Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 4 de julho de 2022

França – Quando os suíços emigravam para Bordéus para escapar da pobreza

A Sociedade Suíça de Bordéus comemora 200 anos de existência. O presidente Jean-Michel Begey lembra que o objetivo inicial da associação era "ajudar migrantes suíços em situação de pobreza", como mostram documentos históricos


A presença da migração suíça em Bordéus, na França é de longa data. Em 1822, cerca de 50 migrantes criaram a Sociedade Suíça de Caridade (Societé Suisse de bienfaisance). Hoje, as atividades dessa associação na cidade portuária francesa são principalmente recreativas e envolve 120 famílias. Por ocasião do bicentenário, o presidente Jean-Michel Begey relata em um livro os pontos altos da história da colónia.

swissinfo.ch: Como surgiu o livro?

Jean-Michel Begey: A história começou com uma descoberta extraordinária feita quando o Consulado Suíça foi fechado em Bordéus, em 2008. Nós encontramos coleções de registos administrativos da Sociedade Suíça, alguns dos quais datando da sua criação em 1822. São documentos importantes, pois testemunham não só a história dos migrantes suíços, mas também a situação da Suíça na época. O livro contextualiza os extratos mais significativos destes documentos.

swissinfo.ch: Como funcionava na época a Sociedade Suíça de Caridade?

J.B.: Uma grande parte dos migrantes que chegavam a Bordéus fugiam da pobreza. O objetivo deles era poder embarcar num navio e procurar outros destinos no estrangeiro. Alguns não tinham dinheiro para pagar a viagem e terminavam na miséria. A Sociedade Suíça de Caridade ajudava essas pessoas, dava roupas, cobertores, pão ou dinheiro. Às vezes ajudava também os que queriam retornar à Suíça.

swissinfo.ch: O que os documentos revelam sobre a vida na Suíça naquela época?

.B.: Acima de tudo, pode ver que havia uma grande pobreza no país, uma situação que durou até à década de 1920. O governo escreveu então a todas as associações de migrantes suíços no mundo, solicitando que ajudassem os seus compatriotas recém-chegados. Após a I Guerra Mundial havia uma grande falta de mão-de-obra na França, especialmente na região de Bordéus. Portanto, seria uma boa oportunidade para os migrantes de tentar a sua sorte por lá. A Sociedade Suíça de Caridade ajudava essas pessoas, pois muitas vezes eram mal pagas, mal alojadas e subnutridas.

A organização também ajudou 20 migrantes que tinham vindo trabalhar na fábrica de óleo de Bordéus sob difíceis condições. Eles tinham chegado para substituir os trabalhadores franceses mobilizados na guerra.

swissinfo.ch: Que traços os migrantes suíços deixaram na região?

J.B.: Muitos comerciantes de vinho abandonaram a Suíça e foram para Bordéus. Eles deixaram a sua marca na cidade. Ainda hoje, as ruas ainda levam os seus nomes. Em 1830, muitos pasteleiros do cantão dos Grisões também chegaram à região. Algumas famílias ainda são conhecidas na cidade como os Demund, ainda hoje bastante ativos na gastronomia local.

swissinfo.ch: O que mais o impressionou ao investigar os arquivos?

J.B.: Descobri algumas anedotas interessantes. Por exemplo, numa ata de reunião, o presidente na época falou sobre a morte de um homem e disse que estava muito chateado, pois o falecido tinha um casaco de certo valor. Assim pediu permissão ao comité para vendê-lo. O objetivo era ajudar outros suíços necessitados. O assunto ocupou toda a reunião.

swissinfo.ch: Em 1921, uma segunda sociedade foi formada. Porquê?

J.B.: Além de ajudar os compatriotas, as pessoas também queriam divertir-se. Assim criaram o Clube Suíço de Bordéus para organizar atividades recreativas. Em 1945, o secretário da Sociedade Suíça de Caridade ofereceu ao clube um edifício que se tornou a Casa Suíça (Maison Suisse). Os membros reuniram-se no local para festas, que podiam reunir centenas de pessoas. No início dos anos 2000, os custos de manutenção do edifício aumentaram e, assim, a vendemos e fundimos as duas organizações na Sociedade Suíça de Bordéus. Continuamos a ajudar pessoas necessitadas e a apoiar diversos projetos. Katy Romy – Suíça in “Swissinfo”





quarta-feira, 20 de abril de 2022

Brasil - Acolhe mais de 7 mil indígenas venezuelanos, afirma Acnur

A Agência da ONU para Refugiados diz que 819 foram reconhecidos como refugiados, metade do grupo espera análise do pedido e 33% possuem residência temporária no país, a Agência faz campanha para combater a xenofobia e discriminação


Desde 2014, um fluxo crescente de pessoas indígenas da Venezuela tem sido registado pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, no Brasil.

Segundo o Acnur, mais de 7 mil indígenas venezuelanos estão em território brasileiro, sendo que 819 já foram reconhecidos como refugiados pelo governo do país.

Refugiados indígenas

Mais de 3,7 mil, que representam mais da metade do grupo, aguardam a análise da solicitação de asilo, enquanto 33% já possuem residência temporária no país.

Crianças e adolescentes representam quase metade desta população, que é composta por diferentes grupos étnicos, sendo a maioria Warao e Pemón.

Grande parte dos povos originários da Venezuela concentram-se nos estados de Roraima, Amazonas e Pará, mas diversos Warao continuam a deslocar-se para outras áreas do Brasil.

De acordo com o representante do Acnur, em Brasília, José Egas, o trabalho humanitário requer responsabilidade em adaptar serviços de acordo com crenças e tradições dos grupos.

Ele adiciona que, em apoio às ações do governo e em parceria com outras agências da ONU, organizações da sociedade civil e do setor privado, o Acnur é capaz de implementar soluções “assegurando direitos fundamentais e garantindo a sua proteção como pessoas indígenas e refugiadas no território brasileiro”.

Cultura imaterial Warao

Na página do Acnur, existem dados sobre a resposta, publicações e uma série de vídeos para ajudar com informação, consciencialização e combater a xenofobia e a discriminação. Uma dessas ações é a série de vídeos “Cultura Imaterial Warao”, divididos em cinco diferentes temas: mito, alimentos e cura, língua, dança e canto.

Ao apresentar a diversidade cultural e os amplos conhecimentos imateriais dos Warao, o conteúdo resgata as suas tradições para que as suas origens e crenças sejam sempre lembradas e compreendidas. Este 19 de abril, o Brasil marca o Dia do Índio. ONU News – Nações Unidas com Acnur