Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 15 de setembro de 2013

Hipóteses

 
Houston, temos uma hipótese
 
Taboo é um jogo de tabuleiro em que devemos descrever um conceito sem o nomear nem usar certas palavras na descrição, aquelas que facilitariam a identificação por parte da nossa equipa. É provável que a palavra Língua aparecerá no maço de fichas do tal jogo e atrevo-me a arriscar que os tabus serão palavras como Identidade, País, Gramática e outras similares.
 
A palavra cuja enunciação não creio que seja proibida é Planeta, o que é de notar porque dominar uma língua não deixa de ser uma viagem interplanetária que nos oferece numerosas regalias. Há quem esteja interessado na literatura ou a música, quem visualize o mercado laboral ou as oportunidades de negócio, quem deseje aumentar a sua rede social... tudo isto e mais consegue-se com o acesso a um planeta língua. Na verdade, estamos num momento histórico onde se privilegia como nunca ter o cartão de embarque para diferentes línguas/planetas. A insistência de Bruxelas neste aspeto é constante e os diferentes governos, com mais ou menos jeito e sinceridade, investem na formação em línguas.
 
Para a possessão de cartões de embarque, existem países com vantagens à partida: Suíça, Bélgica, Quebeque, Porto Rico... Que temos os galegos e as galegas a dizer ao respeito? Para já, a língua galego-portuguesa nasceu na Galiza e a língua castelhana está por toda a parte. São as duas línguas românicas com mais falantes e estão presentes em numerosos países e continentes. Não está mal para começar a viagem, no mínimo, melhor do que Madri, Berlim ou Paris.
 
Ora, o que interessa não é a pista de descolagem, de onde partimos, mas o percurso, por onde vamos, e o destino, aonde queremos chegar.
 
Se começamos a contar desde 1980, quando o galego entra no sistema educativo, até hoje, deparamos com uma rota de viagem bastante estranha onde o castelhano é aproveitado na sua totalidade enquanto o galego-português na sua “infimidade”. Passados trinta anos, quase todos habitamos o planeta Ñ, sabemos mover-nos à vontade, aproveitar o que nos oferece. Porém, não se passa o mesmo com o planeta NH. A imensa maioria não transita este astro nem parece interessar-lhes. Aqueles que o fazemos somos mais ricos, certeza, mas uma pergunta surge logo, por que o que é bom para nós e está ao alcance de todos, não é de transito comum?
 
Para responder a esta pergunta é comum falar-se de auto-ódio, os galegos são assim, são assado, o nacionalismo espanhol, etc. e tal. É capaz de ser assim mas seria bem mais interessante perguntar-se sobre o que fizemos com a nossa língua e o que se pode fazer de diferente. Afinal, o que mais de estranho tem a rota de viagem é que o Brasil, Portugal, Angola, as suas gentes, as suas produções não existem. Não aparecem nos nossos radares. Engolidos por algum buraco negro? Habitam noutra dimensão? Acho que não, é acender o meu computador e estão aí.
 
O diretor do Consello da Cultura Galega, Ramón Villares, afirmou que se desaproveitara este recurso mas que esta atitude era revisável. Todos os galegos e galegas viríamos a ganhar, que é o que realmente importa, com a mudança de rumo. Temos um problema, sim, mas também temos uma hipótese. Viagem interestelar? 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1.... Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”


sábado, 14 de setembro de 2013

Paísos Cataláns

As tentativas institucionais, midiáticas e mesmo mediante agressões fascistas aos símbolos catalães, não conseguiram impedir nem ocultar uma esmagadora maioria social voltando a sair hoje às ruas para reclamar a secessão.
 
O exercício do direito de autodeterminação, que a Constituição espanhola ainda nega e que as principais instituições internacionais sim reconhecem, parece mais próximo da realidade catalã do que ontem, após a histórica jornada deste Dia Nacional da Catalunha.
 
Foto Albert Garcia
A cadeia humana pela independência, que percorreu a totalidade do país num cordão de quase 500 km, juntou, segundo algumas fontes, mais de um milhão e meio de catalães e catalãs, no que já é considerado uma prova de força do povo catalão em apoio ao "divórcio civilizado" de Espanha. Porém, continuando com o símil matrimonial, o Estado espanhol parece mais próximo da mentalidade impositiva do machismo impedindo a rutura pela força. Hoje, um grupo de fascistas atacou a sede da delegação do governo catalão em Madri ao grito de "Catalunha é Espanha!", dando mostras de uma inocultável impotência.
 
Entretanto, os meios de comunicação do regime espanhol mal conseguem se repor do importante impacto que em todo o mundo já está tendo a impresssionante mostra de consciência nacional oferecida hoje pelo povo da Catalunya, mesmo ultrapassando a multitudinária manifestação da anterior Diada (Dia Nacional), de 2012. Impossível ocultar uma realidade tão contundente, que se mostra também em todas as consultas demoscópicas realizadas sobre a vontade de ser do povo catalão: a opção independentista é claramente maioritária, tal como se plasma, de fato, no Parlamento autônomo do Principat de Catalunya.
 
Hoje, mais uma vez, todas as opções do espectro político catalão que apoiam a independência protagonizaram uma jornada de êxito. Para além do incontestável sucesso da multitudinária corrente humana organizada pela suprapartidarista Assembleia Nacional Catalã (ANC), também à esquerda, a CUP e as restantes forças da esquerda independentista tiveram a sua maior convocatória em muitos anos, com milhares de pessoas em apoio à sua palavra de ordem: "Independência, socialismo, feminismo". Da mesma forma, a social-democrata ERC e mesmo a direitista CiU comemoraram hoje o clamor independentista, enquanto as forças de obediência espanhola, nomeadamente o PP e o PSOE, esperavam que o dia acabasse logo.
 
2014, o ano do referendo pela independência
 
A maioria do Parlamento e, sobretudo, a maioria do povo catalão espera que, apesar da negativa espanhola, no próximo ano se realize um referendo de autodeterminação no Principat da Catalunya em que o povo catalão possa solenemente declarar qual será o seu futuro como povo e, em consequência, a sua decisão seja respeitada.
 
O Reino de Espanha e as suas instituições negam redondamente qualquer possibilidade de que a consulta seja feita, ameaçando inclusive com o uso da força para evitar a liberdade catalã. As mostras de desespero espanhol são cada vez mais claras e hoje mesmo pudemos ver como um grupo de ultras espanhóis assaltavam a sede da Generalitat (governo autônomo catalão) em Madri, com total impunidade devido à ausência de qualquer proteção policial no local. Gritos contra a Catalunha e pela unidade obrigatória da Espanha, lançamento de gases lacrimogêneos e destroços foram a marca dos fascistas na sede da Generalitat na capital espanhola neste 11 de setembro.
 
Foto Albert Garcia
Tudo indica que estamos às portas de uma derrota histórica do projeto nacional espanhol, que ao longo dos séculos XIX e XX nom deixou de perder territórios (na América e na África) e que estará prestes a perder o que tem sido um dos seus motores económicos. A Catalunha do século XXI quer romper amarras com o Reino de Espanha e conta com uma maioria social disposta a defender o seu direito à independência.
 
Outras nações, como a Galiza ou Euskal Herria, ficam um passo atrás ante o importante ascenso independentista catalão, mas é possível que a perspetiva de quebra da suposta "indivisibilidade da naçom espanhola", explicitamente manifestada na atual Constituiçom herdeira do franquismo, possa abrir novas vias para a liberdade das nações presas desse cárcere de povos chamado Espanha. Catalunha In “Diário Liberdade”


Vunidogoloa

A população de Vunidogoloa, uma pequena aldeia a meia hora da cidade de Savusavu, em Vanua Levu, a segunda maior ilha da República de Fiji, conhece por experiência própria, como as alterações climáticas devido ao aquecimento global da atmosfera, podem alterar o quotidiano das suas vidas.



O aumento do nível do mar tem afectado severamente o povo deste povoado, ao derrubar as barreiras que a protegem do oceano, inundando os terrenos férteis para a agricultura e criando uma erosão nos alicerces das habitações construídas em madeira, que as leva à destruição.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou um projecto de apoio às populações atingidas denominado “Dinheiro por Trabalho” que liderado pelos próprios habitantes da aldeia, tem reconstruído em lugar seguro, novas habitações. As entidades oficiais da República de Fiji são as principais responsáveis deste plano, contribuindo com dois terços do capital. A OIT financiou a compra de pés de abacaxis e bananeiras e outras culturas, a serem plantadas junto à nova aldeia, com a finalidade de criar riqueza na população.



Enquanto as comunidades desenvolvidas do ocidente continuam a enviar para a atmosfera grandes quantidades de dióxido de carbono, oito anos após a entrada em vigor do Protocolo de Quioto, um tratado internacional com compromissos rigorosos para a redução da emissão de gases que aumentam substancialmente o efeito de estufa, que causam o aquecimento global, as populações indefesas e vivendo de subsistência em locais remotos, são as mais afectadas por este egocentrismo das sociedades consumidoras. Baía da Lusofonia

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Angola - Comércio Internacional

Angola – Comércio Internacional

A balança comercial angolana teve no primeiro semestre de 2013 um saldo positivo de $20937 milhões dólares, segundo dados originários do Instituto Nacional de Estatística, Luanda, Angola.

Nos primeiros seis meses de 2013 as exportações angolanas registaram um total de $33521 milhões de dólares e as importações alcançaram um total de $12583 milhões de dólares, registando-se uma taxa de cobertura de 266,4%.




As exportações resumiram-se praticamente ao segmento dos combustíveis, totalizando $32974 milhões de dólares, 98,4% do total dos produtos exportados. Cinco países adquiriram no 1º semestre de 2013 mais de ¾ das vendas angolanas, ou seja 75,9%. A China é o principal comprador, $15337 milhões de dólares, 45,8 % do total das exportações angolanas. Seguem-se a Índia, 10,3% do total, Estados Unidos da América, 7,2%, Taiwan, 7,0% e Canadá, 5,6%. Para os Países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Angola exporta para o Brasil, Portugal e São Tomé e Príncipe.




Quase metade das importações angolanas, 49,8%, pertence apenas a dois segmentos, Veículos e Outro Material de Transporte, $3786 milhões de dólares, 30,1% do total e Máquinas e Aparelhos Eléctricos $2482 milhões de dólares, 19,7%. Os principais fornecedores de Angola foram, Portugal, $2051 milhões de dólares, 16,3% do total, seguindo-se, a China, 11,1%, Estados Unidos da América, 6,3%, Brasil, 4,6% e África do Sul, 4,4%. Todos os países membros da CPLP, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, como os membros associados, Guiné Equatorial e Senegal foram fornecedores do mercado angolano, durante o 1º semestre de 2013. Baía da Lusofonia

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Mais Portos Secos

                       Mais portos secos

Para enfrentar os atuais problemas provocados por congestionamentos nas vias de acesso ao Porto de Santos, muitas soluções têm sido apresentadas, desde a maior utilização dos modais ferroviário e hidroviário até a construção de obras de infraestrutura viária, passando pela eliminação do excesso de burocracia, a implantação efetiva do programa Porto 24 Horas e o agendamento prévio de caminhões que se destinam ao descarregamento de carga no cais. Sem contar a abertura de pátios reguladores de estacionamento de caminhões ao longo do Rodoanel e em outros pontos da Grande São Paulo.

É claro que todas essas medidas irão contribuir para desafogar a movimentação no Porto, ainda que a previsão de crescimento da demanda atinja números alarmantes. O que quase não se diz é que a implantação de novos portos secos ou estações aduaneiras interiores (Eadis) em cidades do Litoral ou em zonas adjacentes às regiões produtoras pode contribuir também para a superação dos problemas causados pela presença excessiva de caminhões nas rodovias e vias de acesso ao cais.

Como são recintos alfandegados que funcionam sob a aprovação e supervisão da Alfândega em áreas retroportuárias, os portos secos evitam o acúmulo de cargas nos armazéns ao longo do cais, deixando o porto público ou privado funcionando como deve ser, ou seja, local de transição da carga e não de armazenagem.

Em outras palavras: os portos secos recebem cargas de importação, antes que estas sejam nacionalizadas, e de exportação, para o processo aduaneiro. Dessa maneira, podem adiantar, fora da zona portuária, os serviços que tradicionalmente são realizados em áreas do cais. E com muito mais agilidade, diga-se de passagem. Além disso, a carga pode ser encaminhada para o complexo portuário no momento do embarque, seguindo diretamente para a embarcação, sem que haja necessidade de que fique sendo deslocada entre os armazéns à beira do cais até a hora de ser levada a bordo.

É de lembrar que os serviços dos portos secos estão sujeitos ao regime de concessão ou de permissão, mas o ideal seria que a sua implantação ocorresse sem necessidade de abertura de licitação, desde que cumpridos critérios da Receita Federal. Com isso, as unidades poderiam ser instaladas onde e quando a iniciativa privada achasse conveniente. Ou seja, em vez de concessão, haveria apenas uma licença para funcionamento.

Mas não é o que pensam as autoridades, que preferem que os novos centros logísticos industriais aduaneiros  localizem-se em cidades onde existem unidades da Receita Federal, ou limítrofes a essas cidades. Quer dizer: quanto mais burocracia houver, menos competição haverá.

Hoje, no Brasil existem 63 portos secos, dos quais 35 unidades em 14 Estados diferentes, uma no Distrito Federal e 27 apenas no Estado do São Paulo. Mas, levando-se em conta o tamanho e as necessidades do País, esse é um número modesto. Portanto, tanto os congressistas como o governo federal deveriam pensar em facilitar a proliferação de portos secos, em vez de criar obstáculos para a sua instalação. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sabóia

No Itamaraty, um diplomata merecedor do honroso legado de coragem do mártir Sérgio Vieira De Mello.

Sérgio Vieira de Mello


O nome dele: Eduardo SABÓIA, diplomata brasileiro, daquele famoso Itamaraty, o Ministério de Relações Externas do Brasil, que produz os melhores diplomatas do Mundo. Conheci o pai dele, o Embaixador Gilberto Sabóia, diplomata agora jubilado, que foi o Representante do Brasil em Genebra durante muitos anos. Um senhor alto, magro, muito reservado, discreto. Assim me lembro dele e me lembro como ele esteve sempre do lado da nossa luta pelos direitos humanos, pela vida, pela dignidade.

Assim quando ouvi falar sobre o incidente envolvendo um diplomata Brasileiro de nome Saboia, que em plena noite e de muita chuva, assumindo riscos, resgatou um político Boliviano, refugiado na Embaixada do Brasil em La Paz durante 450 dias, transportando-o para A Terra de Ipiranga, esse grande Brasil, pensei que seria alguém relacionado com aquele Embaixador alto, magro, elegante, discreto, simples que conheci. Vim a saber que era filho.

Não conheço os detalhes do antecedente, isto e, o dossier do senador Boliviano. Mas sei que o Brasil não recebe ninguém na Embaixada sem justa causa, sendo os Brasileiros tão prudentes, muito meticulosos como sempre são na gestão de dossiers complexos e delicados.

A coragem do diplomata Eduardo Sabóia fez-me lembrar o Cônsul Português Sousa Mendes, em Bordéus, França, o qual com extraordinária coragem salvou a vida de 30 mil Judeus durante o período da II Grande Guerra, emitindo-lhes passaportes contra as instruções do ditador provinciano Oliveira Salazar.


Eduardo Sabóia


Eduardo Sabóia revela ser um continuador corajoso do legado de coragem do Mártir Brasileiro, Mártir da ONU, Sérgio Vieira De Mello, cuja morte ha 10 anos num atentado terrorista em Bagdade, nos celebramos no Rio no dia 19 de Agosto. Ramos-Horta - Timor Leste in “ramoshorta.com”

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mobilidade IV

Prático

Ele não parece nenhum primor de design e, se tem propostas técnicas revolucionárias, elas não estão evidentes.

Mas esta nova motoneta elétrica é o culminar de esforços de uma equipe multidisciplinar do poderoso Instituto Fraunhofer, da Alemanha.

O projeto foi apresentado como uma solução para a mobilidade urbana, ele se chama Electromobile City Scooter, algo como motoneta elétrica urbana.

[Imagem: Fraunhofer]

 Daniel Borrmann, responsável pela equipe, afirmou que o grande diferencial da proposta é o fato de ser um triciclo, destacando que a grande preocupação é produzir um veículo que seja prático e pronto para uma adoção em larga escala.

"Apesar de os scooters elétricos oferecerem muitas vantagens, muitos motoristas não podem ou não querem fazer a troca [de um carro por uma moto] para ir à cidade. Eles simplesmente não têm a experiência de viajar em duas rodas," disse ele.

Molas de ar

Para manter a agilidade das motos, mas sem o risco de cair, o que é típico dos triciclos, os engenheiros projetaram um chassi especial, com uma suspensão que eleva as rodas traseiras de forma independente.

Molas de ar garantem uma inclinação das rodas que não tira a agilidade mesmo em curvas repentinas.

O trabalho ainda não está pronto, e o visual poderá mudar bastante sobre o mesmo chassi.

[Imagem: Fraunhofer]

"Nós demonstramos que a nossa ideia funciona em uma motoneta real. No próximo passo, nós queremos tornar o veículo ainda mais confortável. Por exemplo, por meio de sistemas para andar sem capacete, para proteger o piloto do clima e para o armazenamento de bagagem," disse Borrmann. In “Inovação Tecnológica” - Brasil