Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Macau - Quer atrair peritos, incluindo lusófonos

O Governo apresentou dois programas para atrair quadros qualificados das áreas da tecnologia de ponta que valorizam o conhecimento do português. O objectivo é captar profissionais formados nas 100 melhores universidades do mundo ou nas 20 melhores do Interior da China


Na sexta-feira entraram em vigor dois programas para captar “quadros altamente qualificados” e “profissionais de nível avançado” em tecnologia de ponta, cujos critérios valorizam o conhecimento da língua portuguesa.

De acordo com os despachos assinados pelo Chefe do Executivo, publicados no Boletim Oficial de Macau na quinta-feira, os programas têm como objectivo “impulsionar o desenvolvimento das indústrias chave”.

Nos despachos que enquadram os programas, Ho Iat Seng defendeu que a indústria de tecnologia de ponta é “necessária à diversificação adequada da economia” da RAEM, altamente dependente do turismo e dos casinos.

Os programas apontam para tecnologias como a inteligência artificial, novas energias, robótica, Internet das coisas, cibersegurança, mega dados, realidade virtual e aumentada, e circuitos integrados microelectrónicos, também conhecidos por ‘chips’.

Os candidatos aos programas têm de contar no currículo com, pelo menos, uma licenciatura, ter 21 anos ou mais e obter pelo menos 200 pontos numa lista de critérios que inclui experiência profissional e competências linguísticas. Quanto mais velhos forem os candidatos, menores serão os pontos atribuídos.

A nível das qualificações académicas, há pontos atribuídos para quem obter diplomas nas 100 melhores instituições do mundo ou nas 20 melhores do Interior, de acordo com os seguintes ranking: Times Higher Education World University Rankings, QS World University Rankings, U.S. News & World Report e Academic Ranking of World Universities.

Lista de critérios

Um candidato pode obter até 10 pontos se “possuir boa capacidade de expressão em duas línguas de entre o chinês, português ou inglês”, de acordo com os critérios dos dois programas.

Também os rendimentos anuais provados dos candidatos são alvo de avaliação, e se um candidato apresentar rendimentos superiores a 3 milhões de patacas, soma imediatamente 80 pontos, o valor mais alto. O nível mais baixo é de 30 pontos, para quadros com rendimentos de pelo menos 1,5 milhões de patacas por ano.

Estes dois programas são os primeiros a serem implementados no âmbito de uma lei, que entrou em vigor a 1 de Julho, e que procura captar para Macau quadros qualificados, entre eles vencedores de Prémio Nobel, nomeadamente com benefícios fiscais.

Os quadros qualificados poderão gozar de isenção do imposto do selo sobre a transmissão de bens ou sobre aquisição de bens imóveis destinado ao exercício de actividade própria, assim como isenção da contribuição predial urbana.

Além disso, terão isenção do pagamento do imposto complementar de rendimentos, assim como benefícios para efeitos do imposto profissional, caso sejam contratados por empresas locais.

O Governo definiu como aposta para os próximos anos o investimento em indústrias que podem absorver quadros qualificados, como é o caso do sector financeiro e das áreas de investigação, desenvolvimento científico e tecnológico, saúde com alta tecnologia e medicina tradicional chinesa. In “Hoje Macau” - Macau


Macau - Ensaio fotográfico da autoria de Gonçalo Lobo Pinheiro distinguido no Brasil

“O que foi não volta a ser…”, ensaio fotográfico de Gonçalo Lobo Pinheiro que acompanha as transformações de Macau ao longo das décadas, foi o vencedor da edição deste ano do Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia, no Brasil, na categoria de ensaio. O antigo fotojornalista do Ponto Final diz-se “sem palavras perante esta distinção”


O ensaio fotográfico do fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro, “O que foi não volta a ser…” venceu, na categoria de ensaio, a edição deste ano do Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia, no Brasil. As obras vencedoras estarão expostas no centro histórico da cidade de Paraty, no Estado do Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 17 de Setembro.

Em comunicado, o antigo fotojornalista do Ponto Final expressou a sua gratidão ao júri do festival, afirmando estar “sem palavras perante esta distinção”. “É uma honra inigualável ser reconhecido neste prestigiado evento de fotografia. Agradeço do fundo do meu coração por esta distinção, que representa anos de trabalho e dedicação à arte da fotografia”, afirmou Gonçalo Lobo Pinheiro, citado no comunicado.

“Quero também parabenizar todos os vencedores e finalistas deste incrível festival, que vai já na sua 19.ª edição. A qualidade das obras apresentadas é verdadeiramente inspiradora. Estou orgulhoso de fazer parte desta comunidade de talento global”, acrescentou Lobo Pinheiro.

Recorde-se que Gonçalo Lobo Pinheiro já havia arrecadado uma menção honrosa na edição de 2019 do mesmo festival brasileiro com o retrato de Ratna Khaleesy, uma migrante indonésia residente em Macau.

Nesta série, o fotógrafo, radicado em Macau há mais de 12 anos, juntou, ao longo de mais de um ano, fotografias antigas de Macau – captadas a preto e branco, entre os anos de 1930 e 1990 – mostrando como é hoje em dia o local preciso onde foram tiradas. “Este livro e uma exposição representam um encontro entre o passado e o presente”, explicou, aquando da apresentação do projecto, o fotógrafo.

“O que foi não volta a ser…” acompanha, então, a evolução do território ao longo das últimas décadas. “Imaginem fotografias captadas há 70 ou 80 anos. E agora, o que fazer com elas? Se, por um lado, ainda é possível recriar alguns cenários, por outro lado, é impossível obter pontos de contactos noutras fotografias, porque simplesmente as coisas já não existem no território. Tudo mudou. Por isso, na grande maioria dos casos, o que foi não volta a ser”, destacou.

O projecto “O que foi não volta a ser…” deu origem a um livro editado no ano passado e a uma exposição que foi apresentada em Macau, na Fundação Rui Cunha, em Novembro. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

Sobre este tema leia:

Macau – Livro documental fotográfico “O que foi não volta a ser…” arrecada bronze em concurso


Portugal - Tinta condutora amiga do ambiente promete revolucionar a produção de circuitos eletrónicos flexíveis

Uma investigação levada a cabo por Manuel Reis Carneiro, aluno de doutoramento do Programa Carnegie Mellon Portugal (CMU Portugal) na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e na Carnegie Mellon University (CMU), desenvolveu uma tinta condutora à base de água para a produção de circuitos eletrónicos flexíveis que permite evitar a utilização de solventes orgânicos, poluentes e nocivos para o ambiente. A técnica, acaba de ser publicada na revista científica Advanced Science.


Por ser produzida com água, esta tinta é mais sustentável, ecológica e reduz de forma significativa o impacto ambiental das soluções já existentes. Adesivos eletrónicos para monitorizar a saúde ou garantir a qualidade de produtos alimentares são algumas das utilizações possíveis.

Manuel Reis Carneiro, aluno de doutoramento do Programa CMU Portugal e investigador no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Universidade de Coimbra, integra uma equipa liderada por Mahmoud Tavakoli, que tem já uma vasta experiência no desenvolvimento de circuitos eletrónicos flexíveis. A produção destes circuitos, de forma fácil, rápida e económica tem sido um dos principais desafios da equipa de Coimbra, que dá agora um novo passo nessa direção ao desenvolver uma tinta que é sustentável e amiga do ambiente.

«A utilização de uma tinta à base de água para a impressão e produção dos circuitos eletrónicos flexíveis traz inúmeras vantagens. Por um lado, reduz radicalmente a pegada ecológica da produção porque não utiliza materiais poluentes. Por outro, torna muito mais fácil a reciclagem e posterior reutilização dos circuitos, que anteriormente consistia num procedimento complexo. Neste caso basta colocar o circuito em álcool, os componentes e as partículas metálicas separam-se e estão aptos para serem reutilizados», explica Manuel Reis Carneiro.

Outra grande mais valia é que esta tinta, ao contrário das anteriores, não tem de ser refrigerada, pode ser mantida à temperatura ambiente durante cerca de um mês, o que facilita a sua preservação, reduz a pegada ecológica e os custos de manutenção.

Atualmente, estes circuitos flexíveis têm diversas aplicações, sobretudo na área da saúde como sensores de biomonitorização e adesivos capazes de registar dados de saúde de doentes, nomeadamente atividade muscular, respiração, temperatura corporal, batimentos cardíacos, atividade cerebral, ou até emoções. A maioria dos dispositivos médicos utilizados em contexto hospitalar, nomeadamente eléctrodos para eletrofisiologia, são de uso único e desperdiçados após uma utilização. Assim, a introdução desta nova tinta, que permite uma reciclagem fácil e económica, tem um impacto relevante na reutilização dos adesivos de monitorização, reduzindo significativamente o lixo eletrónico também conhecido por e-waste, gerado pelas soluções de uso único.

A indústria alimentar é outro dos setores que pode beneficiar com esta descoberta ao integrá-la na próxima geração de embalagens inteligentes. A equipa testou a aplicação desta nova tinta em adesivos que podem ser impressos em plástico e aplicados em embalagens de produtos alimentares perecíveis, para monitorizar a sua temperatura e garantir a sua qualidade. Desta forma é possível garantir a adequada preservação, registar qualquer problema que ocorra durante o armazenamento e informar o consumidor.


«Para já, os adesivos criados contam um sensor de temperatura que mede a temperatura (TºC) da embalagem e que avisa o utilizador quando existe risco de contaminação. Esta solução tem um custo de produção baixo, pelo que no futuro será viável incluir estes adesivos nas embalagens de bens perecíveis para controlar a sua qualidade. Neste momento, é possível monitorizar a temperatura da embalagem e exposição a condições desfavoráveis, mas contamos conseguir no futuro controlar outros fatores como a pressão, humidade, posição, ou localização», revela.

A equipa do ISR da FCTUC tem feito progressos significativos na área de produção de circuitos eletrónicos flexíveis, de forma a viabilizar a produção destas soluções em termos de custos e em larga escala. Já é possível, por exemplo, produzir estes circuitos com recurso apenas a uma impressora 3D tradicional e foi apresentada, no ano passado, uma alternativa para a integração de microchips, em estado sólido, em materiais flexíveis e circuitos à base de polímeros elásticos.

A produção de tintas condutoras à base de água e a redução do impacto ambiental de resíduos eletrónicos é mais um passo nos objetivos da equipa. «À medida que o mundo se torna cada vez mais dependente de dispositivos eletrónicos, é crucial reconhecer e enfrentar os desafios ambientais apresentados pelos novos resíduos criados. Assim, pretendemos desenvolver sistemas eletrónicos inovadores baseados em eletrónica flexível, com diversas funcionalidades avançadas e aplicações tanto na medicina como na indústria, mas tendo sempre em conta a sustentabilidade, eficiência de recursos e um impacto ambiental mínimo», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


 

 


UCCLA - Abertura do Festival de Poesia de Lisboa

Vai decorrer de 13 a 17 de setembro, a 8.ª edição do Festival de Poesia de Lisboa, evento que incentiva a leitura, fomenta a democratização da palavra e valoriza a poesia em língua portuguesa. A abertura do Festival terá lugar na UCCLA no dia 13 de setembro, às 19 horas, com homenagem à poeta Adélia Prado, seguida do espetáculo "Afetos navegantes: olhar o porto do mar" com Marina Campanatti.

Adélia Prado é poeta e autora de 18 livros, entre poesia, prosa e infantis. Já foi contemplada com o Prémio Jabuti (1978), Prémio ABL de Literatura Infantojuvenil (2007), Prémio Literário da Fundação Biblioteca Nacional (2010), Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (2010), Prémio Clarice Lispector (2016) e Prémio Governo de Minas Gerais de Literatura pelo conjunto da obra (2016).

O espetáculo “Afetos Navegantes: olhar o porto do mar" com Marina Campanati decorrerá a partir das 20h30. É um espetáculo que apresenta, ao longo da narrativa, a perspetiva de uma educadora brasileira, que cruza o oceano e encontra na Amadora, a oportunidade de desenvolver o seu trabalho nas ruas dos bairros sociais num rico encontro com as comunidades ciganas e africanas. Nesse encontro multicultural típico da cidade, apresenta questionamentos acerca dos estigmas relacionados às identidades e suas complexidades. O espetáculo tem como fio condutor a união entre o teatro e a poesia, trazendo à cena a vida do bairro social, suas potências, seus desafios, mas acima de tudo, apresenta pontos de vista de alguém que está lá, com uma escuta ativa e um grande desejo de resinificar a forma como nos afetamos.

Marina Campanatti é brasileira, atriz, artista pedagoga, educadora, pesquisadora, poeta e gente. Busca nas palavras e nos afetos compreender e instigar os olhares aos lugares de poder que ocupamos. Formada em teatro e cinema e mestre em Teatro e Comunidade pela Escola Superior de Teatro e Cinema- IPL. Trabalha atualmente nas ruas dos bairros sociais na Amadora com toda a comunidade e o foco principal: as crianças. Autora do livro Afetos Navegantes: Olhar o porto do mar, publicado pela editora Urutau.

O 8.º Festival de Poesia de Lisboa é todo pensado para a movimentação pela cidade. Por isso, ao longo dos 5 dias o Festival ruma por 6 espaços parceiros: UCCLA - União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa, Fábrica Braço de Prata, Valsa, Livraria da Travessa, Jardim do Príncipe Real e Biblioteca de Alcântara.

No dia 14 de setembro, o Festival passará por Marvila, no património histórico que é tanto o palacete oitocentista quanto o centro cultural & museu popular de arte viva da Fábrica Braço de Prata. No dia 15, haverá um workshop na Graça, no espaço que faz parte do Colectivo Coral e que é um ambiente alternativo e seguro para as vivências de diversidade, a Valsa. Depois, no fim da tarde o festival estará no Príncipe Real, na Livraria da Travessa, livraria que é um pedaço do Brasil em Lisboa, e que terá uma mesa à venda com os títulos de alguns dos convidados. Para encerrar a noite, o Jardim do Príncipe Real será ocupado com um Poetry Slam, a primeira edição promovida pelo Festival nesta linguagem da poesia. Para encerrar, os dias 16 e 17 de setembro serão passados na Biblioteca de Alcântara.

Programação

Historial:

O Festival de Poesia de Lisboa nasceu em 2016 com o objetivo de incentivar a leitura, fomentar a democratização da palavra e valorizar a poesia de língua portuguesa. Já foram realizadas 7 edições do Festival, com apoio do Instituto Camões e diversos outros parceiros fundamentais, como o Museu da Língua Portuguesa, a Associação ILGA Portugal e os Espaços Parceiros (Padrão dos Descobrimentos, Valsa, Livraria da Travessa, Espaço Espelho D’Água e Fábrica Braço de Prata).

A jornada tem sido construir uma festa aliada às pautas urgentes que atravessam classe, raça, género, corpo e terra para que possamos todos inventar um lugar possível colocando em cena o discurso poético.

Até hoje, a iniciativa alcançou mais de 500 poetas em 15 países, publicou 7 antologias poéticas, realizou 19 oficinas criativas, 32 palestras & mesas, 6 espetáculos poéticos e 10 tertúlias - somando os formatos virtual e presencial.

Os poetas homenageados, e presentes na programação, até o momento foram: Manuel Alegre (2019), Conceição Evaristo (2020), Mia Couto (2021) e Ana Luísa Amaral (2022).

Com o fim da pandemia, a última edição foi realizada em formato presencial nos dias 14 a 18 de setembro de 2022, em diversos pontos culturais da cidade de Lisboa e a esta acontecerá entre os dias 13 e 17 de setembro de 2023.

 

Angola - Novo aeroporto de Luanda vai ser inaugurado a 10 de Novembro

O dia 10 de Novembro foi a data escolhida pelo Governo para inaugurar o novo aeroporto da capital, o Aeroporto Internacional de Luanda Dr. António Agostinho Neto


O anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, em conferência de imprensa, na sexta-feira, onde explicou ainda que esta infraestrutura que visa tornar Luanda num hub do transporte aéreo para a África Central e Austral, vai custar, segundo avança a Lusa, no total 2,8 mil milhões USD, contrariando informações anteriores que apontavam para mais de 5 mil milhões USD.

Segundo o governante, o custo total da obra, que foi lançada em 2007, embora tenham apenas começado em 2013, mas, devido a diversas interrupções e necessidade de reformulação do projecto, foi sendo estendida no tempo, é de 2,8 mil milhões USD, bastante abaixo de algumas estimativas feitas anteriormente, algumas acima dos 5 mil milhões USD.

Ricardo de Abreu disse neste mesmo momento que estes números não são muito expressivos para a sua dimensão e o que se espera que seja o seu retorno para a economia nacional. In “Novo Jornal” - Angola


domingo, 3 de setembro de 2023

São Tomé e Príncipe - Crónica de uma Comunidade errante!

Baixou o pano sobre a última Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que, em São Tomé, serviu de mote para a passagem da presidência da organização, de Angola para São Tomé e Príncipe.

Tudo aparentemente normal, quiçá, como expectante. Porém, considerando os fenómenos antecedentes à referida reunião, não é demais questionar a verdadeira importância (se é que há alguma) da CPLP para as aspirações dos comuns cidadãos dos países que compõem a Comunidade. Quiseram as regras da rotatividade que a última Conferência de Chefes de Estado e de Governo ocorresse em São Tomé, capital da República de São Tomé e Príncipe.

A Conferência foi preparada num clima de indisfarçável desalento decorrente do trágico incidente do dia 25 de Novembro de 2022, que custou a vida de cidadãos civis, barbaramente espancados e mortos por militares, militares estes que foram protegidos a todo o custo pelo Governo local e a seguir promovidos para funções de relevo superior (nas palavras de Domingos Simões Pereira, Presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné Bissau, não é novidade para ninguém que esse incidente causou desconforto a todos – eu diria que não é mero desconforto).

Nas vésperas da Conferência o Ministro dos Negócios Estrangeiros santomense foi obrigado a demitir-se do cargo, por ter sido inconveniente nas declarações a propósito do esforço (ou falta dele) de alguns Estados da CPLP na promoção do português na Guiné Equatorial (olvidou o Ministro que quem vive de mãos estendidas está diminuído na sua dignidade e no direito de, livremente, verbalizar o que pensa. Custou-lhe o cargo).

Ainda mais próximo da data da reunião dos Chefes de Estado e de Governo, o executivo local, através do altar do “venerando” conselho de ministros, decidiu ordenar, pelo período de 15 dias, a proibição de quaisquer manifestações com carácter reivindicativo ou protestatório (o Presidente da República local prontamente apareceu a chancelar esta pérola do executivo, quiçá temendo raspanete semelhante a que, diz-se a boca pequena, levou, quando publicamente afirmou que não participara da cerimónia de entronização do Rei Carlos III porque o país não havia recebido qualquer convite, sugerindo, assim, que a presença do seu Primeiro Ministro naquela cerimónia só podia justificar-se numa categoria de “pato”).

Este o quadro reinante no país que acolheu a Cimeira da CPLP, de cara “lavada” (diz-se, com dinheiro de Angola!). Ora, dizem os Estatutos da CPLP que, entre outros princípios, a Comunidade rege-se pelo princípio do Primado da Paz, da Democracia, do Estado de Direito, dos Direitos Humanos e da Justiça Social (al. e) do n.º 1 do art. 5.º).

Deixo para os especialistas (que hoje são aos montes) a dissertação sobre se o quadro atrás destacado está no alinhamento com, pelo menos, esse princípio dos Estatutos da CPLP. O que acho que qualquer normal cidadão da Comunidade esperava era alguma manifestação, ainda que abstrata, em relação à situação reinante no país anfitrião. Dito de outra forma, face à ostensiva violação do elementar direito à manifestação (fora de um cenário de estado de sítio), do direito à vida (execuções perpetradas por militares das Foras Armadas), do direito a um processo justo, etc., não seria de esperar que a Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP transmitisse algum sinal que acalentasse os anseios que tantos santomenses, e não só (veja-se os pronunciamentos da Dra. Ana Gomes, Portugal, e Dr. Domingos Simões Pereira, Guiné Bissau, apenas para citar alguns) têm vindo a suscitar?

A questão mais preocupante é a de saber quem, com responsabilidades na CPLP, poderia liderar uma tal manifestação em relação àquilo que se passa em São Tomé e Príncipe, e que não se pode tomar por perfeitamente normal. Dos países, declaradamente mais influentes (nestas coisas o dinheiro conta primeiro), Angola e Moçambique, certamente por razões internas (só pode exigir aos outros quem é inquestionável nos exemplos), não assumiriam tal desiderato. A Guiné Equatorial, apesar do petróleo, em relação à CPLP continua a ser um mero pendulo à busca do melhor lugar para se agarrar (realce-se a ovação da Conferência por, finalmente, aquele país abolir a pena de morte!).

O Brasil, apesar do esforço do Presidente Lula da Silva (que vai enviando farpas por onde passa – não se pode esquecer o seu posicionamento em relação ao conflito Rússia-Ucrânia, ou do episódio em que, em Luanda, sugeriu que os jornalistas angolanos são domesticados pelo “chefe”!), não parece estar, por ora, tão por dentro dos assuntos domésticos santomenses como os outros Estados-membros.

Restaria Portugal, no seu papel paternal (que vai usando com mais ou menos acutilância em razão do que realmente interessa em cada momento). Porém, em relação ao primeiro-ministro português, António Costa tem assuntos internos mais sérios, pelo que não arriscaria mais uma exposição. No que se refere ao Presidente Marcelo, de um político de enorme empatia, transformou-se num fofinho, essencialmente neste seu último mandato, pelo que já muito pouca gente o leva a sério (perguntem a António Costa).

De forma que as questões antecedentes à Cimeira, relacionadas com o país anfitrião, passaram completamente ao lado de tudo e de todos. Dos 64 pontos da Declaração de São Tomé – 14.ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP (novas e meras declarações de intenção), não há uma só que, ainda que de forma tímida, sugira que algo de anormal se passa naquelas Ilhas do Equador.

Neste particular a Conferência serviu também, quiçá, para branquear a situação, dando ao executivo local maior margem para cometer ou negligenciar o cometimento de atrocidades contra aqueles que se manifestem (por qualquer forma) contra os actos governativos. Dir-me-ão: em encontros bilaterais foram abordados outros temas, e, quiçá, a situação das Ilhas.

Mas, convenhamos, isto, ainda que tenha acontecido, é muito poucochinho, pois as pessoas da Comunidade têm o direito de saber o que pensam os Chefes de Estado e de Governo da CPLP sobre as questões concretas dos países membros, como são as acima enunciadas.

A Conferência, envolta nesta aparente normalidade, transformou-se numa simples feira das vaidades, sem qualquer resultado palpável, pelo menos para os cidadãos, alegados destinatários da Comunidade. Terminou como começou, com declarações inócuas, por desprovidas de significado prático, beijinhos e abraços, até à feira seguinte. Mais uma demonstração de que a CPLP continua no seu caminho errático, sendo uma simples organização internacional, de políticos para políticos, com escassa ou nenhuma real preocupação com as pessoas (de carne e osso) que compõem a referida Comunidade.

É exactamente por isso que os cidadãos continuam a não se reverem na CPLP, tendo cada vez menos razão para nela se reverem. A qualquer cidadão é legítimo questionar: para que serve a CPLP?  Victor Ceita – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

Observação: qualquer verdade que possa emergir desta crónica é “mera” e “pura” coincidência.

 

Lusofonia - Escritora lança projeto internacional de escrita com nomes da literatura de língua portuguesa

A Sala de Escrita trará cursos em diversos formatos com grandes escritores, entre eles Sara Carinhas, Nara Vidal, Aline Bei, Andrea Del Fuego, Marcelino Freire e Leopoldina Fekayamãle

As mais criativas possibilidades da língua portuguesa serão exploradas em um projeto internacional de escrita. A Sala de Escrita, projeto assinado pela jornalista Fernanda Ávila e pela premiada escritora Nara Vidal, nasce em três países: Brasil, Portugal e Inglaterra, e contará ainda com professores de outras localidades como Angola e Moçambique.

Aulas, cursos, imersões, leituras guiadas e eventos ligados à literatura farão parte do projeto, que já tem programação a partir de setembro. Grandes nomes da literatura contemporânea em língua portuguesa fazem parte da Sala de Escrita, como a própria Nara Vidal, que vive há 20 anos na Inglaterra, e Sara Carinhas, destaque da dramaturgia em Portugal.

A Sala de Escrita estreia com expectativa, por ser um projeto liderado por duas mulheres de grande relevância para o cenário literário. Nara Vidal tem propagado a literatura brasileira pelo mundo, tendo sido traduzida até para o holandês e espanhol com “Sorte”, premiado com o Oceanos em 2019, e foi finalista do Prêmio Jabuti com “Mapas Para Desaparecer”. Hoje, morando no Reino Unido, dá aulas de escrita, é colunista e tradutora.

Com ela, está Fernanda Avila, jornalista, sócia da Pulp Edições e fundadora da Amora Livros, clube dedicado a celebrar mulheres escritoras. Já editou mais de 20 livros e é autora do “Guia Nova York com Crianças”, e vive hoje em Lisboa. “Nossas ideias, propostas e ações para movimentar o espaço literário, de leitura e da escrita estão, agora, ativas e em plena construção”, comenta Nara.

A pluralidade da língua portuguesa, oficial em dez países e falada por milhões de pessoas pelo mundo, é representada nas atividades da Sala de Escrita. “Nossos encontros serão online, geograficamente generosos e amplos, mas também presenciais. Nossos pés estão em Portugal, na Inglaterra e no Brasil”, explica Nara. Faz parte da essência do projeto democratizar a escrita criativa, proporcionando diferentes encontros com temáticas variadas, em formatos diversos, para qualquer pessoa interessada na escrita como ferramenta, seja para desenvolvimento pessoal ou profissional. “Acreditamos que a leitura é um direito de todos e que a escrita deve ser acessível como expressão artística a quem se interessar por ela como tal”, completa Fernanda.

Estreia

A própria Nara Vidal marca a estreia das ações da Sala de Escrita. Neste 02 de setembro, ela comandou o encontro virtual “Katherine & Virginia”. Ela abordou a relação entre as escritoras Katherine Mansfield e Virginia Woolf, que se admiravam e ao mesmo tempo criticavam o trabalho uma da outra, com relativo ressentimento. Nara se aprofunda em questões históricas e sociais relacionadas às autoras inglesas, trazendo cartas e contos de ambas para demonstrar as genialidades e vozes diversas das duas.

O segundo curso da Sala de Escrita também já está com inscrições abertas. A portuguesa Sara Carinhas ministra “Partir de”, workshop que utiliza ferramentas do improviso, autoreferencialidade, transformação e fantasia para resultar em liberdade e movimento na escrita. Toques de autobiografia, ficção, imagens e cartas se cruzam-nas quatro aulas, que acontecem nos dias 11, 12, 13 e 14 de setembro, online (a partir das 18h no horário de Brasília e das 22h no horário de Portugal e Reino Unido). Sara Carinhas tem experiência em encenação – recebeu um Globo de Ouro de Teatro como atriz em 2015 – e tem se destacado na dramaturgia portuguesa. Inscrições em:

https://www.sympla.com.br/evento-online/oficina-partir-de-por-sara-carinhas-na-sala-de-escrita/2119066?share_id=copiarlink.

Em breve

Outros grandes nomes da literatura de língua portuguesa estarão em ações promovidas pela Sala de Escrita. Entre os nomes confirmados, além de Nara Vidal e Sara Carinhas, grandes referências literárias, como a paulista Aline Bei, autora do premiadíssimo “O peso do pássaro morto”; a escritora e mestre em filosofia Andrea Del Fuego, autora do “Os Malaquias”, vencedor do Prêmio Saramago; o pernambucano Marcelino Freire, autor de mais de uma dezena de grandes obras; a doutora em história social e escritora Ynaê Lopes dos Santos, que escreveu, entre outros, “História da África e do Brasil Afrodescendente”; a angolana Leopoldina Fekayamãle, que atua em vários projetos com foco em equidade e justiça social; e a escritora e roteirista Claudia Lage.

Mais sobre a Sala de Escrita no perfil oficial do projeto no Instagram (@saladeescrita) ou pelo e-mail infosaladeescrita@gmail.com. In “Mundo Lusíada” - Brasil