Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Finlândia - Doação ajuda a alimentar mais de 56 mil alunos em Moçambique

Quantia de 500 mil euros foi destinada à agência da ONU para distribuição de refeições para crianças no país africano de língua portuguesa; comida será fornecida a escolas primárias do Corredor de Nacala, na província de Nampula para evitar evasão escolar


O Programa Mundial de Alimentos, WFP na sigla em inglês, recebeu uma doação de 500 mil euros do Governo da Finlândia para atender crianças em Moçambique.

Com a verba, a agência da ONU deverá entregar merendas escolares a dezenas e milhares de alunos nos próximos três meses na província de Nampula.

Coligação Global por Merendas

A iniciativa é parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar de Produção Local, Pronae, em curso no país.

A proposta inclui implementar imediatamente a distribuição do reforço alimentar e intensificar o compromisso compartilhado do Governo de Moçambique, do PMA e de parceiros para melhorar a educação, a nutrição e a segurança alimentar em algumas das áreas mais vulneráveis ​​do país.

A contribuição finlandesa financia refeições quentes diárias num investimento vital para o futuro dos alunos moçambicanos.

A Finlândia tem uma parceria de longa data também na área da educação com Moçambique.

O país também é copresidente da Coligação Global de Refeições Escolares e contribui com a mesma iniciativa em outras partes do mundo.

Segundo a Finlândia, o mais importante é que as crianças possam aprender sem o estômago vazio evitando assim a evasão escolar. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 3 de junho de 2025

Portugal - Estudante da Universidade de Coimbra distinguido pela multinacional ABB

Eduardo José Santos Borges, estudante do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), vai receber esta quinta-feira, dia 5 de junho, pelas 15h30, o “Prémio ABB”, referente ao ano letivo 2023/2024, atribuído pela multinacional Asea Brown Boveri (ABB).

A cerimónia de entrega do prémio terá lugar na Sala do Conselho da Unidade Central da FCTUC, no Polo II da Universidade de Coimbra. O vencedor receberá um prémio no valor de mil euros e, além disso, terá a possibilidade de realizar um estágio remunerado na ABB.

Esta distinção visa reconhecer o trabalho desenvolvido pelo estudante na sua dissertação “DL-Based Multimodal Object Detection and Tracking Targeting Industrial AMRs”, realizada no âmbito do mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores.

Neste trabalho, Eduardo Borges desenvolveu um método multimodal inovador para a deteção e identificação de elementos dinâmicos de interesse, como pessoas e robôs. Este método tem como objetivo aprimorar a navegação autónoma de robôs móveis em ambientes industriais, aumentando a segurança e prevenindo colisões.

O sistema desenvolvido combina uma câmara e um sensor laser para identificar os elementos de interesse, estimando a sua posição e orientação com o auxílio de modelos de inteligência artificial. Adicionalmente, possibilita a reidentificação de elementos previamente detetados, memorizando as suas características distintivas. Esta funcionalidade permite acompanhar as trajetórias dos elementos de interesse, fornecendo informações essenciais para decisões de navegação seguras e para a prevenção de colisões.

A avaliação do método multimodal foi realizada num ambiente ao ar livre, utilizando o dataset KITTI, bem como em ambientes industriais, com a deteção e o seguimento de pessoas e empilhadoras, alcançando resultados bastante promissores. Os dados do ambiente industrial foram adquiridos e anotados ao longo deste trabalho, resultando num dataset importante, considerando o número bastante limitado de datasets disponíveis para tarefas de deteção e seguimento em ambientes industriais.

Este trabalho insere-se na iniciativa “Green Auto – Green Innovation for the Automotive Industry” (PPS18), um projeto estratégico liderado pela Peugeot Citroën Automóveis Portugal, SA, que visa desenvolver e implementar soluções tecnológicas inovadoras para maior eficiência e sustentabilidade na indústria automóvel.

Para Mário do Ó, líder da área de negócio Motion e Membro do Board na ABB Portugal, «a parceria entre a ABB e a FCTUC, que se iniciou no ano letivo 2014/2015, tem sido fundamental para troca de conhecimentos nas áreas de automação, motores e variadores de velocidade. Esta colaboração reflete o nosso compromisso em preparar a próxima geração de engenheiros para os desafios da indústria do futuro e esperamos que continue a trazer bons resultados».

O “Prémio ABB” distingue, anualmente, o estudante do mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC que tenha obtido a classificação mais elevada numa dissertação de mestrado desenvolvida nas áreas de Automação Industrial, Controlo Automático, Robótica, Domótica e Acionamentos/Variação de velocidade.

A atribuição deste prémio reforça a colaboração de quase uma década entre a ABB e a FCTUC, que tem promovido a partilha de conhecimento e a possibilidade dos estudantes terem contacto com a realidade da indústria, através de iniciativas como a doação de equipamentos de última geração, nomeadamente variadores e motores SynRM, visitas às instalações da multinacional e colaboração com o DEEC para a realização de auditorias técnicas, quando os clientes da ABB pedem uma avaliação externa qualificada e independente a sistemas de acionamentos de velocidade variável. Universidade de Coimbra - Portugal

 

Macau - Festival de Gastronomia e Vinhos celebra 155 anos do Clube Militar

O Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal “Primavera 2025”, organizado no âmbito das celebrações do “Junho, Mês de Portugal na RAEM”, reúne três chefs portuguesas de destaque, lideradas pela renomada Chef Justa Nobre, para promover a riqueza da cozinha tradicional e contemporânea portuguesa em Macau. O evento terá como palco o Clube Militar, com abertura marcada para 8 de Junho

No âmbito das celebrações do 155.º aniversário do Clube Militar de Macau, realiza-se mais uma edição do tradicional Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal, intitulado este ano como “Primavera 2025”. Este evento, que conta desta vez com a presença de três reconhecidas chefs portuguesas, apresentará a riqueza da gastronomia portuguesa numa já bem conhecida colaboração cultural entre Portugal e Macau.

O Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal, que se encontra consolidado na agenda cultural do Clube Militar de Macau há mais de duas décadas, faz parte das actividades comemorativas do “Junho, Mês de Portugal na RAEM”, iniciativa promovida pelo Consulado Geral de Portugal. Desde 2015 que as duas agendas coincidem, tornando-se numa oportunidade de homenagem e celebração às raízes portuguesas na região, integrando-se nas festividades internacionais do 10 de Junho, Dia de Portugal.

No ano passado, o Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal de Junho teve a gastronomia portuguesa representada pelo chef alentejano José Júlio Vintém e por António Loureiro, o chef do “A Cozinha”, um restaurante de Guimarães com uma estrela Michelin e o primeiro restaurante europeu certificado como zero resíduos. A versão do evento, que teve lugar em meados de Setembro, contou com a participação dos irmãos Óscar e António Geadas, os chefs do restaurante G, na Pousada de São Bartolomeu, em Bragança, no nordeste de Portugal, distinguido com uma estrela Michelin.

Este ano, o evento destaca-se pela participação da Chef Justa Nobre, uma das figuras mais emblemáticas da gastronomia portuguesa contemporânea. Com uma carreira de mais de quarenta anos, Justa Nobre é reconhecida pela sua autenticidade e “paixão pela cozinha”, valorizando sabores tradicionais e reinventando-os com toques de modernidade e inovação. Ao longo da sua trajectória na popularização da boa mesa portuguesa, recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Carreira do “Guia Boa Cama Boa Mesa 2023” e o prémio de Personalidade 5 Estrelas na categoria de Culinária, em 2024, além de distinções do Guia REPSOL e da Cutipol. Foi também membro do júri do Master Chef Portugal em 2011.

O evento no Clube Militar terá como cabeça de cartaz a Chef Nobre, que preparará pratos que evocam a gastronomia do Norte de Portugal, especialmente da região de Trás-os-Montes, onde a simplicidade e os sabores originais são o foco das “entrées” de um menu tradicional.

Para além da Chef Nobre, o evento contará com a participação de outras personalidades ligadas à gastronomia e cultura portuguesas, como a Chef Ana Graça, oriunda também da região de Trás-os-Montes e cozinheira de primeira do restaurante “O Nobre”, e Teresa Seixas, cuja vasta experiência na organização de eventos internacionais procura enriquecer ainda mais a iniciativa. Uma natural parceria de longa data entre três importantes figuras na área da cozinha portuguesa que agora trazem a sua vasta experiência ao publico de Macau.

O Festival “Primavera 2025” não só reforça a importância da gastronomia como elo de ligação cultural, como também celebra o património e as tradições portuguesas na região. A realização do evento no Clube Militar de Macau, uma das associações mais antigas da cidade, volta a valorizar o respeito e o reconhecimento pela história comum entre Portugal e Macau, promovendo uma experiência que une sabores e memórias por mais um ano consecutivo.

O programa “Junho, Mês de Portugal na RAEM” inclui ainda o segundo roteiro gastronómico “Comer e Beber à Portuguesa”, que deu início oficialmente ontem e decorrerá durante todo o mês, reunindo 29 estabelecimentos portugueses em Macau com ofertas e menus temáticos.

Estes eventos são abertos ao público, tanto a residentes, turistas como entusiastas da gastronomia, para apreciarem a diversidade e a riqueza da cozinha portuguesa. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”

São Tomé e Príncipe e Cabo Verde relançam cooperação nas áreas da defesa, transporte e educação

São Tomé – São Tomé e Príncipe e Cabo Verde querem relançar a cooperação bilateral, sobretudo, nos domínios da defesa, segurança, transporte e educação, disse a ministra da defesa cabo-verdiana, Janine Lélis, no final de audiência com o primeiro-ministro, Américo Ramos.


“Nós também falámos que no domínio da defesa é sempre possível fazer mais, trazendo as nossas experiências, as nossas vivências para que elas possam ser moldadas e ajustar aquilo que é a realidade de São Tomé”, – sublinhou a ministra cabo-verdiana.

Janine Lélis acrescentou “dois países irmãos que têm uma longa história, têm de certa forma um percurso comum, uma identidade muito forte pela realidade dos cabo-verdianos que vivem aqui [em São Tomé], dos nossos descendentes e que vivem em Cabo Verde, então o nosso pensar e o nosso entendimento é que trabalhar para o processo de desenvolvimento de São Tomé e de Cabo Verde”.

Quanto a ligação entre os dois países, esta governante disse “eu acho que os esforços diplomáticos estão a ser feitos e os contactos têm sido permanentes, isto porque os dois países têm presente a importância dessa ligação direta e do quanto isso pode facilitar”.

Acrescentou que “de qualquer das formas é sempre importante ter presente que as garantias das linhas precisam de tráfego e precisa daquilo que no fundo o alimenta”.

Sobre educação Janine Lélis disse que “existe uma cooperação muito boa entre São Tomé e Cabo Verde. Neste momento, Cabo Verde disponibiliza para São Tomé bolsas de estudos para jovens que vão se capacitar e formar no nosso país, e isto é um comprometimento nosso em relação a São Tomé, no sentido de ajudar e capacitar os quadros para o processo de desenvolvimento”. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”


Portugal - Vai notificar 5386 brasileiros para que deixem o país

Imigrantes terão 20 dias a partir do recebimento da notificação para saírem voluntariamente; após esse prazo, podem ser expulsos à força

O ministro da Presidência de Portugal, António Leitão Amaro, disse que 33.983 pessoas serão notificadas nos próximos dias para deixarem o país voluntariamente. Dentre essas, 5386 são brasileiros.

Os imigrantes terão 20 dias a partir do recebimento da notificação para deixar voluntariamente o país. O governo português poderá iniciar processos de expulsão caso os notificados não saiam dentro do prazo estipulado.

Segundo o jornal Público, dos quase 34.000 imigrantes, a maioria são indianos (13.466). Os brasileiros aparecem na sequência, seguidos pelos imigrantes de Bangladesh (3750). Completam a lista, nepaleses 3279, paquistaneses 3005, argelinos 1054, marroquinos 603, colombianos 236, venezuelanos 234, argentinos 180 e outras nacionalidades 2790.

Segundo Amaro, a Aima (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) notifica cerca de 2000 imigrantes por dia para que deixem Portugal. Em pouco mais de 1 mês, o número de pedidos de residência negados quase dobrou. InPoder 360” - Brasil


segunda-feira, 2 de junho de 2025

Pensamentos de uma mulher à janela

Em livro que foge às definições de gênero, Raquel Naveira apresenta, em prosa poética, reflexões sobre a condição humana  


                                                            I

Reflexões de uma mulher madura, sensível, amante das Letras e das Artes, à janela, diante de uma noite salpicada de estrelas, compõem Ursa Maior (São Paulo, Scoprtecci Editora, 2025), o mais recente livro da professora universitária, poeta, romancista, contista, cronista, crítica literária e ensaísta sul-mato-grossense Raquel Naveira. Obra de gênero de difícil classificação, para a qual a autora arrisca como definição que seria um “romance em desordem, fragmentário, um amontoado de estudos”, trata-se de uma criação ficcional plasmada em prosa poética, dividida em três capítulos – “Pontos luzentes”, “Astros cintilantes” e “Luminescências” –, que há de encantar até o leitor mais exigente.

O título vem exatamente do olhar feminino para a imensidão do cosmos, durante certa madrugada, em que a autora localizou a constelação da Ursa Maior, que, diante de sua solidão, passa a ser sua interlocutora. Dessa maneira, aos poucos, passa a transmitir ao leitor suas angústias, suas leituras, seus poetas e escritores preferidos, seus gostos e delírios, levando adiante um processo de autoconhecimento.

Como observa o escritor e crítico literário Krishnamurti Góes dos Anjos, em extenso e sensível prefácio que adquiriu o foro de ensaio, esse benfazejo leitor, com certeza, terá a oportunidade de se deparar com um texto capaz de “irradiar a luz da criação literária no que ela tem talvez de mais interessante: a criatividade”. Afinal, vai encontrar em Raquel Naveira alguém que “exercita uma veia literária onde aflora uma erudição notável e uma vasta bagagem de leitora e professora de literatura”.

         

                                                 II

Inspirada na constelação Ursa Maior, formada por sete estrelas (Alpha, Beta, Gamma, Delta, Epsilon, Zeta e Eta), que estão a cerca de 10 anos-luz da Terra, Raquel Naveira procura misturar as imagens do universo cósmico com suas reflexões íntimas, passando por sua ancestralidade, que vem dos Açores e mistura-se com os indígenas. Diz ela: “Fiz jus ao meu sangue português quando me arremeti contra o desconhecido e saí de minha terra, nação guarani. Desejei tanto uma nova estrela, uma nova sorte. Estava cansada, mas ainda tinha forças. Viajei em busca de meu ideal. Saí observando    o mundo, mas ele não tinha nada de bom. Voltei à mesma casa de minha infância, de onde observo as Ursas pela janela. Quando chegará minha hora, minha vez?”

Por aqui, o leitor já pode sentir o que vai encontrar neste livro em que a autora evoca não só a mulher selvagem das fronteiras entre Brasil e Paraguai como nomes lendários, como Manuel Bandeira (1886-1968), seu poeta preferido, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Cassiano Ricardo (1895-1974), entre os brasileiros, ao lado de estrangeiros famosos, como o teólogo e filósofo Santo Agostinho (354 d.C-430 a.C), nascido no Norte da África, o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), o poeta inglês William Blake (1757-1827), o escritor austríaco-tcheco Franz Kafka (1883-1924), o poeta irlandês William Butler Yeats (1865-1939), a escritora inglesa Jane Austen (1775-1817),  o filólogo francês Jean-François Champollion (1790-1832), o pintor holandês Johannes Vermeer (1629-1675), o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), o poeta norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849) e outros.   

Como se vê, embora a autora deixe claro que não pretende ser autobiográfica nestas páginas, ela reconhece que não pode deixar de mostrar que viveu voltada para as Letras, para a poesia e para as salas de aula onde ensinou Literatura Portuguesa e outras cadeiras da área de Humanas. Além de exibir a indisfarçável erudição de sua autora, Ursa Maior é obra que também evoca a figura da mulher selvagem, conectada à floresta, à Terra e ao cosmos.

Dona de uma sensitiva prosa poética, Raquel Naveira conduz o leitor por uma travessia simbólica rumo à reconexão com o sagrado feminino e com a ancestralidade, usando os astros como metáfora de sua força intuitiva. Vale a pena conhecer este livro.

 

                                                          III

Raquel Naveira (1957), nascida em Campo Grande, formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (1976), em sua cidade natal, é mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2001), de São Paulo. Graduou-se em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy (1981), da França, e em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco (1994), onde deu aulas de Literaturas Brasileira, Latina e Portuguesa por 19 anos e aposentou-se.

Residiu no Rio de Janeiro, onde lecionou na Universidade Santa Úrsula e, em São Bernardo do Campo-SP, na Faculdade Anchieta. Deu também aulas na pós-graduação da Universidade Nove de Julho (Uninove), de Comunicação Aplicada na Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Gastronomia e Turismo (Hotec) e na pós-graduação da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Ministrou palestras e cursos em escolas e em várias instituições culturais como Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade, em São Paulo. Na Academia Paulista de Letras, participou do Ciclo de Memória da Literatura, discorrendo sobre o trabalho das romancistas Maria de Lourdes Teixeira (1907-1989) e Stella Carr (1932-2008).

É autora de mais de 40 títulos de poesia, crônicas, ensaios e romances, entre eles: Abadia, poemas (Editora Imago,1996), e Casa de Tecla, poemas, obra indicada ao Prêmio Jabuti de Poesia, pela Câmara Brasileira do Livro. Escreveu o livro infanto-juvenil Pele de Jambo (1996) e o de ensaios Fiandeira (1992).

Publicou os romanceiros Guerra entre irmãos (1993), poemas inspirados na Guerra do Paraguai (1864-1870), e Caraguatá (1996), inspirados na Guerra do Contestado (1912-1916), conflito armado entre os Estados de Santa Catarina e Paraná, a partir de luta entre posseiros e pequenos proprietários pela posse de um território, livro que inspirou o filme de curta-metragem Cobrindo o Céu de Sombra, monólogo com a atriz Christiane Tricerri.

É autora também de: Via Sacra (1989); Fonte Luminosa (1990); Nunca-Te-Vi (1991); Sob os Cedros do Senhor (1994); Canção dos Mistérios (1994); Mulher Samaritana (1996); Maria Madalena (1996); O Arado e a Estrela (1997); Rute e a Sogra Noemi (1997); Intimidades Transvistas (1997); e Senhora (1999), que recebeu o prêmio Jorge de Lima-Brasil 500 anos, concedido pela Academia Carioca de Letras e pela União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Rio de Janeiro, em 2000.

Publicou ainda: Stella Maia e Outros Poemas (2001); Xilogravuras (2001); Maria Egipcíaca (2002); Casa e Castelo (2002); Tecelã de Tramasensaios sobre interdisciplinaridade (2005); Portão de Ferro (2006); Literatura e Drogase outros ensaios (2007); Guto e os Bichinhos (2012); Sangue Português (2012); Álbuns de Lusitânia (2012); e Jardim Fechadouma antologia poética (2016), livro comemorativo dos seus 30 anos de carreira literária, entre outros.

Em 2002, lançou o CD Fiandeiras do Pantanal, em que declama seus poemas, acompanhada por craviola e pela voz da cantora Tetê Espíndola. Fiandeira foi indicado como leitura obrigatória do vestibular da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Este livro e mais Jardim Fechado: uma antologia poética foram eleitos como os representativos de Mato Grosso do Sul pelo portal G1.

Nos últimos tempos, lançou Leque Aberto (2020), Romanceiro de Cabeza de Vaca: o andarilho das Américas (2020) e Manacá (2021), crônicas em que mescla em prosa poética tradição e modernidade. Em 2022, publicou No Mundo Encantado de Luciana, infanto-juvenil e, em 2023, Mundo Guaranifragmentos de uma alma da fronteira, obra de memória que está entre a crônica, a novela e o romance e obteve o Prêmio João do Rio, da UBE, do Rio de Janeiro, narrativa que traz à tona o universo da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, em que recupera suas vivências com a herança indígena ainda extremante forte na cidade de Bela Vista, na fronteira com o Paraguai, à beira do rio Apa.

Em 2024, lançou Ponto de Fuga & Outros Poemas (São Paulo, Inmensa Editorial), coletânea de poemas originalmente publicados em dez de seus livros, que reúne também peças inéditas, os chamados poemas “vegetais”, gênero que, aliás, já estava presente em obras anteriores.

Pertence à Academia Sul-mato-grossense de Letras, à Academia Cristã de Letras, de São Paulo, à Academia de Letras do Brasil, de Brasília, à Academia de Ciências de Lisboa e ao PEN Clube do Brasil. Escreve para várias revistas e jornais como Correio do Estado-MS, Jornal de Letras-RJ, Linguagem Viva-SP, Jornal da ANE-DF e O Trem-MG, entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil

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Ursa Maior, de Raquel Naveira, com prefácio de Krishnamurti Góes dos Anjos. São Paulo, Scortecci Editora, 80 páginas, R$ 35,00, 2025. Site: www.scortecci.com.br E-mail da autora: raquelnaveira@gmail.com

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´el-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


Guiné-Bissau - Universidade de Macau “convidada” a formar professores

O reitor da Universidade Amílcar Cabral (UAC) disse que a instituição da Guiné-Bissau quer a ajuda da Universidade de Macau (UM) para ter mais professores com mestrado ou doutoramento. A UAC tem a ambição de, até 2030, ter pelo menos 50% dos docentes com mestrado e 30% com doutoramento, disse Herculano Arlindo Mendes.


“Como é que vamos fazer isso se, mesmo na Guiné-Bissau, ainda não temos os programas de mestrado nem de doutoramento?” questionou o reitor. “É através da parceria com os nossos parceiros, que podemos realizar essa ambição”, explicou Arlindo Mendes, à margem do “Fórum dos Think Tanks entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, a decorrer até sábado na UM.

“Nós estamos aqui disponíveis para explorar as possibilidades de parcerias que possam surgir”, disse Arlindo Mendes, indicando que já havia negociações em curso com a UM e demonstrando esperança em assinar um acordo de parceria com a instituição de Macau durante o fórum.

Além da formação de professores e da realização conjunta de conferências internacionais e projectos de investigação académica e científica, a universidade da Guiné-Bissau pretende também enviar estudantes para a UM.

“Vamos tentar solicitar o apoio da Universidade de Macau, ou seja, através da cooperação entre a China e a Guiné-Bissau, para que possamos ter um número significativo de bolseiros”, referiu Arlindo Mendes. Isto porque, admitiu o reitor, “do ponto de vista financeiro, o país, a Guiné-Bissau, e a universidade em particular tem muita dificuldade nesse sentido”.

Arlindo Mendes falou no fórum sobre “os processos de modernização da Guiné-Bissau, as perspectivas e os desafios actuais”. “Acreditamos também que vamos aprender com a experiência de outros países que estão aqui presentes”, acrescentou o reitor.

Aprender com políticas industriais da China

Já o reitor da Universidade Joaquim Chissano (UJC) disse que a instituição de Moçambique vai assinar uma parceria com a Universidade de Tecnologia do Sul da China para formar professores em políticas industriais. João Gabriel de Barros indicou que o acordo com o Instituto de Políticas Públicas da universidade chinesa resultou de uma visita ao campus em Cantão.

“É diferente daquilo que nós temos ensinado nos cursos de políticas públicas. São políticas públicas industriais, que visam a industrialização, (…) que visam mesmo o desenvolvimento de uma forma concreta e directa”, explicou o reitor.

João Gabriel de Barros lamentou que nos países africanos, incluindo em Moçambique, as universidades ainda “vão muito atrasadas” em áreas como a inteligência artificial e “outras que são formações de futuro”. “Isto tudo cria uma pressão positiva e necessária. Temos de aprender e adaptar tudo isto aos nossos contextos e não irmos sempre a reboque daquilo que a globalização traz”, defendeu.

Barros explicou que a parceria com o Instituto de Políticas Públicas irá prever o envio de docentes da UJC para receberem formação em políticas industriais. “Teremos que ter lá os nossos professores também a serem formados, porque a visão é totalmente diferente”, sublinhou o reitor, que também veio participar no fórum de grupos de reflexão entre a China e os países de língua portuguesa.

O dirigente disse que a UJC vai assinar outro memorando de entendimento com a UM, que alarga a cooperação já existente na formação de professores e no intercâmbio de docentes e estudantes. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”