Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Miguel Jorge: contos eróticos e bem escritos

                                                       I
Publicar mais de 40 livros não é para qualquer um. Ainda mais com qualidade. É o caso do escritor Miguel Jorge (1933), mato-grossense de origem libanesa criado e vivido em Goiás, que, em 2016, publicou A fuga da personagem (Goiânia, Editora da UFG), a 40ª obra de uma carreira que inclui vários romances, livros de poesia e contos, peças de teatro e roteiros para cinema.  O livro reúne 13 contos, mas é possível dizer que traz doze contos e uma novela policial, que seria o último texto da obra, “Crime imperfeito: Dora”.

Primeira experiência do autor nessa área, o texto, com 39 páginas, foge um pouco ao tamanho normal de um conto, mas ainda estaria longe de constituir uma novela, que, segundo estudiosos, deve conter de cem a duzentas páginas ou mais de vinte mil palavras, “a meio caminho entre o romance e o conto”, como se lê no Dicionário de Termos Literários (São Paulo, Cultrix, 2004), de Massaud Moisés (1928-2018). Aliás, este professor não concordava com essa definição simplista, baseada no critério quantitativo, definindo-a como um “equívoco metodológico”.

Seja como for, o texto de Miguel Jorge está mais para novela do que para conto ou romance por muitas razões que não valeria a pena aqui citar, até porque Massaud Moisés gastou nada menos que sete páginas (pp.320/326) para procurar definir esse vocábulo que até hoje é passível de discussões tanto na literatura espanhola como na francesa, na inglesa, na alemã ou na italiana.

Obviamente, parece claro que o melhor do livro é mesmo este conto ou novela que o encerra, embora os demais textos tenham também o mesmo tom experimental que caracteriza a obra de Miguel Jorge, de que são bons exemplos Veias e vinhos (São Paulo, Ática, 1982), romance-reportagem, talvez o seu livro mais conhecido e louvado, é Avarmas (São Paulo, Ática, 1978), que reúne contos que seguem nas pegadas do escritor irlandês James Joyce (1882-1941).

                                                       II
Em “Crime imperfeito: Dora”, através dos interrogatórios feitos por um delegado  com vários suspeitos do assassinato de uma “dama da sociedade”, de nome Doralice, mulher que seria “bonita, elegante, dessas que até os cegos querem”, conforme depoimento de um dos interrogados, fica-se sabendo de pormenores de quem vivia uma vida dissoluta, que compartilhava a casa com um sobrinho, de quem também seria amante, mas entregava-se a vários amores furtivos. Como numa boa novela policial, o segredo só é revelado nas últimas linhas e a conclusão é bastante surpreendente.

Tal como esse conto que seria mais uma novela, os demais também envolvem histórias sobre o gênero erótico, alguns, inclusive, passando dos limites aceitáveis, como o do caminhoneiro que procura desnudar e transar com as três filhas menores de idade. O conto, porém, não deixa claro se o caminhoneiro chega a vias de fato, o que poderia lhe causar alguns anos de xilindró, se viesse a ser denunciado.

Quase todos os contos, que, diga-se de passagem, são bem escritos, envolvem taras ou desvios sexuais, como o daquele homem que se confessa tarado por pés de mulheres, mas que, igualmente, nunca se sabe se consegue de algum modo ir até o fim em sua procura. Já no conto “Perigosos afetos”, a personagem Hélida, noiva da Márcio, embora apaixonada pelo prometido, sonha também com Marcos, seu cunhado e irmão gêmeo do futuro marido. 

No conto que dá título à obra, a história surrealista que se lê é a de Maria Paula, personagem que sai do livro e rebela-se contra o seu criador, o escritor, negando-se a retornar às páginas de onde saíra. Ao final do conto, entre parênteses, há uma observação do escritor-personagem que serve também para resumir o tratamento dado pelo próprio autor a sua escritura, enfim, uma definição ou um resumo do seu ofício: Eis o texto:

“Meus personagens surgem da luz, não das sombras, que envolvem as noites. Dou-lhes forma, personalidade, vida. Frutos de mim mesmo. Da repartição de vários nomes, vários lugares, novas máscaras. Mesmo que em sonhos, me faço neles, me guardo neles, talvez, como se fosse eles. Para isso, se espera um mundo de horas, a eternidade passada em segundos. Os gestos humildes, obscenos, brutais, são jogos duros da terra que criei com seus tortuosos caminhos).

Não pense o leitor, porém, que irá encontrar nestes contos enredos próprios de livros baratos que exploram a pornografia. Pelo contrário. Como bem observa o escritor Ronaldo Cagiano no texto de apresentação que escreveu para esta obra, “na construção dessas narrativas finamente elaboradas, o sexo e suas paixões são abordados com sutileza estilística e fluxo poético e na sua peculiar intensidade aflora o império dos sentimentos”. 

                                                      III
Nascido em Campo Grande-MS, Miguel Jorge mudou-se ainda menino, com seus pais comerciantes, para Inhumas-GO, onde fez o curso primário. Depois, cursou o ginásio em Goiânia e concluiu o científico em Belo Horizonte. Formou-se em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em Direito e Letras Vernáculas pela Universidade Católica de Goiás (UCG). Foi professor de Farmacotécnica e de Literatura Brasileira na UCG. Foi presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), seção de Goiás, e dirigiu o Conselho Estadual de Cultura. É membro da Academia Goiana de Letras.

Estreou com Antes do túnel, contos (Goiânia, UFG, l967). É autor ainda de Asas de moleque (São Paulo, FTD, 1989); Profugus, poesia (São Paulo, Ática, 1990; Nos ombros do cão, romance (São Paulo, Siciliano, 199l); A descida da rampa, contos (São Paulo, Estação Liberdade, 1993); Ana Pedro, novela infanto-juvenil (São Paulo, Cartago Forte, 1994. São Paulo, Mercuryo Jovem, 2002); Pão cozido debaixo de brasa, romance (Porto Alegre, Mercado Aberto, l997); Calada nudez, poesia (Goiânia, Ver Curiosidades, 1998); As horas dos bichos: poemas para crianças (Goiânia, Kelps. 2000); Lacraus, contos (São Paulo, Ateliê, 2004); O Deus da hora e da noite, romance (Goiânia, Kelps, 2008); As confissões da senhora Lydia, teatro (Goiânia, Kelps, 2010); De ouro em ouro (Casa Brasil de Cultura, 2010); e Minha querida Beirute (Goiânia, Kelps, 2012), entre outros.

Entre os prêmios que conquistou estão o ABCA para o romance Veias e vinhos; Machado de Assis da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro para o romance Pão cozido debaixo de brasa; Prêmio de Poesia Hugo de Carvalho Ramos da UBE-GO para Calada nudez; e Prêmio Centro-Oeste da Funarte para Matilda, teatro, entre outros. Escreveu com o diretor João Batista de Andrade o roteiro para o longa-metragem Veias e vinhos, baseado em seu romance, filmado em São Paulo, em 2004. Seus textos sobre artes visuais estão inseridos, na grande maioria, no livro Da caverna ao museu: dicionário das artes plásticas em Goiás, de Amaury Menezes, editado pela Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira, de Goiânia. Adelto Gonçalves – Brasil


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A fuga da personagem, contos, de Miguel Jorge, com prefácio de Ricardo Viveiros e texto de apresentação de Ronaldo Cagiano. Goiânia:  Editora da UFG, 260 p., R$ 30,00, 2016.  E-mail: comercial.editora@ufg.br Site: www.cegraf.ufg.br
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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


sábado, 28 de novembro de 2015

‘Minha querida Beirute’: saga da cultura libanesa no Brasil

                                                           I

Foi o crítico literário e filósofo da linguagem russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) quem, nos anos 20 do século XX, empregou o conceito de polifonia, então um termo mais utilizado em discussões teóricas sobre música, para analisar a obra de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), o que o fez revolucionariamente em Problemas da poética de Dostoiévski (São Paulo, Forense, 2010) e Questões de literatura e de estética (São Paulo, Hucitec, 2010), ao afirmar que a literatura, mais especificamente o romance, podia colocar em jogo uma multiplicidade de vozes ideologicamente distintas, que resistiam ao discurso autoral.

O mesmo arcabouço teórico pode ser utilizado para definir como texto polifônico Minha querida Beirute (Goiânia, Editora Kelps, 2012), o sexto romance de Miguel Jorge (1933), autor nascido em Mato Grosso do Sul, mas radicado desde criança em Goiás, dono de vasta obra, que inclui mais de 30 livros de poemas, romances, novelas infanto-juvenis e contos, além de ensaios e peças de teatro, que lhe renderam várias premiações e o levaram a ser incluído no Dictionary of International Biography, Twenty-Third Edition, da Inglaterra, honraria rara para um escritor brasileiro.

Essa filiação à definição bakhtiniana já havia sido percebida pela professora Moema de Castro e Silva Olival, em seu recente livro A literatura brasileira e a cultura árabe (Goiânia, Editora Kelps, 2015), no qual estuda livros de autores descendentes de libaneses, entre os quais os de Miguel Jorge, como Veias e vinhos (1982), Nos ombros do cão (1991) e Pão cozido debaixo de brasa (1997), trilogia urbana centrada em Goiânia, O Deus da hora e da noite (2008), dedicando, porém, a maior parte (48 páginas) de sua análise à Minha querida Beirute, ao percorrer detidamente cada um dos seus 36 capítulos.

Para Moema Olival, Miguel Jorge, a cada capítulo de Minha querida Beirute, acresce “mudanças de foco, de percepção da realidade, que, na proliferação de vozes diversas, nos fornecem dado de enriquecimento quanto aos diversos perfis que nos são apresentados, de tal maneira que o esboço da personalidade de cada personagem se realize com mais completude”.

Sem dizê-lo explicitamente, a professora aponta, com percuciência critica, a natureza polifônica do romance, como diria Bakhtin se tivesse vivido para ler este livro, ainda que em uma hipotética tradução russa. Enfim, para a professora, Minha querida Beirute constitui um “privilegiado campo de interesse das disciplinas interdisciplinares que hoje atuam de modo significativo na leitura crítica dos textos, como psicologia, filosofia, psicanálise, sociologia, história, uma vez que o grande objeto é o ser humano”.

Já o professor Rogério Santana, da Universidade Federal de Goiás (UFG), mestre em Literatura Brasileira pela UFG e doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo, no texto de apresentação que escreveu para este livro, chama a atenção para a definição bakhtiniana de polifonia, que tornou “compreensível a dimensão das várias vozes que podem compor uma narrativa”, dizendo que Minha querida Beirute é exatamente um romance polifônico, embora não seja “feito de vozes que se cruzam, no afã de colocar o leitor em posição de investigador de narradores”.

Para Santana, Miguel Jorge, com seu domínio narrativo invejável, permite que o leitor possa sentir e se beneficiar do deleite estético que o romance reserva no discurso do narrador distanciado, dos personagens e de outros agentes discursivos “como metáfora do mundo de ilusão que é a literatura”. Depois de definições tão perfeitas, difícil é imaginar o leitor destas linhas que não se sinta atraído por conhecer este romance.

                                               II
Considerando-o então já fisgado, para auxiliar esse hipotético leitor, é preciso agora contar o que reserva este livro de Miguel Jorge. Em linhas gerais, conta a história de um anti-herói, Monsalim, ou apenas Salim, em sua luta para reconstruir sua vida no Brasil, mais especificamente no Brasil Central, em Goiânia, desde quando, comandante de um grupo armado num dos muitos combates políticos que se travavam no Líbano, decidiu deixar a guerra para trás, trazendo consigo no navio a fiel esposa Nasta e Chalub, Ziad, Narrid, Rachid e Mamede, seus ex-comandados e “figadais companheiros de aventuras e desventuras”, como observa Carlos Nejar no prefácio que escreveu para este livro.

Mas não se pense que o leitor haverá de sentir desde logo simpatia por Monsalim. Pelo contrário. Aos olhos de hoje, poucos haverão de nutrir bons sentimentos por um homem que constitui o physique du role do libanês bem sucedido (ao menos no Brasil): machão, falso moralista, ditador em casa com a mulher e a família e igualmente mandão com os amigos e aqueles que passam a depender de sua astúcia financeira, ícone da cultura patriarcal, galanteador e libidinoso nas ruas, cortejado e amante de muitas mulheres, um tipo “com os dedos cheios de anéis de ouro e grossas correntes no pescoço”, como diria dele uma voz maledicente da Rua 4, a das lojinhas dos turcos em Goiânia. Enfim, o rei do mundo. Obviamente, não se quer dizer aqui que todo libanês (ou seu descendente) seja assim. Até porque há muitos que são bons pais de família, fiéis à esposa, solidários com os amigos.

Para compor aquela figura estereotipada, Miguel Jorge, com invejável mestria, recorre a toda sorte de expediente literário, ao imaginá-la vítima de uma agressão (pouco esclarecida), com uma faca atravessada no pescoço, que não pode ser arrancada sob pena de levá-lo de vez para o outro mundo. A partir desse episódio e de sua luta pela sobrevivência, o romancista, igualmente descendente de libaneses, em ritmo cinematográfico, com flashbacks sucessivos, diálogos, monólogos interiores e oito cartas de ex-amantes, constrói uma personagem que é facilmente identificada em vários tipos que se destacaram (e ainda se destacam) na vida nacional e que, bem ou mal, refletem em parte os valores que desde o berço trouxeram do Líbano.

Como bem observa Carlos Nejar no prefácio, há, porém, neste livro capítulos de alta voltagem poética e ainda um texto antológico que chama atenção pela construção de uma personagem que não é humana, a cachorra Valderéz, que faz lembrar a Baleia, de Vidas Secas, de Graciliano Ramos (1892-1953), a cadelinha Mila, de Quase memória, de Carlos Heitor Cony (1926), e Os bichos, de Miguel Torga (1907-1995).

                                               III
Miguel Jorge, poeta, romancista, contista, dramaturgo, cronista, ensaísta e roteirista, nasceu em Campo Grande-MS, mas cedo se mudou com seus pais comerciantes para a cidade de Inhumas, em Goiás, onde fez o curso primário. Cursou o ginásio em Goiânia e terminou o científico no colégio Marconi, em Belo Horizonte. Formou-se em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Minas Gerais, Direito e Letras Vernáculas pela Universidade Católica de Goiás, lecionou Farmacotécnica na Faculdade de Farmácia da UFG e Literatura Brasileira no Departamento de Letras da Universidade Católica de Goiás.

Foi um dos fundadores do Grupo de Escritores Novos (GEN) e seu presidente por duas vezes. Também foi por duas vezes presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), seção de Goiás. Dirigiu também por duas vezes o Conselho Estadual de Cultura de Goiás e é membro da Academia Goiana de Letras.

Estreou com Antes do túnel, contos (Goiânia: Editora da UFG, l967). Entre seus últimos livros, estão O Deus da hora e da noite, romance (Goiânia: Editora Kelps, 2008); Dias pequenos: de como as mulheres atraem seus maridos, comédia em um ato; As confissões da senhora Lydia, drama em um ato (Prefeitura de Goiânia, Editora Kelps, 2010); e De ouro em ouro, edição que contém Livro de poemas, com ilustrações do pintor Roos e CD com poemas declamados pelo próprio autor (Casa Brasil de Cultura, 2010).

Entre os prêmios que conquistou estão o ABCA para o romance Veias e vinhos (1982);  Machado de Assis da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro para o romance Pão cozido debaixo de brasa (1997), Prêmio de Poesia Hugo de Carvalho Ramos da UBE-GO e Secretaria Municipal de Cultura (1989) para Profugus, Prêmio de Poesia Hugo de Carvalho Ramos da UBE-GO e Secretaria Municipal de Cultura (1998) para Calada nudez (l998) e 2º Prêmio Centro-Oeste da Funarte para Matilda, peça de teatro.

Escreveu com o diretor João Batista de Andrade o roteiro para o longa-metragem Veias e vinhos, baseado em seu romance, filmado em São Paulo, de abril a maio de 2004 e lançado no mercado em 2006. Seus textos sobre artes visuais estão inseridos, na grande maioria, no livro Da caverna ao museu: dicionário das artes plásticas em Goiás, de Amaury Menezes, editado pela Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira, de Goiânia. Adelto Gonçalves - Brasil

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Minha querida Beirute de Miguel Jorge, com prefácio de Carlos Nejar e apresentação de Rogério Santana. Goiânia: Editora Kelps, 634 págs., 2012, R$ 29,90. E-mail: migueljorgeescritor@gmail.com

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Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br