Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 12 de abril de 2023

Moçambique - Abril pode marcar novo foco do processo de paz com 30 anos

A guerra civil de 16 anos em Moçambique terminou há três décadas com o Acordo de Paz de Roma. O governo e o partido Renamo, então movimento rebelde, formalizaram o entendimento que teve a supervisão da Operação de Paz da ONU.

O país partilha essa experiência como membro não permanente do Conselho de Segurança, assento que ocupa até 2024. Na implementação houve episódios de insegurança até 2019, quando as partes assinaram o Acordo de Maputo.


Oportunidades de levar uma vida produtiva e pacífica

Um dos destaques desse entendimento foi a definição das etapas da reintegração de ex-combatentes da Renamo em comunidades e na sociedade. A meta é garantir oportunidades para que eles tenham uma vida produtiva e pacífica. 

Acompanhando de perto o processo está o enviado pessoal do secretário-geral para Moçambique. Mirko Manzoni disse à ONU News, em Nova Iorque, que este abril culminará com uma transição que considera essencial.

“Estamos agora no processo moçambicano num passo crucial. Porque foi feito recentemente algo muito importante: a aprovação deste decreto que vai permitir que os combatentes da Renamo sejam integrados no sistema de vida normal junto com outras pessoas. Acho que é um passo-chave que tem de ser partilhado com o mundo e em outros processos. Este passo é importante na fase de reconciliação e foi feito com muita coragem do lado do governo e do lado do presidente também.”

Foi em março que o Conselho de Ministros de Moçambique determinou o pagamento de pensões aos desmobilizados da Renamo, no âmbito do Acordo de Maputo. Para Manzoni “investir nas pensões é investir na paz sustentável e abrangente e na reconciliação nacional”.

Passos do entendimento de paz

A fase derradeira do processo de desarmamento, desmobilização e reintegração, com a sigla DDR, é para Mirko Manzoni uma experiência vital em nível nacional além-fronteiras.

“Porque acho que o processo de paz em Moçambique poderia ser considerado, no futuro, como um exemplo de uma negociação um pouco diferente. E este exemplo de negociação poderia ser também utilizado para resolver os problemas que temos em Cabo Delgado. Acho um modelo que pode ser usado em outros conflitos. Em Moçambique foi um processo muito orientado e nacional. Nós, como mediadores antes, das Nações Unidas, somos facilitadores. No princípio foi tentar fazer que as partes pudessem dialogar diretamente, sem intermediários. Eu acho que é um modelo que pode ser utilizado também em outros conflitos e processos. Foi uma modalidade que foi chave no resultado que temos hoje em Moçambique.”

O fecho da última base da Renamo desmobilizará 315 ex-combatentes, 100 dos quais mulheres em Vunduzi, província central de Manica. Daí, o foco do processo de paz mudará para a sustentabilidade em longo prazo, com maior relevo em atividades de reintegração e reconciliação. 

Pandemia e atraso das atividades

Os beneficiários do DDR devem passar a contar com oportunidades económicas, de subsistência, educação e reintegração social juntamente com os seus familiares e comunidades em todo o país. 

Até ao momento foram reintegrados mais de 1,3 mil ex-combatentes e familiares em cerca de um terço dos 154 distritos de Moçambique.

Como elemento-chave para manter os ganhos, Mirko Manzoni aponta o diálogo para empenhamento das partes no processo de paz. A pandemia global de Covid-19 foi um dos fatores que atrasaram as atividades. ONU News – Nações Unidas

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Moçambique - Prossegue com iniciativa local para consolidar a paz

A iniciativa com o apoio da União Europeia chega a 14 distritos das províncias centrais de Sofala, Manica e Tete. As atividades incluem reforço da inclusão e ação coletiva na definição e seleção de infraestruturas e serviços públicos essenciais


Moçambique segue no primeiro ano do Programa Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz, com a sigla Delpaz. A iniciativa lançada em outubro passado tem o apoio da União Europeia e faz parte da implementação do Acordo de Maputo.

O entendimento oficialmente conhecido como Acordo de Maputo para a Paz e Reconciliação Nacional foi assinado pelo governo e pelo partido Renamo na oposição, em 2019. As negociações entre as autoridades e o antigo movimento armado seguiram-se ao conflito armado que durou décadas.

Processo de Paz

O programa de desarmamento, desmobilização e reintegração, DDR, envolve o enviado pessoal do secretário-geral das Nações Unidas para Moçambique, Mirko Manzoni, e o Secretariado de Apoio ao Processo de Paz.

Mas é sob a liderança do Governo de Moçambique com a parceria da Agência Austríaca de Desenvolvimento, da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento e do Fundo de Desenvolvimento de Capital da ONU, que o Delpaz promove oportunidades de desenvolvimento económico local.

Entre os beneficiários estão comunidades antes afetadas por conflitos em 14 distritos das províncias centrais de Sofala, Manica e Tete. Um deles é Benjamim, ex-combatente da Renamo que sonha em voltar a trabalhar no seu campo agrícola, no distrito de Cheringoma, em Sofala.

Tal como outros ex-combatentes residentes na região moçambicana, ele tem a expectativa de cultivar os seus próprios vegetais, além de semear milho, feijão e mandioca, e possivelmente criar galinhas e cabras.

Segurança

Benjamim foi um dos milhares de ex-combatentes da Renamo que participou no processo de desarmamento, desmobilização e reintegração. Este instrumento do Acordo de Maputo visava garantir a superação das décadas de conflito e insegurança, e unir as comunidades.

Entre os novos conhecimentos adquiridos por Benjamim estão novas capacidades aprendidas com membros da comunidade de onde ele partiu há mais de 20 anos.

Ele disse que desde o momento em que a reintegração na comunidade e na sociedade iniciou, a sensação é de alívio. A felicidade é pelo retorno na comunidade, mas também por não ter havido problemas onde foi “recebido como um irmão.”

O Chefe do Posto Administrativo de Nhamaze, no Distrito da Gorongosa, Galício António destaca a importância da reconciliação, do retorno de ex-combatentes e da retoma da produção. Os beneficiários educam os seus filhos, integram-se na vida social e participam na comunidade.

Benefício

Na iniciativa, a ONU apoia as autoridades no reforço da inclusão de vozes locais em exercícios de planeamento e orçamento, como uma base sólida para se promover a paz duradoura, a reconciliação nacional e o desenvolvimento sustentável.

Como parte do programa, as autoridades regionais levam em conta as necessidades locais na definição e seleção de infraestruturas e serviços públicos essenciais. As ações são prestadas pelos próprios distritos às suas comunidades, de forma a promover o desenvolvimento local sustentável e a adaptação às alterações climáticas.

No apoio a ex-combatentes e comunidades afetadas por conflitos que desejam construir uma vida nova e produtiva em benefício local e das suas famílias, a ONU reitera a parceria para criar “um futuro melhor para Moçambique”.

Benjamim partilha a sua felicidade e da comunidade destacando que a paz deve continuar. ONU News – Nações Unidas