Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Moçambique - Milhares de pessoas fogem para o Malawi

Segundo fontes governamentais, cerca de 13.000 pessoas atravessaram a fronteira para o Malawi desde o dia em que o Conselho Constitucional anunciou os resultados finais das eleições de 9 de Outubro que dão vitória ao partido Frelimo e ao seu candidato presidencial Daniel Chapo. O anúncio desencadeou uma semana de protestos particularmente violenta, marcada por incidentes de vandalismo, barricadas e pilhagens.

Segundo as autoridades, a maior parte das pessoas cruzaram o sul do Malawi, muitas delas atravessando rios para escapar à agitação.

Dominic Mwandira, comissário para o distrito fronteiriço de Nsanje, no sul do Malawi, disse que cerca de 2500 famílias tinham chegado até à data, alertando para o facto de o número poder vir a aumentar.

“Cerca de 11.000 pessoas atravessaram o rio Shire para entrar no Malawi, enquanto outras 2000 atravessaram o rio Ruo”, especificou.

Vários ministérios do Governo foram postos em alerta e os requerentes de asilo estão a ser alojados em vários locais temporários, acrescentou.

Sob condição de anonimato, um funcionário da agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR) já fala em situação de emergência. “Dada a complexidade da situação, ainda não verificámos o número exacto de chegadas. Os esforços de registo começaram no domingo e teremos uma ideia mais clara quando este processo estiver concluído”, disse.

“Poderemos então avaliar a forma de os encaminhar para um alojamento mais permanente”, acrescentou a fonte da ACNUR.

Entretanto, o pequeno Reino de Essuatíni, a sul de Moçambique, registou um afluxo de mais de 350 moçambicanos esta semana, disse o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Pholile Shakantu. O número total de chegadas de moçambicanos desde o início dos protestos contra os resultados eleitorais aumenta assim para 500, acrescentou.

“Os nossos braços estão abertos enquanto país… Queremos tranquilizar e reafirmar o nosso compromisso como país para ajudar os nossos vizinhos de Moçambique”, disse o ministro.

Destruídas dezenas de viaturas da saúde e artigos médicos

“Nós temos até agora mais de 77 viaturas entre vandalizadas e destruídas e destas pelo menos 55 estavam na central de abastecimento e inclui viaturas novas que ainda deviam ser distribuídas pelo país”, disse o ministro da Saúde, Armindo Tiago, em declarações à comunicação social.

O responsável, que falava durante uma visita a unidades hospitalares da cidade de Maputo, revelou que um dos armazéns do centro de abastecimento de medicamentos incendiado em Maputo por manifestantes após a proclamação dos resultados pelo Conselho Constitucional continha medicamentos avaliados em 5 milhões de dólares.

“Roupa hospitalar estava lá, compramos roupa hospitalar para 70 mil funcionários do Serviço Nacional de Saúde, que inclui sapatos medicinais, batas, calças, luvas, tudo estava lá e só isso está avaliado em 10 milhões de dólares, incluindo o chamado material necessário para fazer gessos em bruto”, disse Armindo Tiago, referindo-se a outros materiais hospitalares perdidos na sequência do incêndio.

O governante disse que Moçambique precisará de pelo menos dois anos para recuperar dos impactos dos actos de vandalismo e destruições no sector da saúde, destacando que levará pelo menos um ano para conseguir requisitar e receber os materiais médicos incendiados no centro de abastecimento de medicamentos.

“Mas o maior problema é que aquele é um armazém – nós também temos produtos que hão de chegar -, como ele está destruído, neste momento teremos de encontrar alternativas para colocar os equipamentos, produtos médicos que chegam ao país”, apontou Armindo Tiago. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Deutsche Welle” e “Lusa”


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Reino de Essuatíni - Língua portuguesa poderá ter presença reforçada

A língua portuguesa poderá vir a ter presença reforçada em Essuatíni (antiga Suazilândia), pequeno país da África Austral, encravado entre Moçambique e a África do Sul, disse o cônsul-geral Frederico Silva



Já houve «professores destacados para o ensino básico e secundário» naquele país, algo que as autoridades portuguesas pretendem «replicar em breve», referiu o diplomata residente em Maputo, Moçambique, após uma presença consular de dois dias em Essuatíni.

A ideia está em estudo e surge numa altura em que o ensino do português é feito a nível superior.

«Temos presença no sistema de ensino: encontra-se destacada na [antiga] Suazilândia uma leitora do Camões [Instituto da Cooperação e da Língua], que visa dar início às aulas na Universidade de Mbabane», sublinhou à agência Lusa.

A presença da língua reflete a dinâmica da comunidade portuguesa no país: são 1100 num país com pouco mais de um 1,3 milhões de habitantes, presentes em vários setores.

Grandes obras e minas nas décadas de 20 e 30 do século XX, no então protetorado britânico, atraíram emigrantes portugueses, que foram ficando, e aos quais se juntaram outros, mais tarde, quando a ex-colónia, Moçambique, ficou independente.

À medida que novas gerações foram nascendo, foram sendo naturalizadas.

Hoje, a comunidade portuguesa tem uma forte presença «no ramo automóvel, na construção civil e comércio, além de vários quadros» em atividade no país e, ao nível das principais marcas portuguesas, a Galp atua no retalho de combustíveis com 18 postos de abastecimento, descreveu.

«Há uma relação saudável» entre Portugal e Essuatíni, «com espaço para crescer, e a presença significativa da comunidade é um trunfo», acrescentou Frederico Silva.

As presenças consulares, como a realizada em Essuatíni, servem para prestar serviços descentralizados para matérias relacionadas com passaportes, cartões de cidadão, atos de registo civil e notariado, recenseamento eleitoral, inscrições consulares e ainda informação sobre programas de apoio social.

No caso, complementam o apoio prestado por um cônsul honorário, num país onde muitos portugueses ainda se reúnem em redor de coletividades como a Associação Portuguesa de Manzini ou o Grupo Desportivo Português de Mbabane, capital do país. In “Revista Port. Com” - Portugal