que considera conservadora e repressiva, sob um totalitarismo colonial. O livro foi escrito entre Moçambique e Portugal. Começou em Lisboa, escrevendo com um certo olhar distante sobre os factos. A partir da capital portuguesa, o escritor começou a olhar a Beira, o seu berço. “Dediquei-me sete anos ao livro e, nos últimos dois anos, finalmente, encontrei todos os pressupostos para a versão actual”, disse Adelino Timóteo, lê-se na mesma nota de imprensa.

De acordo com o escritor, A biblioteca debaixo da cidade foi um livro complexo de escrever. Em Lisboa, por exemplo, teve de frequentar a Biblioteca Nacional para conhecer uma personagem. Com o livro, primeiro, a pretensão é recriar os lugares emblemáticos da cidade da Beira. Segundo, com isso, suscitar memórias de uma Beira passada. “A fase de ouro da cidade, que atraia pessoas de diferentes origens, inclusive com forte influência inglesa”.

Na Cidade da Beira, o romance A biblioteca debaixo da cidade será apresentado pelo professor universitário e crítico literário Cristóvão Seneta. In “O País” - Moçambique