Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 19 de abril de 2025

Cabo Verde – Do bairro de Lém-Cachorro a Macau: Jovem poeta cabo-verdiano traduz para português obra da maior poetisa chinesa

Zerbo Freire, pseudónimo do poeta e tradutor cabo-verdiano Rivaldo Mendes Freire Tavares, é o organizador em língua portuguesa de “O peso do Outono sobre o coração – Antologia da poesia lírica de Li Qingzhao”, tida como a mais importante poetisa chinesa de todos os tempos. Apresentado na XIV edição do Festival Literário de Macau – Rota das Letras 2025, Zerbo espera poder apresentar esse seu trabalho em Cabo Verde, juntamente com outras obras, nomeadamente, a tradução de poemas de Amílcar Cabral para o chinês



Das ruas do bairro do Lém Cachorro, cidade da Praia, ilha de Santiago, às salas de aula de Macau, Zerbo Freire diz que sempre foi um amante da escrita poética, que começou em ritmos de rap, aos 15 anos. Em 2017, quando embarcou para estudar “Ensino da Língua Chinesa como Língua Estrangeira”, pelo Instituto Politécnico de Macau, levou consigo um diário com poemas escritos em crioulo, que foram posteriormente traduzidos em português e resultaram na sua primeira obra poética.

Actualmente é mestre em Estudos da Tradução pela Universidade de Macau e doutorando em Estudos Literários e Interculturais nesta mesma instituição. Em 2022, no âmbito da II Semana de Cultura Chinesa realizada pelo jornal Hoje Macau, apresentou a tradução Quadras Chinesas, a primeira tradução directa de poesia chinesa feito por um cabo-verdiano.

“O peso do outono sobre o coração”

Sobre o seu mais recente trabalho, a tradução para o português de “O peso do outono sobre o coração – Antologia da poesia lírica de Li Qingzhao”, diz que começou a traduzir essa poetisa em Outono de 2022, como parte da sua dissertação de mestrado e logo ganhou gosto pela obra dessa autora.

Volvidos apenas três anos, diz que esta tradução, obra que já foi apresentada na XIV edição do Festival Literário de Macau – Rota das Letras 2025, no passado dia 29 de Março, foi o “cumprir” da proposta que fez na conclusão do relatório de mestrado.

“Uma contribuição relevante”

“O meu livro é um dos poucos ou o único trabalho científico sobre a tradução de Li Qingzhao poesia lírica em português”, afirma, ressalvando que a mesma autora (1084-cerca de 1155), é considerada, “por muitos críticos e tradutores chineses e ocidentais, como sendo a maior poeta da vertente feminina da literatura chinesa”.

“Li Qingzhao é um nome que atrai geral aclamação, é considerada, por muitos críticos e tradutores chineses e ocidentais, a maior poeta da vertente feminina da literatura chinesa. Na língua portuguesa, porém, não tínhamos nenhuma antologia dedicada totalmente à sua obra. Por isso mesmo, decidi dar este pequeno contributo”, afirma o nosso entrevistado.

Zerbo diz que neste momento o que o inspira mais a escrever são as traduções que vai fazendo e que esse exercício acaba por o instigar a “re imaginar outras vivências, muitas vezes bem distantes dos nossos dias; para mim, isto é prazeroso e inspirador, simplesmente”.

Tradução de Amílcar Cabral para o chinês

O entrevistado do A Nação avançou que pretende, ainda neste ano de 2025, apresentar “O peso do outono sobre o coração – Antologia da poesia lírica de Li Qingzhao” em Cabo Verde, porquanto, apesar de saber que na UNI-CV existe o curso de licenciatura em Estudos Chineses, “pouco ou quase nada é publicado sobre a poesia chinesa” e diz que ele próprio, poeta e tradutor, “não conhece tradutores cabo-verdianos da poesia chinesa”.

Avançou ainda que neste mês de Abril tem “uma série de palestras” na Universidade de Macau e Universidade da Cidade de Macau, em comemoração dos 49 anos da cooperação entre Cabo Verde-China.

Quanto aos planos futuros diz que tem em curso “um livro simples sobre as canções tradicionais de Cabo Verde”, juntamente com uma colega chinesa. “Escolhemos dez canções cabo-verdianas para comentar e traduzir para o português e chinês e que provavelmente será apresentado no próximo ano, em comemoração dos 50 anos das relações entre Cabo Verde e China”.

Confessou igualmente que está a traduzir a poesia do líder da Revolução Chinesa, Mao Zedong, para o português e do líder da luta pela Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, Amílcar Cabral, para o chinês.  “Espero poder publicar estas duas obras no ano que vem, 2026, em Cabo Verde”, afirma.

O seu mais recente livro, “O peso do outono sobre o coração – Antologia da poesia lírica de Li Qingzhao”, tem selo da editora Livros do Meio. Tiago Ribeiro – Cabo Verde in “A Nação”


segunda-feira, 14 de março de 2022

Macau - Cultura chinesa “tem muito para dar ao mundo”

Terminou no sábado a segunda edição da Semana da Cultura Chinesa. Depois de cinco dias de promoção da arte, literatura e música da China, Carlos Morais José, organizador do evento, constatou que a comunidade lusófona está agora mais interessada na cultura chinesa. No entanto, assumiu que ainda há um longo caminho a percorrer para aumentar o nível de conhecimento da cultura


A cultura da China esteve, ao longo dos últimos dias, em destaque na Fundação Rui Cunha. A segunda edição da Semana da Cultura Chinesa quis aproximar a lusofonia da arte, literatura e da música da China. O evento terminou no sábado e Carlos Morais José, organizador da iniciativa, revelou-se satisfeito com as sessões apresentadas e constatou que “cada vez há mais pessoas da comunidade lusófona interessadas na cultura chinesa”.

Apesar de ser “uma cultura milenar que tem muita coisa para dar ao mundo”, é ainda algo desconhecida entre a comunidade lusófona. “Esta é uma forma de a tentar divulgar um pouco mais, para que haja uma melhor compreensão”, explicou ao Ponto Final o proprietário do Hoje Macau e da editora Livros do Meio.

O organizador do evento lamentou também que, apesar dos 500 anos de história entre Portugal e a China, “a nossa sinologia é das mais pobres da Europa”. Morais José explicou que, uma vez que “a China recuperou o lugar cimeiro entre as nações”, há “todo o interesse para Portugal e lusofonia em geral um melhor conhecimento da cultura chinesa”.

O responsável referiu também que Macau deveria ter um instituto de sinologia, fazendo mais tradução da cultura chinesa para a língua portuguesa: “Macau podia ter um papel mais relevante nessa tradução como ponte para os países lusófonos”.

Música, literatura, pintura

O evento começou na segunda-feira, dia 7 de Março, com música e poesia, através do Macau String Trio, tendo-se seguido o lançamento de um livro sobre o mais famoso dos poetas chineses, “Li Bai – A Via do Imortal”, de António Izidro, com apresentação de Frederico Rato.

Na terça-feira comemorou-se o Dia Internacional da Mulher, que o evento assinalou com uma conferência virtual da professora da Universidade Politécnica de Macau Ana Saldanha, intitulada “A condição feminina da China Imperial à China socialista: evolução sociopolítica e jurídica da mulher chinesa”.

No dia seguinte realizou-se o lançamento do livro “Nove Pontos na Bruma – textos sobre a China”, de Carlos Morais José. O trabalho é “uma miscelânea de textos sobre a China. Arte, história, literatura, tradições e até anedotas. O livro não versa sobre um só tema, mas são textos diversos de temáticas diversas sobre a China que tenho vindo a escrever com o passar dos anos”, explicou o autor antes do lançamento.

Na quinta-feira foi lançado o livro “Inquirições Sínicas”, de Paulo Maia e Carmo, um especialista em arte chinesa, apreciador de pintura tradicional, que contou com a apresentação do médico-poeta Shee Va.

A Semana da Cultura Chinesa terminou no sábado, com música e o lançamento do livro “Quadras Chinesas”, uma tradução do poeta cabo-verdiano Zerbo Freire. Esta é a primeira vez que um natural de Cabo Verde traduz directamente do chinês para língua portuguesa poesias da dinastia Tang. A apresentação esteve a cargo de Yao Jingming. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Macau - Cabo-verdiano “sonha” ver livro de poesia traduzido para chinês

O cabo-verdiano Zerbo Freire, de 21 anos, lançou ontem em Macau o seu primeiro livro de poesia, com o sonho de um dia podia ser traduzido em chinês



O plano, “que é também um sonho”, é tentar traduzir o livro para chinês, contou à Lusa o jovem de Cabo Verde, natural de Lém Cachorro, cidade da Praia.

“Questões para onde irei, como irei” e tentar encontrar um caminho são o foco deste primeiro livro, que foi apresentado na Fundação Rui Cunha, explicou.

A tradução para chinês do seu livro de poesia “Visão, Direção, Ação”, da editora COD, será o culminar de um sonho, que começou ainda em Cabo Verde com alguns dos poemas a serem escritos em crioulo.

Zerbo Freire chega a Macau, com 18 anos, em Agosto de 2017, através de uma bolsa de estudo do Instituto Politécnico de Macau para estudar Língua e Cultura Chinesa. Em Macau começou a traduzir alguns dos poemas que tinha escrito no dialecto da sua terra natal para a “Língua de Camões”.

Parte da influência da obra, explicou, nasceu também em Macau e em Pequim, onde o jovem poeta esteve em 2019 em intercâmbio na Universidade de Língua e Cultura de Pequim. Muitos poemas são germinados depois do conhecimento da língua e cultura chinesa, detalhou.

O jovem poeta explicou ainda o processo, “o contraste cultural e linguístico”, que passou ao chegar ao continente asiático, até conseguir “admirar e respeitar e apreciar a cultura chinesa”, principalmente a língua.

“Memórias, viagens, experiências, saudade, mutações estão presentes” nas páginas de um livro “onde a sua sensibilidade e escrita nos proporciona um olhar mais próximo de um sentir e estar cabo-verdiano na China e no mundo”, destacou a Fundação Rui Cunha na antevisão da sessão de lançamento. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”